segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

Parece claro que Paulo Fonseca não vai abdicar do seu 4-2-3-1.

O tempo dirá se a sua opção é a mais acertada, sobretudo em jogos radicalmente diferentes aos da pré-época e da Supertaça. Em Aveiro o sistema funcionou perfeitamente também porque o rival foi macio, muito macio. Na véspera do jogo o treinador tomou a palavra na sala de imprensa para responder a um jornalista que sugeriu o modelo como mais defensivo. Paulo Fonseca não gosta dessa ideia (apesar de ser um sistema muito mais utilizado por equipas de contra-golpe do que de ataque continuado).
Vou tentar explicar o que penso ser o seu ponto de vista e a minha percepção sobre o que vai significar a aplicação do modelo ao longo do ano, os seus pontos fortes e fracos. E, sobretudo, a sua adequabilidade ao plantel, no seu todo, e a alguns jogadores, em particular.

No final, podemos chegar à conclusão se o sistema é mais ou menos defensivo que o 4-3-3 standard da última década, se mais parecido ao modelo de Fernando Santos em 2001 ou ao Borussia de Dortmund de Klopp (de quem Paulo se lembrou na conferência de imprensa).

Basicamente há três grandes alterações conceptuais com este modelo.
A inversão do triângulo do meio-campo gera duas situações novas:
- a criação do conceito de número 10, que no 4-3-3 não tem lugar (ou é um extremo adaptado, como foi James, ou é um médio centro reconvertido, como muitas vezes joga Iniesta)
- a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, ambos com ordens para subir e descer, alternando-se sucessivamente

No primeiro caso, a ideia de Paulo Fonseca parece-me evidente.
O número 10 está liberto de carga táctica. Marca menos o rival, corre menos, ocupa mais os espaços livres e aproxima-se ao avançado. Ele tem a missão de criar superioridade ofensiva na área, ajudar Jackson nas suas movimentações e oferecer-se sempre como alternativa de passe.
No segundo caso, implica ter uma equipa muito mais móvel, sem nenhum jogador com uma missão fixa todo o encontro, o que exige mais fisicamente dos dois jogadores, que terão de ser muito mais flexíveis.

A terceira alteração passa pelo maior espaçamento de linhas.
Com o 4-3-3 era muito habitual ver as linhas muito próximas entre si, com a equipa a subir em campo de forma compacta, em posse, muitas vezes num ritmo mais lento e previsível. O médio mais defensivo ficava ancorado entre os centrais, os laterais subiam (ora um, mais raramente, os dois) e os dois médios da parte superior do triângulo pautavam o ritmo. Agora nota-se claramente a existência de duas linhas, e cabe aos dois jogadores mais recuados do triângulo pautar o ritmo, permitindo sempre a 3 ou 4 jogadores estarem perto da área sem a bola, à espera de que a combinação entre os restantes jogadores a faça chegar até eles o mais rápido possível.

Nesta imagem pode ver-se qual é o desenho táctico standard em campo:


Um dos médios sai com a bola permitindo aos defesas abrirem-se para cada lado oferecendo linhas de passe e possibilitando aos laterais abrir o campo. O segundo médio está perto, numa zona próxima, para servir de apoio imediato. Mais à frente, os dois extremos jogam abertos e o número 10 e o avançado próximos um do outro, para puxar a marcação e abrir espaços nas costas e, em caso de recepção de bola, poderem combinar entre si de imediato.

Com esta ideia, o Paulo Fonseca quer claramente uma equipa mais vertical, mais dinâmica e trabalhada fisicamente e mais opções para o remate, com a presença constante de um segundo elemento perto da baliza.

Nesta outra imagem, num movimento ofensivo, podemos ver como o Lucho aparece quase como um 2º avançado (na sombra do médio defensivo do Vitória, ele está lá!), na mesma linha que os dois extremos (bem abertos), com o Jackson a prender um dos centrais. Essa situação garante quase uma igualdade numérica em movimentos ofensivos (4 para 5, em vez do 3-5 habitual do ano passado). Vemos os dois centrais a fechar a linha, uma vez mais os laterais abertos, neutralizando os extremos e os dois médios centro com a função de criar desde o primeiro instante.


Pode ser este um sistema mais defensivo do que o 4-3-3, como se tem sugerido?

Depende sobretudo do rival.
Em teoria, uma equipa que utilize um jogador como "número" 10 ou dois avançados, é uma equipa mais ofensiva por natureza. O problema está onde se movem. O 4-3-3 permitia a aproximação regular de dois jogadores do meio-campo à entrada da área, a que se juntavam os três da frente e, eventualmente, os laterais. Este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. O 4-2-3-1 pode não ser mais defensivo que o 4-3-3, mas é um sistema bastante mais frágil.

O FC Porto vai jogar, para a Liga, com equipas que vão estacionar o autocarro e aproveitar falhas para lançamentos rápidos de contra-ataque. Foi assim que se perderam muitos pontos no ano passado. Lançamentos rápidos da defesa, diagonais no meio-campo, aproveitando processos defensivos desorganizados por uma rápida perda de bola. O 4-3-3 garantia, na teoria, que a presença de um médio mais defensivo na ajuda aos centrais, podia tapar essas iniciativas de contra-ataque com mais facilidade, o que leve a uma maior contenção da dupla e menos ajuda no movimento atacante.

O 4-2-3-1 é um modelo que sofre muito mais nessa circunstância.
Aliás, o Paulo Fonseca deve saber, grande parte dos golos sofridos por equipas como Dortmund e Real Madrid (que no ano passado usaram esse sistema) surgiram de situações assim, diagonais entre os dois médios centros, perdidos em campo, aproveitando os espaços disponíveis entre linhas para ganhar segundos preciosos, suficientes para armar o remate que a presença de uma sombra na zona evitaria (o que faz Busquets em Barcelona, por exemplo).

Nos jogos da pré-época, e na Supertaça, já se verificaram essas situações.
Um médio rival (ou defesa) tem a bola, lança um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival. Isso vai suceder regularmente durante o ano. Contra equipas mais exigentes, que vão ter a bola tanto ou mais tempo que nós (jogos de Champions, sobretudo), essa situação vai ser ainda mais habitual porque esse espaço livre é uma mina de ouro para explorar. Não há um jogador que varra o lance.

Nesta imagem estamos perante essa situação. 
Uma perda de bola do ataque, contra-golpe do rival. O número 10 é o último, o que não corre e o avançado e os extremos estão todos muito próximos. Um dos laterais (Fucile), está pendente do extremo e longe da linha defensiva. Os restantes elementos da defesa estão em linha. Mas os dois médios estão expectantes, na mesma zona. Neste momento o Defour não está a marcar ninguém, é um jogador passivo na acção. O Fernando cumpre o seu papel (o que faz melhor) e aproxima-se do homem com a bola, que pode colocar um passe em diagonal para o avançado nas costas do meio-campo. 


Não deixa de ser uma movimentação de jogadores que pode ser trabalhada durante o ano. Mas é um risco.
Não há sistemas perfeitos, o 4-3-3 desde já não o era. Mas defensivamente era muito mais seguro do que este modelo. Claro que o trabalho dos jogadores será fundamental para que este ou qualquer outro modelo funcione. E de aí vamos ao segundo ponto da análise.

