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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Basquetebol, sai o ex-adjunto...

Extracto de uma entrevista de Júlio Matos, pouco tempo após assumir o cargo de treinador principal, publicada no Jornal de Notícias de 10 de Julho de 2008:

[JN]: Quatro anos sem ser campeão não é muito tempo para o F.C.Porto?

[Júlio Matos]: Sim, concordo. O F.C.Porto entra em todas as competições para ganhar e quando isso não acontece, nunca é bom.

[JN]: Então, não o surpreendeu a saída de Alberto Babo?

[Júlio Matos]: Não. Nesta casa entra-se sempre para ganhar e estes foram dois anos em que só conseguimos vencer apenas duas competições. Não estamos preparados para isso.

[JN]: O F.C.Porto vai mudar muito com o Júlio Matos como treinador?

[Júlio Matos]: Sim, comigo vai ser diferente. Vou procurar implementar um tipo de jogo que crie mais espaços para os jogadores desenvolverem o seu basquetebol. A área restritiva está demasiada ocupada e tira alguma possibilidade de mostrar o talento dos jogadores. Por outro lado, vou fazer tudo por tudo, por exemplo, para que os jogadores menos utilizados até hoje possam ter o direito ao tempo de jogo.

[JN]: O que na época passada só aconteceu na fase final…

[Júlio Matos]: É verdade. Ao darmos tempo de jogo aos jogadores menos utilizados apenas na parte final da época estamos a lançá-los para a fogueira, estamos a criar mais pressão sobre eles. Esta é uma luta que eu vou ter para que esse direito ao tempo seja interpretado com satisfação por todos. É importante que, quando o jogador que é mais utilizado sair, perceba que aquele que o vai substituir está a dar-lhe tempo de descanso para que ele possa render mais quando regressar à equipa. E esse tempo de descanso tem que ser aproveitado pelo jogador que entra para ganhar os minutos necessários, e para que depois o entrosamento da equipa seja feito com harmonia.

[JN]: A política de contratações foi a mais correcta? Justifica-se, por exemplo, que a vaga de um norte-americano seja ocupada por um jogador que jogou tão pouco tempo como Brandon Payton?

[Júlio Matos]: Não é a melhor política claramente. Contratar um americano com um determinado custo para a secção e depois estar no banco o tempo que esteve. A opção pelo Brandon Payton não foi a melhor de facto.

[JN]: Consigo vai haver uma maior aposta na formação?

[Júlio Matos]: Sim, o objectivo da formação deste clube é lançar, dentro do possível, o maior número de jogadores formados na equipa sénior, para evitar gastar dinheiro para ir buscar outros. Nós temos que os fazer cá. Esta é a filosofia do clube. Isto não tem acontecido tanto como gostaríamos.

[JN]: Porquê?

[Júlio Matos]: Há um aspecto que eu vou alterar. Não podemos ver chegar de jogadores a júnior B ou A e estarmos a tirar, por exemplo, o jogador da posição dois para jogar a três. Não pode ser assim, porque com o tempo que ele demora a enquadrar-se naquela posição que queremos, perdemos o jogador. É isso que eu não quero que aconteça e é aqui que nós estamos a perder alguma eficácia no desenvolvimento da formação.

[JN]: As contratações do Daniel Monteiro e do José Almeida foram já escolhas suas?

[Júlio Matos]: Sim e são escolhas que vão tornar a equipa mais forte e equilibrada. O Daniel Monteiro foi um jogador que mostrou ser exemplar, como pessoa. Para além disso, este último ano exibiu uma qualidade acima da média, foi o segundo melhor base da época passada. O João Figueiredo, que é um base com uma qualidade acima, tem de ter no seio do grupo um jogador que lhe faça competição, porque sem ela, o Figueiredo, torna-se um jogador passivo. Já o José Almeida é um jogador que conheço das camadas jovens e que tem talento e características para poder evoluir.

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É de uma enorme indelicadeza, e até de falta de ética profissional, que um treinador, quando assume a responsabilidade de orientar uma equipa, faça este tipo de criticas tendo como alvo o treinador anterior. Contudo, no caso do Júlio Matos a coisa assume outra dimensão, porque ele era o adjunto do treinador dispensado, de quem supostamente era amigo e a quem devia solidariedade. Por isso, foi lamentável, para não dizer vergonhosa, a atitude que o Júlio Matos assumiu em relação ao Alberto Babo e que não passou despercebida aos sócios do FC Porto que acompanham os meandros da modalidade no clube.


