quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bananas, macacos e hipócritas


No domingo passado, durante o Villarreal x FC Barcelona, jogo da 35.ª jornada da Liga espanhola, quando Daniel Alves se preparava para executar um pontapé de canto, houve um energúmeno que, das bancadas do estádio El Madrigal, atirou uma banana para perto dele.

O que se passou depois correu mundo. O internacional brasileiro respondeu a esta nojenta atitude racista de uma das formas mais inteligentes e eficazes de que me lembro: apanhou a banana do chão, descascou-a e… comeu-a.

Nas horas e dias seguintes, as redes sociais encheram-se de futebolistas, artistas, políticos e pessoas anónimas em apoio a Daniel Alves, publicando centenas de fotografias, com bananas, em diversos contextos.

Fred, companheiro de seleção de Daniel Alves, manifestou o seu apoio, considerando que o racismo “é um mal que mancha o desporto e a sociedade, não só em Espanha, mas em todo o Mundo”.

Bebeto, antigo internacional brasileiro e, atualmente, deputado no Rio de Janeiro, afirmou que um acto destes é inadmissível em pleno 2014 e que é preciso “tomar medidas e aplicar castigos de forma enérgica”.

Também a comunicação social internacional acompanhou a onda de repúdio a este tipo de atitudes racistas.

Jornal espanhol MARCA

Jornal italiano La Gazzeta dello Sport

E por cá?
Como seria de esperar, quem se manifestou e pronunciou fê-lo na mesma linha do resto do Mundo e contudo…

Madrugada do dia 21 de Abril de 2011…
Umas horas após o final do SL Benfica x FC Porto (1-3), jogo da 2ª Mão das Meias-Finais da Taça de Portugal 2010/2011, um tal de Nuno Cárcomo Lobo escrevia o seguinte no seu facebook:

Para mim foi o melhor em campo... Grande passe aquele para o segundo golo... o golo do macaco hulk... HU HU HU HU

[Ainda sobre o Hulk…] “… não podíamos ter bananas no campo. Se nao o incrivel macaco comia-as


Nuno Cárcomo Lobo é sócio da sociedade de advogados CSCA – “Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados” –, a qual, entre outros, junta indivíduos como João Correia e Fernando Seara (podem ver aqui).

Em 2005, Nuno Cárcomo Lobo foi nomeado, por Fernando Seara, adjunto do Gabinete de Apoio Pessoal ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Em 31 de Janeiro de 2012, Nuno Cárcomo Lobo tomou posse como presidente da Associação de Futebol de Lisboa.

Em 24 de Setembro de 2013, numa altura em que as declarações racistas de Nuno Cárcomo Lobo acerca de Hulk foram amplamente divulgadas, Bernardo Ribeiro (subdiretor do jornal Record) escreveu o seguinte:

«O que dizer de quem escreve isto? Vergonha não tem, senão ter-se-ia demitido [de presidente da Associação de Futebol de Lisboa]. Mas o racismo, feio, sujo, devia ter consequências. Ainda há quem exerça autoridade neste País. Avance por favor. E leve-o.»

E o que é que aconteceu? Nada!
Sete meses depois, Nuno Cárcomo Lobo continua a ser presidente da Associação de Futebol de Lisboa, com o apoio do seu clube (o SLB), mas também do SCP.

Mais. Conforme escrevi em Setembro passado, no artigo ‘De capuchinho vermelho a lobo mau’, “tendo Nuno Lobo proferido (escrito) afirmações reveladoras de um racismo nojento, como é que os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes aceitaram os convites e estiveram presentes no jantar do 103.º aniversário da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou na passada segunda-feira [23-09-2013]?”

Perante o seu comportamento no caso Nuno Lobo – Hulk, gente como Fernando Gomes (presidente da FPF), Luís Filipe Vieira (presidente do SLB) e Bruno de Carvalho (presidente do SCP), entre outros, não têm a mínima moral para criticar e combater declarações, ou manifestações racistas, que ocorram nos campos de futebol ou envolvam agentes ligados ao futebol.

Apesar dos interesses clubísticos mesquinhos e das obrigações institucionais, a hipocrisia tem limites.

terça-feira, 29 de abril de 2014

António José Pinheiro Carvalho, conhecem?

António José Pinheiro Carvalho é um jogador de futebol português, com 21 anos (nasceu em Forjães, em 14-01-1993), o qual mantém ligação ao FC Porto há quase 10 anos (desde a época 2005/2006).

Entre Tiago Ferreira e Gonçalo Paciência, FC Porto B x SLB B

Para além do seu trajecto no FC Porto (dos iniciados aos seniores), António José Pinheiro Carvalho foi internacional por Portugal em Sub-16, Sub-17, Sub-18, Sub-19, Sub-20 e Sub-21. No total, conta já com 54 internacionalizações pelas diversas seleções portuguesas de futebol por onde passou, ao serviço das quais marcou 9 golos.

Sendo um médio ofensivo (tem algumas características que me fazem lembrar o Rui Barros) é, atualmente, um dos melhores goleadores do campeonato da II Liga, tendo marcado 20 golos (10 dos quais de grande penalidade) em 39 jogos, nos quais foi sempre titular do FC Porto B.

Marcação de um penalty, FC Porto B x SLB B

Aliás, quer com Rui Gomes na época passada, quer com Luís Castro e José Guilherme nesta época, António José Pinheiro Carvalho foi sempre um dos indiscutíveis da equipa B do FC Porto, jogando a médio interior, número 10 ou extremo.

Ao contrário dos médios ofensivos da equipa principal, António José Pinheiro Carvalho está a atravessar um grande momento de forma. Nas últimas cinco jornadas da II Liga (jornadas 36 a 40), só por uma vez ficou em branco, tendo marcado nestes cinco jogos um total de 7 golos.

Marcação de um livre, FC Porto B x SLB B

António José Pinheiro Carvalho, mais conhecido por Tozé, já jogou 24 minutos pela equipa principal do FC Porto. Essa oportunidade foi-lhe dada por Vítor Pereira na época passada, no FC Porto x Olhanense, disputado no dia 10 de Fevereiro de 2013.

Atendendo ao desempenho sofrível da equipa do FC Porto e, particularmente, ao desempenho pouco brilhante que os médios ofensivos – Josué, Carlos Eduardo, Quintero – têm tido ao longo desta época, que mais é que o Tozé precisa de fazer para ter uma nova oportunidade na equipa principal?

Remate de fora da área, FC Porto B x SLB B

Espero que essa oportunidade lhe seja dada por Luís Castro já no próximo fim-de-semana, novamente contra o Olhanense, num jogo em que Josué não vai poder atuar por estar a cumprir castigo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

De recorde em recorde…

Nas suas deslocações ao Porto, o SLB é uma equipa que, normalmente, faz com que os adeptos do FC Porto esgotem a lotação do Estádio do Dragão.

Assistências nos clássicos FC Porto x SL Benfica (fonte: O JOGO, 24-04-2014)

Conforme o gráfico anterior mostra, nos 10 clássicos realizados antes desta época no Estádio do Dragão, a pior lotação tinha sido em 2009/2010 – 44902 espectadores – num jogo que foi disputado na penúltima jornada do campeonato, com o FC Porto já afastado do título.

Mas esta época, que foi, globalmente, a pior dos 32 anos de presidência de Pinto da Costa, foram batidos diversos recordes negativos, dentro e fora dos relvados, e nem as recepções ao grande rival de Lisboa (os calimeros estão noutro patamar) serviram para evitar o “espetáculo” das cadeiras vazias.

Num comentário ao artigo ‘Divórcio com os adeptos’, escrevi o seguinte:
«Felizmente, os últimos dois jogos em casa são contra o SLB, o que, previsivelmente, irá garantir assistências acima dos 30 mil.»

Contudo, a realidade (números oficiais divulgados pelo FC Porto) foi ainda pior do que as minhas previsões, já de si contidas, e neste clássico estiveram apenas 26109 pessoas!!

Importa salientar que o recorde negativo de assistências em clássicos contra o SLB, já tinha sido batido esta época, no jogo para a Taça de Portugal (apenas 34499 espectadores), mas nem sequer chegar aos 30 mil é revelador do divórcio profundo que, durante esta época, foi sendo cavado entre o clube/equipa e os adeptos portistas.