Faz o 4-2-3-1 mais sentido que o 4-3-3 com este plantel e estes jogadores?
(continua)

58 comentários:

DC disse...

Concordo, este ano vamos jogar com menos linhas ou seja menos coberturas defensivas o que descompensará muito mais facilmente a nossa defesa.
E ao contrário do que se possa pensar, ao termos 2 médios á frente da defesa, os espaços nessa zona irão aumentar e não diminuir.
Além disso, um trinco soberbo como o Fernando, provavelmente irá ser sub-aproveitado.

Ofensivamente podemos ter benefícios mas receio que na Champions, pelo menos, paguemos estas descompensações defensivas.

Quanto ao ataque, apesar do nr.10 acho que estamos a explorar menos o jogo interior e a apostar exageradamente nos centros longos para a área. Isso é muito bonito quando se tem o Jardel, não sei se será com o nosso plantel contra equipas organizadas.

Anónimo disse...

Isto sim é falar de futebol. Puro e duro. Parabéns!

Só um acrescento: não creio que o sistema 4-3-3 possa levar-nos mais longe do que o costume na Liga dos Campeões. O Mourinho percebeu ainda na Taça UEFA a seguir ao jogo com o panathinaikos em casa. Nesta medida, a mudança para um sistema que, quando rotinado, nos permita ganhar a necessária superioridade a meio campo parece-me uma boa notícia.

Miguel Cunha

Anónimo disse...

A diferença é que com esta inversão no meio campo, o Porto estica a equipa uns metros. A grande vantagem, e que se viu no jogo da supertaça, é que equipa defende mais à frente. Com os extremos abertos, anula-se os laterais adversários,o jackson os centrais, e o lucho, aqui pode fazer o que faz melhor, que é defender no espaço e fechar linhas de passe, além de estar na zona de construção de jogo da equipa adversária. Assim as equipas dos autocarros e pontapés, não vão ter como sair a jogar.Sem ser uma pressão forte, que em função do "banco" que se tem poderia ser, vai ser uma pressão alta. A 1ª parte do jogo o guimarães não conseguiu sair a jogar, por causa disto. Outra questão é que o lucho pode pegar no jogo mais à frente. O que desgasta muito menos.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Exacto,

A táctica não é mais defensiva em si, que parecia ser o problema do Paulo, mas traz consigo mais riscos defensivos, sobretudo porque os dois do meio-campo ficam muito tempo em terra de ninguém e o jogo entre-linhas do rival é facilitado quando não há uma ocupação precisa de espaço.

Em jogos bloqueados, na Liga, será util a presença do dez mais perto do avançado, os extremos na ponta da área e os laterais em linha. Mas só se a eficácia ofensiva for a mesma da 1º parte de Aveiro, porque o risco de sofrer golos é maior que em 4-3-3 no contra-ataque.

Na Champions, com este modelo, o FC Porto vai sofrer muito, muito mais do que com o 4-3-3!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Miguel,

O 4-3-3 pode ser jogado de muitas formas. Não é um modelo estanque.

O problema é que um 4-3-3 sem extremos puros é dificil de funcionar. E o FCP não os teve ou tem, desde que AVB tinha Hulk e Varela bem abertos. Nessa temporada, o problema não era tanto o 4-3-3 mas como alguns jogadores se moviam nele. Havia descompensações que foram colmatadas com o quarto homem no meio-campo. Perdeu-se em vendaval ofensivo, ganhou-se em segurança.

O 4-2-3-1 não oferece nenhuma dessas opções, é um modelo mais frágil e impreciso!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

Sem dúvida que o 4-2-3-1 tem muitos aspectos positivos.
O Lucho vai estar mais cómodo, é um sistema à sua medida. O Jackson sentir-se-á mais acompanhado e os laterais, mais presos. Se for sempre com a defesa na linha do meio-campo, os dois médios bem posicionados, tem tudo para desbloquear autocarros. Mas, uma vez mais, continua a ser frágil a defender e na Champions League não há autocarros.

Dependerá também muito do rival. O Vitória quis jogar e não soube como, mas haverá equipas que não vão querer jogar, apenas esperar e aproveitar espaços, coisa que os "meninos" de Guimarães não souberam nunca fazer. Esses jogos vão medir o potencial defensivo do modelo porque no plano ofensivo, espero mais golos este ano.

Anónimo disse...

Boa análise :D Parabéns ... já agora o AVB usava o 433 no Porto certo ? Se o Vitó tb usava o 433, qual era a diferença ? A equipa com o AVB era mt mais consistente, atacava e defendia melhor e em bloco. Também achei a defesa um pouco fragilizada no contra-ataque ... mas foram 3 anos em 433 ... é normal que precise de adaptação :)

Joao Goncalves disse...

Vamos falar de tácticas então que isto é que é giro...

O Modelo 4-2-3-1 é muito melhor que o 4-3-3 tradicional que o Porto usava à muitos anos, pois o 4-3-3 é um modelo estático e o 4-2-3-1 um modelo dinâmico.

Passando a pormenores... vejo aqui uma grande preocupação com a champions... não podia estar mais em desacordo... Este modelo 4-2-3-1 com Lucho a 10, tem a vantagem de ter um jogador que tem processos defensivos adquiridos e que se junta aos 2 médios para fazer a zona defensiva.

Já vimos claramente que no modelo de PF, Fernando continua a ser o primeiro tampão, já que o segundo médio tem mais tarefas de construção e transporte e onde este modelo pode falhar, ao contrário do que se pensa, é mesmo na cobertura às alas... aliás, é por isso que aparecem os espaços ao meio.

Mas é claro, que a dinâmica lateral não será a mesma contra um Guimarães do que contra um Benfica ou Manchesters.

É isto que o 4-2-3-1 tem de bom que ao contrário do 4-3-3 mais tradicional é um modelo altamente modelar às dinâmicas de jogo impostas.

Mas temos que dizer, que o Porto não joga em 4-3-3 à muito tempo... o ano passado jogávamos com uma espécie de 4-3-2 + 1, sendo esse 1 o James que nunca estava na sua posição de linha, privilegiando o sector intermediário e muitas vezes obrigando o Lucho a descair para um local que lhe retirava influência

Em suma, o 4-2-3-1 é um modelo de dinâmicas ao contrário do 4-3-3 que é um modelo posicional...

O 4-2-3-1 é vastamente superior ao 4-3-3 se as dinâmicas forem as correctas para o adversário que se tem à frente mas pode ser um grande problema, se as dinâmicas forem as incorrectas... ao contrário o 4-3-3 é um modelo sustentado numa segurança posicional com redundância defensiva

Anónimo disse...

Concordo com quase tudo, mas não é verdade que o 10 esteja liberto dessa "carga táctica" que refere. O 10 é o elemento mais importante na 1ª fase de pressão, é a referência, que procura condicionar a saída de bola adversária, e é responsável por quando o adversário consegue ultrapassar essa primeira linha de pressão e partir para ataque organizado baixar ao miolo para restabelecer o equilíbrio a meio-campo.

É também por isto que Lucho Gonzalez é um elemento imprescindível. A sua capacidade de leitura de jogo, de pressionar alto e de condicionar eficazmente a saída de bola adversária é fundamental.

JOSE LIMA disse...

