quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O que é um jogador da «formação»?

Fala-se amiúde em jogadores saídos da «Formação» ou «prata da casa». Mas a definição não é tão simples ou consensual como seria de esperar.

Para uns, por essa expressão estão a referir-se a jogadores que tenham passado pelos escalões jovens (i.e. no mínimo, pelos Juniores A). Outros têm uma definição mais generosa e incluem mesmo jogadores contratados já adultos - i.e. com 18 ou mais anos - para a equipa B. Outros ainda têm outros critérios (não necessariamente consistentes).

Pessoalmente vejo a coisa num sentido lato, num contínuo temporal - afinal de contas, mesmo jogadores com 30 anos (nem todos...) continuam a aprender e melhorar - mas reconheço que temos que estabelecer uma «linha» arbitrária para simplificar discussões.

Sendo assim, pessoalmente faço uma distinção entre «Formação» e «prata da casa», com um critério mais apertado para o segundo caso. Para um jogador fazer parte deste grupo, espero que tenha feito pelo menos um par de épocas nos escalões jovens do FCP, i.e. nos Juniores A.

Para ser considerado «formação», aí já uso o critério da UEFA que é a idade-limite de 21 anos (usada para quotas nas inscrições nas competições europeias, e também na % a pagar por direitos de formação aquando de transferências, o vulgo «mecanismo de solidariedade»). Parece-me fazer sentido porque se é verdade que muitos jogadores continuam a aprender bastante por alguns anos depois dos 21 anos, também é verdade que tipicamente essa curva de aprendizagem se torna muito menos inclinada a partir daí (enquanto entre os 18 e os 21 anos - i.e. nos primeiros anos de senior - tipicamente aprendem imenso e às vezes mais do que nos juniores).

Ora sendo assim considero que jogadores como Pepe ou James Rodriguez são em parte fruto da Formação do FCP, mas já não os considero «prata da casa». 

Da mesma forma não posso considerar jogadores como Vieirinha, Cândido Costa ou Rabiola «prata da casa», já que foram contratados para a equipa B adultos, com 18 anos (ou quase), ao contrário do que muitos afirmam. Aliás, nem eles nem sequer jogadores que chegaram ao FCP no último ano de Juniores A (como o Leonardo Ruiz, que joga na equipa B); é subjectivo mas a mim não me parece que uma única época nos escalões jovens seja suficiente para se poder falar em «prata da casa».

9 comentários:

Miguel Lourenço Pereira disse...

Entendendo o critério da UEFA - criado, sobretudo, para justificar o facto dos seus próprios critérios de competições europeias serem cumpridos pelos grandes clubes que sempre se dedicaram a contratar jogadores de 19 a 21 anos a outros clubes - mas pessoalmente, para mim, um jogador de "formação" deveria passar, como minimo, dois anos nos escalões de formação - ou seja, até o jogador ser considerado profissional e isso é válido para equipa A e B.

Portanto, baixo o meu critério, um jogador formado pelo FC Porto teria de ter passado como minimo esses dois anos dos 8 aos 18/19 (idade de junior) com o clube.

André Guimarães disse...

Caro José Rodrigues, entendo perfeitamente o seu ponto de vista, até porque eu também tenho uma certa dificuldade em separar "águas" nesses aspetos.

Permita-me apenas corrigir o que disse em relação ao Vieirinha, pois o jogador é efetivamente jogador da formação...jogou na mesma equipa de juvenis com Ivanildo, H. Barbosa, P. Machado, Márcio Sousa (considerado na altura como o melhor) e fez inclusivé parte da equipa campeã da Europa Sub-17 em Viseu, juntamente com Moutinho, que não sendo nem de formação nem prata da casa, é certamente um "dos nossos" :)

Abraço e votos de Boas Festas

meirelesportuense disse...

Para mim um jogador de formação deve passar alguns anos pelas diversas categorias de juniores. Esses são os jogadores de formação da casa. Posto isto qualquer jogador jovem pode ser considerado de formação, pois estará numa fase de aprendizagem e será certamente afectado pelos métodos de treino utilizados em qualquer dos Clubes por que vier a passar. Mesmo os jogadores menos jovens sofrem a influência -formação- dos métodos dos Clubes em que vierem a jogar, desde que estejam completamente abertos a essas influências.

Hugo Mota disse...

