domingo, 23 de abril de 2017

Sempre a assistirmos à mesma partida...

Conhecem aquele filme - Groundhog Day (O Feitiço do Tempo) - em que o personagem principal fica condenado a viver um mesmo dia vezes sem conta?

Ora, da nossa "check-list" do jogo de Braga, desta vez só terá mesmo faltado os protestos de Luís Gonçalves e apenas por tal ser completamente impossível.



Portanto, utilizando a mesmíssima lista da semana passada como "modelo" para a crónica deste jogo de hoje, foi assim esta noite (depois de mais uma entrada a dormir, claro está):

- Lances com faltas assinaladas ao contrário, em nosso prejuízo? Sim, hoje também aconteceram. Principalmente quando o Otávio era travado e o árbitro apitava falta atacante.

- Más decisões nossas, na grande área adversária, com muita precipitação mas também algum egoísmo à mistura, facilitando assim a vida à defensiva adversária? Sim, mas com menos egoísmo hoje, saliente-se. Acontece, com alguma frequência, é haver um ou outro jogador com receio de rematar.

- Metade dos cruzamentos mal tirados, ora por serem contra os adversários ora por irem directamente para fora? Sim, alguns jogadores nossos não sabem, pura e simplesmente, cruzar. E temos nós o Layun no banco...

- Alex Telles a imaginar que sabe marcar livres directos? Certo. Mais um livre perigoso completamente desperdiçado pelo nosso lateral brasileiro

- Pelo menos um penalty, da praxe, não marcado a nosso favor? Confirmadíssimo. Hoje foram dois.
No primeiro (sobre Otávio) o árbitro está em cima do lance e no segundo (sobre o Marcano) não pode sequer ser alegado que existia uma amalgama de jogadores. O agarrão acontece no preciso local em que a bola se dirige. O árbitro tem que estar, obrigatoriamente, a olhar para ali.

- Oportunidades de golo oferecidas ao adversário? Poucas hoje, mas existiram um ou dois lances, na nossa área, a provocar calafrios. Nunca nos acontece uma noite "limpa", neste aspecto.

- Jogadores nossos metidos em confusões, que apenas distraem e jogam a favor da perda de tempo do nosso adversário? Poucas hoje. Também o Feirense não queimou tanto tempo como o Setúbal, apesar de o terem tentado, aqui e ali.

- Minutos a esgotarem-se, muito rapidamente, e poucas oportunidades reais para tanto domínio? Sim, foram 24 remates no total, mas quantos deles levaram realmente perigo?

- Adversário a dar tudo por tudo, de forma pouco habitual, como se de uma final europeia se tratasse? Disto houve mesmo muito, mais uma vez. Estejam atentos aos próximos resultados do Feirense. O "gigante" Braga levou 3 nesta jornada, certo?

- Substituições do "arco da velha", do género de ficarmos a jogar igual ou mesmo pior do que antes das mesmas? Bem, hoje tivemos o regresso do inefável Herrera. E por onde andava este desequilibrador, Rui Pedro, que tanta falta nos faz na área, neste tipo de jogos, estranhamente ausente das opções de NES desde aquele golo contra o Braga? E que tal um pensador como o Ótavio de início, já agora? Seria pedir muito?

E quanto à última alínea - protestos no fim do jogo - como desta vez não havia Luís Gonçalves, o resto da multidão presente no estádio (dirigentes, equipa técnica, jogadores e adeptos) já nem sequer sabe muito bem como reagir a estas coisas.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ó meu Porto

Capa de O JOGO de 20-04-2017

Durante anos, demasiados anos, o FC Porto andou calado, silencioso, amordaçado, encolhido, quase que envergonhado.
Levavamos “estaladas” dos nossos inimigos e os dirigentes do FC Porto “ofereciam a outra face” (e, por vezes, até convidavam essa gente para o camarote presidencial).
“Cuspiam-nos na cara” e nada.
Insultavam-nos, denegriam-nos e nós, feitos anjinhos, chegamos ao ponto de convidar os diretores de A BOLA e do Record para a gala anual Caras-Dragões.

Nunca me conformei com este tipo de FC Porto (inclusive quando ganhávamos campeonatos). Pelo contrário, desde que existe ‘Reflexão Portista’ (2008) e mesmo antes noutros fóruns de portistas, sempre me insurgi contra esta atitude de “pombinhas” (para não dizer pior) dos dirigentes do meu clube.

Finalmente, nos últimos dias, parece que acordamos desta longa letargia e voltamos a ser Porto.








Capas de O JOGO de 19 e 21 de Abril

Este, sim, é o meu Porto!

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Ó Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Competições em Portugal estão viciadas

Ainda relativamente ao jogo SC Braga x FC Porto, os painéis de análise compostos por ex-árbitros dos 3 jornais desportivos diários são unânimes: a arbitragem de Hugo Miguel do último Sábado foi "desastrosa".

capa ABOLA

capa OJOGO 

capa Record

Mas não é tudo. Aos 88 minutos o árbitro expulsou Brahimi, que se encontrava no banco de suplentes depois de ter sido substituído por Otávio. A expulsão aconteceu a pedido do 4º árbitro, Tiago Antunes, que por auricular avisou Hugo Miguel que deveria mostrar o cartão vermelho ao jogador argelino por "gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade". De acordo com o relatório do árbitro: "(...) o jogador dirigiu-se ao quarto árbitro a gritar palavras de forma brusca e agressiva, tendo encostado a sua face à face daquele".

Portanto, gritar palavras (imperceptíveis) de forma brusca e agressiva, encostando a face à face de uma elemento da equipa de arbitragem dá lugar a suspensão de 2 jogos? Não sabia...


O argumentário utilizado pelo CD não poderia ser mais indicador da parcialidade deste órgão. Tratam-se de situações que acontecem em vários jogos mas que, em função do Clube em causa, merecem análises diferentes. Os árbitros decidem de uma forma se se tratar do Benfica e de outra se se tratar do FC Porto, o que causa distorções significativas no desfecho dos jogos. Depois da eliminação do FC Porto da Taça de Portugal com uma arbitragem de João Capela que teve influencia no resultado, temos assistido a uma dualidade de critérios gritante e inaceitável no Campeonato. As competições em Portugal estão viciadas. E sempre a favorecer o mesmo clube.
   

