terça-feira, 16 de setembro de 2014

A irrelevante contratação de Otávio

O JOGO, 13-09-2014
As SAD’s são obrigadas a comunicar ao mercado todos os factos relevantes mas, o que é um “facto relevante”?

Na realidade, não há uma regra minimamente objectiva que defina o que são “factos relevantes”, ficando ao critério das sociedades desportivas decidir o que entendem como sendo “relevante” para a vida da empresa.

Peguemos no exemplo de Otávio. Através de notícias que chegaram do Brasil, soube-se que a FC Porto SAD investiu 3,25 milhões de euros em 50% do passe de Otávio, ficando os restantes 50% na posse do próprio Otávio (15%), dos seus representantes (20%) e de um grupo de empresários japoneses (15%).

3,25 milhões de euros por 50% do passe (significa que a totalidade do passe de Otávio foi avaliada em 6,5 milhões de euros), não parece ser irrelevante, mas a FC Porto SAD entendeu o contrário e, por isso, não efectuou qualquer comunicado.

Qual é o critério da FC Porto SAD para comunicar a contratação de jogadores?

Vejamos. Neste defeso, a FC Porto SAD elaborou comunicados, que enviou à CMVM, acerca das seguintes contratações:

12/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Adrián López

15/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Martins Indi

16/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre empréstimo do jogador Cristian Tello

19/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre o empréstimo do jogador Casemiro

23/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre aquisição dos direitos desportivos do jogador Brahimi

24/08/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Aboubakar


Por que razão é comunicada a contratação de 30% do passe de Aboubakar e não é comunicada a contratação de 50% do passe de Otávio?

Por que razão são comunicados os empréstimos de Cristian Tello e de Casemiro e não foram comunicados os empréstimos de Óliver Torres e de José Campaña?

Alguém consegue descortinar um critério minimamente coerente, seguido pela FC Porto SAD, para comunicar ou não-comunicar contratações de jogadores?

Evidentemente, a CMVM tem coisas mais importantes com que se preocupar, mas é, também, por causa deste tipo de (in)coerências que, no mercado de capitais, ninguém leva a sério as sociedades anónimas desportivas e os respectivos grupos empresariais.

11 comentários:

Joao Goncalves disse...

Penso que antes de mais nada temos que esperar pelo R/C e perceber afinal o que raio comprarmos.

Penso que a partir daí poderemos analisar este facto com mais detalhes.

José Rodrigues disse...

Que o criterio para a comunicacao de contratacoes e' muito subjectivo e a SAD o faz de forma muito inconsistente, ja' estou eu aqui farto de o dizer.

O primeiro caso mais gritante foi o da contratacao do Anderson ha' uns anos: segundo os jornais tera' sido a contratacao mais cara de sempre ate' essa epoca, mas nao houve qualquer comunicacao de valores ou % do passe 'a CMVM. A partir dai' fiquei a perceber q a SAD so' comunica o q lhe "da' na telha", ou o q lhe da' jeito (por ex, nao tera' dado muito jeito comunicar a contratacao de Ghilas, tendo sido muitissimo mais caro do q vinha nos jornais).

Como o Joao Goncalves diz, so' com o R&C e' q ficamos a saber alguma coisa de concreto (na "big picture"). O q ja' nao e' nada mau, diga-se de passagem (ha' 10 anos atras, nem isso).

meirelesportuense disse...

Não percebo nada das regras que regem a CMVM e obrigam à Comunicação de determinadas transferências, se são os valores em causa, se são por imposição de terceiros -imaginem que o Barcelona é obrigado a comunicar um simples empréstimo, e por via disso, o Porto também terá de o fazer em Portugal-, se são por razões estratégicas, tudo pode e deve ser considerado, mas sinceramente, eu considero que nestas coisas quem tem a responsabilidade é que deve saber como proceder e o fará concerteza, eu pessoalmente conto pouco, para já porque se o Clube estiver a ser mal Administrado não vou ser eu a ter de pagar os prejuízos de certeza, já me bastam as cotas que pago pontualmente, sem praticamente ver um jogo sequer em directo e ao vivo. Acredito em quem está lá. Se não acreditasse não queria saber disto para nada.

meirelesportuense disse...

E já agora, viram o Programa 90 minutos à Porto de ontem?...Estava lá tudo no que diz respeito ao jogo Vitória-Porto, discussão, ironia, agressividade quanto baste, imagens esclarecedoras...

Fredy disse...

Então é assim, basicamente os factos relevantes são aqueles que poderão "mexer" de forma acentuada no valor e imagem da SAD.

Por exemplo, o octavio custou 3,25M mas nem o valor é assim tão elevado nem o impacto que ele tem no plantel é grande.