Dez meses depois, em 15 de Maio de 2009, após o ano horribilis do basquetebol portista, Júlio Matos afirmou:

"Assumo a responsabilidade de tudo o que correu mal. Para além da minha dificuldade em gerir o grupo e os conflitos que existiram, também houve a praga de lesões que nos condicionou a época. (...) Tenho de agradecer a oportunidade dada por parte dos dirigentes do FC Porto, mas tenho de reconhecer que me faltou maturidade. Infelizmente, não fui capaz de dar mais êxitos ao clube por alguma inexperiência com treinador principal"

Faltou maturidade, faltou humildade, faltou autoridade e faltou competência. Em suma, faltou tudo aquilo que é necessário para alguém ser lider de um grupo.
É caso para dizer: entrada de leão, saída de sendeiro.

(continua)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O ano horribilis do basquetebol portista


15 de Julho de 2008. Num artigo que intitulei “Sai Alberto Babo, fica Júlio Matos”, escrevi o seguinte:
«Como treinador principal, no FC Porto e no Queluz, e apesar de nunca ter tido a possibilidade de treinar equipas de orçamentos elevados, [Alberto Babo] ganhou dois campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal, três Taças da Liga e três Supertaças, tendo sido eleito várias vezes treinador do ano»

Sobre o desempenho do FC Porto nas épocas 2006/07 e 2007/08, escrevi:
«Alberto Babo foi capaz de construir equipas competitivas, que conseguiu levar à final dos play-off, tendo de ambas as vezes obrigado a Ovarense a um sétimo jogo. Além disso, ganhou a Taça de Portugal na época 2006/07 e a Taça da Liga na época 2007/08.
É pouco?
Para a Administração da Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD parece que sim, que já escolheu para sucessor de Alberto Babo o seu antigo adjunto, Júlio Matos.»


Em 18 de Setembro de 2008, numa entrevista publicada no site Planeta Basket, o Director Geral do Basquetebol no FC Porto, Fernando Assunção, quando questionado sobre os objectivos da equipa liderada por Júlio Matos para a época 2008/09, respondeu o seguinte:

"Como sempre, o lema deste clube é tentar ganhar todas as provas em que entramos. Nem sempre isso é possível, mas essa é a nossa postura nas competições. A saída de Alberto Babo significou o fecho de um ciclo no clube. A escolha do seu sucessor foi um homem da casa, Júlio Matos."

Sobre o treinador que tinha escolhido para orientar a equipa nesta época, a opinião de Fernando Assunção era a seguinte:
"Como sempre gostamos de dar oportunidade aos nossos e o Júlio Matos é nosso há muito, muito tempo. No entanto gostaria de realçar que este predicado sendo relevante não é o mais importante. Essencialmente é a qualidade e a capacidade de trabalho e esses são predicados que não tenho dúvidas o Júlio Matos reúne em grande quantidade e por isso foi o escolhido."


Infelizmente, e conforme é sabido, era quase impossível o desempenho da equipa ter sido pior. Ao longo da época a equipa alternou as exibições entre o sofrível e o péssimo, vivendo na esmagadora maioria dos jogos da inspiração individual de alguns jogadores.
Júlio Matos nunca foi capaz de construir um colectivo forte e coeso (as lesões servem de atenuante mas não explicam tudo) e só in extremis o FC Porto conseguiu o apuramento para os play-off (os dragões ficaram em 8º lugar da fase regular).

A vitória no jogo 2, quebrando a invencibilidade do SLB em pleno pavilhão da Luz, ainda criou alguma ilusão, mas isso rapidamente foi desfeito nos jogos 3 e 4, ambos disputados no Dragão Caixa, com as equipas do FC Porto e do SLB a voltarem ao seu normal: de um lado os encarnados com rotinas ofensivas e defensivas bem oleadas e do outro um conjunto de jogadores, a envergarem camisolas azuis-e-brancas, perdidos dentro do campo, à espera de um momento de inspiração de um deles.

