quarta-feira, 29 de maio de 2013

A eterna questão do «modelo» de gestão

Anteontem o Miguel Pereira levantou aqui a eterna questão de que modelo de gestão & nível de ambição queremos ter.

Bem, em certa medida (que não totalmente) parece-me que é uma falsa questão, porque a venda de jóias da coroa não é necessariamente incompatível com ambições mais elevadas (vs a alternativa). 

Aliás, a médio prazo não é de todo incompatível, bem pelo contrário - e graças a Deus não me parece que estejamos desesperados com sede de títulos de forma a apostar o «tudo ou nada» no curto prazo (i.e. numa determinada época), sabendo-se que o ao fazê-lo o risco do descalabro total nas épocas que se seguem seria imenso.

Como foi afirmado na caixa de comentários, a gestão corrente é deficitária (não temos as receitas estruturais de um tubarão europeu, i.e. bilheteira, merchandising, patrocínios e TV) e esse buraco só poderá ser tapado através de grandes vendas. Para perspectiva: se não vendessemos nenhum jogador esta época iríamos fazer mais de 40M de prejuízo (e para o futuro há formas de fazer descer este valor, mas não de o eliminar). Temos portanto um certo grau de flexibilidade nas escolhas que enfrentamos na questão das vendas, sim, mas claramente limitado.

Até porque há a consciência de que, apesar de sermos um clube com prestígio, não somos um clube de topo na Europa (no cômputo geral desportivo-financeiro). Sendo assim será sempre de esperar que muitos dos nossos jogadores tenham a ambição (financeira apenas, ou financeira e desportiva) de mais cedo ou mais tarde «dar o salto», e seria contraprodutivo tomar sistematicamente uma posição intransigente bloqueando a sua saída.

E «contraprodutivo» porque 1. alguns dos jogadores que costumamos atraír (entre os que são jovens, promissores e com um CV já jeitoso) iam deixar de querer vir para o FCP, e. 2. porque os jogadores que já cá estão iriam começar a recusar-se sistematicamente em renovar contratos, e/ou a invocar unilateralmente a cláusula Bosman ao fim de 3 anos.

Concluindo: eu estou portanto totalmente resignado a que em média saia um par de titulares todos os anos.

Dito isto, acho que devíamos ter todas as condições de gestão para podermos decidir o timing exacto, quem sai, e em que condições ($) – e acho que podíamos estar melhor nesse aspecto do que estamos (mesmo que apoie as vendas específicas de James e Moutinho neste momento e nos moldes em que foram feitas - sabendo que não havia forma de os segurar mais um ano, a não ser que fossem vendidos outros como Jackson, ou contraindo novos empréstimos de dezenas de milhões a 10% de juros ao ano, partindo do pressuposto que há quem estivesse disposto a emprestar).

Nomeadamente, acho que podemos ser geridos de forma que em certas circumstâncias se consiga que numa dada época (se assim for desejável) não seja nenhum titular vendido, mesmo que na seguinte saiam 3; ou aguentar um certo titular mais uma época se for considerado mesmo imprescindível, mesmo que a oferta seja muito boa (como aliás fizémos por exemplo com o Deco em 2003) - o que hoje e nos últimos anos tem sido manifestamente impossível, fruto do deteriorar das finanças.

Ora o FCP vê-se mais na necessidade de vender do que seria desejável acima de tudo porque temos re-investido o que temos e o que não temos em contratações, nem sempre com critério e às vezes «tendo mais olhos do que boca», com a consequência de que o passivo financeiro aumentou imenso na última década resultando em cada vez mais dinheiro «deitado ao lixo» em juros para servir a dívida (andam já acima dos 10M/ano, uma machadada consideravel numa SAD que tem receitas estruturais que não chegam aos 40M/ano). Nós vendemos muito bem, mas o adepto comum não tem a mínima consciência de que também gastamos imenso em compras: só nos últimos 3 anos foram perto de 150M!

