terça-feira, 27 de maio de 2014

Empréstimo Obrigacionista 2014-2017


A FC Porto, Futebol, SAD lançou no corrente mês mais um Empréstimo Obrigacionista que tem por objectivo a realização do “roll over” do Empréstimo 2011-2014 de 10M€. O novo empréstimo terá o valor de 15M€ e vigorará de 2014 a 2017. A sociedade amortizará 10M€ no dia 3 de Junho e encaixará um valor próximo dos 15M€ (há a deduzir as despesas e comissões dos bancos coordenadores da operação e os custos de divulgação).

Nos termos do Prospecto, “a Oferta destina-se ao financiamento da atividade corrente do Emitente, permitindo-lhe consolidar o respetivo passivo num prazo mais alargado, através do refinanciamento de operações que se vencerão num futuro próximo”. O Prospecto pode ser consultado na íntegra aqui.

A nova emissão é estruturalmente idêntica às emissões anteriores e terá um cupão de 6,75%, com pagamento de juros semestrais, e maturidade de 3 anos.

A opção pela emissão de títulos de dívida justifica-se tendo em conta vários factores. Desde logo a dificuldade que as SAD’s têm no acesso a financiamento bancário. Os bancos nacionais não estão tão disponíveis (como há uma década atrás) a exporem-se aos riscos inerentes a um negócio cujas receitas são bastante voláteis (porque dependem excessivamente da venda de jogadores e dos resultados desportivos). Assim as SAD’s têm procurado formas alternativas de financiamento e, em particular, a FC Porto SAD, tem tido bastante sucesso nas várias emissões e colocações de títulos de dívida no mercado (desde 2003). Veremos se, e em quanto é que a procura supera a oferta nesta operação de subscrição.


Pelo gráfico acima podemos ver que há uma descida considerável do custo deste Empréstimo face ao que foi lançado em 2012. O cupão era, então, de 8,25% e agora reduz 150bps para 6,75%. Há que referir que em 2012 o país estava em plena fase de resgate financeiro com as yields da sua dívida soberana a atingirem valores muito elevados – acima dos 10% na dívida a 10 anos! – pelo que a SAD se viu forçada a oferecer uma rentabilidade mais elevada para convencer os investidores. Actualmente as yields da dívida portuguesa a 10 anos estão a cotar abaixo dos 4%...

                              Dívida Portuguesa a 10 anos; Fonte: Bloomberg

A Benfica SAD lançou o seu mais recente Empréstimo Obrigacionista em meados de 2013, num total de 45M€, por um prazo de 3 anos e com um cupão de 7,25%. A procura excedeu a oferta. Faltando cerca de dois anos até à maturidade do Empréstimo, o preço actual destes títulos é de cerca de 105%:


Se os títulos de Dívida da FC Porto SAD seguirem a tendência dos da Benfica SAD, é forte a probabilidade de os títulos manterem (ou subirem) os preços, o que permitiria aos seus detentores uma venda antecipada com lucro. Isso dependerá, também, da evolução do mercado nos próximos meses.

Uma vez concluída a operação de subscrição, a SAD apresentará em Balanço um total de 45M€ de Dívida em Empréstimos Obrigacionistas a que se deverão somar mais de 70M€ de Dívida Bancária. Os Proveitos Operacionais excluindo transacções com passes de jogadores mantêm-se inalterados no 1º Semestre de 2013-14 face ao período homólogo, na ordem dos 40M€, pelo que a FC Porto SAD antecipa a necessidade de efetuar um valor considerável de mais-valias de transferências de “passes” de jogadores, para que a sociedade consiga atingir um resultado positivo no final da época 2013/2014.

Repetindo aquilo que já afirmei aqui no RP há um ano e meio, o crescimento da Dívida deveria ser acompanhado de um crescimento sustentado dos proveitos da sociedade, nomeadamente aqueles que não resultam da alienação de passes de jogadores o que, ano após ano, não se está a verificar.
   

12 comentários:

JOSE LIMA disse...

