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sábado, 5 de novembro de 2016

Apelos à união…

Angelino Ferreira durante uma sessão de apresentação das contas do FC Porto

declarações de Pinto da Costa, na AG do Clube de 03-11-2016


Conforme a generalidade dos portistas sabem, o Dr. Angelino Ferreira não é um portista ou um sócio qualquer.
Angelino Ferreira foi dirigente do Clube e da FC Porto SAD durante cerca de 20 anos (no período entre 1994 e 2014), onde exerceu cargos de grande importância.
Em 1997, esteve na génese das sociedades anónimas desportivas em Portugal e, particularmente, da criação da FC Porto SAD e de todas as restantes sociedades do grupo FC Porto.
Mais tarde, por volta do ano 2000, foi ele que assumiu a responsabilidade de projetos cruciais para o futuro (presente) do FC Porto, como sejam o Estádio do Dragão (ligado ao Plano de Pormenor das Antas) e o Centro de Treinos e Formação de Gaia.

Angelino Ferreira: PPA (2002), Estádio do Dragão, Portomania (2005)

Há dois anos e meio, depois de ter dado uma entrevista a defender a necessidade da FC Porto SAD baixar a massa salarial do plantel, Angelino Ferreira demitiu-se do cargo de administrador financeiro por, segundo o próprio, a estratégia que defendia para a gestão do FC Porto, não ser coincidente com a que era preconizada pela maioria da restante administração da SAD.

Pinto da Costa, Angelino Ferreira e outros altos dirigentes do FC Porto

Daí para cá, Angelino Ferreira já deu algumas entrevistas (por exemplo esta ao JN, em dezembro de 2014), onde tem chamado à atenção para diversos problemas e alertado os portistas para o que pode acontecer se o rumo atual se mantiver.

Na entrevista mais recente, publicada no semanário Expresso (em 29 de outubro passado), Angelino Ferreira comentou o prejuízo recorde da SAD (quase 60 milhões), falou na saída do CEO do futebol (Antero Henrique), na opção da administração da FC Porto SAD em não vender jogadores quando, supostamente, tinha propostas milionárias (de 95 milhões de euros), etc.

Contudo, aquilo que parece ter enfurecido Pinto da Costa foram as referências às comissões pagas pela FC Porto SAD e, particularmente, por Angelino Ferreira ter dito que o pagamento de comissões à empresa do seu filho (Alexandre Pinto da Costa) era “uma situação que levanta questões de ética” e que “mesmo que não haja conflito de interesses legais, há questões de transparência”.

Estas afirmações são perfeitamente legitimas, nada têm de insultuoso e eu, José Correia, sócio nº 10839 do Futebol Clube do Porto, subscrevo-as a 100%.

Mais. Em lado nenhum da entrevista que deu ao jornal Expresso, o Dr. Angelino Ferreira disse algo que justificasse o ataque violento e insultuoso de que foi alvo por parte do presidente Pinto da Costa, na última assembleia geral do Clube.
E pior, com uma raiva incontrolada, o presidente Pinto da Costa foi ao ponto de dizer que portistas como o Dr. Angelino Ferreira eram piores que os inimigos externos do FC Porto.
L-A-M-E-N-T-Á-V-E-L!

Angelino Ferreira numa sessão na Euronext

Como é que alguém que centra o seu discurso no ataque a portistas, pode apelar à união de todos para o clássico de amanhã?

Felizmente, este ataque ao Dr. Angelino Ferreira mereceu poucos aplausos dos sócios do Futebol Clube do Porto presentes na última assembleia geral. De facto, ao contrário do que era habitual até há uns anos atrás, houve intervenções de outros associados que foram muitíssimo mais aplaudidas do que esta triste e lamentável intervenção do presidente Pinto da Costa.

Apesar deste discurso divisionista do líder, estou certo que amanhã, numa “batalha” importantíssima contra o nosso grande rival, todos os portistas estarão unidos e do mesmo lado.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!

sexta-feira, 11 de março de 2016

AG em directo, via Streaming ou PortoCanal, porque não?

O FC Porto é um grande clube. Não, o FC Porto é uma Nação.
O crescimento espantoso do clube provocou igualmente, e de forma merecida, o crescimento da sua legião de seguidores. Muitos desses adeptos que se juntaram ao clube nos anos de glória fizeram-se igualmente sócios, em muitos casos, correspondentes. Outros mantiveram uma profunda ligação emocional, que não financeira. O problema para muitos portistas sócios no entanto foi a situação económica da última década que atirou milhares para outras paragens. A emigração, sobretudo de jovens, notou-se bastante em todo o país e na zona norte em Portugal. Hoje não é segredo nenhum dizer que há milhares de sócios portistas a residir longe do Grande Porto. Uma realidade que tem inclusive ajudado a espalhar o grande nome do Porto lá fora por aqueles que viveram, na primeira pessoa, os momentos mágicos do calor humano das Antas e do Dragão na pele.

Ora, se o FC Porto quiser ter um detalhe de preocupação e respeito para com esses sócios (e, já agora, com os muitos sócios que vivem noutras zonas do país), não havia nada melhor que pudesse fazer do que transformar a próxima Assembleia Geral (e quem diz a próxima diz também "as próximas") num evento transmitido em directo. Ora, se o clube não tivesse gasto uma pequena fortuna no PortoCanal, essa transmissão até podia ser feita via streaming na página oficial. Todos os que nos visitam sabem que até um grupo de grandes bloggers portistas - onde o Reflexão Portista teve presença - conseguiu fazer isso com os seus encontros da Bluegosfera, logo não deve ser algo complicado para uma grande instituição conseguir uma conexão rápida e segura para os portistas e sócios que não vão poder estar presentes.

Mas....mas, o Porto Canal pertence ao Clube e não há, realmente, nada que respeite mais a instituição que utilizar um canal próprio para aproximar a instituição dos seus. Afinal de contas, não é por um dia a programação ser interrompida pelo encontro entre grandes portistas que debatem o dia a dia e a vida do clube - afinal, não se interrompeu um jogo para dar o discurso presidencial na inauguração de uma Casa em Cantanhede, onde há, igualmente, grandes portistas - que virá mal ao mundo. O processo eleitoral é o pilar de qualquer instituição e o FC Porto não é diferente.
Seguir em directo o processo, o debate de ideias entre sócios, conhecer o ambiente que se vive nas Assembleias, identificar os rostos, os silêncios, os que falam soltando palavras que são portismo puro e absoluto, devia ser algo a que todos nós, portistas pelo Mundo - e pelo país - deveríamos poder formar parte. Entenderão, naturalmente, que muitos não possam deslocar-se em pessoa para votar (uma pena que não exista ainda um voto electrónico para esses casos) mas isso não devia significar esconder o processo quando a sua divulgação pública é perfeitamente possível.
E se fosse necessário restringir o acesso a sócios, não é tecnicamente complexo criar um código e "username" inserindo o número do cartão de sócio para que só estes pudessem ver a AG em directo, passando o PortoCanal emissões regulares de cinco minutos em directo durante a Assembleia, emitindo posteriormente uma reportagem alargada nos seus informativos.