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Brahimi apanhado a mandar perdigotos

https://media.giphy.com/media/3oKIPdFwKttECoyBWM/giphy.gif

No link acima, Brahimi apanhado a mandar perdigotos ao árbitro, gritando algo imperceptível em francês. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

E sai Brahimi...

Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.



O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido  um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?

Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?

- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.

- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.


- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.

- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu).  Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.

- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.

- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.

- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.

Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.



Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.

domingo, 16 de abril de 2017

E se não "vencermos todos os jogos até ao final", Mister?


"Quanto à substituição de Brahimi (...) o técnico dos azuis e brancos reagiu da seguinte forma: «São decisões que tomamos, para refrescar. Os jogadores que entraram deram o seu contributo."

Foi desta forma que o nosso treinador explicou a saída daquele que estava a ser o melhor jogador em campo e que, por sinal, é também o melhor futebolista a actuar na Liga Portuguesa. Isto num jogo que tínhamos que ganhar, obrigatoriamente...
"Os jogadores que entraram deram o seu contributo"? NES nem sequer sente a necessidade de explicar se foi um bom ou um mau contributo...

Ficámos, então, esclarecidos, Mister.

Mais um jogo, mais um início de partida a dormir. O Braga teve uma entrada à slb, de há apenas 15 dias. Os jogadores terão mesmo a consciência de tudo aquilo que está em jogo?
Cruzamento alto do adversário e Maxi sem altura suficiente para lá chegar. E com 1-0 no marcador, jogando fora e perante um adversário destes, já se sabe: está praticamente posta de parte a hipótese de vitória, por muito tempo que ainda reste para o apito final.

Tratava-se agora, portanto, apenas de uma questão de esperar para assistirmos a tudo aquilo que já sabíamos que iria, seguramente, acontecer nos restantes 83 minutos, de tão repetida é esta nossa triste história. 

A saber:

- Lances com faltas assinaladas ao contrário, em nosso prejuízo? Check.

- Más decisões nossas, na grande área adversária, com muita precipitação mas também algum egoísmo à mistura, facilitando assim a vida à defensiva adversária? Check.

- Metade dos cruzamentos mal tirados, ora por serem contra os adversários ora por irem directamente para fora? Check.

- Alex Telles a imaginar que sabe marcar livres directos? Check.

- Pelo menos um penalty, da praxe, não marcado a nosso favor? Check.

- Oportunidades de golo oferecidas ao adversário (ontem foi um penalty, estupido, de um completamente ausente Óliver), sem que este faça grande coisa por o merecer? Check.

- Jogadores nossos metidos em confusões, que apenas distraem e jogam a favor da perda de tempo do nosso adversário? Check.

- Minutos a esgotarem-se, muito rapidamente, e poucas oportunidades reais para tanto domínio? Check.

- Adversário a dar tudo por tudo, de forma pouco habitual, como se de uma final europeia se tratasse? Check.

- Substituições do arco da velha, do género de ficarmos a jogar igual ou mesmo pior do que antes das mesmas? Check.

- Luís Gonçalves, no relvado, a protestar sozinho no final dos acontecimentos? Check.

Com o FCP, parece que estamos sempre a assistir à mesma partida, vezes sem conta.

E, preparem-se, que ainda iremos ver mais disto mesmo, nesta presente temporada, pese embora faltarem apenas cinco jogos, nos quais nem um único deslize poderemos ter. 
Mas quantas vezes já ouvimos nós exactamente esta mesma ladainha antes? E, depois de tudo espremido, o resultado prático foi uma única vitória nas últimas quatro partidas para o campeonato (Setúbal, slb, Belenenses e Braga).

E NES, não satisfeito, ainda nos quer fazer crer que uma derrota do nosso adversário directo será suficiente, dando como garantido que iremos ter uma suposta superior diferença de golos (que é apenas de 2, presentemente).

Mister, não tem visto os jogos do slb, certo? Olhe que, por lá, acontecem sempre as coisas mais incríveis. Não lhes falta imaginação, aliás.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vão continuar calados ou vão dar-se ao respeito?

No início do jogo com o Belenenses o FC Porto acedeu a participar num exercício de respeito institucional pela figura do árbitro promovido pelo sindicato arbitral. Foi uma decisão política, institucional e socialmente correcta mas que contrasta claramente com aquilo que o respectivo grémio responde ao FC Porto no exercício do seu trabalho semanal. A enésima prova viu-se ontem em Moreira de Cónegos onde, uma vez mais, tal como sucedeu em 2014/15, o colectivo arbitral decidiu tomar parte interessada na rija, intensa e apaixonante luta pelo título. Depois do Colinho de 2015 temos agora o Colinho 2017. Resta saber se também haverá campanhas, com tarjas incluídas, no início dos jogos a publicitar a nova campanha e se o clube está decidido a aliar-se a ela ou, finalmente, alguém decide dar-se ao respeito.



Todos temos memória.
Em 2014/15 o FC Porto realizou um excelente campeonato com um brilhante registo doméstico e uma campanha paralela na Champions League de grande nível até à segunda mão dos quartos de final. Aí minou-se a época. A goleada sofrida não só eliminou o Porto da Europa como matou o balneário e a coragem de Lopetegui que viajou à Luz para não perder porque sabia que não havia forma de ganhar, não com as suas limitações como treinador e o estado anímico dos jogadores. O que ninguém esquece é que se o Porto chegou até esse encontro com necessidade de ganhar foi, sobretudo, porque o Benfica de Jesus passou seis meses a ser ajudado pelo colectivo arbitral em cada momento de tensão e de problemas que lhes surgiam pela frente. O Colinho fez-se tão evidente que até os próprios adeptos encarnados, com sorna, o utilizaram como tema de propaganda e em material de merchandising. O Porto não se dava ao respeito - só o treinador parecia remar contra o silêncio cúmplice - e recebia o pago na mesma moeda. Ninguém o respeitava, a começar pelos árbitros.

