quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A tacinha da treta

Como se já não bastasse tudo o resto…

fonte: Liga Portugal
Faz algum sentido, a fase de grupos da Taça da Liga ter grupos com 4 equipas e outros grupos com 5 equipas?

Faz algum sentido, haver grupos com um número impar de equipas, o que obriga, em cada uma das jornadas desse grupo, a haver uma equipa que “folga”?

Dá alguma seriedade à competição, chegar à última jornada dos grupos com 5 equipas, a equipa de “folga” ter hipóteses de apuramento, mas as restantes saberem os resultados que precisam de fazer (como foi o caso do grupo do Sporting)?

Dá algum interesse à competição, disputar a última jornada dos grupos com 5 equipas, se a equipa de “folga” já estiver apurada (como foi o caso do grupo do FC Porto)?

Por que razão, as equipas apuradas nos grupos com quatro equipas, beneficiam do facto de ir disputar o jogo da meia-final em casa?

Reparemos no seguinte exemplo, o qual, com certeza, é fruto de meros acasos…

O SL Benfica calhou num grupo de 4 equipas (o Sporting e o FC Porto calharam em grupos de 5 equipas). Foi sorte…

O SL Benfica disputou apenas 3 jogos, dois dos quais em casa (o FC Porto disputou 4 jogos e os dois que disputou fora de casa foram, por acaso, contra os adversários mais fortes do seu grupo – Rio Ave e SC Braga). Foi sorte…

O SL Benfica vai disputar a meia-final no estádio da Luz. Ou seja, tem um tapete vermelho estendido para chegar à Final desta competição, após ter disputado três jogos em casa e apenas um fora. É a sorte…

O FC Porto vai disputar a outra meia-final à Madeira. Ou seja, se chegar à Final, será após ter disputado dois jogos em casa e três fora. É a (falta de) sorte…

Chegados a este ponto, ainda haverá alguém que dê credibilidade a este aborto competitivo?

14 comentários:

Hugo disse...

Totalmente de acordo.

João Lopes disse...

"Chegados a este ponto, ainda haverá alguém que dê credibilidade a este aborto competitivo?"
Nem mais... Um completo aborto esta competição!
Parabéns pelo blog.

Nuno Salvaterra disse...

"O SL Benfica calhou num grupo de 4 equipas (o Sporting e o FC Porto calharam em grupos de 5 equipas). Foi sorte…"
As probabilidades de qualquer uma das equipas calhar num grupo de 4 equipas (versus de 5 equipas) é de 50%. Se na meia final o FC Porto perder o lançamento de moeda ao ar no início do jogo também vamos ter direito a post sobre isso?

"O SL Benfica disputou apenas 3 jogos, dois dos quais em casa (o FC Porto disputou 4 jogos e os dois que disputou fora de casa foram, por acaso, contra os adversários mais fortes do seu grupo – Rio Ave e SC Braga). Foi sorte…"
Os cabeça de série na Taça da Liga desde sempre jogam dois dos três jogos em casa. Não foi algo que mudou este ano. Quem disputa quatro jogos parece-me simplesmente lógico que sejam dois em casa e dois fora. Sobre os dois mais fortes calharem fora a probabilidade é de 1 em 6. Se consideram isso improvével aconselho este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bFfSfzjhfC8

"O SL Benfica vai disputar a meia-final no estádio da Luz. Ou seja, tem um tapete vermelho estendido para chegar à Final desta competição, após ter disputado três jogos em casa e apenas um fora. É a sorte…"
A mesma frase, aplicada ao ano passado: "O FC Porto vai disputar a meia-final no estádio do Dragão. Ou seja, tem um tapete azul estendido para chegar à Final desta competição, após ter disputado três jogos em casa e apenas um fora. É a sorte…"

"O FC Porto vai disputar a outra meia-final à Madeira. Ou seja, se chegar à Final, será após ter disputado dois jogos em casa e três fora. É a (falta de) sorte…"
A probabilidade de chegar à final com dois jogos em casa e três fora é de 50%. Os outros 50% são dois jogos fora e três em casa. Novamente: estejam atentos ao lançamento da moeda no início da partida, se não conseguirmos escolher campo é razão para suspeitar de bandidagem.

