sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Olá Opare, adeus Opare

O defesa direito ganês Daniel Opare foi contratado pelo FC Porto no Verão. O defesa direito ganês Daniel Opare foi emprestado pelo FC Porto ao Bessiktas no Inverno. Pelo meio, o ganês Opare não disputou um só jogo pelo clube. Nem vai disputar no que resta de temporada. Mais um desses negócios dificeis de explicar mas, infelizmente para um clube que tem um curioso overbooking para quem acumula tanto passivo, recorrente.

Opare chegou a custo zero mas tanto os seus salários como comissões algo custaram ás arcas do clube. Que tivesse chegado depois de ter passado pelo Standard Liege, o clube do velho amigo Onofrio, não deve surpreender ninguém. Há seis anos atrás o lateral era uma das grandes promessas africanas. Assinou em 2008 pelo Real Madrid depois de ter despontado na selecção sub-17 ganesa. No clube espanhol cruzou-se com Julen Lopetegui mas o clube não ficou demasiado impressionado. A sua adaptação ao futebol europeu foi lenta e pouco convincente e acabou dispensado depois de dois anos no Castilla. Esse cenário só por si quer dizer pouco se tivermos em consideração todos os bons jogadores que a formação merengue dispensa de tempos a tempos. Mas com a carta na mão, Opare rumou ao Liege, uma liga acessivel e que serve muitas vezes de porta de entrada para os futebolistas africanos na Europa. Essa era a sua prova de ferro. Não se pode dizer que a tenha superado. Não encantou, não deslumbrou e foi perdendo protagonismo até mesmo na sua equipa nacional quando todos apontavam-no como o lateral direito titular para a década dos "Black Stars". Ainda assim esteve no Mundial do Brasil (jogou apenas o primeiro encontro) e poucos dias depois de abandonar o torneio assinou pelo FC Porto. Por recomendação de Lopetegui? Por insistência de Onofrio? Não creio que alguma vez o saberemos.

Opare vai agora emprestado para o Bessiktas porque na realidade encontrou-se com três cenários.
O primeiro e mais cruel de todos foi uma larga lesão que o manteve afastado da equipa. Um infortúnio sem dúvida que não o deixou provar seguramente tudo aquilo que quem o contratou pensou que iria ver nele. Mas, sem dúvida, mesmo recuperado, Opare teria tido de medir-se com um enorme Danilo - que grande, grande temporada - e um Ricardo Pereira habilmente recuperado para a posiçaõ de lateral. Tem um futuro tremendo o internacional sub-21, tanto como lateral como a jogar a extremo. Quem viu jogar Secretário e Conceição nas duas posições sabe bem do que falo. É antiga a tendência do FC Porto reconverter extremos em laterais e vice-versa.
Mas, seguramente, o grande problema de Opare no FC Porto foi que nunca devia ter sido contratado. O seu destino estava escrito mal aterrou na Invicta. A sua chegada como a de tantos jogadores de um perfil similar responde pouco a critérios desportivos. Numa posição coberta por um dos melhores do Mundo com uma jovem promessa como "understudy" (e Ricardo já tinha sido testado no passado nesse posto) que sentido faria adquirir um jogador que nem tinha condições para estar ao nivel de Danilo se este fosse vendido como, seguramente, não seria o melhor dos suplentes para Ricardo no caso deste ter de agarrar a titularidade. Opare, aos 24 anos, está na terra de ninguém, um momento complicado para a carreira de qualquer jogador. O empréstimo é uma boa opção (na equipa B há Victor Garcia que tem de crescer e jogar) mas parece-me evidente que nos próximos três anos o seu nome continuará todos os anos a fazer parte do plantel mas a sua utilidade desportiva será escassa.



Sempre comentamos que o problema do passivo só se resolve com grandes vendas mas a verdade é que são os pequenos detalhes que contam. Ter um plantel grande para uma equipa que disputa uma média de 45 jogos ao ano, muitos dos quais com um nivel de exigência médio-baixo, e que tem um passivo importante e uma equipa B e umas camadas jovens a quem recorrer parece-me um erro. E esses planteis ficam de tamanhos desproporcionados por contratações como as de Ricardo (guarda-redes), de Opare ou dos Prediguers, Kazmierkzaques, Mareques e afins do passado. É uma licção que ainda ninguém pareceu aprender. Ao jogador a melhor das sortes na Turquia, a quem dirige o clube um alerta mais, como tantos outros, que há dias em que mais vale guardar a caneta no bolso e não assinar contratos que saem mais caros do que aquilo que parece.

12 comentários:

Carlos disse...

'Há seis anos atrás o lateral era uma das grandes promessas africanas. Assinou em 2008 pelo Real Madrid depois de ter despontado na selecção sub-17 ganesa. No clube espanhol cruzou-se com Julen Lopetegui mas o clube não ficou demasiado impressionado. A sua adaptação ao futebol europeu foi lenta e pouco convincente e acabou dispensado'

Quantos jogadores assim o Porto não recuperou e tirou partido deles ao longo das últimas 3 décadas ?
Podia ser mais criterioso ? talvez.
Mas meter tudo no saco de más aquisições parece-me exagerado.

