segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quaresma no onze inicial?

«No desafio anterior (contra o Arouca), com o FC Porto a jogar com menos um desde muito cedo, Quaresma fez uma grande exibição e foi considerado, quase unanimemente, o melhor em campo. Como “prémio”, hoje foi para o banco e Lopetegui apenas o chamou, já com a equipa em desespero de causa, à procura de recuperar a vantagem perdida no marcador. Não foi a tempo…»

Foi assim que iniciei o artigo que publiquei a após o Nacional x FC Porto (1-1).

Quaresma foi o melhor contra o Arouca.
Quaresma foi o melhor contra o Estoril.
Quaresma foi um dos melhores (senão o melhor) contra o Rio Ave.

Quaresma num grande momento, contra o Arouca, Estoril e Rio Ave

Quaresma está num grande momento de forma, provavelmente a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, ao ponto de mesmo os seus críticos o reconhecerem.

Assim sendo, e ainda por cima estando Tello lesionado, faz algum sentido questionar a titularidade de Quaresma na próxima quarta-feira?

Faz. Para começar, o desafio da próxima quarta-feira não é um jogo qualquer. É a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
E o oponente é “apenas” o Bayern Munique, considerado, por muitos especialistas, a melhor equipa do Mundo.

Sendo o Bayern uma equipa fortíssima, é natural que Lopetegui adopte algumas cautelas e pretenda reforçar o meio-campo (José Mourinho fez o mesmo em 2003/04 – no campeonato jogava em 4-3-3 e na Liga dos Campeões em 4-4-2).
Ora, não podendo contar com o rapidíssimo Tello, nem com o goleador Jackson a 100% (está afastado dos relvados desde o dia 6 de Março), já para não falar em Iván Marcano e Adrián López (é hilariante ver a preocupação da comunicação social portuguesa, dedicando 10 vezes mais tempo/espaço a falar das ausências do Bayern do que nas importantes ausências do FC Porto…), não me admirava que o onze inicial escolhido por Julen Lopetegui fosse o seguinte:

Fabiano
Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro
Casemiro, Rúben Neves, Herrera
Óliver, Brahimi, Aboubakar

Se estão bem recordados, foi precisamente este o onze (com Jackson em vez de Aboubakar) nos dois jogos do Play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, numa altura em que o Lille estava com a preparação mais adiantada (o campeonato francês começa primeiro que o português) e era um dos líderes da Ligue 1.

Onze inicial no FC Porto x Lille

Sem bola, o FC Porto poderia (poderá) jogar numa espécie de 4-5-1, com Casemiro, Rúben Neves, Herrera e Óliver a pressionarem e correrem, correrem, correrem (a “fórmula de sucesso” referida por Luís Gustavo, jogador do Wolfsburgo).

Com posse de bola, Óliver e Brahimi abririam (abrirão) nas alas, com o apoio dos dois laterais (Danilo e Alex Sandro).

E Quaresma?
Quaresma seria um trunfo precioso, a usar a partir dos 60 minutos (Brahimi não aguenta muito mais).

P.S. Não sofrer golos em casa é muito importante e, por isso, tal como em 2003/2004, na meia-final contra o Depor, um eventual 0-0 no jogo da 1ª mão seria um resultado que manteria tudo em aberto para a 2ª mão.

13 comentários:

Bruno Guedes disse...

Bom dia Sr. José Correia.
Realmente, o seu post é deveras polémico mas racional e acertivo.
Se por um lado concordo inteiramente consigo, na analise de como deve jogar a equipa, e assino já por baixo que deveria de entrar nestes moldes ( discordo apenas no miolo, onde colocava Evandro em vez do Ruben Neves face a qualidade que este tem em termos de posse de bola e de visão de jogo aliado a mais experiência), por outro discordo ,pois deixar de fora o Quaresma que atualmente atravessa um momento de forma quer fisico quer psicologico fantástico, pode causar danos no próprio jogador até ao fim da época.
Estes são os jogos que todos querem jogar, a equipa e o treinador das galinhas davam tudo para estar ainda na champions e disputar este jogo. O RQ quer jogar muito este jogo e tem contas a ajustar com o Neuer ( eliminatória contra o shalke04), Braihimi parece destinado a estes jogos e temos de jogar sempre com uma referência na area.
A melhor pessoa para saber aquilo que deve fazer é o treinador pois está com os jogadores, sabe como eles estão. Eu, por muito que concorde consigo, e acho essa a melhor forma de encarar o jogo, apenas retirava o RQ se fosse ele a pedir. Apenas retirava-o da equipa se numa conversa com ele, senti-se que ele se sacreifica em prol do coletivo.
É verdade que nunca vi este RQ, está um verdadeiro jogador de equipa, mas tenho medo que o relógio lhe pare.
É uma decisão muito complicada para o treinador. Apenas digo que independente das opções e dos resultados, jamais vou criticar as suas decisões nestes 2 jogos. É muito complicado. Acho que voçê tem razão, acho que deviamos de jogar em 4-4-2, mas ...
Via ser sempre um pau de 2 bicos e vamos estar a sempre a dizer, se isto se aquilo.
Bruno Miguel Guedes : 28061

Miguel Lima disse...


concordo, em teoria, com o José Correia.
é um sistema que faz toda a lógica.

e convém lembrar que, apesar da forma física de Quaresma, este é como um eucalipto em campo. e que, ante o Bayern, não poderemos perder muitas as vezes o esférico, sob pena de podermos sofrer dissabores.
e é óbvio que, a este nível, se Quaresma ainda não percebeu que o Colectivo se sobrepõe ao Individual, então não percebeu onde está... mas ele sabe onde está.