Em resumo: aprecio a vossa paixão pelo clube, valorizo escreverem regularmente um blog, fico ofendido com as falácias e a choraminguice que sempre associei ao pior que o benfiquismo tem.

De um leitor atento,

Nuno Salvaterra

Luís Vieira disse...

De facto, é difícil dar crédito a tamanha "coincidência". De qualquer forma, não só, mas também por isso, gostaria que o Porto ganhasse finalmente esta tacinha. A Taça das Taças está-me entalada (uma competição em que participámos e que não ganhámos, todos sabemos porquê e o Platini melhor ainda), não quero ficar também com a Taça da Liga encravada, até porque existe a probabilidade de acabar, qualquer dia.

Miguel Lima disse...



esta competição está "ferida de morte" desde a sua criação. esta edição é tão-somente mais um prego no seu caixão...
e, mais uma vez, comprova-se que "de boas intenções está o Inferno cheio" - no sentido em que as razões que levaram à sua criação esfumaram-se mais rápido do que o lucílio apitar para a marca de 'penálte'...

abr@ços
Miguel | Tomo II

Patricia Almeida disse...

Sendo 18 equipas era mais lógico ter 3 grupos de 6 equipas mas... a tacinha não era a mesma coisa...

RS disse...

E mais uma vez não há CS que chame os bois pelos nomes. No ano passado foi o folclore que se viu por causa de 3 minutos de atraso no inicio do jogo da ultima jornada da fase de grupos. Mas este ano, a ver pelos silêncios, parece que a "verdade desportiva" está a imperar nesta competição... e já nem me refiro ao que se passou no SCB-FCP...

Tiago Stuve Figueiredo disse...

Caro José, já para não falar do facto de o benfica ter jogado os dois primeiros jogos do grupo em casa e só o terceiro fora.

Com jeitinho quando fosse jogar fora o jogo nem serviria para nada.

João disse...

O facto de disputarem dois jogos em casa e receberem o adversário mais difícil (Nacional) enquanto nós vamos a Vila do Conde e a Braga também deve ter sido fifty-fifty.

Depois do "Penaf... perdão Benfica" do sorteio da Taça na época passada, há lirismos que só me dão para rir.

meirelesportuense disse...

O que meu vontade de rir foi o Sporting ter ido borda fora depois de ter feito o barulho que fez na época passada por uma questão de alguns minutos de atrazo...Agora aguentaram o jogo todo e nem tussiram nem mugiram.O Benfica mais uma vez comeu-os de cebolada.É de trolarós completos.

Nuno Salvaterra disse...

Reparei que só ficou publicada a segunda parte do meu comentário e não a primeira. Aqui vai novamente:

Caríssimos. Sou portista e aprecio há já bastante tempo o vosso blog, penso que fazem no geral boas análises e colocam posts bastante interessantes. No entanto, o nível de parcialidade de algumas opiniões é de um nível estratosférico. Este post é um bom exemplo de como ser ofensivo a quem não queira embarcar no tipo de teoria de conspiração tão apreciado pela massa benfiquista.

Neste post, para suportar uma visão de que há manipulação das regras da competição, do sorteio, ou de ambos, baseiam-se em dados colhidos a dedo e ignoram noções básicas de probabilidade. Abordando especificamente as vossas críticas:

"Faz algum sentido, a fase de grupos da Taça da Liga ter grupos com 4 equipas e outros grupos com 5 equipas?"
São 18 equipas na Primeira Liga. Os divisores inteiros de 18 são o 1, 2, 3, 6, 9 e 18. Sabendo que a seguir a esta fase de grupos é uma fase de eliminação, o número de equipas a apurar terá de ser uma potência de 2 (no formato actual da competição esse número é 4). Conjugando os dois factores, a única solução para o problema seria ter dois grupos de 9 equipas, o que daria 8 jornadas, o que tornaria isto um mini campeonato. Era preferível esta solução a grupos de dimensão diferente? Não me parece.
Adicionalmente, em apuramentos para o Europeu e o Mundial existem grupos com dimensão diferente desde sempre e com regras ainda mais bizarras, como o melhor segundo a passar directo ou o pior segundo a não ir a playoff. Nunca ouvi ninguém a queixar-se de grupos com dimensão diferente.