Joao Goncalves disse...

"há dias em que mais vale guardar a caneta no bolso"... e outros que mais vale estar calado.

Então e o Ángel não é a mesma critica? Ou será porque o Ángel conseguiu se impor?

O ano passado diziam, inclusive vocês aqui na Reflexão, que os laterais estavam exaustos porque não tinham opções para os fazer descansar e no ano passado Ricardo já cá estava...

Ricardo é extremo e o ano passado foi desenrasca uma quantas vezes e foi desenrasca mesmo a lateral esquerdo e numa época em que até Vitor Garcia chegou a jogar na A.

O projecto Ricardo a lateral direito ganhou asas e solidez somente esta época, e muito devido à lesão de Opare e à segunda lesão que teve depois de estar cá.

Obviamente e após Ricardo ter demostrado qualidade para ser opção, a vida de Opare ficou muito mais complicada mas na montagem do plantel em Julho/Agosto, Opare e Danilo eram para ser os dois laterais e Ricardo, jogar na frente como o fez na única vez que Lopetegui o viu jogar "in loco" e sempre o fez nos Sub-21.

Portanto é de uma desonestinadade intelectual vir colar Opare a outras situações anómolas e impossiveis de perceber que temos/já tivemos no plantel, como é correntemente o caso de Ricardo(o GR) que esse assim, nunca percebi nem ninguém percebeu o que raio veio para cá fazer, quando até um suplente novo Lopetegui preferiu ir comprar ou outras situações na equipa B que ainda são mais ridiculas (Braima Candé, SIemann, Célestin Djin, etc...)...

carlos eduardo Cardoso disse...

O grande problema é que ele agora já deve ter 45 anos.

Hugo disse...

Nao se deixem enganar por este senhor que ja foi desmascarado noutros lados por ser benfiquista.

João disse...

Desculpe João, mas isso não faz qualquer sentido. Se era suposto o Ricardo actuar exclusivamente a extremo, o que não tenho por minimamente seguro, também era encostá-lo atrás de Tello, Brahimi, Quaresma, Ádrian Lopez, Aboubakar, Quintero enfim a míriade de jogadores que já actuaram lá esta época quando Ricardo estava perfeitamente disponível.

Acho que é mais ou menos evidente que o Ricardo conta para Lopetegui como polivalente (é, alias, ideia dele fazer o mesmo com o Kayembe) mas primeiramente como opção para a lateral e a contratação de Opare nunca fez sentido, até porque o Victor García já mostrou que dava conta do recado e numa hecatombe em que tivessem os três indisponíveis, o Maicon pode fazer a lateral e caso o avião com o plantel se despenhasse, vá lá, ainda tínhamos o inenarrável David Bruno.

O Porto tem 3 laterais direitos, 2 de origem e uma óptima adaptação, muito competentes. Chega e sobra.

Joao Goncalves disse...

Conta agora, mas em Julho/Agosto não contava e é a essa altura que temos que nos reportar (assim como não contou na época anterior toda em que se rebentou o Danilo completamente)

Não nos podemos estar a reportar a este momento quando a realidade à 7 meses atrás era completamente diferente e nesse momento Lopetegui recebeu um plantel com a informação que tinha apenas e só 2 laterais (Danilo e Alex Sandro) e que se tinha que contratar mais 2 para culmatar asituação... que foi exactamente o que se fez.

7 meses atrás dizia-mos que deveria se apostar em Ricardo para extremo e para combater com Quaresma e Tello pelo lugar, podendo ser uma boa alternativa... hoje em dia olhamos para Ricardo e claramente o suplente de Danilo... A mudança foi ocorrendo proporcionada pela necessidade e pela lesão de Opare.

Se Opare não tivesse estado tanto tempo ausente, Ricardo continuaria a ser Extremo e não Lateral, basta para isso analisar todos os jogos que fez pela B onde só uma vez foi puxado para lateral na segunda parte, após ter sido titular a extremo, como sempre.

Portanto, nunca houve a intenção de transformar Ricardo num lateral, nem pelo treinador nem pela estrutura, senda as circuntâncias e a qualidade inata do atleta que tranformaram-no numa opção assertiva para a posição.

Bruno Pinto disse...

Esta crítica à contratação do Opare não faz nenhum sentido, pois a ideia inicial foi ter 2 jogadores para cada lugar e ele foi contratado para ser o concorrente do Danilo. O decorrer da época mostrou a inutilidade do ganês, não só pelo rendimento do Danilo, como pela aposta no Ricardo Pereira. A verdade é que se conseguíssemos prever o futuro era tudo muito fácil e jogar no totobola à segunda-feira é muito mais fácil que tomar decisões.

