domingo, 27 de setembro de 2015

A estreia do “Johnny Depp”

Nem tudo foi mau no último Moreirense x FC Porto.
Para além da superior execução de Maicon, num livre direto a uns bons 25 metros da baliza, e do virtuosismo demonstrado por Corona, quando passou a jogar pela zona central, destaco a estreia de Pablo Daniel Osvaldo a titular.

E que bons sinais deixou “Johnny Depp”, num jogo sem espaços para os avançados do FC Porto, contra uma equipa que colocou dois “autocarros” à frente da baliza (com a excepção dos últimos 10 minutos).

Houve mesmo aspectos da exibição de Osvaldo em Moreira de Cónegos, que me fizeram lembrar Jackson Martinez, nomeadamente quando teve de jogar de costas para a baliza, dar apoios e linhas de passe, ou disputar bolas de cabeça com os defesas do Moreirense.


É verdade que, em termos de finalização e golos, Osvaldo não foi feliz, mas andou lá muito perto.



Mas entre todas as ações de Osvaldo, é esta recepção orientada, arranque e remate cruzado (aos 26m), que define a categoria deste ponta-de-lança.

Aboubakar tem estado bem, mas Osvaldo demonstrou que é uma alternativa muito credível e, contra equipas fechadinhas lá atrás (e são tantas no campeonato português), não sei mesmo se não será a melhor solução para o 4-3-3 habitual do FC Porto.

26 comentários:

Luís Vieira disse...

O Osvaldo é bom jogador, mostrou as qualidades que lhe são reconhecidas, pecando apenas na finalização, mas deixar o melhor jogador do Porto neste início de época no banco ultrapassa-me. Motivar o grupo? Poupar para o Chelsea? Nenhuma razão me convence. Era Aboubakar e mais 10 (quando entrou, deixou logo o Osvaldo na cara do golo com uma assistência primorosa). Se há coisa que me irrita profundamente no Lopetegui, para lá das deficiências do seu modelo de jogo, é a farsa da rotatividade. Perdemos o campeonato assim, na época passada. Vamos pelo mesmo caminho, este ano.

Lápis Azul e Branco disse...

Se se mantiver concentrado na profissão, vai ser importante. Talento não lhe falta...

José Correia disse...

"O Osvaldo é bom jogador, mostrou as qualidades que lhe são reconhecidas, pecando apenas na finalização..."

Se o Osvaldo pecou na finalização em Moreira de Cónegos, o que dizer do Aboubakar contra o SLB, em que teve oportunidades muitíssimo mais flagrantes?

José Correia disse...

"Era Aboubakar e mais 10 (quando entrou, deixou logo o Osvaldo na cara do golo com uma assistência primorosa)..."

Sem tirar o mérito ao passe do Aboubakar, convém lembrar que, depois do 1-2, existiam espaços no meio campo e defesa do Moreirense, que nunca existiram até essa altura.

José Correia disse...

Sem dúvida.
E o lance aos 26 minutos...
(http://videos.sapo.pt/Na7eOLNBVGPv55s1ByD7)
... encheu-me as medidas. Não é para qualquer um.

Luís Vieira disse...

Ao que tem jogado o Aboubakar, bem pode continuar a "pecar" na finalização. Neste momento, cobre um raio de acção superior ao Osvaldo e está num grande momento de forma. Ainda assim, antes do jogo com o Moreirense, tinha 6 golos em 6 jogos. Nada mau.

Dias Salvador disse...

Gostei e até acho que foi o melhor jogador em campo. Mas temos que ver mais, pois naquele caos de Lopetegui qualquer jogador com dois dedos de testa e sem pés de Tello se distinguiria da mediocridade.
Mas concordo, bons apontamentos.

meirelesportuense disse...

É verdade o Osvaldo mostrou pormenores, mas precisa de um "tratamento prolongado" com banheiro, tesoura e músculo. Precisa refrescar a cabecinha e abandonar um próximo passado que não deve ter sido glorioso.
Vai levar tempo, mas se "ele quiser", vai ser reforço!...Para já, é uma possibilidade em vias de concretização.

José Correia disse...

"Ainda assim, antes do jogo com o Moreirense, tinha 6 golos em 6 jogos. Nada mau"

Alguém disse o contrário?

