segunda-feira, 29 de setembro de 2014

“O FC Porto nunca poderá ter um dono”

Revista 'Tripeiro' (Setembro 2011)
O FC Porto tem o nome da cidade e o escudo da cidade no emblema, portanto seria impossível e absolutamente impensável esquecermos o Porto e a nossa região pelo facto de hoje sermos conhecidos em todo o mundo e sermos dos clubes com mais vitórias internacionais em toda a Europa. Tenho muita honra em que o FC Porto seja um clube mundial, mas nunca esqueço nem as nossas origens nem aqueles que à nossa volta vivem o dia-a-dia do clube.”


Os investidores só entrarão no FC Porto se for essa a nossa vontade. O clube tem neste momento 40% das acções e é difícil a quem quer que seja conseguir 51%. Portanto, só com um entendimento é que isso é possível. Além do mais, os estatutos da SAD conferem ao clube o direito de escolher o presidente. Naturalmente, qualquer presidente do FC Porto que venha a presidir à SAD acautelará certamente os interesses do clube. Outra coisa é fazer parcerias, e temos de caminhar nesse sentido. Acho que o FC Porto nunca poderá ter um dono. O FC Porto tem de ser dos sócios. Os sócios é que têm de ser os donos.”


Estas afirmações foram feitas por Jorge Nuno Pinto da Costa, no dia 9 de Agosto de 2011, durante um almoço com Rui Moreira (na altura, presidente da Associação Comercial do Porto) e com o jornalista Luís Costa, e fazem parte de uma extensa entrevista publicada na revista ‘O Tripeiro’ de Setembro de 2011.

Naturalmente, estou 100% de acordo com estas afirmações de Pinto da Costa, nomeadamente de que o Futebol Clube do Porto nunca poderá ter um dono.

Mas não chega afirmá-lo e manifestar essa vontade. É preciso criar condições objectivas para isso. É preciso criar condições para evitar que, no futuro, devido a fragilidades financeiras, os sócios do Futebol Clube do Porto sejam compelidos a aceitar que a SAD do FC Porto vá parar às mãos de um qualquer Peter Lim.

Ora, para que a SAD do Futebol Clube do Porto seja dos sócios, confirme Pinto da Costa diz que deve ser, é preciso que o CLUBE continue a mandar na SAD. E, para isso, tem de ter a maioria do Capital e dos Direitos de Voto na FC Porto SAD.

Mas, como é que um Futebol CLUBE do Porto enfraquecido, sem património (50% do Estádio do Dragão vai ser transferido para a SAD) e com poucas receitas poderá, no futuro, manter a maioria do Capital e dos Direitos de Voto na FC Porto SAD?

Esta é uma questão de fundo, para os Associados do Futebol Clube do Porto refletirem, e que está por trás das assembleias gerais da SAD e do Clube agendadas para a próxima quinta-feira.

40 comentários:

Joao Goncalves disse...

José,

Eu não quero ser o mau da fita e estar sempre do contra mas... desde quando é que o clube é dos socios?

Por acaso os sócios foram tidos ou achados quando as cotas passaram para a SAD?

Por acaso achas que os sócios vão ser tidos ou achados nesta passagem de 50% do Estádio para o clube?

Mas isto ainda são tretas que "não" interessam a ninguém... agora coisas que interessam aos sócios...

Onde é que os Sócios foram tidos ou achados quando se resolver instinguir o Basket do clube?

Onde é que os Sócios foram tidos ou achados aquando da manutenção interminável de PF no comando da equipa?

Onde é que os Sócios foram tidos ou achados aquando a mudança dos seus lugares anuais e da alteração da quatização anual do clube?

São palavras bonitas o clube ser dos Sócios, mas num clube profissional os sócios não tem qualquer poder concreto para além de aparecerem no Estádio/Pavilhão e escolher as equipas que supostamente são contratadas e geridas por profissionais escolhidos para o efeito.

meirelesportuense disse...

Perante a Lei o FCdoPorto nunca poderá ter a maioria do capital da SAD, neste momento, tem o máximo que lhe é permitido por Lei. Mas isso não impede que se consigam outros mecanismos que permitam atingir uma mais larga influência dentro da SAD embora eu confie em Pinto Costa e este deve ter um voto de qualidade nas decisões da SAD. E também confio em outros elementos da SAD por exemplo em Fernando Gomes que sempre me pareceu ser um grande Portista, por isso eu não tenho grandes apreensões relativamente ao futuro, estes homens fizeram esta enorme obra que é expressa no património actual do FCdoPorto, não acredito que façam, agora que estão nos fim das suas vidas, exactamente o oposto do fizeram até aqui.O FCdoPorto de 2014 não tem nada a ver com o FCdoPorto de 1980. O anterior complexo Desportivo das Antas não tem nada a ver com o que existe hoje. Temos ali duas obras exemplares.Temos um igualmente exemplar Campo da Constituição. Temos um complexo Centro de Treinos que nos está garantido por uma série de anos a valores perfeitamente aceitáveis e suportáveis. De que temos medo afinal? Vamos confiar nestes homens que fizeram obra e podemos sim exigir que eles garantam que na sua ausência, nada disto nos possa vir a ser retirado.