Ora se não coloco em causa (a um nível «macro») o modelo genérico de comprar relativamente barato e jovem para vender um par de jóias da coroa todos os anos, estando de total acordo nesse princípio, já coloco em causa em alguns pormenores (ou «pormaiores») na execução desse modelo, e em particular um ênfase desequilibrado no curto prazo e um exagero no número de contratações (peço desculpa mas os jogadores não são de todo como os melões - até porque se fossem, os Man Utds e Reais Madrids deste mundo açambarcavam o mercado comprando aos 20 e 30 jogadores por ano, emprestando os melões podres). Ou seja: penso que podíamos estar algo melhor (o que poderia levar a maiores ambições), mesmo que certamente não estejamos mal.

Em particular penso que devíamos palautinamente (mas de forma gradual) reinvestir um pouco menos durante uns poucos anos, sendo mais criteriosos nas necessidades do plantel, até que o passivo financeiro desça para um nível que faça muito menos danos (em juros); até porque me parece que é um luxo incomportável para um FCP ter várias dezenas de milhões em passes & salários «empatados» no banco, na bancada e em empréstimos, como temos tido em média nos últimos anos. Haveria um bocadinho mais de risco a curto prazo, sim (e daí eu defender que o abate do passivo financeiro não seja à maluca) mas caramba, o dinheiro que se poupava em juros dava para comprar um Moutinho novo todos os anos...

Penso também que temos negligenciado um pouco a formação (um pouco, reitero; não tenho qualquer ilusão de que é um «filão» para ser explorado apenas moderamente e em boa parte para o papel de «actores secundários») e o mercado nacional (os Coentrões, Antunes, Limas e Ghilas custam uma pechincha quando comparados com sul-americanos de valor desportivo idêntico – mas é comprando-os quando estão ainda em clubes pequenos, claro).

Finalmente, penso também que a tesouraria pode ser gerida de forma mais inteligente, muito menos no fio da navalha, de forma que se evite vender % de passes de jogadores com valor seguro para depois as re-comprar por muitíssimo mais (só em James e Moutinho perdemos mais de 10M nessas operações de venda e re-compra).

Na época que agora termina houve uma certa inflexão nesses detalhes de execução tendo havido mais contenção nas contratações, fruto da necessidade (e mesmo assim gastámos mais de 30M). Como se viu, não foi por aí que se perdeu o campeonato (e a haver lacunas agudas no plantel foi muito mais por falta de vontade ou colocar o dinheiro no lado errado do que por falta dele – tendo gasto 33M em passes, não foi certamente por falta de um par de milhões que por ex um Ghilas não veio no Natal). No entanto alguns sinais fazem-me suspeitar que seja sol de pouca dura: para já não entendo que estando nós tão bem servidos de centrais (e nenhum deles perto da reforma, longe disso) se tenha dado prioridade a gastar imensos milhões em mais outro, por muito jeitoso que seja. Por outro lado temos a contratação por baixos valores de jovens promissores como Tiago Rodrigues, o que é encorajante.

A ver vamos, mas espero que a investir forte ($$) neste defeso isso seja feito apenas em posições em que estamos claramente deficitários (extremos em particular) e não onde já estamos bem servidos (pelo menos a titular). E espero também que se use uma % considerável das vendas para abater os empréstimos (na consciência de que, depois de subtrair o que é necessário para cobrir o prejuízo corrente, não sobra tanto dinheiro como isso).

Quanto a ambições, penso que devemos apontar para ir o mais longe possível na LC, certamente para além da fase de grupos - na consciência de que isso depende imenso de quem se for encontrando pela frente. Mas é precisamente através das grandes vendas (usando parte das mesmas para abater o passivo financeiro) que estaremos em melhor condições para sermos cada vez mais ambiciosos.

