segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio da Silva Ferreira 1942- 2014

Eu sou portista porque, basicamente, gosto de futebol, e porque tive a ventura de nascer no Porto e lá ter sido criado. E, gostando de futebol, sempre aprendi a apreciar e aplaudir os grandes jogadores, simpatias ou antipatias nacionais e/ou clubísticas à parte.

Na minha vida de seguidor do futebol, tive o privilégio de ver jogar, ao vivo ou na televisão, Pelé, Johan Cruyff, Diego Maradona, George Best e, claro, o grande Eusébio. Vivi os anos sessenta do século XX, do grande domínio nacional e afirmação internacional do SL Benfica. Não alinho no côro daqueles que dizem que o Benfica ganhava por causa do regime ou - ridículo dos ridículos - por causa do Salazar. Fazê-lo seria equivalente a alinhar agora com o discurso dos Vieiras e quejandos, que nunca reconhecem mérito às vitórias do FC Porto. Sem dúvida que o Benfica tinha benefícios na estrutura do futebol - e os desgraçados seus vizinhos iam colhendo uns restos - mas tal como nós somos hoje em dia um clube muito mais profissional e organizado que eles, também eles o eram nesse tempo.

Na hora do passamento de Eusébio deixo aqui três momentos da sua carreira que ainda hoje me marcam. Todos presenciei - o primeiro na televisão e os outros dois ao vivo no Estádio das Antas:

1. 1966, Goodison Park, Liverpool, Quartos-de-Final do Campeonato do Mundo

Aos 20 minutos ou meia-hora (pouco importa para o caso), Portugal perdia supreendentemente com a Coreia do Norte por 3-0. O belo sonho que passara por uma vitória sobre o Brasil por 3-1, também em Goodison Park, parecia esboroar-se. Um homem, contudo, estava entre Portugal e a eliminação pouco lustrosa. Eusébio, um rapaz simpes e humilde de Moçambique, deu a volta ao resultado - sim, pode dizer-se que foi obra dele. Portugal ganhou por 5-3 e ele marcou quatro golos - dois deles de penalty, é certo, mas ambos cometidos sobre ele. Absolutamente fantástico! No final, o público de Goodison Park tributou-lhe um longo aplauso.

2. Época de 1967/68, Estádio das Antas

Estávamos perto do fim do campeonato, e o Benfica era já praticamente campeão, mas ganhar-lhe era questão de honra. A cinco minutos do fim, o FC Porto inaugura o marcador, golo do Djalma. Pois bem: o Eusébio ainda arranjou tempo e arte para empatar o jogo, num fabuloso tiro de fora da área. Que desilusão!

3. Época de 1968/69, Estádio das Antas

Em Dezembro o FC Porto recebeu e venceu o Benfica por 1-0, golo de Custódio Pinto aos 15 minutos. O Eusébio atravessava um período de baixa de forma e acabaria substituído a meio da segunda parte. Chovia copiosamente. Saiu debaixo de um enorme côro de assobios - provavelmente a maior vaia da sua carreira - mas o futebol é assim mesmo. Nas Antas e em Alvalade, Eusébio da Silva Ferreira não era propriamente uma figura muito popular. Eu, do alto dos meus 14 anos, tive pena do homem: ainda me lembrava das suas façanhas em Inglaterra!


Paz à sua alma.



Foto: Eusébio deixa o relvado de Wembley, consolado pelo seleccionador nacional Manuel da Luz Afonso, após a derrota contra a Inglaterra nas meias-finais do Mundial de 1966.




51 comentários:

Alexandre Burmester disse...

Correcção: pensando melhor, acho que o primeiro penalty contra a Coreia do Norte foi cometido sobre o Torres.

.:GM:. disse...

Sinceramente, não me diz muito. Dirá muito para a maior parte dos Benfiquistas e outros Portugueses, a mim não me diz nada. Uma personagem que teve os seus tempos áureos numa época em que eu ainda não vivia, mas acima de tudo alguém que sabia apenas chutar uma bola e nada mais. Como alguém disse, uma pessoa pouco culta que nunca poderia ser apelidado de pensador ou culto. E são estes últimos que devemos celebrar sem qualquer desrespeito pelos restantes. Não um jogador da bola que dizia muitas asneiras quando abria a boca. Como a conhecida história dos tremoços serem o seu marisco preferido. E gosto de futebol, vivo o futebol, jogo futebol e vivo o meu Porto. Mas nunca colocarei um jogador de futebol como cabeça de cartaz de um país pois parece-me um desrespeito e falta de consideração pelos pensadores. Morreu, temos pena. Foi mais um entre muitos que passam despercebidos e teriam merecido igual ou mais consideração que um jogador da bola. Tão simples quanto isso.

