quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"Tudo a que tem direito"


Este post considera apenas as notícias publicadas (mais nenhuma informação tenho) e reflete uma posição pessoal e não profissional sobre este assunto.
As notícias mais recentes dizem que Lopetegui não aceita uma rescisão de contrato sem receber "tudo a que tem direito".
Isto, ao que veio a público,  incluindo ordenados por trabalho que não fez e prémios por objetivos que não atingiu.
Segundo a argumentação do basco, a exigência dos prémios pelos objetivos justificar-se-ia com base na ideia de que tinha "todas as condições" para atingir os objetivos.
Ora, se é certo que o homem tinha de facto, porque lhe foram dadas, todas as condições para atingir os objetivos, a verdade é que ele não foi colocando o FCP em condições de os alcançar.

Mas vamos primeiro aos ordenados.
O homem fez um contrato por 3 anos e trabalhou um ano e meio.
Querer receber o restante ano e meio só pode significar uma de duas coisas:
1. Ou considera que ninguém o quererá contratar nesse período (e quer salvaguardar que tem a sopa na mesa), o que significa que não tem qualquer autoconfiança na sua qualidade de treinador e na sua imagem perante o mercado;
2. Ou significa que considera que será contratado (a curto ou médio prazo) e, nesse caso, o que pretende é receber a dobrar: receber pelo período que não trabalhou no FCP e pelo mesmíssimo período em que estará a trabalhar noutro local.
A verdade é que qualquer das hipóteses é má para a reputação de Lopetegui e causa-me muita alergia.
A primeira porque sempre me fez confusão quem recebe sem trabalhar.
A segunda porque sempre me fez confusão querer receber valores por danos que não se sofreu.

Relativamente aos objetivos: é, a meu ver, patético que alguém, que até hoje não ganhou nada, que deixou o FCP num ano totalmente a seco, que está a 4 pontos dum líder miserável do campeonato; e que se viu afastado da Champions num grupo perfeitamente ao nosso alcance, venha agora dizer que tinha condições para o que quer que fosse.

Já disse aqui por várias vezes que, por mim, o homem tinha ido embora logo após o jogo com o Benfica do ano passado, que preferiu empatar e garantir a continuidade do que arriscar  (e poder perder).
Também já disse que, embora estando convencido que com ele não ganhariamos nada, era contra a sua saída agora, porque desresponsabilizaria quem o contratou e lhe daria um saco de dinheiro.

Finalmente, não lhe atribuo a totalidade das culpas e pergunto-me se estas noticias podem estar a ser lançadas para justificar pagamentos da SAD.
É que as notícias sobre a posição de Lopetegui são demasiado surreais e temos que procurar saber tudo o que possa fazer sentido.
 

30 comentários:

reine margot disse...

In Maisfutebol:

«Está tudo acertado e assinado, tudo certo, não entendo porque o FC Porto ainda não o fez oficial. Mas da nossa parte está tudo feito. O acordo ficou fechado, começámos a trocar os documentos ainda na sexta-feira e já está tudo terminado», sublinhou.

«As informações que têm saído, de que Julen Lopetegui quer não sei quantos milhões e que está a dificultar o acordo, são falsas. A única explicação que vejo para isso é o FC Porto estar a tentar desviar as atenções do facto de ainda não ter um treinador...»

Pelo caminho, Carlos Bucero garantiu que Lopetegui não fez exigências irrazoáveis e que o acordo para a rescisão de contrato até foi fácil de atingir.

«É falso que o treinador vá receber quatro milhões de euros pela rescisão. Posso garantir até que saiu por menos de metade desse valor», referiu.

«Da nossa parte nunca falamos em prémio da Liga, prémio da Liga Europa ou prémio da Taça de Portugal. É completamente falsa essa informação. Não corresponde à verdade.»

Mário Faria disse...

Assisti, hoje, a uma das arbitragens mais velhacas que me foi dado assistir. Fiquei muito irritado, e mais fiquei com a brandura das declarações dos responsáveis,no fim do jogo. A equipa reagiu mal no segundo tempo e o treinador também. Devemos deixar de ter vergonha de falar sobre a arbitragem quando temos razão e somos lesados. Estes adeptos deixaram-se de indignar, para além dos treinadores. A estrutura cala-se. Este Porto não tem tomates.




Luís Gagliardini Graça disse...

Obrigado Reine. Tambem tinha visto esse desmentido. Em todo o caso, no meu entendimento, o máximo que deveria receber era até ao fim desta época e em prestações que terminariam mal arranjasse colocação

Luís Gagliardini Graça disse...

Infelizmente não pude ver mas recebi exatamente o mesmo feedback. Sem tirar nem por. E tudo calado, sem reagir

Anónimo disse...

O outro, o tal dos objetivos, ao menos, ainda falava... Têm o que pediram, senhores adeptos das vitórias...

Pedro Moreira disse...

