sexta-feira, 18 de abril de 2014
A fina ironia
André Gomes, antigo jogador dos escalões de formação do Porto, durante a vigência do patético projecto Visão 611, marca o golo que afasta da final da Taça de Portugal, o mesmo Porto, treinado por Luís Castro, figura de proa ... do projecto Visão 611.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Equipa B, lamento mas concordo
As propostas (inicialmente de três por cento e, depois, de um por cento) foram sucessivamente rejeitadas, mas a SAD assumiu como exemplo a reviravolta operada relativamente ao alargamento da Liga ZON Sagres para sustentar que não tem garantias de que tal fundo não venha a ser aprovado no futuro, mesmo com a época a decorrer. Por entender que tal compensação é injusta e por reforçar que não há certezas de que não possa ser apreciada favoravelmente, o FC Porto decidiu, então, deixar cair o projeto para a sua equipa B.
Os dragões lamentam a tomada de posição, sobretudo depois de tanto terem colaborado numa plataforma que permitisse o regresso das equipas B, enquadradas num patamar competitivo mais exigente e que facilitassem a transição entre as camadas jovens e a primeira equipa. Acresce que, nesta fase, várias decisões estavam já tomadas no sentido de deixar o projeto pronto a arrancar dentro de meses. Desde jogadores, passando por equipa técnica e restante staff, já muito tinha sido investido com vista a 2012/13.»
in O JOGO, 15/03/2012

No caso do futebol, atendendo à cada vez maior exigência da alta competição, a existência de uma equipa B parece-me ser uma etapa importante para a transição entre a formação e a equipa principal, havendo bons exemplos em alguns dos maiores clubes mundiais (como o do FC Barcelona), que poderiam/deveriam ser seguidos.
Assim sendo, foi com tristeza que tomei conhecimento da decisão da Administração da FC Porto SAD mas, depois do que se passou nas últimas reuniões da Liga de Clubes, compreendo-a. E, para melhor explicar esta posição, vale a pena recordar sucintamente o que se passou, relativamente a esta tentativa (aparentemente falhada) para reativar as equipas B em Portugal.
1) A Liga (no tempo em que era presidida por Fernando Gomes) apresentou aos clubes um projeto com o objetivo de reativar as equipas B;
2) A ideia foi bem acolhida e aprovada (penso que por unanimidade) numa AG da Liga;
3) Um conjunto de clubes – FC Porto, slb, SCP, SC Braga, V. Guimarães, Marítimo – fez a pré-inscrição das suas equipas B para a época 2012/13, de acordo com as regras que tinham sido discutidas e aprovadas pela Liga e Federação;
4) Fernando Gomes saiu para a presidência da FPF e foi eleito um novo presidente da Liga – Mário Figueiredo –, cuja campanha foi alicerçada num programa “futurista” e de grande alcance, como seja o alargamento da I Liga e, a reboque, a possibilidade de nenhuma equipa descer de divisão…;
5) O novo presidente da Liga, para agradar aos clubes pequenos que o elegeram a troco de promessas populistas, submeteu a votação uma proposta em que os clubes com equipas B passariam a pagar uma espécie de taxa Robin dos Bosques (3% dos seus direitos televisivos), a distribuir pelos “clubes pobrezinhos”.
Podemos pensar que isto não passou de um pretexto, aproveitado pela Administração da FC Porto SAD, mas nestas coisas não se pode brincar. A formação de uma equipa B não pode ser uma espécie de projeto Visão 611 e, para dar frutos a médio prazo, necessita que haja seriedade e estabilidade regulamentar. Ora, com gente da estirpe de Mário Figueiredo na presidência da Liga, sabe-se lá o que irá acontecer na I e II Liga. Mais, se lhe der na cabeça, quem garante que daqui a um ano não coloca a votação o aumento desta “taxa Robin dos Bosques” de 3 para 30% dos direitos televisivos?
Eu lamento, mas percebo e concordo que, nesta altura, a FC Porto SAD tenha desistido da equipa B.

P.S. Como alternativa à equipa B, convinha que o FC Porto melhorasse a qualidade global dos seus escalões de formação e tivesse uma política de empréstimos rigorosa, que privilegiasse a componente técnica e não uma qualquer estratégia politico-desportiva.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A culpa não era do Jesualdo

A SAD do FC Porto chegou a acordo com o Braga e emprestou Ukra aos “arsenalistas” do Minho até ao final da época 2011/12. Sendo um dos jogadores menos utilizados por André Villas-Boas, não se pode dizer que tenha sido uma grande surpresa, a não ser a duração do empréstimo (um ano e meio). De facto, independentemente do que Ukra fizer até ao final desta época, e mesmo que a SAD venda algum dos seus avançados/extremos (por exemplo, Cristian Rodriguez ou Hulk), já se sabe que Ukra não entra nas contas de AVB para a próxima época.
Mas, afinal, Ukra tem ou não valor para integrar o plantel do FC Porto?
É algo para o qual a estrutura do FC Porto já deveria ter uma resposta, porque Ukra não é propriamente um jovem desconhecido de 17-18 anos, que esteja em período de adaptação ao futebol profissional. Formou-se nas camadas jovens do FC Porto, é internacional sub-21 e já fez a “rodagem” habitual (nas últimas duas temporadas no Olhanense e na anterior no Varzim). Quando terminar o empréstimo ao Braga terá 24 anos (nasceu em 16 de Março de 1988) e a dúvida que se coloca é se nessa altura regressará ao FC Porto para ficar, ou se servirá para “moeda de troca”.
Já aqui falamos várias vezes da dificuldade de jogadores que passaram pelas camadas de formação se afirmarem no plantel do FC Porto, algo que esta dispensa do Ukra vem de algum modo confirmar. Aliás, sem contar com o caso do Nuno André Coelho, só esta época tivemos mais três situações:
- Após a saída do Nuno Espírito Santo (pôs fim à sua carreira), poderia ter regressado o Ventura (depois de uma época como titular do Olhanense), mas a SAD optou por contratar o Kieszek para 3º guarda-redes;
- Rabiola foi emprestado ao Aves e Orlando Sá ao Nacional, tendo o plantel ficado com apenas dois pontas-de-lança, devido ao falhanço da contratação do Kléber;
- Castro que, supostamente, esta época ia ser uma “grande aposta”, foi emprestado ao Gijon.
Presumo que todas estas decisões tenham sido tomadas pelos dirigentes da SAD, com a concordância do André Villas-Boas. Ora, para quem dizia que a culpa de não haver uma aposta na “prata da casa” era do Jesualdo (acusado de preferir marianos e guarins), não podia haver melhor resposta, os factos falam por si.
De resto, em Janeiro de 2011, que balanço pode ser feito do projecto Visão 611?
P.S.1 Castro e Ukra estavam inscritos na Liga Europa e, com as suas saídas, passamos a não ter ninguém para ocupar as vagas que existem na UEFA para inscrição de jogadores formados no clube.
P.S.2 No plantel actual, há quatro jogadores formados no Sporting - Beto, Rafa, Moutinho e Varela - e nenhum que tenha passado pelas camadas jovens do FC Porto.
P.S.3 Se o Walter fosse português e tivesse passado pelos escalões de formação do FC Porto, ainda estaria no plantel ou em Janeiro teria tido um destino semelhante ao de Castro e Ukra?
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Ainda a prata da casa
Este Barça joga de facto muito bem, quando querem são um hino ao futebol. Mas há um factor que me parece imprescindível para que assim seja.
O plantel oficial do Barça tem 19 jogadores (7 menos do que o FCP; o Barça socorre-se de jogadores da equipa B para "tapar buracos" no plantel A, aproveitando também para os ir ambientando à equipa principal a pouco e pouco).Desses 19 jogadores, 10 são "prata da casa" tendo mesmo passado vários anos na formação do clube - nenhum deles chegou ao Barça com mais de 15 anos (ao contrário de por exemplo um Rabiola ou Vieirinha no FCP, que chegaram com 18 ou 19 anos). Isto contra dois no FCP (Ukra e Castro).
Messi, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta, Pérez, Jeffren, Busquets, Pedro e Piqué
Por outras palavras: se não tivessem tantos jogadores da casa o Barça já teria sido obrigado há muito a vender Puyois ou Iniestas e não teria tido dinheiro para contratar Villas ou Mascheranos. E duvido imenso que se tivesse sido o caso, teriam equipa para dar 5-0 a este Real Madrid.sexta-feira, 9 de julho de 2010
A encruzilhada portuguesa