E se não é um Pinto da Costa (com o CV e credibilidade que tem) que esteja disposto a correr um bocadinho de riscos a curto prazo para colocar o clube em muito melhor condições para o médio prazo, não me parece que vai ser o próximo presidente a fazê-lo, seja ele quem for....

30 comentários:

José Correia disse...

tendo havido mais contenção nas contratações, fruto da necessidade (e mesmo assim gastámos mais de 30M

Embora a rubrica seja a mesma e sejam valores que vão ser contabilizados no exercício 2012/2013, numa perspectiva mais analítica penso que devíamos distinguir:

1) Valor gasto em contratações novas para a época 2012/13 (abrange as contratações de Jackson, Fabiano e Quinones);

2) Valor gasto na (re)compra de partes dos passes de jogadores que já faziam parte do plantel (abrange os casos de Abdoulaye, Moutinho e James);

3) Valor gasto na contratação de jogadores para a próxima época - 2013/2014 (abrange as contratações de Diego Reyes, Tiago Rodrigues, Ricardo, Carlos Eduardo, Licá e Herrera (?) )

Olhando apenas para o ponto 1) - contratações novas para a época 2012/13 - o valor gasto foi bastante menor que nos últimos anos (de cabeça, penso que foi aproximadamente 12 MEuros).

Ou seja, penso que a "afinação do modelo de gestão" de que fala o José Rodrigues, já começou a ser posta em prática.

Acresce o facto de no plantel da época 2012/2013 terem sido incorporados 4 jogadores que na(s) época(s) anterior(es) tinham estado emprestados: Castro (Gijon), Abdoulaye (Académica), Atsu (Rio Ave) e Kelvin (Rio Ave).
Ora, isto reflecte uma mudança significativa relativamente a épocas anteriores.

HULK 11M disse...

Parabéns ao José Rodrigues por mais esta excelente "reflexão" às contas, e ao futuro, do FCP.
Acho que posso resumir o artigo em 4 linhas:
- A gestão tem sido boa e recomenda-se apenas um esforço no sentido de reduzir a dívida, reduzindo encargos com juros, evitando-se assim malabarismos com comprar e recompras de passes e vendas de "urgência". (ex. Hulk).
De acordo meu caro José Rodrigues?
Quanto ao comentário do José Correia, "isto reflecte uma mudança significativa relativamente a épocas anteriores", estou também de acordo, mas... eu não estou convencido que seja para durar porque esta "tendência positiva" já foi ensaiada por 2 ou 3 vezes em anos anteriores e desbaratada logo a seguir.
Enfim... tenhamos esperança que desta vez é para durar!!!

DC disse...

Como sempre excelente o José. Estou totalmente de acordo com esta visão.

Espero sinceramente que a equipa B resulte e que comecemos a integrar putos como o Tozé e o Tiago Ferreira, gradualmente na 1ª equipa.
Só isso, por exemplo vender um Mangala por 30 e ficar apenas com o Tiago, já seria fantástico para as contas do clube.
Agora, que é mais arriscado a nível desportivo ninguém tem dúvidas.

Joao Goncalves disse...

Neste post sim completamente de acordo com tudo o que aqui está dito.

Vender para ser Ambicioso é isto!

Apesar de concordar completamente também que os moldes do modelo pode e devem ser aprimorados para haver menos desperdício nos "entre-tantos" tal e qual o José o refere.

José Rodrigues disse...

"[...]reduzindo encargos com juros, evitando-se assim malabarismos com comprar e recompras de passes e vendas de "urgência"."

Atencao que a questao de tesouraria e' independente da questao da reducao da divida financeira (ha' um bocadinho de correlacao, mas pouco). Sao dois aspectos distintos.

Independentemente dos juros a pagar pela divida financeira (que depende do tamanho da mesma, claro, e q sao extremamente previsiveis em termos de timings e portanto impacto na tesouraria), a SAD vive constantemente no fio da navalha no q diz respeito 'a gestao da tesouraria olhando apenas para o curtissimo prazo (1, 2, 3 meses) e depois se alguma coisa nao corre como previsto, ve-se na necessidade de vender % de passes q nao gostaria de vender.