Durante anos criticamos, e bem, a forma como os canais privados e públicos faziam das eleições, noutros clubes, um circo mediático. Não é isso que queremos. Queremos uma celebração de portismo para todos, porque ninguém é mais portista que outro em função da distância em quilómetros que reside do estádio do Dragão, e se existem os meios tecnológicos, se existe a propriedade de um canal que pertence ao clube, a obrigação da direcção do FC Porto ainda em funções é abrir esse momento a todos. A não ser que sintam que o ambiente e o processo eleitoral está bem como está, entre silêncios mais ou menos cómodos, rostos sérios, vozes que despeitam opiniões alheias e sabem que o podem fazer porque poucos estão a olhar. Se assim for, entende-se perfeitamente que o processo continue a existir em formato catacumba. Mas acho que está na altura do portismo merecer algo distinto, uma celebração do nosso amor do clube distribuído a azul e branco, ás claras, nos quatro cantos do mundo.
   

quinta-feira, 10 de março de 2016

SMS do dia - poucos mas bons

A menos de uma semana de uma A.G. Extraordinária do FCP (clube), a e-newsletter para os adeptos portistas (Dragões Diário) ainda não se lembrou de a mencionar.

Estou certo tratar-se de um mera distração, até porque certamente que o Francisco Marques vai concordar que muito provavelmente é um assunto mais importante para os sócios do que por exemplo relembrar jogos particulares contra o Leixões em 1929 ou a fixação de um bando de reformados finlandeses em Portugal.

No entanto o esquecimento não deixa de ter - coincidentemente - a sua utilidade, já que o espaço sistematicamente escolhido para as AGs é pequeno (presumo que o Dragão Caixa tenha eventos mais importantes agendados) e não dá jeito que apareça demasiada gente senão não há espaço para todos, ia ser uma chatice. 

Mesmo assim espera-se uma assistência suficiente (basta uns duzentos ou trezentos; ou seja, uns 0.3% dos sócios) para encher o espaço - de forma que os sócios presentes vão estar bem aconchegadinhos, juntos uns aos outros. Calha bem, afinal de contas o Inverno ainda não acabou.

segunda-feira, 23 de março de 2015

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Breves notas da AG do Clube

Ontem à noite realizou-se uma Assembleia Geral Ordinária do Futebol Clube do Porto.

Como seria de esperar e (infelizmente) se tornou habitual, esteve presente um número reduzido de Associados. E fiquei com a ideia, de que uma parte significativa dos (poucos) Associados que estiveram presentes estão, de algum modo, ligados à estrutura ou órgãos sociais do Clube (Conselho Superior, empresas do Grupo, Apoio/Secretariado, etc.).

Eu fui um pouco mais cedo, para poder dar uma vista de olhos aos Relatórios e Contas Individual e Consolidadas, mas o tempo disponível foi insuficiente para poder fazer uma análise com o rigor desejável.

Capa do Relatório e Contas 2013/2014

E isto leva-me a uma questão: Por que razão o Relatório e Contas do Clube não é disponibilizado (em formato PDF) no website oficial, uns dias antes da Assembleia Geral?

É algo que não tem custos, seria simples de fazer, permitiria aos Associados (que tivessem interesse) estarem melhor informados e, aqueles que se deslocassem à AG, poderiam (se assim o entendessem) interpelar a Direção do Clube de uma forma mais fundamentada.

Rendimentos Operacionais do Exercício (fonte: Relatório e Contas 2013/2014)

Gastos Operacionais do Exercício (fonte: Relatório e Contas 2013/2014)

Nota final: Gostaria de destacar e elogiar a forma aberta como o Dr. Miguel Bismarck conduziu a Assembleia Geral, permitindo a intervenção de todos os Associados que manifestaram interesse para tal, incluindo intervenções algo deslocadas do contexto, visto ser uma AG do Clube e não da SAD.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Faltam menos de 24h para a AG do FCP

No dia 29 de Outubro de 2014, pelas 20:30 horas, vai realizar-se uma Assembleia Geral Ordinária do Futebol Clube do Porto (Atenção! É uma AG do Clube e não da SAD!).

Não sei se o Clube, através de algum dos vários meios de comunicação que tem à sua disposição – televisão (Porto Canal), E-mail, Website oficial, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, etc. – já procedeu à respectiva divulgação, ou se o irá fazer apenas no próprio dia.

Eu tomei conhecimento através da versão em papel de um jornal (no caso, do jornal O JOGO).

Convocatória para a AG do Clube a realizar em 29-10-2014

Seria bom que pudessem estar presentes muitos Associados do Futebol Clube do Porto mas, com este tipo de “divulgação”, é pouco provável. E é pena.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Somague, OPA e Aumento de Capital

Ontem à noite, na sua intervenção inicial na Assembleia Geral Extraordinária do Clube, o Dr. Fernando Gomes comunicou aos Associados presentes, que o Futebol Clube do Porto tinha, horas antes, chegado a acordo com o segundo maior acionista da SAD (a Somague) para a aquisição da sua participação (18,79%) no capital social da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD.

Em consequência deste negócio, e de acordo com o seguinte Comunicado de Participação Qualificada, «ao Futebol Clube do Porto passou a ser imputável um total de 9.078.035 direitos de voto inerentes a 9.078.035 acções representativas de 60,52% dos direitos de voto e do capital social da Sociedade, incluindo, para além dos 8.818.185 direitos de voto inerentes a 8.818.185 acções representativas do capital social da Sociedade de que o Futebol Clube do Porto é titular, 250.000 direitos de voto inerentes a 250.000 acções representativas do capital social da Sociedade da titularidade de Jorge Nuno Lima Pinto da Costa e 9.850 direitos de voto inerentes a 9.850 acções representativas do capital social da Sociedade da titularidade de Reinaldo da Costa Teles Pinheiro, Presidente e Vice-presidente do Futebol Clube do Porto, respectivamente».

