terça-feira, 25 de novembro de 2014

Herrera, o “rei” de Borisov


«Elementos criativos como Óliver (de regresso ao onze), Ricardo Quaresma e Brahimi não atuavam no palco certo para desenvolver o jogo que mais lhe agrada. Ao intervalo, Julen Lopetegui terá feito alguns ajustes, dando mais liberdade ao incansável Hector Herrera. Fator determinante.

O médio fez uma segunda parte de grande nível, ele que esteve há uma semana na Arena Borisov, ao serviço da seleção do México. Pouco após o reatamento, Herrera recebeu a bola na esquina da área, pela direita, e arriscou. Um belo remate cruzado, inaugurando a contagem.


Segundo golo de Héctor Herrera na fase de grupos da Liga dos Campeões (tinha aberto caminho para o triunfo por 2-1 sobre o At. Bilbao), terceiro na prova se englobarmos igualmente o play-off. Afinal, foi ele a marcar em Lille, 0-1, escancarando as portas da competição. (…)

De novo Herrera. Belo passe para Brahimi na esquerda e colocação na área. O argelino devolveu ao mexicano, este rodou e tocou para Jackson. Remate do colombiano com o pé esquerdo, certeiro, para o quinto golo na fase de grupos da Champions. Impressionante.

O BATE não esboçava uma resposta condizente, parecia estar no limite das suas capacidades, e pouco haveria a fazer perante um Héctor Herrera endiabrado, ao seu melhor nível. Ao cair do pano, foi Tello a beneficiar de uma grande abertura do médio


O texto anterior é um extracto da crónica do BATE Borisov x FC Porto, publicado no site Maisfutebol e é uma boa síntese daquilo que de melhor se viu hoje.
E, parece-me indiscutível, o que de melhor se viu hoje, na Arena de Borisov, envolveu ou saiu dos pés de Herrera.

A propósito do Herrera, esta época, após outros jogos da Liga dos Campeões, houve portistas, comentadores habituais deste blogue que, acerca deste internacional mexicano, disseram coisas como estas:

Ele [Herrera] falha [nos passes] porque é mau, ponto

Há muito que digo que aquilo [pés do Herrera] são tijolos

O Herrera simplesmente recupera a passo está sempre fora do sítio

O Herrera não é jogador para o Porto. Já o disse e reafirmo: era bom para o rugby, corre muito, mas corre mal

Não tenho a menor dúvida que [Herrera] não é jogador de futebol para uma equipa de topo

O tempo, como em tudo, estará aí para demonstrar o que ganhamos e perdemos com ele [Herrera] em campo


De facto, nada como o tempo (e nem foi preciso muito) para relermos este tipo de afirmações e… sorrirmos.

Mas, mais importante do que aquilo que cada um de nós disse acerca do Herrera (e mesmo os portistas que diziam o piorio dele, terão ficado satisfeitos com a sua excelente exibição no jogo de hoje), o que realmente interessa são as vitórias do FC Porto, com maior ou menor contributo do Herrera nuns jogos, do Brahimi noutros, etc.

E hoje, em Borisov, voltamos a ter um FC Porto em 4-3-3, com o meio-campo mais habitual – Casemiro, Herrera, Óliver – e um colectivo forte (o BATE não teve uma única oportunidade de golo), de onde emergiu Herrera.

Estatísticas do BATE Borisov x FC Porto (fonte: UEFA)

P.S. Qualificação para os oitavos-de-final após o 4º jogo; garantia do 1º lugar no grupo após o 5º jogo; nada mau…

62 comentários:

Bruno Pinto disse...

Sinceramente acho que o Herrera no golo tomou uma má decisão. Devia ter passado a bola ao Danilo, pois o remate tinha poucas probabilidades de sucesso... :D

DC disse...

Do que vi, que foi só a 2a parte, pareceu-me realmente o melhor em campo. Tal como foi o melhor jogo dele no Porto de longe. Não pelo que correu, mas pelo que fez com bola. Por, provavelmente a primeira vez desde que está no Porto, o ter visto a fazer passes criativos e bem executados. No 2º golo essencialmente, faz o que tem que fazer com bola. Sim, valeu muito mais o que fez no 2º e 3º golo do que o que faz no 1º. Sim, é um belo golo mas acontece uma vez em dezenas. Essencial é que aconteça a boa leitura do 2º e 3º golo.
A única coisa que posso desejar, embora desconfie muito, é que seja este o Herrera de futuro no Porto. Se for de certeza que não o critico. E mesmo os que o andaram a elogiar por tudo e por nada, sabem bem que hoje realmente foi diferente, muito diferente dos jogos em que o elogiavam por correr muito.

Quanto ao Porto, a transição defensiva está horrível. Foram muitas as igualdades numéricas concedidas na defesa. Contra outros jogadores poderíamos pagar muito caro.

Miguel Ângelo VR disse...

Felizmente, eu sou daqueles que sempre achou injustas as críticas ao Herrera - também fez alguns jogos em que não jogou tão bem. Sempre disse, já no ano passado, que ele era o nosso melhor médio - o mais completo, pelo menos. Já merecia mais destaque, e ainda bem que aqui (e não só) lho deram.

Paulo Costa disse...

Eu já critiquei algumas vezes o Herrera, mas hoje chapeau. Mais jogos assim porque uma andorinha não faz a primavera e o Porto precisa de estabilizar aquele meio campo.

José Correia disse...

"Sim, valeu muito mais o que fez no 2º e 3º golo do que o que faz no 1º. Sim, é um belo golo mas acontece uma vez em dezenas. Essencial é que aconteça a boa leitura do 2º e 3º golo."

Concordo, em parte, com esta afirmação.

O golo de Herrera é um grande golo, após um excelente remate, de uma posição que não era fácil.

Mas aquilo que o Herrera fez no 2º golo encheu-me as medidas.
Visão de jogo;
Qualidade técnica (o passe tenso com a parte interior do pé é notável);
Movimentação para o interior da área, dando uma linha de passe;
Recepção, temporização e assistência (com peso conta e medida) para Jackson.
Tudo bem feito, por um médio cada vez mais completo.

José Correia disse...

DC disse:
"A única coisa que posso desejar, embora desconfie muito, é que seja este o Herrera de futuro no Porto. Se for de certeza que não o critico."

