segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vão continuar calados ou vão dar-se ao respeito?

No início do jogo com o Belenenses o FC Porto acedeu a participar num exercício de respeito institucional pela figura do árbitro promovido pelo sindicato arbitral. Foi uma decisão política, institucional e socialmente correcta mas que contrasta claramente com aquilo que o respectivo grémio responde ao FC Porto no exercício do seu trabalho semanal. A enésima prova viu-se ontem em Moreira de Cónegos onde, uma vez mais, tal como sucedeu em 2014/15, o colectivo arbitral decidiu tomar parte interessada na rija, intensa e apaixonante luta pelo título. Depois do Colinho de 2015 temos agora o Colinho 2017. Resta saber se também haverá campanhas, com tarjas incluídas, no início dos jogos a publicitar a nova campanha e se o clube está decidido a aliar-se a ela ou, finalmente, alguém decide dar-se ao respeito.



Todos temos memória.
Em 2014/15 o FC Porto realizou um excelente campeonato com um brilhante registo doméstico e uma campanha paralela na Champions League de grande nível até à segunda mão dos quartos de final. Aí minou-se a época. A goleada sofrida não só eliminou o Porto da Europa como matou o balneário e a coragem de Lopetegui que viajou à Luz para não perder porque sabia que não havia forma de ganhar, não com as suas limitações como treinador e o estado anímico dos jogadores. O que ninguém esquece é que se o Porto chegou até esse encontro com necessidade de ganhar foi, sobretudo, porque o Benfica de Jesus passou seis meses a ser ajudado pelo colectivo arbitral em cada momento de tensão e de problemas que lhes surgiam pela frente. O Colinho fez-se tão evidente que até os próprios adeptos encarnados, com sorna, o utilizaram como tema de propaganda e em material de merchandising. O Porto não se dava ao respeito - só o treinador parecia remar contra o silêncio cúmplice - e recebia o pago na mesma moeda. Ninguém o respeitava, a começar pelos árbitros.

Fast forward dois anos até ao momento presente.
Em 2016/17 o FC Porto realizou até agora um campeonato que supera todas as expectativas. Com um plantel jovem e longe do talento individual de dois anos antes, com um jogador no seu primeiro ano de sénior a liderar o ataque e sem uma alternativa real no plantel, a equipa qualificou-se para os oitavos de final da Champions e manteve sempre uma distância prudencial com Benfica e Sporting - com planteis desenhados para atacar o título de forma mais evidente - até que o bom trabalho defensivo e a chegada de Soares permitiram um golpe de autoridade que colocou o Porto na rota do título até ao jogo da Luz onde o empate - uma mistura dos erros tácticos habituais do treinador quando é necessário ganhar a rivais mais fortes e de, outra vez, erros arbitrais evidentes - voltou a colocar o clube a remar contra a maré. E, uma vez mais, depois de várias jornadas em que o rival podia ter deixado pontos e, se não o fez, foi graças a arbitragens do mais habilidosas que se tem visto. O que fez o FC Porto? Pactuar com uma bonita campanha de respeito por quem, um ano mais, demonstrou que não respeita a instituição.



O cenário não é novo desde que as manobras hábeis de Luís Filipe Vieira, tanto a nível politico - retirando influência à Federação e, sobretudo, às Associações para transferir o poder arbitral para um universo controlado exclusivamente por personagens afectos ao seu clube - como a nível social, transferiram como nunca o controlo do mundo da arbitragem para a esfera encarnada. E em todo esse período o silêncio do FC Porto perante essa postura tem sido esclarecedor da falta de liderança e voz na defesa dos interesses do clube. Mas a cada ano que passa, a cada título perdido por sucessivos roubos de Igreja, como diria o Mestre, esse silêncio torna-se cada vez mais ensurdecedor. E cada vez mais parece evidente que ninguém, dentro do FC Porto, sabe como dar-se ao respeito e, desse modo, que a instituição se dê ao respeito contra quem a prejudica. O jogo em Moreira de Cónegos foi gravíssimo - muito mais sério e grave do que a pantomina de Canelas - e não só pode ter sido decisivo no sprint final rumo ao título como, além do mais, voltou a demonstrar uma evidente política de impunidade que só é exclusiva aos homens de vermelho. Até o Sporting, que já nem entra nas contas do título, tem feito mais para denunciar a realidade do que nós, portistas, que sofremos semanalmente mais do que o clube. Fruto de um pacto secreto entre as duas direcções ou de uma atitude ofensiva por iniciativa própria, o facto é que um ano mais em que o FC Porto corre o risco de perder um merecido título - como o foi em 2015 - por culpa de péssimas e selectivas arbitragens e o clube não toma medidas sérias para combater a situação que se vive semana sim, semana não. Associar-se, ainda para mais, a campanhas que são muito bonitas na teoria do fair-play que em Portugal não existe, não é mais do que um murro no estômago daqueles, de jogadores a adeptos, que vêem como esses mesmos árbitros, escolhidos a dedo, vão decidindo títulos sem qualquer tipo de problema de consciência.

