Quase 31 anos depois da Final da Taça das Taças, da época 1983/84, no dia em que os dragões regressam a Basileia…
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| Adolf Prokop |
António Morais (adjunto de Pedroto, o qual, muito doente, ficou no Porto), em declarações no final do jogo
“Fomos espoliados por um árbitro da RDA, país onde se procuram divisas desesperadamente. Por isso, melhor era impossível…”
Fernando Gomes (capitão da equipa do FC Porto), em declarações no final do jogo
“É duplamente injusto [a UEFA suspendeu Zé Beto por um ano]. Depois do que aconteceu em Basileia, o FC Porto espoliado de forma vergonhosa, mais isto… É mentira que tenha dado pontapés ao fiscal de linha, que lhe tenha tentado dar com a bandeirola na cabeça, a ele e ao árbitro, foi disso que me acusaram. Se quisesse agredir um ou outro, ninguém me conseguiria deter, agredia mesmo.”
Zé Beto (guarda-redes do FC Porto), declarações feitas em 1984
“Fomos melhores. Esse lance [falta de Boniek que precedeu o 2-1] fez toda a diferença. O João [João Pinto] é carregado e fica fora da jogada. Fomos para o intervalo revoltados, a pensar no senhor Pedroto e nesse erro do árbitro”
Mike Walsh (avançado irlandês que, aos 64’, substituiu Jaime Magalhães), declarações feitas em 2015
«East-German Secret Police (Stasi) leader Erich Mielke made the Berlin team BFC Dynamo his personal toy and took care it won 10 Championships. He managed it by for instance securing a Stasi affiliated referee to take charge of its matches. It is documented that as a referee, Prokop helped BFC win a match in at least four instances. Prokop went on to become an OibE (Special Stasi Officer).»
Fonte: http://worldreferee.com/referee/prokop/bio
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| 16 de Maio de 1984, Final da Taça das Taças (foto: 'Filhos do Dragão') De pé (da esquerda para a direita): Eurico, Lima Pereira, Eduardo Luís, Jaime Magalhães, João Pinto, Zé Beto Em baixo (da esquerda para a direita): Vermelhinho, Jaime Pacheco, Sousa, Gomes, Frasco |
P.S. Arbitragem à parte, o FC Porto fez um grande jogo. A perder por 1-2, na segunda parte adiantou as linhas (como se diz agora), foi para cima da Juventus (expondo-se a alguns contra-ataques perigosos) e, durante largos períodos, os jogadores da equipa italiana nem passaram do meio-campo. O próprio treinador da Juventus, Giovanni Trapattoni, em declarações feitas no final do jogo, reconheceu isso mesmo: “Para nós [Juventus] foi muito difícil, nunca imaginamos que pudesse sê-lo tanto. O pressing do FC Porto, durante a segunda parte, exigiu-nos muito esforço e não menor atenção. Caíam em cima de nós e, quando tinham a bola, era muito difícil tirar-lha. Cheguei a sentir medo, muito medo…”
P.S.2 A equipa da Juventus era a base da selecção italiana que, dois anos antes, se tinha sagrado campeã do Mundo. Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli e Paolo Rossi foram titulares indiscutíveis dessa fantástica squadra azzurra a qual, no percurso para o título mundial de 1982, deixou pelo caminho a Argentina de Maradona, o Brasil de Zico, a Polónia de Boniek e a Alemanha de Rummenigge. A juntar a este lote de campeões do Mundo, o colosso de Turim tinha dois estrangeiros de top mundial: Zbigniew Boniek (o melhor jogador polaco de sempre) e Michel Platini (triplo vencedor do Ballon d'Or entre 1983 e 1985). Foi esta constelação de estrelas que, a 16 de Maio de 1984, o desconhecido FC Porto defrontou em Basileia e, como se não bastasse, os dragões ainda tiveram de enfrentar mais dois obstáculos de monta: a Juventus praticamente jogou em casa (pelo menos 4/5 dos espectadores eram adeptos italianos) e a UEFA nomeou um árbitro da antiga Alemanha de Leste que, pelos vistos, era um apaixonado por automobilismo…