Nelson Barbosa disse...

Eu tambem vi jogar o Eusébio ao vivo e pela televisão. Foi um grande jogador sem dúvida, dos melhores do seu tempo, decisivo para a consolidação da supremacia do benfica a nivel nacional nos anos sessenta/ setenta e da excelente campanha da selecção nacional no campeonato do mundo de 1966. Como pessoa, era o que se chama "um simples" (não fosse o apoio que lhe foi dado pelo benfica, e muito bem, provavelmente teria acabado como o Garrincha e Vitor Batista) essa simplicidade e modéstia grangeou-lhe a simpatia da maioria das pessoas, entre as quais me encontro. O sistema fez dele um verdadeiro ícone nacional, há que o reconhecer, e, merece uma homenagem publica, mas, que diabo... não se estará a exagerar? O país parou? Não há mais nada para noticiar e comentar? Panteão Nacional? Calma aì!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Para mim é ainda o melhor jogador português da história (ainda que o Cristiano esteja cada vez mais ao seu nível teremos de esperar pelo fim da sua carreira para avaliar com perspectiva) e foi um simbolo de Portugal durante 40 anos.

Tudo o que se diga de Eusébio é pouco. Fez pela marca Portugal o que poucos conseguiram, era um gentleman dos relvados e foi apreciado por todos os grandes da sua geração e das posteriores - que ainda o viram jogador - de forma unânime o que poucos desportistas conseguem.

Se o futebol fosse Formula 1 e se o Pelé fosse o Schumacher, o Maradona fosse o Senna e o Di Stefano fosse o Fangio ele seria seguramente um Lauda, Stewart ou Prost. E quanto aos amigos de outros clubes que não do Benfica, um jogador como o Eusébio pode criar anti-corpos. É natural. Passa com Di Stefano e os adeptos do Barça, com Cruyff e os do Madrid. Mas são nomes superlativos e no fundo no fundo o que todos teriamos querido é que o Eusébio tivesse jogado 15 anos como jogou de dragão ao peito.

Deco disse...

Não vivi esse tempo e só vi jogar Eusébio no youtube mas não tenho dúvidas que foi um enorme jogador.
Escrevo aqui porque não concordo quando é dito que "Não alinho no côro daqueles que dizem que o Benfica ganhava por causa do regime ou - ridículo dos ridículos - por causa do Salazar."
Basta dar o exemplo do Eusébio que ainda muito jovem tinha já os melhores clubes europeus na sua peugada e ofertas milionárias, no entanto, por ação de Salazar foi obrigado a continuar no Benfica. Só assim se explica que um jogador como ele nunca tenha atuado num campeonato em condições. E se recentemente Hulk era quase uma garantia da conquista do campeonato (para o FC Porto), Eusébio no seu tempo era ainda mais.

José Rodrigues disse...

Eusebio foi um grande jogador de futebol. Morreu, sentimentos à familia; next.

Compreende-se uma ou outra homenagem. O q era escusado é o autentico circo q montaram à volta disto. "Grande homem"? Reportagens com putos a chorar? Poupem-me. Grande homem foi por ex um bombeiro morto num incêndio, para nao falar num Mandela, e nao vi reportagens de horas e horas com putos q nunca os conheceram a chorar. Ainda bem q nao vivo em Portugal para ter q aturar isto.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Os media exageram tudo. Se tivesse morrido alguém do mediatismo do Eusébio (que e´dificil) faria o mesmo. Lembro-me perfeitamente dos casos do Cunhal e da Amália, enquanto ainda vivia em Portugal e o circo mediático foi o mesmo (e será com os Soares, Mourinhos, Ronaldos e afins). Funciona igual em todas as partes.

Quanto ao Panteão, parece-me lógico. Se lá está uma fadista porque não um futebolista?

José Rodrigues disse...

Já agora, o mais nojento do q se está a passar é o saudosismo expresso por muitos pelo antigo regime, elogiando o slogan dos 3 F's. Ironicamente isso é mais típico entre quem nao viveu no antigo Regime...

José Rodrigues disse...

Vamos lá ver então se quando o PdC morrer também vai ser igual... É melhor esperares sentado.

Quanto a ser "igual em todos os lados", só podes estar a brincar. Achas mesmo por ex q vai haver o mesmo circo em França ou Alemanha quando Platini ou Beckenbauer morrerem?

Hugo disse...

Isto e de mais. Hoje so se fala no clube do regime. Esta semana vai ser um fartote.

