sexta-feira, 17 de julho de 2015

O que é um jogador à Porto, afinal de contas?

Como sabemos muito bem, Pinto da Costa elogiou Maxi Pereira como sendo um «jogador à Porto». 

Pessoalmente vi isso muito mais como alguém que está a «vender o seu peixe», para usar a metáfora, do que fruto de uma convicção pessoal, mas não excluo que ele acredite mesmo nisso. Só ele sabe.

Mas o que é afinal um «jogador à Porto»? Este artigo não é só sobre o Maxi (para isso tivemos o artigo de ontem), mas sim para abordar de forma mais geral o que entendemos pela expressão.

Bem, a resposta é por natureza subjectiva: ninguém detém a resposta certa. Mas há alguns consensos. Uma condição que é frequentemente mencionada é ser um jogador «que dá o litro». Outra é ser «aguerrido».

Mas isto chega? Para mim não. Para mim um «jogador à Porto» inclui também as seguintes características:
  • é um jogador humilde (embora tenha um ego saudável, não se indo abaixo ao primeiro contratempo - alô Semedo). Ou seja, não se põe em bicos de pé nem muito menos se arma em prima donna.
  • é um jogador ambicioso e inconformado. 
  • é um jogador que sente a camisola do FCP e por isso «come a relva». Não precisa ser prata da casa ou portista de pequenino (vide Deco), nem muito menos precisa de sonhar em acabar a carreira no FCP, mas demonstra senti-la: sofre verdadeiramente com as derrotas do clube. Um exemplo clássico disso foi a atitude de Jorge Costa numa célebre derrota em Belém. Um jogador «profissional» dá 100%; um jogador profissional que sente a camisola FCP dá 110%. Ora como consequência lógica para mim não se sabe se um jogador é jogador «à Porto» ou não antes de... o demonstrar no FCP.
Isso para mim é o fundamental. Mas para além disso e em menor medida:
  • não é por natureza um jogador maldoso. Pode ser até bastante faltoso, mas não maldoso.
  • não é por natureza um jogador trapaceiro ou fiteiro (que isso aconteça raramente acontece a todos, infelizmente o mundo do futebol é assim). Admito sem problemas que já tivémos jogadores assim (não é exclusivo dos rivais), mas o que isso significa para mim é apenas que... esses jogadores em questão não eram jogadores à Porto.
Jogadores como Jorge Costa, Bruno Alves, João «Broas» Pinto, Rui Barros, Deco foram jogadores à Porto, cumprindo os meus critérios pessoais. Já outros dos nossos ídolos não, falhando claramente em um ou mais requisitos (Bibota, Madjer, Jardel), mas também não deixam de ter sido ídolos meus por causa disso.

Há quem diga, relativizando, que aos olhos dos lamps alguns dos exemplos que dei também falham nos meus critérios. Que Jorge Costa era um jogador maldoso, por exemplo. Ou que Deco era um fiteiro inveterado.

Pois bem, com todo o devido respeito eu estou a borrifar-me para o que eles pensam. Eles também acham que ganharam o último campeonato de forma limpinha, mas isso não muda de todo a minha convição de que sem colinho nunca teriam sido campeões. Portanto: não, não acho que Jorge Costa fosse por natureza maldoso ou Deco um fiteiro inveterado. Apesar de reconhecer que também já tivemos jogadores assim, e de reconhecer que já houve e/ou há jogadores no slb com potencial para serem jogadores à FCP. Posso ter óculos azuis e brancos, mas não sou cego.

Pegando no exemplo Maxi Pereira, para mim ele falha claramente em alguns dos critérios acima, por muito que dê o litro. Mais: é um símbolo-mor do «manto protector» que tanto criticamos ao slb, e depois de tudo o que disse e fez ao longo de oito anos no slb não vejo como algum dia possa vir a sentir verdadeiramente a camisola do FCP.

Há quem assinale que Moutinho (que já agora penso preencher em boa medida os meus critérios para «jogador à Porto», ainda que não totalmente) também era um símbolo do SCP. Sim, era um símbolo do SCP, mas não era um símbolo do que detestamos no SCP.

Resumindo e concluindo: é bem possível que Maxi venha a demonstrar ser 100% profissional no FCP (e é para isso que é pago, e muitíssimo bem pago). É também possível (mas menos provável) que demonstre ter arrepiado caminho completamente no que diz respeito à maldade e batotice inveterada. É até mesmo possível (mas extremamente improvável) que nos próximos 3 anos venha a sentir verdadeiramente a camisola do FCP, e o demonstre.

Mas que para mim ele hoje não é um jogador à Porto, lá isso claramente não é. You´ve got to earn it.

Termino com uma pergunta para reflexão: até há umas semanas atrás Maxi era visto pela maioria dos adeptos lamps como um «jogador à benfica». Será que «jogador à Porto» e jogador à benfica» afinal é a mesma coisa? 

43 comentários:

Joao Goncalves disse...

Caro José,

Finalmente voltas-te aos post e muita falta cá fazes!

Em relação ao post em si, jogadores "à Porto" estão em extinção.

Para mim, a definição acaba por ser muito mais simples que a tua... Jogador à Porto é aquele que tem a garra, ambição e perseverança e mesmo quando está a ser humilhado (vide: Bayern) não se rende por causa da camisola que enverga... é aquele jogador que perde o jogo mas acaba a dar sprints a pressionar o GR e em seguida ir pressionar o médio que irá receber a bola e quando o árbitro apita cai logo de seguida no chão de exausto e vai a cambalear para o balneário de tão cansado que está... E tudo pelo amor à camisola.