Esta operação teve duas consequências:

Em primeiro lugar, devido a ter ultrapassado 50% dos direitos de voto e do capital social da FC Porto SAD, o Clube foi obrigado a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções ordinárias representativas do capital social da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD.
Os termos desta OPA podem ser consultados no respectivo Anúncio Preliminar.

Em segundo lugar, e de acordo com o que foi explicado aos Associados pelo Dr. Fernando Gomes, as 7.500.000 acções preferenciais sem voto, escriturais e nominativas, que o Clube irá subscrever no próximo aumento do capital social da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, no montante de 37.500.000 Euros, deixam de ter as limitações inicialmente previstas e, nomeadamente, passam a ter direito de voto.

Assim sendo, após estas duas operações – Aquisição da participação da Somague Imobiliária, S.A. e Somague - Engenharia, S.A + Aumento de Capital da FC Porto SAD – o Clube passará de uma posição minoritária (40%) para uma posição largamente maioritária no capital da SAD (de acordo com o que foi dito pelo Dr. Fernando Gomes, o Clube passará a deter cerca de 74% dos direitos de voto e do capital social da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD).


Nota final: Gostaria de salientar a total disponibilidade e a forma cordial como o Dr. Fernando Gomes respondeu a todas as questões que foram colocadas pelos Associados do Futebol Clube do Porto.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

“Devolver o Clube aos Sócios”



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Logo à noite, vai realizar-se uma Assembleia Geral Extraordinária do Futebol CLUBE do Porto.

Com a devida vénia, reproduzo, a seguir, extracto de um artigo da autoria de um dos colaboradores (“Norte”) do blogue ‘Bibó Porto, carago!!’, a propósito de uma outra Assembleia Geral do Clube, realizada em Outubro de 2012.

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«Faço em Fevereiro próximo, 28 anos de sócio do clube. Nos últimos 13 anos, falhei uma AG. Nunca nestes anos estive presente numa assembleia com tão poucos sócios (30, no máximo), com uma demonstração tão grande de desinteresse e distanciamento dos assuntos de interesse do clube. Às 20:30h, hora do suposto início da reunião magna, estavam presentes 6, repito, 6 associados.
Foi a primeira vez que nenhum associado interveio na meia-hora de discussão sobre assuntos do clube! Há demonstração de desinteresse maior? Mau demais! Dá mesmo vontade de perguntar se seria à porta fechada.

Responsabilidades?

Dos associados, pois fartam-se de na mesa dos cafés, no emprego, nos blogs, etc., dar palpites sobre o dia-a-dia do clube, criticar o que lhes apetece, dizerem as maiores asneiras, defenderem o indefensável, afirmarem coisas como se fossem verdades indesmentíveis, e chega-se ao dia de saberem a verdade sobre o clube, e não aparecem. É uma atitude tão respeitável como outra qualquer, mas faz-me lembrar aqueles que, quando os jogos são com o Paços de Ferreira ou o Moreirense, “tá frio”, “é tarde”, “é caro”, mas quando é com os menstruados, faça chuva ou faça sol, seja às 19h ou às 21:30h, são os primeiros a chegar e estão na primeira fila a vibrar.

Responsabilidade da direcção, porque insiste em fazer uma divulgação antiquada de um evento deveras importante. Cumprir estatutariamente o que está definido (anunciar com a devida antecipação a assembleia em 2 jornais de grande tiragem), não é razoável na era da comunicação e do desenvolvimento.

Anunciar no site, menos de 24h antes, é manifestamente pouco, ocorrendo isto na era digital, onde poucos lêem jornais em papel, e onde os sites das instituições são veículos essenciais para transmitir o quotidiano das referidas instituições.
Mais, no dia anterior, houve jogo da Liga dos Campeões em casa... porque não ter anunciado o acontecimento nos ecrãs do estádio? Fica a ideia (mesmo que errada) que o clube não mostra interesse na presença dos associados nestes locais, e não é a primeira vez que o digo.»
in ‘Bibó Porto, carago!!’, 01-11-2012

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Ao (re)ler este texto, lembrei-me do lema do Programa de Jorge Nuno Pinto da Costa quando, pela primeira vez, se candidatou à presidência do Futebol Clube do Porto: “Devolver o Clube aos Sócios”.

Sessão de esclarecimento, 1982

Momento da votação do sócio e candidato Pinto da Costa, 17-04-1982

Tomada de posse de Pinto da Costa como presidente da Direcção, 23-04-1982

Um dos pontos que, para mim, é essencial é que o Futebol Clube do Porto não perca a sua história, não renegue o seu passado, não perca a alma que tem, que lhe vem dos sócios
Jorge Nuno Pinto da Costa


32 anos depois de ter sido eleito Presidente do Futebol Clube do Porto, esta afirmação de Pinto da Costa está mais atual do que nunca e eu subscrevo-a inteiramente.

Por isso, faço um último apelo aos associados do Futebol Clube do Porto: se puderem, não faltem à Assembleia Geral Extraordinária de logo à noite (marcada para as 20:30).

Vão ser discutidos assuntos importantes (muito importantes!) para o futuro do Futebol Clube do Porto, que envolvem o relacionamento entre o Clube e a SAD.

Independentemente da opinião que possam ter, não deixem que outros decidam por vocês.


Fotos deste artigo: ‘Os Filhos do Dragão

Futebol Clube Caridade?

Os dirigentes do FCP têm, na última década, tentando separar as águas entre assuntos do clube e assuntos da (Futebol) SAD o mais possível, no que diz respeito a AGs (frequentemente recusando-se a falar sobre o futebol nas AGs do clube).

Pessoalmente parece-me uma atitude bastante cínica, já que o futebol é de longe a principal actividade do clube, ainda que indirectamente (numa SAD em que o clube só detém 40% de acções e direito de voto), e o que lá acontece tem enorme impacto para o próprio clube.

Mas pelos vistos para os nossos dirigentes (e presidente da AG) o que diz respeito ao futebol não é para ser discutido com os sócios, apenas com os restantes accionistas.

Bem, se é assim que querem  - e tendo também em conta que em esclarecimentos a sócios já foi dito que a venda de 50% do estádio não será hoje discutida na AG do clube, pelo menos por iniciativa dos dirigentes - então ainda mais simples é a decisão com que os sócios se vão deparar logo à noite na AG do clube, que basicamente é esta:

Deve o clube meter 37.5M€ a fundo perdido na SAD, a troco de nada?

Olhem direito para o que está escrito na ordem de trabalhos, e para mais nada (esqueçam portanto discussões sobre o estádio, fazendo a vontade à Direcção, que pelos vistos pensa que isso é assunto só para eles)... é que é mesmo essa a proposta que a Direção pede aos sócios que seja aprovada, por outras palavras.