Miguel | Tomo III

Dudysowsky disse...

Nao posso concordar, de todo.
Fazer desta equipa, órfã do seu melhor jogador (actualmente) num dos jogos mais importantes da epoca, nao faz sentido e enviaria uma mensagem completamente errada.

A juntar a isso, com as lesoes todas, o Bayern passou a jogar com 3 defesas, que melhor forma de se por a defesa deles em cheque do que jogar com 2 extremos bem abertos, um que flecte para o meio, outro que cruza como ninguém.

Ainda mais, o Bayern vem jogar ao dragao com 5 dos titulares que venceram o Shaktar D. (7-0), de fora. Ha que pensar que oportunidades destas nao temos todos os dias e so com um espirito de vitoria, e uma equipa de ataque e sem medo de o mostrar, e que o fara. Em qualquer 11 que eu fizesse para jogar contra o Bayern, o Quaresma (talvez o jogador com mais exp europeia do plantel) faria certamente parte.

Carrela disse...

Percebo perfeitamente o ponto de vista, não será de estranhar que assim aconteça, apesar de concordar mais com o Bruno Guedes e tb eu optar pelo Evandro no lugar do Neves caso isso venha a acontecer! A experiência a este nível conta mt.

Ainda assim, eu não o faria, eu entrava com Quaresma, Brahimi e Vincent na frente!

Até porque Quaresma tem sido um elemento bastante dado aos processos defensivos!

Está num grande momento de forma, é preciso saber tirar proveito disso, mas claro que só quem lá está saberá o que fazer.
Só quem lá está, sabe se o Quaresma tem maior probabilidade de render entrando de início ou no decorrer do jogo... ou se é indiferente para ele ou não.

Confio no Julen para escalar o melhor 11.

Luís Vieira disse...

Discordo. Acho que o Lopetegui não deve mudar o esquema nesta altura do campeonato, sob pena de criar instabilidade desnecessária na equipa. É que a inclusão quer do Rúben Neves, quer do Evandro significaria abdicar de um extremo e, necessariamente, alterar a táctica. Se o Porto tivesse jogado diversas vezes durante o ano dessa forma, com sucesso, talvez ponderasse o mesmo, mas assim não. O playoff com o Lille vai no longínquo mês de Agosto e desde aí até então não há grande registo de utilização do 4x4x2 proposto (ao contrário do verificado com o Mourinho). Assim sendo, não vejo porque mudar, mesmo contra o Bayern. Sou avesso a invenções em jogos de grande calibre por receio/calculismo (vide Jesualdo e respectivas humilhações europeias), por isso aposto no 4x3x3 com a melhor equipa disponível. A saber: Hélton, Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Óliver, Quaresma, Brahimi e Aboubakar. Adianto já o prognóstico para a eliminatória: 2-1 em casa e empate milagroso em Munique :)

miguel.ca disse...

Geralmente, cada vez que este Porto de Lopetegui muda de sistema as coisas tendem a correr mal e se o que disse o dudisowsky é verdade que o Bayern tem jogado com 3 defesas mais uma razão para manter o 433

José Correia disse...

"... discordo apenas no miolo, onde colocava Evandro em vez do Ruben Neves..."

O Lopetegui vê no Evandro características, essencialmente, para ser uma alternativa ao Óliver.

José Correia disse...

"...o Bayern passou a jogar com 3 defesas..."

e a reforçar o meio-campo, jogando numa espécie de 3-5-2.

José Correia disse...

"... o Bayern vem jogar ao dragao com 5 dos titulares que venceram o Shaktar D. (7-0) de fora"

Fazem muito mais falta o Marcano, o Tello e o Jackson ao FC Porto do que esses "cinco titulares" ao Bayern.

José Correia disse...

"...o Lopetegui não deve mudar o esquema nesta altura do campeonato, sob pena de criar instabilidade desnecessária na equipa"

Conforme eu referi no texto do artigo, este esquema já foi utilizado, com sucesso, nos dois jogos contra o Lille para o Play-off da Liga dos Campeões.

José Correia disse...

"Sou avesso a invenções em jogos de grande calibre por receio/calculismo"

Jogar neste modelo e com estes jogadores - Casemiro, Rúben Neves, Herrera, Óliver, Brahimi - não seria uma invenção.

Luís Vieira disse...

Pois foi, mas há muito tempo, não é uma aposta consistente. Até que ponto está trabalhado para ser utilizado num dos jogos mais importantes da época? Treinado, eventualmente; em jogo, decididamente não. Quanto à invenção, considero assim quando não há alguma regularidade no plano b (um playoff em agosto não me serve de amostra). Por isso continuo a achar que o tradicional 4x3x3 será o mais indicado.

meirelesportuense disse...

A linha média deveria ser constituída por Casemiro, Rúben, Evandro e Oliver. Uma linha média lutadora, técnica e criativa. Aliás Pedroto aprovaria certamente.E os defesas alas serviriam de abre-latas com mais à vontade.Aboubakar não serve esta estratégia.Em vez de Aboubakar, Gonçalo.Na frente, Quaresma e Brahimi.