Caro Nuno Nunes
Excelente artigo como é seu timbre.
Hoje (ontem) agravaram-se os números com a publicação dos Resultados Acumulados do 3º Trimestre (Julho a Março).
Espero que no III Encontro da Bluegosfera no próximo dia 7 de Junho em Espinho, alguém pegue neste assunto (o que duvido). Os sócios e adeptos só querem saber quem vem, quem sai, e se vamos ganhar por muitos...
Ainda não perceberam que a contenção praticada este ano, desportivamente, não resultou. As dificuldades em transferir atletas e substitui-los por outros aceitáveis, conduzem à velha máxima "sem dinheiro não há palhaços".
Abraço

José Rodrigues disse...

"Ainda não perceberam que a contenção praticada este ano"

Contencao?? Qual contencao?!

Pedro Gomes disse...

Excelente artigo como já nos habituou.
Parece-me que a política económica do FCPorto baseada nas mais-valias realizadas em vendas de passes começa a ser cada vez mais arriscada.
O fair-play financeiro está à porta e são precisas novas medidas para equilibrar as contas sem ter de contar com o dinheiro das vendas.
Em tempo de vacas magras o clube contratou um treinador conhecido por treinar camadas jovens e uma maior aproveitação da formação por vias da equipa B parece estar a ser posta em práctica para não existirem tantos gastos em aquisições de passes para colmatar as vendas.
É preciso salientar ainda que a venda do Iturbe (15M brutos dos quais 6.75M creio eu são efectivamente nossos) ainda não está incluída. Com as vendas de Iturbe, Castro e possivelmentede Rolando a necessidade de vender os melhores do actual plantel diminui.

miguel.ca disse...

Eu leigo me confesso porque pouco percebo de gestão empresarial mas assusta-me tremendamente o facto de que a gestão da FCPorto SAD continua toda ela a assentar numa só base. A venda de jogadores.
Esta via, conforme diz e bem o Pedro Gomes, transformou-se num caminho demasiadamente arriscado já que as previsões se tornam cada vez mais difíceis de fazer, os resultados práticos cada vez mais difíceis de atingir e as derrapagens a tornarem-se cada vez maiores porque as despesas continuam a correr com vendas ou sem elas.
E se no plano financeiro as coisas parecem demasiadamente cinzentas, no plano desportivo, para mim, são negras como a noite. Este mercantilismo exacerbado retirou-nos mística e identidade e de repente ate um simples "somos Porto" deixou de fazer sentido pelo que a necessidade de dar uma volta de 360 graus tornou-se imperiosa.
Para mim, a questão continua a ser a mesma: - Estará esta Administração capaz e com vontade para tal? Estarão alguns deles com vontade de abdicar das tremendas benesses provenientes do carrossel mercantilista?
Aguardo cenas do próximo episódio.

JOSE LIMA disse...

Caro José Rodrigues
O meu caro é um dos comentadores que mais sabe destas matérias. Contudo permito-me chamar a atenção para o seguinte:
No Balanço verificamos que neste 3º Trimestre os Activos do plantel situavam-se no mesmo período da época passada em 83,2M€ e na presente temporada em 64,2.
Enquanto no exercício de 9 meses da época 2012/2013 as aquisições totalizaram 33,5M€, no mesmo período desta época o seu valor foi de 13,3 (pág. 20) o que resulta no valor bruto de 132,9M€ para o ano passado e 119,7M€ para 2014.
Compreendo que nem a prestação da equipa se pode avaliar pelo custo do plantel nem a qualidade individual dos atletas é proporcional ao seu custo. Mas, quanto a mim, os dois factores combinados indiciaram um esforço de contenção que terá de continuar forçosamente esta temporada.
Que esta gestão vai ter reflexos na prestação desportiva, não tenho a menor duvida. O que devemos é decidir se queremos implantar esta política e conter os Custos galopantes ou atirarmo-nos de cabeça para um Passivo galopante como outros nossos conhecidos.
Não acredito que a cambada que anda à volta do futebol (empresários, agentes, fundos, etc.) esteja interessada em nos vender atletas “bons e baratos”.
Abraço

João Mateus disse...