Pelo menos essa e' a unica explicacao racional para vendas de % de passes como a de Moutinho ou James no momento em q foram feitas (ja' q quando essas % foram vendidas ninguem poderia dizer q os jogadores se tinham desvalorizado e estavam em queda livre, longe disso)... mas nao invalido q pudesse haver tambem outras motivacoes, sinceramente, como fazer favores a amigos (e ja' agora, uma parte do q se perde nessas operacoes e' comissoes de intermediacao q sao ubiquas).

Ora se gerirem a tesouraria com uma certa margem de seguranca (e ha' varias formas de o fazer) nao seriam obrigados a fazer operacoes dessas.

Diga-se de passagem q sou a favor da partilha de passes sim mas NO MOMENTO DA COMPRA, quando ha' muito mais incognitas do q apos meses ou anos apos a incorporacao dos jogadores no plantel. Acho q fizemos por ex bem em comprar apenas 70% do James inicialmente (ou Lisandro, ou Hulk, ou...); mas depois de ver q um jogador promete e se adaptou, nao faz sentido (ate' pq nao me lembro de uma unica vez em q tenhamos vendido % de um passe a um valor mais elevado do q a tinhamos comprado...).

Mais: isso ja' faria sentido no caso de um jogador q parece ser um flop, mas sejam sinceros: quem e' q nos vai pagar um valor decente por uma % do passe dele nesse caso?

alex disse...

Finalmente se esclarece para onde têm ido os 500M provenientes das transferências de jogadores: o FCP está muito longe de gerar receitas que cubram orçamentos a rondar os 100M. De qualquer modo, tenho muitas reservas no que respeita à lisura das contratações e ao vai-vem das percentagens dos passes dos jogadores entre a Sad e os Fundos.

José Rodrigues disse...

Ja' agora relembro q o impacto de uma maior contencao nas contratacoes nao tem apenas um impacto nos juros (usando parte do lucro para abater dividas) mas tambem na folha salarial (ja' q quase sempre os jogadores q chegam tem um salario mais alto do q aqueles q vem substituir, nomeadamente no q diz respeito a 2as escolhas ou jogadores q em principio vao comecar no banco).

Finalmente: apesar de esse ser o tema do artigo (e de ser o factor com maior impacto na nossa situacao financeira) acho que tambem ha' outras areas secundarias onde se pode fazer melhor, nomeadamente cortando custos em FSE (Fornecimentos e Servicos Externos) e custos com pessoal (q nao os jogadores, i.e. administrativos e tecnicos), onde penso haver uma "gordura" razoavel (penso q o potencial de poupancas andara' entre 2 e 5 milhoes/ano, sem q seja preciso cortar no "musculo").

Ja' nas receitas penso q nao ha' muito mais a fazer para as aumentar significativamente. Um pouco em termos de merchandising e multimedia, talvez, mas pouca coisa.

José Correia disse...

numa SAD que tem receitas estruturais que não chegam aos 20M/ano

Não é que altere o sentido geral do artigo do José Rodrigues mas, a curto prazo, a FCP SAD irá ter receitas estruturais superiores a 20M/ano.

O novo contrato de direitos televisivos tem um valor anual de 20,5M/ano.
A que acresce outras receitas que podemos considerar estruturais:
- dragon seats + bilheteira + %quotização
- patrocínios (Nike, Revigres, PT, etc.)

Há ainda uma outra receita que, no contexto atual do futebol português, poderemos (com uma margem de risco pequena) considerar quase estrutural nos próximos anos:
- prémio de presença na fase de grupos Liga dos Campeões

José Correia disse...

para onde têm ido os 500M provenientes das transferências de jogadores

500M?
Ao fazer as contas, convém não esquecer que uma transferência envolve verbas para:
- % do passe detida pela FCP SAD;
- % do passe e/ou direitos económicos detidos por terceiros;
- comissões do negócio;
- direitos de formação para o(s) clube(s) onde o atleta foi formado.

