terça-feira, 31 de maio de 2016
Vergonha Diária
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Em memória dos que já partiram
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domingo, 20 de março de 2011
O tom, conteúdo e o contexto dos discursos (I)

Ao ler a sua frase recordei-me da máxima do Ministro Nazi da Propaganda, o qual defendia que, na propagação dos ideais, uma mentira dita mil vezes acabaria por tornar-se uma verdade.
Este pensamento veio-me à cabeça quando, recentemente, tive uma franca e educada troca de argumentos, num blog, com um benfiquista, que assumia abertamente estar contra o Presidente do seu clube, Luís Filipe Vieira, porque considerava que este estava a utilizar o mesmo método que Pinto da Costa nos inícios da década 80, quando este se tornou Presidente do FC Porto, e que foi, de acordo com a opinião desse benfiquista, um discurso incendiário e procurando “escolher um inimigo onde concentrar os ódios dos adeptos”.
Repliquei que ele estava enganado e que, fazendo uma análise objectiva e racional, nunca Pinto da Costa se afirmou no FC Porto e no panorama futebolístico nacional com discursos carregados de cólera e incitando ao ódio e intolerância contra outrem.
O argumento que esse benfiquista, descontente com o tom e o discurso de Luís Filipe Vieira, utilizava não corresponde à realidade dos factos e, portanto, para que essa falsa ideia – a da semelhança de tom e de conteúdo do discurso de Pinto da Costa nos inícios da sua presidência no FC Porto e do actual discurso de Luís Filipe Vieira – não se propague e se repita milhares de vezes tornando-se uma “verdade”, convém desmistificar, esclarecer e contextualizar os primeiros discursos de Pinto da Costa enquanto Presidente do FC Porto.
Quando Pinto da Costa iniciou a sua Presidência no FC Porto eu era ainda uma criança e só retenho vagas imagens na minha memória. Uma delas foi o facto de o meu Pai ter votado nele, pelo que só posteriormente examinei, através do que me relataram e de textos jornalísticos e biográficos que pude ler, os seus discursos, os quais de forma alguma podem ser classificados de “incendiários”, no sentido de apelar à violência. Mas, para os adversários do FC Porto, classificar de “incendiário” um mero discurso de afirmação e de apelo à vitória por parte Pinto da Costa e do FC Porto é uma velha táctica – usando uma retórica intimidativa – que serve para amedrontar, denegrir e impedir o crescimento de uma causa, nesta situação, de um clube.
Dizia-me esse benfiquista que não discutia a legitimidade dos discursos, quer o de Pinto da Costa, quer o de LF Vieira, apenas verifica que o método é o mesmo. Ora, eu considero que é necessário sempre analisar a legitimidade de uma causa, porque isso equivale a escolher entre o bem e o mal, e efectuarmos essa análise impede a prática de erros e o cometimento de juízos incorrectos. Aplicando este princípio ao assunto em questão, chegamos à conclusão que o discurso de Pinto da Costa de então – finais dos anos 70 e inícios dos anos 80 – estava contextualizado numa conjuntura política, social, cultural e desportiva acabada de sair do Estado Novo, na qual o SLB e o SCP eram protegidos porque eram clubes que mantinham relações privilegiadas com os poderes de decisão política, conjuntura que, dada a subsistência de um status quo na política desportiva, ainda se mantinha após o 25 de Abril, reflectindo-se na forma como as arbitragens beneficiavam o SLB e o SCP e prejudicavam o FC Porto, bem como, em certos “arranjos” de secretaria para impedir o crescimento do FC Porto.
Portanto, neste contexto, um discurso, vindo de Pinto da Costa e mesmo de José Maria Pedroto, que exigisse um sistema mais imparcial e transparente – em conformidade com o regime político recém estabelecido – no futebol em Portugal e denunciando “favores” e privilégios existentes, fazia sentido.
