terça-feira, 24 de março de 2015

O que queremos para o futuro, o Campeonato ou a CL?


Não são objectivos mutuamente exclusivos, mas têm de ser compatíveis no seio de qualquer plantel do FC Porto.
A FC Porto, SAD terá que responder a esta pergunta para começar a planear a próxima época e decidir qual o lote dos jogadores que fará parte do plantel disponível para Julen Lopetegui. E aqui surge uma importante equação: queremos ser campeões nacionais e esse será o principal desígnio ou queremos fazer uma boa campanha na Champions League?

O jogo na Madeira, contra o Nacional, mostrou que existem jogadores pouco focados no campeonato, em deficiente forma física ou com a cabeça nos jogos a disputar nos quartos-de-final da Champions League contra o Bayern de Munique. Sem ter feito uma primeira parte brilhante, a equipa chegou ao balneário a vencer por 1-0, fruto da inspiração de Tello que, da direita, flectiu para o centro e à entrada da área desferiu um pontapé indefensável. Esperava-se que na segunda parte o FC Porto conseguisse aguentar o resultado ou até dilatá-lo para segurar um triunfo que deixaria o campeonato em aberto praticamente até ao fim.

Como aqui já sugeriu o Miguel Lourenço Pereira, Lopetegui poderia fazer subir Marcano ou Maicon para a posição de pivot e colocar Indi a central ou fazer entrar mais cedo o Quaresma, substituindo o desinspirado Brahimi ou ainda colocar o argelino no meio campo tirando o Evandro. E tinha no banco Oliver, que presumo estivesse em condições de jogar, caso contrário não teria sido convocado. O jogo pedia jogadores meio campistas com capacidade para fazer pressing e segurar o jogo. As substituições realizadas (Casemiro por Ruben e Quintero por Evandro) não surtiram efeito e permitiram a continuação das jogadas de perigo do Nacional que, verdade seja dita, só sabe jogar em contra-ataque. Lopetegui leu mal o jogo.

Mas o problema não foi apenas o treinador. Viu-se bem que há demasiados jogadores que não metem o pé e que não arriscam o contacto físico. Uma equipa que quer ser a melhor a nível interno tem de dar o máximo e encarar com grande seriedade todos os jogos do campeonato. Em minha opinião estamos, também, com um problema de atitude. Jogadores como Tello, Brahimi, Alex Sandro e Quintero não deram tudo o que tinham na Choupana e não têm dado tudo em vários jogos disputados na liga nacional. O próprio Herrera, que tem feito exibições de grande nível na Champions League, mostra-se uns furos abaixo quando o jogo é a contar para o campeonato. 


A meu ver, o projecto FC Porto foi vendido a demasiados jogadores apenas e só como uma oportunidade para jogarem na Champions League. Não sabem o que é o FC Porto, não sabem qual é a sua história e sobretudo não sabem que não lhes basta ser melhores, que têm de ser muito melhores para conseguirem vencer. A montra mundial pode atrair muitos jogadores mas não aqueles com a disponibilidade e a capacidade de entrega que o clube precisa para ser campeão nacional.

E por isso, quando se constrói um plantel, é necessário entender que nem só de jogadores talentosos se constrói um campeão. É preciso jogadores com garra, com querer, com ambição e com capacidade de sofrimento. Porque também é disto que um jogador “à Porto” é feito. A preparação para a próxima época já estará, seguramente, em curso. Cabe à Administração da SAD, em articulação com o treinador, construir um plantel com ambição e talento, mas também com garra para disputar todos os jogos da principal competição interna com nível máximo de intensidade, não apenas os jogos que respeitam à competição favorita dos jogadores, a Champions League.
     

6 comentários:

Ricardo Cabral disse...

Caro Nuno, permita-me discordar um pouco do seu artigo. Quem viu o jogo contra o Braga (taça da liga) ou mesmo o jogo contra o Arouca (80 min com menos um jogador), reconhece que a equipa está unida num objectivo comum.
Aliás, se bem se recorda, desde o jogo com o Marítimo que estávamos irremediavelmente afastados do título, mas o que é certo é que já só estamos a 3 pontos do Colo-Colo... Reconheço que alguns jogadores estão a quebrar fisicamente (Alex Sandro - where are you?), mas estamos na luta, ah se estamos... prefiro ver pelo lado positivo, estamos a chegar e eles a começaram tremer, muito...
Temos um plantel muito (excessivamente?) jovem, mas que está onde algumas equipas experientes não chegaram, temos de o saber valorizar, imagine o que diriam os jornais da capital se a situação fosse inversa? Faziam uma capa vermelha todos os dias com a excelência dos resultados.
O treinador já provou que aprende rápido (o jogo da taça com o sporting foi a pedra de toque), e embora tenha algumas fragilidades a ler determinados jogos (este foi um exemplo claro), tem dado provas de uma enorme qualidade, espero, muito sinceramente que cumpra os 3 anos de contrato, porque há muita coisa semeada, apenas falta colher - e não deverá tardar.
Aliás, desde os tempos de AVB que não me lembro de uma sintonia tão evidente entre plantel, treinador e especialmente, com os adeptos.
Cumprimentos azuis-e-brancos.

