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sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Lopetegui, ficar ou não ficar?

Julen Lopetegui foi um erro. 
Não vale a pena recordar que isso foi dito aquando da sua nomeação. Foi um erro então. É um erro agora. A sua falta de experiência aliou-se, com o tempo, com a sua falta de estofo. Foi evidente na ausência de características que definem um treinador de nível. Lopetegui nunca conseguiu criar um estilo de jogo constante e coerente. A equipa exibiu-se a grande nível na Champions, no ano passado (e no jogo contra o débil Chelsea, no Dragão) mas na liga nunca convenceu ninguém. O plano A de Lopetegui era um rascunho e nunca passou disso. O plano B, o C e até o D de Stamford Bridge foram erros graves. Lopetegui não perdeu o título por ser incompetente no ano pasado. Num ano normal, sem #Colinho, o FC Porto teria sido campeão nacional. Mas isso seria apenas natural, inercia de um grande plantel onde o investimento foi mais relevante do que se quis assumir. Afinal, para um clube como o FC Porto dos últimos 30 anos o título já surgiu com equipas piores e treinadores medianos, graças à inteligencia e força de uma estrutura que já não existe. Mas nem graças a essa inercia Lopetegui driblou os escândalos arbitrais do ano passado, representado perfeitamente pela sua inoperância nas viagens à Madeira, no jogo em Belém e, sobretudo, no jogo na Luz onde o Porto que devia procurar a vitória contentou-se em lamber as feridas do desastre de Munique. O navio tremeu mas não afundou mas vamos em Dezembro de 2015 e o Sporting – com o mesmo e sobrevalorizado treinador rival e com um investimento inferior – continua à frente de um Porto igualmente titubeante e sem ideias. Faltam cinco meses para acabar a época. Que fazer com Lopetegui?

Para mim – para muitos portistas e para muitos elementos dentro do clube – a saída do treinador basco é inevitável. Que suceda entre Dezembro e Junho será, sobretudo, fruto das circunstancias. O projecto falhou. A culpa não é só de Lopetegui. Que fique claro. O problema é mais profundo e está uns andares acima na pirámide do clube. A mudança do treinador pode, na prática, nem sequer mudar nada quando o Porto continuar a enviar agentes contratados por fundos para negociar em seu nome, a adquirir jogadores sabendo que não os vais pagar utilizando o clube como montra de exibição para aranhar um lucro que não é suficiente para evitar sucessivos empréstimos bancários a instituições misteriosas e, irónicamente, associadas aos mesmos fundos. Num cenário onde o balneario é uma porta aberta a quem quiser entrar, onde não há elementos diferenciáas, referências de cordura, espirito de grupo e ambição, que pode outro treinador fazer? Quando a aposta na formação – lembram-se que vinha o treinador da excelente, porque era excelente, campeã europeia sub21 para lançar uma série de putos aos leões – continua a estar mais na prática que no papel porque o plantel se enche de segundas e terceiras escolhas para fazer negócio, que pode fazer o treinador?
Tudo isso é verdade, seja o homem da “cadeira de sonho” de todos nós Lopetegui, Vitor Pereira, Paulo Fonseca ou o senhor X. Mas Lopetegui contribuiu, e muito, para estar na situação emocional com adeptos e jogadores em que está. Se a conjuntura já não era favorável, o seu trabalho foi nefasto a distintos niveis e o seu futuro ficou assim comprometido por muitas juras de amor de Pinto da Costa a jornais espanhóis que ele possa ler.

Os problemas de Lopetegui são vários. 
A conexão com os jogadores é nula e isso que rodeou o balneario de futebolistas conhecidos numa das maiores sagas de importação da história do Porto de outro país ou cultura futebolistica desde os anos da escola de Samba do virar do século. Tacticamente já demonstrou ser um inepto a distintos niveis, de treino, de ideia de jogo e, sobretudo, de adaptar a equipa a todas as circunstancias, positivas e negativas. Se o Porto se coloca a ganhar, tudo bem. Se o Porto se apanha a perder, ai Jesus. Se o Porto está empatado, rezem por um milagre porque a luz nunca virá do banco. Em ano e meio, nunca veio. Lopetegui é responsável disso tudo mas também conseguiu destroçar o excelente capital de apoio conseguido nos primeiros meses quando foi o primeiro a insurgir-se contra o #Colinho – com o clube calado – pela sua constante falta de auto-critica que já roçou a ignorância. Há sempre culpados, sempre desculpas, sempre justificações. Só que nunca é nada com ele. O triunfo da possessão e o azar do golo inaugural do Chelsea parecem ser, na cabeça do treinador e no seu discurso, a justificação de um dos maiores desastres tácticos da história do clube. É apenas um de muitos exemplos. Um problema que não tem solução.