Para dar uma perspectiva mais ampla do contexto desportivo, social e cultural a que Pinto da Costa aludia nos seus discursos, realçando que o desfavorecimento e desprezo a que outras regiões do País, para além da capital, eram votadas era real e estrutural na política do Estado Novo, será importante mencionar aqui exemplos de outras personalidades que apontaram tal facto, como o General Humberto Delgado (natural de Torres Novas no Ribatejo) que, nas eleições para a Presidência da República em 1958, num comício realizado no Coliseu da cidade Invicta, alertou para a exclusão e abandono social, económico – e consequentemente desportivo acrescentaríamos nós – a que fora deixada a região Norte e concretamente a cidade do Porto. À saída do Coliseu diria ainda “esta gente do Porto, insubmissa à tirania (…) no Porto nasceu (…) o indomável espírito de luta que só terminará com o triunfo da liberdade em Portugal”.
A verdade é que, como o reconhecia um relatório do Governador Civil do Porto enviado ao Ministro do Interior em 1958, “o Porto aparece como o foco mais activo da Oposição em todo o País e nada indica que este estado de coisas se venha a modificar”.
Nestas circunstâncias entende-se que uma vitória de uma qualquer colectividade – social, cultural ou desportiva – da cidade Invicta fosse vista como inconveniente e perigosa pelo Estado Novo. Outro exemplo, que demonstra a desconfiança e temor que o Estado Novo passou a ter pelas iniciativas que provinham da cidade Invicta, é o caso do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, que em 1958, posteriormente às eleições para a Presidência da República, criticou o regime político, entre outras coisas, pela ausência de liberdades, ambiente de opressão e condições de vida miseráveis da população. Já depois do 25 de Abril, outra personalidade pública, Francisco Sá Carneiro, em Novembro de 1974, num discurso político realizado na cidade Invicta afirmou “a ditadura significou o declínio do Porto e o desprezo do Norte…”.
Mencionei aqui estas personalidades, não por qualquer preferência ou militância partidária da minha parte, nem por mera petulância, mas para demonstrar que um discurso – o seu tom, o conteúdo – vindo de Pinto da Costa nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80, exigindo critérios isentos no futebol e apelando às virtudes portistas, se inseria num contexto mais vasto de afirmação e crescimento da cidade Invicta, que o Presidente do FC Porto não era um fundador de qualquer movimento de luta regionalista, e que já anteriormente outras personalidades exigiam um revigorar das forças vivas da cidade. Aliás, o próprio Pinto da Costa viria, numa entrevista dada em 2000 ou 2001, a reconhecer sentir-se impressionado, no início da sua vida como dirigente desportivo, pelas personalidades atrás mencionadas, pelo exemplo ético que deixaram para o fortalecer das ambições da cidade Invicta.
Com este esclarecimento, quero dizer que o argumento utilizado pelos benfiquistas de que o discurso, nos anos 80, de Pinto da Costa, era “incendiário” porque era dirigido contra outros – quando apenas apelava à consolidação e crescimento do clube – não tem qualquer sentido ou lógica e é desprovido de fundamento nos factos e na realidade, porque esse argumento benfiquista equivaleria a afirmar que não existia desfavorecimento da região nortenha no tempo do Estado Novo e que as denúncias – feitas quer pelo General Humberto Delgado, quer pelo Bispo do Porto, ambas em 1958 – do desprezo pela região Norte e da existência de vastas injustiças em Portugal, eram mentira e falsas, e os motivos que levaram essas duas personalidades a afrontar o regime político da altura não possuíam qualquer legitimidade nem se apoiavam numa realidade factual.
(continua)
(*) Pedro Miguel Pereira, natural de Paranhos, actualmente a residir na Maia. Começou a sentir a paixão pelo FC Porto quando, em pequeno, começou a acompanhar o Pai nos jogos nas Antas, no tempo do Hermann Stessl e depois com o regresso de Pedroto. Foi nestas circunstâncias que passou a vibrar com as vitórias do FC Porto.
Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Pedro Miguel Pereira a elaboração deste artigo (1ª parte).