E é aquele jogador que refila com os colegas por não perceber porque eles não se estão a matar pela camisola, quando as coisas não estão a correr bem... porque sim! É quando as coisas não estão a correr bem que o verdadeiro jogador à Porto sente a camisola e come a relva!

Como disse, estão em extinção e olha-se para o plantel actual e não se vê nada... Óliver tinha condimentos naturais que, se cá passa-se uns anos, ficaria jogador à Porto (assim que começa-se a ser realmente Portista) de resto, népias nickles batatoides.

Vemos jogadores com grande qualidade, alguns algo agressivos, jogadores que correm muito, outros extremamente profissionais, mas aquela mágoa extra de estar a perder com aquela camisola está quieto... Moutinho foi dos últimos a sair que aprendeu a sentir a camisola como o seu clube de sempre (e antes dele talvez Bruno Alves).

Portanto e contrariando o NGP, Maxi não é um jogador à Porto (ainda e dificilmente o será) mas é um jogador aguerrido e profissional que não gosta de perder e tem ESPÍRITO à Porto, o que é muito diferente de SER um jogador à Porto.

Madjer disse...

Esqueceram de referir jogadores à FCP como Andre, P.Santos,Aloisio,R.Carvalho etc...

Os melhores jogadores que passaram pelo FCP foi Madjer,Cubillas,Deco..

Quanto ao Maxi ainda pode vir a ser um jogador à FCP, relembro que Maniche que ao contrario de Maxi era das camadas jovens do 5lb, e enquanto jogador do FCP foi um grande profissional e um exemplo dentro de campo..J.Moutinho foi outro jogador que veio do sporting e vestiu a camisola do que é ser um jogador à FCP...com isto quero dizer que Maxi ainda ñ é um jogador a FCP, mas podera ser.

OFF TOPIC: Alguem podia explicar as consequencias das vindas de Moutinho e Mitrovic para FCP, se aumenta o passivo ou se temos que vender jogadores como Herrera(fala.se no Dortmund)

Ja agora fala.se que a Samsung vai patrocinar as camisolas e a Huawei o estadio do Dragão...alguem informado?


P.S: Comento poucas vezes, mas sou um leitor assíduo do blog. Parabens continuem com bom trabalho, mesmo que tenham uma opinião diferente.

Pedro Vale disse...

Pedro Emanuel foi um dos grande jogadores à Porto, apesar de vir de um rival da cidade. Mas só o descobrimos ao fim de algumas épocas no clube...

José Rodrigues disse...

Sim, outro exemplo vindo de fora.

Carrela disse...

Concordo no essencial.

E seria bom que aqueles Portistas, que batem no Lopetegui, porque acham que Quaresma vai embora por causa dele, e é dos poucos que carrega a mística! COMO?
Ridículo! Quaresma não é, nunca foi, nem nunca será um jogador à Porto!
E depois, Quaresma vai embora porque a paciência tem limites!
Por mim, tinha ido no final do jogo na luz do ano passado!

E digo desde já, que eu fui dos que ficaram contentes,muito contentes, com o seu regresso.
Sou daqueles que gosta de ter 1 jogador no plantel que baralhe as coisas. Que não jogue futebol de régua e esquadro... um Kelvin basicamente!

Em relação ao Maxi, quando se falou pela 1ª vez... não quis acreditar!
Porque para mim, Maxi foi dos jogadores MAIS NOJENTOS que passaram pelo nosso campeonato!
Um cobarde, porco e fraco em atitudes para com os colegas de profissão!
Sim, tb tivemos os nossos "sarrafeiros", mas não daqueles que faziam as coisas, sabendo que estavam protegidos, que tudo lhes era permitido... e goste-se ou não, isso no Maxi notava-se!

Mas agora é dos nossos, às vezes digo que já engoli o sapo, mas quando vejo imagens dele com a nossa camisola, sinto-o novamente no esófago!
Mas quero acreditar que vai passar... não, não vou esquecer o badalhoco que ele foi, mas vou dar o benefício da dúvida - meter o contador a 0 - e começar a avaliar a partir de agora!
Até aos assassinos se dá segundas oportunidades... pelo menos nos países onde a pena de morte não está institucionalizada! Como é o nosso caso!

Compreendo perfeitamente, onde o nosso presidente quer chegar, custa ouvir, como é evidente, mas ele faz o trabalho dele, que é meter o clube à frente do resto! E obviamente que ele está a referir-se ao principal elemento de um jogador à Porto - DEIXAR TUDO EM CAMPO - É inegável que Maxi deixa tudo em campo, isto é o factor mais importante do "jogador à Porto", não tenham dúvidas!

Já o disse noutras ocasiões, no Porto, pela forma diferente de jogar, Maxi não terá tanta necessidade de recorrer à falta (mas vai claro, como todos).
É só constatar que o ano passado (e isto é recorrente) à 32ª jornada, o Porto tinha cometido 447 faltas e o clube do colinho ia em 541!!!

Ele no Porto também saberá, se não sabe vai aprender à força (esperasse), que o manto não é o mesmo! Seria FANTÁSTICO assistir à sua redenção, tomando consciência disso, e quem sabe... "confessar-se" publicamente!

Vamos aguardar para julgar!
E tal como a lei, que não é retroactiva, comecemos a julgar a partir de hoje!

