Mostrar mensagens com a etiqueta 2013/14. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2013/14. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Atacar os problemas



A troca de Vítor Pereira por Paulo Fonseca só faz sentido se se traduzir numa melhoria de resultados.
Ora, estando a fasquia num patamar elevado, ao novo treinador será cobrado nova conquista do campeonato nacional e, por coerência, a chegada a uns quartos-de-final da Champions. De outra forma, não faria grande sentido esta alteração de comando técnico.
Podemos eventualmente discutir se o V.Pereira de 2013/14 faria pelo menos igual ao V.Pereira de 2012/13 (o qual esta longe de ser uma certeza) mas o facto é que esta substituição é mesmo de alto risco tendo em conta que, com apenas um terceiro lugar para mostrar, entramos mais no campo da fé do que propriamente da razão para comparar os dois treinadores.
Significa isto que se tratou de uma má escolha? Porventura não, se tivermos em conta que o sexto sentido de Pinto da Costa acerta mais vezes que o dos outros.
Porém, para o comum dos mortais, esta troca até se poderia justificar mas, para que isso acontecesse, o novo chefe deveria ser alguém num nível claramente acima ao de Vítor Pereira.

Não foi o caso, mas o que está feito já não tem retorno e, por isso, interessa agora olhar em frente e um bom começo para esta nova era será discutirmos os pontos em que temos que melhorar. É bom que haja um consenso mínimo sobre os nossos pontos críticos. O primeiro passo para a cura é localizarmos as partes “doentes”. Não há melhor timing para tal do que esta altura do defeso onde os pontos de vista não correm o risco de serem enviesados pelo resultado do último fim de semana.

As principais críticas ao nosso anterior treinador, centravam-se essencialmente em quatro aspectos:

1 - Futebol pouco atractivo, de muita posse e pouca definição no último terço do campo;
2 – Pouca rotação no “11” base, originando assim fadiga física e mental principalmente na zona do meio-campo;
3 – Aposta intermitente nas jovens promessas;
4 – Ambição limitada em diversos jogos europeus;

Relativamente ao ponto um, espera-se de Paulo Fonseca um futebol menos mastigado e com mais "killer-instinct" do que até aqui. O problema é que, até ao momento, na entrada e saída de jogadores parece que o problema se terá acentuado ao invés de ser corrigido. Continuamos à espera de reais alternativas às saídas de Moutinho e principalmente de James. Por muito valor potencial que possuam, Licá, Ricardo, Rodrigues, Josué, Carlos Eduardo e até mesmo Herrera, não são actualmente garantias do coisa alguma. Porventura, até, o mais certo é tratarem-se de apostas de futuro e não propriamente para a época que agora se inicia. Primeiro terão ainda um tempo de adaptação.
Se pensarmos que até James precisou de um ano até carburar em pleno…
Neste ponto inicial enquadra-se também a velha questão do ponta-de-lança. Urge uma alternativa válida a Jackson Martinez. Não podemos, de forma alguma, atravessar nova temporada a "rezar" para que o jogador não se lesione, ou pior, seja vendido durante as janelas de transferências. Aliás, se o 4-3-3 é para ser mantido, é praticamente obrigatória a existência de dois pontas-de-lança capazes no plantel.

O ponto 2 está ligado ao primeiro no sentido em que, apesar de todos estes novos reforços portugueses, continua a valer a ideia de que ainda falta um centro campista acima de qualquer suspeita, que tanto poderá ser o substituto para Moutinho como para o cada vez mais veterano Lucho. Na realidade, não poderá passar pela cabeça de ninguém que um clube com a ambição do nosso continue a depender de um Lucho que já não dura sequer até Marco/Abril.
Para já, o melhor que se antevê será um trio formado por Fernando-Herrera-Izmaylov.
Parece curto. Para mais, continuando a não haver certezas sobre a real capacidade física do russo.
Se, pelo contrário, o novo treinador apostar num meio-campo de quatro elementos, talvez a coisa possa estar mais equilibrada. Contudo, falta claramente ali um médio ofensivo com uma maior imaginação que as actuais alternativas.

