sábado, 24 de outubro de 2015

Rúben Neves não é “património do Estado”

Espero que ele [Rúben Neves] fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto
Pinto da Costa, 21-10-2015


Eu não duvido da sinceridade destas declarações do Presidente do FC Porto, MAS…


E, além disso, …

«[Rúben Neves] Já foi apontado, entre outros, a Liverpool, Chelsea e Arsenal (Inglaterra), Real Madrid e Barcelona (Espanha), mas agora chegou também ao radar do vice-campeão europeu, os italianos da Juventus. Pese o facto de estar em fase embrionária da sua carreira, a cumprir aquela que é a sua segunda época no principal plantel portista, Rúben Neves já seduz os mais conceituados emblemas dos principais campeonatos europeus, ao ponto de a Vecchia Signora ter enviado, na terça-feira, um seu emissário ao Dragão para se centrar exclusivamente na performance do camisola número 6 dos azuis e brancos.»
in record.pt, 24-10-2015


Não conheço um único adepto portista, que não subscreva as declarações de Pinto da Costa e que não desejasse manter Rúben Neves muitos e bons anos no FC Porto. Contudo, apesar de Rúben Neves ter contrato com o FC Porto até Junho de 2019 e estar “protegido” por uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros, são poucos os que acreditam nessa (im)possibilidade.

De facto, e realisticamente falando, é muito pouco provável que, já na próxima época (2016/2017), Rúben Neves ainda seja jogador do FC Porto.

40 milhões? E depois?
Por acaso, é este valor que vai impedir clubes milionários, como o Chelsea, Liverpool, Real Madrid, FC Barcelona, entre outros, de contratar Rúben Neves?

Para os adeptos, é triste verem sair jogadores da casa, como é o caso do Rúben Neves. Mas felizmente (infelizmente para alguns saudosistas), há muito que acabou o tempo político-desportivo em que os clubes eram donos dos jogadores. E em que, segundo governantes portugueses, determinados jogadores-símbolo não podiam sair para o estrangeiro porque eram “património do Estado”

14 comentários:

Miguel Lourenço Pereira disse...

Ainda que tenha sido previamente pactado - a renovação silenciosa estava já conversada há bastante tempo - acho que o valor da cláusula para começar a falar sobre uma venda do Ruben está relativamente baixa tendo em conta a forma como o mercado inglês vai voltar a ser inundado nos próximos anos de milhões e milhões.

Hoje em dia um Stoke City pode perfeitamente dar 30 milhões por um Ruben Neves, o que não poderão dar os City, Chelsea ou United que o fizeram este defeso com o De Bruyne, Sterling ou Martial, jovens promessas que não são melhores do que o Ruben (têm a vantagem de ser dianteiros) e cujo valor de mercado é absolutamente desproporcional.

Vender o Ruben Neves é um crime de lesa-pátria por muito que seja uma necessidade financeira e o jogador é o primeiro que já disse por A e mais B que, por ele, fica no Porto uns anos mais (tem 19 anos e sabe perfeitamente que tem 15 anos de carreira pela frente). Fazê-o por menos de 50 milhões de euros, como minimo, parece-me igualmente um erro. O Ruben vale mais, muito mais!

José Correia disse...

Miguel, perante o apetite dos tubarões europeus, o que é que o FC Porto pode fazer, se algum deles bater os 40 milhões da cláusula?

José Correia disse...

O Rúben Neves tem 18 anos. Só irá completar 19 anos no dia 13 de Março de 2016.

Luís Vieira disse...

Caro José Correia, peço desculpa, mas vou fazer um comentário absolutamente off-topic, dada a gravidade da situação: já leu as novas declarações/acusações gravíssimas do ex-árbitro Marco Ferreira? Li-as n'O Jogo. Incrível! É a prova definitiva do manto protector, do colinho e do roubo evidente a que assistimos na temporada passada! Não pode passar em claro e espero que tenha consequências (embora duvide). O Vítor Pereira é um autêntico cancro na arbitragem.