Foto: Glórias do Passado
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A propósito de Viena: Hermann Stessl
A deslocação do F.C. Porto a Viena trouxe à ribalta um nosso antigo treinador de nacionalidade austríaca, Hermann Stessl. Este antigo jogador do Grazer AK chegou cá em 1980 trazendo na bagagem dois recentes títulos de campeão austríaco pelo grande rival do nosso adversário de hoje, o Austria de Viena. E mais tarde, depois de deixar o F.C. Porto, conquistaria mais dois campeonatos da Áustria pelo mesmo clube. Além disso, levara o Austria à Final da Taça das Taças de 1977/78, que perdera (0-4) contra o Anderlecht, que por sinal nos eliminara nos quartos-de-final.
Mas pese embora o aparente bom augúrio de ser austríaco - coisa bem vista no clube desde que o bem-aventurado Béla Guttmann (austro-húngaro de nascimento) nos dera o título em 1958/59 (*) - a verdade é que Stessl (Stélce, em português do Tribunal das Antas) não chegou ao Porto na melhor das alturas. O Verão Quente das Antas estava ao rubro e coube ao desamparado austríaco substituir nada mais, nada menos, que José Maria Pedroto. E as coisas não lhe correram, de facto, pelo melhor, embora o constante ambiente de atrito que na altura se vivia no clube tenha de funcionar como atenuante. Na primeira época até conseguiu um segundo lugar a apenas dois pontos do campeão (o Benfica), mas na segunda cairia para o terceiro lugar -um dos três títulos do Sporting nos últimos 30 anos, com o Benfica em segundo. Em 1981 perderia também a Final da Taça de Portugal (3-1) para o Benfica, que nessa altura ainda fazia "dobradinhas".
Em Abril de 1982 Jorge Nuno Pinto da Costa foi eleito Presidente do F.C. Porto. Não era segredo para ninguém que José Maria Pedroto, nessa altura a treinar o Guimarães, regressaria ao clube se Pinto da Costa chegasse a presidente. E assim foi: no final da época Hermann Stessl e os seus adjuntos Ferdinand Smetana e Hernâni Gonçalves rescindiram "amigavelmente".
No fundo, e sem que isso fosse culpa dele, pode dizer-se retrospectivamente que Hermann Stessl serviu no F.C. Porto de tapa-buracos enquanto o Zé do Boné não regressava. Não se pode dizer que o seu futebol algum dia tenha empolgado os adeptos, mas dele ficou a imagem de um homem sério e cortês. Ainda haveria de passar pelo Boavista e pelo V. Guimarães, mas sem fazer história.
Hoje em Viena quase me arriscaria a dizer que Stessl estará a torcer pelo F.C. Porto. Não faltam motivos...
(*) Aquando da contratação de Hermann Stessl, Pinto da Costa, na altura na "oposição", desabafaria: "Estava a ver que o Dr. Américo Sá ainda ia desencantar mais uma vez o Béla Guttmann numa qualquer esquina de Viena!" (Guttmann voltara ao clube pela mão de Américo Sá em 1973, com 73 anos de idade, e contava na altura 80 anos).
Foto: Blogue "Paixão pelo Porto"
domingo, 22 de agosto de 2010
Há 30 Anos...o "Verão Quente das Antas"

Passam este ano 30 anos sobre o famoso Verão Quente das Antas, um acontecimento - ou série de acontecimentos - de grande importância na história do clube. Mas não pretendo historiar aqui em pormenor os eventos desse conturbado Verão, até porque a generalidade dos leitores do Reflexão Portista decerto os conhece muito bem.
