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domingo, 6 de novembro de 2011

Sir Alex Ferguson: uma Efeméride e uma Homenagem


Faz hoje precisamente 25 anos (6 de Novembro de 1986) que o então simplesmente chamado Alex Ferguson, treinador do Aberdeen, assinou contrato com um "gigante adormecido" do futebol inglês, o Manchester United, que não era campeão nacional desde 1967.

Este blogue, como o seu nome indica, dedica-se a assuntos portistas, mas o facto de gostarmos de futebol permite perfeitamente extravazarmos do mundo portista, ainda para mais quando se trata de enaltecer uma figura desse grande desporto.

Assim sendo, tenho o maior gosto em aqui render uma singela homenagem a este "monstro" do futebol mundial. Para termos uma perspectiva do tempo que transcorreu desde que Ferguson chegou a Old Trafford, basta dizer que foi na época do nosso épico triunfo em Viena contra o Bayern e na época em que o Everton foi pela última vez campeão de Inglaterra, ao arrecadar o seu 9º título nacional (perdoem-me ter aqui puxado a brasa à minha evertoniana sardinha).

Neste quarto de século, Sir Alex venceu 12 campeonatos de Inglaterra (de um total de 19 do Man. Utd.), 5 Taças de Inglaterra, 4 Taças da Liga Inglesa, 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça das Taças, 1 Supertaça Europeia, 1 Taça Intercontinental e uma Taça Mundial de Clubes da FIFA. De notar que, entre a sua nomeação como treinador do Man. Utd. e o seu primeiro título nacional mediaram 6 épocas, o que, em qualquer outra parte do planeta, há muito o haveria relegado para o obscurantismo.

E isto sem olharmos para o seu espectacular palmarés na Escócia, como treinador do Aberdeen (num campeonato cronicamente dominado por Celtic e Rangers): 3 títulos de campeão da Escócia, 4 Taças da Escócia, 1 Taça da Liga Escocesa, 1 Taça das Taças (em 1983, contra o Real Madrid) e uma Supertaça Europeia.

A grande equipa do F.C. Porto de 1983/84 cruzou-se com Alex Ferguson nas meias-finais da Taça das Taças: duas vitórias por 1-0, tendo sido o F.C. P. o primeiro clube a vencer em Pittodrie, campo do Aberdeen, numa prova europeia (quem não se lembra do famoso golo do Vermelhinho, saído do nevoeiro?).

Numa justa homenagem para assinalar a efeméride, o Manchester United acaba de baptisar uma das bancadas de Old Trafford como a "Bancada Sir Alex Ferguson", e brevemente será inaugurada uma estátua deste grande treinador junto ao estádio (tal como já sucede com outro monstro, Sir Matt Busby, treinador do clube entre 1945 e 1969).

Parafraseando um anúncio da Carlsberg, "provavelmente o melhor treinador do Mundo."

terça-feira, 16 de março de 2010

Um novo pastor para os mais impacientes

Por Miguel Lourenço Pereira (*)


Poucas vezes a vida oferece oportunidades para emendar a mão. Entrar numa encruzilhada acarreta em si dúvidas. Incertezas. Temores. Mas superado o nevoeiro, o que nos espera pode ser mais precioso que o pote de ouro no final do arco-íris.

O adepto portista é pouco paciente por natureza. Todos concordam que o ciclo de Jesualdo Ferreira chegou ao fim. Uns que já tinha chegado há muito. Outros, pura e simplesmente, que o ciclo nem devia ter começado. A realidade é que o actual técnico entra no restrito lote dos treinadores que mais tempo se sentou no banco azul e branco. Três anos. Uma ninharia. Para nós, portistas, uma imensidão. O futebol é um jogo de paciência para impacientes. Tanto nas vitórias como nas derrotas. É habitual caminhar pelo Dragão e ouvir adeptos falar de final de ciclos com treinadores que nem um biénio levam na casa. Pasme-se. Será uma questão cultural. Lembro-me, por exemplo, de um tal Alex Ferguson. Quando chegou a um decadente Old Trafford, o estádio de um clube que de grande só tinha o nome ganho vinte anos antes, ninguém suspeitava que pudesse mudar o destino do Manchester United do dia para a noite. E tinham razão. Demorou oito anos para ser campeão pela primeira vez. O ano passado somou o seu 11 título. Um recorde. Paciência. Uma virtude difícil.