Sim, porque a proposta é que esses 37.5M€ sejam «investidos» - e os parêntsis são de propósito - em acções sem direito de voto, o que faz com que não valham rigorosamente nada na prática.

Quem achar portanto que é no interesse próprio do clube e dos seus sócios doar uma quantia extremamente avultada para as suas possibilidades a uma SAD... 

1) em que só detém 40% (com os restantes accionistas a terem uma «free ride», não metendo um tostão no aumento de capital mas sem perderem qualquer poder), e 

2) que tem muito mais fontes de rendimento do que o próprio clube

...que esteja à vontade para votar a favor, de consciência tranqulia.

Ah, então e se os sócios votarem contra... quais as alternativas para a SAD?

Consigo pensar em várias, começando por uma óbvia (que pode e deve ser discutida já nesta AG): um cenário em que o clube investe sim senhor nessas novas acções, mas... com direito de voto, ainda que de forma indirecta através de por ex uma SGPS ou outra «engenharia financeira» qualquer (ver artigo abaixo). Será aliás interessante ouvir da boca dos nossos dirigentes a razão para não ser essa a proposta hoje apresentada.

De qualquer forma, isto sei eu: fazendo a vontade aos nossos dirigentes em querer separar as águas, discutir as alternativas parece-me um excelente assunto para (mais) uma AG extraordinária da... SAD, a convocar para as próximas semanas (i.e. no cenário dos sócios chumbarem a proposta feita na AG do clube). Isso é assunto da SAD e não do clube, certo?

Ah, mas poucas horas antes da AG do clube já tinha havido uma AG da SAD em que se tinha aprovado o aumento de capital? Verdade, mas isso não constitui um «facto consumado» (ao contrário do que possa vir dado a entender por alguns), já que estaria sempre condicional à aprovação da proposta na AG do clube. A consequência será, como disse, trabalho de casa para os dirigentes da SAD e mais uma AG extraordinária da SAD.

Uma salgalhada? Sem dúvida, mas resolúvel - e certamente não são os sócios que têm culpa dos dirigentes terem colocado a «carroça à frente dos bois» (i.e. convocar as duas AGs na ordem errada)...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Acções preferenciais sem direito de voto

Amanhã realizam-se as Assembleias Gerais Extraordinárias da Futebol Clube do Porto Futebol SAD (“SAD”) e do Futebol Clube do Porto (“Clube”).

A AG Extraordinária do Clube está marcada para as 20h30 e tem como Ordem de Trabalhos: (i) discutir e deliberar sobre o reforço da participação do Clube no capital da SAD mediante a aquisição de novas acções e (ii) mandatar a Direcção do Clube para praticar todos os actos e subscrever todos os documentos necessários ao bom cumprimento da deliberação constante do ponto um.

A AG Extraordinária da SAD está marcada para as 15h00 e tem a seguinte Ordem de Trabalhos:


A AG do accionista principal da SAD, que é o Clube, vai realizar-se depois da AG da sua participada, o que não deixa de ser curioso, mas demonstra (falta de) cuidado da Direcção do Clube para com o seu stakeholder nº1: os sócios.

As operações a realizar devem ser analisadas de um ponto de vista “macro”. Em bom rigor, esta mais não é do que uma transferência de 50% do Estádio do Dragão para a SAD com o objectivo de repor os seus Capitais Próprios em níveis positivos. A gestão da SAD delapidou o património da sociedade nos últimos exercícios e agora chama os seus accionistas, ou melhor, apenas parte deles, a reforçarem os capitais. Este reforço será realizado sob a forma de emissão de acções preferenciais sem direito de voto, mas poderia – deveria – ser feito sob a forma de emissão de acções ordinárias, diluindo assim a estrutura accionista até agora vigente. Dado que o Clube vai injectar 37,5m€ na SAD, então, a sua participação deveria ser registada ao preço de mercado (0,60 €, a 10 Set. 2014, dia do comunicado à CMVM desta operação). Ficaria o Clube, desta forma, com 62,5m de acções ordinárias, ao invés de 7,5m de acções preferenciais sem voto.


"As acções preferenciais constituem uma categoria de acções especiais prevista no Código das Sociedades Comerciais que se caracteriza pelo acréscimo de direitos patrimoniais e pela preterição do direito de voto. Entende-se que os accionistas preferenciais não têm interesse na condução dos negócios societários, interessando-lhes quase exclusivamente a remuneração do seu investimento. Não obstante, os accionistas preferenciais são verdadeiros accionistas, assistindo-lhes todos os direitos inerentes às acções, à excepção do direito de voto, o qual se encontra suspenso, só sendo adquirido em situações pontualíssimas. (…) Sob o ponto de vista do adquirente de acções preferenciais sem direito de voto, normalmente sócios investidores, estes podem, com muita facilidade, ver em tal aquisição a possibilidade de receber dividendo superior ao juro que receberiam numa aplicação financeira junto de uma instituição financeira, uma vez que a lei consagra um mínimo legal para a atribuição de dividendo prioritário, o qual não pode ser inferior a 5% do valor nominal da acção."

Cria-se, pois, a expectativa de que o Clube irá receber dividendos prioritários, no montante de 5% do valor da acção, i.e 25 cêntimos por acção, o que representa 1,875 milhões de euros por ano.

No entanto, a SAD pretende alterar os seus Estatutos com aprovação do último ponto da Ordem de Trabalhos (ponto 6) para, registe-se, restringir o direito de voto do detentor das acções preferenciais caso estas venham a adquirir esse direito no futuro. No regime jurídico previsto para este tipo de acções especiais, o legislador associa a privação do direito de voto à atribuição de outros privilégios patrimoniais. Não satisfeitos esses privilégios, o accionista preferencial pode recuperar os direitos de voto.

"A recuperação do direito de voto surge no momento em que é deliberada a aprovação do relatório de gestão, das contas de exercício e da afectação de resultados, que demonstrem não haver lucro distribuível suficiente para acautelar o pagamento integral do dividendo prioritário por relação a dois exercícios consecutivos."
J.J. Vieira Peres, “Acções preferenciais sem voto”

A proposta de alteração do nº 3 do Artº 7º dos Estatutos da SAD diz o seguinte:
"3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social."

