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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Matteo, o oitavo de passagem


Em Junho de 2003, Roman Abramovich comprou o Chelsea FC por £140 milhões e, desde aí, já se despediu dos seguintes treinadores:

Claudio Ranieri (Setembro 2000 a Maio 2004) [1]
José Mourinho (Junho 2004 a Setembro 2007)
Avram Grant (Setembro 2007 a Maio 2008)
Luiz Felipe Scolari (Julho 2008 a Fevereiro 2009)
Guus Hiddink (Fevereiro 2009 a Maio 2009) [2]
Carlo Ancelotti (Junho 2009 a Maio 2011)
André Villas-Boas (Junho 2011 a Março 2012)
Roberto Di Matteo (Março 2012 a Novembro 2012)


[1] Ranieri foi contratado por Ken Bates, o anterior dono do Chelsea FC.

[2] Dos oito treinadores que saíram do Chelsea FC na era Abramovich, Hiddink foi o único que não teve direito a indemnização.

[3] A ânsia de Abramovich em mudar de treinador já rendeu à FC Porto SAD 21 milhões de euros (6 milhões de euros aquando da contratação de Mourinho e 15 milhões pela cláusula de rescisão de André Villas-Boas).

[4] Com a contratação de Rafa Benítez, Abramovich já vai no seu 9º treinador, desde que comprou o Chelsea FC em Junho de 2003. Em contraste, Arsène Wenger é o treinador do vizinho Arsenal desde 1996 e Alex Ferguson, o treinador de maior sucesso do futebol inglês, lidera o Manchester United desde 1986!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Boxing Day de AVB

A proposta de Roman Arkadyevich Abramovich foi irrecusável, mas André Villas-Boas cometeu um grave erro de avaliação, ao ter aceite ir treinar o Chelsea Football Club sem exigir levar consigo três ou quatro jogadores de top, sedentos de vitórias e dispostos a “morrer” por ele dentro de campo.

O que encontrou André Villas-Boas quando chegou a Stamford Bridge há meio ano atrás?

Um plantel de grandes nomes (e egos descomunais!), mas também cheio de vícios e importantes jogadores-chave envelhecidos – Didier Drogba (11/03/1978), Frank Lampard (20/06/1978), Paulo Ferreira (18/01/1979), Anelka (14/03/1979), Malouda (13/06/1980), John Terry (7/12/1980), Ashley Cole (20/12/1980). A maior parte destes jogadores, que já passaram a barreira dos 31, atingiu o pico quando o Special One estava no Chelsea, ainda conseguiram conquistar a dobradinha em 2009/10, mas foi o canto do cisne e agora é óbvio que estão na irreversível curva descendente das suas carreiras.

A este enorme problema, junta-se o dos lesionados crónicos – Bosingwa, Essien, Obi Mikel – do hiper-valorizado, pela comunicação social do regime, David Luiz (mas que em Inglaterra tem sido pouco mais que um desastre) e o psicológico caso de El Niño Torres.

E reforços?
Não houve estrelas novas para brilharem no firmamento londrino (Modric não veio, Hulk ficou no Porto, Falcao voou para Madrid…) e o único que está ao nível dos objectivos (teóricos) do Chelsea – disputar a vitória na Premier League e na Champions - é Juan Mata. De resto, contratações como Lukaku, Oriol Romeu ou Raul Meireles, bem como, o regresso de Sturridge (esteve emprestado ao Bolton Wanderers), servem para compor o ramalhete e disfarçam se jogarem ao lado de craques, mas ficam muito aquém daquilo que uma equipa com as ambições do Chelsea necessitava.

Perante tudo isto, quem vê os jogos dos blues de Londres (e eu já vi vários), fica impressionado quer com o facto de, em apenas sete dias, terem despachado o Newcastle (primeira derrota em casa), Valência (3-0) e City (única derrota na Premier League), quer com a forma como a equipa tem sofrido golos, muitos dos quais nos últimos minutos, resultantes de falhas de concentração e/ou erros crassos individuais de diversos jogadores. Este Chelsea é uma equipa bipolar, sendo notória uma certa desagregação e uma clara falta de solidariedade entre os jogadores.

