segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Uma vitória para não esquecer

O Porto de/e Lopetegui teve/tiveram hoje o verdadeiro contacto com a pequenez do nosso futebol. As duas jornadas anteriores já tinham servido de aperitivo, mas o pseudo-futebol do Moreirense foi uma pratada bem servida. Podem não o admitir, mas nenhum treinador de Moreirenses e quejandos, quando olha para o calendário e vê confrontos com o Porto e demais concorrentes ao título, pensa noutra coisa senão numa derrota; não o admitem por palavras, mas confessam-no no relvado, com os 10 jogadores encostados à área, interessados em apenas queimar tempo. Alguns dos resultados mais inesperados envolvendo os clubes grandes, são precisamente aqueles em que David não se deixa atemorizar por Golias - o SLB x Estoril de há dois anos é um exemplo flagrante; se o jogo já está perdido à partida, porque não "jogá-lo pelo jogo", respeitar quem pagou bilhete, demonstrar carácter e personalidade, e quem sabe até amealhar 3 pontos? Pode-se perder lutando, mas nunca se ganhará se só se defende. Bardamerda para o Miguel Leal e para quem segue a mesma escola.


Quanto ao Porto, Lopetegui não deu a primeira parte como perdida, mas viu-a antes como um passo necessário, quase um pré-requisito, para atingir o momento do jogo em que finalmente a resistência do adversário foi vencida. Espero que do mesmo modo, veja todo o jogo como uma lição importante para no futuro saber lidar com estes patetas, que poderiam ter carreiras frutuosas noutros métiers, mas que por qualquer razão se dedicaram ao Futebol - jogue-se com 3 defesas ou 4 avançados, seja lá de que maneira for mas que não sejam necessários mais de 45 minutos para destroçar estes tristes. De resto, findos estes 5 primeiros jogos, o Porto apresenta números sólidos - não me iludo com os zero golos sofridos, quando defrontamos equipas que nem sequer intenções têm de atacar - uma promissora empatia entre Brahimi e Jackson e estamos sem dúvida muito melhor que há um ano atrás. Não podemos é dormir na forma e perder pontos em jogos que só nós estamos interessados em vencer; é assim que se hipotecam campeonatos.

16 comentários:

Jorge Vassalo disse...

Caríssimos Reflexionistas,

Gostei. Gostei muito. Sim, é verdade que a primeira parte foi algo... estranha, muita bola pelo ar, mas todo o corredor lateral esquerdo ainda a descobrir-se, médios que vieram de ser alas e um Moreirense que não é nenhuma pêra doce.

É que, lá está, o facto de termos reduzido adversários à pequenez em todos os jogos não é igual a dizer que eles SÃO pequenos. Eu acho que o Moreirense entrou a tentar jogar e foi o Porto que o atirou para trás.

Acho que o Óliver e Brahimi no mesmo meio campo se atropelam muito (as melhoras, puto!) e que Evandro cabia num meio campo organizado.

Vamos a notas:

Adrián - Gostei, muito. Sim, gostei. Ele está a crescer, a enturmar-se e já se vê muito bom futebol a espaços. Daqui a nada muitos vão engolir sapos.

Jackson - O Capitão - concordo com a capitania - já não fica só por ali na área, vinra, mexe, passa, defende. Enorme jogaço.

Quaresma - Meh. Não gostei, desculpem. Veio humilde, é um facto. Agradeceu aos adeptos, outro facto, e daí? A espaços parecia que não estava ali. Falhou muitos passes, não se entende com os colegas, não acerta com a baliza... os cantos, minha nossa... Acho sinceramente que é um problema mais que a solução. Mas hey, depois estou a odiar o moço ou assim.

Brahimi e Oliver - Muito bem na segunda parte, com o primeiro mais a criar na ala e bem, distribuidores de jogo como ninguém, lindos.

Herrera - Entrou bem, fulgurante, deu peso ao meio campo. Gostei.

Quintero - Eh pá! Melhor na ala que o Quaresma, ainda assim entrou nervoso - via-o triste a aquecer. Não pode esperar titularidade. Fez um número à Nani que quase trouxe o Lopetegui para dentro do campo! Falhou o penalti (bem feita, aprende) mas redimiu-se logo a seguir e esteve no golo.

Casemiro - Ui, que se passou com este rapaz?! Só pode ser uma questão familiar a afasta-lo do jogo, ia-nos lixando bastantes vezes.