A chegada de João Moutinho às filas do FC Porto desperta-nos para uma realidade que tem estado adormecida no desértico futebol português. Desértico de ideias. Desértico de jogadas arrojadas, transferências internas, o pão nosso de cada dia em qualquer país, menos no nosso. E também um espelho do que tem sido a realidade dos clubes portugueses, FC Porto à cabeça, com a histórica ligação lusa ao futebol de formação. Um fantasma preparado para assombrar um país nos próximos anos. Se tudo ficar na mesma.
O FC Porto que terminou a última época contava apenas com quatro internacionais A portugueses. Apenas dois deles (Bruno Alves e Raul Meireles) seriam titulares na viagem à África do Sul. E desta vez não houve sequer manobras de bastidores como a que vetou alguns dos nomes campeões europeus de 2004. A realidade é que o português é cada vez menos uma nacionalidade presente no balneário do Dragão. Mas não só.
A performance de Portugal no Mundial deixou claro que o mais grave problema da equipa das Quinas está na falta de opções. De futuro. Jogadores no final da carreira substituem jogadores no final da carreira. Pouco ar fresco, ambicioso e com vontade de encontrar um lugar ao sol. Um cenário que selecção e clubes têm partilhado nos últimos dez anos. Olhar para a formação do FC Porto e descobrir jogadores de primeiro nível tem sido como encontrar uma agulha num palheiro. Falhou a geração dos Ricardo Costa, Hugo Almeida e Helder Postiga. Posteriormente a dos Bruno Gama, Helder Barbosa ou Vieirinha. E agora estamos perante o dilema. Irá o cenário repetir-se com os Ukra, Castro ou Rabiola?
O certo é que Bruno Alves é o único atleta no plantel da época passada que fez a formação no clube. Muito pouco para uma equipa de dimensão mundial, particularmente quando os grandes da Europa começam cada vez mais a apostar na formação (mesmo que seja na última fase) e menos nos negócios milionários que marcaram a década.
Esta situação não é em nada diferente à de Benfica ou Sporting, que tem mais fama do que proveito com a sua “aclamada” Academia, mas é ainda mais grave quando olhamos para os clubes de média dimensão.
Verdade seja dita, a formação em Portugal sempre funcionou melhor fora do âmbito dos “Três Grandes”. O que sucedia, particularmente até ao aparecimento da Lei Bosman, é que estes captavam rapidamente os jovens talentos quando começavam a dar provas do seu valor na liga. Foi assim durante décadas com os jogadores que saiam das verdadeiras escolas que eram o Boavista, Vitória de Guimarães, Leixões, Belenenses, Montijo, Barreirense, Atlético, Marítimo, Braga ou Farense. Daí saíram jogadores que depois criaram um vínculo com um dos grandes, de tal forma que hoje são poucos os que se lembram que a aventura não começou aí. Quem se recorda de que o primeiro clube de Jaime Pacheco foi o Aliados de Lordelo (onde jogou até aos 21), ou que Sousa começou a jogar no Sanjoanense, ou como Futre arrancou no Montijo antes da breve passagem pelo Sporting?
Hoje essa realidade é o verdadeiro deserto. A lei Bosman encheu Portugal de jogadores estrangeiros de qualidade inferior. Não só nos grandes (onde a sua presença é excessiva e notória), mas nesses pequenos clubes, muitos deles hoje em falência por terem precisamente entrado nessa politica de gastos sem lucro. Clubes como a União de Leiria, Nacional ou Farense tornaram-se portas de entrada para jogadores brasileiros colocados estrategicamente por empresários. O mesmo se passou com Salgueiros, Campomaiorense, Alverca, Estrela da Amadora, Belenenses... todos eles hoje a viverem os piores anos da sua história.
Abandonando a formação, os clubes deixaram de ter uma politica sustentável. Passaram a viver exclusivamente do empréstimo dos grandes e dos jogadores que estes compravam a pechinchas para depois vender a peso de ouro. Até os jogadores que hoje aí se destacam são mais depressa “sobras” da formação dos grandes (Beto, Varela, João Pereira) do que formação da casa. Uma politica suicida que acabou com o futebol de base da selecção nacional.
Há vinte anos atrás, época em que Carlos Queiroz profissionalizou o futebol de formação português, era impensável que talentos como Tiago Targino e Diogo Lamelas (Vitoria Guimarães), João Aurélio e Edgar Costa (Nacional) ou Manu (Belenenses), Vitor Gomes (Rio Ave) e Yazalde (Braga) vivessem marginados dos onzes das suas próprias equipas, em detrimento de atletas estrangeiros. Mais. Há vinte anos esses seriam certamente titulares e estariam debaixo de olho dos olheiros dos grandes. Jogariam na selecção de forma competitiva (é imensa a diferença de equipas sub-21 e sub-19 com jogadores habituados a jogar ao mais alto nível do que aqueles que vivem no idílico mundo dos “juniores”, ou nos clubes que jogam sempre para não perder) e seriam o futuro do nosso futebol. Hoje são dúvidas mesmo antes de começarem. Ao contrário de Hazzard (belga, estrela do Lille), Berg (sueco, estrela do Hamburgo), Kadlec (checo, estrela do CSKA), Ninis (grego, estrela do Panathinaikos), não há um jovem jogador português que se destaque. Dentro e fora de Portugal. E isso é preocupante!
A principal razão do sucesso vertiginoso desta Alemanha (e desta Espanha, e desta Holanda, e até deste Uruguai) deve-se também à sua actual politica de formação. Das federações mas também dos clubes. São realidades, principalmente no caso holandês, em tudo similares à portuguesa. Mas gerida de uma forma diametralmente oposta. A média de idades dos planteis holandeses é infinitamente inferior à dos portugueses. O número de jogadores nacionais é muito mais alto. Na Holanda também há empresários, jogadores estrangeiros e clubes a disputar provas europeias ao mais alto nível. Mas o futebol é visto com outros olhos, sem o típico oportunismo do dirigismo português, dos escritórios da FPF até às oficinas do Dragão, Luz ou Alvalade.
Seria o ideal que os clubes que simbolizam o que de mais forte tem o nosso futebol tivessem nos seus onzes mais jogadores de formação própria. Mas talvez, mais importante ainda, seria que a segunda e terceira linha das equipas portugueses, hoje endividadas até ao tutano, mudassem por completo a sua postura e voltassem a apostar no que de melhor tem a sua cantera. A futura regra 6+5 pode ser polémica, mas no caso português adivinha-se fundamental para garantir a sobrevivência de um país e de um futebol desencontrados da realidade.
Os portistas podem sonhar com a afirmação de Ventura, Ukra, Castro, Rabiola ou Diogo Viana. Podem até ficar contentes com o sucesso de Bruno Gama, Hélder Barbosa, Vieirinha ou Bruno Vale. São produtos da nossa casa que beberam dos nossos ideais. Mas é preciso lembrar que desde sempre o FC Porto soube misturar o bom produto de formação da nossa escola com os melhores jogadores das pequenas escolas que gravitam à nossa volta. Beto, Varela ou Micael podem ser vistos já como os melhores exemplos desse regresso sadio ao passado. Talvez por isso seja simbólico que João Moutinho, produto da formação sportinguista, tome o testemunho de Raul Meireles, filho da escola boavisteira. Não importa a procedência. Importa a qualidade. A garra. O querer. Isso é a escola à Porto. Isso deveria ser a escola à Portugal!
Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.
Foto 1: origem desconhecida
Foto 2: Academia de Talentos
domingo, 20 de junho de 2010
A política de formação azul-e-branca

