sábado, 27 de agosto de 2016

Nunca nos renderemos!

Winston Churchill
We shall go on to the end. We shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our island, whatever the cost may be. We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender


Este texto faz parte de um célebre discurso proferido por Winston Churchill, no dia 4 de junho de 1940, perante a Câmara dos Comuns do Parlamento inglês.
Em junho de 1940, a Europa estava mergulhada na II Guerra Mundial e a máquina de guerra da Alemanha Nazi parecia imparável. Com este discurso, Churchill, o então Primeiro-Ministro da mais velha democracia do Mundo, quis mobilizar o povo britânico e dar um forte sinal da sua inquebrável determinação, quer para dentro, quer para fora do Reino Unido.

Nos últimos anos, lembrei-me várias vezes de Churchill (o "Velho Leão") e deste discurso mobilizador.
E porquê?
Porque, conotações histórico-políticas à parte e passe o exagero da comparação, tal como a máquina de guerra montada por Hitler, também a “máquina benfiquista” habilmente montada por Vieira (lembram-se da "criada de servir" e do Estorilgate?) domina, a seu belo prazer, todos os sectores e instituições do futebol português.
Poder encarnado que persegue, enxovalha, ameaça e até exclui quem tem coragem e não alinha no “desportivamente correto” (que o diga o ex-árbitro Marco Ferreira).
E tudo isto feito às claras, na praça pública, com total impunidade.
Veja-se o que aconteceu esta semana, após o SLB ter empatado em casa com o Vitória Setúbal.

Não fomos eficazes, mas o árbitro [Manuel Oliveira] também não foi. (…) Fundamentalmente na segunda parte, houve decisões [do árbitro] que na minha opinião não foram bem tomadas. Não é nenhum lance em concreto, mas quem anda no futebol percebe. Uma ou outra situação condicionou o jogo. Não foi uma arbitragem bem conseguida
declarações do treinador dos encarnados no final do SLB x Vitória Setúbal

Rui Vitória e a "ineficácia" do árbitro Manuel Oliveira (o que será um árbitro eficaz?)

«No final do jogo, ainda no camarote das águias, o líder do emblema da Luz dirigiu-se à zona onde estava o vice-presidente do Conselho da Arbitragem da FPF, João Ferreira, o responsável da APAF, Luciano Gonçalves, assim como o observador do árbitro, Natálio Silva, e foi bastante crítico, de acordo com pessoas presentes no local. “É uma vergonha... Como é que nomeiam este tipo?”, perguntou o responsável das águias.
Segundo algumas testemunhas presentes, embora esta seja uma versão negada pelo Benfica, Luís Filipe Vieira continuou sem se deter e, já no topo das escadas, à entrada da zona de catering, onde estava acompanhado por outros dirigentes benfiquistas terá prosseguido. “Não queremos mais aqui este tipo [o árbitro Manuel Oliveira]”»
in record.pt, 22-08-2016


Como habitualmente, na sequência das queixas de treinador e presidente, a comunicação social (a maior parte da qual ao serviço do clube do regime) fez o seu papel. Isto é, fez eco e ampliou as “justas razões de queixa” dos encarnados.
Desta vez, e neste domínio, a SIC destacou-se dos demais órgãos de comunicação, ao ponto de colocar um ex-árbitro, Duarte Gomes (lembram-se dele? ver aqui e aqui), em direto no telejornal de segunda-feira, numa autêntica ação de propag… perdão, de “serviço público” e “isenção” jornalística.

Duarte Gomes no Jornal da Noite da SIC

Ora, após as queixas e a pressão exercida pelo treinador sob o árbitro, em pleno relvado do estádio da Luz;

Rui Vitória dirige-se ao trio de arbitragem do SLB x Vitória Setúbal

Após a alegada pressão exercida pelo presidente do Clube/SAD sob membros do Conselho da Arbitragem e da APAF, em pleno camarote do estádio da Luz;


Após as acusações ao árbitro, feitas pelo treinador na conferência de imprensa no final do jogo;

Segundo o treinador do SLB, o árbitro Manuel Oliveira pôs-se a jeito (a jeito de quê?...)

Seria de esperar que o treinador do SLB fosse castigado com alguns jogos de suspensão (veja-se o exemplo da Premier League) e que, no mínimo, fosse instaurado um inquérito disciplinar ao presidente do SLB.
Pois sim, é melhor esperarmos sentados…
Na realidade, o único castigado será o árbitro Manuel Oliveira (nem um penalty duvidoso, assinalado a poucos minutos do fim a favor dos encarnados, o salvou da “fogueira”) tendo, no imediato, ficado de fora das nomeações (deve ser para descansar e refletir...).

Jogador sadino toca e corta a bola antes de haver contacto com o jogador do SLB

Nos últimos anos, o país futebolístico assistiu ao #colinho (absolutamente decisivo na conquista do título encarnado de 2014/15), ao condicionamento de árbitros (exemplos: a agressão a Pedro Proença e a despromoção de Marco Ferreira), ao #colinho (versão 2), à oferta de vouchers a árbitros, ao #colinho (versão 3), à AG da FPF anular o sorteio dos árbitros (uma decisão da Liga votada pela maioria dos clubes, mas que tinha a oposição do SLB), ao #colinho (versão n), etc.

Pinto da Costa e os jantares no Sapo
Ora, perante tudo isto, está mais do que na altura do líder dos dragões, ou de alguém da estrutura do FC Porto, dar um murro na mesa e dizer, alto e bom som, BASTA!
Dizer que o FC Porto não aceita continuar ad aeternum refém moral da história (mal contada) do apito dourado (cuja “investigação” começou no Norte, mas terminou em Leiria…) e que não pactuamos mais com o atual estado de coisas no futebol português.