O futuro desportivo do FC Porto depende grandemente da escolha que a direcção faça para o cargo de técnico. Não me vou meter em questões alheias ao aspecto desportivo. Há, neste espaço, melhores analistas que eu para analisar as contas e posturas da SAD. Mas serão contas sempre a ter em consideração, todos o sabemos. Mas o que é inevitável é o futuro difícil que nos espera. Com o segundo lugar como uma miragem difícil, parece claro que nos vamos ter de habituar à primeira ausência da Champions League pela primeira vez em oito anos. Lembram-se? Eu também. Haverá quem diga que desportivamente o FC Porto estava pior em 2002, quando chegou Mourinho. Discordo. Os títulos enganam. No caso do adepto portista, cegam. Nessa época havia um plantel repleto de jogadores de alto nível. Nem vale a pena nomear quem a memória não esquece. O novo treinador não terá a mesma sorte. Entre veteranos que jogam a contra-gosto, um exército de sul-americanos que tem chegado em formato de “contentor” e jogadores riscados por adeptos, direcção e pelos próprios colegas, o futuro técnico do FCP terá mais de um dilema. Há quase 60 jogadores emprestados. Quantos realmente servirão? Quem, do actual plantel, tem cabeça e maturidade para encarar um futuro sem certezas? E as vendas, esse negócio de risco que se tornou na nossa politica desportiva com os resultados à vista de todos? Sem grandes negócios em perspectiva e com o buraco financeiro que se avizinha não é descabido que a SAD venda o único activo de (real) valor actual do clube: Falcao.
Um tiro no pé que não difere muito do que se viveu no Verão passado. Mas que é possível. Portanto, no meio de tantos problemas, e sem a necessária paciência de os adeptos, que devemos esperar do novo treinador?

Sem avançar nomes por pura especulação, há algo que me parece claro. O novo treinador terá de ter duas características de difícil coexistência. Por um lado, deverá ter o carácter suficiente para se impor e unir um balneário despedaçado. E terá de ser, forçosamente, um potenciador de talentos. Um técnico habituado a trabalhar e lançar jovens. Com paciência para entender os seus erros e sabedoria para os encaminhar na hora certa. Sem dinheiro e com um plantel descompensado, será inevitável recorrer à formação. E, qual pescadinha de rabo na boca, voltamos ao principio. Há realmente oportunidades únicas na vida. O SL Benfica tem estrutura para se aguentar no topo um par de anos e o Sporting pode, perfeitamente, ser uma equipa diferente na próxima época. A competitividade que faltou – e enganou – nos últimos anos parece estar de volta. E isso vai exigir mais de quem precisa de tempo. E paciência. Os adeptos querem títulos. A SAD quer lucro. Só que, em lugar de repetir erros do passado, está na hora do FC Porto mudar de rumo. Apostar claramente numa politica desportiva a médio e longo prazo, onde os títulos são o instrumento e não apenas o fim. Pensar num técnico não só como o mero homem que aposte numa táctica dinâmica, que motive o balneário ou ganhe jogos com substituições certeiras. O novo FC Porto deveria ser, acima de tudo, um clube onde o técnico possa ter tempo e espaço para moldar um projecto ganhador. Uma nova táctica, um novo sistema, um novo colectivo. Uma nova postura pouco habitual neste rectângulo tristonho. Inovadores portanto. Como sempre fomos!

Dedicação, profissionalismo e atitude são exigências obrigatórias. Que seja o tempo a ditar o resto. Talvez seja a hora de procurar alguém capaz de remar nessas águas difíceis, esquecendo as estrelas de balneário e os apupos das bancadas ao primeiro tropeção. Alguém que entenda que a superioridade não se faz só de números. É uma questão de atitude. De raça. E disso entendemos nós!

(*) Durante a infância Miguel Lourenço Pereira cresceu a ouvir as lendas de Artur de Sousa, Hernâni, Pedroto e Oliveira. Viu aos ombros do pai chegar os heróis de Viena ao velho estádio das Antas que seria a sua segunda casa desde os dez anos. Entre noites europeias, visitas regulares aos Aliados e longas tardes de domingo, "doutorou-se" no catecismo portista. Agora, à distância de muitos quilómetros, sofre da mesma forma com que seguia cada lance junto à linha de fundo do novo Dragão.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

Foto: Alex Ferguson com o chairman do Manchester United, Martin Edwards, em 1986.