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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Frustração!


É nas alturas complicadas que devemos ser mais sensatos, mas é difícil face à enormidade de erros cometidos pela equipa. Tudo acontece. Pior: quando pensámos que já vimos de tudo, acontece algo ainda pior. E esta derrota confirma o pesadelo desta passagem pela CL: o FCP não conseguiu quebrar esta onda de maus resultados e fica com o seu pior registo de sempre. A equipa rendeu-se a esse malfadado destino que lhe serve de desculpa ou desresponsabilização. Lamento, mas não sou capaz de negar o descontentamento, só porque se deve apoiar a equipa nos maus momentos. Nesta fase apoiar, significa não aceitar a resignação; a fase do conformismo para dar tempo a que a situação se arrume, já não é prudente. 

O azar e a sorte intrometem-se frequentemente no jogo, ora para nosso desespero ora para nossa alegria. Neste jogo com o Atlético de Madrid nada correu bem, mas temos de convir que foram cometidos alguns erros capitais que não devemos escamotear, porque aconteceram e são recorrentes. No primeiro golo, é estranho que um lançamento de bola fora executado pelo adversário, que se sabe consegue colocar a bola bem dentro da nossa área, não tenha merecido a atenção e a concentração dos homens nessa zona nevrálgica. A bola partiu, Maicon foi impotente para travar o movimento do atacante e o remate; Helton foi surpreendido e aparentemente mal batido, enquanto uma boa parte dos jogadores nas redondezas se limitaram a assistir à jogada; algo semelhante aconteceu no segundo golo: uma série de erros e Maicon parado, incapaz de acorrer ao lançamento em profundidade, por falta de reacção e de velocidade. Com o Nacional e o Belenenses, foi a mesma história. Foram falhas e não tiveram nada a ver com a sorte ou o azar.

Se o AM estava confortável com as linhas baixas e bem agrupadas à espera do erro para o qual labutavam como formiguinhas chatas e incansáveis, com o primeiro golo, mais confortável ficou. Geriu o jogo como quis e venceu bem. Como no Dragão, em que se contentava com o empate.

Nas estatísticas demos um baile de bola, só que mais uma vez ficámos bem longe nos quilómetros percorridos; na primeira parte com o jogo aparentemente controlado, sofremos um golo da primeira vez que o AM chegou próximo da nossa baliza; perdemos uma gp, tal como tinha acontecido com AAC. As palavras de PF, no final do jogo, foram uma clara demonstração da sua impotência, e do estado de espírito instalado na equipa, que não acredita nas suas capacidades e raramente parece capaz de mudar o rumo dos acontecimentos.

Individualmente destaco os bons desempenhos de Fernando, Defour, Martinez e Danilo; Varela esteve esforçado e Mangala razoável, mas distante dos registos da época passada ; Maicon e Alex Sandro estiveram desinspirados. Josué falhou. Helton esteve bem mas facilitou no primeiro golo. Os que entraram estiveram sofríveis: Licá que entrou bem, foi perdendo fulgor. Herrera e Ghilas nada acrescentaram. Faltou raiva e intensidade à equipa.

O Austria de Viena, pasme-se, perdeu com o FCP a possibilidade de chegar aos oitavos, e o FCP, com esse golo no Dragão, garantiu a Liga Europa. Aliás, é justo destacar que em Viena fomos muito felizes. Hoje, tivemos tudo para ser felizes, mas não fomos capazes ou não soubemos. Algo tem que mudar. Gostaria que o treinador e a equipa fossem capaz de reverter a intranquilidade que tomou a equipa. Mas tenho muitas dúvidas: tem a palavra a SAD.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Inflexível até ao fim?


"Tenho de continuar a acreditar nas minhas ideias. Não acredito em mudanças repentinas ou momentâneas. Quando mudamos as coisas, tudo tem de ser trabalhado. Não prevejo muitas alterações porque é nisto que eu acredito.
(…)
Os jogos são todos difíceis. Quero ver um Porto determinado, concentrado e ambicioso. Estamos focados no que temos de melhorar. Acredito que a equipa vá dar uma boa resposta. Queremos reforçar o nosso primeiro lugar."

Paulo Fonseca, 29-11-2013 (na antevisão ao jogo Académica x FC Porto)


Aquilo que já toda a gente viu, menos o treinador: o modelo táctico que Paulo Fonseca anda a tentar implementar desde o início da época não funciona.

