quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Se fosse eu

Por José Maria Montenegro

Todos passamos por momentos em que pensamos «se fosse eu». Se fosse eu a marcar aquele penalti, se fosse eu o treinador, se fosse eu o presidente.
E nesses momentos em que estamos a divagar no «se fosse eu» normalmente estamos a divergir da solução escolhida por quem está de facto no lugar de decisão.
Eu – não nego – penso imensas vezes na versão «se fosse eu o presidente». Tenho mais momentos de «presidente» do que de «treinador».


As organizações não são todas iguais. Uma empresa é uma coisa, uma fundação de arte é outra, um clube é outra ainda.
Se eu fosse presidente do Porto tenho a certeza que imporia um nível diferente de compromisso com o clube. Defendo há muito tempo que quem está em lugares decisivos e de representação do clube tem de conhecer bem o clube. Não tem necessariamente de sentir o clube (um treinador ou um jogador, enquanto profissionais que são, não têm de ser aficionados do Porto). Mas têm que perceber o clube, conhecer a sua mentalidade, o seu modo natural de lidar com as venturas e desventuras da época. Coisas tão simples como perceber o que preocupa os adeptos, o que pretendem, como sentem as vitórias e as derrotas, como hierarquizam as competições, os adversários e os momentos, como se identificam com os jogadores. No fundo, perceber e conhecer bem de que cepa é feito o clube. Não precisa de ser logo no primeiro minuto, mas qualquer treinador do Porto tem que perceber em pouco tempo o que é o Porto. Se não perceber é porque não serve.


O meu maior problema com o Lopetegui é justamente este. Não percebe o Porto. Não nos percebe. Não percebe os nossos momentos, os nossos adversários. Não reconhece sequer quais os jogadores que são nossos.
Começou por não perceber que não podíamos perder com o Sporting para a taça, ainda no início da época passada (e por isso se pôs em poupanças e experiências). Não percebeu que tínhamos de ganhar na Luz e que é nesses jogos que jogamos a nossa identidade, que nos impomos e que afirmamos a força que intimida os nossos adversários e que nos levou ao sucesso. Não percebeu que falhar depois de os nossos adversários falharem está completamente fora de causa, e por isso não havia poupança nem gestão naquele malogrado jogo contra o Nacional depois da derrota do Benfica em Vila do Conde. Não percebeu que nunca jogamos para empatar nem entramos em campo à confiança, e por isso levamos um balde de água gelada contra o Dínamo de Kiev em casa. Não percebeu que o que nos fez grandes na Europa foi não ter medo e quebrar todas as lógicas em estádios improváveis, mesmo que para tal nos tenhamos de aproveitar de momentos menos bons dos nossos adversários. E por isso perdeu a oportunidade histórica de ganhar em Stamford Bridge. Não percebeu que queremos, gostamos e vibramos com o Rúben Neves a capitão. E por isso anda nesta rebaldaria de capitães diferentes a cada jogo, com o nosso Rúben a passar de capitão a nem sequer subcapitão (em favor de jogadores sem qualquer carisma). Não percebeu que é por esta identidade entre adeptos e certos jogadores que nós gostamos tanto do André André, que alia qualidade à entrega à Porto (ele sabe lá o que isso é). E por isso tanto não o convoca, como o põe no banco em pseudo gestão (que só serve para nos desesperar). Não percebeu que nós queríamos mesmo muito ver o André Silva na equipa principal. Já queremos há imenso tempo. E ontem, com 3-0, queríamos mais ainda. Como preferíamos que o Sérgio Oliveira tivesse mais oportunidades que o Bueno, por exemplo. Não temos nada contra o Bueno. Temos é a favor daqueles que, com um teclado à frente, diriam as mesmas coisas que eu estou aqui a dizer. Porque percebem o clube.

Não podemos ter um treinador que não nos percebe. Que não percebe o clube que representa. Que não percebe quando não podemos mesmo falhar. Que não percebe quando nos deve corresponder.
Eu, se fosse presidente, já tinha despachado há muito tempo o Lopetegui.


PS. No Domingo, quando do banco chamaram o Bueno em lugar do André Silva, eu assobiei. Arrependo-me do impulso. Já não assobiei quando entrou (porque aí tive o discernimento de perceber que seria profundamente injusto para o Bueno, contra quem não tenho nada). Aliás, já agora, acrescento. Quero crer que o Bueno percebeu que os assobios não eram para ele. É que se não percebeu, então está como o mister. Não nos percebe. Mas eu acho que ele percebeu.