Fast forward dois anos até ao momento presente.
Em 2016/17 o FC Porto realizou até agora um campeonato que supera todas as expectativas. Com um plantel jovem e longe do talento individual de dois anos antes, com um jogador no seu primeiro ano de sénior a liderar o ataque e sem uma alternativa real no plantel, a equipa qualificou-se para os oitavos de final da Champions e manteve sempre uma distância prudencial com Benfica e Sporting - com planteis desenhados para atacar o título de forma mais evidente - até que o bom trabalho defensivo e a chegada de Soares permitiram um golpe de autoridade que colocou o Porto na rota do título até ao jogo da Luz onde o empate - uma mistura dos erros tácticos habituais do treinador quando é necessário ganhar a rivais mais fortes e de, outra vez, erros arbitrais evidentes - voltou a colocar o clube a remar contra a maré. E, uma vez mais, depois de várias jornadas em que o rival podia ter deixado pontos e, se não o fez, foi graças a arbitragens do mais habilidosas que se tem visto. O que fez o FC Porto? Pactuar com uma bonita campanha de respeito por quem, um ano mais, demonstrou que não respeita a instituição.



O cenário não é novo desde que as manobras hábeis de Luís Filipe Vieira, tanto a nível politico - retirando influência à Federação e, sobretudo, às Associações para transferir o poder arbitral para um universo controlado exclusivamente por personagens afectos ao seu clube - como a nível social, transferiram como nunca o controlo do mundo da arbitragem para a esfera encarnada. E em todo esse período o silêncio do FC Porto perante essa postura tem sido esclarecedor da falta de liderança e voz na defesa dos interesses do clube. Mas a cada ano que passa, a cada título perdido por sucessivos roubos de Igreja, como diria o Mestre, esse silêncio torna-se cada vez mais ensurdecedor. E cada vez mais parece evidente que ninguém, dentro do FC Porto, sabe como dar-se ao respeito e, desse modo, que a instituição se dê ao respeito contra quem a prejudica. O jogo em Moreira de Cónegos foi gravíssimo - muito mais sério e grave do que a pantomina de Canelas - e não só pode ter sido decisivo no sprint final rumo ao título como, além do mais, voltou a demonstrar uma evidente política de impunidade que só é exclusiva aos homens de vermelho. Até o Sporting, que já nem entra nas contas do título, tem feito mais para denunciar a realidade do que nós, portistas, que sofremos semanalmente mais do que o clube. Fruto de um pacto secreto entre as duas direcções ou de uma atitude ofensiva por iniciativa própria, o facto é que um ano mais em que o FC Porto corre o risco de perder um merecido título - como o foi em 2015 - por culpa de péssimas e selectivas arbitragens e o clube não toma medidas sérias para combater a situação que se vive semana sim, semana não. Associar-se, ainda para mais, a campanhas que são muito bonitas na teoria do fair-play que em Portugal não existe, não é mais do que um murro no estômago daqueles, de jogadores a adeptos, que vêem como esses mesmos árbitros, escolhidos a dedo, vão decidindo títulos sem qualquer tipo de problema de consciência.

Não basta usar redes sociais, newsletters e bocas para o ar. E não é seguramente solução segurar tarjas de apoio num sábado a favor daqueles que no domingo te vão prejudicar de forma tão clara e vergonhosa. O FC Porto de Pinto da Costa e Pedroto cresceu e afirmou-se porque, por uma vez, deixaram de querer ser "bons rapazes" e deixaram de estar "caladinhos" para dar-se ao respeito. E com esse discurso, essa atitude, deram respeito ao escudo que serviam e defendiam. Não havia receio de bater o pé à Federação - quem não se lembra da manifestação que recebeu a selecção nacional na véspera de um amigável em Vigo - ou aos poderes instituídos. Esse FC Porto era respeitado por todos, árbitros incluídos, porque se dava ao respeito, dentro e fora de campo. Agora vão continuar calados ou vão, finalmente, voltar a decidir bater o pé da próxima vez que alguém tente pisar o escudo do Dragão?

sábado, 8 de abril de 2017

Respeito



Um FCP menos ansioso em comparação ao último jogo caseiro contra Setúbal e, por isso, hoje mais eficaz. Mas também este Belenenses é muito menos matreiro que o nosso adversário de há 15 dias...

Ainda assim, em toda a primeira parte só conseguimos uma única verdadeira oportunidade, a mesma que originou o primeiro golo. Um aproveitamento de 100%, portanto.

No golo de Danilo houve grande mérito de André Silva que, mais uma vez, passou um pouco ao lado da partida no restante tempo em que esteve no relvado. Continuamos sem saber muito bem em que posição NES quer que ele jogue.

A segunda parte foi muito mais fluida, principalmente após a entrada de Corona.

O golo da tranquilidade nasceu mesmo dos pés do mexicano, após grande jogada no flanco direito (finalmente um "extremo" em campo), e Soares voltou, assim, aos seus melhores dias. Ele que na primeira parte rematou frouxo, num lance em que poderia ter feito muito melhor.

O brasileiro ainda teria outras duas boas acções na área.

Brahimi, que continua em grande, faria depois o terceiro golo num penalty (desnecessário) que ele próprio pediu a NES para marcar.

Sobre a arbitragem, existiu um lance de mão na bola, ainda durante o primeiro tempo. Porém, como o FCP, antes do início da partida, se tinha associado à campanha "Respeito pelos árbitros. Policiamento obrigatório, já", se calhar não devemos fazer comentários sobre o assunto.

Bem, ao menos o André André parecia pouco à vontade e nem na tarja segurou...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A atitude de NES, Jonas e o "Somos Porto"

Acho que poucos duvidam que Nuno Espirito Santo será treinador do FC Porto na próxima época, com ou sem títulos na mão. No contexto presente é difícil imaginar num outro cenário salvo que seja o próprio treinador a decidir sair. Convém por isso recordar a NES que ainda que seja bastante meritória a época desportiva da equipa - a lutar pelo título e alcançando o objectivo minimo da Champions League, alcançar os oitavos-de-final - há ainda muito trabalho pela frente e parte desse trabalho depende exclusivamente dele. O homem das conferências imprensas dos desenhos, o homem do "Somos Porto", o homem das frases feitas nas conferências "Vamos levantar-nos!; O Dragão é a nossa fortaleza; Estamos tristes", tem também de ser o homem que vá buscar dentro das entranhas o verdadeiro espírito de treinador do FCP. Um espirito que tiveram homens sem qualquer ligação histórica ao clube como Julen Lopetegui ou Jesualdo Ferreira, nomes insuspeitos do portismo que NES sempre declarou - e que não temos motivos para desconfiar. O de não calar.