E portanto, que fazer?
1) Ficar com Lopetegui até Maio e começar já a trabalhar no futuro? 
2) Despedir Lopetegui agora para encontrar uma solução de futuro com impacto imediato? 
3) Repetir o cenário com Paulo Fonseca e pensar na transição com outro nome enquanto o futuro se desenha longe do terreno de jogo?

São três cenários que estão sobre a mesa agora mesmo na SAD e na cabeça de todos os portistas. Nada vai acontecer – salvo que Lopetegui bata com a porta de forma clara e inequívoca – até ao jogo de Alvalade. Sair com a liderança da casa do mais directo rival será um golpe de efeito importante. Qualquer outro resultado (até o empate) é abrir ainda mais uma ferida com adeptos e balneario difícil de curar. Lopetegui tem de ser implacável em liga até Janeiro e conseguir demonstrar que tem todos a remar na mesma direcção para que a necessidade de uma mudança brusca não se torne ainda mais evidente. Mas claro, quem toma conta do seu lugar?
O clube maneja agora mesmo uma lista de futuriveis com André Villas-Boas à cabeça. Mas AvB – que já anunciou que a partir de Junho quer voltar a Portugal – não vai ficar livre até o Zenit cair da Champions League, ou seja, provavelmente a fins de Março. Outro nome na mesa, Mircea Lucescu, não irá querer deixar o Shaktar a meio caminho. Mais fácil seria atrair Pedro Martins, treinador do Rio Ave e outro menino bonito de Pinto da Costa, para tomar controlo já da nau. O grupo mais associado a Mendes prefere claramente Nuno Espirito Santo, actualmente desempregado. 
Há três nomes falados que estão fora de qualquer equação. Marco Silva não pode nos próximos dois anos treinar em Portugal por uma cláusula assinada. Leonardo Jardim não quer voltar a Portugal e quando sair do Monaco será para a liga espanhola ou inglesa. Paulo Sousa quer triunfar em Itália e a voltar a Portugal a sua preferencia é, claramente, assinar pelo Benfica. Todos estes nomes – salvo talvez AvB – difícilmente entusiasmam os adeptos e apenas dois deles teriam condições para pegar agora na equipa. Vale realmente a pena entregar de novo o plantel a Luis Castro, depois da sua (falta) de provas aquando do fim da experiencia Fonseca? 
Só com um cenário insustentável, como foi esse, essa opção pode fazer qualquer sentido.

Com os principais candidatos a estarem livres em Junho, com Luis Castro como referencia pouco fiável, a permanência de Lopetegui até Maio tem toda a lógica. Mesmo entendendo que o basco não é um bom treinador – e muito menos um bom treinador para o clube -  o cenário actual não convida ainda ao drama. O titulo é perfeitamente alcançável e deve ser, cada vez mais, a prioridade. Há plantel com qualidade suficiente para ser campeão nacional e o Sporting é um rival que já demonstrou que vive no fio da navalha na maioria dos jogos. Algum dia terá de tropeçar na sua própria ausência de ideias. Lopetegui começou o projecto e deve terminá-lo mas não o pode fazer só. Urge que a SAD tome públicamente uma decisão e apoie o treinador numa mensagem para tranquilizar os adeptos e, sobretudo, os jogadores. Lopetegui tem de sentir esse apoio de quem o elegeu, o elogiou e deu tudo o que pedia, e os jogadores devem saber que por muito que se rebelem, o cenário não vai mudar. Salvando as distâncias, naturalmente, Pinto da Costa tem de emular a Berlusconi - para bem do clube - quando este baixou ao balneario do San Siro, nas primeiras – e contestadas semanas de Arrigo Sacchi – disse aos jogadores a mitica frase “o treinador é escolha mina, foi escolha mina e continuará a ser escolha minha e ficará aquí para lá do próximo ano…já vocês, não sei!”.

Não há um conto de fadas com final feliz. 
A minha sensação pessoal é que Lopetegui deve ficar por isso mesmo, assumindo (tanto ele como as pessoas responsáveis pela sua contratação) todas as consequências no final da temporada, sem que o clube deixe, paralelamente, de procurar um rumo de sustentabilidade futura com outro homem do leme.