Seria fastidioso falar na sucessão de falhanços, alguns deles a roçar a infantilidade, da equipa do FC Porto nestes dois jogos, mas há coisas que me custam a perceber.
Por exemplo, como é possível que no jogo 3, os jogadores (profissionais!) do FC Porto tenham convertido apenas 10 de 25 lançamentos da linha de lances livres? Não treinam este tipo de lançamentos?
Como é possível que no jogo 4, o FC Porto tenha falhado as primeiras 16 (!!!) tentativas de lançamentos triplos?

No final do jogo 4, Júlio Matos afirmou:
Estamos fora. A época acabou. Agradeço a confiança da direcção e tenho pena de não ter chegado onde o clube merecia

Não tenho dúvidas do portismo de Júlio Matos, nem que ele terá feito o melhor que pode e sabe, mas parece-me evidente que a sua escolha para treinador principal terá sido um enorme erro de casting. Os resultados são inequívocos e, perante a pior época de que tenho memória, é óbvio que o Júlio Matos não tem condições para continuar a ser treinador do FC Porto. Estou certo que ele próprio terá consciência disso.
Mas é apenas a ele que cabem responsabilidades?
Então e quem achou que o ciclo de Alberto Babo tinha terminado e decidiu entregar a equipa ao seu adjunto, sabendo dos elevados riscos de tal opção, nomeadamente ao nível da autoridade (ou falta dela) do novo treinador principal perante jogadores com quem tinha um relacionamento muito “tu cá, tu lá”?

Fernando Assunção está ligado à modalidade e ao clube desde 1963 e, em Março de 1992, juntamente com o Dr. Fernando Gomes e com um grupo de antigos praticantes, contribuiu para que o Basquetebol não acabasse no FC Porto.
O trabalho desenvolvido nessa altura, quer ao nível dos escalões de formação, quer da equipa sénior (superiormente orientada pelo Professor Jorge Araújo), permitiu que o FC Porto construísse uma equipa alicerçada em jovens valores da casa – Rui Santos, Paulo Pinto, Nuno Marçal, Fernando Sá, João Rocha, etc. – e se sagrasse campeão na época 1995/96.

Na altura desta fornada de jogadores, o treinador-adjunto do Professor Jorge Araújo e treinador das camadas jovens portistas, onde ganhou N títulos em juvenis, juniores e esperanças, era Alberto Babo. Deve ter sido coincidência...

O que se passou esta época foi mau demais e não pode ser dissociado de duas decisões da esfera de responsabilidade de Fernando Assunção: a saída de Alberto Babo e a escolha de Júlio Matos para treinador principal.
Por isso, e porque o FC Porto não é o SLB (onde a culpa é sempre dos treinadores e dos jogadores e nunca dos dirigentes), é preciso que essas responsabilidades sejam assumidas por quem de direito e na sua plenitude.


Como sócio do FC Porto, estou grato ao Fernando Assunção, velha glória do basquetebol portista (venceu o campeonato nacional em 1971/72, numa equipa da qual também faziam parte Fernando Gomes, Alberto Babo e... Dale Dover!), por tudo aquilo que fez pelo Basquetebol do FC Porto mas, na minha opinião, está na hora de ele passar a bola e de renovarmos a direcção com sangue novo, novas ideias e redobrada ambição.

Fotos: www.fcporto.pt, 'Bibó Porto, carago'

terça-feira, 15 de julho de 2008

Sai Alberto Babo, fica Júlio Matos

No dia 24/05/2008 o website oficial do FC Porto publicou a seguinte notícia:
«Dragões falham conquista do título
Em tarde de desinspiração e alguma infelicidade, o F.C. Porto Ferpinta falhou o assalto ao título da liga profissional de basquetebol, perdendo, em Ovar, o sétimo e último jogo da final dos playoffs, por 70-49.
A perder por 15 pontos de diferença ao intervalo (41-26), a equipa de Alberto Babo procurou reverter a diferença na segunda metade, mas sem sucesso, dada a ineficácia revelada na linha de lances livres e a reduzida percentagem de êxito nos lançamentos triplos, que permitiriam encurtar distâncias para a Ovarense.»