Ja o Tello vem por emprestimo, até podia ter custado 0, mas como é um "grande" nome europeu, considerado que pode fazer a diferença e que é claramente uma mais valia, e por isso poderá afectar bastante o nosso valor e imagem, tem que ser comunicado, que é para os investidores e mercado saberem.

meirelesportuense disse...

50 anos de vitórias europeias

​A 16 de Setembro de 1964, o FC Porto batia o Lyon por 3-0 e conseguia o primeiro triunfo na UEFA

É impossível imaginar, à luz da actual dimensão do FC Porto, vários anos sem vitórias europeias. Mas os primeiros tempos dos Dragões em competições da UEFA foram difíceis: entre a estreia frente ao Athletic Club (que reencontra os Dragões na actual edição da Champions League), em Setembro de 1956, e o primeiro triunfo, no mesmo mês de 1964, passaram oito anos e nove jogos. O encontro com os franceses, que os azuis e brancos venceram por 3-0 (com golos de Custódio Pinto e Carlos Baptista), faz hoje 50 anos, tendo aberto caminho a um percurso em que se incluem agora sete títulos internacionais.

Essa era uma realidade distante da equipa de 1964/65, treinada por Otto Glória e em que se incluíam jogadores como o guarda-redes Américo, o médio Custódio Pinto, o avançado Francisco Nóbrega e o defesa José Rolando, que recordou ao Porto Canal e www.fcporto.pt o encontro que valeu depois aos Dragões a passagem à segunda eliminatória da Taça das Taças (em França, o FC Porto voltou a ganhar, por 1-0). “Fomos superiores, tínhamos jogadores mais rotinados e ganhámos bem. Poderíamos ter ganho por mais se o árbitro não tivesse estragado alguns lances de golo”, recorda.

José Rolando foi titular em ambos os encontros e evocou o espírito do balneário de então: “Éramos quase como irmãos. Todos nos dávamos bem, chorávamos quando as coisas não saíam bem. Íamos para o campo com uma força tremenda para ganhar o jogo”. A mística e o ambiente no estádio, considera o ex-defesa central, não serão muito diferentes; mas o plantel (então com “poucos internacionais”) e as condições de trabalho ficavam a anos-luz do presente.

Actualmente ao serviço do Departamento de scouting, José Rolando foi adaptado pelo treinador José Maria Pedroto a defesa central, quando alinhava maioritariamente como médio, usando a antecipação e a boa leitura de jogo como principais armas. Foi durante vários anos capitão da equipa, ao serviço da qual conquistou a Taça de Portugal, em 1968. “Já na altura dizia: ‘Primeiro está o Porto! Temos de ganhar! O resto é secundário’”, sublinha.

Frederico Cotta disse...

Complementando o que o Fredy disse;

http://www.cmvm.pt/CMVM/Recomendacao/Entendimentos/p_Info_Factos_Rel/Pages/2.aspx

http://www.cmvm.pt/CMVM/Recomendacao/Entendimentos/Pages/dever_legal_de_informacao.aspx

Nesta ultima saliento "O dever de divulgação existe quando esses factos, alterações, insuficiências ou inexactidões não sejam do conhecimento geral e possam influir de maneira relevante no preço das acções."

meirelesportuense disse...

Vi este jogo, não dentro do Estádio, mas fora, naquilo que chamáva-mos de 3º anel, uns telhados e terraços de casas existentes em volta do Estádio num plano superior ao nível máximo da bancada e de onde víamos o jogo mais barato...Nalguns casos sentados no chão, noutros casos em cadeiras ali colocadas como se estivessemos numa esplanada.
-Rolando está como antes, ele e o Rui integram os quadros do Porto, velhinhos, todos cheios de caruncho, o Rolando parece o Rui e o Rui parece o Rolando, pernas arqueadas, cabelos brancos, mas perfeitamente reconhecíveis.

José Correia disse...

"...o octavio custou 3,25M mas nem o valor é assim tão elevado nem o impacto que ele tem no plantel é grande"

O Aboubakar custou 3M e a SAD emitiu um comunicado.

José Correia disse...

"Ja o Tello vem por emprestimo..."

Tal como o Óliver Torres e, no caso do jogador emprestado pelo Atletico Madrid, a SAD não emitiu qualquer comunicado.

S. disse...

Tanto quanto sei, a questão é como o Fredy diz:

Se algo que a SAD faz (neste caso uma contratação) poderá ter uma influência no valor e imagem da SAD, é comunicada.

O Otávio é um jogador de 'futuro', sem grande impacto imediato (pensamos nós), logo não é feito um comunicado, mesmo que tenha custado 3 ME.

O Aboubakar é internacional, de certa forma já conhecido por muitos, logo a sua aquisição foi uma mais-valia para a própria SAD, independentemente de ter só custado 3 ME.

O Tello e o Casemiro vem por empréstimo com opção de compra. A sua rentabilidade imediata pode levar com que o Porto compre os passes, logo é de interesse do mercado.