Antecipando o incumprimento na atribuição do dividendo prioritário ao Clube, a SAD pretende limitar-lhe os direitos de voto a “um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social”. Esta redacção deixa-me dúvidas, nomeadamente a que votos se refere. Ora, o Clube detém directamente 40% dos votos. No caso de incumprimento da SAD no pagamento do dividendo prioritário em dois exercícios consecutivos, o Clube ficaria limitado a 33,33% dos votos ou ficaria limitado a 40% dos votos mais os votos de 33,33% de 7,5 milhões de acções?

Seria mais sensato optar pela seguinte redacção do nº3:
3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes a esta categoria de acções.

O que me parece mais relevante neste ponto 6 é a forma como o Clube, enquanto accionista de 40% do capital da SAD, se autolimita os seus próprios direitos no caso de votar favoravelmente esta proposta. A Direcção do Clube não estará, nesse caso específico, a defender intransigentemente os superiores interesses da instituição Futebol Clube do Porto.
   

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O capital social da FC Porto SAD



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A Futebol Clube do Porto – Futebol, S.A.D. (daqui em diante designada por FC Porto SAD), é uma sociedade aberta, que foi constituída em 30 de julho de 1997, com o capital social de 200.000.000$00 (997.595,79 euros).

A FC Porto SAD teve como accionistas fundadores:
• Futebol Clube do Porto: 80.000 acções (40%);
• Investiantas – Investimentos Desportivos, Lda: 99.997 acções (49.9985%);
• Câmara Municipal do Porto: 20.000 acções (10%).

Nessa altura, o Futebol CLUBE do Porto detinha, direta e indiretamente, 90% do capital da SAD.

Nota importante: O Futebol Clube do Porto já teve uma SGPS, a sociedade InvestiAntas, SGPS, SA, constituída em 30/07/1997. A finalidade desta sociedade é (era) a gestão das participações sociais detidas maioritariamente pelo CLUBE.

Em outubro de 1997, a FC Porto SAD aumentou o seu capital social de 200.000.000$00 para 5.000.000.000$00, mediante a emissão de 4.800.000 ações das quais 1.820.000 ações de categoria A e as restantes 2.980.000 ações de categoria B.

Em resultado deste aumento de capital, a distribuição do capital da FC Porto SAD passou a ser a seguinte:
- Futebol Clube do Porto: 40%
- Investiantas SGPS: 12%
- Câmara Municipal do Porto: 1%
- Sócios do Futebol Clube do Porto (10099 accionistas): 39%
- Público em geral (3552 accionistas): 8%

Nota: Após este aumento de capital, o Futebol CLUBE do Porto passou a deter, direta e indiretamente, 52% do capital da SAD.

Por escritura pública, realizada em 14 de junho de 2000, foi efetuada a redenominação do capital social da FC Porto SAD de 5.000.000.000$00 para 25 milhões de euros, passando o referido capital a estar representado por 5.000.000 ações de valor nominal de 5 euros cada. Em consequência desta redenominação foi efetuado um aumento de capital por incorporação de reservas no montante de 12.050.000$00.

Durante o segundo semestre de 2001, a FC Porto SAD voltou a aumentar o seu capital, desta vez para 75 milhões de Euros, mediante a emissão de 10.000.000 de novas ações, ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal de €5 cada.
40% das novas acções foram reservadas para o Futebol CLUBE do Porto e as restantes destinadas a uma oferta pública de subscrição.

Aumento de capital de 2001 (fonte: EXPRESSO)
Dos 20 milhões de euros que o Futebol CLUBE do Porto teve que desembolsar, para acompanhar o aumento de capital da SAD, cerca de 970 mil contos (4.850.000 euros) foram assegurados pelo reembolso de suprimentos.

Em resultado desta operação, cujo êxito estava assegurado à partida, fruto de acordos efetuados com o consórcio Grupo Amorim/ECOP (a quem o Futebol CLUBE do Porto vendeu os direitos de construção que possuía no âmbito do PPA) e com a Sportinveste (holding do grupo Olivedesportos), o capital social da FC Porto SAD ficou representado por 15 milhões de acções ordinárias, nominativas, de valor nominal de 5 euros cada, das quais 6 milhões de acções de categoria A e as restantes 9 milhões de acções de categoria B.

Tal como estabelecido no artigo 6.º dos estatutos da FC Porto SAD, “as ações de categoria A só integram tal categoria enquanto na titularidade da agremiação desportiva Futebol Clube do Porto, ou de sociedade gestora de participações sociais em que esse Clube detenha a maioria do capital social, convertendo-se automaticamente em ações de categoria B no caso de alienação a terceiros a qualquer título”.

A categoria A de ações confere ao seu titular – o Futebol Clube do Porto – os seguintes direitos especiais:

• Direito de veto das deliberações da assembleia geral que tenham por objeto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede (artigo 7.º, nº 2 dos estatutos);

• Direito a designar, pelo menos, um dos membros do Conselho de Administração, o qual disporá de direito de veto das deliberações de tal órgão que tenham por objeto idêntico ao do nº 2 do artigo 7.º dos Estatutos (artigo 11.º, nº 3 dos estatutos).

Como é sabido, a FC Porto SAD é uma sociedade desportiva, que se rege pelo regime jurídico especial estabelecido no Decreto-Lei 67/97, de 3 de Abril, de acordo com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei nº 107/97, de 16 de Setembro.

Contudo, a Lei foi alterada recentemente (em 2013) e, de acordo com o Decreto-Lei nº 10/2013, de 25 de janeiro, os Clubes deixam de ter, nos termos da lei, direito de veto sobre a alteração dos estatutos das “suas” SAD’s e sobre os respectivos aumentos ou reduções do capital social.

No Prospeto da Oferta Pública de Subscrição de obrigações representativas do Empréstimo Obrigacionista “FC PORTO SAD 2014-2017”, pode ser lido o seguinte:

«O desenvolvimento da atividade principal da FC Porto SAD pressupõe a existência e manutenção da relação privilegiada com o FC Porto, consubstanciada em contratos e protocolos que asseguram ao Emitente, designadamente, a utilização das instalações desportivas e da marca FC Porto, no que respeita à sua utilização pela equipa de futebol profissional e nos espetáculos desportivos. (…) com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº 10/2013, de 25 de janeiro, e nos termos do respetivo artigo 23.º, o limite mínimo da participação direta do FC Porto no capital social da FC Porto SAD passe de 15% para 10%. Adicionalmente, o FC Porto deixará de ter, nos termos da lei, direito de veto sobre a alteração dos estatutos da FC Porto SAD e o aumento ou redução do capital social da mesma, passando no entanto a ter direito de veto sobre qualquer alteração ao emblema ou ao equipamento das equipas de futebol profissional


Todos estes factos demonstram o seguinte:

i) Desde a constituição da FC Porto SAD até agora, a percentagem (direta e indireta) do Futebol CLUBE do Porto no Capital e Direitos de Voto da SAD, manteve-se ou diminuiu ao longo do tempo;

ii) Seguramente por sugestão dos agentes desportivos, a lei foi alterada, de modo a que o limite mínimo que os Clubes tinham de ter nas "suas" SAD's (de que foram fundadores), diminuiu de 15% para 10%;

iii) O poder que a Lei dava aos Clubes, foi drasticamente reduzido com o Decreto-Lei nº 10/2013.