PortoMaravilha disse...

Viva,

Eu acrescentaria: Até que ponto a liga Portuguesa protege a integridade fi'sica dos jogadores talentosos do FC Porto? Até que ponto os relvados da liga Portuguesa permitem a expressão do futebol dos jogadores do Porto? Até que ponto se pode exigir dum assalariado o seu suici'dio profissional?

Uma presença nos quartos de final da CL da' um enorme presti'gio. E' melhor apanhar uma capilota nos quartos que ser eliminado pelo desconhecido Apoel na fase dos grupos. E' o que se diz por aqui e em classes sociais diferentes.

Talvez o Porto tenha tido sorte com o sorteio: A "visitação" do passado - presente.

E se como escreve a revista "So Foot" fossemos a caminho duma final Porto-Mo'naco?

E Viva o Porto!

Bruno Miguel da Silva Moutinho Guedes disse...

Boa noite Nuno Nunes.
A sua pergunta é pertinente mas bem colocada num momento muito importante do clube. Na última AG sobre as contas do clube, julgo que o Dr. Fernando Gomes disse que, os valores apresentados (maus) se deviam a uma má época em termos desportivos, sendo que o principal foco foi a má prestação na liga na champions. Dessa forma seria imperioso voltar a fazer boas prestações na champions e se possível ganhar internamente troféus.
No fim da época passada estava muito preocupado, tínhamos feito uma época miserável. Nunca tinha visto (tenho 31 anos) a santa aliança ficar a nossa frente, mas pior que isso, senti as galinhas fortes estruturalmente.
A minha preocupação foi esta: no futebol normalmente ganha quem tem a melhor equipa. Para se ter a melhor equipa ou se tem dinheiro ou então um génio a orientar a equipa.
Eu não tenho complexos em que as galinhas vençam 2, 3 campeonatos seguidos, vivo bem com isso, não quero é nos próximos 20, 30 anos ganhar 1 ou 2 campeonatos. Isso eu não quero.
E foi esse o meu maior medo, pois quando temos uma época desastrosa em termos internos, se associarmos a isso uma desgraça de champions, sabemos que o encaixe com a venda de jogadores será muito pequeno. E isso é muito importante para o FCPORTO pois tem de cumprir com as suas obrigações, ao contrário de outros clubes que estão acima da lei.
Obviamente que já vivi três anos sem ser campeão e que após essa seca (irónico dizer isto para quem é filho de um dragão que passou o deserto de 19 anos só com uma taça de Portugal) tive as maiores alegrias desportivas mas um raio não cai 2 vezes no mesmo lugar. Nesse ano com meia dúzia de tostões formamos uma equipa fantástica com um grande timoneiro (hoje nem o posso ver pintado de azul e branco) e ganhamos muito, o mundo foi pequeno para nós mas isso não acontece sempre.
Quando vi as apostas de JNLPC, critiquei muito, escrevi que o nosso abismo estava a chegar, não concordei (e continuo a não concordar) com jogadores emprestados, disse que ele era o problema e não a solução mas o que é um facto é que (e ainda bem) JNLPC acertou, podemos não ganhar nada este ano, mas recuperamos jogadores e hoje, ao contrário do ano passado, podemos dizer que o FCPORTO faz facilmente 80 milhões de euros no próximo defeso, assim o queira. Danilo irá sair por 30 milhões, Alex Sandro sairá por volta dos 20 e Cha Cha Cha serão mais 30. Se o Argelino (muitos nomes lhe chamei no sábado) fizer dois grandes jogos nesta eliminatória da champions (infelizmente ele só gosta dessa competição) provavelmente também se vai juntar a lista dos que vão sair. Obviamente que se juntarmos os 2 emprestados que voltam aos seus clubes, numa época perderemos 6 jogadores do 11 titular, será novamente necessário construir uma equipa mas desta vez com dinheiro e com um teto salarial mais baixo, mas penso que cimentamos a base para futuras conquistas. E isso é o mais importante. Não tenho complexo em trocar este campeonato por umas meias-finais da champions pois mais estabilidade financeira vai trazer para o clube e ais vitórias
Claro que chegamos a este ponto por erros graves de estratégia, mas não vale a pena chorar no leite derramado. JNLPC consegui dar a volta por cima e os sucessos chegaram brevemente, mas a última época não pode tão cedo esquecida terá de ser sempre lembrada.
Com isto digo que, prefiro hipotecar 2, 3 anos de campeonatos, construir bons alicerces para colher depois isso. Eu critiquei JNLPC mas não me custa nada também dar o devido valor e que a sua aposta foi acertada.
Bruno Miguel Guedes -28061

manelmadeira disse...

Para mim a Champions dá sempre mais gosto

DC disse...

Quando há problemas de organização os adeptos apontam sempre para as questões supérfluas como a intensidade, a agressividade, a história de meter ou não o pé...
O problema na Madeira foi que o Aboubakar andava perdido e que a transição defensiva sem o Casemiro foi horrível. Não foi meter o pé ou deixar de meter o pé, foi má organização.

Pés-Juntos disse...

duas respostas ao problema:

1) André André

2) Sérgio Oliveira