Cumps

Carrela disse...

Paulinho Santos, para mim era jogador à Porto!
Deixava tudo em campo!
Jogava onde fosse preciso, sem questionar, a equipa estava sempre em 1º lugar! Isto é coisa rara!
E quando jogava contra os privilegiados da capital, carregava aquele sentimento de injustiça!

Joao Goncalves disse...

Só o descobrimos ou ele só o descobriu?

José Rodrigues disse...

@Joao Goncalves

Sem dúvida que hoje em dia o «jogador à Porto» (pelo menos como nós os dois o entendemos) é uma raridade. Para isso muito contribui praticamente nao termos jogadores da casa, e os estrangeiros passarem em media pouco tempo pelo FCP.

De certa forma era inevitavel que assim fosse, o contexto externo nao é o mesmo de há 20 anos, mas nao ao ponto a que chegou.

Curiosamente à medida que temos cada vez menos jogadores assim, mais se banalizou a expressao «jogador à Porto».

Se dar o litro e ser aguerrido fosse suficiente, entao constato que «jogador à Porto» seria mais ou menos a mesma coisa que «jogador à benfica», à Braga, à SCP, à Lyon, à Besiktas e aí por diante. Nao conheço um único adepto desses clubes que diga que esses atributos não fazem parte da identidade do seu clube.

Ora obviamente alguma coisa tem que distinguir uns dos outros, senao nao faz sentido que a expressao exista. Sentir verdadeiramente a camisola DESSE clube é naturalmente o principal factor que os distingue.

Mas há outra coisa que penso ser um bocadinho mais importante no FCP do q em outros clubes: a humildade. Tradicionalmente os adeptos do FCP gostam menos de «vedetas» do q adeptos de outros clubes, como o slb.

Mas tb isso se esbateu ao longo dos anos. Pelo que vou vendo, hoje em dia os adeptos do FCP pouco se distinguem de adeptos do slb no que querem dos jogadores e na forma como os tratam.

José Rodrigues disse...

Paulinho Santos cumpre sem duvida os meus requisitos fundamentais para ser «jogador à Porto». Sentia aquela camisola do FCP como ninguem, era humilde, deixava tudo em campo, era ambicioso e inconformado. E falando dos criterios secundarios, tb nao me parece q fosse maldoso por natureza (mas aqui é menos claro) nem tampouco trapaceiro.

José Rodrigues disse...

Sim, Quaresma claramente nao preenchia os meus requisitos fundamentais para ser «jogador à Porto». Exemplo flagrante disso foi a reaccao dele no fim do jogo mais recente na Luz: apos um resultado insatisfatorio, um jogador que sofresse verdadeiramente com a derrota nunca teria ido dar um abraco ao treinador rival, descontraidamente.

José Rodrigues disse...

Eu nao «esqueci» de referir ninguem porque a lista nao era suposto ser exaustiva, era apenas exemplos.

Dos exemplos que o Madjer deu discordo com o caso do Aloisio. Sim, foi um grande profissional do FCP, sem duvida. E era humilde. Mas nao lhe vi aquela garra, inconformismo e aquele sentir profundo da camisola que espero de um jogador verdadeiramente à Porto.

De resto isto de ser «jogador à Porto» nao tem nada a ver com ser um «grande jogador». Como já disse Madjer foi excepcional mas claramente nao preencheu os meus requisitos para jogador à Porto. E no campo oposto tivémos casos de jogador à Porto que nunca foram grande jogadores.

Carrela disse...

Humildade é essencial e Quaresma tem 0!

Eu acho que um jogador à Porto é alguém que joga onde for preciso e dá tudo para o bem da equipa, coisa que Quaresma claramente não foi capaz... infelizmente!


MC disse...

Nem tudo o que o NGP diz se escreve, ou se leva à letra da lei. Sempre foi, é e será! Portanto se o NGP diz que o Victorio Páes é um jogador à Porto, está no direito dele e Deus queira que tenha razão e seja dos pés dele que saiam os golos ou as assistências ou os cortes que nos darão títulos. Adiante.

Nos dias de hoje é muito raro, para não dizer impossível que um jogador mesmo vindo da nossa cantera seja “jogador à Porto”, quanto mais vindo de fora.

Os jogadores de hoje, mais do que nunca, são profissionais e jogam pelo dinheiro que lhes pagam. Toda a componente emocional (do beijinho no símbolo sagrado) é teatro, que faz parte, e também dos momentos marcantes de sucesso que têm no Clube e que só lhes dignifica, prestigia e valoriza na sua própria carreira. Comparo os jogadores de futebol, aos “bonecos” que todos os dias vejo na Euronews na Bolsa de Nova York a bater palminhas, a abraçarem-se e apalparem-se, a levantarem os braços em sinal de vitória, ao som da sineta…

Portanto, um jogador, humano como é, tem sentimentos, naturalmente que ao jogar e passar tanto tempo num clube, é natural que deixe marcas, memórias, se ele mostra que “veste a camisola” tal trata-se de uma componente emocional tanto mais forte quanto melhor para ele se for capaz até de vestir várias camisolas. Há jogadores cujo negócio é “vestir camisolas” e com elas jogarem bem. Esses são os grandes profissionais, que se jogassem num único clube, por exemplo no Porto, seriam jogadores à Porto. Mas o mercado existe e tem de funcionar.

Nós também nos nossos trabalhos, na nossa vida as vezes temos de vestir várias camisolas. Importante é dignificarmos bem essa camisola enquanto estivermos com ela vestida.