José Rodrigues disse...

"Ou seja, penso que a "afinação do modelo de gestão" de que fala o José Rodrigues, já começou a ser posta em prática."

Eu tambem, e por isso mesmo e' q escrevi "Na época que agora termina houve uma certa inflexão nesses detalhes de execução tendo havido mais contenção nas contratações" :-)

Mas nao tenho a minima duvida q foi acima de tudo por necessidade e nao por vontade propria. Sendo assim pergunto-me se sera' sol de pouca dura (tal como ja' tivemos no passado, por ex na epoca de Adriaanse) e mal haja um bocadinho de folego nao enveredem logo por gastar tudo o q se tem sem enorme criterio.

Espero bem q nao, e este Verao vai dar uma boa indicacao se de facto foi um "comeco" ou mero fruto das circumstancias pontuais. A ver vamos.

José Rodrigues disse...

Obrigado por ter reparado nisso porque vejo agora q me enganei no numero: estava a pensar nas receitas semestrais e nao anuais (ja' q extrapolei a partir do ultimo R&C).

Sendo assim devia ter escrito "nao chegam aos 40M/ano" e nao 20M. Ja' corrigi o artigo.

De qualquer forma 10M e' uma percentagem muito grande de 40M, pelo q o sentido da afirmacao nao se altera.

José Rodrigues disse...

Nao tenho a contabilidade disto em dia, mas salvo erro as receitas brutas encaixadas em vendas de jogadores desde que a SAD foi criada (ja' la' vao uns 15 anos) deve andar pelos 400M ou perto disso.

Quanto 'a pergunta "para onde vai o dinheiro?", a resposta e' simples:

1) para cobrir o defice corrente, incluindo o servico da divida (ja' q temos despesas, comecando pela massa salarial do plantel, q sao muito superiores 'as receitas todas com excepcao de venda de jogadores)

2) para comprar novos jogadores, onde gastamos muito mais do q o pessoal tem nocao (como disse, perto de 150M nos ultimos 3 anos - aposto q se colocasse a pergunta ao adepto comum pouca gente diria sequer metade disso)

3) nas % de passe q nao detemos

4) em muito menor medida, nas tais comissoes de intermediacao e direitos de formacao (no total devem andar por uns 15% das vendas brutas).

Diga-se de passagem q as comissoes de intermediacao sao uma coisa q me fazem alguma "especie" porque sao utilizadas a torto e a direito (na compra e na venda; nas transferencias e nas operacoes parciais de % de passes), e porque nao nos faltam profissionais dentro da estrutura da SAD para por ex negociar, alguns deles (como PdC) excelentes negociadores.

Q essas intermediacoes sejam precisas em certa medida, nao me estranha. Mas nao tao sistematicamente e com as % em questao.

Basicamente, eu vejo a coisa assim: nos ultimos 15 anos fizemos o outsourcing quase total de muitas tarefas (comecando por tarefas "core") ao mesmo tempo q a "maquina" da SAD "engordou" dramaticamente em numeros de pessoal e se profissionalizou. Nao faz sentido.

José Correia disse...

mal haja um bocadinho de folego nao enveredem logo por gastar tudo o q se tem sem enorme criterio

Espero que não mas, quando há grandes ($$$) vendas, a tentação de gastar é maior.
Contudo, os sinais que estão a ser dados pela FCP SAD nas contratações já efectuadas para o plantel da época 2013/2014 são, na minha opinião, positivos.

4 das 5 contratações já efectuadas foram no mercado interno e, de acordo com os números que vieram a público, o valor global gasto/investido nos passes destes 4 jogadores foi de aproximadamente 5 MEuros.

José Rodrigues disse...