Quanto à aposta nas jovens promessas (ponto 3), o final de época anterior deixou uma expectativa elevada. Do nada, a aposta tardia em Kelvin tornou-o inclusive no herói do titulo, isto apesar da sua "verdura" como extremo.
Trata-se, na realidade, de um dos maiores desafios para Paulo Fonseca: fazer crescer todos estes jovens que tanto prometiam quando chegaram ao Dragão. Para já uma má notícia: perdeu um dos mais importantes (Atsu). Porém, juntando as recentes compras na nossa liga, ao provável regresso de Iturbe, já muito terá com que se entreter.

A alínea final (Europa), parecendo secundaria à primeira vista, irá ser aquilo pelo qual muito provavelmente iremos medir e comparar esta nova "gerência" com as anteriores.
Se Paulo Fonseca, à imagem de Jesualdo e Vítor Pereira, encarar adversários como um Málaga ou um Zenit, com um receio tal que o leve a alterar bruscamente as ideias em que acredita nos restantes jogos, então será apenas "mais um" treinador do FCP. Mais um que não marcará a diferença entre um antes e um depois.
Não chega vencer campeonatos: há que deixar uma marca, um legado. Ou seja, há que entregar o clube num melhor estado do que aquele em que se encontrava quando chegou.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um plantel para o futuro

Parece evidente que o FC Porto é cada vez mais um clube com um modelo de negócio muito bem definido e que nos tem trazido não só resultados no relvado como reconhecimento internacional. Descobrir jogadores, transformá-los em futebolistas de primeira ordem e vendê-los por uma pequena fortuna foi, durante quase uma década, o nosso trademark mundial.

A Europa não conhece o FC Porto pela metamorfose de "andrades" a "dragões", nem pelos "raçudos do Norte" ou pela fortaleza do espirito de balneário. Somos negociantes de primeira, na descoberta e na revenda do producto e com James Rodriguez, Jackson Martinez, Eliquiam Mangala e Alex Sandro, temos quatro novos jogadores para somar uma boa maquia nos próximos dois anos.

E no entanto, essa política, em si mesma, não pode ser exclusiva para um clube que aspira a tudo. Porque o FC Porto deve sempre aspirar a tudo. A vencer a Liga e a Taça ano sim e ano também. E sobretudo a melhorar as suas performances europeias. Se isso não suceder todos os anos - em Portugal só há, racionalmente, uma equipa que aspira ao mesmo - não é necessário fazer um drama, pedir cabeças e montar a guilhotina. Mas também é preciso ter consciência de que as distância se encurtam, sobretudo porque o rival copiou bem o nosso modelo de negócio e já pouco nos separa deles nesse capitulo. Numa era global é cada vez mais fácil a um miúdo de 18 anos saber quem é o James ao mesmo tempo que os olheiros de clubes europeus e só a falta de interesse em arriscar directamente por parte dos grandes tubarões permite a sobrevivência da classe média europeia e esses negócios de ouro. O que nós fazemos também já o fazem em Itália (Napoli, Udinese, Fiorentina), França (Lyon), Holanda (PSV) e Espanha (Atlético Madrid, Sevilla) relativamente bem. Nós ainda temos algumas vantagens, em determinados mercados, e a certeza a agentes e jogadores que passar pelo FCP faz bem ao curriculum, garante uma exposição regular na elite europeia, dinheiro a tempo e horas e títulos. Mas essas estâncias estão destinadas a ser cada vez mais curtas e o clube tem de pensar mais a médio e longo prazo. Reforçar a espinha dorsal da equipa com os Moutinhos de hoje e de amanhã.