Concluiu-se ontem o campeonato nacional de juniores, com o Sporting a vencer o FC Porto em Alvalade e a revalidar o título de Campeão Nacional.
Os resultados da fase final foram os seguintes:
1.ª jornada (15 Maio)
Vitória de Guimarães x FC Porto, 2-0
Benfica x Sporting, 3-3
2.ª jornada (22 e 23 Maio)
Sporting x Vitória de Guimarães, 1-0
FC Porto x Benfica, 2-2
3.ª jornada (3 Junho)
FC Porto x Sporting, 0-1
Vitória de Guimarães x Benfica, 1-1
4.ª jornada (6 Junho)
FC Porto x Vitória de Guimarães, 1-0
Sporting x Benfica, 0-2
5.ª jornada (12 Junho)
Benfica x FC Porto, 2-2
Vitória de Guimarães x Sporting, 0-1
6.ª jornada (19 Junho)
Sporting x FC Porto, 1-0
Benfica x Vitória de Guimarães, 1-1
O FC Porto ficou em último lugar (com os mesmos pontos do Vitória de Guimarães), a três pontos do SLB e a oito (!) do Sporting. Nos seis jogos disputados, o FC Porto obteve uma vitória e em metade dos desafios não marcou qualquer golo.
Alguém irá analisar estes factos e tirar consequências?
Quanto ao plantel júnior do FC Porto, de acordo com o site zerozero (não sei se está actualizado) tem "apenas" 12 jogadores estrangeiros, das seguintes nacionalidades:
Brasil, 4
Senegal, 2
Turquia, 1
Espanha, 1
Cabo Verde, 1
Rep. Checa, 1
Guiné-Bissau, 1
Estados Unidos, 1
Para que serve uma equipa de juniores? Não é suposto ser para "alimentar" a equipa sénior com jogadores de qualidade, de mentalidade ganhadora, totalmente identificados com a cultura do clube e com um determinado perfil de formação?
Na sequência do que já aqui escrevi acerca dos alicerces frágeis da Visão 611, a questão que se coloca é a seguinte: Olhando para este plantel e para o desempenho que a equipa mostrou (e este ano muita gente pôde ver porque a televisão transmitiu vários jogos), alguém pensa que está a ser feito um bom trabalho e que estamos no bom caminho?
E, finalmente, será que na próxima época vamos continuar com a mesma política para a formação, os mesmos dirigentes (que a conceberam) e o mesmo treinador (Patrick Greveraars)?
Foto: 'Academia de Talentos'
terça-feira, 1 de junho de 2010
O FC Porto precisa de Sereno?
Já há muitos meses que o nome de Sereno aparece associado ao FC Porto, especialmente desde que o jogador não aceitou renovar pelo Vitória de Guimarães (VG), clube que, como se sabe, "apunhalou" o FC Porto pelas costas na sequência do processo "Apito Final", ao juntar-se ao clube do milhafre (slb) numa acção concertada para denegrir o bom nome do FC Porto e afastar o nosso clube da Champions.Sereno foi lançado por Manuel Cajuda como parceiro de Geromel no centro da defesa do VG. O seu posterior afastamento do clube levou-o até ao Valladolid, clube que acabou por descer de divisão esta época.
Segundo o perfil traçado pelo Jornal O Jogo, os pontos fortes de Sereno são a polivalência, a marcação (à zona ou individual), a velocidade ("Rápido a ler o jogo, consegue cortar e sair a jogar em velocidade), o jogo aéreo que domina graças aos seus imensos 184 cm de altura (188 cm segundo a Wikipédia) e, aquilo que é o destaque dado por Cajuda, a sua grande capacidade de aprendizagem.
Ora, com estas características eu poderia descrever 99% dos defesas centrais com 25 anos ou menos que têm algum potencial para representar o FC Porto. E isto leva-me a perguntar se não teria o Porto nos seus quadros jovens defesas centrais tão bons ou melhores que o Sereno?
Desde Tengarrinha a Abdoulaye Ba, passando por André e por Ivo Pinto ou Nuno Prata Coelho, não teríamos nós alguém da casa para entrar no plantel e justificar o investimento na formação? E Stepanov, deixou definitivamente de servir? Penso que existe matéria prima (jovens jogadores talentosos) suficiente. O que parece não existir é uma aposta séria na formação e infelizmente a contratação de Sereno é um perfeito exemplo disso mesmo: com uma das melhores "escolas" de defesas centrais da Europa - F. Couto, J. Andrade, R. Carvalho, Pepe, B. Alves - precisamos mesmo de contratar outros centrais?
"Ah!", exclamarão alguns, "com a provável saída do Bruno Alves precisamos de um central de categoria para o substituir".
Pergunto eu: O Sereno é esse central? Então para quê o Maicon e o Nuno André Coelho no plantel? Andaram lá apenas para limpar as botas ao Bruno?
Não tenho absolutamente nada contra o Sereno, nem contra a sua contratação desde que justificada, mas neste momento e de onde me encontro parece que esta inofensiva contratação "a custo zero" é mais um prego no caixão para o Projecto 611 e restante formação de jogadores no FC Porto.
Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Hugo a elaboração de mais este artigo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Os alicerces frágeis da Visão 611

No último domingo, o FC Porto recebeu o SLB para a segunda jornada da Fase Final do Campeonato Nacional da I Divisão de Juniores A, tendo empatado 2-2.
O FC Porto alinhou com os seguintes jogadores: Tiago Maia; David Bruno, Ricardo Ferreira, Abdoulaye, Katalin; Renato Alves (João Amorim 75'), Christian (Filipe Barros "Pipo" 62'), Ricardo Dias (C); André Claro, Sérgio Oliveira e Alexandre Freitas "Alex" (Ramón Cardenas 78').
Suplentes não utilizados: Rafa, Bacar, Gilmar dos Santos e Flávio Moreno.
Não pude ir ao estádio, mas vi a transmissão televisiva feita pela TVI24 e é de enaltecer terem estado quase 10 mil pessoas a assistirem a um jogo de juniores, mesmo sabendo que os sócios do FC Porto tinham entrada grátis.
Quanto ao jogo em si, a exibição da equipa do FC Porto foi pobre e serviu para confirmar a ideia que eu já tinha, isto é, nenhum destes jogadores tem qualidade suficiente para, daqui a pouco mais de um mês, integrar o plantel principal do FC Porto no arranque da época 2010/11. E neste lote estou a incluir os jogadores a quem Jesualdo tentou dar oportunidades, como são os casos do capitão Dias e do "senhor 30 milhões" - Sérgio Oliveira. Pura e simplesmente não há ninguém que apresente um nível comparável ao que, por exemplo, permitiu a Domingos e Vítor Baía a transição directa dos juniores para os seniores.
Cada vez é gasto mais dinheiro na formação, mas os resultados práticos desse investimento são poucos. E, já agora, para quê a contratação de um treinador holandês - Patrick Greveraars - e de N jogadores estrangeiros (brasileiros, senegaleses, costa marfinenses, canadianos, etc.)? Que mais-valias trouxeram aos escalões de formação portista? São estes os alicerces do projecto Visão 611?Que saudades dos tempos de António Feliciano e Costa Soares, em que não havia milhões para desbaratar, nem projectos com "visão", mas havia dedicação e um trabalho de base que produzia juniores como Gomes, João Pinto, Quinito, Jaime Magalhães, Rui Barros, Fernando Couto, Baía, Domingos, Sérgio Conceição e tantos outros jogadores com uma qualidade acima da média e cultura portista garantida.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Miopia 611

segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Para quando?