Caro Miguel
Então se a dúvida é a posição do triângulo invertido “ ser mais defensiva” … não entendo como a defesa poderá ser mais permeável. O Benfica joga mais ou menos assim com Matic e Enzo a tapar tudo, e não me parece que seja uma equipa defensiva. O buraco “deles” está nos laterais.
Voltando a nós: com Lucho nas costas de Jackson, a linha média “dos adversários” terá que recuar, o que apenas liberta para um eventual contra-ataque os laterais e um qualquer ponta-de-lança, tipo Cardozo, que ande a pastar perto da nossa área. Repare que temos 2 laterais e 2 centrais “5 estrelas”.
Espere até ver o que vale Quintero, quanto a mim, a melhor aquisição do defeso, para a posição 10. Com o tipo de jogadores/carraças que podemos escolher para o meio-campo (Fernando, Défour, Castro, Josué) não me importo nada que “as linhas” estejam afastadas. Se não cortarmos as jogadas adversárias lá na frente ou na linha média, temos sempre “ 4 em linha” cá atrás. Quando as “transposições” lá chegarem, os “portadores” da bola, já vão de gatas…
No desenvolvimento em imagens da sua explicação, também fiz uma coisa parecida (a minha BOX é daquelas que faz rewind) mas só vi as repetições até aos 40 minutos. Lucho, um autêntico “vagabundo” sempre a mudar de posição, colocou a defesa do Guimarães com a cabeça em água. A segunda parte obedeceu à estratégia “largar a bola, só pela certa”. Resultado: 70% de posse. Foi pena Kelvin e Quintero não terem entrado 15 minutos mais cedo. Varela e Lucho estavam completamente estourados. Podíamos ter dado meia dúzia mas, como dizia o outro, “não marcaram não é porque não viram, é porque não quiseram”…
Abraço e parabéns pelos seus excelentes artigos.

Anónimo disse...

Grande análise!
Penso que, com este plantel e jogadores este modelo(4-2-3-1) é o mais adequado e certamente vai nos dar muitas alegrias ;)

Cumprimentos,
Azuis e Brancos

RBN disse...

Na minha opinião, se no 4-2-3-1 Lucho vai jogar soltinho igual ao arroz Ciagala, tem que haver 2 "trincos" para compensar a "não volta" do argentino para ajudar na marcação.

Entretanto, eu era mais favorável a um 4-4-2 ou 4-2-1-3, com Quintero a 10 no lugar de Licá, porque é craque, dá muitas mais opções, as tabelinhas saem fáceis, a precisão de passe e lançamentos são impressionantes e facilmente com um toque ou drible, cria desequilíbrios no adversário e os espaços surgem, como se viu contra o Napoles e Guimarães.Se aprender a marcar e roubar bolas, temos um novo Deco.

Não vou me alongar muito, já disse e repito:meu 11 inicial é Quintero e mais 10:-)

Anónimo disse...

Não gosto destas ideias pre concebidas. O sistema por si só não torna a equipa melhor ou pior defensivamente.. depende das movimentações, depende de que tipo de jogador actuar no duplo pivot, etc.

Por exemplo o paços ferreira teve 1 brilhante prestação defensiva (apenas porto e benfica sofreram menos golos) na temporada passada. As equipas citadas também não defendem propriamente mal (real, dortmund, etc).

O 4-2-3-1 é frágil na champions? Tanto o Dortmund (4-2-3-1) e o Bayern (alternava entre 4-2-3-1 e 4-4-2) foram a final. Que resultados nos trouxe o 4-3-3 com um trinco na champions league? Desde o mourinho (que até jogou em 4-4-2 losango) que é que fizemos na CL? Oitavos com Fernandez, Grupos com Adriaanse, 2 Quartos e 2 Oitavos com Jesualdo e fase de grupos e oitavos com VP. Estes resultados incluem algumas humilhações inglesas que o trinco não impediu, eliminações em grupos perfeitamente acessíveis e eliminações com equipas a partida inferiores (schalke e malaga).

RBN disse...

Já agora, e se me permitem um off-topic, fiquei (e não fui o único) impressionadíssimo com o gigante Maazou do Guimarães.Forte, alto, não tosco, rapido e chateia e dá trabalho aos defesas o tempo todo.Mangala que o diga:-)

E outro que já tinha me enchido os olhos na final da taça é o central Paulo Oliveira, de 21 anos.Que classe tem aquele rapaz.

na minha opinião, 2 jogadores a ter debaixo do olho, antes que o orelhas os compre e empreste ao espanyol...ou mande-os para as arábias:_)

Anónimo disse...

acho q este post está mesmo a pedir para se relembrar uma máxima do futebol....'os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos'

Pedro Albuquerque disse...

Aconselho o artigo do Luís Sobral do MaisFutebol sobre a análise que ele faz sobre o primeiro jogo oficial do FC Porto.

Pedro Ramos disse...

1- Nao sao adepto de nenhum sistema táctico especifico, penso que todos eles têm pontos fortes e fracos.

2- Nao sei o que poderá valer este Porto de PF, mas uma coisa já me parece evidente, é que se vai afastar do conceito base presente nas 2 últimas épocas, deixando de ser uma "equipa de posse" como até aqui. Nao digo que na maioria dos jogos nao irá ter percentagens de posse de bola elevados, mas isso resultará de uma superioridade natural em muitos jogos e nao pelo facto de tentar controlar os jogos e os adversários com a posse de bola.

3- Este 4-2-3-1 parece-me , de alguma forma, a resposta de PF a limitaçoes do plantel- jogar com 2 médios na posiçao 8 e 2 extremos sem grande capacidade no 1x1 seria muito dificil, daí a sua tentativa de inventar um pivô ofensivo de forma a ter mais criatividade no ataque. Por outro lado penso que haverá também o objectivo que os laterais dêem largura no ataque tendo mais liberdade no processo ofensivo uma vez que os extremos irao para zonas mais interiores.
Também me parece que existe uma tentativa de colocar mais jogadores na zona de finalizaçao, mas terei de ver mais jogos para confirmar esse aspecto.

4- Quanto a liga dos campeoes, o que posso dizer é que em 2 épocas em que tivemos uma defesa de ferro (as estatisticas assim o provam) a nossa participaçao nao foi particularmente brilhante.

5- Nao vou, nem sou capaz de fazer prognósticos, terei de esperar para ver a capacidade de PF em colocar este sistema a funcionar, mas para mim, o risco defensivo deste sistema é o mesmo que o risco ofensivo de jogar em 4-3-3.

Bruno Pereira disse...

Com o Porto de Mourinho o "4-3-3", o meio-campo era constituído pelo Costinha, Maniche e Deco. O Deco jogava a "10" e ajudava no processo defensivo. Na frente jogava o Derlei, Capucho e Postiga (McCarthy). Esse sistema táctico anda muito próximo do que o Porto usa neste momento. A maior falha neste momento é o Fernando subir mais no terreno do que deveria (porque não tem técnica para sair a jogar) e o defour não pressionar muito. Com Herrera na equipa será diferente.
Na minha opinião sempre gostei que o meio-campo tivesse um 10 puro. Já desde os tempos do Deco e Anderson que isso não acontecia. Depois disso jogamos sempre no mesmo sistema mas na verdade neste momento não temos alas desequilibradores como já tivemos (quaresma e hulk)e o 4-3-3 depende muito dos extremos.
A diferença entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 é muito pouca, depende muito da interpretação de jogo de cada um.
O Bayern ganhou tudo o ano passado a jogar no 4-2-3-1...