Em 2002/03 o FC Porto estava mal financeiramente e desportivamente.
A construção do estádio do Dragão dava pouca margem de manobra na tesouraria e o maior hiato sem títulos nacionais desde o início do mandato de Jorge Nuno Pinto da Costa era algo que parecia pressagiar o fim. Foi o principio de uma nova era. Sobretudo porque o engenho de uma excelente equipa directiva nos escritórios da SAD, de um treinador de excelência (habilmente pescado pela mesma equipa) e a falta de dinheiro fresco nos levou a olhar para dentro. Para o mercado português. E recrutar entre jovens promessas e jogadores, aparentemente subvalorizados, os mecanismos dos nossos maiores anos. Neste contexto em que há cada vez menos liquidez para ir ao Brasil ou Argentina, e em que sabemos que o Benfica sabe fazer precisamente o mesmo, mais do que nunca devemos pescar dentro de fronteiras o que ainda há de bom no futebol português. É verdade que a formação lusa actual está em piores condições que em 2002. Que a qualidade média do futebolista estrangeiro decaiu. E que a nossa formação vive numa permanente interrogação. Mas em 2002, nas bancadas das Antas, durante um jogo de pré-época, ouvi vários sócios veteranos queixarem-se de Paulo Ferreira, Nuno Valente, Maniche ou Derlei. Os mesmos que olharam para o lado quando contratamos um jogador que nunca tinha actuado em Portugal chamado Costinha. Ou os que acharam digno de uma jogada encarnada, ir buscar César Peixoto depois de uma grande exibição contra nós no Restelo. Esses negócios, baratos e com um enorme potencial - não só financeiro mas, sobretudo, desportivo, permitiram criar um esqueleto que esteve por detrás do nosso sucesso europeu.
Quando Mourinho se foi embora, deixou atadas a compra de Pepe e tinha já na antecâmara Raul Meireles e José Bosingwa para render Paulo Ferreira e Maniche no onze titular. Nomes que não só nos deram triunfos no relvado como permitiram significativos encaixes de transferência.

Nem sempre vai haver dinheiro para pagar 9 milhões por Jackson, quase 20 milhões por Danilo ou 14 por Alex Sandro. O risco é cada vez maior e a margem de erro diminui a cada Verão que passa. O plantel de este ano pagou esse preço. Sem dinheiro fresco, há poucas camisolas à disposição do técnico e a equipa B ainda é um projecto demasiado verde para ser uma alternativa real. Com jogadores de 10 a 20 milhões mas poucas alternativas, chegamos ao final da época sem pernas, cansados e com poucas alternativas, de tal forma que em Janeiro a directiva teve de resgatar um avançado de 35 anos que não joga e um médio russo com um corpo que não aguenta forçosamente a exigência e tensão do final de temporada, apenas porque vieram a custo zero. Por isso é cada vez mais importante olhar para dentro e pensar que jogadores a actuar no futebol português ou de nacionalidade portuguesa (e aqui entra em jogo muito do que nos exige a UEFA nas inscrições da Champions League e não nenhum nacionalismo bacoco) para reforçar a estrutura do próximo ano. Dificilmente entrem como titulares indiscutíveis, mas serão as alternativas em momentos de aperto, os que vão ganhar traquejo para no futuro, como sucedeu com Ricardo Carvalho, Meireles, Alves, Bosingwa e companhia, recuperarem o testemunho dos que se vão embora (porque sempre se irão) e que nos permitam a continuar ser competitivos e um projecto ganhador.



E para que se diga que falar é fácil, agir é mais complicado, deixo a minha lista de oito sugerências pessoais que podem (ou não) funcionar como o futuro do FC Porto numa versão mais nacional, mais económica mas sem abdicar do nosso core principal e do faro que temos para cheirar grandes negócios.

- Ricardo (extremo-direito, Vitória Guimarães)
Se o Varela foi uma compra interessante, este jovem extremo do Vitória tem potencial para ser bastante melhor que o "Drogba da Caparica". É mais rápido, acutilante e demonstra uma maturidade competitiva bastante surpreendente para a sua idade.


Zé Luis (extremo/avançado, Braga)
Deu muito nas vistas na formação do Gil Vicente e foi uma das grandes contratações da SAD do Braga no ano passado. Só uma lesão grave o impediu de "explodir" antes. Está na hora das nossas relações com a "Pedreira" nos trazerem algum beneficio.