São escolinhas, escolas ou academias, são treinadores, professores ou mestres. Campeiam pelo país as mais diversas instituições vocacionadas para o futebol-lazer das crianças e dos jovens. Não deve faltar aos miúdos ambição para se tornarem profissionais, e é para isso que são preparados por pessoal competente com passado e diploma. A criação destes campus tem-se vulgarizado e está espalhada pelos principais centros urbanos. Os principais clubes aprimoraram-se e trataram de liderar a captação e a formação, a partir de tenra idade: vai-se para a escola para aprender a ler e na mesma altura, para uma outra escola, para aprender a dar uns pontapés na bola.
O futebol deixou de ser quase exclusivamente para o pé descalço: é uma carreira justamente respeitada e os jogadores dos principais clubes são alvo de todas as atenções. O futebol está na moda, e as vedetas tiram o máximo partido do facto. A maioria tem empresários para servir os seus interesses e diabolizar os clubes.Alguns dos nossos principais jogadores são artistas, manequins, têm uma vida social muito activa e nos intervalos são profissionais de futebol. É e uma chatice, não porque não adorem a profissão, mas porque têm de aturar os directores, os treinadores, os colegas, os adversários, a crítica da imprensa que nunca escreve o que querem dizer e os sócios que exigem que cada jogo seja um autêntico recital.
É demais para os coitados dos jogadores: adoram a profissão, trabalham como poucos e estão sempre dispostos a levantar a cabeça sempre que perdem. Como compreendo o desassossego do José Correia quando escreveu sobre os comentários do Cebola.Porém, há incompatibilidades. O caso concreto do ultimato do FCP ao Nuno Valente e a sua posterior saída para o Everton, é prova disso. Provavelmente, Rodriguez, pressionado e “ameaçado” pelos da selecção terá dito na Pátria o que a Pátria esperava que dissesse, depois daquela expulsão sem jeito.
O jogador Josué foi dispensado do plantel do Sporting da Covilhã por alegada indisciplina, anunciou o presidente do clube, José Mendes, na assembleia geral de quinta-feira. Hoje, 'O Jogo', confirma a rescisão. É um bom jogador, mas isso não chega, disse o Presidente.O futebol de rua é coisa do passado ou dos países de terceiro mundo. No primeiro mundo há uma grande sofisticação de meios, de processos e de recursos. Portugal tem acompanhado esse progresso, os resultados é que nem tanto. Somos compradores e nas nossas ligas principais abundam estrangeiros. Apesar da excelência da nossa formação, dizem eles, já importamos, com frequência, jogadores para reforçar as nossas camadas jovens.
Os nossos jovens parecem ter perdido qualidade. Vi o mundial sub-21 no Egipto e vi os jogos da nossa selecção – da mesma categoria – com a Grécia e a Macedónia, e é uma diferença abismal. A miudagem se calhar é demasiado mimada, e o futebol exige, cada vez mais, que o jogador seja um atleta e se porte dentro e fora do jogo de acordo com essa condição.
A passagem para sénior e a competição nos escalões superiores são uma espécie de passagem do Rubicão, onde desfalecem demasiadas promessas, tantas que poucas sobram. Porque será?
Têm a palavra os técnicos e os que vivem de perto esta problemática. O FCP tem um projecto ambicioso e a melhor escola de formação segundo o seu coordenador. As últimas tentativas de aproveitamento dos “recursos próprios” (Ivanildo, Helder Barbosa, Bruno Gama, Vieirinha, Machado) não resultaram e já saíram. Fernando Gomes, Rodolfo, João Pinto, Jaime Magalhães, Domingos e Vítor Baia são históricos do FCP que transitaram directamente dos juniores para os seniores, com sucesso. Queremos mais, precisamos de mais. Para quando, eis a questão.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Antero e os jogadores emprestados
Terminou o período de transferências e movimentações deste defeso, que no caso do FC Porto envolveu dezenas de jogadores, entre contratados, vendidos, emprestados e dispensados.Este facto faz-me voltar à entrevista do director-geral da FC Porto SAD à LUSA, de que já falei aqui, nomeadamente à questão dos jogadores emprestados:
"A nossa estratégia é emprestar aqueles jogadores que saem da nossa formação mas que ainda não têm experiência para jogar na nossa primeira equipa - não é fácil entrar numa equipa de campeões. E a estratégia tem sido um êxito. Mais de 80 por cento dos jogadores cedidos são sub-23 e muitos deles serão campeões no FC Porto, não tenho dúvidas. E, nesta época, reduzimos em 16 o número de jogadores emprestados".
A estratégia até pode ter mudado neste defeso, e aparentemente mudou mas, conforme o próprio Antero gosta de afirmar, há que ter memória e nos últimos anos o “exército de emprestados” esteve longe de se cingir a jogadores sub-23 saídos da nossa formação.
Exemplos?
Bem, a lista é imensa, mas recuando apenas às épocas mais recentes, aqui vão os nomes de jogadores que estiveram emprestados durante os anos do Tetra, com a indicação do país de origem e/ou do clube a que o jogador foi contratado:
Marcos António (Brasil), Marco Ferreira (V. Setúbal), Bruno Moraes (Brasil), Maciel (Brasil/U. Leiria), Areias (Beira Mar), Leandro (Brasil), Leo Lima (Brasil/Marítimo), Ibson (Brasil), Pitbull (Brasil), Leandro do Bonfim (Brasil/PSV), Sandro (V. Setúbal), Jankauskas (Lituânia/Benfica), César Peixoto (Belenenses), Hugo Leal (PSG), Sonkaya (Turquia), Paulo Ribeiro (V. Setúbal), Alan (Brasil/Marítimo), Diogo Valente (Boavista), Edson (Brasil), Leandro Lima (Brasil), Renteria (Colômbia), Bolatti (Argentina), João Paulo (U. Leiria), Kazmierczak (Polónia/Boavista), Pelé (Inter).Nota 1: Esta lista não pretende ser exaustiva e há de certeza outros jogadores que estiveram emprestados durante as últimas quatro épocas e que também não obedecem ao critério enunciado por Antero Henrique - jogadores oriundos da formação.
Nota 2: Nesta lista não incluí o Stepanov e o Benitez, porque são jogadores que foram emprestados apenas esta época.
Quantas dezenas de milhões de euros é que a FCP SAD investiu na aquisição do passe e encargos salariais destes 25 jogadores?
Fazendo contas por baixo - custo médio de aquisição do passe de 1 milhão de euros, encargos com salários na ordem dos 250 mil euros/ano e quatro anos de contrato - estaremos a falar em qualquer coisa como 50 milhões de euros!
E quantos destes jogadores deram retorno desportivo e/ou financeiro?
A confirmar-se que a estratégia mudou, que o número de emprestados vai mesmo diminuir drasticamente, e que o empréstimo de jogadores irá incidir quase unicamente em jovens que saem da nossa formação (Projecto Visão 611?), eu estou de acordo.E ainda estarei mais de acordo se o empréstimo dos jovens da "cantera" portista privilegiar clubes cujos treinadores tenham a cultura do FC Porto e, já agora, obedecendo a uma lógica de alianças em relação à LPFP.
Agora, francamente, dizer que a estratégia (?) dos empréstimos seguida nos últimos anos tem sido um êxito é, no mínimo, querer atirar areia para os olhos dos portistas.
Mais do que uma qualquer estratégia, o que tem havido é a necessidade de despachar os excedentários do plantel, tentando minimizar os custos associados ao seu vínculo contratual com a sociedade desportiva portista. Essa é que é (foi) a realidade dos emprestados nos últimos anos.
Fotos/Imagens: 'Jogadores FC Porto - Época 2007/08'
sábado, 8 de novembro de 2008
Vale sempre a pena quando se trata do FCP
Considero que temos uma equipa mais fraca do que seria expectável, em função dos investimentos efectuados. As crises (as dificuldades) podem constituir uma oportunidade se houver coragem de não as camuflar através da propaganda ou da criação de falsos inimigos internos pois, nessa altura, o que acontece são fugas para a frente em que ao erro sucede um erro maior para acabar de vez com o anterior.Tenho alguma dificuldade de avaliação e posso estar a cometer um erro de análise, mas a minha convicção é que na instituição FCP o seu Presidente tem os mais amplos poderes, e merece um crédito de confiança ímpar. No computo geral, tem-se mostrado um bom gestor nas situações de risco e no aproveitamento das oportunidades, quando a crise aperta ou a situação é favorável.
Porém depois da bonança – três campeonatos ganhos e muitas vendas a bom preço - a SAD continua com uma estratégia que parece algo descoordenada.
A aposta no projecto Visão 611, não viabilizou qualquer crença na promoção interna, nem impediu que nestas duas últimas épocas se repetisse a contratação de uma quantidade excessiva e onerosa de jogadores à espera que cresça uma elite de atletas capazes de repetir os feitos e os negócios passados.