Em primeiro lugar, porque a colocação de um jogador ao lado de Fernando para formar um “duplo pivot” confunde e tira efectividade à acção do Polvo, que sozinho com os seus tentáculos consegue anular a maior parte das investidas do adversário. Nesta equação do meio campo é importante referir também a enorme falta que João Moutinho faz à equipa do FC Porto. Sem o box-to-box e com o seu substituto sempre “amarrado” a Fernando e sem a mesma capacidade técnica do agora jogador do Mónaco, o FC Porto não consegue sair a jogar e, são invariavelmente os defesas centrais quando pressionados pelos adversários, que mandam “chutão” para a frente. Além disso, Lucho Gonzalez está sempre 20 metros à frente de onde devia jogar (ou pelo menos começar a jogar), quase numa posição de apoio ao ponta-de-lança. Com o desenrolar do jogo e as evidentes dificuldades da equipa em sair a jogar, Lucho acaba por se ver forçado a recuar para vir buscar jogo e ensaiar passes de calcanhar que muitas vezes dão perdas de bola. Não há futebol apoiado e solidário, nem dinâmicas, nem sequer um modelo de jogo.

Em segundo lugar, o sector defensivo tem estado muito mais inseguro que no passado, com os mesmos jogadores mais desconcentrados e a cometerem erros infantis com graves consequências. Grande parte desta mudança é uma consequência do estilo táctico que o treinador quer implementar. Fernando perde referência com outro jogador a seu lado e é obrigado, pela primeira vez desde que chegou ao FC Porto, a pensar o jogo ofensivo da equipa quando a sua missão sempre foi a de recuperar bolas e entrega-las aos colegas o mais rápido possível. Não tendo ninguém a quem passar a bola (ainda por cima todos parecem esconder-se) e com Lucho muito mais à frente, Fernando (ou o outro médio, seja Defour ou Herrera) passa a bola para trás obrigando os defesas centrais ao trabalho que deveria ser feito pelos médios e laterais. Os adversários aperceberam-se disso e colocam 3 a 4 jogadores a pressionar a defensiva portista. Daí ao pânico generalizado é um pequeno passo.


Em suma, o cerne do problema táctico está no posicionamento de Fernando e de Lucho Gonzalez. A solução a curto prazo seria voltar de imediato a um 4-3-3 clássico, com extremos rápidos como o Kelvin, por exemplo (o tal que na opinião de Paulo Fonseca não faz o suficiente nos treinos), com o Polvo sozinho no papel de trinco e com Lucho mais recuado com o mesmo papel de outros tempos. Mas este é apenas um dos muitos problemas que Paulo Fonseca não tratou de acautelar e foi empurrando até ao limite. Entretanto os jogadores perderam a confiança no líder, estão altamente desmotivados, arrastam-se em campo, e têm tido um comportamento pouco profissional e até indigno da camisola que vestem.

O treinador queixa-se da qualidade dos extremos, tendo já sido noticiado o regresso de Quaresma… No início da época PF dispensou Iturbe (ou terá sido Antero Henrique?), que tinha sido apenas um dos melhores jogadores da pré-época (e tem 'facturado' com frequência pelo Verona) e praticamente não tem dado hipóteses a Kelvin, constantemente relegado para a equipa B. As últimas exibições do FC Porto demonstram uma equipa sem profundidade nas alas, que afunila o jogo pelo miolo e que não tem rapidez para fazer transições ofensivas, preferindo parar o jogo e devolver para trás para (mais) uma troca de bolas entre os defesas centrais. É ridículo!

É necessária uma mudança urgente de Paulo Fonseca. Outros no passado também se renderam às evidências. Lembram-se certamente de Co Adriaanse, que depois de um empate em Vila do Conde e de sofrer grande ‘contestação’, alterou o esquema táctico colocando Paulo Assunção a fazer de pivot e central em situações ofensivas e defensivas, respectivamente, arrancando em definitivo para o título de Campeão. Poderá não ser assim desta vez, mas pelo menos Paulo Fonseca deveria esgotar todas as possibilidades à sua disposição, porque se está a fazer tarde.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca... (III Parte)

Concluídas as duas primeiras jornadas do campeonato está na altura de revisitar os excelentes artigos do Miguel Lourenço Pereira de 12 e 13 de Agosto, aqui no Reflexão Portista, sobre o esquema táctico 4-2-3-1 do treinador Paulo Fonseca:

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)
O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

O FC Porto apresentou-se com a mesma equipa titular nas duas partidas da Liga: Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Defour, Lucho, Josué, Jackson e Licá, o que significa que Paulo Fonseca encontrou um "onze base", tendo em conta que o titular Varela, lesionado, foi substituído por Josué.