Eu vou repetir o que escrevi no artigo e que, pelos vistos, o Luís Vieira não percebeu:

Aboubakar tem estado bem, mas Osvaldo demonstrou que é uma alternativa muito credível e, contra equipas fechadinhas lá atrás (e são tantas no campeonato português), não sei mesmo se não será a melhor solução para o 4-3-3 habitual do FC Porto.

Luís Vieira disse...

Escusa de se dar ares de professor. A recolagem do que já foi escrito é desnecessária, porque nada tem a ver com o que está agora a ser debatido, que é tão-só "pecar na finalização". Aconteceu ao Osvaldo em Moreira de Cónegos, aconteceu ao Aboubakar no Dragão. Recuperei a estatística para demonstrar que a bola no poste e a fantástica defesa do Júlio César foram um acidente na veia concretizadora do Aboubakar, que é, indubitavelmente, o ponta de lança titularíssimo do FCP e o jogador com melhor rendimento no início desta época. Deixar os melhores no banco quando está um título em causa ou é para teimosos inveterados ou é para malucos.

Pedro ramos disse...

Desculpem o off tópic, mas tenho tido pouco tempo para comentar e custa-me cada vez mais ver este estado de alma que vai rodeando o meu clube.

Em 1º lugar custa-me esta critica fácil ao treinador, que vai variando ao sabor do vento, quer por parte dos adeptos em geral quer dos adeptos do clube em particular.
Exemplos:
- JJ já criticou e insultou mais os árbitros nestas poucos jornadas do que Lope em toda a época passada, no entanto o espanhol é que passa por choramingas e queixinhas aos olhos de todos.
- Ainda há pouco se criticava a equipa pelo excesso de faltas e amarelos, mas no último jogo já foi acusada de ser anjinha por fazer poucas faltas.
- Lope é cobarde porque nunca arrisca nas substituiçoes metendo um 2º ponta de lança, mas no último jogo é acusado de ter desorganizado a equipa porque arriscou demais.

Eu nao estou satisfeito com Lope, mesmo tendo sido o defensor da sua continuidade, existem demasiadas coisas na forma como jogamos que me irrita porque continua a nao existir evoluçao, nem qualquer tentativa para alterar.
- Nao há jogo interior, nem jogo entre linhas, Lope continua a gritar "por fora, por fora" (para quê Bueno?)
- Continuamos com os disparates das mudanças de flanco apenas porque sim, sem qualquer objectivo
- Bolas paradas desastrosas. Se nao sabe, nao é possivel contratar um qualquer adjunto que saiba?
- Danilo. Nunca percebi esta contrataçao. Quem nao se lembra de na época passada muito se falar na posiçao de médio defensivo e na tentativa de mudar o seu perfil. Depois de todos os nomes de que se falou fomos buscar alguém que é apenas trinco e tosco?
- Com todos os médios iguais que temos porquê que Evandro continua esquecido. Pois o meio campo serve apenas para bater nos adversários.
- Curiosamente um dos aspectos em que é mais criticado, que sao os posicionamentos da equipa, ou a falta deles, aí consigo ser mais tolerante porque já na época passada Lope revelou dificuldades de operacionalizaçao.

Em 2º lugar parece que a direcçao, independentemente de gostar ou nao do seu trabalho, é cada vez mais um factor de divisao dos adeptos do que de uniao. Infelizmente as entrevistas ou declaraçoes de PdC nao dizem nada aos adeptos, muito menos sao mobilizadoras, limitam-se a fait-divers que nada acrescentam, e nao existe ninguém que nos momentos mais dificeis seja capaz de transmitir uma palavra de esperança.

Ps.Parece que já pegou moda, por cada golo sofrido lá vem: Casillas nao presta, com Helton ele nunca tinha acontecido. Memory is a bitch.

miguel.ca disse...

Teve pormenores técnicos que achei muito bons. Ficaram-me na retina duas recepções de bola no meio da confusão onde foi capaz de a colar ao pé e rodar para o remate. Só faltou mesmo o golo.

José Correia disse...

"Escusa de se dar ares de professor. A recolagem do que já foi escrito é desnecessária..."

Pareceu-me que você não tinha percebido que, em lado nenhum do artigo, eu disse mal do Aboubakar, bem pelo contrário.

Elogiar (como eu fiz) a boa exibição do Osvaldo em Moreira de Cónegos e os excelentes sinais que deixou para o futuro, não significa dizer mal daquilo que o Aboubakar tem feito neste início de época.