É bonito e romântico ainda acreditarmos que possam existir jogadores à Porto mas eu prefiro ser mais racional nesse ponto. Para mim são funcionários do Clube e o que eu gosto mesmo é do Clube, as suas cores, o que ele representa para a Cidade e para a Nação e festejar os nossos sucessos.

Quanto à pergunta se um “jogador à Porto” é igual a “um jogador à benfica”. À data respondo que não. Uns são bi-campeões e os outros, não. E é isso que me dói neste momento.
Até porque temos um jogador bi-campeão na nossa equipa, de seu nome Victorio Páes, comprovando assim que mais importante que “ter jogadores à isto ou aquilo”, é importante termos uma organização capaz de ser ganhadora e capaz de fazer impor a nossa marca e o nosso nome em registos de sucesso e conquistas. Até não me importo nada de perder um jogador que acaba de ser bi-campeão para um rival.

Cumpre a quem de direito recuperar no Porto o carisma de Clube Campeão e inverter a situação.


Luís Vieira disse...

José, com maior ou menor grau de subtileza, a sua tese de jogador à Porto encontra assento na realidade. No caso do Maxi, é óbvio que ele não é um jogador à Porto e duvido que haja algum temerário capaz de o defender. A lavagem de carácter que a entourage do clube está a querer fazer (de que é exemplo a ridícula capa d'O Jogo de hoje) é pior do que a contratação. Até admito que o contratem, não admito que nos façam de parvos. Mas a questão também se pode pôr noutro plano e ainda bem que trouxe o exemplo do Moutinho à baila: o Maxi para além de não ser um jogador à Porto, não é um jogador PARA o Porto, porque não tem a qualidade requerida. O Moutinho, na altura da sua contração, nao era um jogador à Porto, mas alcançou esse estatuto com a postura exemplar que demonstrou enquanto aqui esteve e pelas declarações que tem feito desde a sua saída. No entanto, o Moutinho, quando chegou ao clube, era claramente um jogador PARA o Porto porque tinha qualidade que chegasse e sobrasse. O Maxi, pelo contrário, não tem: é pouco mais do que banal, daí o meu chumbo duplo à sua contratação. Se se tratasse do Gaitán, do Salvio, do Jonas, até do Lima ou do Pizzi, não me veria insatisfeito, mas o Maxi é de bradar aos céus...

Lápis Azul e Branco disse...

Começando pelo fim, a treta do jogador à Benfica exemplifica bem o que tem sido o consulado de LFV à frente do clube: um tentativa de cópia exaustiva do modelo PdC. O homem não tem engenho para mais. Mas atenção, enquanto imitador tem tido sucesso, não lhe retiro esse mérito. E a definição do jogador à Benfica é também ela decalcada do "jogador à Porto", pelo que não surpreende que não haja grandes diferenças nas caraterísticas HOJE associadas a ambos.

O que o jogador à Porto tem (deveria ter) sempre diferente é essa vontade incontrolável e irreprimível de esmagar o Benfica, enquanto bastião do centralismo macrocéfalo, além das outras características afirmativas listadas no post.

A propósito dessa lista, não me parece que as duas últimas (as "não é") sejam critérios válidos, para ser honesto. Um dos "maiores" jogadores à Porto de sempre foi Paulinho Santos, pelo que I rest my case.

Maxi tem características para ser jogador à Porto, mas sim claro, terá que o mostrar em campo e fora dele. E na minha opinião, era (é?) tão detestado por nós precisamente por ser demasiado parecido com o modelo de jogador que só gostamos de ver de azul e branco.

Do Porto com Amor,
LAeB

Também eu estive nas Antas nesse dia de passagem de testemunho. Como em muitos, muitos outros.

Já não há Antas, já não há cativos nem arquibancada, já não há Dragões Azuis (excepto o Relógio), já não há João Pinto nem Jorge Costa.

Também eu tenho nostalgia desse tempo.

Mas o clube não pode viver do passado. Deve respeita-lo, até para projectar melhor o futuro. Mas muitas coisas se perderam e outras tantas se ganharam. É a lei da vida.

O Maxi, para mim, encaixa na definição de jogador à Porto. O único defeito é chegar com oito anos de atraso. A camisola 2 foi um símbolo por causa de João Pinto e depois Jorge Costa. Antes e depois não me parece. Deveria ter continuado a ser, isso sim. Mas não é por passar para o Maxi que se perde o que quer que seja, o erro já vem de trás.

Quanto ao rumo que o clube segue, apenas duas coisas:

- Cada um poderá gostar ou não, mas é ainda com o mesmo timoneiro de "sempre"; muitos erros, muitas coisas nebulosas, mas tudo amplificado pelos dois anos a seco. Se fossemos neste momento penta, quase nada disto teria grande relevância. Eu acho que esta direcção já passou do prazo, mas enquanto lá se mantiverem, só lhes desejo todo o sucesso do mundo.

- Se o rumo for tão catastrófico como alguns antevêm, possivelmente acabaremos no CNS, após refundação com outro nome devido à insolvência. Uma tragédia. Mas no fundo, lá estariamos todos nós, de volta às origens, cheios de amor e orgulho em carregar o clube às costas de volta ao seu lugar. Um regresso ao portismo puro, e quem sabe purificador.

Um abraço portista,

Do Porto com Amor
LAeB

http://doportocomamor.blogspot.pt/2015/07/dicionario-lampionico-dragones.html

DC disse...