Nota: o Reflexão Portista agradece ao José Maria Montenegro a publicação deste artigo.
   

43 comentários:

Jorge Vassalo disse...

Em primeiro lugar, agradecer a José Maria Montenegro, ter sido clarificador. É sempre importante. Eu, por acaso, sempre tive curiosidade em compreender o pensamento assobiativo. Fico então, clarificado. No entanto, não posso deixar de fazer nota de que:

1) O José Maria não dá nenhum espaço à evolução. 70% dos erros que elenca, foram da época passada. Não os negamos, foram transversais. No entanto, Lopetegui, este ano, já compreendeu, por exemplo, a importância de ganhar ao ficaben. Dizer que não Lopetegui não perceu a importância de jogos de Champions, é negar os jogos do ano passado, a vitória sobre o Chelsea em casa, os 10 pontos que ele grangeou. Se tivessem anulado o "golo" do Dynamo em Kiev, estaríamos no nosso lugar natural. No entanto, nada inédito em Vítor Pereira ou Jesualdo Ferreira, por exemplo.

2) É curioso dizer que Lopetegui não percebe o FC Porto quando é o primeiro - 99% das vezes o único - a dar a cara pelo Clube, a cada dado passo, é ele que é o pato das piadas, é a ele que gozam e ridicularizam, é a ele que odeiam, é ele que diz - e bem! - que está lá para isso mesmo.

3) André André é o jogador que mais gosto no plantel do FC Porto. Tem a raça e a entrega que é necessária. A mesma raça que reconheço a Maxi Pereira, a Rúben Neves, a Danilo Pereira e, tivesse mais espaço e tempo, a Alberto Bueno. É aqui que nós divergimos. Para mim - e muitos outros - não há "os nossos" e "os outros" no plantel do FC Porto. São todos "os nossos". É, no entanto curioso que, nessa lógica, o Tozé, o Licá e o Josué também seriam "dos nossos". No entanto, foram gozados, assobiados e vilipendiados à quinta casa. Mas aqui esbarramos na verdade das coisas: são "os outros". O Herrera, o Brahimi, o Bueno. Não serão nunca "dos nossos". O Hulk, era? O James? o Danilo, que ainda ontem veio, nas suas férias, visitar o Dragão? O Lucho? O Sapunaru? E tantos outros! É por serem espanhóis? É que o Herrera é mexicano! E todos no Dragão vibraram com o golo que fez, com os passes para o Corona, etc. E sou capaz de apostar que, entre nós, exultavam os mesmo que o queriam ver na rua o mês passado! Já agora, e o Gonçalo que foi assobiado quando falhou, logo? É um Paciência! Há lá melhor linhagem de Dragão que essa? Querem o André já, ontem, no entanto o Aboubakar já nos deu importantes vitórias e golos...E se o André falhar? Não é assobiado? Aposto a minha cabeça como será!

Jorge Vassalo disse...

4) Acho que o último Capitão com esse nome que tivemos foi Lucho González (na impossibilidade de Helton capitanear). Acho que um Capitão tem de ser alguém com uma aura de líder e uma sabedoria e ascendente que conduza os seus pares no sentido da determinação e da vitória. Nesse sentido, evidentemente, a minha escolha - insisto, à impossibilidade de Hélton - seria, naturalmente, Iker Casillas. Casillas é um líder há mais de uma década, um multicampeão europeu e mundial e uma incontestada referência entre os seus colegas. É visível o respeito e admiração que todos têm por ele, e a sua postura dentro e fora do campo é absolutamente exemplar! Se tiver a oportunidade, sugiro que veja um jogo perto do relvado. As vozes que mais se ouvem são as de Iker e Hélton. Naturalmente, fiquei feliz que Rúben ostentasse a braçadeira. Achei justo. Admirei o orgulho e a felicidade com que o fez. No entanto, achei que acusou o peso da mesma. Achei NATURALÍSSIMO. Assim como não aprecio vê-la no braço de Indi ou Herrera, não porque não são "dos nossos", mas porque não são LÍDERES.

5) É claro que Alberto Bueno achou que os assobios eram para ele. Primeiro, porque ele foi efectivamente, assobiado também à entrada. Menos, mas foi. Depois, porque não cabe a um jogador que vai entrar ou sair indagar se os assobios são para ele ou não. Claro que os vai pessoalizar. Já no ano passado foi chocante ver uma saída de Casemiro, em que este estava a aplaudir os adeptos à saída, e estes a assobiar. Estavam a assobiar Lopetegui, por não pôr Quintero. Mas a cara de desalento do Casemiro, em grande plano na televisão, bem mostrou o quanto isto o feriu.