Boa tarde,
Estou triste… muito triste por ver estas contas negras da SAD. A situação não está fácil e só com a venda de Mangala e Jackson (além do dinheiro arrecadado da venda de Otamendi, Castro e Iturbe) acredito será possível ter um prejuízo decente.
Como é possível que a SAD só consiga ter resultados decentes se vender 3 titulares e 2 jovens que antes eram promessas? Que gestão é esta?
Como é possível uma empresa ter custos operacionais galopantes quando as suas receitas operacionais atingiram o limite?
Outra coisa que gostaria de entender é a renovação de Fernando. Porque não aparece a informação no R&C? Porque é que a SAD não mostra (como o faz em relação a todos os outros jogadores) qual a percentagem do passe de Fernando que ainda têm?
E Iturbe? Quem é que tem os 55% do passe do jogador?
E há mais… muito mais. Mas estou tão enervado que é melhor ficar por aqui.
Só mais uma achega… estes 38 milhões são piores que os resultados do Sporting nos 3s primeiros trimestres de 2011/2012 e 2012/2013. E eu que achava que pior que aquilo era impossível.
Abraço a todos.

Joao disse...

Enquanto o Porto continuar a gerar mais valias para fundos demasiado obscuros (e demasiado próximos da administração portista) estaremos sempre reféns desta política absurda...

Na verdade já todos percebemos que a parte financeira tem sido o calcanhar de aquiles desta SAD. O basquetebol faliu, o hóquei e o andebol estiveram perto disso...

Continuam todos à espera que teremos sempre um Hulk ou um Falcão para vender no fim da época...

Outra época igual a esta última e é o princípio do fim!

Abraço

Fernando B. disse...

Contensão ?? só se foi ter ido buscar o " treinador " do Paços !!! Sim, porque nos carros da SAD não foi...

Nuno Fonseca disse...

360 graus? assim fica na mesma. just saying

Pedro ramos disse...

O RC nao traz grandes novidades para quem tem acompanhado o tema.
Nao sei que coelho se pretende tirar da cartola, mas a realidade é que nao há dinheiro, mesmo que as vendas sejam na ordem na última época. As receitas já foram quase todas antecipadas e existem empréstimos a vencer que é necessário cumprir, por isso esqueçam o dinheiro das vendas para possiveis reforços pois ele já está gasto.

Este foi o caminho escolhido, com o apoio dos adeptos, nao vale a pena agora protestar. Foram os adeptos que nao quiseram saber de aspectos como a formaçao e que ainda hoje exigem a contrataçao de jogadores por valores absurdos. Infelizmente fomos incompetentes na gestao financeira no tempo da fartura e agora seremos obrigatóriamente forçados a sacrificios.

O caminho é fácil de encontrar basta olhar para as modalidades e ver a diferença nos processos de trabalho entre estes e o clube de futebol.

Mas atençao nao vale agora criticar tudo e todos apenas porque desportivamente o ano correu mal e fechar os olhos, como normalmente aconteceu no passado, apenas porque o ano foi de sucesso desportivo.

Daniel disse...

Temos cada um de continuar a fazer o seu trabalho. Nos, a subscrever empréstimos obrigacionistas, eles, a encher os bolsos com comissões.

Os 2 milhões do reyes que desapareceram apenas num mês deveria ser suficiente para todos abrirmos os olhos...

P. Cardoso disse...

Temos que começar cada vez mais a pensar num aproximamento ao Sporting e num perder de poderio financeiro em relação ao Benfica. Se antes se falava nos:"assinei em 5 minutos", noutro em 4, noutro em 3, noutros roubos ao SLB, neste momento creio que não temos condições para continuar. Já se viu no último ano, mais contratações em Portugal, mas temos que nos cingir à realidade: O FCP para conseguir ter argumentos contra o seu principal rival, tem de ser muito mais competente, pois em termos financeiros, não temos hipótese (basta ver as assistências no estádio).

Posto isto, acho que as obrigações são um bom investimento, a título particular. O máximo que se consegue numa conta poupança são 3- 3,5%, por isso ter 6,5 em algo que dificilmente dará para o torto, parece-me positivo.