sábado, 23 de janeiro de 2016

O Chainho da Doyen

Antes de começar quero deixar claro que este artigo não visa, em nenhum momento, insultar o Chainho. Um jogador que deu tudo pelo Porto quando jogou. Nunca foi um fora de série, muito longe disso. Mas suou a camisola e fê-lo com brio. Chainho, se me estás a ler, não quero que te sintas mal quando descrevo o Imbula como o "Chainho da Doyen".

Agora vamos ao que importa.
Gianelli Imbula. Com nome e apelido. E, sobretudo, com um valor para justificar que seja, a dia de hoje, jogador do Futebol Clube do Porto. Porque esqueçam lá as contas e as falsas sensações de que se pagou ou não se pagou por Imbula com ou sem a ajuda da Doyen. Imbula é, a todos os efeitos, tão jogador do Porto como foi Chainho. Que exista uma promessa de venda, isso é algo lógico e básico na politica desportiva da Doyen e do clube. Mas se, por algum motivo, a Doyen se lembra de deixar aqui o francês a apodrecer (não foi o próprio Presidente que disse que foi enganado no caso Adrian?), quem comerá a carcaça é o Futebol Clube do Porto. Não tenham a menor dúvida.
Imbula é um jogador com um potencial muito bom. Nunca vai ser um Pogba apesar de ter condições físicas semelhantes, mas pode ser um jogador de potencial em muitos clubes europeus. Tem o físico, tem as condições técnicas de ultrapassar dois ou três jogadores em velocidade para criar desequilíbrios. Tem a meia distância para lançar misseis teleguiados e a frieza necessária para um último passe. Tem condições, sim, mas não tem o fundamental para jogar futebol profissional, a atitude. Imbula está no Porto de corpo mas não de alma. Chegou a contra-gosto. Não era aqui que ele queria acabar. Tinham-lhe prometido outra coisa, um ano dourado em Milão, onde podia rivalizar todas as semanas com dois internacionais gauleses como Pogba e Kondongbia com quem, em teoria, poderia disputar um lugar na selecção. Mas a coisa torceu-se. O Milan pensou duas vezes - talvez com motivo - e deixou a Doyen a arder. O negócio Jackson pode não ter ajudado em nada a situação entre os italianos e o fundo que gere a carreira do jogador. Sem clube onde o colocar, Imbula ficou no limbo. Não fazia sentido voltar ao futebol francês, assinando pelo Monaco. Em Espanha a situação estava complicada para colocá-lo no Valencia ou no Atlético de Madrid. Ninguém queria Imbula ao preço estipulado pela Doyen do mesmo modo que o fundo teve tanta dificuldade em meter nos dois clubes espanhóis o médio Rodrigo Caio - apesar das fortíssimas pressões a ambos clubes - que o jogador não teve outro remédio que não fosse o de ficar um ano mais no Brasil. O caso era muito similar ao de Imbula e em Marselha começavam a pensar que iam ter de aguentar contrariado o jogador durante um ano. E então apareceu o Porto na equação.



Lopetegui não queria o "Ferrari" Imbula por muito que Pinto da Costa diga o contrário porque, como se viu na sua entrevista mansinha, tudo o negativo lhe alheio (os assobios dos adeptos, os jogadores que correm mal, o treinador que de ser bestial passou a besta). Não o pediu. Pediu, sim, Sergio Darder. Pelo segundo ano consecutivo. Disseram-lhe que não e Darder, noutro "negócio escuro", saiu a mal do Malaga e acabou em Lyon onde está a ter um ano sofrível. O basco sabia que precisava de um pivot defensivo para competir com Danilo e um substituto para Oliver. O que não necessitava era um "Herrera II" quando o plantel já tinha André André, Evandro e até Ruben para esse lugar. Mas disseram-lhe que tinha de ser e que se fizesse com Imbula o que fez com Casemiro, os louvores seriam ainda maiores porque tudo aquilo onde tocasse seria ouro. Engoliu em seco e aceitou o jogador. A Doyen taxou o jogador em vinte milhões. O Porto oficializou o negócio dessa forma.
A forma de pagamento é relativa tal é a forma como hoje é quase impossível distinguir entre clube e fundo em matéria de negócios. Quanto se abaterá no negócio Brahimi para o próximo verão? Que jogador se sobrevalorizará no mercado para pagar esse favor como se fez com Mangala? Tudo é demasiado cinzento para afirmar, taxativamente, algo a não ser que, para o bem ou para o mal, Imbula foi forçado pela Doyen a ir para o Porto e o Porto foi forçado a ficar com ele de forma oficial. O casamento tinha tudo para correr mal e correu. 
Imbula não se impôs como seria de esperar porque não quis. Ele é o primeiro que sabe que vai sair em Junho e que este ano é um ponto de paragem, nada mais. A Doyen vai colocá-lo no Verão noutra liga e ele seguirá a sua vida profissional. Este foi um parêntesis. Por isso não valia a pena treinar no duro, aplicar-se a sério, ir ás bolas divididas, sentir o peso da camisola no peito. Essa atitude começou a sentir-se na pré-época e tem vindo, in crescendo, a ser cada vez mais evidente. Imbula quer que todos saibam que não gosta de estar aqui. Se isso é inteligente ou não, o problema é dele. Cá estaremos para ver o que será o Imbula fora do Porto. Esqueçam é de ver o Imbula que podia ser aqui. E não é dois gritos do treinador que seguramente o vão fazer mudar de ideias.