Nos referidos artigos o Miguel descreveu os princípios básicos do novo esquema táctico relativamente ao conhecido 4-3-3: (i) a criação do conceito de número 10, Lucho, (ii) a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, Fernando e Defour e (iii) o maior espaçamento de linhas para a obtenção de um futebol mais vertical. Além disso chamou a atenção para os principais defeitos e virtudes do 4-2-3-1: "este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. (…) [o adversário pode] lançar um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival".


No primeiro jogo, em Setúbal, a equipa acusou falta de entrosamento e permitiu vários lances perigosos aos sadinos, incluindo o do golo, sendo que o perigo foi aparecendo de situações que o Miguel previra: o "duplo pivot" estava em linha e sem uma noção clara de quem deveria marcar e foram surgindo passes para as costas da nossa defesa. Por outro lado a articulação entre os jogadores das linhas ofensivas não foi a melhor, o que gerou mais dificuldades de penetração na defesa contrária e criação de lances de perigo. Lucho não conseguiu ser o número 10, Defour não foi box-to-box e Fernando não foi… Fernando. Valeu Quintero, que substituiu Defour, e mal entrou mandou uma bomba para resolver o jogo.


No segundo jogo, na estreia da equipa esta época no Dragão, tudo foi diferente. O FC Porto submeteu o Marítimo a forte pressão desde o início, com um futebol rápido, alegre e mais vertical. Na vertente defensiva Mangala e Otamendi estiveram muito bem na antecipação e na anulação das investidas do adversário e o "duplo pivot" Fernando-Defour funcionou bem, o primeiro libertando-se do seu típico jogo de recuperação e varrimento e o segundo conseguindo ser um box-to-box mais influente. Não foi Moutinho, mas esteve no campo todo. Vi pela primeira vez o Fernando a avançar no terreno com a bola controlada e a procurar linhas de passe, fazendo-o com maior à vontade e segurança que em partidas anteriores. Contrariamente ao que afirmou o Miguel, parece-me agora que o Fernando poderá ser um dos mais beneficiados com este estilo de jogo porque terá mais bola e terá de pensar mais o jogo, o que o tornará num jogador mais valioso. Às suas características de trinco puro, poderá juntar características de distribuidor e tornar-se um médio mais completo.

Apesar da boa exibição e dos golos achei que a equipa, pelas características de Licá e Josué, que não são extremos puros, afunilou demasiado o jogo, tendo abusado do jogo interior, perdendo profundidade. Poderá, eventualmente, ser ideia do treinador usar momentaneamente os laterais Danilo e Alex Sandro como extremos, com o apoio e as dobras do "duplo pivot" em caso de perda de bola e (principalmente) Licá como segundo ponta-de-lança, dando ao Lucho tempo e liberdade para deambular no meio campo e no ataque.


A este esquema sobram ainda Herrera e Quintero – que deverão competir com Defour e Lucho, respectivamente, por um lugar no "onze" – e Carlos Eduardo como alternativas para o meio campo e Kelvin e Iturbe como jokers para os lugares de extremo. Ghilas deverá ser a alternativa a Jackson Martinez dado que, em jogos oficiais, creio que não foram experimentados simultaneamente.

À pergunta final do Miguel, "será este o modelo ideal para esta época?", respondo, para já, com um sim porque a equipa tem dado sinais de que o consegue assimilar e o plantel tem variadas opções e de grande qualidade para substituir ou complementar os jogadores que neste momento integram o "onze base". Tanto o “duplo pivot” como a defesa, na generalidade, estiveram bem melhor no jogo contra o Marítimo. Que a equipa e o treinador continuem a evoluir e a proporcionar bons espectáculos de futebol (com vitórias!).
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

Está claro que o Paulo Fonseca teve pouco a dizer nas contratações mas terá muito pelo que responder com aquilo que o seu plantel pode oferecer durante o ano.