DC disse...

Não o vi jogar portanto diz-me pouco ou nada. Agora ter que levar com horas e horas de programas, em todos os canais informativos, além de cansar até nos cria uma imagem negativa sobre o homem. Foi certamente um enorme jogador, tudo o resto foi funcionando como propaganda para tentar manter viva uma glória que há décadas desapareceu.

Como disse o José, veremos como vai ser quando morrer o maior dirigente da história do futebol português...

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

Eu não disse que vá ser igual com o Pinto da Costa. Para os portistas, seguramente. No entanto, no universo futebol, em questão de simbolismo o jogador está sempre em primeiro lugar, depois vêm os treinadores. Só muito atrás chegam os dirigentes. Há casos excepcionais e o Pinto da Costa seguramente é um deles. Basta relembrar a histeria que houve em Madrid quando o Bernabeu morreu para perceber que isso é o que vai passar no Porto.

Por outro lado o Eusébio, apesar de ter jogado brilhantemente no Benfica, fez ao serviço da selecção o que nenhum jogador antes dele ou depois até agora conseguiu (as meias-finais de 2000 e 2006 foram um exercicio muito mais de excelência colectiva, por muito que o Figo e o Ronaldo lá andassem) e isso acabou por passar para os adeptos neutrais, alguns adeptos dos clubes rivais e os que ligam pouco á bola. Um dirigente é um dirigente.

Quanto a ser igual em todos os lados, naturalmente que o futebol toca mais a fibra emocional neste circuito mediático em países latinos. Mas a histeria da morte da Lady Di, em Inglaterra, ou da morte do Steve Jobs recentemente dão a linha de como se comportam os media: uma enxorrada de informação que ninguém aguenta. O modelo é o mesmo, depois aplicamos as especificidades de cada país.

José Rodrigues disse...

"Mas a histeria da morte da Lady Di, em Inglaterra, ou da morte do Steve Jobs recentemente dão a linha de como se comportam os media: uma enxorrada de informação que ninguém aguenta. O modelo é o mesmo, depois aplicamos as especificidades de cada país."

Bullshit.

A comparacao e' ridicula. Primeiro porque Diana e Jobs nao morreram com uma idade respeitavel de 71 anos, mas sim de forma inesperada e muito jovens. Segundo e acima de tudo porque nao assistimos no Reino Unido nem nos EUA a horas e horas e horas de programas de TV, a imagens de putos q nao os conheciam de lado nenhum num pranto histerico ou a 3 dias de luto nacional.

Mário Faria disse...

Estou de acordo com o que Alexandre refere relativamente ao Eusébio e ao SLB. Dito isto, não fora a ingenuidade parola do FCP, que deixou fugir de uma assentada Bella Guttman e José Augusto, talvez a história fosse diferente. Mas, foi assim que se passou e não há volta a dar. O SLB tinha uma organização mais profissional e estar perto de Lisboa e do poder, por interesse mútuo, também ajudou e de que maneira. O FCP tinha, na altura, melhores jogadores e uma excelente equipa. Jogadores como Pedroto, Carlos Duarte, Hernâni e Perdigão foram enormes, mas não catapultaram o FCP para outra dimensão por culpa do clube e do amadorismo que presidia à gestão desportiva do nosso clube. Nos jornais não eram badalados porque não faziam parte da elite desportiva lisboeta. Mas, insisto, o FCP desde Yustrich até Guttman teve de longe melhores jogadores e melhor plantel em Portugal e, nessa altura, era muito difícil chegar a campeão. O ano de Flávio Costa, que sucedeu a Yustrich, foi paradigmático dessa vertigem autofágica que despedaçou muitas equipas do FCP: um futebol genial e tudo perdido nas duas últimas jornadas. Algumas vezes com ajudas espúrias dos homens do apito que respeitavam obedientemente as ordens do senhor.
Eusébio foi um excelente jogador, mas era um adversário que jogava numa equipa “inimiga” e com o qual não me identifico, a não ser no reconhecimento da sua qualidade. Enquanto cidadão não o conheci e não tenho qualquer apontamento que o beneficie ou desvalorize, embora reconheça essa qualidade de ser muito correcto e leal a jogar.
Por fim, tenho a certeza que este circo montado à sua volta é um perfeito disparate num país moderno. Nem acho que seja a melhor forma de respeitar o homem e o jogador. Mas, isso sou eu a dizer.

José Rodrigues disse...

"Por outro lado o Eusébio, apesar de ter jogado brilhantemente no Benfica, fez ao serviço da selecção o que nenhum jogador antes dele ou depois até agora conseguiu"

Avaliacao totalmente subjectiva.

