Mostrar mensagens com a etiqueta 2015/16. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2015/16. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de novembro de 2016

Acabou a época?

Falemos de golos, então. Ou na falta deles, melhor dizendo.

Ora, na época passada, e falando apenas na Liga Portuguesa, temos que, no nosso clube, os três jogadores que mais contribuíram para eles foram:

1 - Layún: 5 golos e 15 (quinze) assistências;
2 - Aboubakar: 13 golos e uma assistência;
3 - Brahimi: 7 golos e 5 assistências;

Ora, mesmo que Layún não estivesse disponível para este jogo específico, sabe-se, porém, que NES não vê nele um titular mas apenas uma opção para o banco. O mexicano que, entre golos próprios e assistências, foi responsável directo por 30% dos golos marcados pelo FCP em 2015/16...
Os outros dois do pódio daqueles que mais contribuíram foram ambos proscritos pelo nosso treinador.
Aboubakar foi despachado para a Turquia porque, aparentemente, havia melhor no plantel e Brahimi está em vias de o ser também.
E, note-se, o argelino conseguiu estes números numa época tida como de "má" prestação do atleta. Imagine-se o que poderá fazer num ano mediano ou bom.


Continuando a falar de golos, recorde-se que o nosso técnico escolheu Depoitre porque entendeu que, para além de Aboubakar já citado, este era melhor avançado do que Bueno, Suk, Gonçalo Paciência e Marega (actual melhor marcador da presente edição do campeonato).

Sobre o jogo desta noite, este foi tão parecido com o de Setúbal que até teve um idêntico falhanço escandaloso por parte de Óliver.
Aliás, tirando os confrontos com o slb, todos os nossos jogos são praticamente iguais...

Se Guimarães e Braga vencerem nesta jornada, cairemos para o 5° lugar na tabela.

Eliminados da Taça de Portugal, com o topo da Liga a uma distância medonha e como certamente não ganharemos a Liga dos Campeões, resta-nos a Taça da Liga para vencer algo, certo?

E olhem só para a data de hoje: estamos a 26 de Novembro. Nem sequer ainda no famoso "Natal" com que gozávamos os nossos rivais lisboetas durante anos e anos...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Camisolas para a nova época II

Sobre as (novas) camisolas do equipamento principal, e se deviam ser azuis-e-brancas ou brancas-e-azuis, e porque "uma imagem vale por mil palavras", aqui fica uma fotografia(?) com 93 anos, que torna essa discussão completamente estéril -


Se ainda assim houver quem ache que há 93 anos, o Porto era "menos Porto" do que é hoje porque as camisolas não tinham o número certo de faixas ou eram mais brancas do que azuis, está no seu direito. Se há coisa que mudou desde há 9 décadas atrás, é o número e a qualidade de "ayatollahs do Portismo" - e quão mais rico e pujante é o Porto de hoje graças a eles...

Já sobre o infame segundo equipamento, impõem-se duas considerações:

1 - É temporário, para o ano será diferente e daqui a uns anos já ninguém se vai lembrar dele; bem sei que se usarmos esse equipamento "horrível" e de "mau gosto" (e vencermos) na final da Liga dos Campeões ou da Liga Europa, ou no jogo do título, vai ser mais difícil esquecê-lo - mas com esse vosso sofrimento, podem uns quantos de nós bem.

2 - Pese embora o ponto anterior - o carácter temporário deste equipamento - relembro a iniciativa do Augusto Baptista Ferreira, também conhecido como Simplício, que há quase 100 anos atrás, achou que o símbolo do Futebol Clube do Porto (e não um segundo equipamento que será usado umas 5 ou 6 vezes durante uma temporada), precisava de ser alterado - oh heresia! - de

para

Feliz do Simplício que nasceu há mais de um século, pois se sugerisse tal coisa hoje, nem sei que lhe aconteceria... E no entanto, ninguém hoje se atreverá a exigir o regresso ao símbolo anterior, por ser "mais Porto" que o actual - e eu até acho o primeiro mais interessante.