Totalmente de acordo. Uma arbitragem vergonhosa que branqueou as agressões dos jogadores do Boavista e seu vermelho a um lance normal de futebol. Eu não tenho dúvidas que estava tudo encomendado. Realço igualmente o silencio dos dirigentes que não é mais que o espelho do estado do clube. Uma palavra também para os vigaristas, perdão jornalistas da sportv. Todo um espectáculo...na expulsão o arbitro agiu " de acordo com a sua consciência", não interessou dizer se bem ou mal. Os amarelos ao Porto todos prontamente aprovados e inequívocos. Quanto as repetidas agressões axadrezadas que até foram repetidas...silencio absoluto e voluntário. UMA VERGONHA. Já o disse como portista tenho vergonha de assinar este canal de corruptos. Devíamos combinar todos e um dia, ao mesmo tempo, deixarmos de assinar e alimentar esta vigarice. Era uma ideia...

Pedro Moreira disse...

Totalmente de acordo. Uma arbitragem vergonhosa que branqueou as agressões dos jogadores do Boavista e seu vermelho a um lance normal de futebol. Eu não tenho dúvidas que estava tudo encomendado. Realço igualmente o silencio dos dirigentes que não é mais que o espelho do estado do clube. Uma palavra também para os vigaristas, perdão jornalistas da sportv. Todo um espectáculo...na expulsão o arbitro agiu " de acordo com a sua consciência", não interessou dizer se bem ou mal. Os amarelos ao Porto todos prontamente aprovados e inequívocos. Quanto as repetidas agressões axadrezadas que até foram repetidas...silencio absoluto e voluntário. UMA VERGONHA. Já o disse como portista tenho vergonha de assinar este canal de corruptos. Devíamos combinar todos e um dia, ao mesmo tempo, deixarmos de assinar e alimentar esta vigarice. Era uma ideia...

Henrique disse...

Já alguma vez trabalhou a contrato?
Se o contrato disser 2 anos e a sua entidade patronal o quiser mandar embora no final do 1º ano, diz "Ok, pagam-me enquanto não arranjar trabalho"? Ou reclama pelos seus direitos? Temos que ser sérios, e os contratos valem para os dois lados. De resto alguém tem interesse que se atire toda esta poeira para o ar.
E hoje no galinheiro dos remendados, mais um na linha do Bruninho da nossa paixão. Que vergonha, este tem o futuro lançado!

JOSE LIMA disse...

Assino por baixo caro Mário Faria. O cãozinho amestrado que o snr vítor pereira mandou para o Bessa é mais uma encomenda. Esta SAD cala-se porquê? É uma miséria! Abraço

Paulo Marques disse...

Era o que faltava que se pudesse despedir um empregado sem o compensar pelo restante contracto.

meirelesportuense disse...

Este árbitro, fez o mesmo, do que na época passada, precisamente no Bessa, expulsou o central Maicon...E fê-lo numa falta semelhante -com a agravante de em 2014 estar um terreno muito escorregadio- àquela que hoje nem sequer castigou -apitou lançamento, "não deve ter visto"- a um jogador do Boavista, executada sobre o Maxi Pereira, também junto à lateral direita. O Boavista viu 2 amarelos e o Porto 6 amarelos e 1 vermelho, num desafio em que quem procurou a jogada dura ou violenta foram os Boavisteiros...destaco também um lance com Maxi no qual este jogador é sucessivamente maltratado no chão e quem leva castigo?- Maxi Pereira!...Só nesta época, o Maxi vê aplicados todos os cartões que ficarem no bolso dos árbitros, durante todas as temporadas feitas ao serviço do Benfica!...

Nuno de Campos disse...

Se fosse eu, e muitos dos leitores aqui do Reflexão, a serem despedidos nestas condições por um empregador qualquer, exigiríamos receber tudo o acordado contratualmente até ao último tostão, até nos tribunais. Criticar Julen Lopetegui por olhar por si e pela sua família é a mais pura hipocrisia. E pelos vistos até é mentira.

Lamentavelmente, mas sem surpresas, a SAD está mais preocupada em atacar o antigo funcionário que acabou de despedir, do que a defender o clube das vergonhosas injustiças de que é vítima. Um funcionário que durante os seus 18 meses de serviço defendeu o clube, sozinho e sem medo.

Pinto da Costa nos seus bons tempos - muitos dos actuais leitores já nem se lembram - era o primeiro a dar o peito às balas na defesa intransigente de toda família azul e branca. Agora, seguindo o seu saudoso exemplo, quem o faz é o presidente do Sporting.

Para defender o seu lauto ordenado, prémios e comissões, a nossa triste sombra do líder que já foi, permite ou incentiva cobardemente que outros por si se deem ao trabalho de denegrir a reputação de um ex-funcionário que agora procura emprego. Não é preciso muito caracter para bater em quem já está no chão.

Admiremo-nos pois que à vista do exemplo patente, os novos candidatos a treinador se recusem a assinar sem enormes garantias contratuais.

DC disse...

Ora nem mais. Não há aqui ninguém que não exigisse tudo o que tinha direito num contrato de trabalho que fosse rescindido. Lopetegui não exigiu, por acaso, mas ainda leva com posts a atacá-lo. Nem que tivesse exigido tudo o que legalmente tem direito teria feito alguma coisa condenável. Ele é um profissional, não é nem adepto nem a Madre Teresa de Calcutá.