Daqui a duas semanas vai realizar-se outro FC Porto x SL Benfica, o qual irá encerrar um campeonato e uma época de triste memória para os portistas (mas que deve ser lembrada por muitos anos, para evitar que se cometam os mesmos erros).
Para que no último clássico da época as bancadas se apresentassem compostas, talvez fosse boa ideia a FC Porto SAD colocar os bilhetes a preços convidativos…

domingo, 27 de abril de 2014

Já não há adjectivos...

O JOGO, 10-01-2014
Depois de mais um confronto contra o slb, depois de mais um teste ao valor desta pseudo “equipa”, já não há adjectivos para classificar a mediocridade que é este FC Porto 2013/2014. Hoje salvaram-se Maicon e Herrera, o MVP deste jogo (fez 4 assistências na 1ª parte, duas para Jackson, uma para Varela e uma para Defour), porque o resto…

Até aos 32 minutos, beneficiando da presença em campo de Steven Vitória e das “liberdades” dadas a Herrera, o FC Porto criou três ou quatro excelentes oportunidades, que só o cansaço / má forma / displicência de Jackson Martinez impediram se se transformar em golo.

A partir daí, com o slb a jogar com 10, Jorge Jesus colocou Garay em campo, mandou Ruben Amorim marcar Herrera e as coisas tornaram-se mais difíceis. Mesmo assim, o FC Porto deveria ter chegado ao intervalo a vencer por 2 ou 3 a zero, não fosse a inacreditável incompetência que revelou na finalização.

Jackson Martinez, não sendo um ponta-de-lança do nível do Jardel ou do Radamel Falcao, já mostrou ser um ponta-de-lança de qualidade, mas o que temos visto em muitos jogos (demasiados jogos!) desta época é um Jackson irreconhecível, uma sombra do Jackson da época passada.
Porquê? Por não ter saído no final da época passada nem, depois disso, a SAD ter renovado o seu contrato?
O que é certo é que um ponta-de-lança da sua categoria, que tem a ambição de ser titular da Colômbia no Mundial do Brasil e aspira a uma transferência milionária para um dos “tubarões” europeus, não pode falhar quatro golos feitos, como os que falhou nos primeiros 45 minutos deste jogo. E já nem falo da forma, que me abstenho de qualificar, como marcou o seu penalty.

E o que se passou com Quaresma, que eu me tenho fartado de elogiar?
Hoje fez o seu pior jogo desde que regressou ao FC Porto. Com bola e sem bola, a sua exibição foi de uma nulidade quase total (em 70 minutos dentro do campo, salvou-se um cruzamento de letra para Jackson, que o ponta-de-lança colombiano “cabeceou” com… o ombro!). E ainda expressou admiração quando foi substituído…

A jogar em casa, contra um slb cheio de segundas escolhas, reduzido a 10 jogadores desde os 32’ e que tinha jogado contra a Juventus na passada quinta-feira, a 2ª parte desta equipa de “andrades”, liderada por um amorfo Luís Castro, é inenarrável e irá ficar na história como uma das páginas negras da história do FC Porto dos últimos 35 anos.
A melhor e uma das poucas oportunidades criadas nos segundos 45 minutos foi, mais uma vez, através de Herrera, que falhou por pouco a baliza de Oblak.
E quanto a Luís Castro, de cada vez que mexeu, a equipa piorou.

Depois de tudo o que se passou esta época, depois do que vimos neste jogo (principalmente na 2ª parte), depois do que vimos em dois jogos contra um slb em poupanças e que jogou reduzido a 10 durante cerca de uma hora, não posso deixar de dizer o seguinte: que saudades que eu tenho do FC Porto de Vítor Pereira e da forma como essa equipa “enfadonha” jogava contra o “fabuloso” slb de Jorge Jesus.

Azul ao Fundo do Túnel


O SLB é o clube de todos os regimes e á sua mesa juntam-se altos dirigentes de todos os quadrantes do regime, sejam do arco da governação ou da oposição. O SCP é mais elitista, aristocrático e convencido. Bruno de Carvalho acrescentou-lhe a vertente populista que lhes fica tão bem. Ambos recebem fortes apoios institucionais. A proximidade ao poder ajuda. Com o SLB é mais íntima essa familiaridade que favorece o trânsito de favores e um tratamento diferenciado. Foi assim quando o governo da altura aceitou as acções do SLB para caucionar a dívida para com a SS ou  a forma como o ministério público permitiu a intromissão abusiva do SLB no processo AD e na divulgação das escutas, que ainda se ouvem nos órgãos de comunicação social colaboracionistas.

O FCP é um clube regional e não se deve envergonhar disso. É a oposição e o contrapoder ao centralismo desportivo que segue em linha com um país que vive obcecado com o primado absolutista da capital. E, por isso, deve continuar a ser um clube de resistência, e não se deve envergonhar disso. O maior cosmopolitismo do clube,  cujo nome passa a fronteira nacional e goza mais prestígio lá fora que cá dentro, deve acompanhar esse crescimento e esse perfil, sem perder as suas origens. Quando os amigos dos nossos rivais comentam que não estamos a jogar à Porto, estão a reconhecer uma assinatura que identifica os valores pelos quais nos batemos e pelos quais nos temem. E esse temor tem muitos rostos e matizes e é implacável quando estamos por cima. Tudo serve para denegrir o valor e a justeza do nosso sucesso. O FCP é um clube da cidade e tem um grande orgulho disso, como o tem demonstrado das formas mais diversas. Quem se tem portado menos bem é a cidade. O Rui Rio comandou o divórcio e o litígio foi abrandando, mas só terminou quando deixou a presidência da câmara. Estamos em tempo de apaziguamento, mas ainda há um certo constrangimento de considerar que, para a cidade, é muito importante o reconhecimento que o FCP é uma instituição que tem  uma história que se casa com o perfil da cidade e da sua gente. Quem tem uma dívida para com o FCP é a cidade que deve, sem medo  e vergonha, assumir essa estreita ligação que, obviamente, não dispensa a “separação de poderes” entre ambas as instituições. Rui Moreira já deu alguns passos que considero muito tímidos. Mas, percebo a timidez porque esses bacocos que têm as chaves do poder são capazes de tudo, nomeadamente de o apoucarem pelo mesmo que outros fazem, porque vivem bem mais perto do Terreiro do Paço e apoiam os clubes certos. Insisto: o FCP é um clube da cidade, da resistência e cosmopolita; não deve abdicar desse perfil em nome de projetos parolos de conquista aos mouros ou pseudo modernistas que visam entorpecer a resistência  quanto à influência asfixiante e às tendências hegemónicas dos clubes da segunda circular e dos seus aliados institucionais, públicos ou privados.


Essa tendência hegemónica suavizou com o advento da liberdade, mas está pronta a explodir se não cuidarmos convenientemente da nossa casa, pois os ventos correm de feição para os saudosistas da ordem desportiva do antanho. Mas, espreitar o futuro, ignorando as actuais dinâmicas desportivas, as condições dos mercados, a situação do país e uma avaliação actualizada das nossas forças e fraquezas, não chegará para que a mudança seja bem mais que cosmética. Resistir não pode ser apenas uma forma de continuar a estar vivo. Não nos devemos resignar á tarefa humilde e útil de animadores do campeonato que nos querem atribuir, a bem da Nação. Por isso, a tarefa é exigente e urgente. As últimas três épocas revelaram alguns sinais de erosão (e de cansaço) que devem ser identificados e atacados. Compete a quem de direito fazê-lo. Não é preciso uma revolução: basta rever processos e procedimentos, avaliar as competências dos que exercem altas funções na estrutura do clube, bem como do quadro de dirigentes e técnicos mais próximos da competição. Depois, reformar o que tiver de ser reformado. Não penso que seja suficiente uma configuração do plantel. Os sócios e adeptos devem perceber que não se pode ganhar sempre e ser solidários nos momentos maus ou menos bons, mas é difícil se não identificarem a justeza do percurso e os meios escolhidos para o percorrer. A diarreia propagandística das últimas semanas para enaltecer a conquista do SLB e o sucesso do SCP chateiam e assustam, se os erros cometidos pelo FCP não forem identificados e os méritos dos rivais não forem reconhecidos. Na “guerra” nunca se pode subestimar a força do “inimigo”, se queremos vencer.