José Rodrigues disse...

Caro João

Mais não seja, os sócios têm o poder de ao fim de 3 anos por de lá fora o presidente e eleger outro caso nao gostem do rumo q o clube está a levar.

E isso será fundamental no pós-PdC (que mais ano menos ano vai acontecer), já q os próximos presidentes nao terão nem pouco mais ou menos o consenso q PdC granjeou nas ultimas 2 décadas.

Contraste-se isso com a alternativa de uma SAD em q a maioria dos votos e poder está nas maos de um indivíduo q só lá está para sugar dinheiro ou q pura e simplesmente é incompetente. Cenários hipotéticos mas bem possíveis (veja-se os casos de Malaga ou Leeds, por exemplo).

José Correia disse...

"Eu não quero ser o mau da fita e estar sempre do contra mas..."

Caro João Gonçalves, não o vejo como o "mau da fita".
Pelo contrário.
Vejo-o, isso sim, a assumir aqui posições semelhantes às que são assumidas por grande parte dos sócios/adeptos portistas (que eu conheço) em discussões de café.

José Correia disse...

"...desde quando é que o clube é dos socios?"

O João Gonçalves está, novamente, a fazer confusão.

O Futebol CLUBE do Porto é uma agremiação desportiva, que não está, nem nunca estará à venda, porque pura e simplesmente não é vendável.

O que pode ser comprado e vendido são as acções da FC Porto SAD, da qual, nesta altura, o CLUBE detém, apenas, 40% do respectivo Capital e Direitos de Voto.

Ora, pode-se dizer que a FC Porto SAD é dos sócios (pelo menos indirectamente), enquanto o CLUBE mandar na SAD.

José Correia disse...

"Por acaso os sócios foram tidos ou achados quando as cotas passaram para a SAD?"

Não tenho a certeza se este assunto foi discutido, de forma explicita ou implícita numa AG do Clube.
Mas, se não foi, deveria ter sido.

José Correia disse...

"Por acaso achas que os sócios vão ser tidos ou achados nesta passagem de 50% do Estádio para o clube?"

Os sinais que existem nesta altura é que a Direcção do Futebol Clube do Porto não pretende discutir este assunto com os associados do Clube.
Se assim for, na minha opinião faz mal, muito mal.

José Correia disse...

"São palavras bonitas o clube ser dos Sócios, mas num clube profissional os sócios não tem qualquer poder concreto..."

Conforme referiu o José Rodrigues num comentário acima, os sócios do Futebol Clube do Porto têm o poder de escolher o presidente e os restantes órgãos socias do Clube.

E, consequentemente, enquanto o Clube mandar na SAD, têm o poder de, indirectamente, decidirem os destinos da FC Porto SAD.

José Correia disse...

"Vamos confiar nestes homens que fizeram obra e podemos sim exigir que eles garantam que na sua ausência, nada disto nos possa vir a ser retirado"

Caro "meirelesportuense", em que tipo de garantias está a pensar?

É capaz de nos dar um ou dois exemplos concretos?

Luís Vieira disse...