O q e' objectivo e' q o Ronaldo tem um CV individual, a nivel de clubes e a nivel de seleccao (ha' q acrescentar a final de 2004, ja' agora) mais recheado do q o de Eusebio - em todas estas vertentes.

Para alem de ser muitissimo mais mediatico por esse mundo fora do q o Eusebio algum dia foi (mas isso tb e' fruto dos tempos mais mediaticos q temos, muito embora nao deixe de ser um facto quando se fala no topico de "projectar a imagem do pais").

José Rodrigues disse...

"Eu não disse que vá ser igual com o Pinto da Costa. Para os portistas, seguramente. No entanto, no universo futebol, em questão de simbolismo o jogador está sempre em primeiro lugar, depois vêm os treinadores. Só muito atrás chegam os dirigentes."

Desculpa la', mas tu por acaso queres convencer alguem de q PdC - e em Portugal, sublinhe-se - nao e' uma personagem extremamente mediatica, muitissimo mais do q os jogadores quase todos (e do q o proprio Eusebio, ja' agora)??

Brincamos, nao? Quantas vezes se ouviu falar de PdC nos media (tugas) nos ultimos 30 anos, e quantas vezes se ouviu falar de Eusebio no mesmo periodo, ja' agora? Qual dos dois e' (era) personagem com mais atencao mediatica, em vida?

Relembro a origem desta discussao: tu disseste q todo este "circo" mediatico em Portugal era normal, e q seria assim com outras grandes figuras, e e' isso e isso apenas q esta' aqui em discussao.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

Eu não quero convencer ninguém de que o PdC não seja uma das personagens mais mediáticas da história recente de Portugal. E seguramente terá uma grande cobertura mediática quando morrer. Mas a histeria colectiva, os meninos a chorar, esses cortejos pela rua, etc, dificilmente são gerados por outros que não jogadores (e em casos muito, muito pontuais, por treinadores). Dei-te o exemplo do Bernabeu, que gerou em Madrid aquilo que eu acredito que o PdC vá gerar no Porto. Mas não vai gerar a onda colectiva de luto porque é uma figura polarizada, muito mais do que qualquer jogador foi ou será! A isso me referia!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Por último, e talvez seja o mais importante.

A morte do Eusébio é, para os adeptos do Benfica, o assumir do final de uma era. O que já anda a acontecer nos relvados há mais de 20 anos. Algo que não encontram forma de parar. Falando com muitos benfiquistas fica a sensação de que não estão a fazer este ruido todo porque estão a enterrar o seu melhor jogador de sempre. Estão a enterrar os 20-30 anos da história em que foram o clube mais importante de Portugal. Como se fosse um tempo que nunca mais vai voltar. Os media também tratam a morte de Eusébio como o toque de finado definitivo do que era "esse Benfica", "o clube do país",etc, etc.

É uma espécie de velório ao que o clube significa realmente face à impotência recente de conseguir mais do que migalhas que o FC Porto vai deixando pelo caminho. Imagino que sintamos o mesmo no dia em que Pinto da Costa morra porque o futuro sem ele será, sem dúvida, um futuro muito mais complicado para quem está a viver estes 30 anos de sucessos!

José Rodrigues disse...

"Mas não vai gerar a onda colectiva de luto porque é uma figura polarizada"

Nao sejas ingenuo: PdC nao vai gerar o mesmo circo ou histerias pura e simplesmente porque tem a imagem associada ao FCP e nao ao slb (como o Eusebio), isso sim. Se tivesse sido do slb ja' seria completamente diferente, por muito "polarizante" q fosse.

E ja' agora, Eusebio nao era uma figura algo polarizante? Alguem viu um puto adepto do SCP ou FCP a chorar a sua morte (ou consegue sequer imaginar q isso possa acontecer)? Quantos cachecois do FCP estao la' na estatua (entre as centenas q la' estao), ja' agora? E a camara ardente e' num lugar "neutro", ou no antro do slb?

O proprio Eusebio tinha a sua imagem associada em primeiro lugar ao slb, e so' bem depois a Portugal. Algo q foi instigado por ele proprio, alias.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

Não me digas que não é mais fácil um adepto do FCP, do Sporting ou do Cova da Piedade admirar um jogador de uma equipa rival realmente bom do que admirar um dirigente desportivo.