Usar a exibição de hoje do Herrera, como referência para não o criticar no futuro, é colocar a fasquia demasiado alto, não para o Herrera, mas para qualquer médio que jogue na posição do Herrera.
Quase que diria que é preparar o terreno para criticar o Herrera no futuro, porque não é provável que ele consiga, em todos os jogos, marcar golos e/ou fazer assistências.

José Correia disse...

DC disse:
"Quanto ao Porto, a transição defensiva está horrível"

Que exagero!
É verdade que esta dupla de centrais não liga bem.
É, também, verdade que Danilo esteve muito abaixo do nível que tem patenteado esta época.
Mas, caramba, o BATE não conseguiu criar uma única oportunidade de golo.

DC disse...

"Quase que diria que é preparar o terreno para criticar o Herrera no futuro, porque não é provável que ele consiga, em todos os jogos, marcar golos e/ou fazer assistências."

Não precisa. Basta continuar a ter acerto no passe, boa leitura de jogo, criatividade, etc... Coisas que não o via a ter antes.
Para lhe dar um exemplo, no 2º golo Brahimi tem também uma leitura do lance fantástica. Podia ter ido para o meio e chutado, mas não. Atraiu o defesa, fixou-o e deu no colega melhor colocado. Isso é tomada de decisão, isso é inteligência. É isso que espero de qualquer jogador.

Quanto à transição o BATE não criou mas é mentira que tivemos várias situações de igualdade numérica? Veja aquela jogada de 3 para 3 que o Indi acaba de cortar por ter sido feito um passe disparatado. Agora imagine que era uma equipa que realmente sabe fazer um contra-ataque (que há muitas dessas na próxima fase da Champions). O Porto continua a dar muito espaço entre sectores e a perder muitas bolas disparatadas em zonas perigosas.

José Correia disse...

DC disse:
"Veja aquela jogada de 3 para 3 que o Indi acaba de cortar por ter sido feito um passe disparatado"

Se bem me lembro, esse contra-ataque do BATE começou em mais um disparate do Danilo.

Eu imagino que num jogo mais a sério (leia-se, contra uma equipa mais difícil e com o apuramento em causa), o Danilo estaria mais concentrado.

pancas disse...

Tambem venho dar os parabens ao Herrera pela exibicao. Muito boa. Melhor em campo e acima de tudo muito diferente dos seus jogos anteriores.

Isto, baseado na segunda parte - julgo que o frio ou seja la o que for (nao quero continuar a bater no treinador e no seu modelo de jogo) nao nos deixou jogar nadinha na primeira parte. Ai, nem Herrera, nem ninguem jogou, pareciam da distrital...

Mas nao vos pareceu que uma grande razao para a melhoria do Herrera foi que ele jogou quase como segundo avancado? E que isso foi possivel porque o Casemiro encostou nos centrais e o Oliver basicamente tomou conta de todo o meio campo?
Assim, um problema que normalmente aponto ao Herrera (nao baixar defensivamente) nao se verificou porque ele nao tinha realmente necessidade de baixar. Isto alem da clara melhoria que ja foi descrita acima pelo DC e pelo Jose em termos de qualidade de passe, posicionamento, movimentacao.

José Rodrigues disse...

Herrera tem mostrado os seus atributos ao longo dos tempos - mas tb e' inegavel q tb tem mostrado as suas pechas, e em particular a (in)capacidade de fazer assistencias/bons passes de ruptura (mesmo q seja exagero falar em "tijolos" como pes). Ao longo dos tempos tem mostrado uma % muito baixa de eficacia nos passes mais dificeis no 1/3 final do terreno (para o q estamos habituados num FCP em jogadores naquela posicao).

E isso num box-to-box num FCP e' um autentico "pecado": jogando frequentemente contra "autocarros", nao nos podemos dar a esse "luxo" num medio de transicao, principalmente quando jogamos com um trinco q praticamente so' destroi e centrais q nao sobem no terreno

Ora a Cesar o q e' de Cesar: ontem Herrera esteve de facto excelente nos 3 golos, e essa pecha nao se viu, bem pelo contrario. E' de aplaudir sem reservas. Alias, o q mais me impressionou foi o passe de trivela para Brahimi na jogada do 2o golo.

Quero crer q nao tera' sido a excepcao q confirma a regra (a proposito, ainda me lembro de um jogo de Paulinho Santos na seleccao contra a Austria em q fez um slalom fintando 4 ou 5 austriacos...), mas sim fruto de uma evolucao progressiva - e q sera' portanto para continuar (pelo menos em certa medida).

E' q afinal de contas Herrera tem 24 anos, nao e' propriamente um "velho" sem capacidade de progressao.

José Rodrigues disse...

Quanto ao jogo em si e em geral, nao pude ver a primeira parte mas pelo q vi na 2a fizemos uma exibicao convincente (ainda q nao exuberante), com o 1o golo a desencravar e desinibir a equipa - situacao classica neste tipo de jogos, mais parecido com muitos dos jogos q temos no campeonato do q propriamente tipico do q costumamos encontrar na LC (continuo a achar q um BATE estara' ao nivel de por ex um Guimaraes ou ate' mesmo um pouco pior).

De resto isto e' um pormenor mas pareceu-me q Lopetegui perdeu um bocadinho uma boa oportunidade para fazer melhor a apregoada rotacao, e quando essa mais fazia sentido (e nao por ex numa equipa inicial num jogo do campeonato): com o FCP a ganhar por 2-0 a meia hora do fim, acho q demorou demasiado tempo a fazer as substituicoes tal como podia ter feito outras opcoes.

Pessoalmente acho q logo q se marcou o 2o golo podia ter feito as 3 substituicoes imediatamente, e poupando os jogadores q mais regularmente jogam e/ou q tinham acabado de fazer deslocacoes consideraveis pela seleccao. Ou seja, por mim tinha tirado logo 3 dos seguintes 4 jogadores: Brahimi, Jackson, Herrera e Danilo (e dando por consequencia uma boa meia hora de jogo a jogadores como Ruben Neves, Quintero e Aboubakar).

João disse...

Lá andou o burro do Herrera a correr mal o jogo todo e a fazer o que faz todos os jogos, tentar encostar no Jackson para ele não estar completamente desamparado na frente. Hoje como marcou e assistiu já repararam nas nuances, bem vindos à Setembro.

José Rodrigues disse...

Quanto ao balanco da campanha europeia ate' ao momento: e’ sem duvida excelente. Mesmo admitindo sem complexos que tivemos um grupo acessivel, a verdade e’ q soubemos dar conta do recado muitissimo bem – tb no passado tivemos grupos acessiveis (tal como por ex os lamps, ja’ agora) e isso nao sucedeu. Parabens a Lopetegui e aos jogadores.