Miguel Lourenço Pereira disse...

José,

Vamos por partes:
"não entendo como a defesa poderá ser mais permeável."

Eu não digo que a táctica é mais defensiva, o que digo é que esses dois jogadores, em linha, deixam muito espaço livre que pode ser aproveitado. Os laterais raramente estão em linha com os centrais em posições de ataque (ver imagem onde está o Fucile, por exemplo) e sem um jogador fixo à frente da defesa, ou que patrulhe mais essa zona, esse pasto está livre para as diagonais nos contra-ataques contra equipas defensivas. Contra equipas de posse passará o mesmo que passou ao Real Madrid ou ao Dortmund muitas vezes, liberdade de circulação absoluta para o rival.

" não me importo nada que “as linhas” estejam afastadas."

Eu importo-me, e muito. As linhas afastadas são o primeiro passo para o naufrágio defensivo e tem sido assim desde que o futebol é futebol. Todas as grandes equipas jogam com as linhas juntas, encurtando o campo no seu máximo. Podem fazê-lo com pressão alta, perto da área do rival (Barcelona) ou em pressão baixa, perto da sua (Chelsea campeão europeu), mas estão sempre juntas para tapar qualquer zona de influência do rival.
Contra equipas da liga portuguesa que não pensam o jogo, o problema é mais ou menos solucionável com a qualidade dos centrais que temos (que muitas vezes estarão sós porque os laterais continuam a subir muito) mas com equipas a sério vai ser um "ai jesus" se não houver um terceiro homem no apoio.

"Quando as “transposições” lá chegarem, os “portadores” da bola, já vão de gatas…"

Depende de quem são. Os médios centro do Arouca talvez. Os do PSG ou do Shaktar, duvido muito. Qual é a bitola que se exige?

"ucho, um autêntico “vagabundo” sempre a mudar de posição, colocou a defesa do Guimarães com a cabeça em água."

Correcto. Sobretudo a parte do "a defesa do Guimarães". Com outras equipas, mais ambiciosas, que estudem o FCP, o Lucho não vai ter metros, vai ter marcação cerrada e caberá aos médios dar um passo em frente. Se a defesa não acompanhar, o rival vai aproveitar a recuperação de bola para ocupar esses espaços.

"A segunda parte obedeceu à estratégia “largar a bola, só pela certa"

Exacto. Funciona com uma vantagem cómoda no marcador e com equipas que, quando têm a bola, não sabem o que fazer com ela.

Obrigado!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Sobre o plantel e os jogadores falamos na quarta-feira, na 2º parte do artigo!

Obrigado

Miguel Lourenço Pereira disse...

RBN,

Sob os jogadores e o sistema, falamos na II parte.

Neste caso é uma falácia pensar que é preciso ter dois trincos quando se joga com um número 10. Neste caso não há nem 1 nem 2 tricos. Há dois médios box-to-box, que alternam as missões de patrulhamento e criação de jogo entre si, sem que nenhum tenha uma posição pré-definida. Ora o Fernando, ora o Defour começaram lances de ataque. Ora um, ora outro apareceram no apoio da defesa. É um vai e volta muito britânico que funciona para esse jogo mais físico, vertical e dinâmico que o Paulo praticou com o Paços, equipas onde se corre mais sem do que com a bola.

No FC Porto ter dois médios dessas caracteristicas leva, muitas vezes, à ocupação dos mesmos espaços, à repetição de padrões de comportamento e, forçosamente, à falta de um jogador num determinado espaço quando necessário. Relembro que a certa altura, na era Fernando Santos, se jogava com Chainho e Paulinho Santos no mesmo molde e com Deco mais à frente porque se dizia que o Deco não podia vir atrás, recuperar, pensar o jogo, etc... O mesmo Deco que depois, em 4-3-3 com Mourinho, fez esse papel na perfeição. Mas esse FCP, defensivamente, cometia muitos erros porque Chainho e Paulinho se atropelavam "n" vezes no meio-campo!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

Onde estavam as linhas do Paços do Paulo?
Defensivamente a equipa era muito boa porque jogava toda num espaço muito reduzido de campo, deixando pouco espaço ao rival. Claro que esse espaço reduzido era entre o meio-campo e a defesa, por onde o Josué, o Vitor e o André Leão patrulhavam sem problemas. É esse o modelo que queremos?

O Real Madrid e o Dortmund - além de terem jogadores e técnicos de elite - tiveram muitos problemas defensivos precisamente por alinhar dessa forma. O Dortmund sofreu "n" golos na Bundesliga quando tentou afastar em demasia as linhas e permitiu o jogo diagonal de muitos dos rivais (ver o Dortmund-Schalke 04 do ano passado, por exemplo). O mesmo passou com o Real que perdeu muitos pontos na liga com golos nas mesmas situações, diagonais entre Pepe/Ramos e Khedira/Alonso onde um ou dois rivais eram suficientes para criar perigo e executar sem serem incomodados. O Bayern triunfou, precisamente, porque além de alinhar com o 4-2-3-1, fazia-o com uma pressão constante, uma linha defensiva muito alta e uma eficácia goleadora tremenda nas 1ºs partes (onde resolvia os jogos) que lhe permitia gerir os jogos nas 2ºs partes.

Como disse antes, não há sistemas perfeitos e o 4-3-3 não o é.
Aliás, sem extremos a sério, é um sistema inoperante. Parte do insucesso deste Barcelona de Vilanova passou pela ausência de extremos reais num 4-3-3 que muitas vezes era um 4-2-2-2 (Busquets, Xavi-Iniesta, Cesc-Alexis-Messi) que afunilou em excesso o jogo.

Mas foi com o 4-3-3, extremos reais, médios capazes de cumprir na perfeição a sua missão (destruição, organização, movimentação) que se venceu a Europa League. Tem de existir uma união de muitos factores para se vencer o que quer que seja. Agora, com estes jogadores tão verdes em muitos casos, o 4-2-3-1 na Europa é um convite ao desastre!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Já na época passada aqui disse que o Paulo Oliveira é o central da selecção da próxima década, ao lado do Luis Neto.

Tem tudo para ser o melhor defesa português pós-Ricardo Carvalho. Entendo que agora exista over-booking entre os centrais mas espero que tenham realizado uma especie de pré-acordo aquando dos negócios do Tiago e Ricardo com ele.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Pedro,

1- Sem dúvida.

2- Sim, assim será. Um jogo mais vertical, directo e dinâmico e, portanto, com mais riscos. De vermos mais golos (acredito sinceramente que vai suceder) mas sofrer muito mais. VP e AVB tinham equipas de controlo, esta será uma equipa menos especulativa que a de Jesualdo mas mais desarmada que a dos últimos anos o que, contra equipas como o Benfica, por exemplo, será um sério problema.

3 - Acredito que sim, como digo no próximo post, e também acredito que tenha havido da parte da SAD o desejo de injectar uma filosofia diferente à dos últimos anos, particularmente depois das criticas dos adeptos aos jogos "aborrecidos" no Dragão.