Por tudo isto, se os sócios dos clubes deixarem (a maior parte parece encolher os ombros), é fácil de ver o que irá acontecer a médio prazo. A tendência é clara...


Fontes:
Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD
Jornal O JOGO
Jornal Diário Económico

domingo, 28 de setembro de 2014

A SAD no pós Pinto da Costa

Ontem à noite, na extensa entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa ignorou (e bem) as sucessivas provocações do Bruninho e, ao longo de mais de uma hora, falou de diversos temas.

Na minha opinião, o que Pinto da Costa disse de mais importante, para o presente e futuro do Futebol Clube do Porto, foi o seguinte:

O FC Porto já teve cá um indivíduo russo que queria comprar o clube. Nós já há muito que tínhamos visto isso, há muito que discutíamos e dos primeiros problemas que discuti com o Dr. Fernando Gomes foi falar deste perigo, com as movimentações que havia. O Valência, de Espanha, foi vendido a um sujeito [Peter Lim] que também nos foi apresentado como possível comprador do FC Porto através do Jorge Mendes. Tomámos acções e medidas que pretendem salvaguardar que o FC Porto seja sempre dos sócios ou dos adeptos”.


Se, como Pinto da Costa disse, quer Peter Lim, quer um milionário russo já fizeram abordagens para tentar comprar a FC Porto SAD, então, se os Associados do Futebol Clube do Porto não querem que isso aconteça, o CLUBE deve ter uma maioria confortável no capital da SAD e ter condições – financeiras e/ou patrimoniais – para, no futuro, manter o domínio da sociedade que foi criada para gerir o futebol.

Mas, como é que o CLUBE pode ter uma maioria confortável no capital da FC Porto SAD, se a lei só permite um máximo de 40%?

Esta é uma das mentiras mais vezes repetidas, inclusive por pessoas que tinham a obrigação de estar bem informadas e de informar corretamente os sócios e adeptos.

Diretamente e através de uma SGPS, um clube pode ter muito mais do que 40% da sua SAD. No limite, pode até ter 100%.

Veja-se, por exemplo, qual é a distribuição do Capital e Direitos de Voto nas SAD's do Sporting e do Benfica:

Participações Qualificadas da Sporting SAD (em 10-09-2014)

Participações Qualificadas da Benfica SAD (em 31-12-2013)

Na entrevista de ontem, Pinto da Costa afirmou que “enquanto estiver no FC Porto, ninguém vai comprar o clube. Pode vir quem vier. Por mais dinheiro que tenha, não compra o clube”.

O CLUBE não está, nem nunca estará à venda, mas a FC Porto SAD é uma empresa, uma sociedade aberta e, atualmente, já é detida, maioritariamente – 60% do seu capital – por terceiros.

É sabido que a esmagadora maioria dos Associados do Futebol Clube do Porto apoia e confia na palavra de Pinto da Costa.
Mas, infelizmente, Pinto da Costa não é eterno e a garantia, pessoal, que deu aos sócios, naturalmente esgota-se no dia em que deixar de ser o presidente do CLUBE e da SAD.

Assim sendo, o que acontecerá à FC Porto SAD no pós Pinto da Costa, se a sociedade voltar a atravessar dificuldades financeiras e, simultaneamente, o CLUBE estiver fragilizado e nem sequer tiver património para acorrer a uma qualquer emergência?

É por tudo isto que os Associados do Futebol Clube do Porto têm de pensar e ponderar muito bem o que vão fazer na Assembleia Geral Extraordinária agendada para o próximo dia 2 de Outubro.
Podem ficar em casa, podem deixar as decisões acerca do futuro do Futebol Clube do Porto nas mãos de outros, não podem é dizer que não sabiam.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ordem de Trabalhos da AG do Clube

No passado dia 10 de Setembro, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, convocou os Accionistas desta Sociedade para reunir em Assembleia Geral Extraordinária, a realizar no dia 2 de Outubro de 2014, pelas 15:00 horas.

14 dias depois, no dia 24 de Setembro, o Presidente em exercício da Mesa da Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, convocou os Associados do Clube para reunir em Assembleia Geral Extraordinária, a realizar também no dia 2 de Outubro de 2014, pelas 20:30 horas.

Convocatória da AG extraordinária do FC Porto (publicada no jornal O JOGO)

Atendendo a dúvidas que surgiram entre muitos Associados do Futebol Clube do Porto, relativas à Ordem de Trabalhos desta Assembleia Geral Extraordinária, tomei a iniciativa de enviar o seguinte e-mail para o endereço electrónico principal do Futebol Clube do Porto (fcporto@fcporto.pt).

Se e quando receber a resposta dos Serviços do Futebol Clube do Porto, divulgarei a mesma, para servir de informação a todos os Associados que estejam interessados.

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Exmos Senhores,

No próximo dia 2 de Outubro de 2014, pelas 15:00 horas, vai realizar-se uma Assembleia Geral Extraordinária da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, em cuja Ordem de Trabalhos estão previstos seis pontos.

Nos pontos 3 e 4 da referida Ordem de Trabalhos, estão previstas deliberações que envolvem, diretamente, o Futebol Clube do Porto ("aquisição ao Futebol Clube do Porto", "subscrição pelo Futebol Clube do Porto"):

«3. Condicionada à aprovação do ponto anterior e dos seguintes, deliberar sobre a aquisição, pela Sociedade ao Futebol Clube do Porto, de acções representativas de até 50% do capital social da sociedade EuroAntas – Promoção e Gestão de Empreendimentos Imobiliários, S.A.;

4. Condicionada à aprovação dos pontos anteriores, excepto o ponto 1, e dos seguintes, deliberar sobre o aumento de capital social da Sociedade no montante total de €37.500.000, a realizar por entradas em dinheiro através da subscrição particular pelo Futebol Clube do Porto de 7.500.000 acções preferenciais sem voto, escriturais e nominativas, a emitir pela Sociedade nos termos do artigo 8.º, n.º 4 dos seus estatutos, com a consequente alteração do artigo 5.º dos estatutos;»


Entretanto, a Direção do Futebol Clube do Porto convocou os Associados para uma outra Assembleia Geral Extraordinária, também no dia 2 de Outubro, mas com início previsto para as 20:30 horas.

