terça-feira, 8 de julho de 2014

Tirar de letra


Apesar de uma política de compras, até ao momento, de difícil compreensão (mesmo que os "emprestados" resultem em cheio, o que deles restará daqui por um ano?) e do inacreditável empréstimo/venda de Tozé, é no entanto verdade que Lopetegui tem dado, aqui e ali, sinais de que não se trata de um treinador qualquer.
A instalação da torre para filmagem dos treinos e as suas palavras aquando do primeiro dia de trabalho e também durante a festa de apresentação dos equipamentos, mostram um técnico que não vai nem pelo óbvio nem pelo caminho mais fácil. Existe ali uma profundidade, uma não-banalidade, que esperemos que dê os seus frutos.

Seguiu-se a mão paternal no ombro de Kelvin, na imagem mais marcante e simbólica, até ao momento, da presente pré-temporada. Lopetegui sabe ou acabará por descobrir, que não é "letra" que o FCP precisa do pão para a boca de jogadores que não fujam nem se escondam, comodamente, durante as partidas mesmo que, oh juventude!, exagerem algumas vezes.

Madjer era acusado de ser individualista, Domingos era "brinca-na-areia", Hulk levava muitas vezes a bola para casa e Quaresma, então, basta ainda passar num qualquer Domingo destes pelo Dragão...
E, no entanto, são eles o melhor que o nosso futebol tem.
Kelvin não joga tanto como qualquer um deles e, provavelmente, nunca o fará mas tem a dose divina de "loucura" de, ao minuto 92 de uma partida de vida ou morte, não passar para trás nem para o lado.
Jogadores destes são para guardar e acarinhar.

Perigosos, pelo contrário, são aqueles que parece que não matam uma mosca e, de um momento para o outro, agora sim num acto de loucura sem aspas, entram com o pé a matar e com isso atiram para o lixo o trabalho de meses dos colegas e partem também os sonhos aos adeptos.

Mister, estas sim, são as "tonterias" a que é preciso estar atento.

12 comentários:

reine margot disse...

Acho muito bem que o treinador peça responsabilidade e concentração... de quantos minutos 90+2 pode ser feito o nosso campeonato? (= a quantos golos de livre marcou o B. Alves) ...
Quanto ao empréstimo do Tozé acho uma política que deveria ser sempre seguida; em todas as firmas top mundiais os filhos dos patrões vão estagiar para outras firmas, com o intuito natural de crescerem por mérito apenas, e sem o terrível escrutínio dos assobios...

Pedro disse...

O Mister tem estado bem. É discreto, mas quando fala tem segurança e auto confiança. Algo que Paulo Fonseca nunca teve. A sua competência enquanto treinador será bem testada logo no início de temporada... e o seu efeito nos jogadores também. A ausência de reforços é algo que não lhe deve estar a agradar... mas é treinador para não se queixar disso.

E o início desta época promete ser de ferro e fogo. Reforços, pré-eliminatória decisiva, e uma relação com os adeptos que está prestes a tornar-se em algo mais do que um fumo sem significado. Os acontecimentos na renovação dos lugares anuais prometem contestação a sério a ser preparada... E está a ser preparada.

Pedro disse...

O mister parece ser sensato e discreto. Quando fala, sabe o que diz e tem auto-confiança. Mais do que Paulo Fonseca alguma vez demonstrou. Mas isso pouco quer dizer. A sua competência será bem testada, num plantel que se percebe, ao fim duma semana de trabalho, está longe de estar fechado.
Muitoooo longe.

O hábito de trabalhar com jovens pode dar jeito, mas Lopetegui precisa de motivar todos, e perceber bem quem não está com o espirito no Porto.

O início de época promete ser de ferro e fogo. Desde as contratações à pré-eliminatória da Champions, até aos simples lugares do estádio...
Os acontecimentos das renovações de lugares anuais prometem dar que falar, e a contestação que está a ser "magicada" vai dar que falar...

Miguel Ângelo VR disse...

Começo a ficar preocupado com os "empréstimos"... Somos um Rio Ave da Europa, agora? Espero bem que não sejam verdade todas estas notícias de empréstimos, em que nem a opção de compra nos concedem. Já para não falar do empréstimo, por dois anos, do Tozé... Daqui a pouco partem para o estágio e ainda não temos reforços de jeito e a título definitivo? Espero bem que não seja outro ano igual a este...

José Correia disse...