Sim, mas nada nos diz q para alem destas 4 contratacoes nao venham ainda ai' mais meia-duzia por muitos milhoes... :-)

José Correia disse...

nada nos diz q para alem destas 4 contratacoes nao venham ainda ai' mais meia-duzia por muitos milhoes...

Tens razão, é cedo para tirarmos conclusões.

Na minha opinião, e para além das contratações já conhecidas, justifica-se que a FCP SAD gaste uma parte significativa (15 a 20 MEuros) das verbas recebidas no negócio James+Moutinho no reforço do plantel para o ataque (extremos e ponta-de-lança alternativo a Jackson).

José Rodrigues disse...

«as comissoes de intermediacao sao uma coisa q me fazem alguma "especie" porque sao utilizadas a torto e a direito (na compra e na venda; nas transferencias e nas operacoes parciais de % de passes)»

Ah, esqueci-me de acrescentar: e tambem na renovacao de contratos.

José Rodrigues disse...

Eu penso que (como de costume) a situacao de tesouraria no Verao vai ditar em grande parte o q se vai fazer ao nivel de contratacoes.

E sobre esse ponto assinalo já agora q dos 70M por Moutinho e James nao só temos q subtrair comissoes, a % de passe do Moutinho q nao detinhamos, e a parcela para o SCP (especulo q o q deve sobrar deve andar pelos 55M), como uma grande parte nao será paga a pronto (se for metade já me dava por satisfeito), com o resto a ser pago muito mais tarde (daqui a 1 ou 2 anos).

Alem disso uma boa parte do dinheiro q entra agora em caixa é preciso para satisfazer as necessidades a curto prazo de tesouraria para cobrir compromissos/despesas q vinham de tras.

Logo se tambem é verdade q nao compramos jogadores pagando 100% a pronto, no computo geral o dinheiro disponivel para contratacoes tb nao vai ser tanto como o pessoal pensa (mesmo q nem sequer se abata parte do passivo financeiro).

Quanto a prioridades, concordo q deviamos contratar um bom extremo (ainda q relativamente caro). Tambem concordo q se compre um PDL, mas aí não me parece q faça sentido gastar muito dinheiro: eu ficava bem satisfeito com um Ghilas, q nao custa muito mais do q um par de milhoes.

Isto presumindo q o Jackson nao é vendido no Verao, claro...

De resto nao me parece q faca sentido gastar imensos milhoes em contratacoes para outras posicoes. Uma ou outra contratacao por valores relativamente modestos, sim, mas nada de contratacoes a 10M ou perto disso.

Bluesky disse...

Confio plenamente no presidente e mesmo nos administradores da SAD, mas a contratação de Josué não passa de uma birra de meninos mimados que se irá refletir precisamente na... gestão orçamental!!!

Anónimo disse...

A propósito :

http://uk.eurosport.yahoo.com/news/football-porto-thrive-revolving-door-talent-115859644.html

Cumprimentos.

António Sá

Andre Correia disse...

O diego reyes entrou nas contas de 2012/13 e nao entrara em 2013/14 por isso senhor hulk11 veja lá essa analise de resto nada a apontar ......

Anónimo disse...

uns artigos mais abaixo tentei colocar uma dúvida quanto à venda do Moutinho e % a que o Sporten teria direito.
não sei se não consegui colocar bem o comentário ou se não o publicaram por terem entendido ser uma dúvida completamente disparatada :)
se é disparata, olhem, insisto no disparate :)
é assim:
obviamente desconheço as cláusulas do contrato entre o Porto e o sporten quando comprámos o Moutinho.
mas uma coisa me parece certa, se o Porto entender comprar e vender o Moutinho 20 vezes não vai ter que estar a pagar sempre uma percentagem ao sporten, não é verdade?
pois bem, como é referido mais acima o Porto já anteriormente tinha vendido uma percentagem do passe do Moutinho a um fundo qualquer, que posteriormente recomprou.
o sporten tem direito a uma mais valia na percentagem do passe pela primeira venda (ao fundo), pela segunda (ao Mónaco), ou por ambas?...
obrigado e cumprimentos a todos
Luís Pires (aka nobigdeal)

Duarte disse...