Até parece que a nossa SAD não acredita que o seu projecto (Visão 611) funcione a curto prazo, pois se fora assim certamente que seria muito mais contida nos investimentos e na quantidade dos jogadores contratados, até porque ainda tem um manancial nada desprezível de jogadores emprestados aos mais diversos emblemas.
É urgente uma mudança de paradigma: menos compras e contratações mais ajustadas e, ao mesmo tempo, esgotar todas as possibilidades de recrutamento e reaproveitamento interno. O tempo é de crise e o futebol não vai ser poupado.
A SAD deve explicar aos seus accionistas o enquadramento estratégico da sua gestão desportiva, financeira e salarial.

Pela experiência que colhi os accionistas de referência entram mudos, saem calados e votam sempre favoravelmente, o que significará que estão de acordo com a gestão seguida pela SAD.
Se alguma coisa se passa no Conselho Consultivo, não sabemos, não deve ter importância e não deve estar à altura dos nomes que a constituem. Já a Comissão de Vencimentos a sua obra é bem mais conhecida. Os homens não deixam os seus créditos por mãos alheias, a SAD também não!
O FCP, como principal accionista, deveria estar mais próximo dos seus sócios para assim se aperceber melhor do seu estado de alma. Mas não o faz: confia na sua força e não pressente a inquietação nem sente qualquer azedume que não venham dos ingratos do costume.O momento da equipa não é o melhor, o treinador anda na berlinda, mas em surdina ouvem-se vozes críticas aos dirigentes, que a última AG do clube esteve longe de reproduzir.
Da acção dos sócios do FCP pouco se pode esperar, porque apesar de disporem de mecanismos estatutários para agir em sede de AG, as regras que o permitem são muito apertadas e tornam quase inexequível o recurso às mesmas.
As bases só fazem história em tempos de “revolução”, e no FCP o poder está consolidado, não mora na rua e uma grande maioria dos sócios não quer mudanças de fundo, e muito menos de Presidente.

Eu diria que a esperança é um “bem consumível” e tem de ser alimentado, antes que expire o seu prazo de validade. A esperança é um sentimento que não devemos temer, e que estamos obrigados a não deixar morrer solteiro. Por isso, espero que o FCP no próximo Domingo dê mais uma sapatada no azar e saiba seguir em frente na Taça. Ajudava muito. A tranquilidade e a confiança contribuem a superar alguns desmazelos.
E agora FCP? Ganhar ao SCP é o objectivo próximo e depois lutar, lutar e lutar até ao primeiro interregno para amealhar o maior número de pontos e chegar aos oitavos da CL.
Vale sempre a pena, quando se trata do FCP.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
O sono continua
Fui ao jogo BFC/FCP para a Taça Intercalar. Começamos esta época como acabámos a anterior. Mal.A equipa foi composta por uma defesa e um meio campo seniores: Ventura, Tengarrinha, Stepa, Pedro e Benitez, com o meio campo formado por Pelé e Bolatti mais fixos e pressionantes sobre o meio-campo e com Tarik mais solto para as transições atacantes.
Um trio na frente que era suposto apresentar uma grande mobilidade, formado por 3 juniores (Chula, Caetano e Alex) que foram quase sempre presa fácil para a defesa adversária. Enquanto os três moços do ataque portista são franzinos, pouco agressivos, não especialmente rápidos, nem hábeis na procura de espaços, a defesa do BFC era constituída por jogadores bem mais possantes e com uma dúzia de centímetros a mais de altura, pelo menos.
Em suma: uma desvantagem enorme, não se tendo vislumbrado nos nossos avançados qualidades técnicas compensadoras desta tremenda desigualdade.
Perdemos por 1-0. Um passe a cruzar toda a nossa defesa, onde não estava Tengarrinha. A bola sobrevoou Stepa que se fez ao lance como um principiante. O jogador do BFC matou a bola no peito, isolou-se e bateu Ventura que foi infeliz, pois deixou passar a bola por baixo do corpo.Não vejo como uma equipa assim constituída possa ganhar um jogo. A nossa referência atacante mais constante foi o Caetano que é um miúdo com menos de 1,70 e bastante franzino, muito lutador mas inconsequente, tanto mais que estava marcado por duas torres, que apenas lhe deram um oportunidade para facturar na 2ª. parte (a melhor ocasião do FCP) e que o guarda redes do BFC anulou bem e com alguma felicidade.
Uma equipa partida. Pode-se ganhar sem ataque, mas temos de convir que é bastante mais dificil. Os programadores lá saberão, mas este tipo de composição desmotiva o sénior porque se sente insuficientemente acompanhado e constrange o júnior quando o que se lhe pede está muito acima das suas capacidades físicas. É de alguma forma um crime “pedir” ao Caetano para funcionar como ponta de lança, sem ter um apoio mais experiente, sólido e possante a seu lado.
Foi um jogo chocho, muito jogado no meio campo na 1ª. parte, um pouco mais aberto na segunda. Tivemos nesta fase do jogo uma ou outra jogada interessante e lembro-me de dois ou três cruzamentos de golo para a área a que o miúdo não chegou por falta de centímetros e por falta de apoio.
Dos seniores, Bolatti uma primeira parte para esquecer, melhor depois da saída de Pelé ao tomar a seu cargo, por inteiro, a função de “trinco”.Pelé começou bem, é duro, possante (um pouco de rabo a mais), mas foi-se perdendo em quezílias e tornou-se o alvo do público afecto ao BFC, pelas sucessivas faltas que fez com alguma dureza e de forma escusadamente exuberante.
Pedro regular, Stepa com uma falha inconcebível, Benitez regular menos, e Tarik tentou mexer no jogo, deambulou na procura de espaços, mas não teve ajuda e raramente conseguiu dar profundidade ao jogo. Foi substituído no final da primeira parte. A sua produção, diga-se, vinha-se deteriorando com o aproximar do fecho dos primeiros 45 minutos de jogo.
Já tinha visto este filme na época passada. Não vou ver os jogos de juniores, mas que futuro poderão ter os três miúdos que se mostraram tão franzinos, num tipo de jogo que reclama cada vez mais poder físico e atlético, potência de explosão, rapidez, agressividade e um ritmo muito intenso de jogo.
A nossa matéria prima parece não ser adaptável às actuais exigências do futebol moderno. Se não formos capazes de formar avançados com condições físicas e atléticas para se baterem com as defesas, normalmente bem melhor constituídas, temos de ser capazes de compensar esse défice com outro tipo de qualidades que estavam presentes em jogadores como Rui Barros e Domingos, por exemplo.