Resumidamente, o que se passou foi o Presidente Américo Sá, ao iniciar novo mandato, ter substituído Jorge Nuno Pinto da Costa na chefia do Departamento de Futebol (por Luís Teles Roxo), e José Maria Pedroto ter reagido com violência e apresentado a sua demissão, no que foi acompanhado pela equipa técnica e não só. Quando começou a pré-época de 1980/81, sob o comando do austríaco Hermann Stessl, grande parte do plantel, em solidariedade com Pinto da Costa e indirectamente instigado por Pedroto, boicotou os treinos, que passou a fazer à margem, no Pinhal de Santa Cruz do Bispo, sob a orientação de Hernâni Gonçalves, o Bitaites. As coisas acabaram por se compor e os jogadores regressaram às Antas, com a excepção da estrela da companhia, António Oliveira, o qual, mercê dos bizarros regulamentos de então, conseguiu libertar-se do contrato que tinha com o clube e apareceria pouco tempo depois como treinador-jogador do Penafiel (e na época seguinte rumaria a Alvalade).
Mas os dois anos de mandato que o recém-reeleito Dr. Sá tinha pela frente não haveriam de ser coisa doce e em 1982 Jorge Nuno Pinto da Costa seria eleito presidente pela primeira vez, sem opositores (o antigo presidente Afonso Pinto de Magalhães também se candidatara, mas desistiria antes da votação).Fundamentalmente, os acontecimentos de 1980 foram uma revolta contra o que na aparência seria um regresso a um passado em que o F.C. Porto era pacato e timorato e se deixava intimidar com a travessia da Ponte D. Luís. José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa, para mim, e decerto para muitos, as duas maiores figuras da história do clube, tinham alterado radicalmente a estrutura e postura da secção de futebol e, por inerência, do próprio clube, nas mais diferentes frentes de batalha. O clube fora campeão dois anos consecutivos após 19 anos de jejum, e falhara o tri por entre habilidades que os Eduardos Barrosos, Dias Ferreiras e Ruis Oliveira e Costas deste mundo decerto há muito esqueceram (foi o Sporting o campeão em 1980). Todo esse trabalho parecia ameaçado.
Américo Sá teve, contudo, um grave erro de cálculo: pensou que Pedroto continuaria a treinar o clube e se alhearia das questões directivas. Enganou-se redondamente. O Zé do Boné foi a voz da revolta e mais uma vez mostrou o seu carácter. Bateu com a porta e abriu a boca.
Os anos passaram, a coisa sarou, o próprio Pinto da Costa, numa atitude de grande estadista do clube, sempre tratou com grande respeito o seu antecessor (foi um dos que, inclusivamente, lhe pegaram no caixão aquando do seu funeral) e com isso - e com a sua triunfante gestão, claro - conseguiu unificar a massa adepta, que tinha ficado profundamente dividida com os eventos do Verão Quente. Sim, não se pense que os opositores do Dr. Sá em 1980 faziam a unanimidade: o tempo é que se encarregou de lhes dar razão e a maioria.
José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa nunca se importaram de estar até numa minoria de uma só pessoa, se em causa estivessem questões de princípio.
Ao alto: 1976: ladeado por Américo Sá e Jorge Nuno Pinto da Costa, José Maria Pedroto assina contrato com o F.C.P., pondo termo a um "exílio" de 7 longos anos
Ao meio: António Oliveira, "Sandokan das Antas", um dos maiores produtos de sempre da formação do F.C.P., campeão nacional pelo clube como jogador e como treinador.
sexta-feira, 7 de março de 2008
1978–2008: 30 anos de um título histórico (I)

Perfazem-se este ano 30 anos sobre aquele que acho – por aquilo que veio a representar no futuro - ter sido o mais importante título da história do FC Porto e, simultaneamente, sobre o fim da segunda – e maior – “travessia do deserto” do FCP.
De facto, após o interregno 1940 – 1956, quebrado pelo inolvidável Dorival Knipel, “Yustrich”, houve outro grande interregno, o de 1959 – 1978, coisa de que os portistas com memória histórica não precisam, decerto, de ser recordados! Mas é caso para dizer, trinta anos passados, que desta vez se revelou bem verdadeiro o ditado segundo o qual não há fome que não dê em fartura!