No final do dia é apenas um equipamento castanho, e o Porto é mais que o azul-e-branco, o castanho-e-azul, o roxo ou o laranja - afinal, quem sofre de "daltonismo", também tem direito a ser adepto do FCP!

terça-feira, 10 de março de 2015

A Julen o que é de Julen

Este texto sai propositadamente antes do jogo com o Basel. Não quer ser um texto oportunista se o FC Porto garante o apuramento para os quartos-de-final (primeira vez desde 2009, já lá vão seis longos anos) nem pessimista se o improvável – a julgar pelo que passou na Suiça, suceder e voltemos a cair com um rival à nossa altura (como passou em Málaga). E sai agora porque Julen Lopetegui o merece.

É muito difícil – diria mesmo quase “colinhamente” impossível – que o treinador basco conquiste o titulo que escapa desde que Vítor Pereira vergou Jorge Jesus com um golpe de 92 graus Kelvin. Todos sabemos o que se passa, semana sim, semana também, nos relvados portugueses. Não vale a pena dar mais voltas, apenas lutar até ao ultimo suspiro como exige a camisola e culpar aqueles que realmente permitiram este controlo quase absoluto das instituições arbitrais na sombra, esses que vestem traje. Com a Taça de Portugal perdida – e mal perdida, é certo e inequívoco – e a Taça da Liga no número 374 das minhas prioridades do ano (logo a seguir ao titulo de bilhar), sobra a Champions League. E Lopetegui tem o claro objectivo de colocar o FC Porto no top 8 da Europa. Se o fizer terá cumprido com uma parte importante da sua missão. Terá merecido o nosso aplauso porque, já nos diz a nossa história recente, não tem sido fácil chegar longe na Champions. Há outros que acham que são os melhores treinadores do Mundo, não a jogar Playstation mas a treinar na Europa League. Níveis de exigência distintos, está claro.

Lopetegui vai ficar um ano mais inequivocamente e pode ficar com esse bom registo europeu e um subcampeonato que, se tudo correr bem, com vitória na Luz incluída, pode obrigar o clube da capital a sofrer até ao último jogo do ano depois de tudo ter procurado fazer (em jogos próprios e alheios) para ser campeão mais cedo e tranquilamente. Lá chegaremos. Mas se hoje as coisas correrem mal, o cenário afinal não será diferente dos Jesualdos, Vítor Pereiras, Co Adriaanses e afins nos palcos europeus. Nada a que não estejamos habituados. O que sim é preciso reconhecer é o trabalho de fundo realizado. E aí é preciso dizer que a Julen o que é de Julen.
Não considero que seja um grande treinador na esteira de grandes treinadores que o FC Porto já teve nas suas filas. Não é preciso procurar exagerar para fazer justiça. Fui critico com Lopetegui quando chegou, fui critico com as suas decisões, poderia sacar o oportunismo de não ser campeão (como é provável) para dar-me a razão mas acho que o treinador mereceu não só o segundo ano no banco como o meu respeito. E fê-lo sem estridências, sempre com uma ideia concreta. Fê-lo sendo fiel a si mesmo, a mesma fidelidade que transformou uma defesa com vários erros posicionais quando a dupla era Maicon-Indi numa defesa de ferro muito mais bem estruturada quando jogam Maicon e Marcano. Critiquei a incorporação de Marcano e graças a Lopetegui hoje posso dizer que me enganei. Como o treinador, não está nem sequer no top 10 dos melhores centrais que vi de dragão ao peito em vida. Não está. Mas traz essa tranquilidade e organização que faz tanta falta num projecto novo como este. Marcano é um exemplo. Um de muitos.