O FCP divulgou que no dia 25 há ainda mais “Azul ao Fundo do Túnel”. É essa luz cheia de azul e de grandeza, que esperamos continue a brilhar. Para isso, é preciso  trabalhar bem no presente para que o futuro não se  esgote nas saudades do passado.

sábado, 26 de abril de 2014

Professor, largos dias têm 100 anos!

Hernâni Gonçalves, 1940 - 2014 (fonte: PUBLICO)


28 de Janeiro de 1976...
«Quando esperava ver nos jornais a notícia da assinatura do Albertino [jovem jogador que despontava no Leixões], fico boquiaberto ao ler a notícia da transferência, sim, mas para o Boavista.
Nesse tempo frequentava quase diariamente, ou melhor, nocturnamente, o Café Orfeu, na companhia de um grupo de amigos. Eram eles o José Maria Pedroto e o Professor Hernâni Gonçalves, ambos técnicos do Boavista; o José António Pinto de Sousa, meu amigo de infância e homem de invulgar carácter, e o então Capitão Valentim Loureiro, dirigentes do mesmo Clube; o Nuno Brás, jornalista da extinta Emissora Nacional, e os jornalistas José Saraiva e Serafim Ferreira.
Como se imaginará, nessa noite de 28 de Janeiro, o centro da conversa é a aquisição do passe de Albertino pelo Boavista e a forma como o FC Porto "perdera" o atleta que, na noite anterior, saíra das Antas já bem tarde e, teoricamente, como jogador do meu clube.
Foi um gozo! - Bendito gozo, penso agora.
Já a noite mudara de dia quando o meu amigo Hernâni Gonçalves me pergunta:
- Então Sr. Jorge Nuno? Não diz nada?
Levanto-me, uns segundos de silêncio e respondo:
- Meu caro professor e meus amigos, fixem bem esta frase:
LARGOS DIAS TÊM CEM ANOS!»
Pinto da Costa, no livro 'Largos dias têm 100 anos'


Depois dessa noite...
... Pinto da Costa aceitou o convite do Presidente Américo Sá para, no final dessa época [1975/76], após eleições no clube, integrar o futuro elenco directivo do FC Porto como director do futebol...
... e a 23 de Junho de 1976, José Maria Pedroto assinou, na casa de Pinto da Costa, contrato com o FC Porto.

Na época 1976/77, o FC Porto, sob o comando técnico de Pedroto, tendo António Morais e Hernâni Gonçalves como seus adjuntos, terminou o campeonato em 3º lugar, mas venceu a Taça de Portugal (algo que não acontecia desde 1967/68) com uma equipa onde já pontificavam Gabriel, Simões, Freitas, Murça, Teixeira, Rodolfo, Octávio, Duda, Oliveira, Seninho e Gomes, os quais formariam a base da equipa que, na época seguinte, iria pôr fim a um longo jejum de 19 anos.

Taça de Portugal 1976/77 - Hernâni Gonçalves, António Morais, Pinto da Costa e Pedroto
(fonte: blogue 'Os Filhos do Dragão')


Caro "Professor Bitaites", nós, portistas, não o esqueceremos e onde estiver nunca se esqueça: largos dias têm 100 anos!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

2002 revisited?

Como já foi aqui discutido, depois de uma péssima época e com a perspectiva elevada de vermos «jóias da coroa» de saída no Verão (Jackson, Mangala, Fernando?), encontramo-nos num ponto de charneira (desculpem o cliché).

Felizmente é raríssimo passarmos por esta situação: a matéria passada para benchmarking é portanto escassa. Pessoalmente penso que a época de 01/02 é o ponto de comparação mais parecido nos últimos 20 anos, mais do que 04/05 ou até mesmo do que 09/10.

Também essa época foi muito má, tendo terminado o campeonato também em 3o lugar. E foi má acima de tudo por causa da escolha do treinador, tal como este ano - nesse caso Octávio Machado (que viria a ser substituído a meio da época por Mourinho, mas demasiado tarde para dar a volta - já agora, passou para a história o ideia de que tudo mudou drasticamente para melhor mal o Mourinho chegou, mas isso é um mito: numa quinzena de jogos para o campeonato Mourinho ainda «conseguiu» perder 3 jogos e empatar 2. Demorou portanto algum tempo a ver-se melhoras substanciais, só mesmo na recta final da época).

Também essa época terminou com a impressão de que o plantel era mais fraco do que realmente era. A ideia que ficou para a história foi de que o plantel era medíocre, mas repare-se em alguns nomes que lá estavam quando Mourinho chegou: 

Baía, Rubens Jr, R Carvalho, J Costa, Jorge Andrade, Costinha, Paulinho Santos, Paredes, Deco, Alenitchev, McCarthy, Postiga, Capucho, Clayton.

Era um plantel bem jeitoso, ainda que desequilibrado (ficou conhecido como o «plantel dos trincos», havendo pelo menos meia dúzia de médios defensivos).

Da mesma forma, penso que neste momento o plantel está subavaliado em função do (mau) trabalho do treinador. Este plantel não é excelente, mas é bem jeitoso.

Mas há outro factor comum nas duas épocas: em ambos os casos a situação financeira estava muito complicada (claramente mais do que em 09/10 e - ainda mais - 04/05).

Como demos a volta, todos sabemos: contratou-se um excelente treinador e (também em função dessa decisão, em boa parte) reforçamo-nos com alguns excelentes jogadores por uma pechincha: Maniche, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente e Pedro Emanuel (para além de outros reforços secundários, também eles muito baratos).

Mas há um outro factor que ajudou imenso e que não ficou para a história (pelo menos quase ninguém se lembra): acontece que conseguimos «segurar» as jóias da coroa (com a excepção de Paredes, mas esse já tinha muito boas alternativas dentro do plantel, em particular Costinha) apenas e só porque a SAD fez um aumento de capital que «injectou» 50M€, um enorme balão de oxigénio (e na altura 50M€ cobriam muitos mais custos do que agora).

Ora é aqui que a comparação deixa a situação actual numa luz desfavorável. Neste momento o cenário de nova injecção de capital parece-me impensável: o clube não tem possibilidades de acompanhar um aumento de capital, os Oliveiras não têm interesse e/ou capacidade, as imobiliárias muito menos (não há nenhum novo estádio para construir ou PPA...) e os adeptos comuns estão vacinados contra comprar acções da SAD (na altura a SAD ainda era uma coisa muito recente e havia quem tivesse a ilusão de que comprar acções não fosse equivalente a deitar dinheiro ao lixo, como de facto é). 

Aliás, mesmo que hipoteticamente houvesse quem quisesse tomar uma posição importante na SAD, podiam já hoje comprar os 19% que a Sacyl Vallehermoso herdou da Somague e que, estou certo, estaria bem disposta a vender por uma oferta minimamente decente (como o valor nominal das ações - o que iria traduzir os 19% em cerca de 15M€ - ou nem isso). O facto disso não acontecer diz muito.

Ou seja: quase certamente o novo treinador vai assistir à saída de 2 ou 3 jóias da coroa sem que haja grande dinheiro para novas contratações. Penso que a era de gastar anualmente uns 40M€ em passes  (como fizémos em média nos últimos 4-5 anos) acabou claramente.

A alternativa para remediar a coisa seria arranjar quem nos emprestasse mais umas dezenas de milhões, mas mesmo que isso seja possível (e não é nada líquido que o seja), já começa a tornar-se mais roleta russa do que jogada de risco - já que aumentaria ainda mais a dívida e iria aumentar o «fardo» dos juros (que já anda em 10M/ano) em vários milhões por ano. O SCP enveredou por essa via no virar do milénio, com as consequências que se viram e se fazem sentir ainda muito claramente mais de 10 anos depois...

Torna-se portanto ainda mais fundamental acertar em cheio no próximo treinador, e convenhamos que a probabilidade de que se «encontre» o próximo Mourinho é baixa. Se o próximo for «meramente» um «bom» treinador já era óptimo... pessoalmente prefiro de longe um treinador conceituado (que, entre outras coisas, saiba lidar com «vedetas» e pseudo-vedetas, e imponha muito respeitinho aos jogadores) do que mais outra tentativa em tirar coelhos da cartola com treinadores de CV modesto .