4 - Não foi não senhora, mas defensivamente estivemos sempre muito bem. O problema estava em fazer golos (e na ausência de opções, no 1º ano, o avançado e no 2º os extremos)

5 - Totalmente em desacordo como tentei demonstrar com as imagens. O tempo o dirá!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Bruno,

O 4-3-3 de JM e este 4-2-3-1 não podia ser mais diferente.
Deco e Lucho são como o sol e a lua em campo. Deco estava em todo o lado, fisicamente no seu pico de forma, na recuperação, distribuição, nas alas e no ataque. Lucho tem, naturalmente, muito mais limitações e vai estar muito menos em acção (e sim em zonas mais decisivas) enquanto que Costinha e Fernando tinham perfis muito similares, deixando a Maniche o trabalho que agora há dois jogadores a cumprir.

O Fernando não sobe mais do que devia. O Fernando está onde a táctica do PF exija que esteja. É o jogador certo para a posição? Não. Mas se estivesse mais baixo no terreno, o Lucho teria de baixar mais e teriamos o 4-3-3 que já não existe.

A diferença entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 é bastante grande. O 4-3-3 tem mais similiaritudes com o 3-4-3 (escola centro-europeia) enquanto que o 4-2-3-1 não é mais do que o filho do 4-4-2, com um dos avançados a cair no terreno para compensar a luta do meio-campo. Se formos a ver todas as grandes equipas que jogam em 4-2-3-1, o médio mais ofensivo não é um jogador das caracteristicas de Lucho mas alguém muito mais ofensivo e criativo (Ozil, Gotze, Muller)!

PS: O Bayern ganhou tudo o ano passado a jogar no 4-2-3-1. O Barça ganhou tudo no ano anterior no 4-3-3. Há uns anos o Inter ganhou tudo no 4-3-1-2. Os sistemas podem ser lidos de multiplas maneiras em equipas e realidades diferentes e porque um triunfe num lado não quer dizer que triunfe no outro (ou fracasse). O FC Porto tem um padrão de jogo na última década que tem sido bem sucedido na esmagadora maioria das vezes. No último ano em que se jogou em 4-2-3-1, 2001, o resultado não foi o melhor!

DC disse...

Costinha jogou SEMPRE sozinho em frente à defesa. Sempre mesmo, sem excepção! Tanto Maniche como Pedro Mendes, Alenitchev, Deco ou Paulo Ferreira quando jogava no meio-campo jogavam noutra linha mais adiantada.

A única diferença entre o meio-campo de Mourinho e o de VP é que Deco tinha uma capacidade brutal de drible enquanto Lucho só progride sem bola através do passe.
Agora as rotinas de meio-campo eram muito parecidas.

Quem jogou sempre com Deco a 10 foi o Octávio Machado. Mourinho, mesmo quando jogava com losango no meio-campo, não dava a liberdade ao Deco que penso que o 10 terá neste sistema.

Pedro Ramos disse...

Só um pormenor, que se calhar ficou pouco explicito: quando digo que "o risco defensivo deste sistema é o mesmo que o risco ofensivo de jogar em 4-3-3." estou a referir-me com este plantel, ou seja temos tanto risco de sofrermos golos com este sistema como teriamos de nao marcarmos com um 4-3-3.

Nightwish disse...

"O 4-3-3 pode ser jogado de muitas formas. Não é um modelo estanque."

A questão não é bem essa, é que dizer 4-3-3 não diz quase nada sobre a maneira como uma equipa joga, e dizer 4-2-3-1 ajuda mas também não diz tudo.
Para cada posição tradicional (defesa, médio, avançado) existem um conjunto de diferentes papéis que os jogadores podem ter que alteram por completo o desenrolar das partidas.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Sem dúvida.

O desenho táctico é o primeiro passo mas em campo os mecanismos definem tudo. O Barcelona de Guardiola, no mesmo jogo, tinha até 4 ou 5 variantes de jogo diferente que iam do 3-4-3 ao 3-3-4, passando pelo 4-3-3, 4-5-1 e o 4-6-0!

Miguel Lourenço Pereira disse...

A mesma equipa, com o mesmo desenho mas com treinadores e jogadores diferentes não rende o mesmo.

O VP no primeiro ano não tinha o trabalho fundamental no pressing e nas movimentações de Falcao e no segundo ganhou isso com Jackson mas perdeu profundidade nos extremos sem Hulk e Varela.

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

"O Modelo 4-2-3-1 é muito melhor que o 4-3-3 tradicional que o Porto usava à muitos anos, pois o 4-3-3 é um modelo estático e o 4-2-3-1 um modelo dinâmico."

Em que se baseia para afirmar que o 4-3-3 é um modelo estático (o mesmo que usam equipas tão estáticas como o Barça) e o 4-2-3-1 é um modelo dinâmico (o mesmo que usou o Chelsea do Di Matteo, uma equipa tão dinâmica)?

"ste modelo 4-2-3-1 com Lucho a 10, tem a vantagem de ter um jogador que tem processos defensivos adquiridos e que se junta aos 2 médios para fazer a zona defensiva."

O Lucho pode ter os processos. Se não está na zona de acção, se não tem capacidade fisica, se está preocupado primordialmente com outros aspectos do jogo, ele até pode ter know-how de guarda-redes que não lhe vai servir de nada. O número 10 funciona na táctica precisamente porque raramente se junta, antes abre o campo e permuta com o extremo, não com os médios.

"á vimos claramente que no modelo de PF, Fernando continua a ser o primeiro tampão, já que o segundo médio tem mais tarefas de construção e transporte e onde este modelo pode falhar, ao contrário do que se pensa, é mesmo na cobertura às alas... aliás, é por isso que aparecem os espaços ao meio."

Vimos? Onde?
Eu vi uma linha de dois onde um e outro trocavam funções de recuperação e criação. Aliás, se no 4-2-3-1 um faz só uma coisa e outro só faz outra, temos um 4-1-1-3-1, que é bem diferente. Um coador!

"Mas temos que dizer, que o Porto não joga em 4-3-3 à muito tempo... "

Jogar, jogava, mas a tendência natural dos jogadores permite uma adaptação da táctica. Com James ocasionalmente era um 4-4-2 losango, com Defour podia ser um 4-4-2, com Kelvin ou Atsu era um 4-3-3 claro. Variantes.

"Em suma, o 4-2-3-1 é um modelo de dinâmicas ao contrário do 4-3-3 que é um modelo posicional... "

Curioso. Nunca pensei que a escola centro-europeia, que moldou e definiu o 4-3-3 pudesse ser considerada posicional. O Michels, o Cruyff, o Guardiola estarão encantados com esse raciocinio!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

Pelo contrário, o 10 muitas vezes deixa esse trabalho ao ponta-de-lança e fica, precisamente, solto, para receber a bola e dar ao extremo mais próximo (no jogo de Aveiro,essencialmente o Licá) ou para o avançado!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Pedro,

Com isso estou de acordo totalmente!

Miguel Lourenço Pereira disse...

DC,

Exactamente!

João disse...