Assobio. Apupo e insulto, muito. Faço-o ao árbitro, a jogadores e treinadores adversários. NUNCA o faço a um dos nossos. Mas lá esta: para mim OS NOSSOS são TODOS OS JOGADORES E TREINADOR do FC Porto. É aqui que me distingo dos assobiadores.

Pelo menos, fiquei a saber. Por tal, o meu muito obrigado. Desculpe o testamento.

Abraço Azul e Branco e um Bom Natal,

Jorge Vassalo | Porto Universal

Carrela disse...

Ainda bem que não é presidente!
Que tenha errado, é uma coisa, daí a ter errado porque não percebo o que é ser Porto...

Cumps

miguel87 disse...

"Se fosse eu" a escolher o titulo do artigo, escolhia "De treinadores que não percebem o clube e adeptos que não entendem o futebol"...

PS. Jorge Vassalo, parabéns pela lucidez dos comentários

pedro carmo disse...

Épa fdx....
A sério que estamos a falar de portistas para portistas?
A sério q estamos a v fazer campanha no natal para empandeirarmos o nosso treinador da nossa equipa que vai em primeiro?
A sério que para tal até recorremos ao sergio Oliveira para provar a 'nossa' verdade. O sergio Oliveira? !?!
Isto é a sério?

Luís Gagliardini Graça disse...

Como resulta de alguns comentários acima, há portistas que pensam que são mais portistas do que outros. O José Maria Montenegro é um grande portista e tem direito à sua opinião. Desculpem lá ele não gostar de estar tantos anos a seco.

Luís Gagliardini Graça disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zzzzz disse...

Pois é, Lopetegui não percebe o clube. Vítor Pereira conhecia e percebia o clube. Por dentro, não visto da bancada ou através do ecrã do televisor. Era adepto desde miúdo, via os jogos às cavalitas do pai, tinha anos de trabalho no clube e conquistou vários títulos, dois dos quais de campeão nacional com uma única derrota em duas épocas. O que lhe aconteceu? Foi vaiado, insultado e tratado de uma forma vergonhosa pelos "exigentes" adeptos, de tal modo que resolveu desvincular-se do seu clube de coração.

Hoje, os adeptos identificam-se com o André André, o Ruben e o André Silva. Mas quando estes bem-amados estiveram em má forma, falharem passes e golos, esses mesmos adeptos que percebem o clube vão vaiá-los e insultá-los. É esta a "cultura de exigência" de certos portistas.

Está completamente fora de causa falhar onde os nossos adversários falharam? Desde quando as vitórias são alcançadas por decreto?

O articulista diz perceber o FC Porto, mas eu duvido. Mostra que não tem a mínima noção do que é o desporto de alto rendimento. Vibra provavelmente pelo FC Porto, mas não percebe que quem conquista os títulos que dão grandeza ao clube são os jogadores, os treinadores e em certa medida os dirigentes. Não são os adeptos, e muito menos aqueles que dizem perceber o clube.

Unknown disse...

É sempre um gosto ler comentários livres. E o gosto é sempre maior quando primam pela elevação.
Eu não consigo (nem tenho a certeza de que seja compreendido) responder a tudo, mas vou fazer um breve ensaio.
1. Não dou espaço à evolução? O maior erro, do meu ponto de vista, terá sido o jogo na luz no ano passado. Não foi, portanto, nem no primeiro, nem no segundo, nem no terceiro mês de casa. Foi no décimo mês!
2. Eu não disse que o Lopetegui despreza os jogos de champions (é sempre muito difícil defendermo-nos do que não dissémos nem pensámos). O que está subjacente à minha crítica é a ideia de que há uma hierarquização do próprio treinador que emana de não nos perceber, de não perceber o clube. O jogo da taça com o sporting é elucidativo, mas também com o Nacional (em que poupou justamente por causa da champions), e, este ano, a postura com o Dinamo de Kyev em casa é fruto de alguma altivez que redundou em falta de preparação.
3. Assobios? Mas quem disse que sou um assobiador profissional? Eu não assobio a nossa equipa! Eu confessei (podia ter ficado calado) que reagi à não chamada do André Silva por instinto. Mas não assobiei mais (até disse que me arrependi do impulso, vejam lá?). Eu confesso que gosto imenso (até acho divertido) este concurso de quem é mais e melhor portista. Tenho a presunção de achar que não ficaria muito mal classificado ...
4. A respeito dos jogadores, do modo como nos identificamos com eles, do serem ou não serem «nossos», não vou perder muito tempo. Há coisas que nunca se conseguem explicar. Não se explicam, ponto. Ou se percebem e sentem, ou não vale a pena. Eu não peciso de explicar porquê que o André André é dos nossos, ou preciso? Como foi o Hulk, o Deco, e foram, em tempos, plantéis inteiros. Não vale a pena sugerir, para confundir, uma série de nomes. É que se é assim (para desconversar) eu acrescentaria o meu, que sei jogar e sou muito portista (ou não tanto, pelo desculpa ...)
Um abraço a todos e um Santo Natal (melhorado pela liderança)
José Maria Montenegro