Rúben Neves - Que diferença puto! O Porto estava a precisar de ti como pão para a boca! Excelente na defesa, ainda melhor no acerto de passes. És o maior pá!

Danilo - Para mim, um dos melhores do jogo. Não entendo as críticas a este enorme jogador. Para além de ter salvo a primeira parte, entrou na segunda como um míssil. Em todo o lado, por todo o lado, com fome de bola, entrou, defendeu, arranjou. Titular na selecção brasileira, já.

Indi - Gosto muito dele, sobe muito bem, desce menos bem, perdeu-se um bocado nalguns lances mas caramba, nem parece que entrou à dias. O entendimento com o Maicon é quase siamês.

Maicon - O maior, o melhor. Que jogaços. Merece mais vezes a braçadeira, uma muralha de ferro, patrão da defesa. Para mim, homem do jogo.

José Angel - Entrou a medo, claro, também Indi já o tinha feito, mas bem a defender. Na segunda parte, participou nas jogadas com força. Gostei, muito potencial.

Uma palavra para Lopetegui. Este Homem é um Sinhor. Forte, reactivo, inquieto, vibrante. Não há um segundo que não dê instruções, que não reclame as decisões arbitrais e do anti-jogo do Moreirense (esse sim, uma vergonha) e quase era expulso. Gosto. Também é sempre magistral nas substituições e nas conferências de imprensa. O maior.

O "Nomeações" funciona muito bem. Esta arbitragem foi um terror.

Uma palavra para o sr ex-Secretário de Estado da Cultura, Dr. Francisco José Viegas, a quem ficou muito bem estar na fila à frente da minha e não num caramarote presidencial qualquer. Gostei. Humildade fica sempre bem.

zzzzz disse...

Boa exibição de Jackson, Maicon, Danilo e Brahimi. José Ángel passou ao lado do jogo, totalmente desentrosado com o resto da equipa.

Exibição desastrada de Casemiro, mostrando mais uma vez que não é o jogador ideal para aquela posição. Para a atacar a Champions, o FC Porto precisa de um número 6 que domine os processos naquela zona de acção e acrescente algo à equipa. Estou a pensar num jogador como o Alex Song do Barcelona que foi recentemente emprestado ao West Ham por uma temporada. Ruben é muito jovem para acarretar essa responsabilidade.

Vincent Vega disse...

José Ángel passou ao lado da primeira parte. Na segunda parte esteve brilhante. Finalmente temos uma solução ao Alex.

zzzzz disse...

Brilhante não diria. Subiu, de facto, de rendimento no segundo tempo - especialmente no apoio ofensivo - numa altura em que o FC Porto dominava por completo o jogo e o adversário não encontrava argumentos. Defensivamente teve muito pouco trabalho. Contudo, foi notória a falta de entrosamento com os colegas, algo que será certamente superado com o tempo.

Miguel Ângelo VR disse...

Terei sido só eu que tem visto evolução no Adrián López?

P.S.: Já vi que o Jorge Vassalo também gostou... :)

Vincent Vega disse...

Digo brilhante dentro das circunstâncias. Foi o primeiro jogo oficial do espanhol e se não estou em erro ainda perdeu alguns treinos por ter estado lesionado. Pelo que vi na segunda parte acho que podemos ficar descansados, é uma boa alternativa ao Alex.

El Pirata disse...

ja agora bardamerda tambem para o pedro emanuel do arouca, que fez o mesmo em Alvalade na passada semana. Ou será que aí esteve tacticamente brilhante???? Pimenta no cu dos outros...

Vincent Vega disse...

Já se viu bons pormenores, é preciso tempo para ele e para a equipa. Ao contrário do que alguns adeptos portistas devem pensar não é juntar uns quantos bons jogadores e está feito.

miguel.ca disse...

Pirata, não sei como é que vocês vêm o problema mas aqui no FCPorto, a malta gosta é de futebol. Autocarros e afins são objectos abominantes e reprováveis em qualquer relvado. No entanto, não sou hipócrita escondendo o facto de que se tal pratica roubar uns pontinhos aos adversários directos, a gente até deixa escapar um sorriso.
Quanto ao jogo, venha a liga dos campeões que estes Moreirenses são uma seca descomunal.

Luís Vieira disse...