José Correia disse...

"...a bola no poste e a fantástica defesa do Júlio César foram um acidente na veia concretizadora do Aboubakar"

Concerteza. Mas não deixam de ser duas oportunidades flagrantes desperdiçadas num jogo crucial, as quais só não tiveram consequências porque, primeiro, o Casillas "salvou" a equipa e depois, quando o Aboubakar já tinha sido substituído pelo Osvaldo, o FC Porto chegou ao golo.

José Correia disse...

"...Aboubakar, que é, indubitavelmente, o ponta de lança titularíssimo do FCP..."

O que não significa que tenha, obrigatoriamente, de ser titular em todos os jogos, contra todo o tipo de adversários, nomeadamente nos períodos de maior carga competitiva.

Por alguma razão os adeptos (e bem) dizem que a equipa não são apenas 11 jogadores e que o plantel deve ter dois jogadores para cada posição.

João disse...

Já o tinha referido. Aliás, também entrou muito bem contra o Benfica e o lance do único golo tem interferência directa dele ao obstruir (salvo erro) o André Almeida, o que liberta o André André no meio.

Está ali uma alternativa muito válida, se tiver cabeça para digerir o banco a que as exibições do Aboubakar o têm votado.

João disse...

Fiquei sem perceber, custa-lhe a crítica fácil ao treinador e depois enumera uma série de aspectos negativos da sua jurisdição. Não é crítica fácil, é precisamente pela completa ausência de um semblante de ideia para jogo interior, nas falhas permanentes de posicionamento elementar, na repetida incapacidade de segurar o ascendente ofensivo de qualquer equipa do CNS que se preste a fazer uma incursão ao outro meio campo, nas bolas paradas com Maxi a marcar Mitroglou e André André com Luisão ou Jardel, etc.. que o treinador é criticado.

E nisso pouco influi se este jogo fizemos mais faltas ou se tirou um central por um avançado. É o trabalho durante a semana que não é feito. E são coisas básicas, que saltam à vista. Quero lá saber se ele é medroso, aliás um dos aspectos mais irritantes da época passada eram os lançamentos do Ádrian Lopez para a ala à papo seco, quando está mais que visto que ali pontas de lança e segundos avançados rendem zero ou quase nada. Portanto não me incomoda particularmente quando troca de avançados a precisar do resultado. Se não tem outro sistema, porque não tem outro sistema (e isso, sim, é outro problema) é preferível não estragar o que tem em campo.

Agora passado um ano termos o André André a sair disparado do poste esquerdo num canto, continuarmos a encaixar golos depois de conseguir a vantagem, meias horas a lateralizar sem operacionalizar o lance de perigo evidente, perdas de bola estapafúrdias no meio campo que dão contra-ataques em igualdade ou superioridade às carradas... isso já é mais complicado de admitir.

Luís Vieira disse...

Elogiar um, não significa criticar outro e vice-versa, nisto estamos de acordo. Aliás, ambos elogiámos a exibição do Osvaldo, apontando como único "pecado" a finalização. O desacordo, parece-me, está na utilidade em rodar o ponta de lança num momento tão prematuro da época, principalmente atendendo ao momento de forma do Aboubakar. Considero-o contraproducente, um anti-clímax. Seria mais avisado fazê-lo numa altura de baixa de forma deste último ou quando a sobrecarga de jogos se faça efectivamente sentir. Da mesma forma que não percebi a preterição do Rúben Neves e do Imbula, quando o meio-campo precisa de estabilidade como de pão para a boca.

José Correia disse...

"...rodar o ponta de lança num momento tão prematuro da época, principalmente atendendo ao momento de forma do Aboubakar. Considero-o contraproducente, um anti-clímax"

Compreendo esta crítica, mas não me parece que tenha sido por causa da titularidade do Osvaldo em vez do Aboubakar que a equipa atacou pior ou criou menos oportunidades de golo.

Em Moreira de Cónegos o FC Porto marcou 2 golos e esteve muito perto de marcar mais um ou dois.

O problema, na minha opinião, foi outro e esteve nas fragilidades defensivas.
É inadmissível uma equipa como o Moreirense, nas três vezes em que chegou à área do FC Porto, marcar 2 golos e obrigar o Casillas a fazer uma grande defesa na 3ª ocasião.
Ora, este facto não tem nada a ver com o titular ser o Osvaldo ou o Aboubakar.