Com o 1º lugar assegurado, podemos agora dar-nos ao luxo de gerir o plantel na ultima jornada (alias, ja’ o podiamos ter feito ontem em boa medida, oportunidade q foi em boa parte desperdicada). Nao metendo uma “manta de retalhos” ou especie de equipa B em campo, isso tb nao, mas e’ possivel fazer uma rotatividade consideravel de forma inteligente e de forma a poder ganhar o jogo (q certamente nao e’ para perder – para alem do orgulho de q “em casa mandamos nos” ha’ tb a questao monetaria – e o Shakhtar nao e’ uma pera doce). Sera’ um bom jogo para fazer descansar jogadores como Jackson, Brahimi, Herrera e Danilo, e mais dois ou tres no decorrer no jogo.

O q tb e’ certo e’ q, no reverso da medalha, passa a haver menos desculpas para os jogos q se seguem no campeonato - nomeadamente nao servindo a LC de explicacao para eventuais experiencias ou rotacoes pouco compreensiveis nesses mesmos jogos (pelo menos ate’ Fevereiro). Esperemos agora um FCP 100% concentrado no campeonato e com atitude de “comer a relva” (tanto dos jogadores como do treinador).

Pedro Gomes disse...

Desde a pré-eliminatória da CL contra o Lille, em que o jornal L'Équipe o tinha eleito como melhor jogador nos 2 jogos, que tenho defendido Herrera como um titular indiscutível e um jogador não tão mau quanto muitos portistas o querem fazer crer.

É mesmo necessário haver todos os anos um ódio de estimação para os nossos adeptos se entreterem a gozar/insultar? Arrisco-me a dizer que se Adrián Lopez é o novo Mariano então Herrera é o novo Varela, um jogador que dá tudo pelo colectivo e que de vez em quando tira coelhos da cartola mas que continua a ser o mal-amado.

Herrera é o nosso todo-o-terreno, é o elo de ligação da equipa. É o pulmão, o que veste o fato-macaco para os artistas poderem andar vestidos de gala.

Vou ficar à espera do que os "blogues laterais" e os seus vídeos de gozo do Herrera tem para dizer sobre a sua exibição.

Joao Goncalves disse...

Não creio que Lopetegui faça uma "rotação" tão alargada, mas acredito que Fernandez, Ángel, Ruben Neves, Quintero e Aboubakar, sejam titulares nesse jogo.

Uma equipa como:
Fernandez, Danilo, Ángel, Maicon, Indi/Marcano, Ruben Neves, Quintero, Oliver, Quaresma, Tello e Aboubakar será perto da minha aposta.

No decorrer do jogo e se estiver a correr bem, Evandro e Ricardo podem perfeitamente entrar para os lugares de Oliver e Danilo e ainda sobra uma substituição.

DC disse...

Não deixa de ser risível, para variar, ler que os principais elogios são ao facto de ter corrido muito. Realmente há quem ache que a bola não serve para nada.

RS disse...

"Com o 1º lugar assegurado, podemos agora dar-nos ao luxo de gerir o plantel na ultima jornada (alias, ja’ o podiamos ter feito ontem em boa medida, oportunidade q foi em boa parte desperdicada)"

Também me lembrei disso... não deixa de ser irónico que na primeira oportunidade em que efectivamente (e teoricamente) era possível fazer alguma "rotação" no plantel, com excepção da troca Maicon/Marcano, o Lopetegui decide não o fazer! :)

Nuno Fonseca disse...

O importante é sem dúvida garantirmos o primeiro lugar à 5ª jornada. O grupo pode ser acessível com a sorte de encontrarmos um Bilbao que não atrapalhou as contas, mas há o grande mérito de dever cumprido com categoria. Se olharmos para os 7 jogos do Porto este ano na Champions, vemos um Porto muito competente em quase todos os momentos desses 7 jogos. Infelizmente, por cá, ou por culpa das rotações ou por outras questões não temos tido esta competência constante. Não pude ver o jogo, mas é bom que Herrera seja reconhecido pelos "haters". Só não percebo como é possível elogiar um jogador que para muitos era inapto, ou seja nunca na vida iria conseguir fazer um bom passe, uma assistência, uma boa decisão. Afinal é possível.

PS:Como não há post que não se fale de "blogues laterais" , vai mais um comentário sobre isso. Gostava de saber o que acham sobre a decisão do Nani no golo que marcou ontem, uma vez que é fortemente elogiado pelo lateral esquerdo, mas que é incoerente com o que muitos criticaram no golo do Quaresma contra o Bilbao. Devia ter passado a bola e preferiu a jogada individual que deu golo.

DC disse...

Para mim ele não devia ter passado a bola, devia ter chutado logo no 1º momento em vez de fintar. Depois disso deu um festival. Para mim é uma má decisão. No blog não falam de decisão nenhuma, falam da capacidade de desequilibrar. Não fizeram qualquer comentário a esta decisão, particularmente.

Mesmo assim, o Nani tem um momento ali em que pode passar, a um colega que está a 1 metro e que continuaria com todos os adversários (que não são poucos) por perto. Comparar isto com o que aconteceu com o Bilbao não faz sentido porque são jogadas 1000 vezes diferentes.
Aliás comparar Nani com Quaresma hoje em dia, só para quem estiver muito bem disposto.

DC disse...

E posso dizer que falei há pouco com um dos autores do blog, que nao o autor desse post, e ele concorda que neste caso foi uma má decisão.

DC disse...

Mas tenho pena que só apareçam a falar nesse blog quando lhes interessa e não quando dizem isto:

"Isto tudo para que perceba que, ninguém mais do que nós aqui no blogue aprecia jogadores com qualidades individuais marcantes, como Sálvio. Mas apreciamos ainda mais jogadores como Brahimi. Porque o Brahimi percebe quando é que pode forçar e ir para cima, e quando é que deve fazer a bola circular para os colegas. Afinal de contas, são os "Brahimis" com o seu atrevimento serpenteante, mas com a percepção dos momentos para serem atrevidos, que vão ser os melhores do mundo."