A segunda grande questão é se saberemos, tal como no fim de 01/02, contratar muito bem por uma pechincha. E também aí a probabilidade não é lá muito alta, constatando-se que isso tem sido cada vez mais raro nos últimos 10 anos (quase todas as grandes vendas da última meia dúzia de anos custaram muitos milhões à partida, não uma pechincha).

Resumindo e concluindo: o plantel actual é melhor do que parece, mas a tarefa que temos pela frente é hérculea, com muito pouca margem de erro. Para ser sincero, já não tenho a confiança nas capacidades de PdC que eu tinha em 01/02 (apesar do disparate que foi na altura escolher Octávio e o «estouro» de dinheiro em tiros-ao-lado como Kaviedes, Quintana e Esnaider), ainda que ele ainda tenha certamente algumas das boas capacidades que o distinguiram ao longo dos últimos 30 anos.

A minha confiança numa grande reviravolta não é, portanto, propriamente elevada. O que não invalida naturalmente que mantenho a esperança que o «bom» PdC mostre que ainda «está para as curvas»; que está à altura dessa tarefa hérculea. Mas estou, acima de tudo (e mais do que desanimado ou angustiado) expectante para ver o que ele vai fazer. Quem me dera que este Verão seja uma reedição do que assistimos em 2002 (na escolha de treinador e contratações)...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Proibição da partilha de passes

O JOGO, 10-04-2014
Emanuel Medeiros, ex-presidente-executivo da Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional (cessou funções no final de Março), deu uma entrevista a O JOGO (publicada na edição de 10-04-2014) em que disse o seguinte:

A breve trecho, a inscrição de jogadores para participação nas provas europeias só será possível desde que todos os direitos estejam concentrados no clube ao serviço do qual o jogador milite. A participação de terceiros nos direitos económicos dos atletas será vedada, à semelhança do que já acontece em Inglaterra, França e Polónia. Isso vai provocar impacto, ainda que a FIFA possa seguir um rumo diverso deste. Procurei sensibilizar o presidente da UEFA para que essa proibição não entrasse em vigor de forma imediata e fosse permitido aos clubes de todos os países onde essas práticas existem – e são mais do que aqueles que abertamente o confessam – um período transitório para proceder a ajustamentos desportivos e financeiros.


Se esta intenção da UEFA for mesmo para a frente, a política de contratações e a estratégia de gestão de “ativos” das SAD’s do FC Porto e SL Benfica vai ter de mudar e mudar substancialmente.

E, além de mais arriscado, muito provavelmente será também mais difícil clubes portugueses contratarem (passando a deter desde logo 100% dos passes) jogadores como Luís Fabiano, Lucho, Lisandro López, Anderson, Hulk, James Rodriguez ou Quintero.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Divórcio com os adeptos

De acordo com os números divulgados pelo FC Porto, ontem estiveram 17509 pessoas a assistir ao FC Porto x Rio Ave. Mais 202 pessoas do que no FC Porto x Paços Ferreira da 18ª jornada, que continua a ser, oficialmente, a pior assistência em jogos do campeonato nacional desde que o Estádio do Dragão foi inaugurado (em 16 de Novembro de 2003).

Mas não é só no campeonato que esta época foram batidos os recordes negativos de assistências no Estádio do Dragão. O mesmo aconteceu na Liga dos Campeões – FC Porto x Áustria de Viena, com apenas 24809 espectadores – bem como o FC Porto x Estoril para a Taça de Portugal, cujos 10507 espectadores representam a pior assistência de sempre em todas as competições.

E tudo isto numa época em que existiram inúmeras iniciativas, promovidas pelo FC Porto e por alguns dos seus parceiros comerciais, com o objetivo de encher os 50 mil lugares do Estádio do Dragão.

O JOGO, 06-04-2014

Depois de uma época que se revelou horribilis, a próxima época está repleta de desafios para Pinto da Costa, Antero Henrique e restante administração da FC Porto SAD.
Na minha opinião, um dos principais desafios é recuperar do evidente divórcio existente entre os adeptos portistas e a equipa de futebol, de modo a que o Estádio do Dragão volte a ter, regularmente, assistências acima dos 30 mil espectadores (vale a pena lembrar que há apenas três anos atrás, na época 2010/2011, a média foi de 36987 espectadores).

Serviços mínimos cumpridos


O FCP entrou bem, alegre e a praticar um futebol solto e a bola a rolar a preceito. Varela, na ala esquerda, estendia o jogo e nos primeiros vinte minutos fomos dominadores e criámos perigo, com Herrera muito activo na zona de finalização. Varela quebrou por inferioridade física e foi substituído por Ghilas que esteve bastante mal em todos os momentos do jogo. Não apoiou, não fechou, nem atacou ou segurou a bola. Com a quebra de Josué que desapareceu completamente e a acção errática dos restantes homens do meio campo, com Alex demasiado displicente e os demais pouco esclarecidos, a equipa eclipsou-se: faltou organização, intensidade e assertividade na condução do jogo. Muito repelão e regressou o inevitável (e dispensável) assobio. A verdade, porém, é que a equipa funciona de uma forma  tão irritante que chega para desanimar os mais crédulos.
No segundo tempo, a equipa apareceu mais empenhada e Quintero ajudou a que se instalasse um jogo mais vivo; a bola corria mais depressa e com mais critério. Chegámos ao golo através de uma grande penalidade que me pareceu indiscutível e que Martinez concretizou de forma muito competente. Alargámos o score com um golo muito bem esgalhado: um passe primoroso de Quintero e Herrera a desmarcar-se, num excelente movimento de ruptura, antecipando-se à saída do guarda redes adversário, para de cabeça aumentar a vantagem. Ainda houve tempo para mais um golo e o resultado acabou por estar bem acima da exibição.
Individualmente, destaco Danilo, Herrera, Quintero e Ricardo que pode ser um reforço a ter em conta, porque é jovem e tem uma grande margem de progressão. Ghilas foi uma decepção e não perece convertível para jogar na ala. Falta-lhe escola e cultura de jogo.
Em resumo: serviços mínimos cumpridos, no jogo e no campeonato. Foi esta a assinatura dominante da presente época.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Bruxarias e “jornalismo de referência”

Eugénio Queirós (fonte: Blogue ‘Bola na área’, Fevereiro 2014)

Isto sim, é “jornalismo de referência”, publicado na plataforma de blogues do Record

Perante estas “certeiras” previsões do Bruxo de Fafe (feitas há dois meses), ficamos a aguardar que Eugénio Queirós, jornalista do Record (desde 2004), confesso consócio de Pedro Proença…

«Só falei uma vez com Proença. Foi no tribunal de Gondomar, em 2008, durante o julgamento do processo originário do Apito Dourado. O árbitro lisboeta esteve lá na condição de testemunha de defesa do árbitro Manuel Valente Mendes (...).
No átrio do tribunal, na companhia de Duarte Gomes, que também testemunhou, Proença aceitou falar aos jornalistas e respondeu a todas as perguntas. Até quando lhe perguntei se era benfiquista. E você?, contra-atacou. Lá tive de me confessar. “Então somos consócios”, atirou com um desarmante sorriso.»
Eugénio Queirós, Blogue ‘Bola na área’, 09 maio de 2013 | 17:03

“especialista” em apitos, tendo até publicado um livro sobre o ‘Apito Dourado’, nos proporcione mais peças deste “jornalismo de investigação” de alta qualidade.

Quiçá uma entrevista ao seu amigo Marinho Neves, acerca do “excelente” momento atual da arbitragem portuguesa e do malfadado Sistema…

domingo, 20 de abril de 2014

Pedro, Tozé e Gonçalo, tenham paciência...

Devido à lesão de Helton, o angolano Kadú foi "promovido" a guarda-redes suplente de Fabiano. Evidentemente, necessita de continuar a jogar na equipa B, mas parece-me claro que o FC Porto não precisa de contratar um 3º guarda-redes para o plantel da equipa principal.

Víctor García já teve duas oportunidades na equipa principal, uma na Taça da Liga e outra no campeonato mas, tendo já em vista a próxima época, penso que Luís Castro deveria voltar a apostar neste defesa-direito venezuelano para a recepção ao Rio Ave e, eventualmente, experimentar Danilo onde ele mais gosta de jogar (no meio-campo).