Desde Fernando Santos - aquele 4-2-3-1 com Paulinho+Chainho atrás de Deco, com Alenitchev no banco - que a equipa se habituou ao 4-3-3 como modelo base, salvo pelo segundo ano de Mourinho e o 3-4-3 de Adriaanse. É um modelo formatado, assimilado e que faz todo o sentido. Mas também é uma táctica para a qual o plantel oferece poucas opções individuais. A ausência de extremos desequilibradores (que já foi um problema no ano passado, depois da saída de Hulk e da situação com Atsu) afunilava em excesso a equipa, com James a meter a marcha para dentro e Varela muitas vezes a encostar-se a Jackson num 4-1-2-1-2. Este ano não houve mudanças radicais nesse capitulo. E portanto o plantel continua a oferecer poucas opções individuais.

O 4-2-3-1, pelo contrário, encaixa melhor nos jogadores disponíveis. E é o modelo que o técnico utilizou no Paços, que conhece bem. Quer entrar com cautela, jogando pelo seguro. É compreensível, mas também é preciso lembrar que a defesa do Paços não jogava tão alta como deverá jogar a nossa, o que implica que os espaços entre linhas eram menores e, portanto, o risco de descompensação zonal entre-linhas inferior.


Nesta imagem fica claro o que vamos ver este ano.
4 defesas em linha, com os laterais com ordem para subir. Um avançado fixo, dois extremos abertos e um jogador livre. E dois box-to-box que se têm forçosamente que complementar no meio-campo. Ora é aí precisamente que geramos um considerável over-booking.

Para as alas o "mister" sabe que tem o Varela, o Ricardo, o Licá e o Kelvin (não sei onde o Iturbe ou o Ismailov encaixam aqui, já veremos o que passa). Dois extremos puros (Ricardo, Varela), um batalhador que vai ser muito útil (Licá) e o joker, Kelvin. No ataque contamos, finalmente, com duas opções válidas em Jackson e Ghilas. É no meio-campo que está o busílis.

Quintero chegou e triunfará, mas precisa de tempo (como Anderson, como James). Lucho fará o posto de 10 desde o início e a transição será progressiva. Se a táctica fosse o 4-3-3, o argentino teria problemas em jogar, porque como se viu no ano passado, o 4-3-3 exige muito do trio do meio-campo fisicamente. E Lucho já não está para isso, enquanto Quintero ainda é verde para esse ritmo. "El Comandante" é o grande beneficiado desta metamorfose táctica. Vai permitir manter-se vivo e activo mais tempo do que poderíamos imaginar. Fernando é o grande prejudicado.

"O Polvo" tem sido fundamental desde que substituiu o Paulo Assunção a tapar todos os buracos que apareciam na linha defensiva. Sempre funcionou melhor varrendo do que com um jogador ao seu lado. Por estatuto será titular mas tenho as minhas dúvidas que se sinta cómodo. O contrato acaba este ano, até ao fim do mês ainda pode sair ou, eventualmente, pensando já no futuro, o técnico procura um modelo para o que tem. E como não há outro Fernando no plantel, acha mais adequado apostar num modelo onde sim funcionam todos os outros médios de que dispõe.

Este 2-1, este triângulo invertido, encaixa bem no perfil de Defour, de Herrera, de Carlos Eduardo, de Josué (que também pode fazer o 10) e de Castro. Apostando neste modelo, o técnico garante que terá jogadores a quem pode distribuir minutos, rentabilizando as suas características técnicas e tácticas ao máximo em vez de as forçar a um modelo que dependia em excesso de Fernando para funcionar realmente.

Portanto, o 4-2-3-1 é o modelo ideal para esta época?

Como em tudo, tem aspectos positivos e negativos.
Defensivamente causa muitos mais problemas do que o 4-3-3 e nos jogos europeus, sobretudo, a segurança defensiva é absolutamente fundamental. Podemos nesse jogo voltar, pontualmente, ao 4-3-3?
Podemos e, talvez, devemos. É também um sistema que não saca o melhor de um dos melhores jogadores do plantel, Fernando, e que gera sérios riscos nos jogos em casa contra rivais claramente inferiores.
É um modelo cauteloso, com dois médios sempre no apoio (e ás vezes vai fazer falta um desses médios lá à frente) e que funciona melhor em equipas onde o meio-campo é uma zona curta de passagem, mais de contra-golpe do que de futebol de posse constante.