O Presidente, na entrevista que concedeu no passado fim-de-semana ao Porto Canal, implicitamente deu a entender que a venda das participações sociais da EuroAntas é uma forma de: 1. Cumprir o fair play financeiro imposto pela UEFA; 2. Evitar a aquisição do clube por um qualquer multimilionário de origem extravagante. Naturalmente, tratou-se de um aviso à navegação: ou se faz esta venda ou acontecerá algo pior (sanções "uefeiras"/rendição aos petrodólares). Não é a solução ideal, mas atendendo às circunstâncias financeiras (dificuldade de acesso ao crédito, diabolização e proibição latente dos fundos, rigor imposto pelo fair play) é a solução possível. Num mundo idílico, o clube seria dono e senhor dos seus destinos sem ter de responder a ninguém. Na realidade portuguesa, e se se quiser manter a capacidade competitiva ao nível das principais ligas europeias, este tipo de manobras, infelizmente, é necessário, face às restrições impostas pelos mais diversos quadrantes. A não ser assim, assistir-se-á a um downsizing com a consequente "holandização" dos grandes clubes portugueses. Fair play financeiro cumprido, fundos afastados, jogo limpíssimo e resultados europeus confrangedores. As pequenas e médias equipas do nosso campeonato já passaram por esse processo e veja-se a pobreza franciscana a que se reduziram. Nós continuamos a esbracejar à tona da água para manter um certo estatuto, mas os alarmes já vêm soando há bastante tempo (o último dos quais pelo Angelino Ferreira, no Grande Área). Estamos na corda bamba, sem rede. Se correr bem, fantástico. Se correr mal, vamos penar. Em suma, na pureza das coisas, não gosto de ver estas manigâncias financeiras acontecerem no meu clube, mas compreendo as circunstâncias que as tornam (ou fazem parecer) necessárias. Como dizia o outro, "é uma faca de dois legumes". Nota final para uma abordagem mais concreta à questão da sucessão pelo Pinto da Costa: disse ele que se saísse hoje do clube, haveria quem o substituísse amanhã, sem problema nenhum, e que num futuro processo eleitoral a solução poderá partir do interior, não se descartando a possibilidade de alguém se candidatar "de fora". Mais uma vez, nas entrelinhas, fica a ideia de que o Presidente dá apoio tácito a uma hipótese interna, em detrimento de uma hipótese externa. Resta saber se tem preferência na figura (Antero Henrique, Adelino Caldeira, Fernando Gomes e quejandos) ou se lhe é indiferente, uma vez que se referiu "à equipa". Muito interessante esta inflexão no discurso no que toca à sucessão. Isto para dizer que os que trabalham com ele, aparentemente, seguem a mesma linha de raciocínio expressa na entrevista à "Tripeiro".

Joao Goncalves disse...

Caro José Correia,

Eu em nenhum local disse que era a minha opinião pessoal ou convicção de como as coisas deveriam ser, mas sim a constatação dos factos e nada mais do que essa realidade.

Seja em que clube for ou em que País for, o "poder" dos sócios acabam-se nas eleições e mesmo esses podem ser "domados" como quem de poder os quiser domar... somos todos cordeirinhos.

Joao Goncalves disse...

E pelo que percebi da entrevista, mesmo que alguém adquira 51% o FCP Clube, estatutáriamente, continua a escolher o Presidente da SAD.

E eu não estou a fazer confusão nenhuma José... para o bem e para o mal até tenho formação académica da área e sei claramente separar SAD's de Clube Desportivo... agora a Administração do FCP SAD sabe separar essas coisas? É que pelos passos que tem sido dados, claramente não sabem...

Aliás, se eu quisesse ser má língua, com os passos todos dos últimos anos, privando o clube de sustentabilidade própria e migrando as receitas para a SAD e agora com a passagem de 50% do Estádio para a mesma, já com as modalidades em gestão autonoma a somar aos unicos 40% que o clube detem das acções sem uma outra qualquer solucção como já exisitiu, eu diria que tudo está a ser preparado para um Takeover externo num futuro a médio prazo.

José Correia disse...

"...o "poder" dos sócios acabam-se nas eleições e mesmo esses podem ser "domados" como quem de poder os quiser domar... somos todos cordeirinhos..."

Caro João Gonçalves, percebo algum desencanto nesta sua afirmação mas, enquanto estiver nas mãos dos sócios escolher, de 3 em 3 anos o Presidente do Futebol CLUBE do Porto e, indiretamente, o Presidente da FC Porto SAD, nem tudo está perdido.

Pior, muito pior, são casos como o do Beira Mar ou Belenenses.
Conhece?
O João Gonçalves, os Associados do Futebol CLUBE do Porto, querem seguir o mesmo caminho?

José Correia disse...

"...privando o clube de sustentabilidade própria e migrando as receitas para a SAD e agora com a passagem de 50% do Estádio para a mesma, já com as modalidades em gestão autonoma a somar aos unicos 40% que o clube detem das acções sem uma outra qualquer solucção como já exisitiu, eu diria que tudo está a ser preparado para um Takeover externo num futuro a médio prazo"

Caro João Gonçalves, antes de mais nada digo-lhe que gostava de o conhecer, para trocarmos algumas impressões acerca do presente e futuro do FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Perante o cenário que traça em cima, o que acha que os Associados do Futebol CLUBE do Porto deverão fazer?

Encolher os ombros e ficar em casa?

Irem à AG da próxima quinta-feira e, silenciosamente, nada questionarem ("quem vota a favor, deixe-se estar como está...")?

Joao Goncalves disse...

Eu acho que os associados deveriam passar a moção de passar "provisóriamente" os 50% do Estádio para a SAD com uma data de retorno fixo em X anos (isto para o clube não entrar em incomprimento do Fair Play Financeiro e receber algum dinheiro ao invés de ter de pagar).