Tem a palavra o Projecto 611, o scouting, a qualidade da formação e a menina dos nossos olhos: O Dragon Force, para mudar o paradigma e regressarmos ao tempo em que os escalões mais jovens eram autênticos viveiros de futuros campeões.
A única nota positiva fica para o preço do ingresso: 3 €;
A nota negativa deixo-a para uma parte do público que mesmo neste tipo de competição passa o tempo a insultar o árbitro e para as estratégicas quebras de ritmo que as equipas portuguesas praticam tão bem e que obriga os maqueiros a correrias sucessivas e escusadas. É uma pena não se aproveitar este tipo de competições para tentar jogar bem.
domingo, 14 de setembro de 2008
Os Sub-21 do FC Porto
Ao perder com a Inglaterra em Wembley, por 0-2, a Selecção Nacional de Sub-21 hipotecou desde logo as possibilidades de se apurar para o play-off de qualificação do Europeu de Sub-21 que se vai disputar no próximo ano.Na passada terça-feira veio a confirmação dessa ausência, na sequência de mais uma má exibição e do empate em casa (2-2, depois de estar a ganhar por 2-0) contra a Irlanda.
Apesar destes dois jogos, em que desiludiu e ficou muito abaixo das expectativas, a Selecção de Sub-21 reúne um conjunto de jogadores promissores (alguns são quase certezas), entre os quais se destaca um lote alargado com vinculo contratual à FCP SAD.
Quem são?
Nuno André Coelho
Nome completo: Nuno André da Silva Coelho
Data de nascimento: 07/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,90m
Posição: Defesa-central
Formação: Penafiel (concluída no FC Porto)
Clubes: FC Porto B, Maia, Standard de Liége, Portimonense, Estrela da Amadora
Castro
Nome completo: André Castro Pereira
Data de nascimento: 02/04/1988 (20 anos)
Posição: Médio Centro (médio defensivo)
Formação: no FC Porto desde os Infantis
Curiosidades: Sócio do FC Porto desde os 3 anos de idade
Clubes: FC Porto, Sporting Clube Olhanense

Pelé
Nome Completo: Vítor Hugo Gomes Passos
Data de Nascimento: 14-09-1987 (21 anos)
Altura: 1,87m
Posição: Médio defensivo
Formação: Salgueiros, Benfica, V. Guimarães
Clubes: V. Guimarães, Inter Milão, FC Porto
Contrato: 2011/12
Paulo Machado
Nome completo: Paulo Ricardo Ribeiro Jesus Machado
Data de nascimento: 31/03/1986 (22 anos)
Posição: Médio Centro
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Estrela da Amadora, União de Leiria, Leixões, Saint-Etienne
Contrato: 2009/10

Vieirinha
Nome completo: Adelino André Vieira Freitas
Data de Nascimento: 24/01/1986 (22 anos)
Altura: 1,71m
Posição: Extremo direito/esquerdo
Formação: Vitória de Guimarães, FC Porto (foi contratado pelo FC Porto ainda com idade de júnior)
Clubes: FC Porto B, FC Marco, FC Porto, Leixões, PAOK Salónica
Contrato: 2009/10
Bruno Gama
Nome completo: Bruno Alexandre Vilela Gama
Data de nascimento: 15/11/1986 (22 anos)
Posição: Extremo (mas na formação jogava como ponta-de-lança ou como "número dez")
Formação: Sporting de Braga (a FCP SAD contratou-o por 750 mil euros mais o passe do Cândido Costa)
Curiosidades: No dia 10 de Abril de 2004, com apenas 16 anos, estreou-se no campeonato português, substituindo Castanheira a 26 minutos do final da partida. O treinador do Braga era Jesualdo Ferreira.
Clubes: Braga, FC Porto B, Braga, Setúbal

Hélder Barbosa
Nome completo: Hélder Jorge Leal Rodrigues Barbosa
Data de nascimento: 25/05/1987 (21 anos)
Posição: Extremo Esquerdo
Formação: FC Porto
Clubes: FC Porto B, FC Porto, Académica, FC Porto, Trofense
Candeias
Nome completo: Daniel João Santos Candeias
Data de Nascimento: 25/02/1988 (20 anos)
Altura: 1,77m
Posição: Extremo
Clubes: Varzim, FC Porto
Contrato: 2012/13

Nuno Coelho
Nome completo: Nuno Miguel Prata Coelho
Data de nascimento: 23/11/1987 (20 anos)
Altura: 1,83m
Posição: Médio-centro (médio-defensivo)
Formação: Sporting da Covilhã (contratado pela FCP SAD em Janeiro de 2005
Curiosidades: Com idade de juvenil (16 anos) era titular do Sporting da Covilhã, que disputava então a Segunda Divisão B
Clubes: Sporting da Covilhã, FC Porto B, União de Leiria, Portimonense
Ventura
Nome completo: Hugo Ventura Ferreira Moura Guedes
Data de nascimento: 14/01/1988 (20 Anos)
Altura: 1,88m
Posição: Guarda-Redes
Clubes: FC Porto
Curiosidades: No FC Porto desde os 10 anos, Ventura acumulou vários prémios em torneios, entre os quais se destaca o de melhor guarda-redes da Nike Cup 2003, em Sub-15. O guardião viu também ser-lhe atribuído o Dragão de Ouro para Atleta Revelação do Ano de 2006.

Todos estes jogadores são (foram) presença assídua nas selecções nacionais ao longo dos escalões jovens (Sub-16, Sub-17, ..., Sub-21), o que significa que foram considerados os melhores jogadores portugueses em diferentes ocasiões e por diversos seleccionadores nacionais.
Contudo, com a previsivel excepção de Pelé, que chegou ao FC Porto no âmbito do negócio Quaresma (veio do Inter, carago!) avaliado em 6 milhões de euros e, por isso, tem outro estatuto, quantos destes jovens promissores terão uma verdadeira oportunidade para se imporem no FC Porto?
Ao contrário do que acontecia nos anos 80 e início dos anos 90 (relembro os casos de João Pinto, Jaime Magalhães, Bandeirinha, Quinito, Semedo, Fernando Couto, Baía, Domingos, Jorge Couto, Folha, Secretário, Jorge Costa, Rui Filipe), parece que no século XXI ser da "prata da casa" é um ónus que prejudica a afirmação de jovens jogadores na equipa principal. Alguns até já fizeram parte do plantel - Paulo Machado, Bruno Gama, Vieirinha, Castro e Hélder Barbosa - mas não se pode dizer que jogar meia-dúzia de minutos em dois ou três jogos seja uma verdadeira oportunidade.
Parece-me óbvio que não há para estes jogadores a mesma paciência e benevolência de avaliação que existe para jogadores vindos do outro lado do Atlântico, para quem os responsáveis não se cansam de dizer que é preciso dar-lhes tempo para eles se adaptarem...
Naturalmente, nem todos terão espaço e a qualidade necessária para se imporem num clube com as exigências do FC Porto, mas a ideia que fica do que se viu nos últimos anos é que estes jovens jogadores da formação portista, apesar de serem dos melhores de Portugal, estão "condenados" a não convencerem o(s) treinador(es) do FC Porto e, ano após ano, a continuarem a ser emprestados. Para além de ser uma pena, é um enorme desperdício.
domingo, 7 de setembro de 2008
E Pimba!