Jorge Vassalo disse...

Ó Luís, não sei se estava a falar para mim. Eu não me acho superior ou inferior a nenhum Portista.

Acho que é um problema GRAVE o assobio e aquilo que ele faz à confiança da equipa e dos jogadores, isso sim!

Abraço

Lápis Azul e Branco disse...

Caro José Maria

Achei muito interessante a forma como titulou o seu texto, "se fosse eu", infelizmente nem toda a gente percebeu o contexto.

Tendo a concordar com todas as falhas apontadas ao treinador, mas em meu entender terá faltado apontar o óbvio (e admito que fosse esse o seu fito, mas se o foi ficou imperceptível à maioria dos leitores): que as responsabilidades de Lopetegui terminam onde começam as dos dirigentes. Se ele não entende de que cepa somos feitos, pois alguém tem que o fazer entender. Se nos primeiros exemplos dessa "ignorância" todos fomos apanhados desprevenidos (ex: Sporting na taça), já nos seguintes não havia desculpa. E das duas, uma: ou os dirigentes se esforçaram por lhe explicar e ele não quis perceber (e o desfecho teria de ser saída no final da época passada) ou, como temo, explicaram e aceitaram que continuasse a fazer de conta. Sejamos claros, a responsabilidade é sempre de PdC e seus pares, dos sucessos e dos insucessos.

Referiu-se e muitíssimo bem à calamidade que foi a época passada, uma daquelas que marcará qualquer portista para todo o sempre - por pena, negativamente.

Como ela não se desvaneceu num "puff de magia", continua cá, bem viva nas nossas memórias não-selectivas. E obviamente pesa, pesou naquele despropositado coro de assobios de último domingo, que condeno e condenei desde que o senti ao vivo, conforme escrevi na minha crónica sobre o jogo. Aliás, terminei-a dizendo que se um único portista reflectisse e se arrependesse do acto, já teria valida a pena escrevê-la. Certamente não terá sido esse o seu caso, mas confortou-me o paralelismo.

De resto, não vou... ah, vou pois, referir-me ao relambório do Sr. Vassalo.

No meio do seu imenso portismo, algures no tempo, terá perdido a noção de que ser portista não é ser obtuso nem auto-limitar-se a seguir uma qualquer cartilha, como se todos tivéssemos sido (geek alert) raptados às nossas famílias em bebés e doutrinados como soldadinhos brancos da Primeira Ordem. Não somos, Sr. Vassalo. Ou melhor, alguns poderão deixar-se guiar sem pensar sobre o assunto, mas outros não. Absorva isso, homem.

E depois (de absorver), dê-se ao trabalho de revisitar a sua escrita ao longo destes meses e aperceba-se dos seus ziguezagues sem nexo, qual contorcionista do circo de Pequim, que como se sabe, consegue passar a cabeça pelo meio das pernas, seguida dos braços, e depois voltar à posição natural como se nada fosse. Se ainda assim não detectar nada do que lhe digo, faça um esforço por respeitar quem pensa.

Por fim, dizer que abomino que se comecem as frase pelo infinitivo omitindo o verbo auxiliar... oh, estão a ver?... pontinhos vermelhos, já estou com comichão, veem?

Um abraço portista a todos (sem excepção) e votos de um bom Natal!

Do Porto com Amor

LAeB

João disse...

Não sei se foi propositado mas já consta por aí que houve um desentendimento entre o treinador e Lopetegui precisamente, e segundo os relatos, pelo facto que adorna a 2a frase do 3o parágrafo deste texto.