O Maniche era tão bom profissional que quando não o deixaram sair andou uma época a fazer o frete, a fazer de propósito para ser expulso e depois assinou pelo Sporting tenho agredido várias vezes o Moutinho para também se mostrar como um "jogador à Sporting".

Carrela disse...

Achar que um jogador que tem 333 jogos como titular, em 8 anos em Portugal e uma catrafada de outros pela sua Selecção - URUGUAI - que não é uma selecção qq em termos futebolísticos.
tem 21 golos, fora as assistências, o que para um DD é muito assinalável!
É meio caminho andado para se fazer má figura...
Mas enfim.................................

Não gostar do jogador, é uma coisa, achar que é banal é outra totalmente diferente!

Goste-se ou não, era um dos jogadores mais importantes do nosso rival.

Mário Faria disse...

Quanto aos atletas, idealiza-se de forma corrente um balneário perfeito formatado por profissionais à medida de ADN meticulosamente selecionado, recheados de Mística e de Amor à Camisola e que em nenhuma outra actividade prevalece, a não ser por excepção. Como se os jogadores, ainda que pertencentes à tribo, não divergissem em função do carácter e dos interesses pessoais. O vedetismo é uma praga a que sucumbem os menos capazes de lidar com o sucesso. Calculo que seja muito complicado manter um grupo unido quando não se anda na frente de forma confortável. Podemos fazer juízos sobre os atletas, mas a grande maioria são formados na base do comportamento e na qualidade do desempenho. João Pinto, Baia, Jorge Costa, Fernando Gomes ou Jaime Magalhães, são exemplos dessa nobreza, enquanto Secretário(que foi assobiado de forma infame num jogo de apresentação), Folha, Semedo ou Bandeirinha são quase ignorados apesar da incubadora ser a mesma e o amor ao clube muito próxima, certamente. Nem sabemos qual a folha salarial de uns e de outros, quais as exigências na renovação dos contratos, se treinavam bem e eram cumpridores. Ivic foi despedido depois de uma época brilhante porque Fernando Gomes reclamou e tinha um poder de influência tremendo.

DC disse...

Eu não percebo a associação de jogadores à Porto aos que mais porrada deram sinceramente.
Jogador à Porto? Domingos Paciência. Não era? "Nascido e criado" nesta casa e nunca precisou de andar a insultar adversários, a deixar pitons nas canelas, nem sequer a bater no peito e a dizer que era muito portista.

Querem outro jogador à Porto? Quem mais que o Gonçalo, que andou ao colo do Baía, do Bicho, do Paulinho, que foi apanha-bolas do clube, que ia para o meio da claque ver os jogos, que cresceu dentro do clube, sente o Porto?

Agora por um gajo andar a suar muito e fazer muitas entradas ao joelho e depois bater muito no peito (enquanto mete comissões astronómicas ao bolso) passa a ser jogador à Porto? Isso é jogador à Boavista não é à Porto.
O Maxi não é, nunca foi e nunca será jogador à Porto. O Maxi é um traidor que responde ao dinheiro, ponto. E se um dia o Porto lhe falhar com dinheiro ele mostra o portismo todo certamente, a armar confusão. Tal como outro "jogador à Porto" foi mostrando com diversas chatices e porrada nos treinos, também uruguaio, um tal de Cebola.
Ou como outro "jogador à Porto" também uruguaio, de seu nome Fucile, foi mostrando ao chatear-se com dois treinadores de seguida.

O que é ainda mais penoso é ver que nem sequer o nosso presidente tem um critério elevado para jogador à Porto. Qualquer sarrafeiro com vontade de meter comissões ao bolso é jogador à Porto.

Joao Goncalves disse...

Concordo com tudo o que escreves-te José e essencialmente nos últimos parágrafos em relação à Humildade.

As nossas memórias de jogadores à Porto nunca recaem em craques ou estrelas, mas sim em jogadores aguerridos que comiam a relva não pela personalidade mas sim por causa da camisola que envergavam!

Esses sim... são jogadores à Porto... até me dá para relembrar a expressão "Porcos, Feios e Maus" pela nossa camisola!

José Rodrigues disse...

No q me diz respeito nao tenho ilusoes. Peço que sejam todos 100% profissionais, sim, porque com salarios milionarios vêm responsabilidades acrescidas. Mas pouco mais do que isso.

Se em geral tivessemos dois ou tres «jogadores à Porto» na equipa principal já me dava por muito satisfeito, e acho q isso tb não é pedir o impossivel.

José Rodrigues disse...

De resto como já tinha escrito no artigo acho q o Bibota claramente nao era «jogador à Porto», mesmo q isso nao invalide q tenha ficado muito contente por o ter na equipa.

O Bandeirinha e o Folha tb o seriam, provavelmente, mesmo q nao fossem grandes jogadores. Já o Semedo por muito amor q tivesse à camisola nao era nada humilde, tinha tiques de prima dona (e conhecia-o pessoalmente) nem, a meu ver, um jogador inconformado e facilmente se ia abaixo psicologicamente.

Pedro disse...

"Mas que para mim ele hoje não é um jogador à Porto, lá isso claramente não é. You´ve got to earn it."

Eu acho que isso resume bem a situação do Maxi. Para ser jogador à Porto é preciso provar, durante muito tempo, que merece esse estatuto. Percebo que PC tenha tentado dar uma de marketing desportivo, mas os adeptos não caem nessa. Basta ver quantos jogadores nos últimos 5/6 anos consideramos jogadores à Porto.