Perante este poderoso “exército” encarnado, que esmaga quem se lhe opõe, está mais do que na altura do líder do FC Porto deixar de andar preocupado na "caça às bruxas" (leia-se, a ex-dirigentes ou a portistas mais mediáticos que o ousam criticar) e, em vez disso, deve antes estar empenhado em mobilizar a Nação Portista para o verdadeiro combate que tem de ser travado, sem medos, nem hesitações.

Caro presidente Pinto da Costa,
É preciso dar meios adequados ao treinador para lutarmos, com cada vez mais força e determinação, dentro dos relvados.
É preciso que a administração do FC Porto trabalhe melhor a política de alianças (com outros agentes desportivos) e jogue, de forma inteligente, no xadrez dos órgãos de poder do futebol português – Federação, Liga, associações, sindicato dos jogadores, etc.
Mas é, também, preciso travar a importante batalha mediática com outra energia, recorrendo estrategicamente (de forma articulada) a todos os instrumentos à nossa disposição – Porto Canal; site oficial e 'Dragões Diário'; Redes sociais; promoção de entrevistas regulares a órgãos de comunicação social; etc.

O que não pode continuar é a postura que a Administração do FC Porto tem tido nos últimos anos, uma postura passiva e silenciosa, dando sinais de estar dividida, cansada e acomodada (aos sucessos do passado).

Os sócios do Futebol Clube do Porto (por favor, deixem de nos tratar como meros clientes) estão prontos.
Os adeptos do FC Porto estão prontos, mas é preciso que o presidente do Clube e os administradores que o rodeiam mudem de postura, deixem de estar à defesa, encolhidos (como se estivessem acossados) e liderem as “tropas” azuis-e-brancas neste difícil combate.

Caro presidente, temos de fazer sentir aos nossos adversários e a quem quer mal ao FC Porto, que estamos vivos, que somos PORTO e que nunca nos renderemos!

5 comentários:

Henrique disse...

Subscrevo de cima a baixo.
Estava a ver a emissão da SIC em directo, e o discurso do Duarte Gomes, recordou-me aquele ministro iraquiano (quando estavam a ser invadidos pelos americanos), que dizia que estavam a ganhar a guerra. O DG com a convicção que falava, e sendo ex-arbitro, engana quem quiser ser enganado.

P.S. - O link do Duarte Gomes, esta errado

Luís Vieira disse...

Ora nem mais. Duvido seriamente que esse murro na mesa aconteça - a SAD está amordaçada e assim parece querer continuar (se bem que PdC falou longamente depois do jogo com a Roma, com bicadas à postura do 5LB, o que já não é mau). No entanto, uma acção concertada e enérgica parece-me uma miragem. Os sinais dos últimos anos não são nada animadores. Confio mais na resposta dentro de campo. Como disse o Carlos Tê em tempos, "para sermos melhores [neste país], temos de ser muito melhores".

Francisco Paulos disse...

A nossa política de comunicação é zero.Nem no Porto Canal fazemos eco da nossa indignação sobre os autênticos roubos de igreja de que temos sido alvo nem denunciamos todo o colinho e propaganda de que o clube do regime é favorecido. Antes pelo contrário ainda convidamos para a nossa feira de vaidades quem todos os dias nos ataca.Até transmitimos as galas dos vermelhos do Norte que estão sempre contra nós. Esta postura não nos dignifica e se os acomodados da Sad por qualquer motivo não querem ou não podem falar está na hora de darem o lugar o outros que não tenham rabos de palha.Quanto mais mansos mais prejudicados somos.É hora de acordar!

Mário Faria disse...

Nada tenho contra o escrito do Zé e concordo que há algum comodismo na denúncia da nova ordem que querem impor no futebol e que em Portugal ultrapassa quase todos os limites. Mas, temos de convir que a situação interna no FCP se desgastou nas últimas três épocas e cavou uma desconfiança profunda na estrutura e que chegou ao Presidente, personalidade inquestionável pela sua história à frente do clube. Fugidas as vitórias, o benefício da dúvida desceu a um ponto impensável há alguns meses. Os conflitos internos andam de boca em boca. A direcção poderá estar coesa por mera sobrevivência. Nada alterará esta situação se não regressarmos às vitórias. Nesta conjuntura não posso deixar de lado a abstenção dos sócios, salvo quando foi para assobiar. O défice desportivo percebido foi tal (relativamente ao passado) que muito boa gente fugiu por vergonha. A denúncia de más arbitragens passou a ser uma redundância face aos mais de vinte pontos que o SLB e o SCP amealharam a mais. Este defeso veio demonstrar que o negócio do futebol se tornou num atoleiro em que chafurda tudo o que lhe pode chegar. A negociação, os acordos, as trapalhadas e as verbas dantescas que se cruzam, suscitam um inusitado interesse que muito animam este período. Este leilão em que se caiu e a chafurdice que provoca, em nome do mercado, não serve o futebol nem os clubes porque uma boa parte fica num grupo de párias que não acrescentam valor a não ser o que entra nos seus bolsos. A complacência das autoridades, dos clubes, dos jogadores, dos sindicatos e o nosso silêncio estão a matar o futebol que sobrevive porque estamos a espera e fazemos figas para que este estado das coisas possa ser nosso amigo. Do nosso clube, pois então. Se não for assim, havemos de assobiar com toda a força.

José Correia disse...

Francisco Paulos disse...
"... ainda convidamos para a nossa feira de vaidades quem todos os dias nos ataca. Até transmitimos as galas dos vermelhos do Norte que estão sempre contra nós..."

Os dois casos que refere são exemplos de desnorte e de ausência de uma estratégia clara, em termos de comunicação.