O futebol é um jogo que move milhões e gera paixões sobretudo por como é jogado, pelos jogadores. São eles os que geram estas euforias, este mediatismo, chamem-se agora Messi e Ronaldo ou chamem-se Eusébio e Pelé há 50 anos. Os treinadores e os dirigentes são (ou deviam ser) as figuras racionais no meio da euforia e jamais conseguem criar esse tipo de sensação nos rivais.

Haverá muitos portistas, sportinguistas que sintam a morte do Eusébio mesmo tendo sido um rival. Se ele tivesse sido presidente do Benfica durante 30 anos duvido que algum ligaria sequer a televisão. E isso que o impacto do Pinto da Costa no futebol português a longo prazo é muito superior ao que teve o Eusébio ou qualquer outro jogador.

E por muito que o Eusébio estivesse voluntariamente associado ao Benfica, os adeptos dos outros clubes que torcem pela selecção (e que não são todos) não se esqueçam de 66 da mesma forma que hoje há muitos adeptos do Porto que gostam do Ronaldo apesar de ele ser abertamente sportinguista.

José Rodrigues disse...

Ai' ja' te dou razao: acho q e' obvio q o simbolismo do Eusebio como exemplo maximo da epoca aurea do slb (em contraste com os tempos modernos) so' reforca o "circo". O q so' reforca o q eu disse a proposito de Eusebio ser uma figura acima de tudo do slb, e so' muito depois do pais.

Ja' com PdC nao teremos (quase certamente) a mesma situacao.

Explico: Eusebio morreu mais de 40 anos depois da epoca aurea do slb, dando portanto aos lamps muito tempo para contrastar o "periodo Eusebio" com o "pos-Eusebio" e estabelecer um enorme saudosismo. Ja' PdC certamente nao ira' morrer decadas depois da epoca aurea do FCP...

Miguel Lourenço Pereira disse...

Não sei se o PdC vai morrer no cargo ou não, mas basta passarem três ou quatro maus anos sem titulos, jogo de qualidade desde que deixe a cadeira e o PdC morrer e vamos ver muitos portistas em estado catatónico.

Espero é que o clube, se ele próprio não estiver ainda na presidência, lhe saiba dar a devida homenagem.

José Rodrigues disse...

"Não sei se o PdC vai morrer no cargo ou não, mas basta passarem três ou quatro maus anos sem titulos, jogo de qualidade desde que deixe a cadeira e o PdC morrer e vamos ver muitos portistas em estado catatónico."

Acredito q sim, mas nao e' em 3 ou 4 anos sem titulos q se instala um clima de profundo saudosismo como se passou no slb nos ultimos 40 anos. E' preciso muuuito mais tempo do q isso.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Não sei, depende de como correr. Também acho dificil que se deixe de ganhar de um ano para o outro. O Benfica nos primeiros 10 anos pós-Eusebio ainda era a equipa que mais titulos ganhava.

Mas os adeptos do FCP têm mentalmente estes anos associados ao PdC, muitas vezes esquecendo-se de outros protagonistas, e se esses anos correrem mal, depois de tantos anos de fartura, vai-se passar facilmente do 8 ao 80!

José Rodrigues disse...

"Não me digas que não é mais fácil um adepto do FCP, do Sporting ou do Cova da Piedade admirar um jogador de uma equipa rival realmente bom do que admirar um dirigente desportivo."

A questao nao e' essa.

O q esta' em discussao e' o circo mediatico. Os media. E se tu achas mesmo q PdC nao tera' o mesmo circo por ser dirigente e nao jogador de futebol (ou por polarizar mais do q o Eusebio), entao desculpa la' mas tenho mesmo de concluir q estas a ser ingenuo.

Eu nao tenho A MINIMA DUVIDA de q se o PdC fosse do slb iriamos ter um enorme circo mediatico como estamos a ter agora; e de q nao iremos ter o mesmo circo mediatico com a morte de PdC, nem nada q se pareca.

José Rodrigues disse...

"O Benfica nos primeiros 10 anos pós-Eusebio ainda era a equipa que mais titulos ganhava."

...em Portugal (ja' la' fora, nem sequer uma 1/2 finalzinha). E mesmo ai' era dividido, nada da hegemonia anterior (nos tais 10 anos pos-Eusebio o slb ganhou 5 campeonatos, o FCP 3 e o SCP 2; nos 10 anos anteriores, tinha ganho 8).

Pulha Garcia disse...

Parabéns pelo fair play, Alexandre. Saudações desportivas.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Naturalmente que não era a mesma o que não deixava de ser um dominio importante. Similar ao FCP entre 93-03, 4 titulos perdidos, 6 ganhos!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

Eu a isso já te respondi com o exemplo do Bernabeu - que não era propriamente o presidente do Atlético de Madrid. Naturalmente que estar associado ao clube da 2nd cidade nunca gera o mesmo barulho mediático que o clube mais seguido da capital. O que eu falava era da adesão popular ao luto colectivo!