Eu pessoalmente via no Danilo potencial para o ser, mas lá se foi para Madrid. De resto apenas Helton tem um espirito de equipa adequado, ainda assim dificilmente o vejo como jogador à Porto como um André, ou um João Pinto.

José Rodrigues disse...

Sim, concordo DC. Aliás por alguma razão dei os exemplos de Deco e Rui Barros.

Domingos? Nao sei. Sim, sentia a camisola mas nao o via como aguerrido (sem ser necessariamente faltoso) nem inconformado.

DC disse...

Acho difícil medir isso. Aguerrido, inconformado, o que posso dizer é que me recordo por exemplo de ser muito pequeno e estarmos a perder 2-0 com o Setúbal e o Domingos marcar 2 golos para empatar.
Acho que ele era muito inconformado, muitíssimo portista. Depois há a questão de personalidades mais exuberantes como a do Bicho ou mais tranquilas como a do Lucho, por exemplo.

E muitas vezes essa exuberância confunde-se com paixão (veja-se o caso do Quaresma).

Franco Baresi disse...

Respondendo ao título e à pergunta final:
Um jogador à Porto ou à Benfica é uma definição dos adeptos. Aquilo que os adeptos valorizam num jogador é que faz com que ele seja ou não um jogador com "ADN" do clube.
Assim, penso que um jogador à Porto é, considerando um vasto conjunto de características que os adeptos valorizam, quase a mesma coisa que um jogador à Benfica.
A única diferença, observo eu, é que na Luz se valorizam mais os jogadores com grande técnica individual, independentemente de serem solidários com a equipa, enquanto que no Dragão se valorizam mais os jogadores que são solidários em equipa, independentemente da sua técnica individual. Isto, note-se, considerando que o rendimento desportivo destes dois tipos de jogador acaba por resultar no mesmo.
Na Luz um qualquer jogador que "saque" uma grande jogada de 3 em 3 jogos é tão valorizado como outro no Dragão que durante 3 jogos não cometa um erro. Ou, no Benfica um jogador é "certinho", reconhecido como útil, "mas coitadinho é tosco". No Porto um jogador tem grande técnica individual, "mas é um brinca na areia". Escuso de dar exemplos de parte a parte, deixo isso para outros.

Luís Vieira disse...

Má figura faz o excelentíssimo ao estribar-se em número de jogos e golos para aferir a qualidade de um jogador. Há por esse mundo fora muito "martelo" carregado de jogos e golos em clubes e selecções. Internacional não equivale a bom jogador. Revertendo ao caso concreto, o Maxi é mais um desses martelos que compensa as lacunas técnicas e de inteligência de movimentos/sentido posicional com muita entrega, muita raça, muita atitude, aliás, exageradas, porque resvalam frequentemente para a violência. Por isso, não gosto e acho banal. Está cá, apoio, mas a lateral-direita ficou muito mais pobre.

José Rodrigues disse...

Baresi,

acho que historicamente foi como dizes, mas hoje em dia nem por isso.

Nomeadamente: os lamps dao hoje menos importancia ao circo e mais a jogadores certinhos e solidarios do q faziam antes. Já entre os portistas houve um percurso inverso, de forma q se ainda nao nos encontramos a meio-caminho estamos lá perto.

Penso q a contratacao de Casillas ilustra isso um pouco. Há 20 anos nao teriamos tanto portista euforico com o mediatismo dele e da mulher e outros aspecto extra-futebol, mesmo q estivessem euforicos com o q ele poderia representar em pontos conquistados no terreno.

É bem possivel q isso tenha acontecido pq enquanto os lamps passaram por uma mini-travessia do deserto muitos portistas ficaram mal habituados.

É a tal benfiquizacao gradual do FCP de q muitos de nós têm falado. E tb o slb viu uma certa «portizacao» nos ultimos 10 anos.

Isso ve-se em algumas coisas, como a percepcao de q tipo de jogadores interessa.

Pedro Vale disse...

Só descobrimos que era um jogador à Porto depois de cá estar algumas épocas.

David Duarte disse...

Um comentário de um benfiquista sobre "ser jogador à..."

As qualidades necessárias para "ser um jogador à..." não são diferentes de clube para clube. Entre os argumentos aqui expostos para diferenciar um "jogador à Porto" de um "jogador à Benfica" foi dito, entre outras coisas :

1. Um jogador à Porto não é necessariamente um jogador de grande qualidade técnica, enquanto no Benfica os adeptos gostam de estrelas. Quero lembrar que os jogadores à Benfica nos inicios dos anos 90 eram o Veloso e o Vitor Paneira. Ora, não podemos dizer que eles eram "estrelas". O Veloso, por exemplo, era em termos de qualidade era inferior ao João Pinto e contudo na altura não o trocava por ninguém. Já o Paneira, tinha de facto técnica, mas não era por isso que ele era adorado.

2. Um "jogador à Porto" é humilde e entrega-se, independentemente do contexto, totalmente ao clube. Ora, essas são igualmente as caracteristicas dos "jogadores à Benfica" tal como eu os vejo. Basta lembrarmo-nos do que eram os rescaldos dos clássicos e os comentários dos jogadores. Não eram raros os elogios e as saudações da parte de jogadores como Fernando Gomes e João Pinto, e Álvaro e Shéu... e isto mesmo quando se tratava de derrotas.