Não acho que o Moreirense tenha estacionado o autocarro na primeira parte. Pelo contrário, vi um Moreirense com as linhas muito adiantadas, pressionando alto, o que nos surpreendeu e criou bastantes dificuldades, principalmente na saída de bola. O Porto demorou a encontrar alternativas para sair do colete de forças e o primeiro tempo foi pouco mais que frustrante, exceptuando as arremetidas do Danilo. O Óliver e o Brahimi, ao contrário do esperado, não conseguiram furar a teia bem montada pelo Miguel Leal e os extremos também não foram capazes de desequilibrar. Na segunda parte, as coisas mudaram de figura e o Porto surgiu mais dinâmico e acutilante. O Moreirense foi encostado às cordas (aí sim, limitou-se a defender e a espreitar, timidamente, o contra-ataque) e as oportunidades começaram a aparecer. As entradas do Rúben Neves e do Herrera contribuíram para a melhoria da exibição e os golos concretizaram-se com naturalidade, para gáudio dos 35 mil adeptos presentes no Dragão (destituído dos 10 mil emigrantes dos primeiros jogos). O Maicon, em sintonia com o post anterior, voltou a exibir-se em grande nível, impressionando a liderança que ostenta na defesa. O Danilo é outro jogador transfigurado, respira confiança. O José Ángel começou timorato, mas subiu de produção com o tempo, acabando com nota positiva. O Casemiro, desta feita, esteve apagado, mas não é preciso entrar já em crucificações, uma vez que tem jogado bem e, apesar de tudo, não comprometeu. Nota final para o Jackson e para o Brahimi, duas das figuras maiores deste FCP versão Lopetegui, que voltaram a dizer presente. Na falta de espectáculo (visível a espaços), salienta-se a dinâmica de vitórias e o registo defensivo incólume. Bem bom.

Luís Vieira disse...

Como não poderia deixar de ser, acuso o toque e faço um reparo: uma apreciação equilibrada da exibição do Quaresma, ainda que crítica, como a que fez neste comentário, nunca será acusada de incitamento ao ódio. Já o que se viu num passado recente...

Luís Vieira disse...

Esteve mais solto/desperto, mas ainda muito longe daquilo que pode e sabe.

Luís Vieira disse...

Só mais duas notas, que ficaram esquecidas: não gostei de ver o Lopetegui dizer que "precisa de médios", porque a posição "está curta". Estas questões resolvem-se no seio do clube, não é preciso fazer queixinhas na comunicação social. Se fosse o Vítor Pereira a dizer isto, na sua altura, não seria tão despropositado, mas estamos a falar de um dos melhores plantéis dos últimos anos, construído à imagem e semelhança do treinador. Por outro lado, a capitania do Jackson não me entusiasma. Trata-se de um jogador que passou a vida a pôr o seu futuro no clube em causa, com declarações a destempo. A braçadeira assentaria muito melhor no Maicon, que não precisou de ser "comprado" com esse elemento para renovar.

Luis Pereira disse...

Subscrevo estas observaçoes de Luis Vieira acerca do jogo incluindo a relacionada com os emigrates que, nos anos anteriores, se viram privados de assistir, em Portugal, aos jogos entre "grandes" devido ao atual "sorteio" do calendario. Realço o Maicon e o crescendo de José Angel que esteve muito bem na segunda parte.

meirelesportuense disse...

Quaresma esteve triste, abaixo, muito abaixo do que seria expectável...José Angel de início esteve inconsequente e mal, foi subindo de produção e acabou mostrando potencial. Maicon excelente.
Acho que a equipa no seu todo esteve cansada e ressentiu-se da falta de mais um médio autêntico.
A entrada de Rúben Neves estabilizou o jogo e Herrera deu-lhe mais profundidade e corpo. Lamento imenso a lesão do Óliver.

Jorge Vassalo disse...

Concordo com a segunda, não a primeira. Por uma razão simples: Não sei se a frase veio de Lopetegui. Pode ter sido uma justificação pública para mais contratações. E concordo com o jogador contratado. Esse eu já vi e gosto bastante. Campaña é muito muito forte e organizado. Quanto ao Jackson, concordo com o caro Luís Vieira, acho que Jackson não devia ser Capitão. Capitão é alguém "da casa". A saber, para mim só podem ser dois : Maicon - imperial - e o Danilo. Um pela segurança, outro porque se sabe e sente que é azul e branco.