Nunca fui muito apreciador destas análises exaustivas a um esquema, principalmente com base num só jogo. Primeiro, vai depender muito dos executantes. Ter ali ao lado do Fernando um Defour ou um Moutinho é diametralmente diferente.
Depois as próprias instruções do treinador e o mindset de jogo, não acredito que a equipa se explane em campo contra um Arsenal como fez contra o Vitória em que metade dos lances ainda estavam no Otamendi e nós já tínhamos uma linha de 4 no último sector.
Terceiro, há ali muito pormenor a afinar, desde movimentações a alinhamento - já começamos bem, a mandar o Castro para a bancada mas acho que com o tempo o PF vai perceber que quando o jogo sobe de ritmo e a pressão adversário intensifica ter ali o Defour ou um pino dos treinos é igual. (por esta primeira parte do Herrera na B, estamos bem .. lixados)

Mas a minha questão é a seguinte, o artigo faz um esforço por distinguir o 4-2-3-1 do 4-3-3 quando basta recuar o "10" e subir um pivot para termos um esquema muito próximo do do ano passado. Dos jogos que tive a oportunidade de ver, não vi grandes diferenças nas outras posições nem na largura de jogo, os extremos não estão particularmente mais fechados nem o Jackson mais afastado, e a defesa em movimento ofensivo é muito parecida (a descida de um médio para receber, os passes verticais dos centrais, tudo igual). Há uma diferença de forma assim tão grande que não se possam combinar os dois sistemas?

Anónimo disse...

Desculpem insistir nesa ideia, mas a partir do jogo do panathinaikos nas antas, penso que o JM passou a ter um Porto de consumo interno - o tal 4-3-3, com um deco vitaminado no trio do meio campo, e um trio da frente que chegou a ter Maciel e S Conceição, que não podiam jogar na campinos - e um Porto de consumo externo, no qual o meio campo aparecia reforçado (para além do trio maravilha do costume, lá entrava ora o Pedro Mendes ora o Alenichev). Miguel Cunha

Bluesky disse...

Falar de futebol na sua essência dá gosto e é salutar. Parabéns pela crónica!
Quanto ao sistema implantado por PF, acho que o FC PORTO continua com a opção de ter posse de bola, mas devido ao esquema (ter um nº10), a equipa chega mais depressa á baliza.
Contudo há um pormenor muito importante que muita gente se esquece; o 4-2-3-1 latino e o 4-2-3-1 do centro-leste europeu!
Ou seja isto é um sistema com linhas espaçadas que obriga o "10" a estar na linha de fogo, ou seja de remate espontâneo, isto no futebol a norte. No futebol a sul, ou latino a teoria é igual mas na prática o nº 10 raramente remata de longe, preferindo construir novamente (lateralizando ou sobrevoando para a área). E depois a defender tambem temos as 2 escolas na sua plenitude; enquanto a latina é bem mais "de toques" a centro-europeia é bem mais vertical imprimindo os laterais uma velocidade de jogo...
Ah, e depois temos que ter a noção que ambos os nossos pivots (Fernando e Defour) são bem muito mais lentos...

Miguel Lourenço Pereira disse...

"Mas a minha questão é a seguinte, o artigo faz um esforço por distinguir o 4-2-3-1 do 4-3-3 quando basta recuar o "10" e subir um pivot para termos um esquema muito próximo do do ano passado."

Não entendo.
Qualquer esquema táctica passa sempre por mudar uma peça ou duas.
O 4-4-2 para o 4-3-3? Basta mudar um médio, para extremo.
O 3-4-3 para o 4-3-3? Basta mudar um médio para defesa.
O 5-3-2 para o 4-4-2? Basta mudar um defesa para o meio.

Não há sistemas radicalmente diferentes, são sempre pequenos ajustes mas que em campo se revelam fundamentais. A presença do dez e a ausência do trinco são detalhes para o João e no entanto para o desenrolar do jogo são elementos fundamentais. O 10 porque gera uma balança ofensiva distinta, é um jogador a menos no processo defensivo (na maioria das vezes), uma variante de associação directa com avançado e extremos. A ausência de pivot porque se retira o conceito de especialização de um trabalho muito concreto e tão importante no futebol como é criar, que é destruir. E a divisão desse trabalho por dois jogadores exige mais flexibilidade e concentração de ambos porque não há uma rede atrás.

Em campo podem verificar-se sempre ajustes que levem a mudar de sistema. Todos os treinadores o fazem. Mas a mudança tão clara de paradigma implica também uma mudança de filosofia. Que é mais importante que o desenho em si. Uma equipa mais partida em linhas, uma equipa mais vertical no passe, menos construtiva no miolo, uma equipa que procura mais o golo mas que se arrisca a sofrer mais (a manta não tapa nunca todo o corpo, é preciso escolher o que preferimos) e sobretudo, uma equipa onde há uma confusão na atribuição dos papeis.

No final do ano, veremos!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Miguel,

Não há nenhum erro na análise.
O FCP do primeiro ano é claramente um 4-3-3 da escola holandesa, com um médio defensivo solitário como trinco, um box-to-box e um dez capaz de controlar todo o meio-campo, com as linhas muito próximas, pressão alta, extremos abertos e um avançado móvel. A partir da experiência do Pana, nas Antas, e da lesão do Peixoto, em alguns jogos (não muitos), ao lado de Maniche colocava-se um segundo médio - mas ambos mais abertos que agora - que podia ser o Dimitri ou o Pedro Mendes, com o Deco mais solto do trabalho táctico ao lado da dupla Derlei/Benny e depois Carlos Alberto/Benny.

Mas em nenhum momento o FCP de Mourinho jogou num 4-2-3-1, nunca!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Bluesky,

No fundo os centro-europeus/de leste, aplicam um modelo mais vertical, mais físico e que procura mais a baliza sob a forma do jogo directo (disparo, tabela com centro e área) e na bacia do Mediterrâneo o 10 rendilha mais o jogo e de certa forma ralentiza-o. Especialmente se quem joga a 10 é um jogador muito técnico e pouco físico (o que não é o caso do Lucho que nunca foi um 10 em toda a sua carreira desportiva mas sim um 8 ao bom estilo das pampas).

Este mesmo modelo com um jogador como o Quintero e um meio campo com Herrera-Josué/Defour já é em si diferente na forma como a equipa se move, e seria ainda mais se os extremos fossem mais verticais e habilidosos e menos com tendência para a diagonal como são Licá e Varela.

Não há um sistema melhor que outro. Parece que alguns comentários têm a necessidade de defender ora o 4-3-3 ora o 4-2-3-1 e ambos podem ser óptimos, dependendo dos interpretes, da forma como é aplicado e do rival.

João disse...

Nunca disse que eram detalhes. São opções tácticas de uma determinada filosofia de jogo. Que não é estanque, ou é? Podemos ter um 4-3-3 mais vertical, com linhas mais espaçadas também, ou não? O que não é um detalhe de todo são os executantes e convenhamos, a envolvência do Lucho defensivamente sempre foi mais ideológica do que propriamente efectiva. Ou seja, podemos discutir tudo isto com peças de xadrez mas vai depender em grande parte das características dos jogadores em campo.

Quando um pivot avança, na eventualidade de uma perda de bola o processo defensivo imediato é similar ao que tínhamos o ano passado, certo?

Portanto, e em relação ao seu último parágrafo, também me parece que há uma mudança fundamental de paradigma (isso fica bem assente mesmo nas palavras do treinador no final deste jogo, quando disse que "uma equipa como o FC Porto T-E-M que ser objectiva no último terço - olá VP!") a minha pergunta, e porque queria saber genuinamente a sua opinião, é se será possível no decurso do jogo ou entre jogos, inverter o triângulo e fechar as linhas, adoptando um bloco mais denso. Isto porque acho que os executantes têm maturidade táctica mais do que suficiente para conseguir combinar os dois sistemas. Já dizia o outro "é só mudar o chip". Qual é a sua opinião?