Era simplesmente natural que já tivesse acontecido ou estivesse para acontecer.

José Maria Montenegro disse...

o que gosto sempre de comentários livres. Para mais quando apresentados com elevação.

Não sou capaz – nem tenho a certeza de ser especialmente útil (porque serei dificilmente compreendido) – de responder a tudo, mas faço um breve ensaio:

1. Dizem que não dou nenhum espaço à evolução. Eu dou o espaço todo do mundo! Fixo-me no que considero ter sido a maior de todas as incompreensões. O jogo na Luz no ano passado. E não foi nem ao primeiro, nem ao segundo, nem ao terceiro mês de casa. Foi ao décimo!
2. Eu não fazia ideia que «dar a cara» é sinónimo de «perceber o FC Porto. Não consigo acompanhar este argumento.
3. A questão dos «nossos» e dos «outros». Esta é a parte mais difícil de explicar. Porque, de facto, não se explica. Vejam lá que eu não sei explicar porquê que o André André, como Hulk, como o Deco, como o Alenitchev, como o Jorge Costa eram dos nossos. Não necessariamente das nossas escolas ou portugueses. Mas eram nossos. E não consigo contrariar esses argumentos que passam por convocar nomes atrás de nomes que eram «nossos» mas não eram, de facto. É que se for assim, também eu sou caraças! Até sei jogar à bola e juro que sou portista, acreditem! Pode não parecer, posso não obedecer aos vossos parâmetros, mas sou. Ou então, deixem-me ser…
4. Sobre os capitães, estou um bocado baralhado. Percebi que estarei errado, mas não percebi o que seria estar certo. Mas suspeito que é um tema parecido com os «nossos». Há coisas que não se conseguem explicar. E se é assim, temo estar certo …
5. Sobre os assobios, lamento não ser a pessoa que queriam que eu fosse. Não. Eu percebi que gostariam de projectar em mim o profissional do assobio que não sou. Não. Não assobio a equipa. A única confissão que fiz (e reparem que revelei o meu arrependimento) foi de ter assobiado no momento – e só nesse – em que do banco não chamaram o André Silva. Não foi bonito, mas foi só isso.
6. Confesso que é muito divertido este concurso do «eu sou mais portista que tu». Atrevo-me a achar – com toda a presunção – que não passava uma época sem ganhar nada …

Abraços, obrigado pelos comentários e um Santo Natal a todos (mais confortados pela liderança!)

pedro carmo disse...

Luis pequena correcção
Não há portistas que se julgam mais portistas que outros. Essa interpretação é sua.

Portistas, julgo somos todos.

Há é seguramente portistas que apoiam o clube e os seus jogadores mais, ou que pelo menos não assobiam a equipa quando ela ganha 3-0 com boa exibição e sobe ao primeiro lugar.

Há portistas que olham á volta e vendo o contexto persecutório que envolve o nosso clube neste país, gastam o seu esforço em apoiar os nossos do que em contribuir para mais perseguições que no caso do basco roçam a xenofobia.

Depois há os que assobiam, mas arrependem-se logo a seguir, e ainda os que depois de tudo o que nos tem acontecido, no dia depois de chegarmos ao primeiro lugar escrevem um artigo para justificar o seu íntimo desejo de correr com o basco. .. a meio da época

Para terminar há portistas que apoiam até ao fim e ficarão muito tristes se o fc porto nada ganhar, e depois há portistas que não apoiam, apoiam assim assim, assobiam (mas pouco), acho que ficarão tristes se o fc porto não ganhar nada (acho), mas se tal acontecer ficarão legitimados e contentes por só longo de 2 anos terem sido os iluminados que sempre viram que isto não ia dar certo...

Mais portistas uns que outros? Acho que não

Diferentes? Seguramente

Paulo Marques disse...

Estou-me a borrifar se o treinador (seja qual for) entende os ingratos e ignorantes adeptos, quero é que que ganhe mantendo a imagem do clube. O resto é acessório e resultadista.

DC disse...

Agora o treinador e os jogadores até são culpados de não entenderem a tradução dos assobios?
Temos que criar um dicionário de português-assobiês para ir ao Dragão.

Jorge Vassalo disse...

O meu caro senhor Lápis esclareça-me lá uma coisinha, se faz favor: eu dirigi-me a si? Esse chorrilho de observações de carácter pessoal veio por Alma de quem? E nunca deu um typo? Que bom para si.

Se não gosta, não leia.

Bom Natal

Jorge Vassalo disse...