Dito isto, não deixo de concordar com a ideia que o FC Porto gasta muito acima daquilo que devia. Contrata jogadores a mais, mantém emprestados jogadores a mais, assina contrato com jogadores a mais, aumentando exponencialmente os seus custos, que deveriam ser geridos de forma mais criteriosa. Defendo esta ideia à imenso tempo. Já se sabe que não se pode acertar sempre nas contratações. Para contratar um James ou um Hulk, às vezes é preciso dar tiros em Mareques ou Quintanas. Mas há compras que se revelam incompreensíveis desde o início, onde se gastam milhões de euros em jogadores que está na cara desde logo que não servem.

É preciso mais critério na hora de escolher e gastar dinheiro. Menos opções caras e de muito risco - Reyes, é um exemplo flagrante. E mais opções pela certa. Há alguns jogadores em Portugal cujo risco de falharem é muito menor e que implicariam investimentos talvez menores a algumas escolhas arriscadas: André André, Pedro Tiba, Diego Lopes, Hernani, Ali Ghazal, Diogo Amado. Não estou com isto a dizer que não se deva continuar a apostar no mercado internacional, porque construir plantéis fortes só em Portugal é impossível. Mas o caminho certo é haver um equilíbrio entre ambos.

Por outro lado, haver uma aposta maior na formação do clube. Por ano, apostar sem medo em 1, 2 miúdos para o plantel principal, pois só assim aparecerão mais Rúben Neves. Gonçalo Paciência, André Silva, Ivo são melhores e mais baratos que muitos dos que foram contratados fora nos úlimos anos. Além disso, ter uma equipa B caríssima como é a nossa, é algo que tem de acabar o quanto antes.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Quando o FC Porto arrancou a temporada tinha em quadros:

- Danilo (titular indiscutivel)
- Victor Garcia (titular indiscutivel na equipa B e cuja renovação de empréstimo estava apalavrada)
- Ricardo Pereira (jogador que disputou algum que outro jogo no Vitória e no FC Porto como lateral sem nunca comprometer)
- Maicon (central que também já jogou, e cumpriu, como lateral direito).

Para lateral esquerdo o FC Porto tinha

- Alex Sandro (titular indiscutivel)
- Kayembe (jogador adaptado a lateral na equipa B)
- Rafa (melhor lateral da sua geração em Portugal)
- Martins Indi (central que jogou dezenas de jogos como lateral na Holanda)

Face a essa situação em Agosto, não agora, critiquei as incorporações tanto de Opare como de Jose Angel por entender que iam contra a necessidade do clube de reduzir gastos com salários/premios/comissões em posições onde o lugar de suplente pode ser perfeitamente coberto tanto com jogadores da equipa B como outros jogadores do plantel A. Especialmente se os jogadores incorporados não têm nivel para assumir titularidade indiscutivel como me parece ser o caso de Opare e José Angel.

Infelizmente para o Opare a lesão veio prejudicar ainda mais a sua frágil posição quando chega (e a grande época do Danilo) mas já o próprio José Angel tem tido muito poucas oportunidades como seria de esperar.

Não vejo qual pode ser o problema em ter a jogadores como Rafa, Kayembe, Ricardo e Victor Garcia (4) como backup de posições de suplentes. Vejo onde está o problema em ter jogadores com ficha e salário de primeira equipa para jogarem 2 ou 3 jogos ao ano. O Opare, nesse sentido é um exemplo perfeito dessa politica erronea.

João disse...

Oh João, está tudo bem consigo? Tem noção da quantidade de jogos que o Ricardo fez a lateral na época passada, um deles em Nápoles?

Se o Lopetegui não sabia disso em Julho/Agosto está a operar na estrutura mais amadora do futebol europeu.

João disse...

É raro, mas estamos completamente de acordo, e eu até nem desgosto do José Angel e assinalo que o Rafa está a demorar a subir de nível. Mas que pensei exactamente o mesmo quando chegaram, pensei.

Filipe Ferreira disse...

Por algum motivo nós conseguimos ser campeões europeus e mundiais com muitos jogadores portugueses e alguns da nossa casa.....

Joao Goncalves disse...

Incorrecto!

Indi chegou depois de Opare e já com a pré-época a decorrer.
Kayenbé nunca tinha jogado a lateral na vida.
Rafa um lateral esquerdo interessante mas que os treinadores tardam em dar-lhe a titularidade na equipa B... pode vir a ser um grande lateral mas não para agora.
Maicon cumprir como lateral é piada... todas as vezes que ele lá jogou a equipa ficou coxa ofensivamente e quando apanha um jogador com alguma técnica e velocidade, então foi um buraco por ali
E Ricardo estava referenciado como Extremon apesar de já ter desenrascado a lateral.

E como estamos a falar do FCP e não do Cinfães, esse pensamento é incorrecto e levou ao clube ao ano anterior ter expremido os seus dois laterais até esses quase não conseguirem andar.

Portanto Opare, Ángel, Óliver, Tello, Indi, Brahimi, Aboubakar, Ricardo(GR com a lesão de Helton) vieram tapar lacunas evidentes na formação do plantel para esta época.

O que desde inicio não se percebeu foram as contratações de Andrés Fernandez (depois de contratado Ricardo e sem ser para tirular), Otávio, Campanã, Adrían Lopez.