Santos Dias disse...

Época de 1967/68, Estádio das Antas.
Antes do jogo se iniciar Eusébio e José Augusto foram junto da baliza defendida por Américo para lhe dár um abraço.
Alguem se lembra?

Santos Dias disse...

Época de 1967/68, Estádio das Antas.
Antes do inicio do jogo Eusébio e José Augusto (debaixo de uma vaia monumental) foram junto da baliza abraçar o nosso Magriço Américo.
Alguem se lembra?
Saudaçoes Portistas Para todos.

Nuno Fonseca disse...

O circo mediático é normal, aqui e em qualquer lado nesta situação. por muito que lhe custe José Rodrigues. Não venha dizer que Steve Jobs era mais novo e por isso era mais aceitável. Isso é muito estúpido de se dizer.
Muitas coisas são como são e não como queremos que elas sejam. Eusébio é e será sempre uma lenda. Já o tinha conquistado em vida. Um jogador que não precisou de sair do seu país para ser reconhecido por todo o mundo e deixar saudades. Lembro-lhe o aplauso monumental no jogo do Manchester e hoje em Madrid. O "circo" é normalissimo, é semelhante ao de Amália. Ambos, sem saberem como nem porquê levaram o nome de Portugal mais alto e mais longe ao fazerem o que sabiam e gostavam. Uma era cantora, outro era futebolista. Mas ainda acredita que eram só isso? Não tenha vergonha de um país que não esquece os seus valores e as suas maiores referências sejam elas cantoras, pensadoras ou pescadoras. Trazer para aqui a rivalidade Porto-Benfica e a afirmação de que se fosse no Porto era diferente ou sequer compara com Pinto da Costa é completamente desajustado.

Pedro Albuquerque disse...

Penso exactamente da mesma maneira e o que mais me irrita é que digam que é um país inteiro que chora a morte dele e que está de luto!

Costa disse...

Vamos lá relativizar as coisas como elas são (ou foram):
Eusébio era o melhor jogador portugues numa altura em que, a maior parte dos seus adversário, ia treinar às 6 da tarde depois do emprego e juntava-se ao domingo depois de almoço para jogar 'à bola'.

Comparar o Eusébio com o CR7 é... Ser benfiquista.
Doente...

meirelesportuense disse...

Eu vi-me a verter uma lágrima no momento do enterramento do Eusébio.Foi uma lágrima furtiva, mas foi uma lágrima...Vi jogar o Eusébio nas Antas, na Luz, em Wembley, em Amesterdão, na Televisão e em directo e era um jogador fora-de-série.Muitas vezes vi o Benfica a jogar à Salgueiros aqui nas Antas e sair vitorioso por arte e engenho do "mister" Eusébio.De perto ou de longe ele lá arranjava forma de atirar as suas famosas bombas e lá se ia o nosso esforço todo por água abaixo.O Benfica deve-lhe imenso.Portugal deve-lhe alguma notoriedade, num tempo de obscuridade e nepotismo.
Claro que a sua morte foi aproveitada ao limite e vai continuar a ser rentabilizada durante mais algum tempo, resta-nos guardar algum respeito pela sua memória e desejar que no próximo jogo se aproveite para abrilhantar o futebol, sem mãozinhas-extras, nem pagamentos fora de horas!...É uma boa oportunidade para o FCdoPorto o homenagear na sua própria casa, porque assim se homenageará no momento certo o próprio Futebol.
E que vença o Porto!

José Rodrigues disse...

"Jobs era mais novo e por isso era mais aceitavel"

Mas você sabe do q está a falar?

Eu por acaso até estava nos EUA quando o Jobs morreu, e o destaque q se deu a isso nos media nao foi NADA mas mesmo NADA comparável ao autentico circo q se viu agora em Portugal!

Hoje até houve noticiários na TV em q a ÚNICA noticia (durante mais de uma hora) foi o Eusébio. Por favor tenha-se um bocado de sentido do ridículo nas comparações.

PeidoMestre disse...

excelente comentário Nuno Fonseca!

subscrevo na íntegra!

Franco Baresi disse...

Sabe qual é o comentário que este seu último comentário merece?

"José Rodrigues, comentário sem cabimento; Next."

Nuno Fonseca disse...