Imbula é tudo aquilo que André André não é. Para o bom e para o mal. As condições técnicas e tácticas que tem o francês o filho do nosso André não tem e dificilmente terá. Mas a este ninguém lhe ganha em atitude. Não se pode (pelo menos não se devia poder num clube como o Porto) fazer uma carreira apenas com base na atitude. Em algum momento ou o jogador evoluiu ou deve vir alguém melhor. Mas o certo é que a André não lhe podemos apontar absolutamente nada e mesmo sendo pior futebolista do que Imbula é, seguramente, melhor profissional. O francês poderá acabar por explodir e transformar-se numa referência mundial mas nos nossos livros de história ocupará um lugar semelhante a Chainho, um médio esforçado que Fernando Santos foi buscar ao seu Estrela da Amadora para reforçar o meio-campo e que cumpriu sem deslumbrar. A diferença é que Chainho não custou oficialmente 20 milhões nem foi imposto por um fundo que, daqui a nada, vai subministrar até o papel higiénico do Dragão em exclusividade. Afinal de contas, olhando para o rendimento de um e de outro, o lugar na história do clube de Chainho está a um patamar superior. Pelo menos ele soube vestir a camisola do clube com o respeito e dedicação que se lhe exige. Por tudo isso, desculpa Chainho, este artigo não era para ti.

23 comentários:

Tiago Matos disse...

Mas quem te contou esta historia toda? E que por muito que queiras, ha muita coisa mal contada nestantua versao! E não, não vou justificar o que quer que seja, mas sei que estás errado em grande parte do teu conto!

Curioso disse...

Onde diz "E não é dois gritos do Sérgio Conceição que seguramente o vão fazer mudar de ideias" acho que devia actualizar para José Peseiro, mas não me parece que ele seja tão de dar gritos. Quanto ao principal, se for verdade o que descreve, dá para entender o que são os milhões de treta no futebol de hoje.

Pedro Moreira disse...

Tenho muita pena mas quem já foi um Ferrari e agora é um Corsa é Pinto da Costa. A entrevista que deu só convence quem perdeu a razão e se deixa levar por uma memoria única mas passada. O caso de Adrian resume-se assim, segundo percebi: queriam vender 60% do passe por 11 milhões e eu (PC) disse logo que não. Mas depois a proposta era que não pagávamos no primeiro ano e que o empresário o colocaria noutro clube ao fim desse tempo. Mas chatice não o conseguiu e por azar la temos nós que pagar os onze milhões pelos 60%. Isto é escandaloso e das duas uma ou há pessoas que come do clube ou perderam lucidez. Então se não aceitaram a primeira oferta porque era caro na segunda não exigiram clausulas para não cair na primeira? Já agora no meio de tanta miséria numa entrevista entre amigos que alguém me diga o que achou do elogio a Duarte Gomes...confesso que ainda não acredito no que foi dito. Em relação ao Imbula acredito no que diz o Miguel porque tem lógica dentro da vergonha que vamos assistindo no clube. Só tenho pena que ninguém com valor e capacidade se candidate para acabar com esta brincadeira. E esse alguém não é certamente Vitor Baia.

Antonio Pinto Cardoso disse...

Da maneira que o futebol vai, e não é só aqui, podem mudar de presidente, podem mudar de treinador, podem até mudar o tesoureiro.
Quem vier a seguir vem para comer...e por isso terá de continuar a comportar-se do mesmo modo e é se quizer...