José Correia disse...

"...não percebi a preterição do Rúben Neves e do Imbula, quando o meio-campo precisa de estabilidade como de pão para a boca"

Relativamente à titularidade do Herrera em vez do Imbula, estamos inteiramente de acordo.
O Herrera está a atravessar um período francamente mau e não é por acaso que nem sequer foi convocado para o jogo com o Chelsea.

Quanto ao Danilo em vez do Rúben Neves, ou vice-versa, não se pode dizer que um deles tem sido titularissimo. Aliás, antes do jogo em Moreira de Cónegos, o Danilo tinha mais minutos que o Rúben Neves.

Mas isto é um off-topic, porque este artigo é sobre a estreia do Osvaldo a titular.

Luís Vieira disse...

O Aboubakar, o Imbula e o Rúben Neves participam da manobra ofensiva. Mudar 3 intérpretes de um jogo para o outro afecta necessariamente a produção da equipa, ainda por cima piorando a qualidade técnica (mais notório com Herrera e Danilo, do que propriamente Osvaldo). Daí que a primeira parte tenha sido pouco mais do que inócua, a nível ofensivo. A melhoria na segunda parte coincidiu com a passagem do Corona para o meio e as entradas do Tello e do Aboubakar. Ou seja, o plano inicial foi um fracasso rotundo e só houve desequilíbrios após as alterações tácticas. As fragilidades defensivas também têm a ver com comportamentos colectivos e com défice de qualidade individual, a que as mudanças não são alheias: os golos do Moreirense, sobretudo o primeiro, são inenarráveis. No caso do Rúben Neves, tem apresentado mais argumentos para a titularidade, daí que defenda a permanência dos melhores e não dos que têm mais minutos. Há máximas que não perdem validade: em equipa que ganha não se mexe.

João Barbosa disse...

Estou de acordo com tudo! Juro que não percebo o porquê de não haver jogo interior, e de Lopetegui querer teimosamente manter este jogo de flanqueamento constante. Fico chocado como é possivel Evandro nem ser convocado na maior parte dos jogos quando em condições normais, seria titular de caras nesta equipa.

José Correia disse...

"O Aboubakar, o Imbula e o Rúben Neves participam da manobra ofensiva"

Tal como os dois defesas laterais e até o defesa central Maicon, com os seus lançamentos longos.
Não me parece que seja este o ponto desta discussão.

José Correia disse...

"A melhoria na segunda parte coincidiu com a passagem do Corona para o meio e as entradas do Tello e do Aboubakar"

A melhoria (significativa) da equipa na segunda parte, em termos ofensivos, coincidiu com a passagem do Corona para o meio. Ponto.

A entrada do Aboubakar contribuiu para aumentar o sufoco do Moreirense lá atrás, mas as melhorias, em termos ofensivos, já eram notórias (veja-se as oportunidades de golo que tinham sido criadas nos 15 minutos anteriores).

José Correia disse...

"No caso do Rúben Neves, tem apresentado mais argumentos para a titularidade..."

Eu também prefiro o Rúben Neves ao Danilo.
Mas não se pode meter o Danilo no mesmo saco do Osvaldo, em termos de rotatividade ou de dar minutos a jogadores pouco utilizados, pela simples razão que, desde a pré-temporada, o Danilo tem sido dos mais utilizados.

Luís Vieira disse...

Pois, mas os centrais e os laterais mantiveram-se na equipa, face ao jogo com o Benfica, e bem, ao passo que os três jogadores que refiro ficaram de fora, inexplicavelmente, piorando a produção da equipa ofensiva e defensivamente. Pode dizer-se que a passagem do Corona para o meio foi decisiva, mas não foi o único factor que contribuiu para a melhoria do ataque. As entradas do Tello e do Aboubakar foram, também elas, importantes. Quanto ao Danilo, como defendi, o meu critério não é de quem tem mais minutos, mas de quem apresenta melhor rendimento. Achei que o Lopetegui tinha percebido isso, mas parece que não. A rotatividade é um fim em si mesma e vamos ter de gramar com isto ad eternum. É pena porque a meio da época passada deu a sensação que tinha estabilizado um 11 base e abandonado as ideias peregrinas, mas não, foi fogo fátuo.