Em contrapartida deveria passar em moção que se criaria uma Empresa do Grupo liderada pelos mesmos orgãos sociais do Clube, ou seja eleito pelos socios, que adquiriria 11% das acçãos do FCP até o Setembro de 2017, anexando essa aquisição a uma % das mais valias dos jogadores que serão vendidos nos próximos 6 periodos de tranferências. Essa empresa teria nos seus estatutos a impossibilidade de transaccionar esses titulos a menos que os Sócios dessem esse poder aos orgões sociais em Assembleia Geral.

Seria este o trade-of que interesseria ao clube e ao mesmo tempo responderia às necessidas imediatas de cumprir o Fair-Play Financeiro.

José Correia disse...

"...os associados deveriam passar a moção de passar "provisóriamente" os 50% do Estádio para a SAD com uma data de retorno fixo em X anos..."

E como é que o João Gonçalves sugere fazer (operacionalizar) esta moção?

O João Gonçalves já foi a alguma AG do Clube?

Já tentou numa AG do Clube, falar sobre assuntos que não estejam relacionados com a Agenda (Ordem de Trabalhos)?

José Correia disse...

"...deveria passar em moção que se criaria uma Empresa do Grupo liderada pelos mesmos órgãos sociais do Clube, ou seja eleito pelos sócios, que adquiriria 11% das acções do FCP até o Setembro de 2017..."

Por que não, tal como o Clube já fez no passado, recorrer a uma SGPS?

José Correia disse...

"...tratou-se de um aviso à navegação: ou se faz esta venda ou acontecerá algo pior (sanções "uefeiras"/rendição aos petrodólares)..."

Caro Luís Vieira, é sócio do Futebol Clube do Porto?

Acha mesmo que esta venda é inevitável e que não haveria outra(s) alternativa(s)?

E se acha que esta é a única alternativa, é capaz de explicar como é que uma SAD que, nos últimos 10 anos, vendeu "Ativos" (leia-se, vendeu passes de jogadores) no valor de centenas de milhões de euros, chega a este ponto de "inevitabilidade"?

José Correia disse...

"Na realidade portuguesa, e se se quiser manter a capacidade competitiva ao nível das principais ligas europeias, este tipo de manobras, infelizmente, é necessário..."

Acredita mesmo nisto?

Acha que se o Clube não aceitar "vender" (transferir para a SAD) 50% do Estádio do Dragão, a SAD fica irremediavelmente menos competitiva?
Porquê?

Na prática, e após esta engenharia financeira ("venda" do Estádio + Aumento de Capital da SAD), sabe quanto dinheiro REAL vai entrar na SAD?

José Correia disse...

"A não ser assim, assistir-se-á a um downsizing com a consequente "holandização" dos grandes clubes portugueses. Fair play financeiro cumprido, fundos afastados..."

Por favor, não misturemos as coisas.

Uma coisa é o recurso a Fundos de Investimento e/ou a empréstimos de jogadores, algo que eu defendo como estratégia para manter a qualidade/competitividade do plantel.

Outra coisa, completamente diferente, é a engenharia financeira que a SAD irá fazer, para cumprir critérios contabilísticos, à custa do CLUBE (que, nesta operação, irá abdicar de 50% do Estádio do Dragão).

José Correia disse...

"...os alarmes já vêm soando há bastante tempo (o último dos quais pelo Angelino Ferreira, no Grande Área)"

Sim, eu vi e ouvi o que disse Angelino Ferreira nesse programa.

Olhe, uma das coisas que ele disse é que é insustentável a SAD continuar a "deitar pela janela fora" cerca de 10 milhões de euros todos os anos no pagamento de juros (encargos financeiros).

Se a SAD reduzisse drasticamente estes cargos, isso sim, iria contribuir para sermos mais competitivos porque, em vez de "deitar esse dinheiro fora", o mesmo poderia ser usado em salários ou na contratação de jogadores.

O que é que o Luís Vieira pensa disto?

Joao Goncalves disse...

A grande questão é porque se decidiu acabar com a SGPS? Foi apenas um processo de capitalização ou houve alguma coisa por detrás disso?

E depois fosse qual fosse o sistema, teria que haver uma normativa que limitasse a acção dos administratores para remeter sempre a decisões a serem retificadas na Assembleia Geral do Clube e não da SAD.

Se bem me lembro, aquando da dicisão da venda/extinção da SGPS, não houve qualquer consulta aos sócios do clube.

Joao Goncalves disse...

Mas José... aí voltamos ao ínico da conversa e ao meu desencantamento com o clube a nível de deixar participar os sócios em decisões mais amplas.

As Assembleias são marcadas para que a ordem de trabalho seja aprovada o mais depressa possivel sem que haja muito "barulho" e os pontos são "dramáticamente" apresentados para não haver real oposição.