João Martins disse...

Quanto ao tópico, que saudades de ver o Chainho a jogar..tal como o André, não era estrela nenhuma mas foi de uma equipa de jogadores assim, que aprendi a amar..
Imbula é o último exemplo da actual estratégia da Sad..
Longe vai o tempo em que o Porto gastava bem por jogadores feitos, como Lucho, Moutinho, Jardel, Aloísio, Otamendi, Falcao ou Branco..
Projectos de jogadores como Bosingwa, Maniche, Deco ou James chegavam por ninharias e não tinham que ser vendidos passado um ano para tapar o buraco do investimento. Quantos meses passaram Deco ou James a aquecer banco para outros, a serem trabalhados para entrar e não mais sair da equipa?
Talvez o primeiro desta fornada de risco tenha sido Hulk. No entanto sorte do Porto e do Hulk, à frente da equipa estava alguém que os sabia trabalhar, apurar às necessidades da equipa até que entravam para acrescentar valor.
Lopetegui foi treinador de jovens, no entanto não os queria moldar, queria comprar caro e te-los a carburar desde o primeiro instante.
Política destas temos visto em R.Madrid e com os resultados que são conhecidos.
Espero portanto que esta política de gastador acabe, que se volte às origens , e com sorte o Peseiro não sendo uma estrela tambem,como não era F.Santos, tenha o sucesso que este teve e consiga trabalhar um ou dois para o futuro (como fez com moutinho nos lagartos)

Francisco Paulos disse...

É claro que está muita coisa mal contada e que talvez quando a situação mudar talvez se venha a saber.O silencio contra as diferenças de critérios que somos vítimas continuou e continuará e o máximo foi o JM dizer que este ano nem temos tido queixas da arbitragem. Vendido e está ele à frente de um canal que se diz do FCP.

Joao Caires disse...

Outra versao da historia. Era uma vez um jogador com muito potencial chamado Imbula. Este jogador e um 8, um diamante em bruto com uma capacidade tecnica invulgar apoiada numa envergadura fisica enorme o que lhe permite ser um media de transicao com grande raio de accao. A cereja em cima do bolo: tem um remate forte e colocado. Depois de uma grande temporada no Merselha propoe-lhe jogar no FCP, um clube que e uma referencia mundial a potenciar jovens jogadores com perfil semelhante.
Eis que o jogador chega ao Porto e joga ate ao momento de 10 jogos no campeonato, umas vezes a 6, outras a 8, outras a 10 mas na maior parte das vezes perdido em campo. Nota se que o jogador esta preso e amarrado e se limita a seguir as instrucoes do lider iluminado e passa a bola para a esquerda, passa para a direita e muitas vezes para tras. Como diziam alguem sentado ao meu Lado no Porto Maritimo da taca da Liga aos gritos para o Lopetegui: ele nao e trinco oh burro ele nao joga ai porra! Basta ver este video para se perceber que o estilo de jogo de Imbula foi potenciado: http://youtu.be/8PGpxgTPp6g

E ja agora todos vimos como Yacine Brahimi jogava quando chegou ao Porto e como se arrasta este ano, como comecaram Maxi e Layun e como jogam agora, etc....e mesmo ate o referido Andre.

Bom agora que nos livramos deste atrasado mental vamos ver com tempo o que os jogadores valem ou nao.

Daniel Gonçalves disse...

“Não o pediu. Pediu, sim, Sergio Darder” Aparentemente o Miguel está por dentro dos assuntos da SAD e dos negócios que se realizam ou tentar realizar. Quem te revelou os desejos de Lopetegui? Foi o próprio?

“E então apareceu o Porto na equação…” Ou seja, na versão do Miguel, não foi o FC Porto que teve a iniciativa de procurar um jogador com as características do Imbula, não, ele foi imposto sem que a Administração do Clube tivesse uma palavra decisiva na equação, afinal na tua versão a SAD do FC Porto é uma mera marioneta de interesses financeiros obscuros – a Doyen ou os fundos – que manipulam à sua vontade o plantel do Clube e impõe os jogadores que assim entendem.

“Imbula foi forçado pela Doyen a ir para o Porto e o Porto foi forçado a ficar com ele de forma oficial.” Afinal na mente do Miguel ainda existe escravatura em pleno século XXI na civilização ocidental, e os Clubes não são autónomos mas sim dependentes de malévolos fundos financeiros, assim como os futebolistas não possuem vontade própria, nem podem ter uma palavra na escolha de um Clube onde exercer as suas capacidades, sendo obrigados a acatar as imposições de agentes e dos maléficos “interesses financeiros”.

