quinta-feira, 21 de maio de 2015

Os 10 Mandamentos do FC Porto 2015/16 (Parte I)

Dois anos sem um titulo de liga, algo inédito desde 2001. Um ano sem títulos, uma raridade que os mais novos não sabem sequer o que é. Uma SAD/Direcção calada perante os repetidos insultos e provocações, algo que não se via desde o “tempo da outra senhora”. 2014/15 foi um ano de contrastes para o clube e para os adeptos. Vendeu-se por um lado a falsa ideia do “ano zero” quando por outro se reforçava o clube como nunca em investimentos, aliados a empréstimos de jogadores provenientes de equipas de elite, para recuperar o titulo. Cedo se percebeu que o objectivo principal virou para a Champions League onde se superaram as expectativas apesar da despedida indigna. Não sendo um “ano zero”, esta foi uma época muito pouco “à Porto” por mil e um motivos e antes do desnorte tomar conta de todos, antes de que a “benfiquização” assalte o Dragão, convém ter em consideração 10 pontos chave para o próximo ano ser radicalmente diferente.

1) O Mister fica
Não sou nem sequer o fã 12.312 do Julen Lopetegui. Considero-o, já o disse, um treinador mediano. Trabalha bem a equipa durante a semana mas é espesso durante os jogos. Evoluiu bem os jogadores que tem mas no mercado não parece ser habilidoso. Tem um discurso “à Porto” como há muito não se via mas carece de auto-critica e de auto-exigência suficiente para ser um grande. Mas é o nosso treinador. E está na hora do clube deixar-se de brincar ao jogo do “macaco pode ser campeão com o FC Porto", e apoiar o homem que começou este projecto. O Benfica está onde está porque nos piores anos – e foram três seguidos sem títulos antes deste Bi – apoiou  o seu treinador. Rijkaard esteve a ponto de ser despedido, não havia dinheiro e um ano e meio depois era campeão europeu. O futebol é caprichoso e depois de ter dado o pontapé de saída, Lopetegui mereceu – sobretudo com as exibições europeias – o direito a cumprir o seu segundo ano. Isso sim, exige-se melhor abordagem ao mercado (não existe só a liga espanhola agora como antes não havia só o mercado dos “contentores”), maior concentração com rivais mais débeis (o jogo com o Boavista foi imperdoável) e maior auto-critica. Eu estou com ele!

2) Referências de balneario
Helton ainda não renovou e ninguém entende bem porquê. O clube dispensou (vendeu) jogadores da casa, vai perder dois lideres naturais – Jackson e Danilo – e carece de referências. O Benfica aguentou em todos estes anos a jogadores porcos, feios, maus e lideres como Luisão ou Maxi. E isso nota-se em campo e nota-se no balneário. Era o que fazia o Porto sobreviver à saìda dos Futre, Madjer, Kostadinov, Jardel ou Deco. A estrutura não estava só nos escritorios, estava também no balneario. E agora, puff, não há.
Ninguém vai sacar da cartola gente da casa que cumpra esse papel. É algo que vai demorar. O que sim é urgente fazer é trazer para o plantel jogadores de fora mas com essas características, jogadores como foram Lucho Gonzalez ou Pedro Emanuel. Sobretudo urge ter um líder na defesa com carácter, atitude e experiência. Emanuel chegou para ser actor secundário mas ganhou-nos a todos (e aos colegas) por quem era. Há mais como ele por aí, basta apenas procurar esse perfil e não o próximo negócio milionário. Sem espírito de união, não há vitórias.

3) Plantel com um plano bem definido
Oliver é um regalo aos olhos, Casemiro cresceu muito e Tello ídem mas esta política de empréstimos tem de acabar. Estamos a valorizar jogadores alheios, jogadores a curtissimo prazo e não ganhamos nada com isso se a época correr mal (como passou). Compensa o risco? Acho que não. O próximo plantel vai ter menos 5 (ou 6) titulares mas em troca tem já um fundo de armario importante. É preciso limpar os negócios desastrados da SAD – Quintero, Reyes, Adrian, nenhum mostrou estar á altura – fazer espaço para uma segunda linha mais barata e de consumo caseiro (onde poderá encaixar Sergio Oliveira ,André André ou os regressados Josué e Carlos Eduardo, jogadores que assumam o seu papel) e sobretudo ir ao mercado atrás de titulares e não oportunidades de negócio. Ninguém contratou Jackson a pensar que seria o próximo Falcao mas o colombiano ganhou a pulso o estatuto. Esse é o caminho, procurar jogadores acessíveis e de impacto imediato sem ter na cabeça a venda a curto prazo.