Meu caro, permita-me então clarificar:

1) É uma questão então de perspectiva. Percebo a sua.

2) Proponho uma hipótese, se me permite: imagine, por hipótese, que o Clube teria hierarquizado a importância da Champions, no ano anterior, à frente de tudo o resto. Faria sentido? Em relação ao jogo do Dínamo estamos de acordo. Não vejo é ligação entre uma e outra.

3. Depreendi que sim. Embora não saiba o que é ser "assobiador profissional". Quanto ao "mais ou maior portista", não me vejo como tal. Acho que isso nem existe.

4. Todos nós temos direito à nossa preferência pessoal de jogadores. Não entendo bem é a lógica de que um Portista desde pequeno vá ser melhor profissional ou mais dedicado do que um que chegou ontem. Se essa não é a ideia, é erro de percepção meu.

Bom Natal

Lápis Azul e Branco disse...

Como poderia dirigir-se a mim se o artigo não é meu?

Não lhe fiz nenhuma observação de carácter pessoal (nem percebo o que quer dizer com isso, uma vez que não o conheço)e não escrevo sob encomenda, nem sequer do além.

De facto não gosto, mas quando escreve fora do seu aquário obriga os outros a cruzarem-se com o que escreve e portanto, sujeita-se a ser comentado.

E já agora, relaxe, não se leve tão a sério... encare com humor e fair play o que outros se dão ao trabalho de lhe dizer. Nada me move contra si, apenas discordo daquilo que escreve.

Que a Força esteja consigo...

Pedro ramos disse...

1- Independentemente do que acontecer até ao final da época, o mais sensato é Lope sair, porque os adeptos já decidiram à muito que ele não serve.
O problema não são as criticas às ideias do treinador, mas os "argumentos" acima enumerados pelo artigo.
Em relação a esses "argumentos", verdade seja dita que aparentemente há muito nenhum treinador percebe o Porto, mesmo treinadores competentes que são adeptos do clube nunca serviram para esta "exigente" massa adepta porque nunca a percebeu.
Li aqui neste espaço à alguns dias algo engraçado como: Lope nem se podia queixar muito da contestação porque treinadores anteriores mesmo sendo campeões também foram, bastante criticados e até enxovalhados. Este é o nosso normal quando ganhamos...

2- "Como preferíamos que o Sérgio Oliveira tivesse mais oportunidades que o Bueno, por exemplo. Não temos nada contra o Bueno. Temos é a favor daqueles que, com um teclado à frente, diriam as mesmas coisas que eu estou aqui a dizer. Porque percebem o clube."
Como eu devo ter estado em Marte expliquem-me o que aconteceu com Licá, Josué ou Tozé?
Mas, como tenho a certeza que 90% dos adeptos que queriam que André silva entrasse nunca o viram jogar, veremos o seu apoio ao jogador nesta 2ª metade da época.

"Quero crer que o Bueno percebeu que os assobios não eram para ele. É que se não percebeu, então está como o mister. Não nos percebe." Mais um que deve ir embora com um pontapé, chegou à 3 meses e é um burro se não percebe os adeptos.

3-A questão dos "nossos" e dos "outros" vale o que vale. Infelizmente assobia-se mais facilmente um Deco ou um James por falharem um passe e aplaude-se um Maxi por bater num adversário ou por um sprint inútil.

João disse...

Qualquer conjunto de dois neurónios pode conferir entre si que, nunca tendo sido contestado até aí, e tendo sido colocado em campo preterindo um puto da casa que FOI CANTADO PELO NOME 2 MINUTOS DEPOIS, que os assobios não são para si.

Mas é como os golos adversários marcados pelos assobios, na vossa realidade paralela tudo serve.
Um único problema, nunca vão conseguir agregar todos os contestatários sob a égide do "assobiador", como aliás se tem vindo a provar nos comentários a este post.

E só prova que são os "apoiadeiros", e não os outros, que têm o complexo de superioridade moral e do "bom adepto". Parafraseando o Luís Graça, banhinho ao cão.

Alberto Silva disse...

Eu não assobio nem assobiei, mas vejo a questão do Andre Silva de outra forma, mais que agradar aos adeptos, depois dos 3-0, ele poderia já dar minutos ao André para que possa ser peça importante ( opção de banco) a 2 de janeiro, tinha esse jogo e agora outro contra o Marítimo, não existirá Osvaldo e podia ser importante dar lhe esses minutos...assobiar so porque não joga não faz sentido, como já referi com o jogo ganho, podia ver o que pode ajudar na dura batalha em Alvalade caso seja chamado...

