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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Eu vi, sofri, gritei e chorei… de alegria

O Futebol Clube do Porto é uma das paixões da minha vida e, naturalmente, interesso-me por factos, atletas, treinadores, dirigentes, modalidades, instalações, eventos, etc., etc., da sua história já bi-centenária.

De ler, ouvir e pesquisar, conheço factos que ocorreram aquando da fundação, em 1893, sei que o FC Porto foi o 1º campeão nacional (em 1921/22) e o 1º vencedor do campeonato da I Liga (em 1934/35), ouvi o meu pai contar-me estórias do “homão” (Yustrich), do Jaburú e do Hernâni, da “invasão” (pacífica) a Lisboa, por terra, mar e ar, feita por milhares de adeptos portistas, da marcha do FC Porto (“Porto, Porto, Porto, és a nossa glória,…”), que o meu pai punha a tocar antes de ir para os jogos no Estádio das Antas, mas tudo isto faz parte de um passado glorioso que eu não vivi, porque nem sequer era nascido.

Mas, há 28 anos atrás, a 27 de Maio de 1987, já era nascido e, sensivelmente a esta hora, estava em frente a uma televisão, a sonhar acordado, para ver, a cores e em directo, a equipa azul-e-branca, a equipa do meu querido FC Porto, no estádio do Prater, em Viena, na final da Taça dos Campeões Europeus 1986/87.

E, durante aqueles 90 minutos, sofri, gritei, sofri, disse palavrões, sofri, saltei e, quando o belga Alexis Ponnet deu o jogo por terminado, explodi num misto de emoções e chorei, chorei de alegria.

Estádio do Prater, 27 de Maio de 1987 (clicar na imagem para ampliar)

Naquele dia, de imensa felicidade para todos os portistas, lembrei-me de Pedroto (o “pai” do FC Porto europeu, que três anos antes tinha saído injustamente derrotado de Basileia) e pensei em todos aqueles que não tiveram a mesma sorte, a sorte de terem vivido aqueles 90 minutos e de verem o seu clube “voar nos céus de Viena” e consagrar-se como a melhor equipa da Europa.

P.S. Há adeptos de outras cores, cuja bazófia não tem limites, mas que nunca viram e provavelmente nunca irão ver, os seus clubes no topo da Europa e do Mundo (parafraseando o, agora, “simpático” Octávio Machado, vocês sabem de quem eu estou a falar...)

domingo, 27 de maio de 2012

Recordações de Viena (IV)




Recordações de Viena (III)



Recordações de Viena (II)




Recordações de Viena (I)







O dia de maior glória da nossa história


Estava quente, naquela manhã de 27 Maio de 1987.
Ainda as finais se disputavam, felizmente, nas mágicas quartas-feiras.
Seria uma data que qualquer portista jamais esqueceria.

Ainda na véspera, ouvíamos, à noite, a "Bola Branca" na "RR".
Sem net, era a única forma de, na altura, ficarmos a par das últimas, directamente do hotel em Viena.
O último jornal na TV limitara-se a um "Esperemos que a notícia de abertura de amanhã seja a vitória do FCP!".
Jaime Pacheco seria o único jogador a ficar de fora, dizia-se. E, assim, fomos todos dormir.

Saberíamos mais tarde que, naquela mesma madrugada, Madjer estava a meditar em todas as fintas e dribles que poderia fazer no dia seguinte. Não queria deixar nada ao acaso. Confessou-o no seu livro "Madjer, l'artist".

No dia D, acordamos com o programa de manhã da RTP.
Ainda por lá não se dançava música-pimba com cachecóis à mistura, mas o vidente de serviço assegurava que os ventos estariam de feição para as nossas cores. "Não era um garantia, mas...".

E como foi difícil trabalhar ou ir para as aulas naquele dia.
Nunca mais eram as 19h15...
E tudo muito quente continuou, naquela esplêndida tarde de sol.

Como habitualmente na altura, a emissão da RTP começaria praticamente em cima do apito inicial.
Ninguém se via nas ruas da baixa. Silêncio se fez. Era o jogo das nossas vidas.

E o resto é História.

Discurso do rei Artur ao intervalo: "Daqui a 45 minutos não há bola que foi à trave e, por azar, não entrou; não haverá também desculpas com o árbitro nem outras quaisquer. Daqui a 45 minutos, vocês são Campeões da Europa ou não!".

Frasco, Juary e Madjer. Madjer e Juary. 10 minutos intermináveis, mas o Mly lá nos acalmava um pouco. 
Apito final.

Pinto da Costa a desmaiar, ainda no camarote, e o João Pinto a não largar o caneco nem por nada. "Um rapaz como eu com a Taça dos Campeões nas mãos!"
E eis a a foto de família dos vencedores: os saudosos Teles Roxo e Zé Beto. Também nomes, agora algo "estranhos", como D'Onofrio, Álvaro Braga Júnior ou mesmo Octávio. O grande Dr. Domingos Gomes: "Destas fotos, já ninguém me poderá retirar". Casagrande, que não chegou a ser preciso. Festas, um júnior, que ainda andava pelo "Alexandre" a estudar. O "Moreno" e o Rodolfo Moura. O Prof. João Mota. Até o inefável Delano Vieira lá pelo Prater circulava.

Os grandes favoritos, esses que até se davam ao luxo de jogar com o veterano Hoeness, para a sua despedida, perdiam ali mesmo ao pé de sua casa.
Mais derrotas muito penosas, em finais europeias, se seguiriam para este Bayern.

E pronto, os noticiários começariam mesmo com a frase mais bonita que um adepto pode desejar ouvir: "Boa noite, o FCP é Campeão Europeu!".

E depois aquela multidão imensa nos Aliados.
Até Domingos Paciência, júnior já famoso de tantas vezes ser chamado ao plantel principal, por lá andava.

Poucas horas se dormiriam.
Os atletas ainda chegariam a aparecer no relvado das Antas, já a madrugada ia bem alta, mas meio tímidos.

E eram primeiras-páginas de chorar de orgulho, as do dia seguinte:
"Porto, Rei da Europa", no "JN".
Até mesmo o Alfredo Farinha d'"A Bola", que teria levado a pá para Viena, se renderia ao "Danúbio Azul".

Crianças festejavam, felizes, jogando à bola pelas ruas e escolas do Porto.
Importante mesmo, naquele dia 28, era marcar um golo de calcanhar.

Foi preciso esperar até ao Domingo seguinte para voltar a sentir grandes emoções.
Último jogo do campeonato contra o Elvas. Grande enchente nas Antas. Já de manhã, Juary e Madjer, abraçados na capa do Record, asseguravam: "Heróis só nos filmes!".

E era vê-los, todos ali, a entrarem em campo com a Taça dos Campeões nas mãos. Afinal, tudo aquilo tinha sido mesmo verdade.

Goleada das antigas. Madjer e Futre poupados, jogariam apenas meia-parte. Chegou e sobrou.


1986/87 escrito a letras de ouro.

Meses depois e com tempo para reflectir, ainda a muitos custava acreditar que tudo tinha acontecido assim mesmo: de modo tão perfeito.

Em 27 Maio de 1987 tudo mudou. 
Nunca mais seriamos os mesmos.

Foi assim - II

O conjunto de relatos que fui reunindo ao longo destes anos sobre Viena (e a caminhada até lá):
   

Salvo erro boa parte disto veio do blog Pobo do Norte, por isso aqui ficam os créditos.