Mikel é outro dos jogadores da equipa B que já integrou algumas vezes o lote dos 18 convocados da equipa principal. Será desta (2ª feira, frente ao Rio Ave) que, finalmente, o médio defensivo nigeriano vai ter oportunidade de jogar no lugar do castigado Fernando?

Há outros jogadores da equipa B que, na minha opinião, já poderiam (deveriam) ter tido uma oportunidade na equipa principal, casos de Pedro Moreira, Tozé e Gonçalo Paciência, mas penso que isso só acontecerá na próxima época, após a anunciada "revolução"...

Tozé, 2º golo do FC Porto

Pedro Moreira, 3º golo do FC Porto

Nota: Resumo do FC Porto B x Benfica B (4-1), disputado ontem, referente à 39.ª jornada da II Liga.

sábado, 19 de abril de 2014

Ah!...Aaaaaaah!... Impressionante!


Hoje jogou-se um SL Benfica x FC Porto para o campeonato nacional de Andebol e os últimos segundos foram... impressionantes!
O FC Porto estava a perder por um golo (25-24) e chegou ao empate quando o cronómetro marcava 59:54.
Depois disso, bem... vale mesmo a pena ver o vídeo dos últimos 3 segundos deste jogo e ouvir o que disse o desolado comentador de A BOLA TV (o que terão dito os comentadores da Benfica TV?).

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gostos caros

Um golo não faz um jogador. Mas ser-se Gomez, ao invés de Gomes, e custar um balúrdio, não é garantia de qualidade. Seja para fazer parte do plantel, ou ser titular sem fazer nada que o justifique.

A fina ironia



André Gomes, antigo jogador dos escalões de formação do Porto, durante a vigência do patético projecto Visão 611, marca o golo que afasta da final da Taça de Portugal, o mesmo Porto, treinado por Luís Castro, figura de proa ... do projecto Visão 611

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Há muito ainda para ganhar!


O FCP esteve ao nível do que vem fazendo. Se dentro de portas vai disfarçando, quando atravessa o rio tem sido uma desgraça.  Um plantel perdido nas suas hesitações, um treinador a insistir numa inexistente identidade, porque a posse tal como é exercida é um simulacro: não há pressão, o controlo do jogo é frágil, o ataque raramente passa do meio campo, a defesa treme quando o adversário coloca pressão, disputa as bolas com intensidade e a faz correr com velocidade que completa com sucessivas trocas de posições e diagonais que executa a preceito. Um jogo corrido que somos incapazes de desenhar. Não sabemos jogar juntinhos e não somos eficazes a defender, nem quando jogámos com o bloco baixo. Uma tremedeira permanente. O colectivo não funciona e as individualidades, ainda que famosas (?), repetem demasiado erros,  abordando os lances de forma desleixada, com frequência: Alex Sandro é um desses jovens com potencial que repete o mesmo tipo de falhas, tal como Danilo na direita. É muita presunção para tão parco rendimento.
Varela, tirou um coelho da cartola, mas não chegou. As substituições não resultaram e o treinador perdeu-se na repetição da receita que tem seguido para tentar mudar o curso dos acontecimentos, noutros jogos em que fomos derrotados. Quando uma equipa não é forte, há que camuflar os seus pontos fracos com capacidade de luta e muita entreajuda o que nunca ocorreu esta época; e sempre que o adversário reagiu e nos fez frente, acabou por ser premiado. Meia dúzia de "bons jogos" foi o máximo conseguido nesta época. Não somos capazes de fazer das fraquezas força, e não raramente os nossos pontos fortes (?) tornam-se inoperantes e fáceis de combater porque resultam de movimentos previsíveis que cumprimos,  trocando a bola para os lados e para trás. Falta muita coisa a este FCP.

Neste jogo, não há que destacar qualquer jogador e salvo o golo, foi tudo demasiado medíocre. A defesa oscilou demais e Reyes mostrou muita inexperiência e esteve em dois golos. Fabiano falhou no primeiro. Luís Castro não teve desempenho positivo e seguiu o rumo da equipa: foi previsível e pouco feliz nas opções para melhorar o comportamento da equipa . Quaresma foi muito provocado, mas devia ser capaz de suportar essas picardias. O que Lucho sabia fazer tão bem pois a sua acção ajudava a somar vontades, o Quaresma divide mais que junta, no campo e no balneário, muito provavelmente.
Por fim, acho que Proença fez uma péssima arbitragem e sempre com prejuízo para o FCP, salvo a expulsão  que se poderia justificar pela sucessão de faltas graves cometidas por Siqueira, mas que Pedro tinha autorizado ao SLB, desde o apito inicial, com muitas faltas sem serem devidamente punidas. A grande penalidade foi uma invenção que a rapaziada amiga de PP contemplou como justa.
O FCP continua doente e como já escrevi num comentário é bom que não haja muita gritaria não vá o doente ter uma recaída. Afinal, temos que defender o 3º lugar e jogar a meia final da taça da Liga. Há muito ainda para ganhar, como lembrou o nosso Presidente.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Querido, mudei o jogo!


Eram quase horas, testava-se a radiofonia e eis que surgiu, à porta de um vestiário verde, aquele personagem de perfil anafado e rosto luzidio. Tinha estado no exterior a incendiar as massas e, durante essa semana, proclamou os princípios, as nobres causas e a missão de uma organização com brasões e pergaminhos, atirando sempre o odioso para cima do “velho senil” – a origem de todos os males. E teve alguma habilidade para o conseguir, embora com a mesma elegância e grau de civismo de um javardo bosqueiro.

Abriu a porta e deu de caras com alguém que lhe era familiar e que logo exclamou:
Bruno!
Com a educação que lhe é cara e a voz de bagaceira velha respondeu:
Meus senhores, bom jogo! – e ainda aproveitou para atirar:
Vi-te lá… no coiso… Estavas a… (mãozitas para a frente e para trás, como quem está a correr)
Estavas lá Bruno?
Estava… Adeusinho. Bom jogo!
Obrigado Querido! 
Já agora, qual é a ementa para hoje?
Que tal Polvo no espeto?
Gosto disso!… Bom jogo!
Bom jogo!

O jogo foi bom. Finalmente foi possível assistir a um desafio em que a verdade imperou do princípio ao fim.

Esquecendo a ficção e voltando à realidade: já se sabe quem vai estar na 2ª mão da meia-final da Taça de Portugal?

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Letargia na pedreira

O FC Porto apresentou um 'onze' com algumas surpresas em Braga. Na defesa jogaram Maicon e Abdoulaye como centrais e Victor Garcia (da equipa B) e Ricardo nas laterais e o meio campo ficou entregue a Carlos Eduardo - que tinha estado muito mal em Sevilha - Fernando e Josué (que ontem foi um dos melhores no FC Porto). Na frente jogaram Varela, Jackson e o desinspirado Licá.

Apesar do maior controlo demonstrado na primeira parte, fomos sempre uma equipa muito lenta e sem motivação, situação decorrente de um final de época sem quaisquer objectivos nesta prova. O FC Porto entrará em campo nas 3 últimas jornadas apenas para defender o orgulho e a honra.


Voltando à equipa, alguns jogadores mostraram porque não têm lugar no plantel do FC Porto e eu destacaria desde já o Licá e o Abdoulaye. Outros mostram algumas boas notas mas o colectivo terá de mudar radicalmente o mindset para a próxima época. A tal 'revolução' de que falava o jornal OJOGO na sua edição de Sábado tem mesmo de acontecer.

O FC Porto marcou primeiro por Varela aos 23' aproveitando bem uma óptima desmarcação de Jackson. Ainda na primeira parte houve dois cabeceamentos em zona frontal desperdiçados, um pelo avançado colombiano e outro por Carlos Eduardo. Apesar das situações de golo iminente, há que realçar que a equipa portista opta quase sempre por parar o jogo no meio campo e circular a bola entre os centrais mesmo quando a recupera em terrenos mais adiantados e apanha a defesa adversária em desequilíbrio, o que é desesperante para o adepto. Que FC Porto é este? Não há motivação, não há drive, não há vontade para jogar futebol. O estado anímico desta equipa é preocupante.