Caro José, li a sua abordagem metódica, coerente e bem exposta com interesse.

Mas penso que explicitar o que é um jogador prata da casa, é semelhante a divagar sobre a existência de Deus, o Amor, ou fenômenos paranormais.

Num jogador de formação é fácil estabelecer critérios. O mais óbvio será a presença nas equipas juniores, e mesmo enquadraria aqui a equipa B. Mas representar vários anos o FCP, quer em escalões juniores ou seniores, não faz de ninguém prata da casa.

Dou como exemplos Octávio Machado, com décadas de casa, e nunca superou a marca no rabo que levou, dedicando os recentes tristes anos ao ódio pelo nosso clube. Do outro lado, apontaria Moutinho, que desde o primeiro minuto no nosso clube, pareceu ter nascido portista. Como aliás o têm provado as declarações que tem feito no pós-Porto.

Isso é o que chamaria um jogador prata da casa. Alguém que, mesmo com um percurso anterior noutros clubes, sentem e sabem o que é representar a camisola azul e branca. Como se tivessem ficado apaixonados por ela. É muito difícil quantificar este fenómeno, pois olhando para o campo, Herrera provavelmente até corre e luta mais do que o André André. Mas sabemos que o AA partilha algo nosso. Sente algo nosso. Olhámos para ele e vemos um dos nossos.

Escusado será citar jogadores que nasceram com sangue azul e branco, pois a lista seria deveras extensa. Dou apenas como único exemplo da Prata da Casa, um puto brasileiro que chegou para a equipa principal, humilde, e recebeu no verão passado uma das raras, senão única, homenagem do Dragão no séc. XXI. Seu nome: DECO!

Ribeiro DeepBlue disse...

A seguir ao jogo do Chelsea, tínhamos aqui, 5 minutos após o fim do jogo, um longo texto com 10000 palavras.
Hoje, na sequência dum excelente negócio feito pelo nosso clube, nem um mísero SMS?...

bruno cláudio disse...

excelente negócio? qual? despachamos o Osvaldo? o lopetegui e a armada espanhola? vaya hombre!

bruno cláudio disse...

formação ou prata da casa importa pouco, para ser honesto. quero ver o fcp vencer, com jogadores maioritariamente portugueses, e com ou mais talento, comam bacalhau com grão ao pequeno almoço como o grande capitão João pinto.

e estrangeiros que marquem a diferença, como o lucho, Lisandro, falcão, jackson ou jardel, zahovic, Geraldao, Aloísio, devo ou mames, e etc, etc

eu quero ver mais futres, mais João moutinhos, mais maniches, mais capuchos, mais costinhas, mais jogadores que não tendo sido formados no dragão, foram jogadores a porto! talvez tenha sido mais fácil a integração e assimilar os valores, por haver referências de gene porto no plantel, mais uma razão para construir essas referências, com jogadores da casa.
onde estão as grandes referências do fcp de antes, fernando couto, baía, André, Jaime Magalhães, etc, os antigos capitães? deveriam estar na estrutura do futebol, em permanente contacto com os planteis de futebol, desde os miúdos de 6 anos, passando por todos os escalões.

o grande problema do fcp actualmente reside na falta de cultura de clube, as bases e raízes não existem.

o Ruben Neves e André André são perfeitos exemplos de que o sucesso do fcp tem de vir das bases.
aos senhores da sad: os milionários negócios da transferência de jogadores, concretizam-se da mesma forma, e até mais rentáveis com a prata da casa e formação. imagine-se quantos milhões poderia valer um Vítor Baía e fernando Couto ou futre e rui Barros ou Gomes e semedo ou Sérgio Conceição e domingos, nos dias de hoje.


Pyrokokus disse...

Alguns perderam a capacidade de escrever... até nos comentários estão de poucas palavras...

meirelesportuense disse...

Uma coisa é ser jogador formado no Clube desde muito jovem, alguns estarão na formação desde tenra idade...Outra coisa é adoptar o Clube e a sua filosofia, a partir do momento em que entram nas suas fileiras.
Uns, vão assumindo o espírito do Clube desde tenra idade, são filhos da casa -para mim são Prata da Casa-, outros encontram no Clube a identificação filosófica que procuravam e não obtinham nos outros Clubes porque passaram...
O Octávio quando chegou ao Porto era já um jogador feito, e sempre revelou grande oportunismo e falta de carácter.