Ou isto:

"E há Jackson. É inteligente, mas não tão criativo. É forte mentalmente, independente. A qualidade técnica não é superior a do compatriota, sendo no máximo igual. As qualidades físicas, essas sim, bastante superiores a todos os níveis. Cada bola que recebe terá seguimento, porque ele percebe o jogo como ele é: colectivo. Sabe relacionar-se com os colegas sem bola, procurando apoios e rupturas. É um jogador que não dá uma bola como perdida, não se poupa a esforços para ajudar a equipa no seu objectivo: marcar ou não sofrer. Se tiver que fazer oitenta metros para cortar uma transição ofensiva do adversário assim o faz, se tiver que pressionar à toda largura não descansa até o jogo acabar. É feroz a atacar zonas de finalização, e muito inteligente na forma como se procura posicionar nesses momentos. É um jogador de futebol como eu gosto que os jogadores sejam. Agressivo. Joga para o treinador, para os colegas, para a equipa. É um jogador que não tem tanta capacidade de inventar soluções novas, mas que joga todo o tipo de jogos. Não há condições ideais para ele estar em campo, porque seja qual for o jogo, a disposição dos colegas, o ímpeto do adversário, ele está lá sempre. Se o adversário for pressionante ele tem capacidade para segurar e dar tempo para que os colegas cheguem. Não se esconde, entrega com qualidade. Se o jogo estiver muito dividido, em duelos, com disputas de primeiras e segundas bolas ele impõe-se. No caso de os colegas o procurarem no espaço ele aparece, caso os colegas o procurem em apoio ele mostra-se. Quando o jogo segue pelo corredor lateral ele ataca a finalização como poucos, quando a bola entra pelo corredor central ele procura e cria espaços com lógica.

Se tiver de escolher, escolho Jackson. Porque seja qual for a situação ele estará lá sempre. Morre por mim, vai comigo a tudo!"

Paulo Costa disse...

lol O que eu já me ri.

Genial! Top! Derretem-se todos.

Se fosse o Quaresma era mais uma burrice de um jogador que enterra 9 em cada 10 vezes e que de tanto tentar, porque tem técnica individual (o malandro!!), lá consegue o seu momento egoista a olhar para o seu umbigo.

Luís Vieira disse...

Relativamente ao jogo de ontem, não há muito a dizer: o Porto ganhou como lhe competia a uma equipa da terceira divisão europeia. A primeira parte foi servida no congelador, daí que não reste grande memória da exibição. Na segunda, assistimos à natural imposição de uma equipa que é muito superior, a todos os níveis, à outra, materializada em 3 belos golos. No que respeita ao Herrera e sem qualquer tipo de revanchismo, tenho apenas a dizer que ele provou ontem que não é um “cepo”. Um “cepo” dificilmente conseguiria fazer o que o Herrera fez nos 3 golos. Está fácil de ver que o motivo para tanta discórdia neste blog é o extremismo patente nas avaliações negativas ao mexicano (conferir citações do artigo). Do lado dos “apoiantes”, não vejo ninguém dizer que o Herrera é o novo Maradona ou que tem uns pés entre o fabuloso e o estratosférico. Prudentemente, reconhece-se-lhe as virtudes, não deixando de se lhe apontar os defeitos (assim o fez o José Rodrigues, acima). Enfim, parabéns ao Porto pelo 1º lugar na fase de grupos da Champions. Resta-nos aguardar por um sorteio amigável para a 2ª fase.

Luís Vieira disse...

O Lopetegui não o fez porque a sua prioridade absoluta, partilhada pela SAD, neste primeiro terço de época é/foi, claramente, a Champions. A passagem da fase de grupos no 1º lugar foi estipulada como objectivo máximo do clube para este período, comprovada por todos os comportamentos até ao momento, com prioridade até, a meu ver, sobre o campeonato (desde que não houvesse uma hecatombe, naturalmente). Como disse, celebremente, o Clinton: “é a economia, estúpido!”. Acredito que a partir de agora, sem Taça, haja uma intensificação do rigor no campeonato (não assistiremos, presumo, a brincadeiras como a que vimos com o Boavista). É tempo de nos fixarmos no 1º lugar.

Luís Vieira disse...

Nuno Fonseca, a decisão do Nani foi excelente. Presenteou-nos com um golo fantástico, apesar do egoísmo - visão de adepto de futebol, porque a visão de portista é “grande palhaço” :) Podia passar? Podia, mas não era a mesma coisa, até porque “se a minha avó tivesse rodas, era um camião”.

Nuno Fonseca disse...

Ainda está para vir o dia em que alguém numa comparação entre Jackson e Montero, escolhesse o Montero :) Mas pronto isto são opiniões. Agora quando se critica Quaresma por fazer uma coisa, não se deve elogiar Nani por fazer a mesma.

miguel.ca disse...

Acho absolutamente ridiculo que num blog com a qualidade deste, haja quem escreva artigos onde inclua opiniões de frequentadores do blog e as utilize de forma a rebaixar as mesmas demonstrando absolute desrespeito por quem tem uma opinião diferente.
Se os jogadores fossem avaliados por uma boa exibição, o Mariano Gonzalez teria sido o melhor do mundo por meia duzia de vezes!

pancas disse...

"O Lopetegui não o fez porque a sua prioridade absoluta, partilhada pela SAD, neste primeiro terço de época é/foi, claramente, a Champions. A passagem da fase de grupos no 1º lugar foi estipulada como objectivo máximo do clube para este período, comprovada por todos os comportamentos até ao momento"

Mas no jogo presumivelmente mais dificil da fase de grupos, o Jackson fica no banco? E ainda por cima os unico jogos em que o Aboubakar tem realmente minutos sao na Champions?Parece-me que essa idea so resulta "a posteriori" porque tudo correu bem, mas nao me parece que tenha havido muito pensamento inicial.

pancas disse...

La esta - e uma ridicula falta de contexto so para tentar ter razao... Mesmo que a jogada do Quaresma contra o Bilbao e a do Nani contra o Maribor fossem iguais (que nao sao, por favor revejam as possibilidades de remate, onde os jogadores se encontram, onde os colegas estao, etc) e portanto fossem ambos casos de mas decisoes, ha todo o resto dos jogos para considerar...
O Nani passou o resto do jogo a jogar excelente futebol, desde a primeira jogada do jogo em que "deu" um golo de bandeja ao Mane mas ele falhou. Assistiu o Slimani, etc etc... O que fez o Quaresma alem do tal remate? centros para onde nao havia colegas? remates para fora quando tinha colegas prontos a receber?