JON disse...

Miguel, belo artigo. No entanto, dizer que bem treinada e bem percepcionada pelo 6 e 8, a táctica não tem necessariamente que dar mais espaço que a típica 4-3-3. Parece-me que nesta fase os dois médios ainda estão muito à procura de si mesmos em campo, jogando sempre em linha. O facto de ficarem os 2 atrás não significa que não possam subir/baixar e com isso melhorar a ocupação de espaços... A equipa tem apenas umas semanas de treino e um jogo "a doer". Calma!

Bruno Pereira disse...

Exactamente! Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens, tudo vai depender dos jogadores utilizados. Aliás, a mesma táctica com jogadores diferentes faz toda a diferença. Ter na frente Varela/James, Hulk e Falcao é bastante diferente de Varela, James (principalmente depois da lesão) e Jackson. Porque o Hulk era um jogador fortíssimo no 1 para 1. E infelizmente, nesta época não temos nenhum extremo com estas características.
Assim como ter Quintero ou Lucho a 10 é completamente diferente, para jogos em que o adversário joga com o autocarro em frente à baliza podemos prescindir do Fernando por um jogador como Herrera, Josué ou Lucho.

Acima de tudo, estou contente por o nosso Porto ter mais soluções do que na época passada.

Anónimo disse...

li agora que o Quaresma terá rescindido com o clube onde estava. Será que poderia ser o extremo desequilibrador e experiente que precisamos? Não sei qual é a condição física dele, mas se calhar ainda fazia ainda duas épocas a alto nível.

DC disse...

Se esses pormenores não fossem importantes era só treinadores de topo, bastava treinar no FM.

Quanto às críticas ao Defour, pelos vistos está encontrado o novo patinho feio. É um enorme jogador, alguém que perceba minimamente de táctica sabe isso. O Fergie sabia, mas quem era ele?
É como a questão Varela-Iturbe, só os gajos das fintinhas é que são bons mas vai-se a ver e nunca jogam...

Sérgio disse...

Primeiramente, sinceros parabéns por este seu trabalho.
O sucesso do sistema (4-2-3-1), no nosso caso, vai prender-se muito, na minha opinião, com o médio que vai acompanhar o Fernando(se ficar) no miolo, com as suas dinâmicas de jogo e se serão capazes de se complementar. Compreendo um Fernando mais solto e com mais liberdade, mas no que este é e será sempre essencial é na recuperação da bola e na ocupação dos espaços defensivos. Quem jogar ao lado de Fernando terá de ter a capacidade de organizar e equilibrar a equipa logo a partir dessa zona de construção, uma vez que Fernando é indiscutível na minha opinião. Mas, embora tenha evoluído bastante, o Nando não tem na capacidade de passe nem de construção de jogo as suas melhores armas,características que têm que ser devidamente compensadas senão mais vale voltarmos ao "velhinho" 4-3-3. No entanto acho que Herrera pode ser o apoio de Fernando, quando necessário for (quer quando nos obriguem a defender quer quando tiver de ser Fernando a sair a jogar), mas, principalmente, o jogador que, preferencialmente a Fernando, irá ganhar as linhas, combinar com o ataque, dando apoio frontal podendo até vir a aparecer a finalizar. Vamos ver...

Cumprimentos,

Anónimo disse...

Tem toda a razão. Nunca o JM alinhou no 4-2-3-1. O meu ponto, no entanto, é que sem o reforço da linha do meio campo com um elemento de versatilidade à Deco, temos de nos contentar com uns oitavos da LC.

Permita-me recordar que o 'nosso' jogo perfeito - o Porto - Lazio - esteve alicerçado nesse reforço do meio campo, que nesse caso nos levou para lá do céu.
E deixe-me dizer que também no jogo da minha vida - o Corunha - Porto - fizemos o 'bloqueio perfeito' com um meio campo a quatro, tão blindado tão blindado, que depois do Derley ter marcado o golo podíamos ter vindo festejar com cañas nos bares da Corunha que eles nem em sonhos nos podiam incomodar! Miguel Cunha

Joao Goncalves disse...

O nosso modelo e o modelo base do 4-3-3 baseia-se no posição estanque dos 3 médios (trinco + 2 8's)... se esses 3 médios não forem posicionais o 4-3-3 cai em desequilíbrios assustadores e com buracos do tamanho do oceano atlântico como bem nos lembramos todos nos 1ºs tempos de VP.

o 4-2-3-1 tem essa vantagem de ao termos 2 médios mais posicionais numa linha mais recuada então ser mais reactivos e deixar a equipa mais segura.

Quando disse que o 4-3-3 é um sistema altamente estático é pelas acções interpeladas nas dinâmicas posicionais... laterais que sobem à vez, trinco tampão, 2 8's com descida obrigatória rápida para compor o meio-campo e reestruturar a zona, portanto não podem andar muito na frente, e a liberdade está nos alas, que podem ser de linha, interiores ou de penetração.

Óbvio que não podes chamar para aqui o Michels, Cruyff e Guardiola como é natural, pois esses tem talentos em mãos que estravazam as tácticas, sejam elas qual forem... era a mesma coisa que quando tinhamos o Hulk em que jogávamos com o 4-3-2 + Hulk e ele que resolvesse.

Estamos a falar de modelos que sejam aplicados e não de grandes executantes que fazem o modelo... o Barcelona não joga em 4-2-3-1... joga numa coisa qualquer que ninguém consegue interpretar lá muito bem a não ser num futebol de passe apoiado.

Em relação aos 2 médios... presta bem atenção ao jogo e vais ver um médio com um raio de acção alargado e outro mais de reacção à perda. Aliás, o Fernando é por norma o primeiro a pressionar na perda enquanto que o Defour recoloca-se no seu lugar rapidamente e fica no espaço.

O que disse em relação ao Lucho é em relação à Dinâmica que este modelo pode trazer com o Lucho em campo. Ele é 10 neste modelo, mas facilmente pode ser +1 no meio campo pois tem essas rotinas.

Contudo este modelo tem problemas e os laterais são quem mais vão sofrer como temos visto o Alex Sandro sem espaço para progredir, enquanto que laterais mais tradicionais, de linha, como o Fucile, saem beneficiados, mas isto já é o PF a dar a sua dinâmica nas laterais


Anónimo disse...

A europa league foi ganha sim em 4-3-3 mas uma equipa com Hulk e Falcao tem a tarefa 1 pouco facilitada. Na minha opinião não foi propriamente pela segurança defensiva que ganhamos essa competição. Relembro a "buraqueira" em moscovo com o CSKA.. não chegamos ao intervalo a perder por 2 ou 3 por sorte. Lembro-me também (este vi ao vivo), da 1ª parte com o villareal em casa e o jogo fora, onde as nossas dificuldades defensivas também ficaram evidentes.

Penso que o 4-2-3-1 se encaixa melhor nas características do nosso plantel (ainda precisamos dum extremo acima da média - que pena o bernard). O modelo que quero é uma equipa que jogue bom futebol e domine o futebol internamente.