4) Uma posição, dois jogadores
Em Munique não havia laterais suplentes. Um não estava inscrito pelas limitações de jogadores locais e outro não parecia ser da confiança do treinador. O plantel deste ano esteve sempre descompensado, urge não repetir o erro. Sem Casemiro faltam DOIS médios recuperadores, sem Danilo (e talvez sem Alex), dois laterais que compitam com Jose Angel e Ricardo e continuamos coxos na defesa (quem confia em Reyes?) de uma figura que nos lembre o melhor Otamendi ou Pedro Emanuel. Se já temos extremos em condições (caso Brahimi fique), falta-nos un organizador de jogo que seja a alternativa a Oliver. E claro, Aboubakar não é nem nunca será Jackson. São pequenos mas importantes ajustes e, sobretudo, ajustes que apontem à titularidade mas que deixem claro que todos vão ter minutos nas pernas, vai ser necessário.

5) Não se calem, carago!
O FC Porto não precisa de um Pinto da Costa presidente para inaugurar casas e museus. Muitos temiam o pos-pintocostismo mas os últimos anos pareceram indicar que já está aquí. E não faz sentido ter ainda um activo histórico como PdC e tê-lo calado. Nem nos seus melhores anos o Presidente falava muito. Mas quando falava dizia o que tinha a dizer e o mundo tremia, o clube crescia e os adeptos entendiam a mensagem. Uma newsletter assinada por um jornalista vale zero por muito habilidosa que seja. Não é a palavra do clube porque ninguém o elegeu para nos representar. Antero fala apenas quando o clube ganha, para colar-se ao peito as medalhas. Por isso há mais de dois anos que ninguém o ouve falar e o resto da SAD também prima pelo silêncio. Lopetegui esteve só e exposto ao gozo alheio de uma maioria que se sentía intocável. Com um Porto que não se cala pode ser que pensem duas vezes mas para isso Pinto da Costa tem de sair da sua reforma antecipada e actuar como só ele sabe. Para ter um Fidel Castro em retiro espiritual, que venha a próxima geração.

Amanhã, os últimos 5 mandamentos
6) Aprender a ter um Plan B
7) Bolas paradas decidem titulos
8) Queremos a equipa B para quê?
9) Objectivos
10) Adeptos, calma, paciência, confiança

2 comentários:

reine margot disse...

Para os 5 primeiros mandamentos os meus 100% de "agreement" !
(Só que talvez se o PdC falar, se cale depressa devido a um ataque cardíaco... - sugeria que alguém falasse na vez dele, pelo porto !)

José Lopes disse...

Excelente artigo, como e' habitual. Aguardo pelos restantes mandamentos.

Duvido muito que Josue e Carlos Eduardo regressem, a prioridade deve ser vender. Tambem aguardo por saber o que vao fazer em relacao ao Andre Andre, se o emprestimo ao Malaga e' verdade. Espero que nao, porque e' um jogador que pode perfeitamente fazer parte de uma segunda linha com qualidade e ainda por cima com plena nocao do clube em que esta e da sua historia.

Tambem duvido muito que Pinto da Costa mude de postura. Mantem-se no quase completo silencio ha bastante tempo, quebrado aqui e ali por tiradas pouco inspiradas, por vezes parecendo condicionadas por algo exterior, ou entao por entrevistas que estao a anos-luz do passado, onde ele dominava qualquer conversa e entrevistador. Nao me parece que a postura da SAD va mudar e penso que esta rabula do Dragoes Diario sera a forma encontrada para comunicar na proxima epoca. So isso explica o aparecimento no fim desta epoca, ja com quase tudo perdido. Por muito que consigamos que haja repercussao na imprensa, so adiantava alguma coisa se os textos fossem assinados pelo Presidente.