Não basta usar redes sociais, newsletters e bocas para o ar. E não é seguramente solução segurar tarjas de apoio num sábado a favor daqueles que no domingo te vão prejudicar de forma tão clara e vergonhosa. O FC Porto de Pinto da Costa e Pedroto cresceu e afirmou-se porque, por uma vez, deixaram de querer ser "bons rapazes" e deixaram de estar "caladinhos" para dar-se ao respeito. E com esse discurso, essa atitude, deram respeito ao escudo que serviam e defendiam. Não havia receio de bater o pé à Federação - quem não se lembra da manifestação que recebeu a selecção nacional na véspera de um amigável em Vigo - ou aos poderes instituídos. Esse FC Porto era respeitado por todos, árbitros incluídos, porque se dava ao respeito, dentro e fora de campo. Agora vão continuar calados ou vão, finalmente, voltar a decidir bater o pé da próxima vez que alguém tente pisar o escudo do Dragão?

7 comentários:

Carrela disse...

Não desviemos do essencial.
Luisão DEVIA ter sido expulso na primeira parte, com 0:0 no resultado!
Isso é o mais grave!

vmartins45 disse...

Moreirense 0 Polvo 1

Depois de assistir-mos a este jogo vergonhoso, como é possível a APAF vir pedir o respeito pelos árbitros ?????
O respeito a quem o merece, e ontem esta equipa de arbitragem merece é o meu repúdio e profundo nojo.
Já repararam que a única fase, pequena é verdade, em que a arbitragem foi realmente isenta, só aconteceu depois das pretensas ameaças à integridade física dos homens do apito???? E que esse pequeno período de tempo foi suficiente para o SLB perder a larga vantagem que dispunha na classificação????
Os mesmos homens que jornada atrás jornada, prejudicaram o FCP e SCP e ajudaram o SLB, como por magia começaram a fazer arbitragens isentas e esses mesmos homens, agora que se aproxima o final do campeonato voltam à primeira fase....
Será que só conseguem ser isentos sob a ameaça de levarem uma carga de porrada????
Se assim é, então chegou a hora de fretaram uma camioneta com a equipa do Canelas, a fim de fazerem uma visita de estudo à sede da APAF, pois tal como "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta" aos árbitros exigisse exactamente o mesmo.
Valdemar Martins

joão Mesquita disse...

Na minha opinião, vale o que vale, o que a direção do FCP devia fazer era entrar nestas ultimas 6 jornadas com a equipa B. Está visto que o campeonato já está decidido, por isso se fizéssemos algo do gênero seria notícia em todo o mundo e provavelmente teria mais impacto que qualquer exposição à liga ou à federação, que claramente estão controladas pelos vermelhos.

Luís Negroni disse...

Presidente ausente, treinador cavalheiro, e os árbitros a gozarem connosco. Tem sido o Sporting, de longe, quem melhor tem defendido o FCP.
Quantas vezes mais vai precisar o capitão girafa de dar peitadas aos árbitros e ter entradas violentas sobre os adversários para ser finalmente expulso?
Quantas vezes mais vai precisar o pugilista grego de dar socos a jogadores adversários para finalmente ver um cartão vermelho?
Quantas vezes mais o artista ligeiramente estrábico vai precisar de fazer entradas duras sobre os jogadores adversários para que finalmente lhe seja mostrado o quinto cartão amarelo?
Quantas vezes mais a rapaziada do clube dos árbitros vai precisar de agarrar, rasteirar, jogar a bola com as mãos, na área, para que finalmente seja marcado um penalti contra o clube do regime e dos árbitros?

José Correia disse...

Chapeau!
O Miguel disse tudo o que me vai na alma.
Já não chega dar um murro na mesa.
É preciso dar um pontapé na mesa e vira-la ao contrário.

Fernando Moura disse...

Os sócios e accionistas do F.C.Porto andam há muito anestesiados e por isso, não dão conta do mal que o presidente está a causar ao clube. Basta ver os comentários do caduco sobre blogs e comentadores portistas. Vergonhoso. Enquanto uns contestam com razão as manigâncias da Liga, da Federação e do conselho de arbitragem, outros como Pinto da Costa e a sua marioneta NES apressam-se a desmentir, dando abraços e beijinhos ao Benfica e aos árbitros, como se verificou escandalosamente no final do jogo da Luz. A meu ver, o presidente caduco supostamente deve favores a muita gente de calibre muito duvidoso. Veja-se o seu reiterado servilismo a António Salvador do Braga, um indecente que não só dá borlas ao Benfica nas transferências de jogadores em detrimento do F.C.Porto, como o beneficia com o preço dos bilhetes para o próximo jogo, impedindo assim centenas de portistas de se deslocarem a Braga. Ainda não ouvi Pinto da Costa. Falou? Um amigo meu, sócio ferrenho do F.C.Porto chegou a dizer-me que não se importava de perder o titulo esta época, desde que as coisas mudassem ao nível da administração. Depois de a muito custo lhe dar razão, ele respondeu-me "é triste, ao que um portista chega". Não haverá gente no Porto capaz de dar um murro na mesa? Quem silenciou os palradores Oliveira e Rui Moreira? Estamos perto de eleições? Abriu-se um novo Hotel no Porto, dependente de elites?

JCCJCC disse...

O Porto hoje é isto. Um clube que caminha a passos largos para a Sportinguização e para o anti-benfiquismo primário.

A lances suspeitos a favor e contra todas as equipas em todos os jogos. E haverá enquanto os árbitros forem humanos.

O Porto tem é que jogar os seis jogos que faltam o melhor possível, e se não conseguir ser campeão ter a honestidade de reconhecer que o adversário foi melhor e tentar fazer melhor para o ano.

Está choraminguisse com o colinho e os vouchers faz lembrar a conversa da fruta que outros tinham e que só os fez fechar os olhos aos próprios problemas e continuar a perder.