Na segunda parte o FC Porto continuou o seu processo de adormecimento e, além de recuar demasiado para manter a posse de bola, bastou que o adversário aumentasse o pressing no meio campo ofensivo para a defesa portista começar a meter água. O Braga empatou aos 57' numa arrancada pela direita de Pardo, deixando Abdoulaye pregado ao chão, e cruzando de seguida para entrada fulminante de Moreno ao primeiro poste. Logo a seguir mais uma perda de bola do defesa senegalês e Rafa a desperdiçar isolado frente a Fabiano. Valeu um Josué que procurou sempre novos caminhos para a baliza bracarense e descobriu Carlos Eduardo na área aos 85' para, de cabeça, fazer o 1-2. Passados poucos minutos e já contra um Sp. Braga muito longe da equipa de 2010/2011, sem capacidade de resposta, Josué galgou terreno e encontrou Quintero que fez o terceiro para o FC Porto. O 2º e 3º golos portistas foram marcados já muito perto do final da partida.


Depois de Barcelos, esta foi a segunda vitória fora de casa do FC Porto na 2ª volta da Liga. Isto diz tudo sobre a época que terminará em poucas semanas.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O pulso do Dragão

As más temporadas são aquelas de que nos temos de lembrar sempre. Para que não se repitam. A complacência é a maior inimiga daqueles que querem reinar muito tempo. No Dragão sabem isso melhor do que ninguém. Contava Bill Paisley, mítico treinador do Liverpool, que ele também tinha estado nos anos difíceis do Liverpool. "Um ano acabamos em segundo", dizia entre gargalhadas. Mas tinha razão. Nos seus tempos de jogadores e fisioterapeuta viveu anos de segunda divisão com o histórico clube de Merseyside. A glória e o inferno caminham sempre demasiado perto.

O FC Porto tem vivido 30 anos únicos. Dificilmente se vão repetir. Pelo menos trinta mais.
Cabe a quem gere o clube, aos sócios e adeptos que vão guiar o futuro, ter isso em consciência. Somos uma geração mal habituada porque vencemos mais do que perdemos e fazê-mo-lo com uma regularidade espantosa. Muitos dos que estão na direcção do clube estiveram nesses momentos. Outros tantos partiram ou perderam voz. Nenhuma equipa dura para sempre no topo. É impossível. O melhor que se pode fazer é continuar a lutar e evitar que estas épocas se tornem em algo regular. Vão ser cada vez mais frequentes. Mas não serão necessariamente o caminho para um longo deserto. Só se a caravela, que se desviou de curso, se afaste demasiado e acabe perdida no meio do Oceano. Este ano podemos e devemos medi-lo sobre diversos pontos de vista porque solucionar só um dos muitos problemas que tivemos será manifestamente insuficiente se querem continuar a ser competitivos nos próximos cinco ou dez anos.

PLANTEL

Entre os adeptos há a teoria de que este plantel é pior que o dos últimos anos e a oposta, de que é um bom plantel. Não creio que seja nem uma coisa não outra. É um plantel caro. Isso sem dúvida. Mas não necessariamente melhor. Que se pague mais dinheiro por jogadores que antes seriam contratados por metade do valor não faz das opções à disposição necessariamente melhores. O plantel que a SAD quis ter e que o anterior treinador aceitou é desequilibrado. É inexperiente. Falta-lhe liderança. Falta-lhe coerência. E faltam-lhe opções para posições determinantes a um nível que condiga com as aspirações do clube. O erro na concepção do plantel de 2013/14 partiu do mitico minuto Kelvin. Um título caído do céu depois de um sprint final de loucos fez a SAD acreditar que tudo era possível. E permitiu a desvalorização da equipa, deixando sair o jogador que equilibrava todo o cosmos em campo. Sem Moutinho - e mais grave, sem um jogador substituto para Moutinho - o FC Porto perdeu muito. A saída de James também não foi compensada à Porto. Desde há muito tempo que Pinto da Costa - e muito bem - tinha por hábito contratar o sucessor de um jogador com saída anunciada na época anterior para permitir a transição. Com James e Quintero não o fez e o colombiano não teve o tempo que teve James para adaptar-se e encontrar o seu ritmo.
A época arrancou com um overbooking de centrais e médios interiores e uma escassez atroz de alternativas nas alas, tanto na defesa como no meio campo. Os laterais e os extremos foram esgotados até à exaustão e só quando chegou Quaresma é que se percebeu o que podia ter sido esta equipa com um jogador top na ala durante todo o ano. Jogador que, por certo, Quaresma não é. Para o micro-cosmos "liga portuguesa" serve mas se o FC Porto quer ser uma potência como já foi não há muito tempo, não o vai conseguir com um futebolista que nunca triunfou em clubes exigentes e que faz do futebol um exercício estéril de egocentrismo. Esse erro inicial (a saída de Iturbe, a falta de um extremo, de laterais que rendessem Danilo e Alex Sandro) foi pago ao longo dos meses. Mas apesar de haver muitas opções na medular, a qualidade era pior. Fernando não tinha alternativa. Defour, Carlos Eduardo e Herrera nunca foram jogadores ao nível de Moutinho e Lucho jogou meio ano fora do lugar até que se fartou de ser visto como o bode expiatório da incompetência alheia. Izmailov desapareceu do radar sem dar noticias e Josué e Licá demonstraram que nem todos os jogadores que fazem uma razoável temporada merecem jogar no Dragão. Olhando, cruamente, para o plantel do FC Porto deste ano em comparação com os últimos anos há mais nomes, mas a média da qualidade decaiu claramente. Sobretudo o que há é demasiados projectos de jogadores. Inexperiencia (como a de Reyes e Herrera, com consequências nos jogos europeus), jovens demasiado ambiciosos e com a cabeça noutras paragens e muitos futebolistas que precisam de aprender a enganar-se e que não têm tempo se ao lado não há lideres. Porque não há. A saída de Lucho e a lesão de Helton deixa evidente uma situação de desnorte. Nem Quaresma, nem Varela nem muito menos Mangala são lideres para um clube como o FC Porto. E Fernando, num caso mal gerido desde o primeiro dia, está mais preocupado consigo mesmo do que com a possibilidade de exercer esse papel. Em suma, uma equipa com muitas opções mas mal distribuídas e preparadas estava fadado a gerar problemas de difícil solução.


EQUIPA TÉCNICA

Vitor Pereira tinha as horas contadas em Março. O titulo no último suspiro deu-lhe um colchão emocional e colocou a SAD contra a parede mas as cartas estavam já há muito na mesa. O seu mandato nunca foi consensual (talvez porque lhe foram tirando armas que AVB teve direito sem o reforçar condignamente em posições chave) e seria difícil aguentar a exigência de um terceiro ano. Até aí estou de acordo com a posição tomada pela SAD. Mas para trocar um técnico bicampeão português por Paulo Fonseca, mais valia ter esperado. Por um milagre.
Pinto da Costa acredita que encontra génios debaixo das calçadas da Sé. Pensou que Paulo Fonseca era um novo Mourinho. Saiu-lhe um Quinito II. E saiu-lhe cedo. Desde Agosto que era evidente que o erro de casting era sério. Mas foi-se perpetuando no tempo custando muito ao clube. Paulo Fonseca tentou jogar em 4-2-3-1 numa equipa feita e pensada para um 4-3-3. Fez com que jogadores que estavam tacticamente brilhantemente preparados parecessem futebolistas de distritais. Não acertou com um  onze, inventou tudo o que lhe era possível e nunca soube dar a mão à palmatória. Insistiu no erro até ao fim e acho que saiu do clube sem perceber o que fez mal. Luis Castro, por muito competente que seja, também não tem o status necessário, nem o know-how, para dirigir um candidato perene ao título e ao que caía no colo. O FC Porto tem um modelo de jogo consensual, inteligente e uma política de evolução de jogadores que casa bem com um esquema disciplinado e que permite uma ligeira margem de erro quando os jogadores certos estão nas suas posições. Este ano isso não sucedeu, as debilidades individuais foram expostas em excesso e a moral do colectivo voou cedo para não voltar. A derrota em Sevilla, mais do que por questões arbitrais, deixou claro que o mal feito em Agosto só poderia ser corregido com tempo. Até Mourinho perdeu no seu primeiro meio ano nas Antas jogos que jamais voltaria a perder. O problema com a escolha de Paulo Fonseca está tanto no homem como no perfil. Em lugar de optar por técnicos de perfil alto, consagrados, excelentes gestores de homens e desenhos tácticos, procura-se exportar treinadores com pedigree como se faz com jogadores. Os milagres não acontecem todos os anos. Em trinta anos, Pinto da Costa conseguiu isso três vezes. Um por década. Está claro que há que esperar pelo próximo algum tempo. Mas se o perfil de futuro continuar a ser o mesmo é provável que os problemas se repitam. Se a aposta for conservadora, uma "jesualidização" sob a forma de Fernando Santos (a minha aposta pessoal, a contra-gosto), o fosso com os adeptos aumentará. Dificil decisão.