Bem, resumindo. Não existe diferença de carácter entre um "jogador à Porto", um "jogador à Benfica" e um "jogador à Marrazes". Talvez a diferença encontra-se no facto da entrega, garra, querer e vontade desse tipo de jogadores apenas se manifestarem na sua plenitude quando... envergam aquela camisola, a sua camisola. Nem que essa entrega, garra, querer e vontade muitas vezes se tenham traduzido em campo com actos mais porcos, os exemplos de Veloso e João Pinto, dois grandes capitães, são muitos.

Sobre o Maxi, não me parece que ele seja "jogador a qualquer clube que seja". Tenho a certeza absoluta que ele vai entregar-se ao Porto como se se entregou ao Benfica. Contudo, isso advém do seu profissionalismo. Ora, ser "jogador à..." exige bem mais do que profisssionalismo, exige uma outra dimensão, uma espécie de "aura" que ele não tem.

Deixemo-nos de romantismos, por muito que nos custe. Ser "jogador à..." exige algo mais do que estar no futebol como quem se encontra no espirito de carreira profissional e hoje em dia a grande maioria dos jodores vê a sua vida no futebol como apenas a parte profissional da sua existência. A vida deles vai muito além da camisola que vestem e com a qual têm uma relação bastante fria.

Talvez por este motivo a saida de Bernardo Silva do Benfica (falo do que me toca) tenha causado tanta controvérsia entre os benfiquistas, mais mesmo que este caso Maxi em que o pessoal refila por "azia" mas que depressa vai esquecer. A venda de Bernardo Silva está bem encravada na garganta de muitos benfiquistas porque, ele sim!, representava o benfiquismo, alguém para quem o Benfica era bem mais do que a sua entidade empregadora. De resto, no plantel do Benfica, não vejo ninguém que tenha essa atitude... e com certeza que esse alguém, se existir, não é um Luisão, apesar do que muitos benfiquistas dizem, que durante anos a fio alimentou novelas de Verão com a sua saida do clube.

Carrela disse...

Sim Luís, um martelo consegue ser titular anos e anos a fio num clube como o Benfica e numa selecção como o Uruguai...
Aliás, os treinadores/seleccionadores que lhe aturaram anos e anos não percebem nada, absolutamente nada da coisa!
É isso mesmo!

Luís Vieira disse...

Há martelos enganadores e o Maxi é um deles. Dou de barato a entrega e a capacidade física, que nesse aspecto o Maxi, não haja dúvidas, está bem servido. O problema é o resto.

Pés-Juntos disse...

Não comentei o artigo do Miguel ontem porque apesar de apreciar os textos que escreve ontem penso que pisou o traço continuo um bocadinho, e eu não sou polícia por isso li mas abstive-me de comentar.

A questão é pertinente. Discordo da questão dos 110% que como metáfora é gasta e não ajuda muito a esclarecer a questão. Para mim qualquer jogador que tendo talento mais as virtudes que o Zé Rodrigues enumera e que dá 100% é um jogador à Porto, mesmo que jogue noutro clube.

Quantas vezes não contratamos jogadores que se encaixam no perfil? Ou mesmo que não preencham todos os requisitos, compensam por outro lado?

Quais destes jogadores eram mais jogadores à Porto: Lucho ou Lisandro? André (pai) ou Jaime Pacheco? Madjer ou Futre? Jorge Costa ou Aloísio? Jardel ou Hulk?

Alguns dos nomes acima até serão faceis de escolher mas nem todos encaixam a 100% no tal perfil do jogador à Porto.

E depois dá-se o caso do paradigma das equipas de futebol do FC Porto terem evoluido dentro das últimas 3 décadas (período PdC). Mantém se a matriz de 433 mas o Porto de Robson e o Porto de Ivic eram perfeitas antíteses um do outro. Tal como o de Mourinho e o de Adriaanse. Será mais Porto a equipa que venceu o Bayern em 1987 ou a que venceu o Mónaco em 2004?

Quando penso nesta questão do "Jogador à Porto" mais chego à conclusão que não existe. É um mito. Tal como o jogador à Benfica, Sporting, Belenenses, Boavista, Braga, etc.

Existe a ideia e é importante que exista porque assim podemos avaliar os jogadores e "pesá-los" na balança do "Portismo Desportivo".

Pés-Juntos disse...

Quanto ao Maxi só quero dizer que o tempo dirá se foi uma boa aposta ou não. Não creio que os 3 anos (se os cumprir na integra - vide Cebola) contratados serão suficientes para o canonizar no Dragão. Se fizer o seu trabalhinho profissionalmente tentando jogar mais à bola que à perna, terá o meu apoio.

Mas uma coisa que estamos a ver neste Porto é um "crescimento" forçado da equipa. Digamos uma maturação acelerada. Se o Maxi e o Casillas contribuirem para a equipa ser mentalmente mais forte então as suas contratações já terão valido a pena.

Pedro Mota disse...

Muita gente fala do Maniche,mas desde quando o Maniche é visto pelos portistas como um simbolo ou jogador á Porto?!
Maniche foi um bom jogador,mas nunca foi um símbolo do Porto.

Pedro Mota disse...

Maxi é um lateral razoável no maximo, nunca foi e nunca será um grande Lateral direito. Hugo Almeida,Ricardo tambem tem catrafada de jogos pela selecção isso não faz deles grandes avançados e grande guarda redes. Poderiam ser dados vários exemplos, e o oposto também.
Aliás, Maxi recorre constantemente a faltas exactamente por não ser um grande lateral, sendo essa a única forma que ele tem de parar o adversário. Ele tem é experiência o que é sempre algo bom.