É preciso que se notem algumas coisas: estamos a falar de um jogador do Paços de Ferreira, pelo que o valor que possa ter sido despendido na sua contratação foi, em princípio, baixo. Além disso, já detínhamos 50% do passe, por isso ainda menos cara se torna a transferência. De resto, o Josué é um belíssimo jogador e com óptima margem de progressão.

Estamos a actuar bem no mercado.

Anónimo disse...

Luís Pires, creio que uma coisa são os direitos sobre o passe e outra coisa são os direitos desportivos. no primeiro caso o FCPorto apenas cedeu uma percentagem do passe, mantendo os direitos desportivos. Agora ao Monaco, cedeu o passe e os direitos desportivos. E aí terá que pagar as percentagens acordadas na cedência desses mesmos direitos.

Cumprimentos.

Antonio Sá.

Anónimo disse...

certo António Sá, direitos económicos (passe) e desportivos não são exactamente a mesma coisa.
mas insisto, o comunicado à CMVM quando da compra ao sporten falava em 25% de mais valias numa futura "transferência", acho que foi este o termo usado.
"transferência" é um termo vago (venda, permuta,empréstimo ou cedência por outro título), que tanto se pode referir apenas aos direitos económicos, como aos desportivos ou ambos.
daí a minha dúvida, à falta de conhecimento dos contornos concretos do negócio.
obrigado pela resposta e cumprimentos :)
Luís Pires (aka nobigdeal)

José Rodrigues disse...

O FCP quando vendeu uma % do passe do Moutinho nao fez mais valias nenhumas, tendo vendido ao preço de custo.

Anónimo disse...

"nao fez mais valias nenhumas, tendo vendido ao preço de custo", portanto... ;)
tanto quanto me apercebi nem o FCP nem o sporten falaram ainda em números concretos quanto a eventuais mais valias, vou ficar à espera a ver quanto é que soma :)
cumprimentos
Luís Pires (aka nobigdeal)

Joaquim Lima disse...

Estou satisfeito com a política de contratações desta época. O Ghilas devia ser o nosso ponta-de-lança suplente. É um jogador acima da média, barato e habiuado ao campeonato português. Que poderemos pedir mais para um ponta-de-lança para fazer sombra ao Jackson?!

Quanto ao extremo: não estou a ver nenhum no campeonato português que possamos comprar para substituir o James, mas acho que o Porto não deva gastar mais de 7.5€ por um. Vendo o exemplo lá de baixo: 11M pelo Sálvio seria um bom negócio, agora 9M pelo Ola John já acho um erro!

Joaquim Lima disse...

E parece que precisamos de, pelo menos, 2 extremos... já que o Atsu disse à sky que não ia renovar! Tem mais um ano de contrato mas, já que não quer renovar, o Porto pode tentar vendê-lo já para não ir a custo zero no final do próximo campeonato! Outro factor a ter em conta é que Atsu é um dos poucos jogadores formados no clube, logo vai limitar ainda mais as escolhas para a lista da liga dos campeões.

Anónimo disse...