Na CL volto a bater na mesma tecla.. os resultados (pós mourinho) foram assim tão bons para justificar a manutenção do sistema? Não seríamos capazes de passar as últimas duas últimas fases de grupos em 4-2-3-1 ? Não poderíamos eliminar o Malaga (estes até nos eliminaram jogando eles em 4-2-3-1)? Numa campanha ate aos oitavos/quartos, no máximo (não tendo um enorme azar no sorteio), apanhamos 2 tubarões, sendo as restantes equipas do nosso nível ou inferiores. Será por jogar com duplo pivot que não lhes ganharemos?

Eu gosto do sistema e acho que vai resultar. A não contratação de um extremo acima da média é que é um convite ao "desastre", interna e externamente.

Anónimo disse...

Solto para receber? Estou a falar do momento da perda, a posse está no adversário.

Desculpe a insistência mas certamente terá muitas mais oportunidades para constatar que Lucho Gonzalez é o 1º e mais importante elemento na 1ª fase de pressão, a condicionar a saída de bola adversária e protagonista (directa e indirectamente) da maioria das recuperações de bola no miolo ofensivo. E baixa sempre(!) para restabelecer o equilíbrio no triângulo do miolo assim que o adversária passa a 1ª linha de pressão e ataca organizado.

Foi assim durante toda a pré-época, foi assim que a sua ausência mais foi notada contra o Nápoles, e foi assim em Aveiro na Supertaça.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Jon,

Eu tenho toda a calma do Mundo.
Aliás, disse no artigo e volto a dizer. Não há um sistema melhor que outro, todos precisam das suas dinâmicas bem oleadas e há jogadores que fazem um sistema ser melhor ou pior em campo do que parece no papel. E para muitos jogos chegará. Mas a essência base do 2-1 é, precisamente, que o único especialista seja o da acção ofensiva e não acção defensiva!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

O trabalho de pressão começa sempre no avançado no futebol moderno. Não há, hoje em dia, avançados que não realizam a primeira acção de pressão. A presença de um jogador muito mais perto de si, agiliza esse processo e permite ao avançado efectuar uma pressão mais constante e, em caso de recuperação de bola, ter um elemento livre a quem a entregar de imediato sem ter de esperar pela aproximação de linhas.

O Lucho é um jogador que fisicamente não tem capacidade para noventa minutos de pressão e basculação e por isso esta posição funciona muito bem para a sua etapa actual de carreira. Baixará, algumas vezes. Abrirá nos flancos outras, mas não vai estar a patrulhar o meio-campo!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

O problema defensivo nesses dois jogos foi a defesa em linha adiantada e mal coordenada. Não é um problema do sistema em si mas da forma como os jogadores se comportaram. E desmerecer agora o 4-3-3 do AVB/FCP só porque tinhamos dois jogadores top é o mesmo que desmerecer o 4-3-3 do Guardiola só porque tinha Xavi-Iniesta-Messi?

Que o 4-2-3-1 se encaixa melhor neste grupo, parece-me lógico. Mas isso não é, só por si, justificação porque a ausência de opções não deve condicionar sempre o sistema.

Quanto à Champions, já disse o que pensava. Em Novembro veremos como estão as coisas.

Miguel Lourenço Pereira disse...

" se será possível no decurso do jogo ou entre jogos, inverter o triângulo e fechar as linhas, adoptando um bloco mais denso"

Naturalmente, se o processo for treinado durante a semana e os jogadores tiverem condições para isso. Como já disse noutra resposta, as equipas dos treinadores top, dependendo das circunstâncias, mudam de sistema durante o próprio jogo várias vezes sem recorrer a substituições. É para isso importante que existam jogadores que saibam cumprir esses papeis e que o treinador tenha preparado rotinas para esse caso.

Imaginemos um 4-2-3-1 com Defour e Josué+Lucho. Se o Defour tivesse preparado para actuar como pivot defensivo, o Lucho poderia recuperar a sua posição da época passada e o Josué actuar como Moutinho. Naturalmente seria uma equipa diferente porque os interpretes são diferentes, mas o modelo está lá!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Bruno,

"Assim como ter Quintero ou Lucho a 10 é completamente diferente, para jogos em que o adversário joga com o autocarro em frente à baliza podemos prescindir do Fernando por um jogador como Herrera, Josué ou Lucho. "

Será uma decisão inevitável por parte do Paulo mas que corre o risco de que falei, no processo defensivo, de que exista um excessivo espaço entre linhas que os contra-ataques possam aproveitar. Foi com esses espaços (subida dos laterais, Fernando encostado aos médios interiores) que no ano passado se sofreram alguns golos nesses jogos!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Sérgio,

Obrigado.

" as suas dinâmicas de jogo e se serão capazes de se complementar. Compreendo um Fernando mais solto e com mais liberdade, mas no que este é e será sempre essencial é na recuperação da bola e na ocupação dos espaços defensivos."

O Fernando já demonstrou que não se sente cómodo nesse processo de jogo. Há jogadores assim. O seu parceiro não só terá de ser fundamental na construção como saber trabalhar as descompensações que vão surgir de erros do Fernando por estar a jogar um modelo de jogo que não se adequa ao seu perfil.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Miguel,

Eu não estou a criticar a decisão o 4-4-2 do Mourinho.
Já fui apologista da sua aplicação em jogos europeus nos últimos anos. Mas o 4-4-2 do Mourinho e o 4-2-3-1 do Paulo são de universos diferentes!

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

"Em relação aos 2 médios... presta bem atenção ao jogo e vais ver um médio com um raio de acção alargado e outro mais de reacção à perda. Aliás, o Fernando é por norma o primeiro a pressionar na perda enquanto que o Defour recoloca-se no seu lugar rapidamente e fica no espaço."

Essa decisão é inevitável, mas isso não significa que cumpra o seu objectivo. Em momentos de perda de bola e fragilidade posicional, basta um pequeno detalhe na ocupação dos espaços nessa dupla área e os dois homens do meio-campo são anulados com uma diagonal. O uso de um trinco não o permite, de aí que o 4-3-3, a nível defensivo, seja um modelo muito mais seguro.

"O que disse em relação ao Lucho é em relação à Dinâmica que este modelo pode trazer com o Lucho em campo. Ele é 10 neste modelo, mas facilmente pode ser +1 no meio campo pois tem essas rotinas."

Pode, enquanto tiver capacidade física para isso. Com meios-campos rivais de exigência maior, terá muito mais dificuldade em bascular com os dois e ter pulmão para chegar-se até à sua posição e ocupar os seus espaços.

"bvio que não podes chamar para aqui o Michels, Cruyff e Guardiola como é natural, pois esses tem talentos em mãos que estravazam as tácticas, sejam elas qual forem"

Os sistemas nascem antes dos talentos. Quando o Michels montou o seu Ajax não tinha mais do que dois ou três bons jogadores. Demorou o seu tempo. Cruyff o mesmo, os nomes vieram depois do modelo. Uma equipa com uma filosofia própria vale mais que uma equipa de individualidades. O VP demonstrou isso ao Benfica nos últimos dois anos. Este 4-2-3-1 é um modelo que oferece ao Benfica muito mais ocasiões e bola do que o 4-3-3, para por um exemplo.

"o 4-2-3-1 tem essa vantagem de ao termos 2 médios mais posicionais numa linha mais recuada então ser mais reactivos e deixar a equipa mais segura."

Depende. Do que querem fazer quando tiverem a bola. Dos espaços que cobrirem sem ela. De como se alternam nas dinâmicas. Da distância entre as linhas e os dois médios, ora para a frente ora para trás. É relativo!