"Daqui a pouco partem para o estágio e ainda não temos reforços de jeito e a título definitivo?"

No caso do FC Porto atual, o que são "reforços título definitivo"?

São contratações que:
- no caso de correrem mal, os jogadores são dispensados/emprestados ao fim de um ano;
- no caso de correrem bem, os jogadores são vendidos ao fim de 2 ou 3 anos.

O "definitivo", no caso do FC Porto atual, tem um prazo de validade pouco superior ao empréstimo de um ano.

Luís Vieira disse...

O comparsa Defour demonstrou no Mundial toda a sua banalidade. Incapaz de se impor como titular, quando teve oportunidade de jogar, borrou a pintura. Mais: antes de se estrear, voltou a dizer disparates, autopromovendo-se de uma maneira ridícula. É preciso dizer-lhe que os bons jogadores não precisam de enaltecer as próprias qualidades porque demonstram-nas dentro do campo. Aplica-se-lhe na perfeição a máxima "cão que ladra, não morde". Volto a dizer: jogadores deste calibre são dispensáveis. Para quando a notícia da sua venda? Quanto ao Kelvin, começo a perder a esperança de alguma vez vê-lo a vingar no Porto. Segundo consta, não conseguiu fazer a transição do futebol de rua para o futebol ao mais alto nível. É pena, uma vez que tem grandes capacidades técnicas.

Joao Goncalves disse...

Exactamente José! Nem mais!

As pessoas esquecem-se de que estamos a falar do FCP actual...

A única coisa que isto não trás são proveitos financeiros de curto prazo para o clube mas certamente essa ausência nos proveitos financeiros de curto/médio é colmatada com a diminuição do investimento para trazer o jogador para cá.

Aliás, esta deveria ser uma opção muito mais explorada, só que com opção de compra, pois o nosso historial de errar nas contratações é elevado, exactamente pelo risco que acarretam (jogadores jovens e normalmente de campeonatos pouco expressivos

DC disse...

Que me desculpe o autor mas parei de ler para me rir na parte do quaresma ser o melhor que o nosso futebol tem.
Nem sequer vou entrar em curriculum disciplinares daquele que é o melhor que o nosso futebol tem. Afinal este ano na luz foi o defour a ver o vermelho quando precisávamos de ir atrás do resultado.

DC disse...

Há uma diferença muito grande entre ter opção de compra ou não.
Uma coisa é o Tello vir emprestado com opção de 10M ou 12M, outra é o Oliver sobre o qual não temos qualquer palavra a dizer no final da época.
Num cenário mais tenebroso, podemos até, por exemplo, ver o Oliver fazer uma boa época e no final ser envolvido numa troca qualquer com o nosso rival (que tanto gosta de negociar com o Atlético).

Além disso, caso se confirmassem as vindas por empréstimo de Oliver, Illarra e Tello e no final da época saíssem os três seria péssimo ao nível do equilíbrio do plantel, bem como das finanças (já que em teoria teriam que vir 3 substitutos).

Como tal, espero que Tello venha com opção de compra e que o trinco seja contratado a título definitivo.

Joao Goncalves disse...

DC,

Todos nós gostávamos de ter todos a titulo definitivo e por vários anos, mas jogadores no Porto com mais de 2 anos de casa é porque não fizeram o suficiente para se irem embora e essa é a verdade no nosso clube.

Falas que se saissem os 3 seria péssimo... e este ano se saírem os 2 ou 3 não é igual? E o ano passado não foi o mesmo? E à 2 anos? E à 3?

Todos os anos é a mesma coisa fruto da pressão do equilíbrio financeiro... ora se vem emprestados não custam 10M€ ou mais e se assim não o é, em teoria não precisaríamos de vender os melhores no final do ano para repormos o equilíbrio financeiro.

Miguel Ângelo VR disse...

Tenho de concordar com todos vocês. Só fico chateado porque, desta forma, dificilmente arranjamos uma equipa com bom entrosamento. Ou seja, penso que seria melhor ter uma equipa (minimamente) boa, com a maior parte dos jogadores a conhecerem-se (jogando juntos) há já uns 2 ou 3 anos. Claro que todos sabemos que pode sempre sair um, ou dois, dos melhores jogadores no final de uma época. Mas, num caso desses, não afectaria tanto um plantel/equipa.

DC disse...

João, há uma diferença grande em saírem 3 com retorno financeiro ou saírem 3 e termos que ir ao mercado sem ter fundos para os substituir.