O título de campeão não vai salvar a posição de Lopetegui no clube e com os adeptos mas pode permitir uma saída menos traumática e menos negativa para uma instituição que apostou muito nele. Lopetegui foi uma eleição pessoal de Pinto da Costa e o seu fracasso é também uma mancha no currículo do presidente que iria no seu segundo treinador consecutivo a sair antes do final do ano. Seguramente um cenário que quer evitar. Para isso tem de tomar uma posição, apostar todas as fichas (e reputação) na sua aposta pessoal e fazer todos os esforços para que o clube até Junho trabalhe na mesma direção mesmo sabendo que no próximo ano talvez a nostalgia do pasado injecte algo do optimismo perdido em relação ao homem que ocupe a “cadeira de sonho”. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Tiros e tiros

Ao contrário do que possa parecer, a aposta no Paulo Fonseca, pouco ou nada tem a ver, com aquelas que foram feitas nos então desconhecidos/inexperientes José Mourinho (JM), André Villas-Boas (JM), ou até mesmo, Vítor Pereira (VP). Ao contrário destes, o Paulo Fonseca (PF) teve, antes de chegar ao Porto, experiência zero num clube de dimensão semelhante - mesmo como jogador, e embora tenha pertencido aos quadros do FCP (sem nunca ter vestido a camisola), nunca chegou mais longe do que o Vitória SC.

Antes de chegar ao FCP como treinador principal, Mourinho fora adjunto de Bobby Robson e Van Gaal, no SCP, FCP e Barcelona, para além de ter cumprido um curto período como treinador do SLB. AVB foi "adjunto" de Mourinho, no FCP, Chelsea e Internazionale (e chegou "trabalhar" com o Bobby Robson, também no FCP). O VP, foi adjunto do AVB, (apenas) no FCP, e foi visível que enquanto treinador principal, teve "aprender no cargo". O PF, desconheço de quem tenha sido adjunto, mas certamente não foi no FCP, no Barcelona, no Chelsea ou sequer no Braga ou Boavista; aliás, há quatro anos, era treinador do Pinhalnovense.

Pode parecer um pormenor sem importância, mas uma época que seja como adjunto, num clube como estes, não permitirá um crescimento e evolução de que o PF nunca pôde usufruir? Tivesse tido tal oportunidade de aprender, e talvez tivesse pensado melhor antes de, por exemplo, decidir mudar aquilo que estava bem e que estivera na base da vitória dos 3 últimos campeonatos. Poder-se-á dizer que o PF, nunca teve oportunidade de aprender com os erros dos outros - nem parece interessado em aprender com os seus.

Só se pode especular sobre quem tomou a decisão de contratar o PF, mas certo é que a ânsia de descobrir o novo "Mourinho" ou "Villas-Boas", pesou mais que as reais necessidades do clube. E pelo visto até aqui, essas apostas, as bem sucedidas, não são os "tiros no escuro" (ou as epifanias só ao alcance do Pinto da Costa) que parecem ser à primeira vista - o JM, o AVB e o VP, já tinham experiência prévia no FCP, e eram já conhecidos na casa, antes de chegarem a treinadores principais. Posto isto, a hipotética contratação do Marco Silva, tal como a do PF, mais que um "tiro no escuro", corre o sério risco de ser mais um "tiro no pé".

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um “plantel fraco”


É assumido e faz parte do modelo de gestão desportivo-financeira da SAD a valorização de jogadores e a posterior venda dos respectivos direitos económicos. Aliás, as mais-valias resultantes das transferências de jogadores têm sido, ao longo dos últimos anos, a principal rubrica em termos de receitas (quase “operacionais”) da SAD.

Sendo esta a regra (conhecida por treinadores, jogadores e adeptos), não foi surpresa que, no defeso entre a época 2008/2009 e a época 2009/2010, a FC Porto SAD tenha vendido os passes de alguns dos principais jogadores da equipa. No caso, os jogadores transferidos foram o lateral esquerdo Cissokho, o médio Lucho Gonzalez e o avançado Lisandro López.
Para tentar colmatar estas saídas, foram contratados Álvaro Pereira (ao Cluj), Fernando Belluschi (ao Olympiakos) e Radamel Falcao (ao River Plate).