Ao ler o modo como esta notícia tinha sido feita, suspeitei desde logo que a continuidade de Alberto Babo como treinador do FC Porto estava em causa. E não me enganei, porque apenas seis dias depois, no dia 30/05/2008, a F.C. Porto – Basquetebol, SAD emitiu o seguinte comunicado:

«A Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD informa que o vínculo laboral do treinador da equipa profissional, professor Alberto Babo, cujo prazo expira no final da presente época, não será renovado.
Após análise circunstanciada de todo o trabalho desenvolvido e ponderados diversos aspectos da relação existente, foi tomada a decisão de não prorrogar o contrato, por todos tida como a mais adequada.
A Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD gostaria, entretanto, de enaltecer o portismo, a dedicação e o empenho profissional sempre colocados pelo professor Alberto Babo ao longo destes anos na defesa dos interesses do clube, não só como treinador principal, mas também como responsável pela formação de muitos jovens atletas.
A Administração da Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD»


Alberto Babo tem um palmarés que fala por si.

Como jogador fez parte da célebre equipa que venceu o campeonato nacional em 1971/72, da qual também faziam parte Fernando Gomes (actual administrador das SAD’s do Futebol e do Basquetebol), Fernando Assunção (actual Director-Geral) e... Dale Dover!

Foi treinador-adjunto do Professor Jorge Araújo e treinador das camadas jovens portistas, onde ganhou N títulos em juvenis, juniores e esperanças.

Como treinador principal, no FC Porto e no Queluz, e apesar de nunca ter tido a possibilidade de treinar equipas de orçamentos elevados, ganhou dois campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal, três Taças da Liga e três Supertaças, tendo sido eleito várias vezes treinador do ano e sendo ainda detentor do recorde de vitórias consecutivas num campeonato profissional (27).

A nível internacional tem mais de 50 vitórias, entre as quais se destaca a caminhada até aos ¼ de final da Taça Saporta (substituiu a Taça da Europa de Clubes), em 1999/2000, comandando uma equipa do FC Porto que tinha jogadores como Jared Miller, Rui Santos, Paulo Pinto, Nuno Marçal, Fernando Sá, João Rocha, etc.

Para além de tudo isto, Alberto Babo é um cidadão do Porto (nasceu em Meinedo, freguesia do distrito do Porto), portista desde pequenino e sócio Nº 2548 do FC Porto.

Presumo, portanto, que este “divórcio” entre Alberto Babo e o FC Porto tenha partido da Administração da Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD.
Se assim foi, parece-me que isso revela alguma ingratidão, porque o trabalho que Alberto Babo desenvolveu nas últimas duas épocas é merecedor de uma apreciação muito positiva.

Apreciação positiva? Mas o FC Porto não perdeu os dois últimos campeonatos?

É uma forma de ver as coisas. Eu vejo as coisas de outra forma.
O FC Porto teve sempre um orçamento muito inferior ao da Ovarense Aerosoles, o que naturalmente se traduziu em planteis pouco profundos e de menor qualidade (as alternativas ficaram sempre aquém do valor do cinco-base). Por outro lado, o treinador viu-se obrigado a refazer a equipa todos os anos, porque o número de saídas e entradas foi elevado.

Apesar destes handicaps, Alberto Babo foi capaz de construir equipas competitivas, que conseguiu levar à final dos play-off, tendo de ambas as vezes obrigado a Ovarense a um sétimo jogo. Além disso, ganhou a Taça de Portugal na época 2006/07 e a Taça da Liga na época 2007/08.

foto: Taça da Liga 2007/08, site oficial do FC Porto

É pouco?
Para a Administração da Futebol Clube do Porto – Basquetebol, SAD parece que sim, que já escolheu para sucessor de Alberto Babo o seu antigo adjunto, Júlio Matos.

Nada tenho contra Júlio Matos. É um homem da casa, é portista e inclusivamente foi distinguido com a atribuição de um Dragão de Ouro na época de 1991/92, na categoria de atleta de alta competição.
Ao serviço do FC Porto ganhou, como jogador, três campeonatos, quatro Taças de Portugal e três Supertaças. Também no FC Porto, foi treinador-adjunto de Alberto Babo, Carlos Gouveia e Luís Magalhães.


Faço votos para que seja muito feliz e consiga fazer melhor que Alberto Babo, embora preveja que não vai ser fácil, a não ser que a Ovarense perca o patrocínio da Aerosoles e seja obrigada a desinvestir fortemente na modalidade.

Nota: Os negritos nas notícias e comunicados acima transcritos são da minha responsabilidade.