Completaram-se este ano trinta anos do nosso titulo de campeões nacionais em 1984/85, uma efeméride que passou praticamente despercebida. Mas esse título foi importantíssimo, a vários níveis.
No historial do F.C. Porto, bem como no imaginário dos adeptos que conhecem a história do clube, o título de 1977/78, quebrando o famoso jejum de dezanove anos, acabou por fazer esquecer o significado de outros títulos nacionais posteriores. Mas a vitória no campeonato de 1984/85 teve vários significados muito importantes:
1. A verdade é que, em 1984/85 quebrámos outro "mini-jejum", que já vinha de 1979, ano do segundo título de José Maria Pedroto;
2. Tratou-se do primeiro título de campeão nacional de Jorge Nuno Pinto da Costa como presidente, o que lhe permitiu cimentar a sua posição de líder e calar as últimas vozes que ainda não tinham digerido o "Verão Quente das Antas" de 1980;
3. Foi também o primeiro titulo de campeão nacional de Artur Jorge, à sua primeira tentativa, e quando muita gente ainda exibia dúvidas quanto à sua capacidade;
4. Provou-nos que podíamos ganhar sem Pedroto. O grande Zé do Boné partira deste mundo em Janeiro de 1985, a meio dessa época, portanto. Nos vinte cinco anos anteriores só ele tinha ganho alguma coisa no F.C. Porto: dois campeonatos e três Taças de Portugal;
5. Mostrou a nossa renovada capacidade de fazer das fraquezas forças: no defeso anterior a essa época, o Sporting, servindo-se de uma cláusula muito portuguesa no contrato colectivo dos futebolistas (ainda existe contratação colectiva para eles?) tinha desviado dois nossos fundamentais jogadores, António Sousa e Jaime Pacheco. Tivemos que lançar às feras duas recentes contratações, Quim e André, os quais responderam magnificamente. Mas, mais que isso, servindo-nos da mesma bizarra cláusula, retaliámos, subtraíndo ao Sporting um dos maiores talentos de sempre do futebol português, o nosso caro e sempre estimado Paulo Futre.
O título de 1984/85 tem vários "pais", claro: Pedroto, cujo trabalho estivera na base dessa grande equipa, Jorge Nuno Pinto da Costa, homem de sangue frio e galharda atitude nessas difíceis circunstâncias, Octávio Machado, treinador-adjunto de grande gabarito, mas, fundamentalmente, o homem do leme, o técnico que, dois anos depois, nos faria agarrar o "grande caneco" numa célebre noite em Viena: Artur Jorge.