sábado, 14 de dezembro de 2013

Não, não foi azar

«O azar e a sorte intrometem-se frequentemente no jogo, ora para nosso desespero ora para nossa alegria. Neste jogo com o Atlético de Madrid nada correu bem, mas temos de convir que foram cometidos alguns erros capitais que não devemos escamotear, porque aconteceram e são recorrentes. (…) Com o Nacional e o Belenenses, foi a mesma história. Foram falhas e não tiveram nada a ver com a sorte ou o azar.»
Mário Faria, in ‘Frustração!


Desde o início da época que eu acompanho, com alguma curiosidade, a linha editorial de O JOGO, nomeadamente no que diz respeito ao treinador escolhido por Pinto da Costa para suceder ao mal amado Vítor Pereira. Em termos de desculpas e atenuantes tem havido de tudo e, desta vez, parece que a culpa da derrota (mais uma!) foi dos ferros das balizas do Vicente Calderón.

Não, por mais que O JOGO e outras pessoas queiram passar essa ideia, não foi por causa dos ferros, nem por azar, que o FC Porto perdeu em Madrid.

Não, não foi azar, bem pelo contrário, o Atletico Madrid já ter o 1º lugar do grupo assegurado e, por isso, ter alinhado de início com várias segundas escolhas - Aranzubia, Alderweireld, Manquillo, Insúa e Óliver Torres.

Não, não foi por azar que o FC Porto sofreu um golo ao minuto 14, na sequência de um lançamento lateral (!) do adversário.

Não, não foi por azar que o FC Porto sofreu um golo ao minuto 37, marcado por Diego Costa, o qual, sozinho contra a “linha” defensiva do FC Porto, se isolou e bateu Helton facilmente (numa jogada que foi quase uma fotocópia de outra que, qual aviso, tinha ocorrido ao minuto 29).

Não, não foi azar a forma passiva como toda a defesa do FC Porto, ao minuto 45, ficou a assistir à troca de bola entre jogadores do Atletico e que só não culminou no 3º golo dos colchoneros porque Helton defendeu o cabeceamento de Adrián feito à queima roupa.

Não, não foi azar (foi uma enorme sorte!) Diego Simeone ter trocado ao intervalo o bad boy Diego Costa pelo inconsequente David Villa.

Não, não foi azar, bem pelo contrário, Diego Costa (atualmente o melhor avançado do campeonato espanhol) só ter jogado 45 dos 180 minutos, nos dois jogos entre dragões e colchoneros.

Não, não foi azar, nem por culpa do Austria Viena (o qual fez a sua parte e a 40 minutos do final do Atletico Madrid x FC Porto já ganhava ao Zenit por 3-1), que o FC Porto ficou fora dos oitavos final da Liga dos Campeões.


Durante várias semanas, fomos bombardeados com a tese dos erros individuais…
O facto dos “erros individuais” terem sido cometidos, não por um jogador desconcentrado ou em má forma, mas serem recorrentes e cometidos por vários jogadores - Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro e Herrera, só para falar nos mais óbvios e com consequências diretas em golos sofridos -, não mereceu qualquer reflexão dos responsáveis, nem análise aos problemas coletivos que estavam na sua origem.

Depois veio a tese mirabolante da equipa quase perfeita, a que só faltava afinar a finalização…

Agora querem convencer-nos que a culpa é do azar.

Capas de O JOGO após as derrotas em casa frente ao Atletico Madrid e Zenit

Senhor diretor de O JOGO (e não só), a realidade é a seguinte: o FC Porto só ganhou UM dos SEIS jogos que disputou para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Azar? É mesmo, um azar do caraças…

É óbvio que seguir por este caminho, o caminho das desculpas esfarrapadas (azar, inexperiência, azar, erros individuais, azar, postes das balizas, azar,…) e das vitórias morais (a capa de O JOGO após a derrota em casa frente ao Zenit encheu-me a alma destroçada), não vai levar a nada de positivo. Contudo, se há pessoas que acham que o problema deste FC Porto de Paulo Fonseca é de azar e mau olhado, contrate-se um bruxo…

P.S. Este artigo foi elaborado e agendado há dois dias atrás e só não foi publicado antes por uma questão de agendamento de artigos de outros co-autores do 'Reflexão Portista'.

22 comentários:

Joao Goncalves disse...

José concordo inteiramente ctg mas faltou-te acrescentar uma coisa muito importante e onde o azar realmente esteve presente.

