sábado, 15 de março de 2014

Defour, o sucessor natural

No dia 25 de Maio de 2013, num artigo intitulado Moutinho saiu? Chamem o “pronto-socorro”, escrevi o seguinte:

«Defour ainda não é um jogador de top internacional mas, na minha opinião, é um jogador de qualidade, com uma cultura táctica muito acima da média (…) a saída de João Moutinho para o AS Monaco (o novo “brinquedo” do multimilionário Dmitry Rybolovlev) é uma oportunidade de ouro para o belga se afirmar como titular dos dragões porque, parece-me, ser ele quem está na pole position para ocupar o lugar do melhor médio português da atualidade.
Estou convencido que se o Defour se fixar na posição em que rende mais (na posição 8, que era ocupada por João Moutinho), em vez de ser o pronto-socorro que, por falta de alternativas no plantel, jogou em 5-6 posições diferentes, a tendência será o seu rendimento subir.»

FC Porto x Arouca, O JOGO


«Saiu Paulo Fonseca, entrou Luís Castro e Steven Defour voltou a ser feliz. (…) Fonseca optou, desde o início, pela inversão do triângulo, mas nas primeiras jornadas do campeonato recorreu sempre a Defour. Fernando ocupava a posição seis, mais recuada, e Defour jogava ligeiramente mais à frente do Polvo e muito atrás de Lucho. Para o campeonato, porém, Defour não era titular a desempenhar esta função desde o dia 22 de setembro de 2013, no empate em casa do Estoril. 2-2. Daí para cá, e até à vitória por 4-1 sobre o Arouca, Defour foi só mais duas vezes titular e sempre por indisponibilidade de Fernando: na vitória por 2-0 ao Sp. Braga (7 de dezembro) e na derrota por 1-0 em casa do Marítimo (1 de fevereiro), Defour foi o trinco da equipa e andava triste.
Luís Castro regressou ao esquema dos anos anteriores, Defour voltou a ser box-to-box, com liberdade para rematar e surgir em zonas de finalização


«Defour, 7
Mais uma partida em cheio do belga, que voltou a colocar grande intensidade em todas as ações do jogo. Excelente na pressão e leitura dos lances
FC Porto x Nápoles, FC Porto um a um, in O JOGO


«“Eu sou um jogador que gosta de fazer um pouco de tudo, gosto de defender e de atacar. Este é o meu jogo. E neste caso, no meio-campo, é bom para mim”, afirmou Defour no final do jogo com o Nápoles, quando questionado sobre a melhoria significativa das suas exibições registada após a chegada de Luís Castro ao comando técnico do FC Porto. Em suma, o internacional belga, de 25 anos, assumiu que é a cumprir as missões que recentemente, no Dragão, pertenciam a João Moutinho, que melhor se sente. Todavia, ao fim de duas épocas e meia de azul e branco, a verdade é que ainda não teve a oportunidade de o fazer com regularidade. Algo que parece estar agora a mudar, para felicidade do jogador.
Fiz dois bons jogos. Quero que assim continue. Vou fazer tudo por isso, pois acho que estou num bom momento”, atentou Defour, referindo-se às partidas com o Arouca e com o Nápoles, nas quais voltou a ser médio-interior, como tanto gosta. Depois de dois anos na sombra de João Moutinho, período no qual foi mais vezes trinco ou até mesmo extremo do que médio-interior, tudo fazia crer que esta época seria a da afirmação do belga no coletivo portista, mas Paulo Fonseca acabou por trocar-lhe as voltas. A opção por um esquema com dois médios defensivos chegou a ser vista pelo próprio Defour como boa para as suas características, mas isso nunca funcionou na prática e, ao jogar na mesma linha de Fernando, interrompeu o trabalho que desenvolveu durante dois anos para suceder a Moutinho no onze e aproximar o seu estilo de jogo ao do internacional português.»
in record.pt, 15 março de 2014 | 07:03


O Defour é um exemplo elucidativo do mito, n vezes repetido, da "falta de qualidade do plantel portista". Foi, seguramente, um dos jogadores mais sub-avaliados durante os oito meses em que Paulo Fonseca esteve no comando técnico da equipa do FC Porto e, por pouco, não seguiu os passos de Otamendi e também saiu no período de transferências de Janeiro.

Luís Castro já não chegou a tempo de recuperar Otamendi mas, no caso de Defour, parece estar no bom caminho.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

4 comentários:

Pés-Juntos disse...

Vou comparar situações SEM comparar jogadores: sempre fui um admirador do Tomás Costa e sempre achei que ele foi mal aproveitado no FC Porto, talvez porque tinha algo de Defour e algo de Herrera, mas que nunca conseguiu desenvolver nem afirmar de dragão ao peito.
Obviamente que para isso contribuiram muitos factores mas penso que há sempre jogadores que por não serem exactamente um "10", um "8" ou um "6", são difíceis de encaixar em sistemas e modelos de treinadores. E especialmente quando não conseguem expressar a sua qualidade ou porque não encaixam no sistema da equipa, ou porque um jogo corre particularmente mal, os jogadores acabam por se perder.
Voltando a Defour, o bom do Steven esteve (ainda está?) em risco de se perder no Porto (clube). Espero que isso não aconteça porque ele é um excelente jogador mesmo que não seja um fora-de-série como João Moutinho.

Bluesky disse...

"Luís Castro já não chegou a tempo de recuperar Otamendi mas, no caso de Defour, parece estar no bom caminho."
Nem La Palisse diria algo tão óbvio!!!!

Miguel Ângelo VR disse...

Sempre defendi que o lugar do Defour deveria ser para o Herrera... Mas, na verdade, o Defour tem cumprido (a meu ver, bem) o seu papel, portanto, que fique como está.

O que me preocupa, para Domingo, é a dupla de centrais... O Abdoulaye, para já, só atrapalha. É lento, duro de rins... e um perigo para a própria equipa.

aires disse...

concordo com a análise a DEFOUR