José Lopes disse...

Excelentes comentários. Só acrescento que também gostava de ter visto o André em campo. Acho que o Lopetegui não esteve bem, porque aqueles curtos minutos faziam mais diferença ao André. Agora, discordar é uma coisa, uma assobiadela monumental é outra bem diferente. O André há-de entrar, o Osvaldo vai embora, calma. Acarinhe-se também os que, para os assobiadoras, não são "nossos", porque renderão mais e gostarão mais de estar connosco. O Deco era simplesmente um miúdo brasileiro quando chegou e depois transformou-se num grande portista...

José Lopes disse...

José Maria, sobre os nossos que não são "nossos", pense que o Deco, o Hulk ou o Lucho não o eram quando chegaram. Tornaram-se "nossos" pelo seu rendimento, dedicação e anos no clube. Certamente que terem sido acarinhados ajudou. Serve isto para dizer que não se deve separar tanto as coisas, porque qualquer Bueno poderá tornar-se uma referência com o tempo. E quem lhe diz isto é um portista que também gostava de ter visto o André em campo.

João Santos disse...

Mas que raio de questão é essa? É claro que há portistas mais portistas que outros.
Estou no rank acima do Luís. ;)
Boas festas.

Jorge Vassalo disse...

Ah, as críticas à minha escrita são decorrentes do post, é isso? Pois, pois, é isso tudo.

Hugo Mota disse...

José, pela sua teoria, o Vítor Pereira que é portista de gema, também não percebeu que não podemos apanhar 3 secos da Académica, num jogo a eliminar? Também não percebeu que não podemos entrar numa final de uma taça com o Braga a poupar jogadores? Também não percebeu que não podemos ser uma amostra de equipa na Europa? A grande virtude de VP é que percebeu bem a mente de JJ, daí as vitórias repetidas contra o slb. E é português, pelo que não necessitou de tempo de adaptação como o Lopetegui necessitou.

Mas se o caro José fosse treinador, e o convidassem para orientar uma equipa da Eslováquia, também saberia tudo do ambiente e história Eslovacas mal aterrasse no aeroporto? Ou precisaria de tempo para aprender?

Lopetegui, por ignorância, cometeu esse erro com o Sporting no ano passado. Pensou erradamente que o Sporting ou o Belenenses eram equipas semelhantes. Deu-se mal. Mas aprendeu.
Com a celeridade que o José aponta a derrota no Dragão, não o vejo com a mesma coerência a apontar que venceu o mesmo Sporting por uns concludentes 3-0 para o campeonato.

E se for a todos os treinadores deste século, conseguirá encontrar milhentos de exemplos para os tópicos que apontou. Talvez escapem Mourinho e Villas Boas. O primeiro porque teve a inteligência de adequar o discurso ao nosso sentimento. O segundo, por ser portista, sente os nossos ódios e amores. Mas ambos tiveram equipas estratosféricas comparadas com as nossas actuais, o que lhes permitiu juntar o carisma aos resultados em campo. Caso não vencessem, não haja dúvidas que seriam tão contestados como todos os outros.

Se o José fosse presidente, aconselhava-o a agir com perspicácia e racionalidade. Para presidentes-adeptos, já temos o triste exemplo que se verifica para os lados de Alvalade.

Hugo Mota disse...

Jorge Vassalo, espero que continue a fazer "longos testamentos" por muito tempo. Adorei cada linha que escreveu.
É mesmo isso. Parabéns!

pedro carmo disse...

De facto eu que não tenho nada a ver com isto uma coisa acho que consigo perceber:
- chamar obtuso e contorcionista a alguém é entrar no campo de observações pessoais
- da mesma forma que dizer que não se faz algo ainda que fazendo, entra no campo da parvoíce

Frederico Cotta disse...

Tou com o Jorge.....Não tinha palavras minhas para o dizer, ms exprime o que sinto e penso.
Abr

pedro carmo disse...

Kudos Hugo!

Dias Salvador disse...

Caíu o Carmo e a Trindade.
Aí vêm eles de carrela.

André Silva disse...

Ó Sr. Vassalo, pelo amor da santa... as únicas críticas são ao seu pensamento, o seu estilo de escrita não me merece reparos - sim, brinquei com algo que não me agrada, mas foi apenas isso.

Pedro Carmo, como vai?
Poderia explicar, mas perderia a graça, entende?