José Correia disse...

Luís, não queria antecipar comentários a este (triste) assunto, porque temos um artigo sobre o mesmo agendado para amanhã (domingo).

miguel.ca disse...

José, pelo que me tenho apercebido, há uma coisa muito maior do que uma cláusula de rescisão... A vontade do jogador. E se a vontade do jogador coincidir com a vontade do clube, então aí não sei se há cláusula de rescisão que valhe. No entanto defendo que se de facto a vontade de ambos é a permanência por mais dois ou três anos, então devia-se renovar o contrato aumentando a cláusula para os 100 milhões. Dava-nos o upper-hand de nogociá-lo nos nossos próprios termos defendendo-nos não só dos referidos tubarões mas principalmente da ganância de empresários.

miguel.ca disse...

Também li... incrível mas não surpreendente. Vamos ver no que vai dar.

José Correia disse...

Miguel, o Rúben Neves aceitou, recentemente, renovar o seu contrato (que terminava em 2017) e aumentar a cláusula de rescisão de 20 para 40 milhões de euros.

Contudo, por mais amor que o Rúben tenha pelo FC Porto (e eu acredito que tem), tem de também pensar nele.

Ora, se algum clube lhe oferecer um salário milionário (tipo 30 milhões de euros, ou mais, num contrato de 5 ou 6 anos) é impossível o Rúben, por mais portista que seja, não aceitar.

miguel.ca disse...

De acordo. Mas o Porto tem de encaixar uma fortuna colossal pela perda. O Rúben é dos melhores do mundo na sua faixa etária e 40 milhões já roça o "de borla"!

Luís Vieira disse...

Combinado, José. Digo só que já houve reacção do visado e do fatídico Mr. Burns. O branqueamento começou.

Filipe Ferreira disse...

A sua clausula é facilmente batida.
Isso ninguém dúvida.
Tenho vindo a dizer que é preciso ter muita calma com o Rúben.
E creio que com estes acontecimentos o próprio Rúben é quem tem uma decisão importante. Espero que ele também tenha toda a calma do mundo, e não tome nenhuma decisão precipitada.
Aguenta Rúben!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

"Miguel, perante o apetite dos tubarões europeus, o que é que o FC Porto pode fazer, se algum deles bater os 40 milhões da cláusula?"

Neste momento o dever do FCP é tentar oferecer as melhores condições possiveis ao Ruben Neves - que está muito longe de receber um salário ao nivel de um Maxi Pereira, por exemplo - e procurar colocar a cláusula de rescisão num valor bastante superior aos 40 milhões de euros que, como disse antes, hoje em dia, em Inglaterra, até um Stoke City pode bater.

No fim de contas, se não for empurrado como o Hulk, o Ruben terá o poder de decisão e tem dado todos os passos para passar a mensagem de que, por ele, a estância no Dragão está assegurada nos próximos dois ou três anos. A partir de aí o mais natural deste mundo é que ele próprio queira voar. Acho que ele sabe que, antes disso, os riscos podem ser maiores que a recompensa. E para o FCP, contar com o Ruben esses dois ou três anos, é ouro!

Silva disse...

Agarre-se num miúdo de 18 anos, pague-se o mesmo que às estrelas do plantel e aplique-se uma cláusula de rescisão de 300 triliões. Isso é que era gestão hein?
Ufa, ainda bem que o MLP não manda...

José Correia disse...

"...o dever do FCP é tentar oferecer as melhores condições possiveis ao Ruben Neves - que está muito longe de receber um salário ao nivel de um Maxi Pereira, por exemplo"

Miguel, admitamos que o FC Porto aumenta o salário do Rúben para 1.5M ou mesmo 2M/ano.
Se um dos tubarões europeus lhe oferecer o dobro ou o triplo (o que para eles não é nada de especial) e se o Rúben aceitar, o FC Porto não pode fazer nada, a não ser encaixar o (elevado) valor da cláusula de rescisão.