domingo, 17 de novembro de 2013

O Dragão

Quando vejo espectáculos que me agradam e me tocam muito particularmente, sejam filmes, peças de teatro, com a música em geral e a ópera em particular, fico com pele de galinha e imensamente feliz. Em estado de exaltação, achámos o mundo melhor: chegámos a comover-nos perante a presença do belo. Somos compelidos a ter bons sentimentos. A harmonia paira no ar. O ambiente é invulgarmente sereno e silencioso, para não perturbar: nada se pode perder. O prazer tem de ser total. São momentos raros esses, mas inesquecíveis.


O Estádio do Dragão é, na feliz citação de MST, um palco próprio para recitais. Deslumbro-me sempre que lá vou e não me canso de lá ir. É muito belo, por ser muito simples. Sinto-me bem. É um estádio que nos honra. Quando atravesso a alameda e revejo o estádio, não fujo à atracção de o ir espreitar de perto e de segui-lo ao longo do passeio da fama. É que à beleza do estádio junta-se um enquadramento único. O Estádio é o centro daquele pequeno universo. Lindo de ver. Próximo ou longe, de terra ou do ar, é um estádio que merece honras de monumento.

Tenho saudades da Constituição, das Antas dos jogos no estádio do Lima, algumas até de Vidal Pinheiro, com muita pena pelo "desaparecimento" do Salgueiros. Mas, sou um apaixonado pelo Dragão. Sinto-me bem, aprecio os cânticos, conheço a vizinhança com quem troco impressões e pormenores tácticos. Quando o estádio irrompe num uníssono berro, gritando “Gooolo”, sinto uma enorme alegria, um paixão enorme, um misto de satisfação e orgulho, felicidade e regozijo, que me deixa rouco e me põe aos saltos como tantos. Esquece-se quase tudo: a enxaqueca, as letras, os desaforos, sei lá que mais. A emoção paira no ar e é contagiante. Somos todos irmãos, naquele momento. O minuto 92 que as imagens mostram e os testemunhos comprovam, é o melhor exemplo dessa louca euforia.


O estádio Dragão é um monumento onde se joga à bola. O Dragão Caixa e o Museu vieram animar o novo centro desportivo do FCP. O Dragão é um digno sucessor do velhinho estádio das Antas.

10 anos depois, continuo a gostar muito do Dragão: foi amor à primeira vista e vai-me acompanhar-me pelo resta da vida fora. Nesta época de incertezas, tenho a certeza que deve ser preservado como pertença do FCP. Um lugar para admirar. Nosso. Como dizia um articulista do PUBLICO: “…vir ao Porto e não visitar o Dragão por dentro e por fora e pelas suas redondezas é um pecado imperdoável.

2 comentários:

João Saraiva disse...

Caro Mário,

Minuto 91, minuto 91 ;-)

Felizmente no renovado site do clube também já escrevem: minuto 91 - http://www.fcporto.pt/pt/noticias/Pages/Dez-jogos-para-a-eternidade.aspx

Abel Pereira disse...

Sou de Setúbal, nunca vi o estádio de perto, mas pelas fotografias pode ver-se que é uma obra de arte. Já escrevi, não sei se neste blogue ou noutro, que, tendo visto, por fora, os estádios do Benfica e do Sporting, fiquei com a ideia de que não seria possível construir estádios com alguma beleza, mas o estádio do Dragão é uma obra de arquitectura deslumbrante. Digo isto não por ser o estádio do meu clube, e fico surpreendido por haver adeptos do Benfica que consigam ver beleza naquele amontoado de vigas de ferro...

Saudações portistas!