“a Doyen se lembra de deixar aqui o francês a apodrecer (não foi o próprio Presidente que disse que foi enganado no caso Adrian?)…” Comparação absurda e desonesta, não se pode comparar um engano num negócio – que acontece a qualquer mortal – com a coacção, contra vontade, de aceitar - a Administração de um Clube - a compra de jogadores. Nesta situação não haveria qualquer independência e liberdade do comprador ao contrário da primeira.

Daniel Gonçalves disse...

“desculpa Chainho, este artigo não era para ti.” Se não era para fazer referência ao Chainho, ou a qualquer outro jogador, era desnecessária essa mesma referência. Podia na mesma construir um texto/artigo a criticar a SAD, a Doyen, o Imbula, ou quem quer que fosse sem efectuar uma comparação ou uma menção a quem não o merecia.

A teoria geral do Miguel é que existem “obscuros” – porque ilegítimos e à margem da Lei na sua opinião – fundos económico-financeiros – neste caso a Doyen - e perversos interesses capitalistas que manipulam e controlam nos bastidores o mundo desportivo, impondo os seus desejos aos Clubes, aos jogadores e aos agentes desportivos em geral. A partir dessa teoria geral produz artigos deduzindo uma multitude de suposições, de conjecturas e hipóteses ilógicas em que o ataque à SAD do FC Porto – que não directamente à personalidade do seu Presidente – é o denominador comum, nem que para tal tenha de deturpar os factos e a realidade, de forma a que se encaixem na sua teoria. Para o Miguel a SAD do FC Porto é criticável porque se deixou ficar refém desses interesses financeiros acabando com a independência e liberdade do Clube, mas basta alguém fazer de uma observação objectiva, uma análise séria e isenta de ideologia política – porque é disso que essencialmente se trata – para concluir que a teoria do Miguel, além de infundamentada em factos, é falsa e absurda.

Com a minha argumentação não estou a dizer que a Administração, ou a SAD, do FC Porto é isenta de erros nem que não cometeu diversas asneiras nos últimos anos, considero que teve várias conjunturas que desaprovo e critico veementemente, mas quando ouço, ou leio, os críticos desta e quando os opositores aparecem a manifestar a sua visionária opinião, convenço-me que a “Oposição” é ainda pior que a actual Administração.

Vidente Mor disse...

caro correlegionário, o imbula se fosse realmente bom ja era, agora se tem isto e aquilo ate pode ter, eu vejo um aranhiço desengonºado sem saber muito bem o que quer fazer, o lkiev ganhou por sua causa, chega sempre atrasado aos lances, nao me venha com a coisa da cabeça porque um jogador ou eh ou nao eh e se nao tem cabeça nao tem agora nem nunca tera, alguem o iludiu concerteza. IMBULA FOI OUTRO ADRIAN MAS DE CONTORNOS DIFERENTES QUER O PRESIDENTE QUEIRA OU NAO, onde anda adrian? onde andara imbula ? stoke, watford, ou coisa do genero, UM ARANHIÇO DESENGONÇADO SEM CABEÇA.

Marques disse...

Rubens Junior, Esquerdinha, Quintana, Areia, Caju (chegou com o Deco, vinha de Alverca), Lucas Marec...E tantos e tantos jogadores que fizeram um imenso sucesso em tempos idos, naquela altura o Porto na falhava. Lembro por exemplo que ficamos 3 (sim três) anos sem ganhar nada e depois ganhamos tudo (nesta altur, até o Bi-bota, candidatou, ou quis candidatar-se a presidência concorrendo com PdC), mas bastou a mudança de uma SAD...ham desculpa... um treinador e tudo foi diferente.
Tenham lá calma.

Marques disse...

Eu diria que não há "muitos" motivos de queixa, nós é que não jogamos mesmo nada.

SUMO disse...

O que tem Chainho a ver com isto é o que não entendo. Parece-me estúpido comparar Imbula com Chainho. Por favor, explica pois nos factos, ou pseudo-factos, que apresentas não o vejo (um é pedido pelo treinador o outro não; um foi caro, o outro não; um era trabalhador e esforçado, o outro não; um queria vir para o FCP, o outro, pelo que dizes, não; um é da doyen, o outro nunca foi…). A sério, parece-me mesmo uma estupidez sem fim e um atentado à inteligência das pessoas. Quanto aos "factos" que apresentas: são tão especulativos como quaisquer outros… até os que o PC apresentou na entrevista...

