quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem manda na Seleção Nacional?


A propósito de um desabafo que ouvi sobre o jogo de ontem da Seleção. “No jogo de ontem os laterais da Seleção foram o Cédric e o... Eliseu. Alguém percebe por que razão o Fernando Santos nem sequer convoca o Ricardo Pereira?”

A resposta que dei foi esta: Porque Fernando Santos é um Scolari parte II.
Observar jogadores dá muito trabalho. Pior: se não forem da cartilha Mendes nem vale a pena arranjar chatices. E, no futebol atual, as Seleções são usadas como plataforma para a valorização de jogadores. Se o Selecionador for “dócil” (check!), então ele é consensual nas esferas do poder, e como tal nos media, e lá se vai aguentando sem críticas de maior às suas convocatórias e à falta de renovação das suas equipas.

Hoje, o poder é do Benfica e do Jorge Mendes. Na FPF, na Liga, na comunicação social, nas relações institucionais com os maiores clubes do mundo.

Por exemplo, só foi aberto espaço na Seleção para o André Silva porque era do interesse do seu empresário, Jorge Mendes, e do seu patrocinador, a Nike. Aliás, foram certamente estas duas entidades que fizeram com que de repente o próprio Cristiano Ronaldo o começasse a elogiar publicamente, considerando-o até, pasme-se, o seu natural sucessor.

Foram estas idiossincrasias que o FC Porto deixou de entender - ou de levar muito a sério - ao longo da última década que contribuíram em boa parte para a situação em que nos encontramos hoje: um 'player' banal no seio dos grandes negócios de jogadores e dos grandes clubes europeus. Veja-se por exemplo o que aconteceu recentemente com o Emílio Peixe, o selecionador nacional de Sub-20: não levou o Rui Pedro ao Mundial na Coreia do Sul “por opção”. Ele que era dos melhores avançados disponíveis para os Sub-20. O facto de 3 dos 6 avançados convocados serem do Benfica será certamente uma coincidência. O Benfica teve 8 jogadores na convocatória, o Sporting teve 4, o FC Porto teve 3 e o Vitória teve 2 jogadores. Isto não quer dizer que os jogadores do Benfica não sejam muito melhores, mas a estatística é significativa e demonstra bem quem é que manda. 

O FC Porto tem de voltar a ganhar massa crítica dentro da FPF e das suas diversas estruturas. A convocação de jogadores para fases finais das seleções valoriza-os e valoriza os próprios clubes e o seu investimento no futebol de formação. 
   

5 comentários:

carlos eduardo Cardoso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno Nunes disse...

O que é que isso significa?
O que é que aconteceu no "tempo do Madail e dos Loureiros"?

Luís Batista disse...

ele nem sequer é "convocado" no seu próprio clube...

c. silva disse...

e porque não foi Rafa Soares ao europeu de sub-21 ?

miguel.ca disse...

Para quem ainda não percebeu, a seleção nacional há muitos anos que funciona numa plataforma de grupo porque como o tempo disponível para o aperfeiçoamento tático e de dinamicas de jogo é limitado, tornou-se fundamental manter o grupo permitindo-se substituições muito esporádicas e quando a melhoria técnica for incontornável como no exemplo da entrada do André Silva para o lugar do Éder.
Claro que houve, há e haverá sempre algum lobbie externo de determinadas gentes a exigirem determinados favores gerando situações de dificílima compreensão como é o exemplo flagrante da utilização do William Carvalho no 11 titular enquanto o muito melhor Danilo fica no banco mas o conceito, enquanto existir alguma ambição desportiva, será sempre o de fazer prevalecer o espírito de grupo mudando as peças o menos possível.