INSTITUIÇÃO

O FC Porto perdeu esta época muito em campo. E também perdeu fora dele.
O Clube cresceu e afirmou-se em dois jogos diferentes mas complementares. Desde há algum tempo para cá, a instituição está calada. Não defende o Clube como o fazia e muito bem, quando era preciso. Uma que outra entrevista insossa, um processo a um portista reconhecido por um fait-diver, e alguns comunicados não são suficientes para defender os interesses do clube face a uma mais do que evidente aliança de Benfica e Sporting, muito parecida como aquela que precipitou o Verão Quente de 1980. Parece evidente que o crescimento leonino vem de mãos dadas com uma politica calculada de queixas para colocar o FC Porto isolado dos centros do poder, com a anuência do Benfica que está disposto a deixar o Sporting a voltar a ter algum protagonismo mediático e institucional, sempre que seja á custa do FC Porto. É o que tem sucedido. Do Dragão só se ouve silêncio.
O Clube não consegue colocar homens influentes em posições como a presidência da Liga. Tem um presidente da Federação claramente hostil e um conselho de arbitragem que segue pelo mesmo caminho. E ao contrário da política guerreira e de ataque dos melhores anos do melhor presidente que o clube já teve (e terá), temos que suportar esse afastamento progressivo que só serve para danificar a imagem do Clube. O FC Porto precisa reforços em campo, no banco mas também nas posições de poder. Lamentavelmente a situação não vai mudar tão cedo. Pinto da Costa é finito nem que seja porque é humano. Tarde ou cedo acabará por retirar-se. Poderá fazê-lo, como merece, pelo seu pé, salvo que aconteça alguma fatalidade. E quando sair o clube vai ser uma velha viúva milionária com muitos pretendentes interessados, alguns até que aparecem em cena amando a outras cores, sejam vermelhas ou verdes. O pior que pode passar é uma guerra civil interna mas sem um sucessor ungido (como acredito que Pinto da Costa não vai fazer) e com facções já a batalhar, neste momento, por protagonismo, é a defesa colectiva exterior do Clube quem perde.

ARBITRAGENS E RESULTADOS

O FC Porto sofreu um péssimo ano arbitral na pele. Foi prejudicado claramente no campo do Estoril, Belenenses, Sporting e Nacional. O facto de ter jogado bastante mal nos quatro encontros permite-nos uma análise mais fria. Mas os factos são esses. Na Europa também pagou o preço de uma arbitragem habilidosa nas duas mãos contra o Sevilla. Mas ninguém cai por 4-1 por causa, exclusivamente dos árbitros. Houve erros que custaram pontos importantes - muito por culpa dessa falta de peso institucional tanto dentro como fora, onde desde o Apito Dourado a influência do Porto é mínima - mas a maioria dos resultados da época foram merecidos. A péssima fase de grupos da Champions League e as prestações cinzentas contra o Frankfurt, na primeira parte em San Paolo e em Nérvion, são consequência de tudo o que disse antes. Na liga o FC Porto perdeu pontos por culpa própria, na maioria das ocasiões, e com alguma ajuda alheia noutras. Ainda que pese - especialmente porque o plantel do Sporting é o que é - a posição no campeonato adequa-se perfeitamente ao que foi feito, a eliminatória europeia é uma consequência natural na falta de competitividade e ordem da equipa e o duplo duelo contra um Benfica que está, claramente melhor, servirá apenas de consolo moral. Pela primeira vez em muito tempo, os encarnados estão, claramente, á frente em todos os sentidos de jogo do que o FC Porto. E essa é a pior noticia do ano.



VISÃO A CURTO PRAZO vs VISÃO A MÉDIO PRAZO

Num Verão que se adivinha quente, a SAD do FC Porto tem duas opções. Buscar uma solução imediata a um ano grave ou pensar a médio prazo. Foram feitas coisas boas este ano. Contratar jovens com potencial e do mercado nacional (o próximo a caminho parece ser o Ricardo Horta) é uma linha interessante. Aproveitar as sinergias com a equipa B também o será. Mas esses jovens não vão ser capazes de dar um passo em frente sem estarem devidamente acompanhados. O Clube pode emular o que fez em 2010, contratando o experiente Moutinho, não vendendo as estrelas da companhia (apenas dois jogadores em fim-de-ciclo) e apostando tudo em recuperar o ceptro. Mas há dinheiro para isso depois de tantos negócios excessivamente caros, de tantas comissões e do risco de falhar a Champions League, outra vez?
Se Fernando, Mangala e Jackson eventualmente saírem, a resposta terá de ser outra, a pensar numa recuperação a médio prazo em que os jovens jogadores tenham um par de épocas para se afirmarem, sendo reforçados, progressivamente, pelo mesmo modelo de jogadores que nos fez chegar onde estamos. Jogadores como Zahovic, como Derlei, como Drulovic, como Kostadinov, Deco, Jardel, Lisandro, Lucho ou McCarhty que sem terem sido excessivamente caros deram um plus de qualidade ao colectivo. Para isso urge procurar novos mercados, fugir da tentação de pagar cada vez mais caro e sobretudo, aceitar um modelo de gestão onde o treinador tenha uma palavra a dizer.

HOW THE MIGHTY FALL

Comecei este texto com o Liverpool. Não foi casualidade. Quando Shankly chegou ao clube, a final dos anos cinquenta, o "Pool" estava na II Divisão. Quando Pinto da Costa e Pedroto chegaram ao Porto, o clube estava a viver o seu maior deserto, acabando alguns anos fora do top quatro. Durante vinte e trinta anos, respectivamente, os dois clubes dominaram a sua liga nacional e brilharam na Europa. Depois, no caso dos Reds, veio um longo e penoso deserto. Cabe ao FC Porto estar atento a esse (E tantos outros exemplos que a história nos dá) caso para ter atenção ao futuro que nos espera. É preciso pensar no amanhã e no depois. É preciso que quem gere o Clube pense nele primeiro. Que os jogadores que fiquem e os que cheguem sejam escolhidos a dedo e para algo mais do que serem vendidos com margem de lucro. E que o próximo homem a sentar-se na "cadeira de sonho" seja mais do que uma flamante promessa ou um veterano amigo do Presidente sem nada nas mangas. É preciso tomar decisões dificeis. É nestes momentos que se vê a alma do Dragão. Os adeptos estão, seguramente, todos com o Clube e esperam. A um sinal de que isto é uma curva apertada e não um abismo!

O sucesso cega; o sucesso absoluto, cega absolutamente

 Melhor que aprender com os próprios erros, é aprender com os erros dos outros. 


Quem julga que sabe tudo, não aprende nem com uns, nem com outros. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O jogo durou 3:40

Antes do jogo começar, já se sabia que não era fácil jogar no Sanchez Pizjuán (há 15 dias atrás o Real Madrid perdeu lá por 2-1 e perdeu também a liderança da Liga espanhola); já se sabia que Jackson e, principalmente, Fernando não podiam jogar; e já se sabia que um dos trunfos do FC Porto era estar em vantagem na eliminatória (1-0) e, por isso, poder jogar com o relógio, bem como, com a ansiedade e adiantamento dos jogadores da equipa andaluza.

Mas o jogo durou apenas 3 minutos e 40 segundos, porque o senhor Gianluca Rocchi assim o determinou.

1:13 – Herrera recupera a bola no meio campo portista e parte num rápido contra-ataque, causando o pânico na defesa sevilhana que, in extremis, consegue interceptar um passe à entrada da área.

