terça-feira, 25 de março de 2014

Mais de 3000 minutos

«Numa altura em que, como disse Jorge Jesus, o trabalho quase se divide entre jogar, recuperar e voltar a jogar, o Benfica, como o provou com a Académica, tem a vantagem de lidar com sistemas de jogos consolidados, enquanto o FC Porto reaprende a jogar no modelo do sucesso de outras épocas na altura mais crítica da temporada. (...)
A fartura tem permitido a Jorge Jesus gerir o esforço das peças nucleares. (...) Enquanto o Benfica gere, o FC Porto está em contrarrelógio. Nesta altura de sobrecarga, Luís Castro não pode permitir-se cuidar apenas do processo jogo-recuperação-jogo, pedem-lhe que altere o rumo dos acontecimentos, começando pela forma de jogar. E tem jogadores em claro sub-rendimento devido a excesso de jogos, como acontece com Danilo e Alex Sandro, jogadores de qualidade que só saem da equipa por castigo ou lesão e vão pagando a fatura com intermitência exibicional.»
Carlos Machado, O JOGO, 25-03-2014


Luís Castro herdou de Paulo Fonseca uma equipa que vinha de 4 jogos sem ganhar (E-D-E-E), com o campeonato virtualmente perdido (estava a 9 pontos da liderança) e cheia de problemas por resolver – modelo de jogo, equipa desorganizada dentro de campo, falta de confiança, etc.

Entre os muitos problemas, um dos pouco falados era (é) o desgaste de uma parte significativa dos habituais titulares, os quais, por terem sido exaustivamente utilizados em todas as competições (Campeonato, Liga Campeões, Liga Europa, Taça Portugal, Taça Liga), acumulavam demasiados minutos nas pernas.

Nesta altura, cinco dos jogadores que Luís Castro tem à sua disposição já têm mais de 3000 minutos nas pernas (sem contar com os jogos pelas respetivas seleções):
Jackson: 3459’
Alex Sandro: 3421’
Danilo: 3355’
Fernando: 3234’
Mangala: 3155’

E Varela anda lá perto (2879’).

Penso que este é um dos aspectos que ajuda a explicar o menor fulgor de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Jackson.

Comparando com o adversário de amanhã, que está nas mesmas competições do FC Porto, verifica-se que apenas dois jogadores do slb têm mais de 3000 minutos:
Luisão: 3360’
Garay: 3174’

E jogadores fundamentais como Enzo Pérez, Lima ou Gaitan têm menos minutos nas pernas que Varela.

Quando ainda terá de disputar, pelo menos, 11 jogos (990 minutos) até ao final da época, muitos dos quais decisivos e onde o treinador não poderá fazer grandes poupanças, este é mais um dos factores que complica a vida de Luís Castro.

Nota: A fonte para o número de minutos referidos neste artigo foi o jornal O JOGO de 25-03-2014.

5 comentários:

Jorge disse...

já tinha falado neste aspecto há uns dias (http://www.porta19.com/2014/03/cansados/) e mantenho o que disse. não explica tudo, mas ajuda...

abraço,
Jorge

José Correia disse...

Jorge, apesar do Porta 19 ser um dos poucos blogues que visito com regularidade, não me tinha apercebido desse teu artigo.

Como dizes, este factor não explica tudo, mas é mais um problema herdado com que Luís Castro terá de lidar.

Abraço

Carlos Jorge disse...

Bom dia meus caros.

Chegou o dia mais aguardado por nós desde a saída do PF... jogo com os "encarnados" no nosso estádio.
Vai ser preciso a mesma raça, atitude, querer e garra que tivemos em Nápoles. Espero também que, a ser preciso, tenhamos também a mesma estrelinha.
O meio campo e a defesa vão ter que trabalhar muito, aguentar fisicamente e principalmente ter muita certeza e tranquilidade na circulação de bola.
Será mais um grande teste para a armada sul americana do Porto. Vamos começar a perceber quais os que estão à altura...

Uma vitória, nem que por meio a zero já seria bom.

Saudações Portistas

Saci Pererê disse...

Acho que muito vai depender do que faça o Carlos Eduardo. Entendo que não é fácil um jogador assumir um jogo de equipa no primeiro ano, e mais nos momentos de maior pressão, mas também é um facto que os grandes jogadores fazem-se em grandes momentos. Eu acredito que o Carlos Eduardo pode ser um grande jogador, tem que mostrar.

Miguel Ângelo VR disse...

Se fosse eu, trocaria o Carlos Eduardo pelo Herrera. O Herrera pega mais no jogo e é mais dinâmico. Com o CE perdemos competitividade no meio-campo.

E também me parece, muito sinceramente, que é preciso um FCP melhor do que o que esteve (em grande parte do jogo) em Nápoles - não sei se os jogadores do SLB falharão tantas oportunidades de golo.

Não estou confiante... Mas adorava que vencêssemos por mais de um golo de diferença. Vai ser muito difícil.