No final do jogo com o Benfica, ouvir o treinador do FC Porto dizer que está triste, que teve a sorte (porque no contexto actual do futebol internacional é uma sorte) de treinar com nove titulares durante dez dias antes do Clássico e que a equipa não soube entrar bem no jogo, já doi suficiente. Foi evidente para todos que o plano de NES (qual plano?) não resultou, que o Benfica medroso não apareceu em campo e que ninguém estava preparado para o jogo ofensivo dos primeiros minutos com sucessivas diagonais da ala para o centro que cortavam o meio-campo dragão com facilidade e que geraram o lance do não penalty que deu o golo da vantagem aos locais e nos obrigou a remar contra a corrente. Foi evidente que não alinhar Soares e André Silva juntos, como tão bem tinha funcionado noutros encontros, nem um só minuto, retirou possibilidades de fazer mossa a uma versão menor do Benfica de outros anos. E foi evidente ainda que a Nuno Espirito Santo lhe interessa mais o seu prestigio pessoal, o cair em graça com o establishment do futebol português do que ser um treinador que defende o FC Porto contra tudo e contra todos.
Sabemos perfeitamente que a impune agressão de Samaris a Telles e o fora-de-jogo ESCANDALOSO que se assinala a Diogo Jota podiam ter permitido um desfecho do jogo totalmente distinto. Cabe ao clube e aos seus porta-vozes (treinador incluído) lutar para que nada disso passe impune. O que não pode suceder é que um jogador rival decida, voluntariamente, tentar agredir o nosso treinador e este, em lugar de defender os interesses do clube, decida armar-se em "machão" e homem de paz e concórdia e retira importância ao assunto deixando assim com as calças na mão a todos os portistas que olham para esse lance como uma de tantas impunidades permitidas a Jonas desde que chegou a Portugal.



Jonas e NES têm um passado. Até a imprensa local valenciana fez eco disso antes e depois do Clássico.
Jonas estava no Valência quando NES chegou, NES não gostou de Jonas e da sua atitude e deu-lhe ordem de dispensa. Jonas não gostou de ser dispensado e houve zururu no balneário (o habitual no Valência) e tudo acabou com o brasileiro dispensado e com o Valência no quarto lugar do campeonato com a sua melhor pontuação histórica de sempre. No final do jogo vários jornais valencianos, incluindo o Levante, foram rápidos a perceber que Jonas tentou agredir NES como medida de retaliação por essa dispensa. O jornal espanhol, que seguramente não é nem conhecido por ser portista nem por ser pro-NES (leiam o que se disse dele quando saiu do clube), não teve problemas em classificar a acção do brasileiro de "propositada", "voluntária" e "ajuste de contas".
No meio de uma situação assim o que faz NES?
Decide dar-se a ares galantes em meio de uma guerra, de uma luta pelo título que se vai decidir em detalhes, e em lugar de colocar os focos na agressão de que foi vitima (e ele sabe que o foi), retira-lhe importância para referir o quão musculado, alto e forte é e quão difícil é derrubar o "monstro" NES. Isso é ser Porto? Isso é velar pelos interesses do clube? Isso é deixar que milhões de portistas que viram no lance uma agressão e estão dispostos a afirma-lo a pés juntos sejam calados pelos rivais que só têm de dizer "Agressão? Mas o vosso treinador diz que não!"?

No final com ou sem agressão, Jonas continuará a caminhar impune, mas a falta de ruido do protagonista sobre esse lance diz muito sobre NES e sobre a sua agenda onde o Porto é claramente uma virgula e não a frase completa. Lutar á morte pelo clube - como Jesualdo fez nos dias quentes do Apito Dourado ou Lopetegui, levando para a imprensa espanhola, em capas da Marca e do As o Colinho que Pinto da Costa calou - é aquilo que este projecto desportivo necessita e não é aquilo que NES parece estar disposto a dar. Convém recordar portanto para o futuro imediato que tanto como ter um bom plantel, uma boa estrutura de jogo é igualmente importante ter uma voz única, uma voz que recebe indicações desde dentro para defender os direitos do FC Porto e depois decide, unilateralmente, fazer o que bem lhe apetece e o que lhe vai potenciar no futuro para outros cargos. Quando até os espanhóis vêm na atitude de Jonas uma agressão, quando há tantos portistas indignados por mais um acto de impunidade do rival num terreno de jogo, ter um treinador com o discurso de NES é o pior que pode passar. Já vai tarde para emendar este erro mas que sirva de aprendizagem para o futuro. Antes de soltar slogans como "Somos Porto" convém Nuno que o sintas de verdade.

domingo, 2 de abril de 2017

As fichas todas em Jorge Jesus


Afinal não seria bem "ganhar ou ganhar", afinal o empate até agradava.
Por incapacidade de fazer mais e/ou por opção, NES aposta agora tudo em terceiros. Isto é, na capacidade de Jorge Jesus em travar o slb. Uma autêntica roleta russa, se pensarmos que o FCP ainda tem, ele próprio, que ir a Braga, à Madeira defrontar o Marítimo e a Chaves.

Os primeiros 10 minutos foram uma imagem fiel daquilo que se tem passado ao longo deste campeonato: ao nosso rival basta-lhe uns míseros minutos em cima do adversário, para logo facturar na baliza contrária. Bastam-lhes ganhar um ou dois ressaltos, mais umas duas ou três bolas divididas, para logo causarem o pânico na defensiva adversária. Um mistério completo, pois, mesmo a nível mundial.
Felipe, com o seu segundo erro grave em dois jogos sucessivos, também ajudou à festa.

E pronto, eis, num ápice, o slb nas suas sete quintas, apenas com a necessidade de controlar o assunto, e perante o seu público que se manifestava ruidosamente ao mais pequeno incidente.

E foi graças a Brahimi, que ontem dissipou todas as dúvidas sobre quem é o melhor futebolista a actuar em Portugal, que o FCP conseguiu equilibrar as coisas.
Porém, e como habitualmente, sem grandes efeitos práticos em termos de oportunidades de perigo.
Um livre do argelino, foi tudo aquilo que ficou, em termos reais, do nosso maior domínio, pós-golo adversário, em todo o primeiro tempo.
Foi, portanto, com grande satisfação que todos os portistas viram Maxi a marcar logo na nossa primeira oportunidade da segunda parte. Era agora ou nunca. Seria o momento-chave do campeonato pois o slb quebraria e nós iríamos com tudo para cima dele, certo?
Não, nada disso. O FCP apaga-se, por completo, após a meia-oportunidade de Soares (agora com um rendimento mais normal do que super) e é o slb quem está mais perto de arrumar as contas da Liga por duas ou três vezes. Casillas disse, então, presente.

