domingo, 3 de agosto de 2014

Boas indicações



Foi um jogo entretido e bem conseguido, embora com registos diferentes. Uma primeira parte com muita circulação de bola e boa posse. A equipa desdobrou-se muito bem e  reagiu à perda de bola de forma muito organizada. O lado negativo foi a incapacidade de entrar na área e ser mais perigosa no último terço do terreno. O erro do Fabiano que nos custou o golo, foi a nódoa que burrou a pintura. Adrián Lopez movimentou-se, mas não desequilibrou; o último passe raramente saiu; o Everton desceu muito as linhas e houve um grande congestionamento que não soubemos ultrapassar. O ex-Atleti continuou a não mostrar serviço, ao contrário de Óliver Torres  que confirmou ser um reforço. Viu-se muito boa coisa.
Com a entrada de Jackson, a equipa passou a atacar e a meter mais homens na zona de fogo. Tivemos excelentes momentos e chegámos ao golo, depois de uma primorosa jogada colectiva: Brahimi, Herrera e Jackson a facturar. Poderíamos ter marcado mais, mas a bola não entrou. Neste segundo tempo, fomos mais acutilantes e perigosos, mas fomos menos capazes de reagir no momento da perda da bola e o flanco direito do ataque do Everton serviu de caminho para o adversário explorar a fragilidade da nossa defensiva, por aquela banda. E apanhámos alguns sustos. Mas, viu-se muita coisa boa.

Indi mostrou-se e bem, Brahimi tem pinta e Casimiro tem qualidade, mas não sei se é o homem certo para a posição 6. E porque não continuar com Ruben? Martinez mostrou a sua raça. Foi um bom dia de trabalho e estivemos bem acima do que fizemos com o Saint Etienne. Tello fez uma jogada com a sua marca, tentou movimentos interiores de ruptura que não resultaram, mas ainda não entusiasmou. Viu-se coisa muito boa, individualmente,
Nota de rodapé: os comentadores de serviço não são capazes de fazer o seu trabalho sem atentar nas cores das camisolas. Também tu, Freitas Lobo.


3 comentários:

Nuno Fonseca disse...

Também gostei bastante deste teste. Fiquei surpreendido com Torres mais descaido para a esquerda e Brahimi mais deslocado para o meio. Fiquei surpreendido pela forma como resultou tão bem para eles individualmente. Maicon e Indi mostraram liderança, e concentração. Fabiano teve um erro íncrível na pior altura para ter este tipo de erros, quando acaba de chegar concorrência. Jackson parece mesmo ser reforço (em termos mentais) e isso é grande notícia. Estou esperançado em coisas boas.

Jorge Vassalo disse...

Como dizia Sá de Miranda "umas vezes m'espanto, outras m'avergonho".

Olho em volta na bluegosfera e fico atónito com críticas a sistemas de jogo, a inépcias de ataque e a questões de organização quejandas.

Meus amigos, o Porto entrou a testar jogar sem Ponta de Lança (PL). Julen Lopetegui sabe que não pode fazer testes de sistema de jogo frente ao Marítimo ou contra o adversário da Pré Eliminatória da Champions. Fê-los - e bem! - agora.

Adrian não é PL. Será um extremo e, ou muito me engano, ou uma fortíssima concorrência a Quaresma. Os jogadores novos estão a conhecer os colegas, a assimilar processos.A tabela de Herrera só foi possível porque ele conhece o Jackson.

Dêem a vós próprios uns minutos e visualizem um Brahimi a já conhecer as preferências de Tello, Jackson ou Adrián. Pois, é para aí que caminhamos.

Danilo esteve mal? Danilo está a anos-luz do que se viu o ano passado. Forte nos cortes, a subir no terreno, a distribuir jogo e até a fazer cruzamentos!

E Indi é lento? Querem o quê, um Usain Bolt? Indi jogou pela PRIMEIRA vez no Porto com uma segurança de quem já está nesta casa há milénios, optimamente entrosado com Maicon (este, um senhor capitão, forte e seguro), e sem nenhum medo de ser agressivo. Auguro aí um Bicho II.

Temos tanto talento no meio campo e nas alas que estou seriamente a pensar que ninguém tem titularidade assegurada. Mais, acho que esta semana é decisiva para um Reyes, Ricardo, Sami, Kelvin, Evandro ou Carlos Eduardo. Cortes no plantel terão de ser feitos e, se qualquer um destes poderia ter sido - ou foi! - titular no tempo da galinha, agora nem cabem nas opções... até ver.

Por falar nesse senhor pénis, já viram a diferença abissal entre Porto under construction e o melhor Porto do tempo da Galinha?? Pois!

Lopetegui está a dar espaço à titularidade de um rapaz de 17 anos - e eu acho bem. Embora tenha adorado aquela bomba de meio campo do Casemiro!

E Jackson está com a cabeça cá - óptimo. Concorrência não lhe faria mal.

Já agora, da "armada espanhola" conto 3, e um deles (ou vários!) pode nem ser titular - Adrián, Oliver e Tello!

Socorro, fujam! Estamos a ser invadidos! Tanto drama....enfim.

Estou confiante e digo mais, naquela flash interview de antologia, Julen Lopetegui mostrou ser aquilo que vi no Dragão. Um treinador forte, seguro, determinado, que não verga aos opinion makers, mas humilde e sereno, não como certos Messias da Desgraça e da Chiclete um bocadinho mais a Sul.

Adorei.

Luís Vieira disse...

Não vi o jogo, mas pelo que li e pelo que vi no resumo, parece que o Porto dominou o Everton, embora não tenha construído grandes oportunidades de golo. Parece haver evolução no estabelecimento de uma matriz de jogo (posse apoiada, com pressão alta, na senda da escola espanhola do passado recente) e, muito embora, os resultados não deslumbrem, a equipa parece estar a assimilar os princípios de jogo que o Lopetegui pretende ver implementados. Para início de conversa, não está mau. Empatar em casa do Everton não se pode dizer que seja negativo, principalmente quando o Porto foi a equipa que mais fez para ganhar. Os principais destaques da pré-época continuam a evidenciar-se (Maicon, Rúben Neves, Herrera, Óliver), sendo que, ontem, houve 3 novas aparições, do ponto de vista das boas exibições: Indi (que jogou os 90 minutos, quiçá para ambientar-se rapidamente com o seu parceiro, naquela que será a provável dupla de centrais titulares), Brahimi e Jackson (vindos do banco, agitaram o jogo e participaram activamente na jogada do golo). Aguarda-se por boas novas dos restantes reforços (designadamente Adrián, que tem jogado fora de posição, Tello, que precisa de minutos e consistência, e Casemiro, ainda em processo de aculturação). A próxima semana de preparação e o derradeiro jogo de pré-época já deverão ser mais elucidativos quanto à constituição final do plantel e à definição de um onze-base, uma vez que em 11 dias teremos o primeiro jogo oficial. Nota final para a rábula do Fabiano: ironia das ironias, quando muito se discute a sua posição, deu um argumento evidentíssimo ao treinador para afastá-lo da titularidade; o fraco jogo de pés ficou clamorosamente à mostra, pelo que não me admiraria nada que no próximo jogo o Andrés Fernández começasse na baliza, relegando o brasileiro para o banco.