Na mitologia portista esses interregnos, principalmente o segundo, ficaram a dever-se principalmente à acção de tenebrosas forças inimigas que, ano após ano, conspiravam com sucesso para frustrar os nossos expectáveis triunfos. Não deixa de haver alguma verdade nessa mitologia – toda a mitologia tem uma base real – mas aceitá-la acriticamente é confundir a árvore com a floresta. E menosprezar o papel dos grandes obreiros dessa transformação.
Anos houve nessa nossa segunda travessia do deserto, de facto, em que os apitos (que à época não eram dourados) poderão ter tido decisiva influência nas posições finais, mas no essencial fomos vítimas de uma gestão amadora e provinciana, e era bom, penso eu, que disso nos capacitássemos, quanto mais não seja para evitar repetições do fenómeno (e também, diria, para não fazermos a mesma figura que actualmente fazem os nossos principais adversários…).
Também a suposta nefasta influência do Prof. Dr. António de Oliveira Salazar (!), provavelmente, diga-se, um dos políticos que, juntamente com o Dr. Mário Soares e o actual Presidente da Republica, Prof. Aníbal Cavaco Silva, menos percebia ou ligava ao futebol, é frequentemente apontada, especialmente por aqueles que não viveram esses tempos e, como tal, preferem confortar-se com os mitos da História, como determinante nesses anos de frustração. Muitas críticas haverá, porventura, a fazer ao legado histórico daquele estadista (e outros dirão que louvores haverá também a fazer-lhe), mas não me parece que as de índole desportiva tenham peso suficiente para serem aqui levadas em conta.
Sem dúvida que o SLB beneficiou de uma certa protecção do regime do Estado Novo, mas – deve perguntar-se – e em relação ao actual regime? Será que as coisas estão melhores? Não vou alongar-me sobre esse aspecto, que não é o tema desta crónica. Apenas pretendo colocar as coisas em perspectiva, além de que sempre detestei a postura de “vítima”, da qual aqueles fulanos de Lisboa, por um nosso conhecido confrade alcunhados de “calimeros”, são um magnífico exemplo. Eles “são bem geridos”, eles “jogam o melhor futebol”, eles “são os mais honestos”, mas – maldição! – eles são uns contumazes perdedores!
Mas voltemos ao tema da crónica. O título de 1978 – o primeiro que o autor destas linhas festejou, já que, aquando do de 1959, tinha apenas 4 ½ anos – não surgiu do acaso, como aliás os anos e décadas seguintes largamente demonstraram. De facto, desde meados da década de setenta que se notava que algo de novo mexia no FC Porto. Já não falo da espantosa contratação do grande Teófilo Cubillas na época de 1973/74, já que a mesma foi essencialmente uma excepção numa regra demasiado árida no campo dos reforços até essa altura.
Mas depois disso, e nas épocas de 1974/75 e 1975/76, ainda sob a presidência do Dr. Américo Sá (1972/1982) e com homens como Jorge Vieira (o grande responsável pela contratação de Cubillas) á frente do Departamento de Futebol, o FC Porto fez um grande esforço – até aí nada usual – no reforço do seu plantel, tendo contratado jogadores como Tibi, Adelino Teixeira, Alfredo Murça, Carlos Simões e Octávio Machado que estariam – com excepção do primeiro – todos ligados ao título de 1977/78. Note-se que estamos a falar de jogadores que em tempos anteriores teriam provavelmente rumado a Benfica ou Sporting: Murça jogava no Belenenses e Octávio no V. Setúbal (clubes do Sul), Simões na Académica – para onde perdêramos alguns jogadores (como Artur Jorge), mas onde nunca tínhamos ido buscar ninguém de “peso” - e Tibi e Teixeira actuavam no Leixões, um nosso “querido vizinho” que fornecia alegremente Benfica e Sporting (onde é que eu já vi isto?). Ou seja: com estas contratações quebrou-se um paradigma. Os melhores jogadores já não tinham, necessariamente, de ser contratados apenas por Benfica e Sporting, mesmo que se tratasse de jogadores do Sul.Mas faltava a esta boa sementeira uma boa “gestão agrícola”. Essa não tardaria.