Um jogador nao precisa de escolher a melhor decisao em 100% dos casos para ser um bom jogador. Mas precisa ter um melhor historial do que acertar so de vez em quando como o Quaresma.

DC disse...

Será assim mesmo? Você critica o Messi por ir 1x2 jogadores? E critica o Varela se fizer o mesmo?
Ou critica o Ronaldo por chutar a 25 metros da mesma forma que critica, sei lá o Casemiro por fazer o mesmo? Será a mesma coisa?

Já lhe falei que o contexto implica muita coisa na avaliação dum jogador ou duma jogada e no contexto incluem-se as capacidades dos jogadores. Logo, se o Nani decidisse sempre assim, mesmo assim teria mais sucesso que o Quaresma. Porque, neste momento, é melhor tecnicamente e fisicamente.
Mas a grande diferença entre eles é mesmo que o Nani decide menos vezes desta forma que o Quaresma. E quem diz Nani diz Brahimi, tal como eles referem nesse texto.
Porque é que Brahimi é provavelmente o melhor jogador em Portugal e não o Salvio, o Quaresma ou o Tello?
E sublinhe-se apenas, que pelo menos eu não elogio o Nani por isto. É um golo que dá gosto de ver mas se ele fosse sempre assim de mim receberia poucos elogios.

Quanto à comparação entre Jackson e Montero, ela surgiu exactamente por haver gente na net a dizer que preferia Montero ou Jonas. E esse autor, que por acaso até é nem é portista, respondeu com esse texto. Foi entre Jackson e os outros todos em Portugal, não só Montero.

E já agora, para o Paulo e Luís, que já vi aqui a dizer muitas vezes isso do "se fosse o Quaresma" façam-me o favor de me mostrar uma única jogada desde que Quaresma regressou ao Porto em que tenha passado por 2 jogadores e feito golo. Mesmo que eu lhe chame má decisão, por favor mostrem-me isso. Se fosse o Quaresma? Mas e o Quaresma é capaz disto actualmente?

DC disse...

Eu também achei um bocadinho precipitado considerar que eu estou completamente errado por uma exibição com o BATE. Mas como eu torço mesmo para que eu esteja completamente errado e o Herrera faça disto todos os dias nem liguei muito. Que faça uma exibição tão boa pelo menos com o slb é o que eu desejo. Porque aí vai ser um jogo bem mais difícil e bem mais importante.

pancas disse...

Luis,
como sabe, sou um dos que acha o Herrera mais cepo que bom. E ja aqui deixei um comentario a enaltecer a exibicao dele neste jogo. Mas nao diga que nao houve extremismo dos "apoiantes", porque eu ja ouvi o Herrera ser descrito como "o novo patrao do nosso meio-campo", "o digno sucessor do Lucho".
Uma das grandes razoes que eu (e ate julgo que o DC tambem, mas nao posso falar por ele) me insurgia e comentava contra o Herrera de maneira mais forte e que os "apoiantes" achavam que ele era sempre o melhor em campo em todos os jogos e o unico argumento que conseguiam trazer para a discussao era que ele percorria muitos Kms.
Ora, eu presumo que o Luis saiba que o numero de Kms que um jogador percorre e irrelevante para a sua boa ou ma performance num jogo. Se ele anda quando deveria correr, se ele corre quando devia simplesmente passar, se ele se deixa apanhar em meiinhos pelos jogadores da equipa adversaria - tudo isso aumenta os Kms e nao ajuda em nada a equipa!!!

Quanto ao sorteio... espero bem que seja amigavel, mas neste momento nao esta nada facil encontrar um segundo lugar que seja acessivel - se calhar mais vale apanhar um grande tubarao mesmo que sejamos eliminados mas que nos de a oportunidade de brilhar na grande montra (bem melhor que ser eliminado por uma media potencia...)

DC disse...

Ora nem mais. Tal como já disse aqui muitas vezes, em 90% das vezes que falei do Herrera foi para responder a enormes elogios aos jogos dele. Se não era pelos Kms nesse jogo (curiosamente Oliver que tem uma média de Kms por jogo superior nunca é elogiado por isso (o que eu acho bem, tal como explicou o pancas. Estranho é haver filhos e enteados)) era pelo acerto no passe (até em jogos como Bilbao em que oferece golos ao adversário).
Foi aqui descrito muitas vezes como o patrão, o elo de ligação, a peça fundamental do meio-campo, etc, etc. Digo até que não me recordo de nenhum jogador do Porto ter sido tão elogiado por aqui ou, pelo menos, por tanta coisa diferente.

Portanto, se até pode ter havido algum extremismo meu ou do pancas, certamente houve muito, muito mesmo, da parte dos fãs do Herrera.

DC disse...

Parece-me claro que o Lopetegui percebeu que a rotação estava a ser estupidamente exagerada. Por alguma razão o meio-campo estabilizou completamente e gente como o Ruben anda desaparecido nos últimos tempos.

Luís Vieira disse...

Nas equipas iniciais do Porto nos 5 jogos da fase de grupos da Champions constaram sempre os seguintes 6 jogadores: Fabiano, Danilo, Indi, Alex Sandro, Herrera e Brahimi. Em 4 jogos apareceram Maicon, Casemiro e Jackson (6 + 3 = 9). Em 3 jogos, Óliver e Tello (9 + 2 = 11). Sem atentar a lesões ou castigos, por aqui é lícito afirmar que houve um 11 base na Champions, principalmente quando se trata de um treinador altamente rotativo. Recorrer ao exemplo do Jackson em Donetsk (há quem diga que foi uma opção estratégica, para aproveitar a profundidade com o Aboubakar; há quem diga que foi gestão de esforço, em virtude de pequena lesão/desgaste), para negar a opção de “aposta forte” na Champions é, no mínimo, temerário.

Nuno Fonseca disse...

Pancas, eu não estou a comparar Nani com Quaresma. Estou a dizer que é desonesto no mínimo criticar Quaresma por fazer uma coisa e elogiar Nani por fazer a mesma. Para mim Nani tinha mais obrigação de passar a bola do que Quaresma comparados os lances por exemplo.

Obrigado DC, agora ficou claro e sem margem para dúvidas. Naquele lance quaresma decidiu mal porque se chama Quaresma. Era o que sempre suspeitava, mas agora foi assumido.

Paulo Costa disse...