Em relação « à (re)compra de partes dos passes de jogadores que já faziam parte do plantel (abrange os casos de Abdoulaye, Moutinho e James) » e às razões/consequências e às comissões « nas operações parciais de % de passes » apontadas acima pelo José Rodrigues, que tem sido assunto recorrente acho que o blogue deve tentar aprofundar. É uma das facetas mais obscuras das contas e pelo menos mostrará que os adeptos/associados estão atentos.
O problema é que as alturas de tais vendas e re-compras (sempre por valor substancialmente mais elevado !) não correspondem a qualquer ponto importante nas carreiras dos jogadores apesar de naturais oscilações de forma. Como existe uma venda seguida por recompra não se trata de o FCP tentar diminuir o risco da aquisição inicial ao vender pois ao re-comprar o risco volta a ser basicamente o mesmo. Chegando a este ponto do raciocínio, a justificação normalmente adiantada é as necessidades urgentes de tesouraria (que todos estamos de acordo não deveriam existir com melhor planificação mas…). Num negócio normal em vez de ser um fundo a financiar as « necessidades urgentes de tesouraria » pergunto se não seria possivel o financiamento por uma entidade financeira supervisada, em que a garantia fosse uma % do passe (em vez da venda do passe ao fundo) ? Quais são os « juros » pagos nas vendas-recompras comparados p.ex. com os possiveis num banco (a curto prazo) e com os das obrigações ? Poderiam os « experts financeiros » do blogue tentar explicar isto melhor ?
Para o caso James há uma mistura de venda/recompra com aumento de % no passe que para mim se justifica por ser um jogador jovem, vindo para a Europa, afirmando-se na sua seleção por isso progressivamente diminuindo o risco.
Os valores que vejo num DN de 25 Maio são (mas acho que já vi também valores aqui no blogue de que os autores se recordarão e que poderão usar para corrigir estes):
Continua p.f.

Anónimo disse...

.... continuação
DN James: FCP encaixa € 40.5 m por 90% do passe. FCP pagou € 5.1. m por 70% em 2010, e restantes 30% em 2011 por € 2.25 m. FCP vendeu à GOL Fut Lux. 35% em outubro 2010 por € 2.55 m, re-comprou essa parcela por € 8.75 m em Janeiro (deduzo que de 2013).
Para tentar esclarecer as dúvidas isto num simples excel é (delculpem mas façam pf um esforço para acertar os valores com as colunas que são C= compra; V=venda; %P =% passe; % FCP = % do passe acumulado no FCP; DT=data;TE= total equivalente; X é quando não há valor relevante):

fase C V %P % FCP DT TE
I compra 5,1 X 70 70 2010? 7,29
II venda X 2,55 35 35 out10 7,29
III compra 2,25 X 30 65 2011? 7,50
IV compra 8,75 X 35 100 2013? 25,00
V venda X 40,5 90 X Mai13 45,00

Não se percebe bem pelos dados do DN como é que no % P acumulado no FCP se chega a 100% após a recompra à GOL e depois diz que se vendeu %P = 90% (quer dizer que o FCP mantém ainda 10% do passe ou ofereceu-se os 10% a alguém entretanto ?), mas os TE=€45 m (€40,4 m/90%) equivalentes da fase V estão correctos pois correspondem à cláusula de rescisão.
Neste caso as transações dos 2,55/2,25 (fases II e III) com a GOL parecem normais para um caso de « tesouraria urgente » (pequeno aumento da valorização total, mas talvez as comissões não apareçam aqui). Impressionante é o aumento da valorização entre as primeiras transações (TE total equivalente até €7.5 m até à fase III) e a aquisição dos 35% finais (fase IV, em Jan. 2013 ?) em que o TE total equivalente subiu para € 25 m. A SAD dirá que o importante foi vender acima de € 40 m. e que quando comprou os 35% restantes por €8.75 m. já a SAD (e a GOL como vendedor) antecipava que se ia vender o JR pela cláusula (e por isso comprar por €8,75 m. e vender por 35%*€ 45 m = € 15,75 m valeu a pena para a SAD). No entanto se considerarmos que o James só foi vendido por €45 m para diminuir a participação do SCP no lucro da venda do JM, então a compra dos 35% não terá sido tão brilhante assim.
Conclusão no caso JR nada de especial na compras/vendas para mim pois considero normal o FCP só ter comprado 70% no inicio, e quando a hipótese de venda pela cláusula se tornou mais concreta óbvio que o dono dos 30%-35% restantes também sabia « fazer as contas ». Os 10% « desaparecidos » deviam ter melhor explicação.