O que disse acima era o que deveria ser feito para acautelar os interesses do clube e quem deveria estar a tratar disto deveriam ser os administratores que são altamente bem renumerados para defender os interesses do clube.

Se me perguntas como é que se poderia levar a administração a ter em conta este tipo de porpostas (ou outras) a resposta é simples: Negar a passagem dos 50% do Estádio para a SAD.

De seguida apresentar ao Presidente da Assembleia uma moção legalmente defenida para a realização de uma Assembleia Extraordánária de Sócios (penso ser necessário x assinaturas para a convocação mas não estou exactamente a par do que é necessário) com a ordem de trabalhos assima descrita a ser apreciada.

O que vai acontecer: A Assembleia Geral vai aprovar a passagem dos 50% do Estádio para a SAD e a meia duzia de Portistas preocupados com isso, vão ser deixados a falar sozinhos por esta Net fora.

José Correia disse...

Caro João Gonçalves, tudo isso é muito bonito, mas tudo indica que na próxima AG do Clube nem sequer vai ser discutido (e muito menos deliberado) a passagem de 50% do Estádio do Dragão para a SAD.

Sugiro que leia os comentários do artigo 'Ordem de Trabalhos da AG do Clube'
http://www.reflexaoportista.pt/2014/09/ordem-de-trabalhos-da-ag-do-clube.html

Joao Goncalves disse...

Se bem interpretei a convocatória aquando da saída da mesma, o ponto numero 1 da ordem de trabalhos é subsconsequente da aprovação da AG da SAD da passagem de 50% do Estádio para a SAD em si pois só irá haver a passagem de 50% do Estádio para a SAD se houver reforço das acções pertencente ao clube.

E mais deixo uma questão... é estatutáriamente permitido haver uma "venda" de 50% de um bem alocado ao património do clube, com claro impacto do valor deste, sem suporte positivo de uma Assembleia Geral de Sócios? Eu tenho as minhas duvidas sobre o efeito...

E como tal então levanto a questão... será que a maneira "engenhosa" dos planos de trabalho como está feita esta ordem de trabalhos desta Assembleia Extraordinária, não será para fazer a aprovação da passagem de meio estádio para a SAD sem que isso esteja completamente implicito?

Já vi muita coisa e isso não me admiraria...

Luís Vieira disse...

Caro José Correia, com o devido respeito, não tenho de dar satisfações desse cariz para validar a minha opinião. Sempre houve a tentação em alguns portistas, para princípio de conversa, em exigirem credenciais aos demais interlocutores nas questões sensíveis do clube, quiçá para fazer a destrinça entre filhos e enteados. Não sei se é esse o seu intuito, atendendo aos constantes reptos que tem provocado, mas digo-lhe de permeio: a opinião de um sócio, de um administrador, de um funcionário, de um adepto ou de um simpatizante, desde que portista, para mim tem a mesma validade. Que é o que se trata aqui, neste blog: opinião portista (que eu saiba não estamos em AG para exigir uma certa qualidade). Adiante. Nada é inevitável. A inevitabilidade só é certa em relação a uma coisa: a morte. Por isso, a venda de 50% da EuroAntas não seria inevitável, haveria sempre solução alternativa, como ainda há. Contudo, é de muito difícil aplicação, tendo em conta as opções estratégicas e o modelo de gestão da SAD (assente no risco há já largos anos), se se quiser cumprir atempadamente o fair play financeiro. A pedra de toque nesta questão reside aqui: na veia justiceira do Platini & friends que nos puseram entre a espada e a parede. Prosaicamente, a coisa é simples de resumir: o Porto tem de ser capaz de gerar mais receitas do que despesas. Algo que não tem sido capaz, por apostar na propalada gestão de risco. Até agora esse tipo de gestão foi possível, sem se levantarem grandes ondas do ponto de vista internacional. A partir de agora, é finito. O Porto está a lidar e a operar numa realidade completamente diferente e está em fase de ajustamento. Primeiro buraco no porta-aviões? Esta venda tão contestada. Repito: não estou de acordo com a perda de parte da propriedade do Estádio do Dragão pelo clube (como acredito que nenhum portista estará), contudo entendo o acto no circunstancialismo passado, actual e futuro. Posto isto, e tentando responder detalhada e cronologicamente às questões suscitadas: 1. Havia alternativas, que a serem executadas em tempo útil implicariam imediatamente o downsizing do clube. 2. A gestão passada, apesar de bem sucedida, foi de risco e o risco está a revelar-se na sua plenitude agora, forçado por uma situação indevidamente ponderada. 3. Sim, no presente, acredito. 4. Sim, fica, porque exposta às sanções da UEFA e ao consequente afastamento da sua melhor e maior fonte de receita (directa e indirectamente): as competições europeias. 5. Na convocatória fala-se em 37,5M €. Se é real ou não, não sei, nem o José Correia, por isso não se pode afirmá-lo, nem o seu contrário. Para isso teríamos de nos candidatar à tesouraria da SAD para contar as notas ou, quiçá, enveredar pelo misticismo. Prefiro fazer fé naquilo que nos é dito, até que me provem outra coisa. Devolvo a invectiva: por favor, misturemos as coisas, porque estão interligadas. Não estamos em laboratório a isolar factores. Estamos antes a analisar realidades que se entrecruzam, quer se queira, quer não. Fair play financeiro, fundos, aumento de capital, venda de participações sociais são tudo peças do mesmo tabuleiro, necessariamente misturadas.