Ora aí está, quando é preciso explicar descobrimos que afinal os 'factos' que nos apresentam como verdade única têm um caráter subjectivo. Dependem da avaliação do especialista. É por isso que devia haver um bocadinho mais de modéstia por parte dessas pessoas que falam como se só eles soubessem do que estão a falar e os outros só servem abanar as orelhinhas ou morder os lábios de inveja. Eles sabem, percebe-se que sabem. Mas não são só eles que sabem. Há muita gente sem 'formação na área' mas com anos de futebol que se calhar lhes ensinava umas coizitas.

O Quaresma já não rende o que rendia há 5 ou 6 anos atrás, como é evidente, mas o problema não é esse pq já nessa altura ele se ouviam as mesmas críticas. Mesmo assim ainda consegue fazer golos como este (http://portocanal.sapo.pt/um_video/PazboZ3ooWjgyWfhc4Zn/) contra o Nápoles que para mim é bem melhor do que o do Nani.

DC disse...

Agora foi assumido? Porra, eu sinceramente tenho dificuldade em não lhe responder de outra forma depois duma boca dessas.
Mas alguma vez eu aqui disse que o jogador em causa não conta para avaliação duma decisão?
Não fui eu que aqui ontem ou anteontem disse que o Torres é diferente do Costa porque gosta da bola no pé enquanto o Costa gosta dum jogo físico?

Mas é assim tão difícil perceber que se o Ronaldo tentar uma finta em velocidade é uma boa decisão mas que se fosse o Jorge Costa não era? Que se o Messi for para cima de 3 não é a mesma coisa que o Varela ir para cima de 3?

Sinceramente, fica muito difícil discutir com quem parece que quer levar a conversa para um lamaçal.

DC disse...

Paulo, a diferença é que nos tempos de JF, mesmo tomando muitas más decisões, fazia golões e jogadas decisivas regularmente. Porque na altura tinha atributos físicos bem diferentes. Mas e agora?

Jorge Vassalo disse...

Oh meu caro pancas! Como não sou nem dia nem noite, não estou em nenhum lado do polo Herrera bom/ Herrera mau, deixe-me lá clarificar:

- por patrão do meio campo, entenda-se que, este ano pelo menos, não estou a ver quem o faça com mais força e garra do que ele. Se as alternativas são Óliver, falta-lhe um pouco de corpo, Evandro, não tem jogado, Casemiro está a adaptar-se e bem à posição 6, e o Ruben Neves será 6, na minha óptica e não 8.

- por digno sucessor de Lucho, entenda-se categoricamente que sucessor é a palavra que descreve "o que vem a seguir" e não "aquele que é idem-valoroso ou melhor". Não ponho o Herrera sequer na mesma liga da inteligência estratégica daquele que é o meu jogador preferido de sempre. Não o vejo como Caputão, sequer como Comandante. Digo-o porque, tal como Lucho, está cada vez mais abnegado, a criar jogo para os outros, e porque lhe vejo potenciar para alinhar o último passe - sei que não está no seu auge, ou espero - e distribuir bem.

Elogio-o, não por um só jogo, mas pela consistência que lhe reconheço. Como sempre, é só uma opinião, sujeita a que discordem dela e tenho todo o respeito pelas contrárias.

Abraço,

Jorge Vassalo | Porto Universal

João disse...

Além disso, realço o péssimo posicionamento de Herrera no 1º golo, adiantado em relação ao Casemiro em transição defensiva (quando todos sabemos que ele se deve teletransportar para elemento mais recuado do meio campo quando perdemos a bola), depois lá recebe a recuperação e manda aquele charuto, mas nunca devia estar ali e é isso que devemos retirar do lance.

Nuno Fonseca disse...

Também não disse nada disso do Torres e do Costa. Deve estar a confundir.

Em nenhum momento da discussão Quaresma, me lembro de ver esse argumento(que era por ser o Quaresma que a decisão era má). Mas Ok! Fui eu que não percebi então. E sendo assim não concordo, mas já nem digo mais nada porque não vale a pena. Para mim se um Jorge Costa, que seja, tentar fintar 4 jogadores e ,por incrível que pareça, consegue---> então é uma boa decisão.
Ainda por cima, admitindo que Quaresma já não consegue fazer determinadas coisas, essas coisas não são as que ele fez no seu golo ao Bilbao.

Luís Vieira disse...

DC, não meta tudo no mesmo saco, como é seu timbre, porque não me interessa a comparação entre o Nani e o Quaresma. Nas nossas cosmovisões do futebol, é fácil chegar a um “consenso” em relação ao lance do Nani: para mim, decidiu bem; para si, decidiu mal. Tão simples quanto isto e foi só quanto pretendi assinalar. Não me lembro de me ter queixado de diferença de tratamento em relação ao Quaresma, mas o DC pode sempre rememorar-me. Relativamente ao exercício que me propôs, a resposta é simples e o Paulo Costa ilustrou-a bem. Mas há mais: veja-se o golo ao Frankfurt. Fintou 2 jogadores (embora na ala) e meteu-a lá dentro, num remate de execução muitísimo mais difícil do que o do Nani. Não é por isto que o Quaresma é melhor ou pior que o Nani. No entanto, apesar de mais 3 anos de futebol nas pernas do que o Nani, o Quaresma também é capaz de o fazer - fintar 2 adversários e marcar - (técnica e fisicamente), não o pode negar. Em todo o caso, sem pingo de comparação, apetece-me acrescentar que, embora goste do Nani e ache que está (malgrado) a fazer uma época fantástica no Sporting, não é tão extraordinário como o Lateral Esquerdo o pinta. Não é sequer um jogador “top”, de classe mundial. É bom jogador e merece destaque, mas não faz/atingiu nada - de forma consistente, note-se - que o eleve à condição de craque. Aliás, faço aqui uma profecia (pode vir depois cobrar): o Nani jamais conseguirá ser figura maior de uma equipa a sério (que não o Sporting). Não há aqui clubismo, apenas objectividade.

José Rodrigues disse...

Eu compreendo q a prioridade no primeiro 1/3 da época fosse a LC.

Mas à entrada deste jogo em Minsk já tínhamos o apuramento garantido e o primeiro lugar, quase. Ora nao só o Lopetegui nao fez rotatividade na equipa inicial para este jogo, como até mesmo quando o jogo já estava ganho praticamente nao agiu.

José Rodrigues disse...

Nao tenho grande motivação para me expandir sobre o Herrera, mas nao deixo de achar piada q se faça uma discussão binária, como se só pudesse haver "defensores" e "críticos" do jogador (e de facto o artigo como foi escrito deu um bocado azo a q a discussão tomasse esses contornos).