Bom Natal para ambos os dois

Lápis Azul e Branco disse...

Peço desculpa, escrevi o comentário acima com um dos meus heterónimos :-)

pedro carmo disse...

André como está claro que pelos vistos nem a coragem de assumir o que escreve tem, bem ao jeito do digo mas não digo, instrua-me, com piada se possível...

Gosto sempre de aprender com portistas que numa discussão num blogue sobre futebol trazem à mesma ódios gramaticais como o andre que abomina que se comecem as frases pelo infinitivo omitindo o verbo auxiliar...

Lá nos veremos no dragao a assobiar de preferência. .. os árbitros

Silva disse...

Se o José fosse presidente, este ano não seriamos campeões. E isto é opinião livre. Não me vão assobiar, não?

Luis disse...

Eu não li o artigo, " mea culpa" nem tenho vontade de ler. Só queria dizer o seguinte: no velhinho estádio das Antas passei um jogo a levar com um sujeito que passou o jogo todo a insultar um jogador do meu clube, que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.Acontece que esse jogador marcou um grande golo, e o sujeito levantou-se de imediato da cadeira a bater palmas. Quando não havia internet, o futebol era um espectáculo. Feliz Natal para todos.

Tiago Stuve Figueiredo disse...

Parabéns pelo artigo José Maria.

Não subscrevo na íntegra mas quase.

Quanto a Lopetegui, defendi-o com unhas e dentes a época passada, pelo menos até ao jogo da Luz, que para mim não tem desculpa.

Embora um tanto ou quanto contrariado, compreendi que a direcção mantivesse o treinador e tive esperança que o futebol tivesse a qualidade do ano passado (a qual sem ser brilhante, era bastante aceitável).

Puro engano. O sistema de jogo não se adapta aos jogadores que temos e as exibições têm sido lastimáveis, tirando honrosas excepções (o jogo com a académica foi uma maravilha mas apenas quando comparada com as exibições dos últimos dois meses, o que diz bem do nosso futebol).

Obviamente que o problema não é só do treinador é que muita coisa vai mal mais acima na hierarquia, mas acho que temos de mudar se queremos cimentar uma liderança que está neste momento colada com cuspo. Ou Lopetegui muda, ou mude se o Lopetegui.

É a minha opinião. O mais provável é ser rapidamente insultado pelos melhores porristas que eu, muito provavelmente aqueles ou os mesmos que elogiavam o paulo fonseca até dezembro, enquanto se manteve na liderança.

Por fim, infelizmente acho que chegámos a um ponto em que Lopetegui será elogiado e defendido mesmo que perca em Alvalade jogando com quatro centrais e dois trincos e em que será criticado mesmo que espete três secos aos lagartos. E duvido que consigamos sair deste estado de espirito


Luís Gagliardini Graça disse...

Jorge: eu não assobiei pois não me indignei com o facto de ele não colocar o André. Mas ele, ao não colocar o André, mostrou que das duas uma: (i) ou não percebeu que isso seria uma forma de motivar o miúdo, motivar os adeptos e todo o clube para o jogo em Alvalade, quando já estava a ganhar 3-0 e fazer as pazes com os adeptos; (ii) ou percebeu isso mas não o quis fazer apenas para mostrar que é ele que manda. Em qualquer dos cenários parece-me que ele fica a dever algo à inteligência. Em todo o caso, não assobiei porque achei triste o que ele fez. E tenho a certeza que o Bueno percebeu que os assobios não eram para ele , sob pena de ser mais um a não perceber nada.

Luís Gagliardini Graça disse...

Pedro: eu não tenho hábito (penso até que nunca o fiz) de assobiar os jogadores. Mas se sentir que eles estão a desrespeitar o clube, não me parece mal que sejam assobiados.Era o que faltava que os jogadores fossem meninas que não pudessem levar com um assobio...

Luís Gagliardini Graça disse...

João : fico contente por pensar que está acima de mim no ranking. Apesar de estar errado, significa que o João gosta muito do FCP e isso agrada-me

Paulo Marques disse...

Eu esperava que os jogadores estivessem concentrados no jogo, afinal deviam estar concentrados na opinião dos assobiadores de fim-de-semana. É esse o estilo à Porto?

Silva disse...

As pazes com os adeptos? Está a brincar, certo? Ora convença-me lá que os adeptos que assobiaram estão disponíveis para fazer paz com o Espanhol. O Luis está? Não, não estão, isso são tretas.