As substituições pouco ou nada alteraram o desenrolar da partida e o FCP pareceu satisfeito com o 1-1.

"Façam o jogo das vossas vidas", pedia uma tarja à chegada da comitiva portista ao hotel, em Lisboa.
Afinal, ao que parece, não seria caso para tanto...

sábado, 1 de abril de 2017

Sejam Porto (carago)!

Hoje não é dia de hashtags. Hoje não é dia de discussões. Hoje não é dia de comissões e relatórios de contas. Hoje não é dia de Dragões Diários e Labaredas. Hoje não é dia de saídas e chegadas. Hoje não é dia de...

Hoje é, simplesmente, Ser Porto (carago)!









quarta-feira, 29 de março de 2017

A força do SLB

No âmbito de uma pressão despudorada sobre os principais agentes do futebol português, o SLB, no passado dia 20 de Março, emitiu um comunicado em que disse haver “uma inequívoca dualidade de critérios da justiça desportiva, até hoje não contestada, em que só os processos que envolveram o Sport Lisboa e Benfica (Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Rui Vitória) conheceram uma decisão célere e penalizadora, em contraponto com uma total ausência de decisões sobre outros processos, alguns bem mais antigos, que envolvem outras instituições e agentes desportivos”.

Dito e feito. Apenas oito dias depois, a FPF concluiu dois processos antigos (de 2015!) e castigou, de forma pesada, o presidente e o diretor geral da SAD (para a área desportiva) do Sporting.

Benfica queixa-se, FPF castiga Sporting

Como não acredito em coincidências destas, das duas uma:
i) As queixinhas (comunicado) do SLB condicionaram o órgão disciplinar da FPF;
ii) Houve uma fuga de informação de dentro do órgão disciplinar da FPF, o SLB soube que os dirigentes do Sporting iam ser castigados e antecipou-se (para preparar o terreno mediático).

Seja qual for o caso, eu diria, parafraseando e adaptando uma conhecida expressão da política, que…

… assim se vê, a força do SLB.


P.S. Enquanto o “edifício de poder” do futebol português, construído paulatinamente pelo SLB, peça a peça - Cunha Leal, Ricardo Costa, Vítor Pereira, reformulação dos observadores dos árbitros, Ferreira Nunes, mudanças nos delegados da Liga, Mário Figueiredo, árbitros internacionais da "nova geração", etc. -, ao longo dos últimos 15 anos, não for totalmente arrasado, será difícil outro clube ganhar o campeonato. Só por distração do “polvo”.

terça-feira, 28 de março de 2017

O clube “beato” com uma claque sem nome

Na semana em que responsáveis do SLB vieram a público, falar em claques lideradas por "pessoas que são reconhecidas por insultos a adversários e ameaças a árbitros", vale a pena lembrar umas coisinhas...

Um very-light lançado por Hugo Inácio matou um adepto na final da Taça de Portugal de 1996

«O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, vai ser chamado para ser ouvido como testemunha no âmbito do processo que levou hoje à detenção de 30 elementos dos 'No Name Boys'. O Ministério Público quer esclarecer como é que uma claque que não estava legal tinha direito a uma sede no estádio do clube, avançou ao Expresso fonte policial. O espaço é conhecido como “A Casinha”.

A 'Casinha' dos No Name Boys que existia no estádio da Luz

A operação da PSP teve início na madrugada de hoje e visou membros dos 'No Name Boys' que têm vindo a agredir adeptos de claques rivais e também elementos das forças policiais. Além das instalações da claque benfiquista, foram ainda realizadas buscas em 43 residências da Grande Lisboa. Trinta elementos do grupo foram detidos, incluindo os dois supostos líderes: Miguel Claro e José Pité. Os detidos estão indiciados por ofensas corporais, associação criminosa, tráfico de droga e danos e incêndio a um autocarro que transportava adeptos do FC Porto para um jogo de hóquei em patins, em Junho deste ano.
A operação, efectuada no âmbito de uma investigação a cargo do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, resultou ainda na apreensão de haxixe, cocaína, heroína, ecstasy. Foram também confiscados bastões, soqueiras e tochas incendiárias
in EXPRESSO, 16-11-2008

Material apreendido aos No Name Boys

«Cerca de quatro dezenas de elementos da claque do Benfica No Name Boys foram acusados de vários crimes e o presidente do clube, Luís Filipe Vieira, foi alvo de uma participação à Comissão Disciplinar da Liga de clubes por apoiar aquele grupo de adeptos. A certidão foi também remetida para o Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto, entidade junto de quem a claque se deveria ter legalizado, identificando todos os seus membros.
O mais conhecido grupo de apoiantes do Benfica foi alvo de uma aparatosa acção policial há cerca de meio ano, através da operação Fair Play, desencadeada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento (UECCEV) do DIAP de Lisboa com a colaboração da Polícia de Segurança Pública. Das mais de três dezenas de detidos, três ficaram presos preventivamente, quatro em prisão domiciliária e pelo menos dois proibidos de frequentar recintos desportivos.
A acção policial saldou-se ainda na apreensão de armas proibidas, material pirotécnico e mais de dez quilos de haxixe e 115 gramas de cocaína. O libelo sustenta que a claque era financiada através da venda de ingressos para os desafios e de substâncias estupefacientes, nomeadamente haxixe e cocaína
in PUBLICO, 16-05-2009

No Name Boys: bilhetes, droga, tacos, bastões, machados, armas, munições, etc.