Nuno de Campos disse...

Realmente, para médios que vieram para o Porto em negócios mais ou menos obscuros e que não singraram a escolha é muito vasta. Predizer, Bolatti, Pelé, Walter Paz, Pavlin, Wetl, Andres Madrid, Tiago, Panduru, a lista não acaba.

A comparação do Imbula com o Chaínho - um jogador barato e humilde, que sempre honrou a camisola, enfim um jogador à Porto - acontece talvez pela cor da pele? Triste ideia, MLP.

Quanto ao resto nem há questões. Alguém acredita que foi Lopetegui quem pediu um jogador que é o avesso da sua visão...

João Martins disse...

Exacto, falhava com artistas como os acima descritos...a diferenca era o preco deles para os de hoje. Desculpem a pontuacao mas o teclado nao e portugues.

João Barbosa disse...

Embora me pareça pouco apropriada a referência ao Chaínho, concordo com quase tudo.

Muito triste este sacudir água do capote de PdC. Não é difícil de perceber, analisando o perfil de médios que o Porto procurava na altura e tendo em conta os que já estavam no plantel, que Imbula não foi de maneira nenhuma um pedido de Lopetegui. Ao contrário de Darder (como foi dito e bem) ou Oliver (que ainda aposto que com uma insistência de Jorge Mendes e mais uns trocos em cima da mesa, poderia ser nosso). Mais uma entrevista a atirar areia para os olhos, mas só apanha com ela quem quer.

Pés-Juntos disse...

Miguel, ainda que pouco ou nada relevante para a conversa estou com o comentador SUMO. A comparação com Chainho é infeliz. Percebo a intenção mas é tão desfazada que se perde completamente

Imbula é um fenómeno sem paralelo na história do FC Porto, quer pela parte desportiva - o último gigante que tivemos no meio campo que fazia os lugares 6 e 8 foi o Emerson - quer pela financeira já que o outro jogador a aproximar-se dos valores imputados a Imbula (20M) foi Danilo (19M) mas este era o futuro titular da Selecção Brasileira.

Imbula é único. Veio para o Porto pela mão da Doyen mas veio para ser Campeão. Se não quer fazer por isso pode ter a certeza que haverá menos portas a abrirem-se no futuro próximo. É que os clubes maiores não são estúpidos. Ninguém vai pagar 20 M por um jogador que amua.

E até pode ser que tenhas razão em muito do que dizes em relação às relaçõe privilegiadas entre a SAD e a Doyen. Pessoalmente julgo tratar-se apenas disso, relações privilegiadas que facilitam negócios complexos (quiçá obscuros) mas não vejo nenhuma conspiração nisso.

Vejo sim um clube que estando no limiar entre os pobres e os ricos, quer ser rico sem ter os mesmos meios que aqueles a quem se compara. O FC Porto não é Nouveau Riche. Quando muito é Nouveau Classe Moyenne armado ao pingarelho porque investiu tudo na tentativa de agarrar um lugar na elite do futebol europeu, de preferência quando esta evoluir da Champions League para a mais que provável Superliga Europeia.

E daí Casillas, Imbula, Danilo, etc.

Henrique disse...

O presidente falou (e só acredita quem quiser), aquilo que era preciso ser dito ( o homem já não esta aqui para o contradizer). Mas , que cada um pense por si, basta ver a maneira como o Imbula jogava no seu clube anterior, e o tipo de futebol que Lopetegui gosta (e impõe) de ensinar os seus jogadores, para perceber o que realmente aconteceu.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Nuno,

"Antes de começar quero deixar claro que este artigo não visa, em nenhum momento, insultar o Chainho. Um jogador que deu tudo pelo Porto quando jogou. Nunca foi um fora de série, muito longe disso. Mas suou a camisola e fê-lo com brio. Chainho, se me estás a ler, não quero que te sintas mal quando descrevo o Imbula como o "Chainho da Doyen"."

Pensei que o primeiro paragrafo do artigo resumi-se perfeitamente a ironia do titulo. O Imbula, como profissional, nunca será a metade do jogador que foi o Chainho mas a Doyen, com o beneplácito da SAD, colocou no FCP por valores brutais um jogador que não tem um nivel superior ao que teve Chainho, com a diferença de que este, embora limitado em muitos sentidos, fosse muito maior como jogador e profissional.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Pés-Juntos,

Em resposta ao Nuno está a explicação de o porquê do titulo!