Vieirinha (extremo, Wolfsburg)
Quem o viu despontar, na sua etapa de júnior ainda no FC Porto, já lhe augurava um excelente futuro mas, inexplicavelmente  a sua geração desapareceu demasiado cedo do radar. As suas exibições na Grécia e Alemanha - e também com a selecção - deixam claro que é um jogador que pode oferecer o que a ala direita do FC Porto - quando James não está - não pode. O já estar no futebol alemão dificultaria qualquer negócio.

Paulo Oliveira (central, Vitória Guimarães)
Outra das grandes revelações da temporada no D. Afonso Henriques. Com o nosso Tiago Ferreira, um dos centrais de maior projecção futura do futebol de formação português. Rápido, bom sentido posicional, alto, com uma auto-confiança surpreendente, seria uma excelente adição apesar da contratação de Reyes e o overbooking de defesas a torne complicado. Não excluiria a ideia de o contratar e deixar um ano em Guimarães até se confirmarem as eventuais saídas de Mangala e Otamendi nos próximos dois anos.

Nabil Ghilas (avançado, Moreirense)
Aos 22 anos já demonstrou saber o "b-á-b-á" do golo e num plantel onde as únicas referências de ataque são Jackson e Liedson, é o jogador perfeito para desbloquear jogos dificeis a baixo custo. Vejo-o num patamar parecido ao de Lima e todos sabemos como isso acabou.


- Tiago Rodrigues (médio, Vitória Guimarães)
A crise no Vitória permitiu-lhes lançar miúdos com muito potencial que noutro contexto estariam agora na equipa B a acumular minutos. Aos 21 anos, este médio já não é uma novidade para quem o viu jogar nos últimos anos e seria uma adição muito interessante para o meio-campo já que na nossa equipa B só Tozé tem demonstrado ter perfil para ser promovido.

- Carlos Eduardo (médio, Estoril)
Um dos responsáveis directos da excelente época do Estoril. Um médio criativo com muito futebol nas pernas, jovem e potencial.

- Tiago Silva (médio, Belenenses)
Excelente médio de futuro, um dos melhores jogadores da II Liga esta temporada.

- Filipe Augusto (médio, Rio Ave)
Há dois anos que pertence ao plantel de Jorge Mendes, um player dos mercados que raramente falha nas suas apostas, é um médio com muito futuro e que tem estado em grande forma ao serviço do Rio Ave


Com um plantel para 2013/14 com dez/doze jogadores formados localmente, entre novas aquisições, promoções da equipa B (Tozé, Tiago Ferreira, Seba/Dellatore?, Caballero, Kelvin) e alguns dos jovens que já estão na primeira equipa (Fabiano, Atsu, Castro, Ba, Kadu) a que se juntariam as nossas apostas no mercado internacional (onde já se incluem Herrera e Reyes, os reforços confirmados para Julho) e os jogadores que consigamos manter (o core do plantel), teremos um grupo muito mais compensado, com mais opções e, sobretudo, mais barato. O que também significa uma maior margem de lucro em negócios de futuro, algo que se está a perder com compras cada vez mais caras e vendas e revendas de percentagens de passes.

Se num momento de aperto, a SAD do FC Porto teve o génio e engenho de fazer da fraqueza uma tremenda virtude, neste ano que pode ser dificil de engolir para os adeptos quando a época termine, é importante voltar às origens e não perder o norte. Garantir o futuro, não esquecer o presente e aprender com os erros e os triunfos de um passado não tão distante.


PS 1: Este artigo foi originalmente escrito à sensivelmente semana e meia. Hoje o jornal A Bola lança a notícia de que dois dos jogadores da lista, Ricardo e Tiago Rodrigues, já estão contratados. Um excelente sinal da SAD.

PS 2: Sobre jogadores baratos e com potencial de futuro no mercado internacional escreverei nas próximas semanas.