sábado, 18 de fevereiro de 2017

Passo a passo


Há uns dois meses ou menos, o penalty que abriu caminho à nossa goleada não teria sido assinalado. Talvez, menos ainda, aquela expulsão bem perto do intervalo.
Quem disse que o "status quo" nunca mudaria no futebol português? Bem, pelo menos pode ser suavizado, sem estar sempre a favor dos mesmos.

E que importante foram esses dois lances para que assistíssemos, finalmente, a uma segunda parte tranquila. Quem já não tinha saudades?

Mas este é um FCP diferente. A confirmação aconteceu ontem, após os fortes indícios contra Estoril, scp e Guimarães. Abdicámos daquelas percentagens assustadoras de posse de bola e tendo-a menos, conseguimos explorar agora os buracos deixados na defesa adversária. O ramerrame em que se estava a tornar o nosso mastigado jogo começa a desvanecer-se e os golos e lances de perigo aparecem agora com muita mais facilidade. Durante demasiado tempo, eram muitos aqueles que não compreendiam quem alertava para este problema da posse de bola excessiva. Esta apenas estava a ter como consequência o deixar os nossos adversários bem cómodos na arte de defender sempre do mesmo modo durante os 90 minutos e os empates tornavam-se cada vez mais frequentes.
NES detectou, com perspicácia, este entrave ao fluir do nosso ataque e está agora a ensaiar estas novas soluções. Mas cuidado, esta nova táctica apenas terá que ser mais uma das hipóteses, quando as coisas não resultam, e não se pode tornar na norma. Até porque, não será fácil aos muitos clubes pequenos que defrontamos durante toda uma época aceitarem o nosso convite para assumirem mais a posse de bola.

Também é claro que esta "geringonça" tem resultado melhor que o esperado devido à entrada, absolutamente à matador, de Soares, que além de nos dar uma profundidade até aqui impossível, tem revelado uma classe mesmo acima daquilo que terá exibido na sua passagem por Guimarães e Nacional. Parece estar a superar-se. Coisa, aliás, que era habitual nos jogadores quando assinavam pelo nosso clube, até há poucos anos. O peso da nossa camisola fê-los ainda melhores futebolistas. Infelizmente, ultimamente parecia que estávamos a assistir, demasiadas vezes, ao inverso de tal tradição. Ainda bem que voltámos ao caminho certo com este brasileiro, que ontem voltou a ser o melhor em campo pela terceira vez consecutiva. Três em três. Melhor era difícil.

3 comentários:

Pedro ramos disse...

Ora deixa ver se percebi bem: ontem foi o melhor jogo do Porto entre os mencionados, num jogo que tivemos 68% de posse de bola, mas bom bom, foi o jogo contra o sporting em que a equipa jogou como se fosse o Tondela?!
Não tendo bola, conseguimos explorar os buracos da equipas adversárias?
A sério que ainda se continua a relacionar muita posse de bola com incapacidade ofensiva?
NES é que é um génio, pontapé para a frente e fé e Deus é o novo milagre.
Felizmente ontem fugimos dessa treta, e exploramos mais caminhos que a pobreza dos últimos jogos vinha demonstrando, mas não há dúvidas que o futebol que temos demonstrado é cada vez mais pobre e mais previsível. Os resultados têm camuflado isso, até pela entrada a todo gás de Soares, mas isso não torna o futebol apresentado melhor, até Ranieri com um futebol arcaico foi campeão inglês, mas isso está sempre dependente do acaso.
Este futebol até pode levar a equipa a conquistar algum título, mas não é com este futebol que estaremos de forma constante a lutar por títulos.

Opinião Jornadas disse...

Aproveito para deixar um link onde são analisados os lances mais polémicos:

https://opiniaojornadas.blogspot.pt/2017/02/jornada-22-fcporto-vs-tondela.html

miguel.ca disse...

Se calhar, há dois meses nao tinha sido assinalado porque de facto não foi penalty.
Há que admitir que fomos beneficiados num lance saca-rolhas.