Tenha calma homem. Há portistas que acham normal ou razoável dar muita atenção à morte de Eusébio. você não é um deles. não vem mal ao mundo.
Nada do que eu disse está relacionado com esse seu comentário. Apenas achei que o escreveu :
"A comparacao e' ridicula. Primeiro porque Diana e Jobs nao morreram com uma idade respeitavel de 71 anos, mas sim de forma inesperada e muito jovens."
e comparar com Pinto da Costa e com Cristiano Ronaldo não tem sentido nenhum, quase que dizendo que Eusébio não mereceria assim tanto. Eusébio era mesmo uma figura transversal, não só do benfica, de todos.

Franco Baresi disse...

O mais extraordinário disto tudo é que, após o Benfica se ter aproveitado do Eusébio como jogador (ganhava quase sozinho, por tuta e meia), do Estado Novo se ter aproveitado da sua imagem (de sucesso, mais as questões raciais), da FPF se ter aproveitado da sua figura (para fazer bonito por esse mundo fora), e mais alguns que se aproveitaram dele em vida, até depois de morto se continuam a alimentar do Homem. Os anteriormente mencionados (e seus sucessores ou sucedâneos) mais agora a Comunicação Social. A falta de respeito não tem limites. Não para as "instituições" em causa.

jorge gaspar disse...

Sinceramente acho que já cansa esta vitimização de alguns portistas face á atitude da comunicação social. Tenho cada vez mais dificuldade em compreender essa vitimização até porque nos ultimos vinte anos independentemente da atitude da imprensa nós fomos o melhor clube de portugal e temos uma hegemonia como se calhar nem o benfica de Eusébio teve a nivel nacional. sendo assim acho que se dá uma importância exagerada aquilo que passa nas televisões ou nos jornais. Além do mais esta histeria em torno do Eusébio é perfeitamente natural tendo em conta aquilo que ele significou não só para o Benfica como a nivel nacional, e tendo em conta que a morte dele significa porventura o fim de uma geração (geração de Amália e a geração de Eusébio). Por último quero dizer que acho que está muito enganado quem acha que não existirá uma histeria parecida quando o Pinto da Costa falecer. Acho até que nessa altura á excepção de alguns mentecaptos se verá algum tipo de homenagem e reconhecimento por parte de grande parte dos portugueses

Luís Vieira disse...

Já dei a minha opinião sobre este tema noutro "post", mas para desanuviar os ânimos nesta acalorada discussão, o meu desejo é que o Jackson no domingo faça um poker e que o dedique ao Eusébio, numa bela homenagem de goleador para goleador. RIP Pantera Negra!

meirelesportuense disse...

Jorge:
Espero que sim, que isso venha a acontecer, mas que seja daqui por muitos anos.No entanto tenho dúvidas que muitos dos que hoje se manifestam como sendo simples fãs de futebol, não venham na altura voltar a insistir nos provocatórios hinos tipo: "Sim Carolina Ó I Ó Ai Sim Carolina Ó Ai Meu Bem" embora agora a Carolina ande por outros caminhos e lugares e a sua "Saia Tenha um Lagarto Pintado" com umas "Orelhas Muito Grandes"...

José Lopes disse...

Eu nasci ja depois do Eusebio ter pendurado as chuteiras, gracas a Deus nao sou benfiquista e mesmo assim acho muito natural esta homenagem. Qualquer uma das comparacoes aqui feitas nao faz sentido nenhum. O Eusebio, tal como a Amalia, foram estandartes de um pais de outros tempos, um pais (mais) pobre, fechado e que apenas era noticia por mas razoes. Se duvidas houvesse do impacto do Eusebio, veja-se os comentarios de todo o mundo e a cobertura da comunicacao social internacional. Vivo num pais (EUA) em que o futebol esta longe de ser o desporto-rei, mas o tempo de antena que a morte do Eusebio teve suplantou largamente o tempo somado de todas as noticias sobre qualquer coisa portuguesa desde que para ca vim.

O Eusebio representa ainda hoje um pais que ja nao existe e um futebol que tambem mudou. Tornou-se referencia global antes da internet, no inicio da TV, muito antes de assessores de imprensa, maquinas de propaganda, etc. Teve uma carreira dura, nao ganhou balurdios, teve 7 operacoes, nao o deixaram ir para Italia, foi explorado pelo clube e pelo pais. E' um icone do futebol do amor a camisola, a preto-e-branco, dos estadios lotados, do cavalheirismo e do talento nato. Fez sonhar e festejar pessoas que viveram com o estigma de serem portuguesas. Portugal era mal visto por causa da guerra colonial, vivia em ditadura, era um pais muitissimo atrasado. O que o Eusebio fez, sobretudo no Mundial de 66, ficou para a historia do futebol e do pais, goste-se ou nao.