Na Ordem de Trabalhos desta Assembleia Geral Extraordinária do Clube, estão previstos dois pontos:

«1 - Discutir e deliberar, de harmonia com o disposto no artigo 116, nº 29, ponto 2, dos Estatutos, sobre o reforço da participação do Futebol Clube do Porto, no capital social da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, mediante a aquisição de novas acções;

2 - Condicionada à aprovação do ponto anterior, deliberar mandatar a Direção do Futebol Clube do Porto para praticar todos os actos e subscrever todos os documentos e instrumentos que se mostrem necessários ao bom cumprimento e execução da deliberação tomada ao abrigo do mesmo ponto um desta Ordem de Trabalhos.»

Verificando que desta Ordem de Trabalhos não consta, pelo menos de forma explicita, qualquer ponto onde esteja previsto discutir e deliberar sobre a venda, por parte do Futebol Clube do Porto à Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, de acções representativas de até 50% do capital social da sociedade EuroAntas – Promoção e Gestão de Empreendimentos Imobiliários, S.A., solicito o favor de me informarem como, nesta Assembleia Geral Extraordinária, poderão os Associados do Futebol Clube do Porto expressar uma posição a favor ou contra esta possibilidade.


Grato pela atenção dispensada.

Com os melhores cumprimentos,
José Correia

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Clube, a SAD e o Estádio (II)



«Considerando que:
(a) Se mostra oportuna a aquisição, pela Sociedade ao Futebol Clube do Porto, de acções representativas de até 50% do capital social da sociedade EuroAntas – Promoção e Gestão de Empreendimentos Imobiliários, S.A., sociedade cujo principal activo é o Estádio do Dragão
Fonte: Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, em “Propostas a apresentar em Assembleia Geral extraordinária [da SAD], a realizar em 2 de Outubro de 2014”


Numa altura em que a SAD considera oportuno que o Clube abdique (lhe venda) 50% do Estádio do Dragão (formalmente, irá vender 50% do capital social EuroAntas), vale a pena recordar o que foi o sonho, a dedicação e o esforço, de sucessivas gerações de portistas, para que o Futebol Clube do Porto tivesse um estádio seu.

Hoje em dia pode parecer estranho mas, durante quase meio século, desde a refundação em 1906, até à inauguração do Estádio das Antas em 1952, o Futebol Clube do Porto não teve um estádio próprio e teve de andar com a “casa às costas”.

O Campo da Rainha, situado na rua do mesmo nome, atual Rua de Antero de Quental, foi um dos primeiros locais utilizados pelo Futebol Clube do Porto para disputar os seus jogos Foi lá que, a 15 de Dezembro de 1908, se realizou o primeiro jogo internacional conhecido da história do Futebol Clube do Porto, contra o Fortuna Football Club de Vigo.

Campo da Rainha

A construção de uma fábrica nestes terrenos, que pertenciam à Companhia Hortícola Portuense, obrigou, em 1912, o clube a mudar os seus jogos para a Constituição.

O primeiro grande evento no Campo da Constituição foi um torneio internacional, disputado entre 26 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 1913, tendo contado com a presença do FC Porto, SL Benfica, Oporto Cricket Club e Real de Vigo.

Pela utilização do Campo da Constituição, o Futebol Clube do Porto tinha de pagar um aluguer (350 escudos por ano).

À medida que o Futebol Clube do Porto ganhava títulos e se foi afirmando como o clube Nº1 da cidade e um dos principais clubes nacionais, o número de adeptos foi crescendo e o Campo da Constituição revelava-se insuficiente para as necessidades. Assim sendo, entre a família portista foi germinando o sonho de construir um estádio que fosse seu.

Campo da Constituição

Em 14 de Setembro de 1933, realizou-se uma Assembleia Geral histórica do Futebol Clube do Porto, da qual viria a emergir uma Comissão Pró-Campo, com o objetivo de escolher um terreno que tivesse “capacidade para nele ser construído um verdadeiro Estádio que comporte, no futuro, 50 mil pessoas” e que nele se pudessem “construir amplas bancadas, campo relvado, uma ampla pista para atletismo, piscina, ginásio, etc.”.

Mas os tempos não eram fáceis. Sem ter um estádio próprio, e perante a impossibilidade de ampliação ou de realizar obras significativas no Campo da Constituição, a Direcção do Futebol Clube do Porto optou, durante vários anos, pelo aluguer de espaços pertencentes a outros clubes da cidade.

Uma das “soluções” encontradas foi o Campo do Ameal, para cuja utilização o Futebol Clube do Porto estabeleceu um acordo com o Sport Progresso.

Contudo, após desinteligências com o Sport Progresso, os principais jogos do Futebol Clube do Porto passaram a ser realizados no Estádio do Lima (por exemplo, foi lá que, em 1948, se jogou o célebre FC Porto x Arsenal) mas, para além de uma verba significativa pelo aluguer, a utilização do Estádio do Lima implicava ainda o pagamento ao proprietário – o Académico FC – de parte das receitas obtidas.

Estádio do Lima

Por tudo isto, o desígnio para que o Futebol Clube do Porto tivesse um estádio seu nunca foi abandonado. Assim, na procura de meios para dar seguimento à Assembleia Geral de 1933, em 1937 foram emitidas 15 mil obrigações de 30 escudos cada, com um juro anual de 5%.

Em 1942, o Futebol Clube do Porto adquiriu, por 240 contos (1 conto = 1000 escudos = 5 euros), um terreno de 65000 m2 na zona da Vilarinha, perto do local onde se situa agora o Parque da Cidade, destinados à construção do tão sonhado estádio.

Planta dos terrenos da Vilarinha

Contudo, algumas figuras de peso dentro do clube não viam com bons olhos a opção de construir a futura casa do Futebol Clube do Porto num local muito desviado do centro da cidade e, perante a forte polémica que se instalou, em 1946 a Comissão Pró-Campo demitiu-se.

Entretanto, com o final da II Guerra Mundial, os terrenos da Vilarinha sofreram uma grande valorização e a sua venda permitiu à Direção do Futebol Clube do Porto, presidida por Cesário Bonito, a aquisição de um outro terreno, com 48000 m2, integrado na Quinta de Salgueiros (zona das Antas), por 1440 contos.