Depois a esmagadora maioria dos portistas q estão algures no meio como eu (q nunca foram grandes adeptos nem críticos acérrimos do jogador) se calhar até ficam a pensar q deve haver alguma coisa errada com eles por nao escolherem "partido"...

Luís Vieira disse...

Pancas e DC, a carapuça não me serve porque nunca alinhei no putativo endeusamento do Herrera, a que fazem referência. A percepção que tenho da discussão acerca do tema Herrera é que os “apoiantes”, por norma, não o elevam a supra-sumo da equipa e, quiçá, do mundo (isso fica para o Brahimi e para o Jackson); pelo contrário, os seus detractores não resistem a, entre algumas críticas acertadas (e por aí não seriam julgados), literalmente destruírem o jogador (ora é cepo, ora é tijolos, ora é rugby). É apenas contra isto que me insurjo. De resto, bem sabem que quando me referi ao Herrera não me bastei com os famigerados kms que percorre. Vejo nele outras qualidades, já debitadas anteriormente. Se me permitem, não as vou repetir ;)

DC disse...

Pronto Luís, você acha que uma decisão é avaliada pelo seu resultado, eu acho que não. Acho que se se meter em contra-mão a ir para casa para poupar 20 minutos de trânsito, terá sempre tomado uma má decisão mesmo sem ter tido um acidente. Da mesma forma que acho que se um jogador tem um colega isolado em posição forntal com linha de passe aberta e prefere ir para o drible ou remate, mesmo que corra bem terá tomado uma má decisão.
Há más decisões com bons resultados e boas decisões com maus resultados. Se assim não fosse, o jogo não seria caótico como é. A boa tomada de decisão aproxima-o do sucesso, não o garante.

Luís Vieira disse...

DC, nao é bem isso que eu acho. Na minha opinião, se a decisão resulta em golo, objectivo fundamental do futebol, é sempre uma boa decisão, seja o remate decisivo, seja a assistência que lhe dá mote. Neste particular, para mim, é impo

pancas disse...

Caro Jorge Vassalo,
Viva! E muito me agrada ler a sua explicacao sobre a frase "digno sucessor do Lucho" que eu vi usada por uns quantos comentadores. Realmente ha muito poucos jogadores por ai que tem o tipo de inteligencia do nosso comandante!

Quanto a patrao do meio-campo... a minha opiniao e que atributos como forca, garra e corpo nao sao atributos futebolisticos. Talvez fizessem sentido ha 20 ou 30 anos, quando o futebol era um conjunto de 11 duelos individuais, mas agora e um jogo colectivo. Se esses atributos fossem os que importassem entao estariamos a escolher para nossos idolos jogadores como o Binya, o Fernando Aguiar, o Hugo Almeida, o Peter Crouch, tudo jogadores com muita forca, muita garra e muito corpo... E estariamos a dizer que fracos jogadores sao Messi, Aguero, Thomas Muller porque lhes falta corpo...

PS: Oliver ja e o jogador com mais Kms percorridos por jogo em media, tem sempre % de passes acertados de 85% para cima, aparece na area contraria para tabelar e na nossa area para defender, pressiona como nenhum outro... Falta-lhe corpo para que?

PS2: E acho que o Herrera nao jogou a segunda parte (a que jogou tao bem) a 8, mas sim a 10. Porque so a 10 se pode compreender como e que ele esteve tantas vezes colado a Jackson mas raramente veio atras da linha de meio campo.

Luís Vieira disse...

Estava eu a dizer (por alguma razão mística, o comentário não entrou totalmente)...Neste particular (golo), para mim, é impossível dissociar a decisão do resultado. O resultado aqui confunde-se com o sucesso, por isso não se trata de aproximação ao sucesso (objectivo das boas decisões, segundo o DC). Decisão, resultado e sucesso combinam-se pelo golo. Nas restantes acções, sim, a avaliação deve ser feita segundo o parâmetro que refere (embora haja sempre subjectividade na avaliação, a resposta não é tão imediata, de sentido único, como muitas vezes se passa ou deixa transparecer). Por isso, a comparação rodoviária do DC perde sentido porque são "contextos" completamente diferentes. Em suma, avalio a decisão pelo resultado quando o golo entra na equação, pelos motivos que expus. Quanto ao resto, parece-me que estamos no mesmo comprimento de onda, embora o DC seja mais inflexível no âmbito do conceito de boa decisão. Daí as diferenças de percepção.

Jorge Vassalo disse...

Começando pelo fim, aviso desde já que não sou mestre da táctica (aparentemente, esses doutos sabedores nem à Liga Europa vão :D) mas tenho para mim que, à excepção de um Quintero, Deco ou James, os 10 são mais 8s que fazem a posição 10. Ou não? É que sim, concordo, vejo o Óliver a descer muito e o Herrera a subir e vice-versa. Mas também vi que um meio-campo com Quintero-Óliver não tinha a mesma resistência física (é disso que falo com "ter corpo", é aguentar a carga de ombro e etc) que um Oliver-Herrera ou Quintero-Herrera. Corrija-me se estiver enganado!

Quanto aos nomes que fala, dependem das posições, não crê?

Abraço!

Jorge Vassalo | Porto Universal

Luís Vieira disse...

Pancas, a força e o "corpo" não deixaram de ser atributos futebolísticos, não obstante a evolução do jogo. Sem elas, não se seria futebolista (e não estou a falar de tamanho do gémeo ou de altura). São atributos que entram na combinação complexa que compõe atletas de alta competição. Pode é dizer que não são os elementos mais decisivos/diferenciadores, mas não pode negar a sua importância/necessidade para jogar futebol ao mais alto nível. A garra é uma questão diferente, identifico-a com uma atitude mental de "antes quebrar que torcer", uma enorme vontade de vencer e de não se deixar abater pelas contrariedades. E não haja dúvidas: o Messi, o Aguero e o Müller são jogadores cheios de garra.

DC disse...

Luís, para ilustrar o meu comentário:

https://www.youtube.com/watch?v=DG-eCSbPqCU

Repare na jogada aos 2:40s. Estava a ver esta jogada com um amigo e disse-lhe para não se preocupar que o Shikabala não era jogador de futebol. Não me interessa se ali a bola entrou. Quem faz aquilo não tem qualquer noção de futebol como jogo colectivo. Portanto, não concordo que uma decisão se analise pelo resultado, mesmo que o resultado seja o golo.

pancas disse...