«Luís Filipe Vieira garantiu ao Ministério Público nem sequer reconhecer os No Name Boys, acusando a polícia e a segurança privada por mau controlo de armas e material incendiário nos estádios – mas a PSP, num relatório a que o CM teve acesso, arrasa o presidente do Benfica. Pode ler-se que Vieira reúne com a claque para lhes dar todo o apoio, deixando entrar as tochas nas bancadas da Luz; despede o chefe de segurança do clube por ajudar a PSP a identificar os criminosos e almoça com o comandante da polícia para lhe pedir que “facilite” na presença policial junto dos No Name Boys. Muitos deles entretanto presos por droga, armas, roubos, incêndios e espancamentos a adeptos rivais. (…)

Luís Filipe Vieira e os No Name Boys

Diz a PSP que os No Name Boys nunca se quiseram legalizar como associação para não serem identificados. Mas a direcção do Benfica 'não cumpre a lei e cede bilhetes a preço reduzido e instalações' a um grupo que, nas últimas épocas, intensificou 'a violência sobre a polícia e adeptos rivais'. (…)
Vieira almoçou com Diamantino Gaspar, comandante da PSP de Benfica e, segundo este, pediu-lhe para 'aliviar' a presença junto da claque. O objectivo seria fechar os olhos 'a artefactos pirotécnicos', proibidos por lei, 'para as pessoas verem o que é o inferno da Luz'. Estas informações estão na Comissão Disciplinar da Liga e, na pior das hipóteses, o Benfica arrisca suspensão da actividade desportiva. (…)
‘Zé Gago’ deu a conhecer à PSP a proximidade que a claque mantinha com Luís Filipe Vieira através de uma conversa ao telemóvel com o amigo Hugo Caturna, elemento 'extremamente violento' dos No Name Boys que nessa altura estava a ser alvo de escuta telefónica. Caturna é considerado um dos cabecilhas da claque ilegal, o mesmo que disse, em escuta, que 'os No Name Boys são o braço armado do Benfica'. Esteve no incêndio ao autocarro dos adeptos do FC Porto, em Junho passado, e no espancamento de um militar da GNR apenas porque usava um cachecol do clube do Norte. Depois incendiaram-lhe o carro com uma tocha. (…)»
in Correio da Manhã, 18-05-2009


Chega?

O SLB tem duas claques ilegais, uma delas com um historial negro, único em Portugal, e mesmo assim têm a distinta lata de vir falar em claques?

A desfaçatez destes tipos (SLB) não pára de me surpreender.


Para avivar a memória, principalmente dos benfiquistas mais "esquecidos", alguns links sobre este assunto:






O relatório da PSP (07-09-2009)


(in)Justiça sem nome (21-01-2012)

Hugo Inácio detido na Luz (Record, 08-11-2012)



domingo, 26 de março de 2017

Pressão despudorada

Domingos Almeida Lima (foto: Record)

«Domingos Almeida Lima [vice-presidente do SLB] disse que o Benfica já pediu reuniões aos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, e da Liga de clubes (LPFP), Pedro Proença, para expor as "fortes preocupações" do clube sobre a atual situação do futebol português, tendo feito notar que, se a justiça desportiva não for salvaguardada, o Benfica não deixará de "apelar à intervenção do Governo".»
in record.pt, 25-03-2017


Eles (SLB) pressionam membros do Conselho de Arbitragem nos camarotes do estádio da Luz.


Eles (SLB), sempre que perdem ou empatam, no final do jogos vão direitinhos aos árbitros, provavelmente para lhes “desejar boa viagem de regresso a casa”...

Rui Vitória e os árbitros

Eles (SLB) anunciam reuniões de emergência com o Conselho de Arbitragem.

Eles (SLB) divulgam publicamente datas e “conclusões” das reuniões que solicitam ao Conselho de Arbitragem.

Eles (SLB) promovem entrevistas televisivas em momentos cruciais, com temas escolhidos a dedo.

Entrevista de Luís Filipe Vieira à CMTV (02-03-2017)


Eles (SLB) emitem comunicados oficiais a anunciar que não estarão representados em jogos da Seleção, disputados no… estádio da Luz.

Eles, um clube que domina totalmente os meandros do futebol português, pelo menos desde os tempos em que Vieira colocou Cunha Leal na Liga, não têm qualquer pudor em exercer uma enorme pressão, para lá de todos os limites, sobre os principais agentes do futebol português.

A esta pressão descarada, o Sporting, através do diretor de comunicação (Nuno Saraiva) e, principalmente, do presidente Bruno de Carvalho, já lhes respondeu à letra (“esse senhor [Luís Filipe Vieira] nem na vida pessoal pode ter a cabeça tranquila quanto mais no futebol”).

E nós?
A Administração do FC Porto está de férias?

O FC Porto (Administração/Direção) não pode ficar calado e, a menos de uma semana do SLB x FC Porto, fazer de conta que toda esta pressão despudorada nada tem a ver connosco e com esse jogo decisivo.

É preciso que nos próximos dias (antes que seja tarde demais, antes do SLB x FC Porto!), alguém da estrutura do FC Porto venha a público e reaja, de forma muito dura, a esta campanha do SLB.

O FC Porto não pode continuar tolhido. Temos de reagir à Porto, carago!

P.S. Nunca nos renderemos! (publicado no início desta época)

sexta-feira, 24 de março de 2017

“Ter todas as imagens possíveis”

Na sequência do artigo “Sei como é que isso se faz”…

O jornal O JOGO de hoje, traz uma entrevista com David Elleray, ex-árbitro inglês e atual diretor técnico do International Football Association Board (IFAB) em que, entre outras afirmações importantes, refere que a FIFA pretende ter o Video Assistance Referee (VAR) a funcionar no Mundial’2018.

David Elleray e as imagens televisivas (fonte: O JOGO)

E acerca do papel do VAR, David Elleray afirma:
Queremos um antigo árbitro como VAR, porque senão os realizadores de televisão vão ser muito importantes. No râguebi chegaram a ouvir-se queixas de que os árbitros não tinham acesso a todas as imagens, quando elas prejudicavam a equipa da casa. Não queremos isso, claro.


Após a confissão pública do diretor de conteúdos da BTV e depois de ler as preocupações do diretor técnico do IFAB sobre o mesmo assunto (esconder lances que prejudicam a equipa da casa), fiquei a perceber melhor o alcance da seguinte afirmação de Luís Filipe Vieira:

Estamos 10 anos à frente da concorrência

Luís Filipe Vieira, 10 anos à frente da concorrência

10 anos?!
Eu até diria mais…
Já agora, os realizadores dos jogos transmitidos pela BTV também têm direito a vouchers?...

quinta-feira, 23 de março de 2017

“Sei como é que isto se faz”

No programa ‘Universo Porto da Bancada’ da passada terça-feira, foi dado destaque a declarações de um comentador benfiquista, proferidas na véspera, no programa ‘Prolongamento’ da tvi24, acerca da transmissão televisiva do Paços Ferreira x Benfica (feita pela SportTV).