Foi um azar do CARAÇAS quando o PdC se lembrou deste para treinador...

Pedro ramos disse...

A minha percepçao continua a ser muito simples: falta muito trabalho a esta equipa.
Infelizmente nao acredito que isso vá mudar, até porque de cada vez que ouço PF ele continua a ignorar as questoes essenciais e a concentrar-se nos adereços. Mais uma vez, nesta última conferencia de imprensa, ele pensa que no jogo contra o AM, bastava que as oportunidade criadas tivessem sido concretizadas para podermos considerar que a equipa fez um bom jogo, ou seja, essa foi a única lacuna nesse jogo.

Ora considerando eu que o problema é falta de trabalho, e se ele nao é capaz de trabalhar com qualidade o sistema que considera o seu favorito, logo aquele em que se sente mais capaz de desenvolver, nao consigo pensar que fosse capaz de melhorar a equipa utilizando outro sistema ( o que nao quer dizer que a equipa nao podesse ser melhor pelo facto de alguns jogadores se sentirem mais confortáveis noutro sistema).

Existe um pormenor que para mim comprova de forma flagrante esta falta de trabalho e chama-se Ghilas. Quando em desespero PF o lança em campo observa-se que ele torna-se num corpo completamente estranho à equipa e que nao existe absolutamente nada trabalhado para integrar na equipa um 2º ponta-de-lança tornando completamente inócua a sua entrada, daí que na maioria das vezes ele se limite a substituir posiçao por posiçao.

Tiago Stuve Figueiredo disse...

Caro José,

Mais uma vez, totalmente de acordo. Não percebo como se desculpa tanta coisa ao treinador. O Vitor Pereira na primeira época teve um plantel infinitamente mais fraco que o Paulo Fonseca e ao menos a equipa tinha identidade. Este ano, nem isso. Perdemos a qualidade das transições ataque defesa, perdemos controlo do jogo, perdemos todo e qualquer tipo de mecanização defensiva e, acrescento, leitura de jogo.

é doloroso ouvir as conferencias de imprensa antes e depois dos jogos, o treinador fala sempre de jogos que ninguém viu.

Para amanhã, PRECISAMOS dos três pontos. Mas tão importante como isso, precisamos de alterar táctica, estratégia e um ou dois intérpretes.

Helton
Danilo, Maicon (só porque o francês está suspenso), Otamendi, Alex Sandro
Fernando (sozinho à frente da defesa)
Lucho ou Defour
Carlos Eduardo
Varela
Jackson
Kelvin

Cumprimentos

Tiago Stuve Figueiredo

http://opequeestamaisamao.blogspot.pt

zzzzz disse...

Compreendo que José Correia esteja agastado com o rendimento da equipa e o treinador, mas afirmar que uma equipa que enviou duas bolas ao poste e outras duas à barra acabou por ter sorte é um exagero grotesco!

A organização defensiva da equipa é deficiente, mas é inegável que houve erros que não podem ser atribuídos ao treinador. Em Madrid, por exemplo, Maicon é o principal responsável pelo primeiro do golo do Atlético e tem culpas no segundo. É inadmissível que um jogador com a sua experiência, pare à espera que o árbitro marque fora-de-jogo. O jogador não está em forma, pura e simplesmente.

Afirmar que os problemas que a equipa tem revelado não são alvo da reflexão dos responsáveis é acusá-los de negligência e irresponsabilidade. O problema reside não na falta de reflexão, mas nas soluções apresentadas.

Mesmo não estando a jogar bem, a equipa pode claramente conquistar o título. Estou convencido que Paulo Fonseca vai continuar no posto até ao fim dá época, mas antevejo que vai ser alvo dos mesmos mimos que atingiram Vítor Pereira e que contribuíram para que ele fosse procurar um pouco de ar fresco nas Arábias, por estranho que pareça. Alguns adeptos ficaram muito contentes e os adversários ainda mais, pois sabiam que o treinador estava a consolidar um modelo de jogo muito difícil de bater.

Pedro Moreira disse...