Judge Dredd disse...

"Não se pode fazer carreira no FCP só baseado em atitude"
O André André não tem só atitude tem algum talento e discernimento.
Discernimento é que o IMbula não tem.
Há uma diferença entre a teoria e a pratica chama se rendimento efectivo.
O que importa é dentro do retangulo a performance do jogador e nessa o Imbula nem perto do André André chega.
So com atitude não se pode fazer carreira no FCP mas sem mentalidade não se faz carreira em lado nenhum(Imbula exibit A)

Marques disse...

James Rodrigues custou cerca de 13.5 M€ por 90% do passe, e não era um indiscutível com VP (que agora também é um "grande" treinador), o Deco chegou ao Porto, por tuta e meia, e foi o que foi, ou seja o que eles (os jogadores) custam não diz tudo da sua valência, eu sou daqueles que acha que Bueno deveria ter mais oportunidades de jogar no nosso 11, e supostamente veio a "custo zero"... E por outro lado, temos que ter em conta que hoje os jogadores estão inflacionados, e penso que estas parangonas a estes contratos assinados com as empresas de média, não vai melhorar nada este aspecto para os clubes portugueses e não só. Quanto aos jogadores propriamente dito, lembro-me sempre de algo que ouví do professor Jesualdo Ferreira (acho bem que se faça a comparação entre ele o JPeseiro, num post), tratam-se de garotos de 17, 18, 19 anos, que se apanham a ganhar dinheiro, que o comum dos mortais não ganha, e é dificil "segura-los" psicológicamente (dizendo que: não bebas, não fumes, não fo... demais, não comas demais etc), para isso tens que ter um treinador que preste atenção a esses detalhes. Vou pôr um extrato do livro HERR PEP, para ver se me faço entender

"...Nutricionista Faltam 80 minutos para o começo do segundo particular da pré--época, com o TSV Regen, e Pep vê os seus jogadores a comerem bolos. É uma tradição alemã, dizem-lhe. No autocarro de regresso a casa, quatro horas depois, dirá a Matthias Sammer: “Precisamos de um nutricionista.” Uma semana depois, eis Mona Nemmer. Adeus aos bolos e aos pastéis..."

"...O restaurante vazio A vitória sobre o Nuremberga tem outra desagradável nuance. Às oito da manhã do pós-jogo, Guardiola recebe o relatório da nutricionista e, espanto, só quatro dos 14 utilizados jantam no restaurante do Allianz Arena, equipado com duas variedades de sopa, dois pratos de pasta mais queijo parmesão, arroz, salada e tomate, um prato de carne, outro de peixe, fruta e Apfelstrudel (a típica tarde de maçã).

Ui, vai dar bronca. Um dia depois, no suposto treino de relax. “Já vos expliquei duas vezes a importância de jantar no máximo uma hora depois dos jogos mas vocês continuam sem o fazer. Compreendo que queiram sair do estádio para jantar com a vossa companheira num restaurante, mas se jogamos de três em três dias a única forma de recuperarmos fisiologicamente é esta. Quando jogamos fora do Allianz, aí sim, duche, autocarro e pasta. Nos jogos em casa é para jantar no restaurante e antes de passar uma hora sobre o jogo. Como são profissionais do mais alto nível, acredito que não deixarão de o fazer a partir de agora.”..."

Dou ainda este exemplo; julgo que em 2003 depois de ganharmos a taça UEFA, a pedido de Mourinho o Porto comprou um jogador ao Nacional da madeira (Junior Baiano), julgo eu, o jogador foi de férias no fim da época e depois tinha que se apresentar no Porto para aquela que seria a sua primeira época de Dragão ao peito, o que aconteceu, foi que apresentou-se com peso a mais e o Mourinho não foi de modas, dispensou-o. Alguém disse que ele (Mourinho), tinha previlégios que outros não tiveram? E o jogador nem foi assim tão barato.

Por tanto volto a dizer, nem tanto ao mar nem tanto a terra, não se pode ganhar senpre, não se pode trocar de treinador semestralmente, mas um bom treinador pode não ser tudo, mas faz muita diferença, deve ser por isso que os bons que tivemos não ficaram cá muito tempo.
Esta é a SAD que nos últimos 10 anos ganhos 7 campeonatos.
Repito temos que ter calma.

Nuno de Campos disse...

Obrigado, MLP. Quem nos dera hoje uma equipa com 3 ou 4 Chaínhos.