Pedro Guerra, imagens do programa 'Prolongamento' (tvi24) do dia 20-03-2017

[Pedro Guerra]: O que eu desafio, não sei quem é que foi o responsável pela realização, é que mostre as imagens do minuto 52:09 [do jogo Paços Ferreira x Benfica]

[Sousa Martins]: Às vezes podem não estar disponíveis…

[Pedro Guerra]: Mas porquê? É que não estão sistematicamente. Ó Sousa Martins, sabe, eu também percebo disto. Eu trabalho nisto e sei como é que isto se faz, sei como é que se escondem lances.


Para quem não sabe, Pedro Guerra foi a pessoa que, quando era jornalista no semanário O Independente, tornou público o crime de roubo pelo qual Luís Filipe Vieira foi condenado a 20 meses de prisão.

Entretanto o mundo deu muitas voltas e, após ter feito as pazes com o cadastrado que preside ao SLB, atualmente Pedro Guerra é assalariado de uma das empresas do grupo SLB e um dos principais “pontas-de-lança” dos encarnados de Lisboa na comunicação social.

Pedro Guerra, entrevista ao jornal i (07-11-2015)

Ora, se em qualquer circunstância seria grave alguém dizer que sabe como é que se escondem lances e, desse modo, se manipulam as transmissões televisivas, mais grave se torna quando essa afirmação é feita pelo diretor de conteúdos da Benfica TV (rebatizada BTV), canal que transmite os jogos em casa do SLB.

Há muitos anos que, no ‘Reflexão Portista’, escrevo sobre este assunto, o qual me parece ser da maior importância.







O futebol é, cada vez mais, um jogo televisivo (com inúmeros "foras de jogo milimétricos" e "penalties de televisão"), em que aquilo que não aparece nas imagens transmitidas pelos operadores televisivos é como se não existisse.

Testes do vídeo-árbitro na "Cidade do Futebol", Novembro de 2016 (fonte: FPF)

Ora, se ao serviço de uma televisão supostamente independente e neutra (como a SportTV), um realizador já tem o poder de destacar uns lances e ignorar outros, é óbvio qual é a tendência quando está a trabalhar para a televisão de um clube.

Aliás, não é por acaso que, nas dezenas de jogos em casa que já foram transmitidos pela Benfica TV (BTV), é muito difícil chegar-se ao final de um jogo com a ideia de que o SLB foi beneficiado por erros de arbitragem. É que, quem controla as imagens, controla a “verdade” oficial…

Por isso, estas revelações de Pedro Guerra são muito importantes (mais do que uma confissão, eu quase diria que servem de elemento de prova) e deveriam ser utilizadas pelo FC Porto para, junto da Liga/FPF, UEFA, ERC, Governo, contestar os regulamentos que permitem que o canal de um clube transmita os próprios jogos.

Pedro Guerra na BTV

A guerra ao “polvo” encarnado será longa e envolve muitas batalhas. Uma das batalhas que é necessário travar é a das transmissões televisivas dos jogos da I Liga, as quais têm de obedecer a regras muito apertadas porque, como confessou publicamente o diretor de conteúdos da BTV, “sei como é que isto se faz, sei como é que se escondem lances”.

terça-feira, 21 de março de 2017

Antijogo, Penalties e NESpia

I. Um antijogo obsceno (o crime compensa – parte I)

«O pedido de assistência médica por parte de jogadores do V. Setúbal levou o Dragão à loucura. Bruno Varela, guardião dos sadinos, esteve no epicentro da contestação repartindo com Vasco Fernandes a maior necessidade de auxílio. Pinto da Costa juntou-se ao coro de protestos ao intervalo.
Além dos assobios com que o Estádio do Dragão brindou algumas cobranças de faltas ou pontapés de baliza mais demorados, os protestos elevaram-se sempre que o corpo clínico adversário foi chamado à partida, ao todo em nove ocasiões. Segundo relatos recolhidos pelo Record, Pinto da Costa esteve na zona do túnel de acesso ao relvado ao intervalo, tendo dado a conhecer a sua insatisfação pelo que se tinha passado tanto à equipa de arbitragem como a elementos do V. Setúbal, o que foi presenciado por um elemento da Liga.
Diga-se que o facto de os dois primeiros substituídos sadinos, Bonilha e Vasco Fernandes, terem saído em maca e acabarem por se levantar após ultrapassarem as quatro linhas não ajudou ao serenar dos ânimos. A demora provocada por este tipo de situações levou o árbitro Manuel Oliveira a dar 5 minutos de descontos na primeira parte e mais 7 na segunda.»
in record.pt, 19-03-2017

O antijogo de Bruno Varela (foto: Maisfutebol)

«A primeira parte resume-se numa frase: FC Porto a atacar, Vitória de Setúbal a defender, usando e abusando do antijogo, nomeadamente Bruno Varela. Aliás, algo de estranho se deve passar com um guarda-redes que se lesiona pelo mero impacto com o relvado e que é assistido por três vezes em meia hora
Crónica publicada no site oficial do FC Porto, após o final do jogo


«(…) num jogo que ficará na história deste campeonato como o pior exemplo de antijogo desde o primeiro minuto. O árbitro Manuel Oliveira concedeu 12 minutos de descontos (final de primeira parte e final de jogo), mas isso não compensa as constantes quebras de ritmo provocadas pelo Setúbal, com inúmeras entradas da equipa médica em campo, mas nenhuma quando o resultado lhes era desfavorável - no total, a equipa médica do Setúbal entrou em campo sete vezes, três com o resultado em branco, quatro com o resultado empatado a um golo, num total de 9m26s de tempo perdido só nestas sete paragens. Mas o antijogo do Setúbal não se cingiu às assistências médicas, começou com o apito inicial do árbitro - aos cinco minutos já o árbitro avisava Bruno Varela para não perder tempo - e chegou a ser obsceno. Infelizmente, o crime continua a compensar e assim será enquanto não houver coragem de expulsar os jogadores infratores.»
Francisco J. Marques, Dragões Diário, 20-03-2017


Mais de 16 minutos de paragens (infografia Record)

O antijogo obsceno que foi praticado pelos jogadores do Vitória de Setúbal, cortou permanentemente o ritmo de jogo, reduziu drasticamente o tempo de jogo e quase levou ao desespero os mais de 49 mil portistas que encheram o Estádio do Dragão e pagaram bilhete para assistir a um jogo de futebol (e não a uma palhaçada).