Pedro Mota disse...

Ser um jogador "a Porto", "à Benfica" "á Real" é tudo a mesma coisa, o que varia é a forma como sentimos o clube e idealizamos do que é o nosso clube e o que são os outros. Se perguntarem a um Benfiquista, Boavisteiro ,Madridista etc se as qualidades que o José enunciou são as qualidades de um jogador típico da sua equipa eles dirão que sim.

Para mim importante é o respeito pelo clube,profissionalismo e qualidade. Qualquer jogador que cumpra estes 3 pontos é um jogador que merece jogar no Porto ,e como tal um jogador á Porto.
Como se mede a humildade , o empenho, o sentir a camisola etc . Nem todas as pessoas exprimem os seus sentimentos e personalidade da mesma forma. Tal como nem todos jogadores estão e sofrem as mesmas circunstancias.

Para mim jogadores á Porto tanto são João Pinto, Gomes portistas e formados no clube, como foram Lisandro ou Tarik.

Infelizmente, hoje em dia, as expressões "jogador á " ou " Mistica" so servem para utilizar de forma a critca , para dizer mal e criticar jogadores. "Aquele jogador tem que ir embora pois não tem mistica", "o outro não é jogador á porto tem que sair", "este que agora chegou tem de jogar pois tem Mistica" etc

A banalização destes termos , faz com que cada vez tenham menos importância.

José Lopes disse...

DC, nao que invalide o teu argumento, mas o Domingos marcou apenas o segundo golo, o primeiro foi o Jardel:

https://www.youtube.com/watch?v=f0XK5fpVbBg

Sem duvida que o Domingos foi um craque e um grande portista, mas a razao pela qual nao e' normalmente colocado na mesma lista de Joao Pinto ou Jorge Costa era a de nao ser um lider em campo, alguem que puxava pelos companheiros pela lideranca que exercia. Lutava, era aguerrido sem bater em canelas, mas nao era um lider que se impunha como os referidos ou outros (Andre, por exemplo).

José Lopes disse...

Fora as questoes referidas no texto, ha outro ponto em comum na grande maioria dos jogadores que sao consensuais como "jogador a Porto" que e' ser uma referencia no balneario, um lider, alguem que os outros nao so respeitam, como tem como exemplo (e por vezes ate temem, como por exemplo o Jorge Costa). Sao jogadores que, pela personalidade forte, pela identificacao com a camisola e pela ambicao detestam perder e fazem tudo para ganhar por eles, pelos adeptos e pelo clube. Dai haver tao poucos jogadores que possam caber neste leque. Joao Pinto, Andre, Jorge Costa e Pedro Emanuel (e seus olhares assassinos para os colegas) sao bons exemplos disto mesmo. Sao lideres tambem dentro de campo, fazendo-se respeitar e tendo voz de comando.

E nao, o Maxi, neste sentido, nunca sera um jogador a Porto, quer pelo que o DC disse, quer pelo simplissimo facto de que ele nunca na vida sentira a camisola do Porto como parte do seu corpo, por muito bom profissional que demonstre ser.

Carrela disse...

A definição é muito subjectiva, mas há uma coisa que eu tenho a certeza que nos distingue.
Um jogador à Porto, JAMAIS em momento algum diria ao seu treinador que não remata à baliza do adversário... como um jogador à Benfica (o maior ídolo deles, Eusébio) fez quando jogava no Beira Mar.

Um jogador à Benfica NUNCA será o mesmo que um jogador à Porto, digam o que disserem!
Porque são mimados por tudo o que é CS... qq jogador mediano é elevado a craque!
Quem joga no Porto e sente a camisola, sabe o que se passa, sente a injustiça, e tem noção que para chegar ao mesmo sítio que outros, tem de fazer mais!

Os tempos mudaram e as dificuldades do ontem não são as mesmas de hoje, daí o "jogador à Porto" ter perdido algum do seu significado.
E a culpa não é do rumo que os nossos dirigentes deram, é mesmo da evolução dos tempos!

O Porto hoje já não é o David que luta contra os Golias da capital centralista... cresceu, graças à sua destreza, ao não ter medo de correr RISCOS (Coisa que hoje, tanto "contabilista" critica e aproveita para profetizar o abismo..... ENFIM).
Mesmo com todas as dificuldades e entraves impostos pelo centralismo...

Não ganhámos o campeonato à 2 anos consecutivos, mas continuamos a ser a melhor equipa em PT, a primeira escolha de quem para cá vem.
E estamos onde estamos por mérito e esforço próprio, nada nos é oferecido como aos outros...

Felisberto Costa disse...

Jogador á Porto?
É aquele que quando vai embora a gente pensa que jamais teremos outro igual!

Luís Pires disse...

"Um jogador à Benfica NUNCA será o mesmo que um jogador à Porto, digam o que disserem!
Porque são mimados por tudo o que é CS... qq jogador mediano é elevado a craque!
Quem joga no Porto e sente a camisola, sabe o que se passa, sente a injustiça, e tem noção que para chegar ao mesmo sítio que outros, tem de fazer mais!"
exactamente. o Costinha há dias disse isso mesmo num qualquer programa de tv e, nessa medida, porque sentiu essas injustiças, lutou contra elas,as superou e se superou a si próprio, é bem a definição de um jogador à Porto.

DC disse...

Obrigado pela correcção José.