"Faz algum sentido, haver grupos com um número impar de equipas, o que obriga, em cada uma das jornadas desse grupo, a haver uma equipa que “folga”?"
Este ponto está relacionado com o anterior, pelo que para garantir grupos com dimensão igual e par só temos as opções de 1 grupo com as 18 equipas (já existe: chama-se Primeira Liga), 3 grupos de 6 equipas (passavam os vencedores e o melhor segundo, ou havia playoff entre os segundos?) ou 9 grupos de 2 equipas (boa sorte para a fase seguinte, os quartos-e-meio-de-final).

"Dá alguma seriedade à competição, chegar à última jornada dos grupos com 5 equipas, a equipa de “folga” ter hipóteses de apuramento, mas as restantes saberem os resultados que precisam de fazer (como foi o caso do grupo do Sporting)?"
Isto é uma consequência de grupos ímpares, abordados acima, acontecendo muitas vezes nos referidos apuramentos para Europeu e Mundial.

"Dá algum interesse à competição, disputar a última jornada dos grupos com 5 equipas, se a equipa de “folga” já estiver apurada (como foi o caso do grupo do FC Porto)?"
Isto por outro lado não é exclusivo de grupos ímpares, sendo uma situação comum em qualquer competição desportiva por pontos. Que interesse teve a nossa última jornada da Liga dos Campeões este ano? Quantas vezes o vencedor de um campeonato já está decidido a uma, duas ou mais jornadas do fim? A Champions e a Liga também são abortos competitivos? Lá pela equipa apurada estar em campo ao mesmo tempo que os outros de repente os jogos ficam interessantes?

"Por que razão, as equipas apuradas nos grupos com quatro equipas, beneficiam do facto de ir disputar o jogo da meia-final em casa?"
As equipas dos grupos A e B são as que jogam em casa nas meias-finais. Isto provavelmente não foi revisto à luz da extensão da competição para 18 equipas da fase de grupos.

José Correia disse...

"São 18 equipas na Primeira Liga. Os divisores inteiros de 18 são o 1, 2, 3, 6, 9 e 18"

Vou tentar explicar devagarinho...

1) A Taça da Liga abrange as equipas da I e II Ligas.

2) Tal como nas competições europeias, antes da fase de grupos da Taça da Liga, há outras fases, onde diversas equipas ficam pelo caminho.

3) Conjugando os pontos 1 e 2, não é difícil chegar a um número de equipas adequado para a fase de grupos da Taça da Liga - 8, 16 ou 32 - de modo a evitar todos os problemas referidos, que afectam a seriedade e interesse da competição (que já era baixo).

Percebeu?

Nuno Salvaterra disse...

Para aplicar essa lógica terá de ser a esta fase de grupos e à primeira fase de grupos onde jogam apenas os clubes da II Liga. Assim sendo teríamos de acrescentar antes da primeira fase de grupos uma outra eliminatória com as oito últimas equipas da II Liga. Daí só passariam quatro, às quais se juntariam as dez restantes equipas da II Liga e as duas piores da I Liga (leia-se quem se apurou nesse ano). Dessa fase de grupos sairíam oito para disputarem com os 9º a 16º classificados da I Liga o acesso à segunda fase de grupos, que seria completado com os oito primeiros da I Liga. Não acho mal, sempre é melhor do que a sugestão que li nos comentários de 3 grupos de 6 clubes.

Por curiosidade, defende o mesmo para os apuramentos europeus de selecções, em que haveria antes da fase de grupos eliminatórias com os últimos do ranking de forma a harmonizar o tamanho dos grupos?

E sobre o que apontei acerca do interesse competitivo da última jornada, tem algum comentário adicional?

Ah, e obrigado por responder às minhas críticas.

José Correia disse...

"Por curiosidade, defende o mesmo para os apuramentos europeus de selecções, em que haveria antes da fase de grupos eliminatórias com os últimos do ranking de forma a harmonizar o tamanho dos grupos?"

Naturalmente.
Aliás, deveria haver, da parte da UEFA, a preocupação de reformular completamente as fases de apuramento para europeus e mundiais, de modo a evitar os muitos jogos que existem sem qualquer interesse competitivo (tão grande é a diferença de nível entre as melhores e as piores seleções do ranking).