No entanto, não se pode dizer que seja, exclusivamente, um modelo defensivo mas sim que se adapta melhor a equipas mais pequenas, que queiram ter menos tempo a bola e procurem mais as transições rápidas e as linhas próximas entre si (numa zona do terreno mais recuada).
O 3-2-3-1 vai permitir ter sempre um segundo homem na área. Vai gerar maior dinamismo nas transições, quebrando o ritmo "pastelento" do ano passado. Em momentos de posse, pode tornar-se num 2-4-1-2, com a subida dos dois laterais para a linha do 2-1 no meio-campo, mas isso só funcionará se as linhas estiverem para lá da linha de meio-campo. Permite sacar o melhor de um grande jogador, que é Lucho, e de outro que seguramente o será, Quintero. E adapta-se melhor ao plantel desenhado para a temporada.

Será um ano largo.
Ninguém pode antecipar que durante os jogos o próprio técnico faça mudanças que permitam oscilar entre um modelo e outro. Não é uma mudança demasiado radical (como foi o 3-4-3 de Adriaanse), não é um modelo estranho aos adeptos. É uma interrogante mais, a par do treinador e de muitas das caras novas. Esperamos que, em Maio, a nota positiva se aplique aos três e que a nova variante permita contornar os problemas que tínhamos o ano passado sem, por sua vez, criar outros já resolvidos.

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

Parece claro que Paulo Fonseca não vai abdicar do seu 4-2-3-1.

O tempo dirá se a sua opção é a mais acertada, sobretudo em jogos radicalmente diferentes aos da pré-época e da Supertaça. Em Aveiro o sistema funcionou perfeitamente também porque o rival foi macio, muito macio. Na véspera do jogo o treinador tomou a palavra na sala de imprensa para responder a um jornalista que sugeriu o modelo como mais defensivo. Paulo Fonseca não gosta dessa ideia (apesar de ser um sistema muito mais utilizado por equipas de contra-golpe do que de ataque continuado).
Vou tentar explicar o que penso ser o seu ponto de vista e a minha percepção sobre o que vai significar a aplicação do modelo ao longo do ano, os seus pontos fortes e fracos. E, sobretudo, a sua adequabilidade ao plantel, no seu todo, e a alguns jogadores, em particular.

No final, podemos chegar à conclusão se o sistema é mais ou menos defensivo que o 4-3-3 standard da última década, se mais parecido ao modelo de Fernando Santos em 2001 ou ao Borussia de Dortmund de Klopp (de quem Paulo se lembrou na conferência de imprensa).

Basicamente há três grandes alterações conceptuais com este modelo.
A inversão do triângulo do meio-campo gera duas situações novas:
- a criação do conceito de número 10, que no 4-3-3 não tem lugar (ou é um extremo adaptado, como foi James, ou é um médio centro reconvertido, como muitas vezes joga Iniesta)
- a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, ambos com ordens para subir e descer, alternando-se sucessivamente

No primeiro caso, a ideia de Paulo Fonseca parece-me evidente.
O número 10 está liberto de carga táctica. Marca menos o rival, corre menos, ocupa mais os espaços livres e aproxima-se ao avançado. Ele tem a missão de criar superioridade ofensiva na área, ajudar Jackson nas suas movimentações e oferecer-se sempre como alternativa de passe.
No segundo caso, implica ter uma equipa muito mais móvel, sem nenhum jogador com uma missão fixa todo o encontro, o que exige mais fisicamente dos dois jogadores, que terão de ser muito mais flexíveis.

A terceira alteração passa pelo maior espaçamento de linhas.
Com o 4-3-3 era muito habitual ver as linhas muito próximas entre si, com a equipa a subir em campo de forma compacta, em posse, muitas vezes num ritmo mais lento e previsível. O médio mais defensivo ficava ancorado entre os centrais, os laterais subiam (ora um, mais raramente, os dois) e os dois médios da parte superior do triângulo pautavam o ritmo. Agora nota-se claramente a existência de duas linhas, e cabe aos dois jogadores mais recuados do triângulo pautar o ritmo, permitindo sempre a 3 ou 4 jogadores estarem perto da área sem a bola, à espera de que a combinação entre os restantes jogadores a faça chegar até eles o mais rápido possível.