Não leio o Jogo com a regularidade necessária para valorizar linhas editoriais pelo que dou de barato o que foi antes dito. Agora conheço bem a obcessão reinante neste espaço no sentido de atribuir a Paulo Fonseca a culpa de tudo o que de mal se vai passando neste FCPorto, e já agora tentar envolver a figura do mediano Vitor Pereira numa aura de extraodinária qualidade. Realmente este ultimo após a saida do clube tem feito uma carreira auspiciosa, penso até que os tubarões europeus andam loucos por ele. Claro que esta obcessão afasta os autores dos factos e da realidade.
Este artigo tem verdades de la palisse: o Atlético jogou com alguns suplentes, o FCP comete erros sucessivos, o azar não chega para para justificar a derrota...Agora se no jornal "0 jogo" haverá mau jornalismo por aqui há opiniões de tal forma inquinadas que têm o valor que têm. Ao contrário do Mario Faria que fez um exercicio honesto onde se fala dos aspectos positivos e negativos este é um bota abaixo que acha que 4 bolas nos postes não tem qualquer valor no Calderon, que desvaloriza um craque como Vila (Ghilas será seguramente melhor...) e que acaba com a ironia do bruxo. Todos concordamos que a equipa foi bem eliminada e não jogou o suficiente para passar, todos estamos fartos dos erros individuais e colectivos, todos queremos melhor e sofremos cada fim de semana. Mas estamos em desacordo em relação à resolução dos problemas: eu em vez de bruxos trazia bons extremos, um bom numero 10, um bom defesa direito...e além de não trazer bruxos não passaria a vida a trazer à baila a memoria de um treinador mediocre que pos a equipa a jogar mal que se fartou (com pequenissimas diferenças como a presença de Moutinho, Hulk, James...) e que se pirou por dinheiro. Se PF não é treinador para o Porto falar do anterior não ajuda nada....

Pedro Moreira disse...

Plantel 2011/2012: 1-Hélton;24-Beto31-KieszeK3-Alex Sandro
4-Maicon 5-Álvaro Pereira 13-Fucile14 -Rolando15-Rafa 16-Sereno
21-Săpunaru30-Otamendi6-Freddy Guarín7-Fernando Belluschi
8-João Moutinho19-James Rodriguez-Souza25-Fernando28-Rúben
27-Djalma10-Cristian Rodríguez12-Hulk17-Varela18-Walter22-Iturbe11-Kléber
Plantel "infinitavemente mais fraco", o Paulo Fonseca tem sido desculpado???? Eu tenho ouvido inverdades mas como estas 2 ao mesmo tempo sinceramente não me recordo...

José Correia disse...

conheço bem a obcessão reinante neste espaço no sentido de atribuir a Paulo Fonseca a culpa de tudo o que de mal se vai passando neste FCPorto, e já agora tentar envolver a figura do mediano Vitor Pereira numa aura de extraodinária qualidade

Infelizmente, o desempenho deste FC Porto de Paulo Fonseca tem sido bastante mau e, para se ver isso (há quem não queira ver e invente desculpas, mas isso é outra conversa), nem sequer é preciso recorrer a comparações com o FC Porto dos últimos anos.

Mas já que foi você a incluir o "mediano Vítor Pereira" no seu comentário e a traze-lo para esta discussão (e ainda tem a lata de acusar os outros de obsessão...), fique descansado que num dos próximos dias eu publicarei um artigo com uma comparação baseada em números e resultados.

José Correia disse...

Alguns adeptos ficaram muito contentes [com a saída de Vítor Pereira] e os adversários ainda mais, pois sabiam que o treinador estava a consolidar um modelo de jogo muito difícil de bater

Nisto estamos de acordo.

Pedro Moreira disse...

Caro José Correia vai comparar o quê? O Moutinho com o Josué? O James com o Lica? O Hulk com o Ricardo?
As comparações baseadas em "numeros e resultados" são completamente desonestas quando os planteis são diferentes. Atreva-se a comparar os numeros do seu idolo Vitor Pereira com os de Vilas-Boas...terá o mesmo valor: zero, planteis completamente diferentes, niveis de exigencias incomparaveis.

José Correia disse...

Caro José Correia vai comparar o quê? O Moutinho com o Josué? O James com o Lica? O Hulk com o Ricardo?

O Hulk?!!!
Como você está! O Hulk saiu para o Zenit, já com os jogos oficiais em curso, no inicio de Setembro de 2012!

Não, não vou comparar planteis, mas digo-lhe já que, na minha opinião, o plantel desta época é melhor que o da época passada e do meio-campo para a frente tem mais alternativas e soluções de qualidade (e parece que ainda vai ser reforçado com o Quaresma).

Mas parece que o simples facto de eu ter dito que ia apresentar uma comparação baseada em números e resultados o deixou muito nervoso. Não fique, que não vale a pena.

Pedro Moreira disse...