2:18 – Após recuperação de Carlos Eduardo, Varela parte em rápido contra-ataque, mas é agarrado e puxado por trás por Mbia. Quando se esperava que o árbitro mostrasse o cartão amarelo ao possante médio defensivo do Sevilha, o qual ficaria condicionado para o resto do desafio, nada!

Sevilha x FC Porto

3:40 – Vitolo (partindo de posição irregular) cruza da direita, Bacca antecipa-se e, depois de passar por Danilo, estica a perna esquerda para trás e mergulha para o relvado. O árbitro, em vez de mostrar um cartão amarelo a Bacca, por evidente e ostensiva simulação, decide assinalar penalty contra o FC Porto.

Para mim, o Sevilha x FC Porto acabou aqui, aos 3:40 (estou farto destas arbitragens).

O resto, os restantes 86 minutos, foram outra coisa, quer na cabeça dos treinadores, quer no estado de espírito dos jogadores de ambas as equipas. Do lado do FC Porto, os "cacos" que Luís Castro anda a tentar colar, desde que assumiu o lugar que era de Paulo Fonseca, nunca mais foram uma Equipa.

P.S.1 O 3º golo do Sevilha nasce de uma falta inexistente de Mangala, em que, ainda por cima, viu um cartão amarelo que o condicionou para o resto do jogo (e, se o FC Porto tivesse seguido em frente na Liga Europa, o impediria de jogar o 1º jogo das meias-finais).

P.S.2 Não sei se Fernando já está vendido (o seu empresário dá a sua saída, no final desta época, como certa) mas, num jogo a sério e de grau de dificuldade elevado, viu-se o que é esta equipazinha e, particularmente o meio-campo portista, sem o "Polvo". Algo para os responsáveis da FC Porto SAD meditarem.

P.S.3 No meio de tanta mediocridade, Quaresma voltou a ser um oásis de qualidade. Foi dos pés dele que saíram as melhores oportunidades do FC Porto e foi ele que marcou o único golo (e que golo!) dos dragões. Se Quaresma não fizer parte dos 23 seleccionados por Paulo Bento para o Mundial do Brasil, será um crime de lesa futebol.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O sorriso amarelo de Bacca

Carlos Bacca versus Jackson Martínez (fonte: ViveFutbol)

Jackson e eu falámos e ele está aborrecido por não poder jogar esta partida. Disse-me que ninguém do clube o avisou que estava à bica. Ele não sabia. Devíamos oferecer à pessoa do FC Porto encarregada de o avisar um passeio por Sevilha
Carlos Bacca


Eu, que sou um mero adepto, sabia que se Jackson, Fernando ou Mangala vissem um cartão amarelo no FC Porto x Sevilha, não poderiam jogar no Sanchez Pizjuán. Por isso, acho muito estranho que o Jackson Martinez, profissional de futebol, não tivesse consciência dos amarelos que, ele próprio, já tinha visto em jogos anteriores da Liga Europa.

Mas, independentemente disso, o que impede Jackson Martinez de jogar em Sevilha não foi o (des)conhecimento da sua situação em relação ao número de cartões amarelos.

O que eu sei, porque vi (e disse-o na altura) é que o cartão amarelo mostrado a Jackson no FC Porto x Sevilha é ridículo, no meio de uma arbitragem do senhor Wolfgang Stark que, em termos disciplinares, foi uma vergonha.

Aliás, já na eliminatória anterior, o Alex Sandro foi afastado do jogo de Nápoles, por causa de um amarelo numa jogada com o Callejón que, para mim, nem falta era, que fará para amarelo.

Claro que Bacca tem razão em ficar satisfeito por Jackson não poder jogar mas, na minha opinião, Fernando vai fazer ainda mais falta que o ponta-de-lança colombiano. É que, para além de Fernando ser o melhor médio defensivo português, a sua ausência irá obrigar Luís Castro a mudar, pelo menos, duas posições no meio-campo portista, porque Defour terá de ser deslocado da sua posição habitual para jogar no lugar do “Polvo”.

Juntar os cacos…

«O trajeto de Paulo Fonseca no FC Porto tem sido marcado por muitos desvios. (…) Quintero chegou a ser um salvador, mas em 2014 ainda nem esteve em campo o tempo equivalente a um jogo completo. Licá começou a época em grande plano, mas no início de outubro já tinha perdido o lugar. Kelvin foi recuperado a dada altura, mas rapidamente «desapareceu». Maicon chegou a relegar Otamendi para o banco, para agora ser suplente de Abdoulaye, recuperado do empréstimo ao V. Guimarães no último dia do mercado.»
Nuno Travassos, 25-02-2014


Luís Castro no 1º treino (fonte: www.fcporto.pt)

«Nesta quarta-feira, véspera da importante visita a Sevilha, Luís Castro cumpre um mês como treinador do FC Porto. (…) para além da fria análise aos resultados há que ter em conta a forma como Luís Castro conseguiu juntar os cacos. Desde logo invertendo o meio-campo para a disposição habitual nos últimos anos, algo a que Paulo Fonseca sempre resistiu.

Castro teve também a coragem de apostar consistentemente em Diego Reyes, que continuará a cometer erros pontuais, mas integrados no processo natural de evolução de um jovem que vai dar muito dinheiro à SAD. O técnico tem também mérito na recuperação de Quintero, mesmo que o talentoso colombiano não tenha ainda lugar no «onze», e teve sobretudo a audácia de olhar para Ghilas como algo mais do que o suplente de Jackson Martínez. Entender o argelino como alguém compatível com o «Cha Cha Cha», e não apenas quando o resultado é desfavorável.»
Nuno Travassos, 08-04-2014


Extractos de dois artigos de opinião do jornalista Nuno Travassos, autor de um espaço de análise técnico-tática no site Maisfutebol.

Os dois artigos completos podem ser lidos em:

terça-feira, 8 de abril de 2014

Gianluca Rocchi no Sanchez Pizjuán

Gianluca Rocchi
A UEFA escolheu o senhor Gianluca Rocchi para dirigir o desafio entre Sevilha e FC Porto.

O FC Porto não tem grandes recordações deste árbitro italiano, de 40 anos, natural de Florença. De facto, Rocchi já apitou dois jogos do FC Porto, ambos fora de casa e ambos terminaram com derrotas dos dragões:
- 2010/2011, Villarreal x FC Porto (3-2);
- 2012/2013, APOEL x FC Porto (2-1).

Neste regresso do FC Porto a Espanha, para decidir uma eliminatória da Liga Europa, recordo que o desempenho deste árbitro no El Madrigal, no 2º jogo das meias-finais da Liga Europa 2010/2011, foi muito caseirote (felizmente a eliminatória tinha ficado praticamente decidida no jogo da 1ª mão, após os 5-1 alcançados no Estádio do Dragão).
Recordando os três golos do “submarino amarelo” nesse jogo...
O 1º golo do Villarreal foi precedido de fora-de-jogo;
O 2º golo do Villarreal foi precedido de falta, não assinalada, sobre Sapunaru (empurrado);
O 3º golo do Villarreal foi de penalty, algo forçado, e com o executante (o seu compatriota Giuseppe Rossi) a fazer uma “paradinha”.

Ficha do jogo Villarreal x FC Porto (fonte: zerozero.pt)

Como se isto não bastasse, o árbitro revelou uma grande complacência para com os jogadores do Villarreal, que se fartaram de dar pau mas, em contraponto, mostrou quatro cartões amarelos a jogadores do FC Porto (André Villas-Boas teve o cuidado de substituir João Moutinho aos 52', não fosse o diabo tecê-las, para o salvaguardar de um amarelo que o afastaria da Final).

Por tudo isto, não gostei desta nomeação e, mal tive conhecimento da mesma, lembrei-me do perigo invisível, que referi em Abril de 2011.

E também foi inevitável lembrar-me da arbitragem de outro italiano, Nicola Rizzoli, numa outra eliminatória com o 2º jogo também disputado em Espanha - o Malaga x FC Porto da época passada. Aos 30 minutos, três jogadores do FC Porto já estavam amarelados: Otamendi (17’), Defour (24’) e Alex Sandro (30’).

Espero que todos estes factos sejam apenas más coincidências e que, na próxima quinta-feira, o árbitro italiano não se deixe influenciar pelo ambiente e/ou por pressões externas.