A selecção de sub-21 meteu água por todos os lados: não admira, dirão os optimistas, chovia a cântaros em Londres, ontem, e a rapaziada não sabe nadar. Colectiva e individualmente a equipa valeu zero.
Depois do reinado Queiroz fomos perdendo pedalada, deixamos de fazer bons resultados, os técnicos consagrados e discípulos do Professor foram esgotando os seus recursos e muito dos jovens promissores perderam-se pelo caminho.
Muitos técnicos da especialidade, têm referido que e o período de transição de júnior a sénior é fundamental no progresso e na consolidação da carreira, e que ainda não soubemos resolver o problema, devidamente.
Outros, como o João que vem pregando e evangelizando sobre as nefastas consequências da abertura do mercado a jogadores estrangeiros, e cada vez mais para reforçarem os escalões mais jovens, acham que estas entradas "sem barreiras" são a causa do desemprego no sector e do quase desaparecimento de jogadores nacionais nas nossas principais equipas.Dirigentes e empresários não serão alheios a este fluxo migratório.
Manuel Machado acha que não e que temos mais emigrantes que imigrantes, e portanto o saldo consolidado é positivo e que a taxa de desemprego, na ordem dos 10%, terá que ser encontrada de uma forma menos simplista, até porque o proteccionismo já era, e os jogadores, através do seu Sindicato (por que não?), devem estar atentos e procurar soluções que sirvam melhor os seus interesses. Mas a sua atitude não pode ser passiva e ficar-se pelas “bocas” do seu presidente, que parece ter-se especializado nesse tipo de intervenção.Há problemas. Obviamente.
O FCP e as iniciativas que levou a cabo são significativas. A formação passou a ser a menina dos olhos da direcção. Nada a dizer. Há um reconhecimento por parte dos grandes clubes portugueses que havia um défice na formação, nomeadamente no FCP. Tocou a reunir: novos dirigentes, novos técnicos, novos programas, novos equipamentos e a cereja em cima do bolo: a inauguração do Vitalis Park como o novo paradigma de um clube com olhos no futuro, como diz Jesualdo.
Projecto 611, scouting e Dragon Force passou a fazer parte do nosso quotidiano portista. Vítor Baía esfolou muito aqueles joelhos, tal como os demais companheiros, para vencer na carreira. Hoje o caminho está desbravado de algumas incomodidades. Já não há “Felicianos” e os novos treinadores são mestres em psicologia, não praguejam nem berram e usam uma imensa bibliografia e todo o artesanal que as novas tecnologias lhes colocam à disposição para tratar os jovens e levá-los a campeões.Nunca as estruturas no FCP tiveram tal excelência. Que os resultados sejam conformes este investimento material e humano. O FCP merece.
Nestas coisas, quem sempre faz a diferença é o homem, o trabalhador, o artista, o treinador e o futebolista. Principalmente o dono da bola: o jogador. Esperemos que esta facilidade para desenvolver aptidões não retire ao jovem jogador a capacidade de sofrer, de superação, de luta e um alto sentido profissional. O facilistismo não raras vezes conduz ao comodismo.
Na selecção nacional e nos sub-21 nunca ganhámos. Quando tudo parecia estar tão perto, perdemos sempre, e para alguns países da nossa dimensão. A nossa alma é triste como o fado, e falhámos quase sempre, em todos os desportos colectivos.
Apesar do progresso, que sofre inevitavelmente o efeito dos ciclos – esses malandros que existem para infernizar os nossos brandos costumes -, não posso deixar de pensar que muitos dos nossos atletas são excelentes profissionais a exigir altos proventos e excessivamente amadores no desempenho da profissão. E, por isso, não deixo de pensar que parte daquela sábia entrevista dada por um espectador para o programa “Liga dos últimos” em que refere que os "seus jogadores" nas vésperas dos jogos vão para as discotecas, dançam, bebem, fumam e depois pimba pela noite fora, é provavelmente extensiva a muitos jogadores profissionais e a muitos jovens em formação.A equipa do FCP vai ter – nesta interrupção do campeonato – uma série de dias de folga. O descanso da competição alivia o corpo e o stress. Mas a tendência para demasiado tempo livre não é normalmente útil ao atleta. E depois pimba. E os homens ficam cansados de tanto descanso e menos disponíveis para as tarefas que exigem esforço e dedicação. Ou seja “viciam-se” no dolce far niente e nas mundanidades que enchem o imaginário de muitos jovens e de bastantes menos jovens, também, e são objecto de todas as coberturas na Comunicação Social. E depois pimba: chutam sempre ao lado.
sábado, 2 de agosto de 2008
A especialidade da casa
Neste últimos anos a venda de jogadores tem nas palavras da SAD “representado uma parte substancial dos proveitos da F.C.Porto – Futebol, SAD e numa perspectiva mais ampla, de muitas sociedades deste sector de actividade que assim equilibram os seus resultados de exploração.”, e pelo andar da carruagem assim continuará a ser.
Teremos pois, todos os anos, de nos vermos livres de uma ou duas jóias da coroa. E bom, bom! é vender o menor número possível pelo maior valor possível, só que para alguém vender é preciso que alguém compre (e que pague), e por vezes há oferta mas não há compradores que paguem o valor pedido – como podemos, ligeiramente, caracterizar a novela Quaresma.

foto Miguel Riopa/AFP
E isto trouxe-me à memória uma questão que já analisei há uns tempos, e que se enquadra naquilo que a SAD refere num dos últimos relatórios e contas: “Apesar da contenção existente no mercado de transferências na Europa, a aposta no apetrechamento da equipa com bons valores, para além de proporcionarem bons resultados desportivos, possibilitou a obtenção de bons resultados nas transferências efectuadas.“
Se olharmos para o mercado internacional de transferências sem muito esforço pensamos que as grandes transferências se dão com as vedetas da bola e que normalmente são os médios de ataque e os avançados, e isso é confirmado pela matemática - se pegarmos nas 25 maiores transferências de sempre e nas 25 maiores transferências desta época (até à data de hoje) vemos que dizem respeito a:

Lá está! No mercado internacional as grandes transferências dão-se com médios e avançados, e esporadicamente transfere-se um guarda-redes. Podemos igualmente verificar que os cálculos por n.º de transferências ou pelo valor das mesmas, resultam em %s muito parecidas, o que representa alguma uniformidade no valor por transferência.
Vivendo “uma parte substancial dos proveitos da F.C.Porto – Futebol, SAD“ da mais valia com a venda de jogadores, e estando a mesma constantemente a apostar no “apetrechamento da equipa com bons valores, para além de proporcionarem bons resultados desportivos," possibilitarem "a obtenção de bons resultados nas transferências efectuadas.”, podemos dizer que as nossas vendas estão em sintonia com aquilo que o mercado compra?