Perante a pouca vergonha que se viu, houve vários tipos de reações, quer no estádio, quer nas redes sociais.
O treinador da equipa principal do FC Porto reagiu assim:

O antijogo é algo que tem sido recorrente ao longo do campeonato. Esse critério do árbitro em dar aqueles minutos de compensação é o que deve ser seguido sempre, penalizando as equipas que fazem antijogo. Mas não quero comentar esse tipo de estratégia, cada equipa adota a que considera melhor, nós só temos que estar concentrados no jogo e procurar que o tempo de jogo seja o mais útil possível.
Nuno Espírito Santo, na conferência de imprensa


II. Mais três penalties por assinalar (o crime compensa – parte II)

Poucos minutos após o final do jogo, alguém do FC Porto (presumo que do Departamento de Comunicação), partilhou um vídeo nas redes sociais, com três lances de possíveis penalties a favor do FC Porto que ficaram por assinalar (dois agarrões a André Silva e uma carga do guarda-redes sadino sobre Brahimi).

3 penáltis por marcar

O 'Tribunal de O JOGO' também não teve dúvidas e, por unanimidade, considerou que ficaram mesmo três penalties por assinalar a favor do FC Porto (aos 20', 49' e 61').

Três penalties por assinalar no FC Porto x Vitória Setúbal (Tribunal de O JOGO)

Admito que no estádio e da posição onde estava, Nuno Espírito Santo (NES) tivesse dificuldade em ver (eu também tive), mas estou certo que alguém da estrutura do FC Porto o informou, senão durante o jogo, logo após o final do mesmo.

Assim sendo, após um empate dramático em casa, em que ficaram por assinalar 3 (três!) penalties a favor do FC Porto, o que disse NES sobre o assunto, quer na flash interview, quer na conferência de imprensa?

Népia. Absolutamente nada.

De que adianta, então, os adeptos protestarem, quer seja no estádio ou nas redes sociais?

De que adianta o Departamento de Comunicação do FC Porto fazer (e bem) o seu trabalho, denunciando (com factos, imagens e vídeos) estas e outras situações relacionadas com as arbitragens deste campeonato?

De que adianta lutarmos contra o "polvo" fora das quatro linhas, se o atual treinador do FC Porto e principal rosto da equipa é incapaz de se indignar, é incapaz de se revoltar, é incapaz de dar um murro na mesa e dizer BASTA!

Por aquilo que tem sido o seu comportamento ao longo da época, NES parece decidido em passar pelo FC Porto sem criar inimizades e cultivando uma imagem de bom rapaz (não sei se é feitio ou se já estará a pensar no seu futuro).

Eu tenho pena que assim seja e duvido que, com esta postura, NES venha a ter sucesso no FC Porto mas, naturalmente, espero estar enganado.

domingo, 19 de março de 2017

Ainda não foi desta

Nós portistas falamos muitas vezes da "maldição" do Béla Guttmann em relação ao nosso rival mas, pelo menos nestes últimos quase 4 anos, parece que também existe alguém que nos quer mal.


Desta vez é que seria mesmo: o mundo voltaria ao seu normal, ou seja, o FCP iria finalmente regressar, após longa travessia no deserto, ao seu habitat natural, o primeiro lugar.

O nosso maior adversário tinha, finalmente, esgotado toda a sua sorte, e depois de uma série de vitórias sem saber ler nem escrever, ao empatar ontem em Paços de Ferreira, tinha finalmente aberto uma avenida para o FCP disparar, de vez, rumo ao título.

O nosso estádio estava cheio e o clima geral era de (muita) confiança.
E eis que os primeiros minutos mostram um FCP a acusar a responsabilidade de estar diante de uma oportunidade única de virar a página da história recente do futebol português. Um Setúbal que defendia "alto" e ao nosso clube faltava um pensador (que poderia ser Otávio).
O "11" inicial até nem fora mal escolhido, mas André Silva está mesmo a atravessar um período mau e talvez Diogo Jota fosse melhor opção. E também Corona, apesar daquele seu golão, não está ainda com condições mínimas e assim passou ao lado da partida à excepção de um único momento mágico.
Mas havia mais do que isso.
Todo aquele azar que nos perseguiu ao longo de demasiadas jornadas e que pensávamos estar morto e enterrado, reapareceu hoje em força no estádio do Dragão.
E eis-nos regressados, inesperadamente, àquela "troika" maldita de há poucos meses: futebol insuficiente+azar+erros arbitrais.
Sim, voltaram a existir erros graves dos homens do apito contra nós, mas, por outro lado, os descontos foram desta vez justos, face a tanta teatralidade dos setubalenses durante toda a partida. 5 minutos na primeira parte e 7 na segunda, é coisa nunca antes vista a nosso favor. Já não é mau e valha-nos ao menos isto de positivo.

Tivemos também a confirmação que Soares, após os golos escandalosos falhados em Arouca e Turim, está mesmo de regresso à terra. Sim, o homem é bom jogador, mas, como é evidente, não pode ser tudo aquilo que pareceu nos seus primeiros 4 ou 5 jogos com a nossa camisola vestida. Se o fosse, já teria dado nas vistas muito antes de o termos adquirido. Porém, se ele continuar a produzir metade daquilo que fez até ao jogo de Arouca, já nos podemos dar por satisfeitos. Que se trata objectivamente de uma boa compra, disso ninguém duvidará.

E pronto, um empate que nos destroça, por completo, a todos e agora seguir-se-ão duas penosas semanas até ao clássico de todas as decisões. Parecia (ontem) que o empate nos iria ser suficiente mas, agora, pelo sim pelo não, e como não podemos confiar muito neste scp, o melhor mesmo será a vitória, para que não restem dúvidas. Já uma eventual derrota na Luz será praticamente o fim da (nossa) história nesta enervante liga portuguesa 2016/17.
Não havendo ninguém em especial que seja mais responsável do que os outros por este mau resultado de hoje, mesmo assim espera-se que os nossos jogadores nos recompensem, dia 1 Abril, deste grande amargo de boca com que agora ficamos.