O Eusebio foi tambem um tipo simples, tal como a Amalia. Gente com um talento inato, que emocionou milhoes. O futebol tem em Portugal uma forca grande, mas na altura do Eusebio tinha ainda mais, veja-se imagens dos estadios e perceba-se que o futebol era, ainda mais naquela altura, um escape, sim, mas sobretudo uma festa.

O Ronaldo e' um enorme jogador, mas nao acredito que venha a ser homenageado da mesma forma. Nao e' um tipo simples, muito menos low-profile, mas, sobretudo, apesar de ser tambem ele bandeira do pais, jamais entrara na mitologia portuguesa, porque o mundo hoje esta globalizado e e' natural que um tipo portugues notavel seja famoso a nivel global. Nao era assim nos anos 60, foi necessario romper barreiras, e o Eusebio conseguiu isso com talento, forca, golos e muita emocao em muita gente.

Hugo disse...

Achas mal. Até parece que não conheces a comunicação social portuguesa e o anti-portismo dominante.

Nightwish disse...

Assim se vê, a laia do 5lb!

http://aventar.eu/2014/01/07/as-redes-diz-o-slb/

Louro disse...

Parabéns pelo post. Subscrevo na integra.
A minha geração foi a de Gomes, Oliveira, Frasco, Simões, Rodolfo entre outros e já não tive o privilégio de ver actuar um grande jogador como Eusébio.
Duvido que algum blog vermelho faça algo do género se alguma lenda azul e Branca tiver igual destino.
Se perguntarem á maior parte dos vermelhos porque razão ganharam tanto nos anos 60 e 70, dirão que foi graças ao Eusébio, Coluna entre outros mas se perguntarem porque razão o Porto ganhou tanto nos últimos 35 anos, dirão que foi graças á corrupção e outras conversas da treta , esquecendo-se de jogadores tão importantes ou grandiosos desde Gomes , Oliveira e Cª até aos dias de hoje!
Os jogadores são a alma do futebol e são eles que nos fazem vibrar.
Eusébio será eterno como muitos outros, hoje mesmo, a direcção encarnada tirou os adereços que não eram do SLB da estatua com uma desculpa esfarrapada.
Eusébio jogou no Benfica, Beira Mar , U,Tomar e Portugal...por isso é que não suporto a maior parte dos benfiquistas a começar pela actual direccão!
já estou a ver e a imaginar a campanha jornalística para o próximo domingo frente ao Porto...é que parece que já ganharam o jogo ou que está no papo!

Alexandre Burmester disse...

Pois, tirando o exgaero do seu comentário, os jogadores do FCP treinavam as mesmas horas que o Eusébio...

Alexandre Burmester disse...

Essa conversa de ter sido o Salazar a impedir o Eusébio de sair do país é apócrifa, e desafio quem quer que seja a prová-la documentalmente. A verdade é que, à época, não havia livre circulação de jogadores na Europa, e só a Itália e a Espanha permitiam, com grandes restrições, a contratação de jogadores estrangeiros. Sucede que, a seguir ao Mundial de 1966, a Itália baniu a contratação de estrangeiros devido ao fiasco da sua participação naquela prova, numa altura em que o Inter se aprestava a contratar o Eusébio. A "mãozinha" de Salazar nesse assunto é, a meu ver, uma pura invenção benfiquista para justificar o facto de ter "cortado as pernas" (como agora se diz) ao
Eusébio. Além disso, até pouco depois do 25 de Abril de 1974, os jogadores portugueses permaneciam amarrados aos clubes mesmo depois do final dos seus contratos.

O Estado Novo era sem dúvida uma ditadura - eu sou desse tempo - mas não era um regime totalitário do tipo da Alemanha nazi ou da União Soviética: nem Salazar tinha poder para impedir alguém de emigrar. Posso dar exemplos de vários grandes vultos portugueses, muito mais importantes que o Eusébio, que escolheram ir para o estrangeiro.

Carmo Patacho disse...

É pena que haja tantos pensadores e tão poucos a fazerem alguma coisa....não o conheço a si, mas fique sabendo que dou mais valor a um homem inculto como o Eusébio do que a homenzinhos pequeninos como você...porque GRANDEZA de ALMA, só de factos muito poucos a têm. Vá pensar para a sua terra....que talvez um dia consiga ser alguém...

José Rodrigues disse...

Eusebio jogou pelo Beira Mar mas por acaso vangloriou-se de ter feito frete quando jogou por eles contra o slb. Priceless.