DC disse...

Subscrevo tudo.

Nelson disse...

Caro autor, deixemo-nos de hipocrisias...

Se o meu amigo fosse despedido sem justa-causa antes do seu contrato de trabalho terminar aceitar-lo-ia só porque nao receber enquanto nao trabalha?! Ou lutaria até à exaustao para receber o dinheiro que por lei lhe pertence?

Nao gosto de Lopetegui enquanto treinador, mas ao Lopetegui Homem, nao lhe tenho absolutamente nada a apontar.

João Barbosa disse...

subscrevo

Luís Gagliardini Graça disse...

Henrique : o contrato do Lopetegui não é o contrato de um trabalhador normal. Ele sabe que o Porto exige resultados e concordo consigo apenas numa coisa - espanta-me que contratualmente não se consagre a falta de resultados como hipótese para se mandar embora, com forma de cálculo de indemnização previamente definida. Não sei a quem interessa essa indefinição
E não : eu sou profissional liberal e só cobro pelo que trabalho e não pelo que não trabalho. Não tenho patrão e vivo do que trabalho.

Luís Gagliardini Graça disse...

Eu disse não compensa? Eu até acharia bem pagar até ao fim da época (deixando de pagar antes se ele conseguir colocação ). Se não conseguisse colocação no final da época o problema não estaria certamente no FCP mas nele.

Luís Gagliardini Graça disse...

Acho estranho é que não levantem dúvidas por que razão se andou a pagar tanto a um treinador e põe tanto tempo. Seria apenas para ele?

Luís Gagliardini Graça disse...

Nelson: como disse acima, se fosse treinador aceitaria uma cláusula contratual que permitisse ao clube, com pelo menos 4 meses de antecedência face ao final da época, mandar-me embora desde que pagasse até ao final da época (e não o ano a seguir). Acho estranho é que os meus amigos não se interrogue sobre para onde irá k dinheiro que a SAD vai pagar...

Luís Gagliardini Graça disse...

Sou profissional liberal, não tenho patrão e não cobro pelo que não trabalho

Luís Gagliardini Graça disse...

Sou profissional liberal, não tenho patrão e não cobro pelo que não trabalho

Luís Gagliardini Graça disse...

Falava falava... e quanto a indemnizações falou bem...sempre esteve preocupado connosco...

DC disse...

Não é um contrato de um trabalhador normal? Eu não posso ter prémios por objectivos num contrato de trabalho?

Nuno de Campos disse...

Não faz diferença nenhuma se é profissional liberal ou a tempo inteiro. Há um contrato que foi terminado unilateralmente. Quem assim decidiu paga os montantes estabelecidos no contrato. Alguém se lembra pelo que passou Co Adrianse quando decidiu rescindir unilateralmente o seu contrato?

Luís Gagliardini Graça disse...

De facto não é um contrato normal. O DC pode ter prémios por objetivos mas nao pode ter um contrato que diga que se o objetivo nao for atingido o contrato termina. Ou seja, pode ter premios por objetivos, funcionando o objetivo como um PLUS mas não como causa de extinção. Acontece que nos contratos de trabalho normais a lei não admite que seja estabelecido um prazo, a não ser em determinadas situações e sujeitas a certos limites (por isso os contratos a prazo são tratados como excepcionais e não como a regra é ao fim de algum tempo transformam-se em contratos sem prazo).
Já quanto aos contratos desportivos a regra é a existência de prazo combinado pelas partes sem que a lei imponha restrições ou limites. Assim sendo, é estranho que não se coloquem cláusulas no sentido de que, não obstante haver um prazo acordado de 3 anos, por exemplo, se certos objetivos não forem atingidos o contrato pode acabar no final do primeiro ou do segundo. Ou seja, é permitido colocar objetivos que façam acabar o contrato, ao contrário dos contratos normais.
Asim sendo, as comparações que são feitas com os contratos normais não fazem sentido. Abraco

José Lopes disse...

Concordo inteiramente.

Luís Gagliardini Graça disse...

Nuno. É evidente. O estranho é ele não estar disponível para receber menos, tendo em conta a miséria de resultados. Por outro lado vejo que não lhe levanta qualquer suspeita que a SAD não tenha salvaguardado contratualmente a possibilidade de o mandar embora, por exemplo pagando até ao final do segundo ano, caso ele não ganhasse nada no primeiro. A sI isto não lhe dá que pensar nem o fax questionar-se?

Nuno de Campos disse...

Não há muito pouco tempo, treinadores afirmavam que assinavam um papel em branco para treinar o nosso clube. Falava-se de acordos verbais acertados meses antes que eram cumpridos por verdadeiros cavalheiros. E todos nós sabíamos que era verdade. Isto porque não havia divergência de interesses entre direção, treinador e plantel. Ganhar era o único desígnio. O resto vinha depois. Hoje não é assim. Os jogadores e treinadores tem que se defender contratualmente, tal com a SAD impõe cláusulas e renovações. Os bons e os maus exemplos vem de cima.

Luís Gagliardini Graça disse...

Isso também é verdade