O Hulk????Então não jogou no primeiro ano do VP? José Correia o radicalismo cega....Nervoso? Boa piada, deve estar a pensar que o que vai apresentar terá para mim alguma relevancia, quando os planteis são totalmente distintos. Vejo que se acha muito importante...seja mais humilde. Já nem do Hulk se lembra...

Pedro Moreira disse...

Olhe se vier o Quaresma então o plantel será melhor e a responsabilidade de PF aumentará obviamente. Actualmente, jogando com os Licas...

Luís Vieira disse...

Se 4 bolas nos ferros não podem ser consideradas azar, então, para o autor, não há sortilégio no futebol. Tudo se resume a competência e incompetência. O Raúl Garcia foi extremamente competente no remate que fez, quase sem ângulo, batendo a bola na trave e entrando, no 1º remate do Atlético à baliza, ao passo que o Jackson foi incrivelmente incompetente no desvio que fez para a trave após cruzamento do Danilo, também no 1º remate do FCP. Destinos diferentes para circunstâncias semelhantes. Tudo explicado pela ciência. O mesmo se aplica à cabeçada do Varela à barra, ao 2º encontro com os ferros do Jackson e ao remate certeiro do Licá ao poste. Já sabemos que a equipa erra quanto baste e que contribui sobremaneira para os desfechos negativos, mas não sejamos cegos ao ponto de não assumirmos o infortúnio.

Tiago Stuve Figueiredo disse...

Paulo Fonseca não tem sido desculpado por mim nem por quase todos os bloggers do reflexaoportista, mas quem o defende vem sempre com o argumento que o treinador do Porto só não faz mais porque os jogadores são fracos, o que é falso. Mas já que não há mais nenhum argumento que possam usar, usa-se esse.

Nunca fui fã de VP, nem gostava particularmente do seu estilo de jogo. Apoiei a sua substituição no final da época passada porque achei que era possível jogar-se um futebol mais atractivo e com bons resultados. E acho possível. Infelizmente o que se tem visto até agora com PF é uma equipa com um futebol ainda menos atractivo, com uma qualidade defensiva incomparavelmente mais fraca e com resultados quase tão maus como os da primeira época de VP e muito piores do que as da 2ª época.

Quanto ao FC Porto de VP até Dezembro da primeira época e o de PF até este momento, não tenho dúvidas que o de PF é superior (talvez nao infinitamente superior), não tenho culpa é que o treinador não saiba nem queira tirar partido das boas contratações feitas. Jogadores que com VP eram craques o ano passado, tipo Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Lucho, etc, este ano parecem pernetas, sendo que as contratações pouco ou nada calçam. Se a equipa titular em Dezembro de 2011 e Dezembro de 2013 tem jogadores de qualidade semelhante (basta ver que VP não tinha um ponta de lança de jeito e tinha vários jogadores sem cabeça no clube que acabaram despachados), o plantel de PF tem mais soluções no seu global. Pode até nem concordar, são opinioes. Não pode é dizer que é fraco e que os resultados e qualidade de jogo são condizentes. Bom bom é o plantel do sporting se calhar...

Http://opequeestamaisamao.blogspot.pt

Hugo disse...

O Pedro Moreira tem o treinador que merece. Espero que esteja contente com PF e o belíssimo trabalho que tem feito

Pedro Moreira disse...

Tiago estou de acordo com o sub-rendimento de alguns jogadores mencionados embora em parte a falta do João Moutinho e o desiquilibrio criado o justifiquem, porque não são só os defesas que devem defender. Em relação aos planteis a mim parece-me que o actual é tão infinitamente inferior que não consigo perceber a sua opinião. Grandes jogadores em todos os sectores, grandes supelentes...Acho que há adeptos que pensam que Lica é o Maradona, que pensam que Lucho continua a ter 20 anos, que não duvidam em comparar Ghilas com Derlei...enfim que vivem de castelos no ar....

José Correia disse...

Se 4 bolas nos ferros não podem ser consideradas azar...

Você (e não só) fala em 4 bolas aos ferros, mas "esquece-se" de dizer que o Atletico Madrid marcou 2 golos e ainda teve mais 3 oportunidades flagrantes (aos 29', 45' e 75').

Os golos e oportunidades flagrantes do Atletico são explicados pelo "azar"?

José Correia disse...

não sejamos cegos ao ponto de não assumirmos o infortúnio

Você (e não só) fala em infortúnio, mas acha que é infortúnio ir a Madrid, jogar um jogo decisivo para o FC Porto, e do outro lado estar uma equipa já apurada, para a qual o resultado do jogo já nada contava (em termos classificativos) e com um onze inicial cheio de segundas escolhas?