O crescimento espantoso de Danilo, hoje um dos melhores do Mundo na sua posição, deve-se sobretudo ao trabalho de Lopetegui que lhe meteu ordem e confiança na cabeça depois do desnorte que foi servir no ano passado. Danilo é um desses jogadores que, bem polidos pelo treinador, vai longe. Este ano prova-o. Uma pena que tenha perdido um ano de carreira por uma decisão presidencial nefasta. Mas não é único sinal positivo. Longe disso. A esperança de um futuro menos doloroso depois da sua inevitável saída, com Ricardo Pereira a jogar, também é obra do treinador que pegou num extremo que tinha feito a posição para ensiná-lo, como fizeram no passado com Conceição de forma inversa, a que tem as condições para dominar o carril completamente.
A transformação mental – sobretudo mental – de um Tello que jogava para si e tomava sempre a decisão final errada num Tello que joga para todos e que, graças a isso, aprendeu a sacar a espinha individual de golos que tinha atravessada, também é mérito seu. Lopetegui é o homem que lançou Ruben Neves – a maior prova de confiança de um treinador do FC Porto na formação desde que o Octávio Machado lançou o Ricardo Carvalho – mas não o queimou, dosificando um miúdo que há um ano jogava encontros de 80 minutos e passeava anónimo nas ruas. Foi o treinador que recuperou emocionalmente Herrera – e que desastre foi Herrera no ano passado – para o transformar num jogador mais colectivo ainda que continue a ser para mim uma peça a mais na sua ideia geral e uma dor de cabeça para quem segue o jogo e se asfixia nas suas correrias sem sentido. Brahimi, Oliver, Alex Sandro, todos têm crescido com a ideia de jogo colectivo de Lopetegui porque esta implica potenciar as suas valências dentro de um bloco colectivo organizado, tudo aquilo que não se viu no ano passado.

Se considero – e considero – ainda que algumas das suas petições pessoais em Julho foram tiros falhados totalmente – Andres Fernandez, Opare, Campaña – isso não pode tapar o bom trabalho que fez em potenciar alguns dos jogadores que já por cá havia. Nem todos, é certo. Quintero parece perdido em ser sempre Quintero e Quaresma está condenado, já o sabemos, a ser Quaresma. Mas são casos pontuais – e um treinador não é um milagreiro – num colectivo que parece cada vez mais mentalmente unido em trabalhar em conjunto. Oito meses depois de ter começado a trabalhar com grande parte do plantel, esse é o maior mérito do treinador.

Lopetegui tem uma ideia que o clube partilha e que implica resultados a médio prazo, algo pouco habitual em que parece ter vivido os últimos anos no imediatismo absoluto. A carteira tem algo a ver com essa mudança (aparentemente) de visão. Nessa ideia há espaço para crescer o produto da casa – o Gonçalo é bom exemplo e há mais a caminho, dêem-lhes tempo e dêem-lhes oportunidades –  mas também potenciar negócios da SAD como tem sido habitual. Danilo é o melhor exemplo (quem pensava há um ano que se poderia sacar lucro de um investimento como o seu?) mas a seguir vêm Aboubakar (do qual só temos 30%), Alex Sandro e se tudo correr bem na sala de aulas pode ser que Indi ponha em prática conceitos que, seguramente, conhece de sobra.


Depois dos tropeções iniciais – os por culpa própria como o Boavista, a mancha mais negra no "reinado" do basco, e os por culpa alheia como o jogo em Guimarães – a equipa está a uma vitória na Luz e um tropeção do Benfica do conseguir o que parecia impossível depois de subir o Evereste com uma sucessão de demonstração de superioridade inaudita frente a rivais complicados. E sem colinho, vejam lá. Há muito, muito trabalho por fazer. Muito. O nosso jogo de bola parada é fraco. A nossa eficácia ofensiva também, para a superioridade com a bola que geramos. Exige-se que uma equipa que domina totalmente o processo de construção de jogo seja capaz de rematar mais vezes e de forma mais acertada do que fazemos. O trabalho ofensivo, sobretudo de recuperação e posicionamento melhorou de forma tremenda e hoje somos uma das melhores defesas da Europa. A equipa joga como um bloco, pensa como um bloco e actua como um bloco, para o bem e para o mal. Quem viu o perigoso que pode ser uma anarquia no relvado, no ano passado, sabe do que falo.

Espero sinceramente que o Lopetegui possa hoje à noite riscar um dos objectivos do ano e trabalhar sem pressão até Maio (porque como estão as coisas aqui a pressão sobra) e a continuar a pensar na sua ideia de FC Porto para 2015/16. Sem ser um treinador que me enche as medidas e que me faz parar para ouvir o que tem a dizer com devoção, como fiz com outros que ocuparam o seu lugar no banco das Antas e do Dragão, não deixa de ser um homem que está determinado a deixar um legado. E a esse tipo de homens sempre há que respeitar e esperar para ver que Ás vão sacar da manga.