José Correia disse...

"Caro José Correia, com o devido respeito, não tenho de dar satisfações desse cariz para validar a minha opinião. Sempre houve a tentação em alguns portistas, para princípio de conversa, em exigirem credenciais aos demais interlocutores nas questões sensíveis do clube, quiçá para fazer a destrinça entre filhos e enteados."

Caro Luís Vieira, não se zangue, porque não é nada disso.

Se fosse sócio do Futebol Clube do Porto e tencionasse ir à AG do Clube da próxima quinta-feira, teria todo o gosto em me encontrar consigo e trocar umas impressões antes do início da mesma.

José Correia disse...

"...o Porto tem de ser capaz de gerar mais receitas do que despesas. Algo que não tem sido capaz, por apostar na propalada gestão de risco. Até agora esse tipo de gestão foi possível, sem se levantarem grandes ondas do ponto de vista internacional. A partir de agora, é finito. O Porto está a lidar e a operar numa realidade completamente diferente e está em fase de ajustamento..."

Estou de acordo que a SAD tem de ser capaz de equilibrar as receitas com as despesas.

Contudo, a transferência de 50% do Estádio do Dragão do CLUBE para a SAD + o Aumento de Capital são "balões de oxigénio" que o clube dá à SAD e não um reequilíbrio entre Despesas e Receitas.

Se o tal ajustamento de que o Luís Vieira fala (eu ainda não vi nada) não resultar e continuar a existir um desequilíbrio crónico entre Despesas e Receitas, daqui a uns anos o que é que vai acontecer?
A SAD "engole" os outros 50% do Estádio do Dragão?

José Correia disse...

"Na convocatória fala-se em 37,5M €. Se é real ou não, não sei, nem o José Correia, por isso não se pode afirmá-lo, nem o seu contrário. Para isso teríamos de nos candidatar à tesouraria da SAD para contar as notas ou, quiçá, enveredar pelo misticismo."

Caro Luís Vieira, não é uma questão de misticismo.

A SAD vai comprar ao CLUBE acções da EuroAntas correspondentes a 50% do Estádio do Dragão.

O CLUBE vai pegar no dinheiro que vai "receber" da SAD e vai comprar acções da própria SAD neste Aumento de Capital.

Por isso é que eu digo que dinheiro novo, dinheiro real a circular, não me parece que vá haver.

Luís Vieira disse...

Caro José Correia, não estou zangado, tive o cuidado de questionar a sua intenção e de não acusá-lo directamente daquilo que me parece uma tendência em alguns sócios portistas. Foi mais um desabafo genérico, tendo em conta a atitude elitista que, por vezes, pulula na sociedade portista. Convém relembrar que ser sócio, actualmente, é um luxo que grandíssimos portistas não podem/conseguem sustentar. Por outro lado, há sócios de ocasião, que de portistas têm muito pouco. Mas isto são contas de outro rosário, pelo que lhe agradeço a amabilidade, que não posso devolver, por motivos profissionais. Em todo o caso, fica o convívio combinado para futuras ocasiões, com todo o gosto. Relativamente à opinião do Angelino Ferreira (ainda não tinha visto no anterior comentário), concordo que a diminuição dos encargos sobre empréstimos deverá ser prioritária, contudo, o que é certo é que a SAD se tem revelado incapaz para, em simultâneo, garantir um plantel valioso e fazer face aos desafios financeiros. Por causa disso, o Angelino Ferreira bateu com a porta, uma vez que preconizava o downsizing de que venho falando, peremptoriamente afastado pelos seus congéneres. Está por provar que o Porto consiga os mesmos desempenhos, com a canga da austeridade a pesar na constituição das equipas, mas, isso sim (a austeridade), parece-me uma necessidade a curto/médio-prazo, se as premissas do fair play financeiro e da proibição de fundos se mantiverem. A urgência desta venda e do aumento de capital relaciona-se com o que o José Correia refere: é um autêntico "balão de oxigénio" para podermos respirar enquanto mantemos a aparência de que pertencemos à classe média europeia. A dura e triste realidade é que já não pertencemos e apenas com medidas conjunturais deste género vamos mantendo uma certa ilusão. As medidas estruturais serão mais complexas e passarão pelo aumento da receita (merchandising, bilhética, expansão além-fronteiras, investimento exterior controlado, melhores desempenhos na europa, direitos televisivos, etc.) e pela diminuição da despesa (encargos, salários, fornecimentos não essenciais, comissões, contratações sobrevalorizadas). Enfim, teremos de fazer uma gestão menos arriscada e mais consentânea com a realidade nacional e os ditames da UEFA, um pouco à imagem do que aqui se vem pedindo. O Porto e o Benfica, nos últimos anos, andam a brincar à teoria dos jogos económicos, a ver quem mais arrisca, mas tarde ou cedo terão de arrepiar caminho, porque na roleta russa não se escapa sempre por um triz. A não ser que a macroeconomia se modifique e que as tendências da política desportiva internacional dêem um flic-flac à retaguarda. Se não houver o tal ajustamento, acredito em tudo: na compra da totalidade do estádio pela SAD, na cedência do naming do mesmo, na aparição de um messias endinheirado, enfim, na busca desenfreada pelo vil metal. Para um romântico da bola como eu, será terrível. Mas para a sobrevivência ao mais alto nível, mantendo-se os vícios antigos, é um caminho sem retorno. Quanto ao último aspecto, é verdade que, sendo os negociantes a SAD e o Clube, a circulação de dinheiro será feita entre portas, mas existirá, até porque os valores do aumento de capital e da venda das participações sociais não são coincidentes. É como lhe digo: aceito, mas com muitas reservas e enfâses.