Você (e não só) fala em infortúnio mas, num cenário favorável como este, em que o FC Porto precisava e tinha OBRIGAÇÃO de ganhar, terá sido infortúnio o FC Porto perder e, por via disso, nem sequer tirar partido da derrota do Zenit em Viena?

Luís Vieira disse...

Mais uma vez, para evitar assumir o evidente, o José Correia prefere recorrer a manobras dilatórias e deturpar o escrito, baralhando, para voltar a dar. Reitero: até o adepto mais céptico, face a 4 bolas no poste, há-de considerar que houve algum azar neste circunstancialismo. Mas o azar a que me refiro é apenas este: de as bolas terem embatido no poste, em vez de terem entrado na baliza. O infortúnio, o enguiço, o que lhe quiser chamar, reporta-se APENAS ao facto de as mais flagrantes oportunidades que o Porto teve terem esbarrado nos ferros. Não sejamos redutores e simplistas, obviamente que nem tudo se resume a um jogo de sorte e azar, mas são factores a ter em conta, embora não mensuráveis. Se quiser optar por uma visão meramente empírica/técnica/científica, então os jogadores do Porto foram 4 vezes incompetentes, enquanto que os jogadores do Atlético foram 2 vezes competentes. Mas será que mesmo ao José Correia nunca lhe terá ocorrido, enquanto está a ver um jogo, pensamentos como "Que azar!", quando o Porto envia uma bola ao poste, ou "Que sorte!" quando a bola do adversário bate nos ferros da baliza à guarda do Helton?! Nunca achou "os mouros uns mijões do caraças" em nenhuma fase da sua vida, só para dar um exemplo? Acho manifestamente improvável, mas admito que haja adeptos do FCP dotados do mais estrito racionalismo! Conclusão: não é sacrilégio um adepto portista afirmar que 4 bolas nos ferros constituem um azar, por muito que lhe custe admitir, talvez porque belisque de alguma forma a sua narrativa. Quanto ao resto, estamos de acordo. Passo a enumerar, conforme a sua construção: os golos e oportunidades do Atlético não são explicados pelo azar e o Porto devia ter aproveitado as facilidades "concedidas" pelo Atlético e pelo Áustria. Houve incompetência, mas, pasme-se, também entendo que houve infortúnio. E agora vou escandalizá-lo: já no Dragão tivemos azar com o Zenit, quando enfiámos 2 bolas nos ferros através do Lucho e do Varela.

José Correia disse...

até o adepto mais céptico, face a 4 bolas no poste, há-de considerar que houve algum azar neste circunstancialismo

Sim, mas daí a dizer que o FC Porto perdeu em Madrid, contra uma espécie de Atletico B, por causa do azar, vai uma grande distância.

José Correia disse...

Não sejamos redutores e simplistas, obviamente que nem tudo se resume a um jogo de sorte e azar, mas são factores a ter em conta, embora não mensuráveis

Poder-se-ia falar em azar, se o FC Porto tivesse esmagado o Atletico, criado uma dúzia de oportunidades de flagrantes e o Atletico, na única vez que chegasse a baliza portista, tivesse marcado um golo e ganho o jogo por 1-0.

Ora, não foi isso que aconteceu, nem em termos de domínio, nem de oportunidades.

O FC Porto teve 5 grandes oportunidades (4 bolas aos postes e um penalty falhado);
o Atletico Madrid teve 5 grandes oportunidades (2 golos e 3 oportunidades falhadas).

Luís Vieira disse...

Claro, em circunstância alguma considerei que o Porto tenha perdido em Madrid única e exclusivamente porque foi azarado. Apenas fiz o reparo porque me pareceu que o José Correia estava a negar de forma categórica que o Porto teve azar na sina dos postes (o que, não obstante os erros próprios que custaram o desaire, foi manifesto e legítimo de ser sublinhado pelos adeptos). Aliás, esta situação não é virgem, tem acontecido com alguma frequência, principalmente nos jogos em que perdemos pontos. De repente lembro-me dos jogos com o Zenit, como referi, e com a Académica. A campanha sofrível do FCP esta época, obviamente, não se explica por aqui, mas é um dado não desprezável. São as velhas questões da "sorte do jogo" e do treinador "pé frio" ou "pé quente", tão velhas quanto o próprio futebol.