Seguramente que não foi por acaso o facto de, no início de Dezembro, a comunicação social inglesa ter começado a especular em torno da saída de David Luiz (apontando a Juventus como um dos prováveis destinos) e de, na mesma altura, Anelka e o defesa-central brasileiro Alex terem vindo a público pedir para sair do clube na reabertura do mercado de transferências.

Há algum tempo que sei onde vou estar a 2 de Janeiro. O clube, que atravessa uma fase complicada, decidiu trabalhar com os jogadores de futuro e eu, como sou um bom profissional, aceitei isso
Nicolas Anelka, 04/12/2011

Cada vez se fala mais em mudanças no plantel (aparentemente o Chelsea será um dos clubes mais activos no mercado de transferências de Janeiro) e, nesta linha, também são sintomáticas as declarações que André Villas-Boas fez no final do recente jogo (23/Dez) em White Hart Lane:

Gostei do carácter da minha equipa (…) O que eu quero ver no Chelsea são jogadores dispostos a morrer pelo clube, e foi isso que vi hoje

Chegados ao Boxing Day, e após o terceiro empate consecutivo a uma bola (Wigan, Tottenham e Fulham), o Chelsea e Villas-Boas estão numa encruzilhada.

A nível interno, a disputa do título inglês não passa de uma miragem (tudo indica que será um assunto a tratar entre as duas equipas de Manchester). E mesmo a luta com o Tottenham, Arsenal, Liverpool e Newcastle pelo 3º e 4º lugar e correspondente acesso à Liga dos Campeões de 2012/13 será muito dura.

(classificação antes do Boxing Day)


Na Champions, após ter cumprido a “obrigação” de ficar em 1º lugar no seu grupo, é óbvio que o Chelsea não tem equipa para enfrentar o Barça de Guardiola, o Real de Mou ou mesmo o Bayern Munique (que nos seus quadros tem, entre outros, Ribéry, Robben, Thomas Müller e Schweinsteiger). O seu destino na prova vai depender muito dos sorteios.

Esta será uma época de transição e, após o fim da “geração Mourinho”, o grande desafio de André Villas-Boas (se entretanto não for despedido) é construir um novo Chelsea para os próximos anos. Falta saber se o magnata russo terá paciência e dará ao “cenourinha” os meios necessários, leia-se jogadores com ambição e de qualidade indiscutível, para atingir esse objectivo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

E se AVB voltasse ao FCP?


As coisas não estão a correr bem ao Chelsea, particularmente na Premier League, com os blues de Londres já a 12 pontos de distância do líder Manchester City.

CAMPEONATO (Premier League):
Stoke-Chelsea, 0-0 (E)
Chelsea-WBA, 2-1 (V)
Chelsea-Norwich, 3-1 (V)
Sunderland-Chelsea, 1-2 (V)
Manchester United-Chelsea, 3-1 (D)
Chelsea-Swansea, 4-1 (V)
Bolton-Chelsea, 1-5 (V)
Chelsea-Everton, 3-1 (V)
QPR-Chelsea, 3-1 (D)
Chelsea-Arsenal, 3-5 (D)
Blackburn-Chelsea, 0-1 (V)
Chelsea-Liverpool, 1-2 (D)

Total: 7 vitórias, 1 empate, 4 derrotas

LIGA DOS CAMPEÕES:
Chelsea-Leverkusen, 2-0 (V)
Valência-Chelsea, 1-1 (E)
Chelsea-Genk, 5-0 (V)
Genk-Chelsea, 1-1 (E)

Total: 2 vitórias, 2 empates

TAÇA DA LIGA:
Chelsea-Fulham, 0-0, 4-3 g.p. (E)
Everton-Chelsea, 1-2 (V)

Total: 1 vitória, 1 empate

TOTAIS: 10 vitórias, 4 empates, 4 derrotas


Em Inglaterra já se fazem comparações entre André Villas-Boas e os seus predecessores em Stamford Bridge, com o ex-treinador do FC Porto a não ficar bem na fotografia.