Luis,
O que voce esta a dizer sobre a forca e que ha um certo minimo que e necessario para ser jogador profissional de futebol a alto nivel. Claro que eu concordo com isso. Nao se pode ir ao cafe mais proximo e escolher pessoas aleatoriamente para serem jogadores.
Mas o que eu estou a dizer e que a partir desse minimo (que obviamente e muito elevado, ja que e preciso ter uma resistencia fisica muito grande) nao faz sentido escolher jogadores ou dizer que este jogador e melhor do que aquele porque tem mais forca (a nao ser que todas as outras caracteristicas sejam iguais).

Em termos de corpo,( e para responder tambem ao Jorge), isso nem depende da posicao e ha muitos exemplos de jogadores com menos corpo que nunca tiveram problemas por causa disso - mesmo em posicoes onde sempre se pensou que o tamanho era crucial. Por exemplo defesas centrais, onde sempre se pensou que quanto maior melhor, mas depois ve-se que alguns dos melhores nem sao assim tao grandes, em altura ou compleicao fisica... Cannavaro, R Carvalho, Otamendi, Baresi, Hummels, etc

Definindo a garra como, digamos, "forca psicologica", concordo.
Eu estava mais contra essa ideia porque na maior parte das vezes tenho visto essa garra definida como "sentir o clube" e "suar a camisola" e esses cliches francamente podem servir para vender cachecois, mas para jogar futebol servem muito pouco!!!

Luís Vieira disse...

Não defendo a opção do Lopetegui pela não rotatividade neste jogo, apenas a considero compreensível e aceitável face ao que temos visto na Champions. E depois do 1º lugar garantido à 5ª jornada e da possibilidade de descanso na 6ª, antes de recebermos o Benfica em jogo importantíssimo, como criticar?

Luís Vieira disse...

DC, trouxe um bom exemplo para ilustrar as nossas diferenças de concepção do jogo, neste aspecto. Esquecendo a valia futebolística do Shikabala, a decisão que ele tomou, para mim, foi excelente porque resultou em golo. O golo é um atestado de qualidade da decisão (apenas porque é golo). Isto porque um golo traça a diferença entre a vitória e a derrota de uma equipa. No lance em apreço, reconheço que seria mais inteligente e provável de “aproximar do sucesso” o Shikabala endossar a bola aos companheiros isolados. No entanto, o futebol tem destes atalhos que o tornam maravilhoso e imprevisível (ou caótico, como referiu). A sua decisão revelou-se afinal muito boa porque não só alcançou o desiderato da equipa, como o fez com especial classe e beleza. É a parte irracional que eu valorizo (daí gostar de um jogador como o Quaresma). No entanto, se ele falhasse o golo por causa do seu individualismo exacerbado, já me veria a criticá-lo. O golo é uma nuance que na avaliação de uma decisão, para mim, faz toda a diferença.

Luís Vieira disse...

O pancas disse peremptoriamente que a força, o corpo e a garra não eram atributos futebolísticos. Apenas realcei que isso não é verdade: continuam a ser atributos futebolísticos. O que acontece é que, no futebol moderno, não são factores tão diferenciadores como outros.

DC disse...

Então e agora pense como treinador Luís. Como é que quer dar orientações à sua equipa a reforçar positivamente comportamentos como o do Shikabala?
Acho que é pacífico dizer que o Shikabala em 20 jogadas destas faz 1 golo mas que se em 20 destas desse ao lado marcava, no mínimo, 10 golos. Portanto, como é que você, se fosse treinador, poderia aplaudir o seu jogador neste golo para o ver no lance seguinte fazer o mesmo? E no lance seguinte, se ele falhasse criticava-o? E depois ele perguntava-lhe "Mas eu agi exactamente da mesma maneira e duma vez aplaudiu e doutra criticou, como é?".
Se você explica a um jogador que num 3x1 como este tem que atrair o defesa e soltar no colega isolado, não pode nunca, sendo treinador, reforçar positivamente um comportamento diferente do que treinou.
Ou então tem que dizer que num 3x1 fazem o que quiserem e se der golo tá bom. Mas para isso é preciso treinadores?

Luís Vieira disse...

DC, provavelmente diria: "o que fizeste não é o mais indicado, mas se o conseguires fazer sempre, tens salvo-conduto". A minha avaliação é baseada apenas naquele momento específico do jogo, não tem uma motivação prospectiva. No treino, naturalmente, diria para passar a bola ao colega isolado, não encorajaria o egoísmo. No jogo, se o jogador me provasse o contrário, com um golo do género, teria de enfiar a viola ao saco e congratular-me pela decisão. Acho que esta flexibilidade não está errada, principalmente quando nos dá vitórias. São as agruras de passar do treino ao jogo. Reformulando a sua frase: num 3x1 fazem o que eu mando no treino, mas se não fizerem e conseguirem o mesmo objectivo (golo) têm atenuante. Mas só nesse caso, o que limita muito o livre-arbítrio do jogador, porque sabe que tem de ser perfeccionista se optar pelo lance individual. Ou marca golo ou leva nas orelhas. O treinador não deixa de ser preciso por causa disso.

DC disse...

Eu acho que deixa, porque o treinador deve dar os principios aos jogadores e pensar que nem todos têm a mesma capacidade de execução.
E o Luís acaba por concordar parcialmente comigo ao dizer que não é o mais indicado. Ou seja, a decisão é errada, o resultado até pode ser bom mas o princípio em si acaba por ser errado. Portanto, duma perspectiva de input, antes do lance acontecer, o Luís diria sempre o mesmo que eu, que a decisão certa é passar. E acho que os jogadores, não conseguindo também prever o seu sucesso ou insucesso, devem pensar da mesma forma.

Luís Vieira disse...

DC, como lhe disse, é uma questão de subtileza e flexibilidade. Em tese, a decisão é errada, mas o resultado invalida o princípio porque dá golo, tornando-a correcta. Por se tratar do golo é que o resultado se confunde com a decisão e com a sua avaliação. É um desvio à regra, para mim, admissível. O DC, se fosse treinador, em jogo, condenaria sempre esta decisão (o jogador seria criticado caso marcasse ou falhasse). Eu aplaudiria se marcasse; se falhasse estaria consigo. No treino estariamos no mesmo lado da barricada - algum dia teria de ser :)