meirelesportuense disse...

Por exemplo que o representante do Clube no Conselho de Administração da SAD tenha reconhecidamente um voto de qualidade, ou que o Presidente da SAD seja sempre indicado pelo Clube e este tenha, dentro da Administração da SAD o direito de Veto. Dois exemplos, duas fórmulas simples, que decorrem apenas de questões burocráticas e ou administrativas.
Desculpem mas o mais importante, foi hoje o Porto ter conseguido um empate, embora já nos descontos, mas foi um resultado positivo totalmente merecido, depois de um sofrimento desnecessário provocado por dois erros infantis.

meirelesportuense disse...

"A SAD vai comprar ao CLUBE acções da EuroAntas correspondentes a 50% do Estádio do Dragão."

Pelo que li a SAD dispôe-se a comprar até(!) 50% da EuroAntas o que significa que pode comprar 49,9% e deixar 50,1% nas mãos do Clube...Mas elucidem-me, como é sugerido, a EuroAntas é na prática, o Estádio do Dragão? Se é, então o Clube tem neste momento 100% do Estádio!
Se tem 100% do Estádio, então pode e deve decidir alienar apenas uma percentagem inferior a 50% e assim garantir a sua posição maioritária!
-Estamos constantemente a mergulhar numa discussão cheia de pontos nebulosos.
Mesmo que o Clube mantenha essa maioria nas particpações da EuroAntas isso garante uma estabilidade apenas temporáriamente, estabilidade que desaparece se surgir uma pessoa que queira mesmo destruir o Clube. O mais importante é saber quem temos ao leme do Clube e dar-lhe meios que garantam, que ele pode defender os seus interesses. Na minha opinião Jorge Nuno tem sido esse homem. Temos que saber que no futuro, ninguém com perfil diferente, sem amor ao Clube, vai cair nessa posição, aí sim, teremos que recear tudo.

Bruno Guedes disse...

Boa tarde Sr. José Correia.
Amanhã sempre vai a AG?
Eu amanhã vou a minha primeira AG, tenho 19 de sócio, nunca fui, mas face ao que poderá ser votado não posso faltar.
Cnsidero-me um cobarde por nunca ter ido a uma AG e de ter compactuado com muitas decisões que agora sou contra.
Estive presente na 3º Bluegosfera, onde tive o prazer de trocar algumas impressões com portistas sobre o estado do clube. Gostava de amanhã antes de AG de fazer o mesmo.
Não sei se vai existir algum encontro antes, se sim, gostaria de estar presente.
Não sei se será seguro ou não por vezes estas marcações pois estamos a falar por um ecrâ.
De qualquer forma tem o video da bluegosfera e fui aquele sócio que teve a infeliz ideia de dizer que pelo andar disto o próximo presidente será o filho de JNPC. Como é óbvio estava a ser irónico.
Se der para antes da AG trocar umas impressões consigo ou com outro sócio era excelente.
Bruno Miguel da Silva Moutinho Guedes -28061.
O Dolce vita é sempre um sitio agradavel para se conversar.

José Correia disse...