Mantendo-se os médios como a principal exportação (em termos de quantidade), substituímos os avançados pelos defesas, existindo ainda um outro aspecto interessante e importante: embora vendendo menos defesas que médios, em termos de valores a venda dos defesas tem um peso maior que a venda dos médios.
Podemos assim dizer que somos especialistas a vender defesas, facto que é "confirmado" por nas 12 principais transferências internacionais de defesas, 4 (33%) terem sido efectuadas por nós.
Serão estes dados circunstanciais, ou deverão ser a nossa base de exploração deste segmento do mercado? Devemos apostar em defesas mais jovens que nos possas gerar mais valias financeiras, apostando em médios e avançados mais experientes que sejam a sustentação desportiva da equipa? A aposta relativamente recente em jogadores jovens, daquelas posições que o grande mercado quer comprar, e que se pode considerar que falhou (Carlos Alberto, Diego, Ibson, Leo Lima, Leandro do Bomfim, Pitbull, Renteria, …) é lição aprendida, ou vai ser para repetir?
Será este o nosso nicho de mercado?
Um Nicho de Mercado corresponde a um segmento de mercado constituído por um reduzido número de consumidores com características e necessidades homogéneas e facilmente identificáveis. Devido à sua pequena dimensão, os nichos de mercado são geralmente desprezados pelas grandes empresas, constituindo, por isso, excelentes oportunidades para as pequenas empresas que aqui podem escapar ao domínio das grandes empresas e conseguir uma posição de liderança através de uma oferta muito específica e adaptada às características e necessidades dos consumidores que constituem o nicho.(retirado de http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/nichomercado.htm)
Será que no futebol há espaço para nichos? Será esta uma vertente do Visão 611? Enfim muitas questões que se calhar fazem parte do segredo do negócio, e que só terão uma resposta no dia a dia dos próximos anos.
Passando da teoria à prática, e estando o Inter interessado no Quaresma mas achando-o caro, e tendo quase todos os centrais lesionados, será que não vão querer provar a especialidade da casa?

Para este artigo foram utilizados os valores constantes do transfermarkt.de
segunda-feira, 14 de julho de 2008
E se o FCP não for à CL

Fez-se um enorme silêncio entre os clubes que disputam os lugares na CL. O que tem a legitimidade desportiva para lá estar, e os “vampiros” que aspiram sugar aquele acesso, pela via administrativa. A batalha passou para o campo jurídico e, nessa área, os resultados, por estranho que pareça, ainda são mais difíceis de prever que os da bola.
O FCP está na contingência de não estar presente na CL: a gestão da UEFA neste conflito tem-se manifestado menos escandalosa que a que tem sido levada a cabo pelas instituições nacionais, mas nem por isso muito lúcida e certeira. Por isso, também nas instâncias europeias do futebol, os resultados são imprevisíveis, tanto quanto o enorme poder desta multinacional, porque obriga os seus "filiados" ao cumprimento da justiça segundo os seus mandamentos, quer estejam ou não conforme os preceitos da lei.
Até lá, tudo fala baixinho à espera que lhe saia a sorte grande. É o silêncio que nada tem de inocente e que antecede as grandes tempestades. Entre vencedores e vencidos, a guerra fria vai aquecer e o apaziguamento vai ser complicado. Espero que os dirigentes tenham a clarividência de manter esta batalha, fora da rua.
Dito isto, e no caso do FCP ser impedido de estar na CL é uma grande machadada, mais no ego e na moral do clube, que em termos financeiros e desportivos.
Será? Financeiramente, bom não parece que seja. Resta saber se seríamos capazes de minimizar os estragos.
O FCP nas contas deste exercício apresentará não só o valor das mais valias com as vendas de ZBo e Postiga, mas igualmente de Pepe. Acho que serão suficientes para equilibrar os resultados. Nas contas do exercício de 2006/7, obtivemos de mais valias: 23,5 M€ e tivemos um lucro de 2 M€.
Obviamente, que será muito importante vender Quaresma, se nos for impedido de estar na CL, porque funcionaria como (primeira) almofada pela perda da receita. Mas, esta demora inquieta-me. Será que os interessados estarão a esticar a corda, para ganhar tempo, e comprar mais barato, no caso de sermos afastados da CL? Acho que não devemos vender as jóias ao preço da uva mijona, mas será que os compromissos de curto prazo o permitirão?
foto: RecordDesportivamente, perderemos alguma notoriedade, mas pouco. É muito mais temida essa perda do que vai acontecer na realidade, a não ser que a equipa caia a pique em termos de prestação no terreno do jogo. Isso, sim, seria “dramático”.
É indispensável que os sócios não entrem em debandada e apoiem o clube, e que os jogadores sejam fortemente motivados para ganhar o próximo campeonato. Não podemos entrar em depressão, se o castigo ao FCP for reconfirmado, como não deveremos entrar em euforia se estivermos por direito na CL. Mas um clube e uma equipa deprimidos estarão nas melhores condições para ganhar?
O FCP criou uma dinâmica e um prestígio que o defende destes “pequenos” incidentes de percurso. Vamos continuar a ser visitados por inúmeros observadores e os nossos jogadores continuarão a estar na mira dos principais emblemas estrangeiros. Não acho que seja por não estarmos, eventualmente, na CL que devemos mudar a estratégia. Será?
Quanto à formação do plantel e à mingua de jogadores portugueses, não creio que as culpas possam ser todas imputadas à direcção. Com efeito, as equipas de júniores das principais equipas portuguesas são já constituídas por uma enorme falange de miúdos estrangeiros.

A lei Bosman aconselha a celebração de contratos de longa duração, e a lei Webster de atletas que sejam jovens. E, sendo assim, e uma vez que a formação parece não ser capaz de constituir uma fonte segura de recrutamento para as equipas seniores, então há que ir lá fora, porque se adquire melhor produto e se calhar mais barato. Todos os jovens que nos sacaram, ainda júniores, nenhum deles venceu. Os jogadores que conseguiram fazer carreira no estrangeiro já tinham experiência e tinham tido êxito, ainda que jovens, nas suas equipas de origem.
De qualquer forma, o FCP tem tido uma prática errática na formação, e os dirigentes são “cooptados” por serem amigos e não necessariamente, ao que parece, por serem competentes. Depois de Feliciano, que tinha pouco de pedagogo e era um “duro”, não apareceu ninguém que tivesse tirado tão bons resultados quanto ele.
Temos um programa: Visão 611. É bonito e está bem apresentado. Mas, não acredito. Falta qualquer coisa – não sei bem o quê – que o credibilize. Talvez porque esta construção do futuro que projecta se constrói de palavras e, aparentemente, escamoteia as boas experiências do passado. Talvez porque não determina qual o papel dos dirigentes e que supervisão lhes é remetida. Ou será a ausência de “alma” que se pressente e que tínhamos às carradas no passado?

As chicotadas no FCP apenas têm corrido junto de treinadores e jogadores que não são apreciados ou cujo trabalho não se revelou profícuo. Alguns dirigentes eternizam-se no FCP (e na SAD) sem que se lhes reconheça qualquer mérito. Talvez seja injusta uma afirmação tão radical quanto esta, mas a verdade (pelos sinais a que temos direito) é que temos directores que sem apresentar trabalho (e resultados) se mantêm como se o lugar fosse vitalício e para além do mérito.
Insisto: se não formos à CL não é nenhum drama, mas um desafio tremendo para uma direcção que tem trabalhado sem constrangimentos em função dos êxitos obtidos e que, pela primeira vez, seria confrontada com um duro revés interno e externo. Vamos esperar o melhor, devidamente preparados para o pior. Força Porto.