Nesta imagem pode ver-se qual é o desenho táctico standard em campo:


Um dos médios sai com a bola permitindo aos defesas abrirem-se para cada lado oferecendo linhas de passe e possibilitando aos laterais abrir o campo. O segundo médio está perto, numa zona próxima, para servir de apoio imediato. Mais à frente, os dois extremos jogam abertos e o número 10 e o avançado próximos um do outro, para puxar a marcação e abrir espaços nas costas e, em caso de recepção de bola, poderem combinar entre si de imediato.

Com esta ideia, o Paulo Fonseca quer claramente uma equipa mais vertical, mais dinâmica e trabalhada fisicamente e mais opções para o remate, com a presença constante de um segundo elemento perto da baliza.

Nesta outra imagem, num movimento ofensivo, podemos ver como o Lucho aparece quase como um 2º avançado (na sombra do médio defensivo do Vitória, ele está lá!), na mesma linha que os dois extremos (bem abertos), com o Jackson a prender um dos centrais. Essa situação garante quase uma igualdade numérica em movimentos ofensivos (4 para 5, em vez do 3-5 habitual do ano passado). Vemos os dois centrais a fechar a linha, uma vez mais os laterais abertos, neutralizando os extremos e os dois médios centro com a função de criar desde o primeiro instante.


Pode ser este um sistema mais defensivo do que o 4-3-3, como se tem sugerido?

Depende sobretudo do rival.
Em teoria, uma equipa que utilize um jogador como "número" 10 ou dois avançados, é uma equipa mais ofensiva por natureza. O problema está onde se movem. O 4-3-3 permitia a aproximação regular de dois jogadores do meio-campo à entrada da área, a que se juntavam os três da frente e, eventualmente, os laterais. Este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. O 4-2-3-1 pode não ser mais defensivo que o 4-3-3, mas é um sistema bastante mais frágil.

O FC Porto vai jogar, para a Liga, com equipas que vão estacionar o autocarro e aproveitar falhas para lançamentos rápidos de contra-ataque. Foi assim que se perderam muitos pontos no ano passado. Lançamentos rápidos da defesa, diagonais no meio-campo, aproveitando processos defensivos desorganizados por uma rápida perda de bola. O 4-3-3 garantia, na teoria, que a presença de um médio mais defensivo na ajuda aos centrais, podia tapar essas iniciativas de contra-ataque com mais facilidade, o que leve a uma maior contenção da dupla e menos ajuda no movimento atacante.

O 4-2-3-1 é um modelo que sofre muito mais nessa circunstância.
Aliás, o Paulo Fonseca deve saber, grande parte dos golos sofridos por equipas como Dortmund e Real Madrid (que no ano passado usaram esse sistema) surgiram de situações assim, diagonais entre os dois médios centros, perdidos em campo, aproveitando os espaços disponíveis entre linhas para ganhar segundos preciosos, suficientes para armar o remate que a presença de uma sombra na zona evitaria (o que faz Busquets em Barcelona, por exemplo).

Nos jogos da pré-época, e na Supertaça, já se verificaram essas situações.
Um médio rival (ou defesa) tem a bola, lança um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival. Isso vai suceder regularmente durante o ano. Contra equipas mais exigentes, que vão ter a bola tanto ou mais tempo que nós (jogos de Champions, sobretudo), essa situação vai ser ainda mais habitual porque esse espaço livre é uma mina de ouro para explorar. Não há um jogador que varra o lance.

Nesta imagem estamos perante essa situação. 
Uma perda de bola do ataque, contra-golpe do rival. O número 10 é o último, o que não corre e o avançado e os extremos estão todos muito próximos. Um dos laterais (Fucile), está pendente do extremo e longe da linha defensiva. Os restantes elementos da defesa estão em linha. Mas os dois médios estão expectantes, na mesma zona. Neste momento o Defour não está a marcar ninguém, é um jogador passivo na acção. O Fernando cumpre o seu papel (o que faz melhor) e aproxima-se do homem com a bola, que pode colocar um passe em diagonal para o avançado nas costas do meio-campo. 


Não deixa de ser uma movimentação de jogadores que pode ser trabalhada durante o ano. Mas é um risco.
Não há sistemas perfeitos, o 4-3-3 desde já não o era. Mas defensivamente era muito mais seguro do que este modelo. Claro que o trabalho dos jogadores será fundamental para que este ou qualquer outro modelo funcione. E de aí vamos ao segundo ponto da análise.

Faz o 4-2-3-1 mais sentido que o 4-3-3 com este plantel e estes jogadores?
(continua)