E como se não bastassem os maus resultados, Guus Hiddink, após ter abandonado o cargo de seleccionador da Turquia, veio para a comunicação social fazer-se descaradamente ao lugar de AVB:

"The relationship (with Abramovich) was, has been, and will be good, very good. When I go to London I am always welcome, or in Cobham [centro de treinos do Chelsea], or at the stadium. We don't speak every week, but every now and then there is contact and I feel very welcome always. We'll see what the future will bring."


Apesar das especulações que já circulam, parece-me pouco provável que AVB seja despedido nas próximas semanas mas, num cenário desses, como reagiriam os adeptos portistas se Pinto da Costa, num monumental golpe de teatro, voltasse a contratar AVB?

terça-feira, 21 de junho de 2011

10 razões para Villas-Boas ir para o Chelsea


Há cerca de dois meses atrás, em conversa com vários amigos portistas (dois dos quais co-autores deste blogue) enquanto assistíamos a mais um jogo dos dragões, afirmei que, perante a hipótese de um sucesso estrondoso do FC Porto – ganhar o Campeonato sem derrotas, Liga Europa e Taça de Portugal –, seria muito difícil André Villas-Boas continuar no FC Porto, se um dos tubarões europeus o quisesse mesmo contratar. E logo nessa altura me pareceu que o maior perigo vinha do Chelsea (nunca acreditei na pista italiana), perante a mais que provável saída de Carlo Ancelotti.

Esta minha previsão/receio devia-se a um conjunto de razões:

1) A liquidez do Chelsea permite-lhe pagar, facilmente, a clausula de rescisão (15 milhões de euros são peanuts para Abramovich);

2) A multiplicação, por quatro ou cinco, do ordenado que André Villas-Boas aufere no FC Porto (a comunicação social de hoje fala num salário de 3,5 milhões de euros líquidos anuais);

3) O conhecimento já existente entre André Villas-Boas e o Chelsea, devido aos três anos que esteve em Londres, fazendo parte da equipa técnica de José Mourinho;

4) O facto de André Villas-Boas ser poliglota e, nomeadamente, fluente em inglês;

5) O aliciante, para o André Villas-Boas, de voltar pela porta grande e como treinador principal a um clube onde já esteve noutras funções;

6) A projecção, para o André Villas-Boas, de ir treinar um clube de topo da Premier League, o principal e mais mediático campeonato a nível mundial;

7) A necessidade urgente do Chelsea em iniciar um novo ciclo, reformulando um plantel gasto e algo envelhecido (Frank Lampard 33 anos, Didier Drogba 33 anos, Nicolas Anelka 32 anos, John Terry 30 anos, Ashley Cole 30 anos);

8) A disponibilidade financeira de Abramovich, que deverá colocar à disposição de André Villas-Boas um cheque chorudo para comprar meia-dúzia de jogadores de topo, incluindo alguns do FC Porto;

9) O desafio de superar o “pai” Mourinho e ganhar a Liga dos Campeões pelo Chelsea (um sonho antigo de Roman Abramovich);

10) A possibilidade de conviver com grandes personalidades do futebol e, quem sabe, até beber uma garrafa de vinho português de cada vez que jogar com Sir Alex Ferguson.

Por tudo isto, dificilmente o André poderia deixar de aceitar esta proposta do Chelsea, até porque, se o não fizesse, nada garante que na próxima época teria uma oportunidade igual. Assim, embora algo desiludido, compreendo a decisão de Villas-Boas, a quem desejo as maiores felicidades (menos, obviamente, em eventuais jogos contra o FC Porto).