O projecto do novo estádio foi concebido durante o ano de 1949, da responsabilidade do arquitecto Oldemiro Carneiro, estando a obra a cargo do engenheiro Miguel Resende.

Estudos do Estádio das Antas

Foi já com Miguel Pereira à frente dos destinos do clube que, a 16 de Janeiro de 1950, o Futebol Clube do Porto deu início às obras de aterragem e terraplanagem do futuro Estádio das Antas (o sócio número um, José Bacelar, pagou do seu bolso o primeiro dia de obras, no valor de 675 escudos).

Apesar do apoio de figuras proeminentes, como Afonso Pinto de Magalhães, o facto é que o dinheiro não abundava. Por isso, foram organizados vários Cortejos dos Materiais, em que a população (particularmente os portistas) contribuía com ofertas, que iam desde cal, pedra, cimento, areia, madeira, saibro, tijolos e paralelepípedos, a bens alimentares, como carne, vinho e pão.

O custo do estádio rondou os 7500 contos, conseguidos, em boa parte, à custa desses cortejos e também de vários sorteios e outras iniciativas.

A 28 de Maio de 1952, na presidência de Urgel Horta, o sonho concretizou-se.
A nova casa dos portistas, o majestoso Estádio das Antas, foi finalmente inaugurado, na presença de 50 mil pessoas (e muitas mais ficaram da parte de fora), as quais pagaram um bilhete de 20 escudos para terem esse privilégio.

Estádio das Antas, inauguração, vista aérea

Estádio das Antas, inauguração, relvado

62 anos depois, é bom que os sócios do Futebol Clube do Porto se recordem destes tempos e, em consciência, decidam, numa próxima Assembleia Geral (que, suponho, o Clube irá convocar), se concordam que o Futebol Clube do Porto aliene 50% do Estádio do Dragão a uma empresa (a FC Porto SAD) na qual o Clube é minoritário.


Fotos deste artigo: ‘Os Filhos do Dragão’

Links recomendados:


(continua)

domingo, 21 de setembro de 2014

O Clube, a SAD e o Estádio (I)

No passado dia 10 de Setembro, às 23:15, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD enviou um comunicado para a CMVM, correspondente ao Aviso Convocatório de uma Assembleia Geral Extraordinária, a realizar no dia 2 de Outubro de 2014, cuja Ordem de Trabalhos inclui seis pontos.

O ponto 3 desta AG extraordinária, prevê “deliberar sobre a aquisição, pela Sociedade ao Futebol Clube do Porto, de acções representativas de até 50% do capital social da sociedade EuroAntas – Promoção e Gestão de Empreendimentos Imobiliários, S.A.”.

O ponto 4 prevê “deliberar sobre o aumento de capital social da Sociedade no montante total de €37.500.000, a realizar por entradas em dinheiro através da subscrição particular pelo Futebol Clube do Porto de 7.500.000 acções preferenciais sem voto, escriturais e nominativas”.

Num outro documento enviado à CMVM pela Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, onde são descritas as propostas a apresentar na AG Extraordinária agendada para 2 de Outubro de 2014, é dito que “A Direcção do Futebol Clube do Porto manifestou à Sociedade a sua disponibilidade para, sujeito à aprovação pela Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, subscrever esse aumento de capital no mencionado calendário”.

Conforme é fácil de perceber, os assuntos que vão ser discutidos nesta AG extraordinária da SAD são de enorme importância, nomeadamente para o futuro do Futebol Clube do Porto, clube fundado por António Nicolau de Almeida, em 1893.

O emblema do Futebol Clube do Porto

E é precisamente por aqui que eu quero começar a análise a este conjunto de propostas, que irão ser discutidas numa AG da SAD, mas que eu espero, que naquilo que ao Futebol Clube do Porto diz respeito, sejam também amplamente discutidas numa Assembleia Geral do Clube, com os sócios a serem devidamente informados das consequências do seu voto.

Há muitos portistas que, propositadamente ou não, confundem o Clube (Futebol Clube do Porto) com a empresa que gere o futebol (FC Porto SAD).

Ora, o Clube e a SAD são entidades distintas e esse é um ponto fundamental de toda a discussão, que tem de ser claramente desmistificado.

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD é uma sociedade anónima desportiva, constituída no dia 30 de Julho de 1997, com o objectivo de desenvolver as actividades relacionadas com o futebol profissional anteriormente desenvolvidas pelo Futebol Clube do Porto.

Sendo uma sociedade aberta, com o capital aberto ao investimento público, o capital social da FC Porto SAD encontra-se, actualmente, dividido em 15 milhões de acções da categoria A e B. As acções de categoria A só integram tal categoria enquanto na titularidade do FC Porto ou de sociedade gestora de participações sociais em que o FC Porto detenha a maioria do capital social, convertendo-se automaticamente em acções da categoria B no caso de alienação a terceiros a qualquer título.

A FC Porto SAD é a entidade mãe do Grupo FC Porto SAD, formado pela FC Porto SAD e pelas sociedades que com ela se encontram em relação de domínio ou de grupo, nos termos do artigo 21.º do CódVM.

Grupo FC Porto SAD (fonte: Relatório e Contas Semestral, reportado a 31 de dezembro de 2013)

À data de 31 de Dezembro de 2013, a lista de participações qualificadas, com indicação do número de acções detidas e a percentagem de direitos de voto correspondentes, calculada nos termos do artigo 20.º do CódVM, que são do conhecimento da FC Porto SAD, era a seguinte:

Futebol Clube do Porto
- Nº de Acções: 6.000.000
- % Direitos de voto: 40,0%

Inmobiliária Sacyr Vallehermoso, S.A.
- Nº de Acções: 2.818.185
- % Direitos de voto: 18,79%

António Luís Oliveira
- Nº de Acções: 1.651.730
- % Direitos de voto: 11,01%

Joaquim Oliveira (através da Sportinveste - SGPS)
- Nº de Acções: 1.502.188
- % Direitos de voto: 10,01%

Jorge Nuno Pinto da Costa
- Nº de Acções: 220.000
- % Direitos de voto: 1,47%


CONCLUSÕES que importa salientar:
1) O Futebol Clube do Porto e a FC Porto SAD são entidades diferentes.
2) Nesta altura, o Futebol Clube do Porto detém, apenas, 40% dos direitos de voto na SAD.
3) Alguns dos actuais accionistas de referência da FC Porto SAD nem sequer são portistas.
4) Nada impede que, no futuro, mais ou menos próximo, todas as acções da SAD não detidas pelo Futebol Clube do Porto, estejam na posse de um único accionista, nacional ou estrangeiro, portista ou não.


(continua)