Caro Bruno Guedes,
Sim, irei à AG de amanhã (a não ser que aconteça algum imprevisto) e conto chegar ao local da AG um pouco antes das 20:30.
Nessa altura, poderemos trocar umas impressões.

Alexandre Burmester disse...

A verdade, meireles portuense, é que consta que o Fernando Gomes (falo do homem do capacho) é sportinguista, mas tacho é tacho.

Por outro lado, você diz que não tem grandes apreensões quanto ao futuro devido ao facto de "estes homens" terem feito uma "enorme obra", mas a seguir diz que eles estão no fim das suas vidas. Isto é um evidente contra-senso.

Acho ainda que ninguém deve aprovar nada se não estiver decididamente de acordo com aquilo que aprova. Não se trata de confiar ou deixar de confiar em quem dirige a SAD, mas sim de dizer com clareza se concorda com a passagem de 50% do estádio para a SAD.

E finalmente, não há nenhum resultado de qualquer jogo de futebol que possa ser mais importante que uma questão desta relevância.

Alexandre Burmester disse...

Pois bem, caro Luís Vieira, olhando para trás nada faz supor que a gestão da SAD passe a ser mais racional e mais rigorosa. Assim sendo, é perfeitamente admissível que daqui a uns tempos se encontre em situação semelhante à actual. Nessa altura, sem ser preciso grande imaginação, tem à mão a solução: sacar os restantes 50% da EuroAntas. E pessoas com a mesma opinião que a sua resignar-se-ão perante isso. E passados ainda mais uns tempos, a situação repete-se - também não é preciso grande imaginação para o prever. Qual a solução nessa altura? Bem, como JNPC diz, enquanto ele for presidente o "clube" não será vendido (estava a referir-se à SAD, claro). Mas a sua manutenção na presidência será coisa de mais uns poucos anos apenas. E depois? Por outro lado, eu também me lembro de ele ter dito coisas como "nunca aceitarei ser presidente remunerado de um FCP transformado em empresa" (de acordo, o clube não foi transformado em empresa, apenas criou uma, mas argumentar com isso seria uma espécie de habilidade legalística), e ainda "para comprar jogadores, não preciso de empresários para nada. Pego no telefone e falo com o presidente do clube em causa".

Portanto, palavras leva-as o vento, e enem sequer estou a imputar má-fé, apenas a constatar que as circubstâncias mudam, e nós com elas.

Bruno Miguel da Silva Moutinho Guedes disse...

Boa noite Sr. José Correia
Podia só indicar por onde é a entrada para a AG.? Que porta é que tenho de estar?
Não se importa que me diriga a si, visto o senhor já por ventura não se lembrar da minha cara.
Bruno Miguel Guedes -28061

José Correia disse...

Caro Bruno Guedes,
De acordo com a Convocatória, a AG do Clube será no Auditório do Estádio do Dragão, Piso -3.

http://www.reflexaoportista.pt/2014/09/ordem-de-trabalhos-da-ag-do-clube.html

Se não estou em erro, a entrada faz-se pelo Parque P1.

Luís Vieira disse...

Compreendo os receios, caro Alexandre Burmester, dos quais partilho, mas por ora, e como expliquei anteriormente, dou o benefício da dúvida à SAD, pela urgência/iminência da situação. Digamos que você, o José Correia e demais partidários já estão num modo de tolerância zero, perfeitamente aceitável. Eu ainda mantenho alguma paciência/expectativa, embora tenda a esgotar-se, se não houver mudanças futuramente. Não considero resignação, antes tolerância. Mas a todo o tempo o estado de espírito poderá mudar e, nesse caso, serei o primeiro na "frente de batalha".

Alexandre Burmester disse...

Pois, meu caro, eu e outros já demos o benefício da dúvida vezes de mais, de tal forma que ele passou a ser o "benefício da dívida". Aumentos de capital, emissões de obrigações, receitas fabulosas em transferências de jogadores e em direitos e prémios da Liga dos Campeões, nada disso chegou. Quanto mais havia, mais se gastava. Por cada jogador vendido por € 20 MM compravam-se 5 ou 6, não raras vezes de qualidade duvidosa e rendimento económico-desportivo nulo, para não dizer negativo (não preciso de dar exemplos). Esses estrangeiros de fraca qualidade e que, essencialmente, se limitavam a povoar o banco de suplentes, impediram que jogadores da formação cuja qualidade à deles não era inferior, tivessem acesso ao plantel. Claro que há sempre o argumento estupidificante (de que você claramente não partilha), do género um que um dia li abismado, num forum de portistas e que rezava mais ou menos isto: "Se o FCP foi campeão com o Benitez no plantel, então é porque a sua compra foi acertada." Pode crer que isto é verdade. E depois ficam muito incomodados que alguns os tratem por "carneirada".