Entre os adeptos portistas, não faltou quem dissesse que, perante estas saídas e entradas, o plantel da época 2009/2010 era mais fraco que o da época anterior, sendo essa uma das razões apontadas para o FC Porto ter terminado esse campeonato na 3ª posição.

Um ano depois a história repetiu-se. No defeso entre as épocas 2009/2010 e 2010/2011, a FC Porto SAD voltou a alienar dois dos “esteios” da equipa - o defesa central Bruno Alves e o médio Raul Meireles -, tendo sido contratados o argentino Otamendi e João Moutinho.

Mais uma vez, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz, alegando que, além do plantel ter ficado “obviamente mais fraco”, tinha também sido amputado de duas das suas referências (um deles o capitão Bruno Alves).
Hoje é fácil dizer que Moutinho é “insubstituível”, mas eu recordo que, no Verão de 2010, Raul Meireles era considerado o melhor médio da Seleção, enquanto que a “maçã podre” nem sequer fez parte do lote dos 23 que, nesse Verão, representaram Portugal no Mundial da África do Sul.

Vejamos então:
Se o plantel da época 2010/2011 era pior que o da época 2009/2010, o qual, por sua vez, já era pior que o da época 2008/2009;
se do plantel da época 2010/2011 faziam parte jogadores como Sapunaru, Maicon, Guarín ou Varela, entre outros, a quem, na época anterior, não era reconhecido valor para terem sido contratados e integrarem o plantel do FC Porto;
como é que foi possível, com estes jogadores e um “plantel fraco”, alcançar os inesquecíveis sucessos desportivos que foram obtidos na época 2010/2011?
Deve haver alguma explicação...


Chegados a 2013/2014, e seguindo um raciocínio semelhante ao que foi efectuado nos defesos que antecederam as épocas 2009/2010 e 2010/2011, há novamente quem diga que o plantel desta época é fraco. Pois eu discordo.

Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo ou Quintero, entre outros, são fraquinhos e não têm valor para integrar o plantel do FC Porto?
Eu discordo.

Reconheço que, esta época, quase todos parecem muito maus mas, daqui a um ano, veremos se a opinião da maioria dos adeptos portistas em relação aos jogadores que fazem parte do plantel 2013/2014 é a mesma.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O slb de JJ contra o FCP

Jorge Jesus (JJ) vai na sua 5ª época como treinador do slb e não se pode dizer que, nas quatro épocas anteriores, se tenha superiorizado nos confrontos directos com o FC Porto, bem pelo contrário.
De facto, entre as épocas 2009/10 a 2012/13, descontando a Taça da Liga (que é, claramente, a competição menos importante do panorama futebolístico português) e também retirando destas contas a derrota dos encarnados na Supertaça e a eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal, ambas na época 2010/2011, nos oito jogos para a principal competição nacional - o CAMPEONATO -, Jorge Jesus apenas venceu o FC Porto uma vez.

E, há que o lembrar, essa única vitória, pela margem mínima, foi manchada por episódios tristes.
Dentro do campo, na jogada do único golo do desafio, há um fora-de-jogo "quilométrico" de Urreta (comparado com este, o contestadíssimo fora-de-jogo de Maicon é uma brincadeira), que não foi assinalado.
Após o final do jogo, ocorreram os célebres incidentes envolvendo stewards do slb e jogadores do FC Porto, que motivaram a suspensão de Hulk e Sapunaru durante três meses.

Em resumo, em jogos para o campeonato, o saldo de Jorge Jesus era o seguinte:
- 1 vitória (por 1-0), no seu primeiro clássico contra o FC Porto;
- 2 empates e 5 derrotas, nos sete jogos seguintes.

Jogos para o campeonato entre o slb de JJ e o FC Porto (fonte: zerozero)

Mais. Nestes sete jogos para o campeonato (épocas 2009/10 a 2012/13), contra o slb de JJ, o FC Porto obteve um total de 19 golos e marcou sempre, pelo menos, dois golos por jogo!

No domingo passado, mais de quatro anos após a anterior e única derrota (para o campeonato) contra o slb de JJ, não foi apenas a exibição da equipa azul-e-branca que foi uma nulidade. O marcador, do lado dos andrades (a jogar desta forma nem sombra de dragões), também voltou a ficar a zero.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As entrevistas de O JOGO

Desde que saiu do FC Porto, quantas entrevistas (a maior parte delas exclusivas) é que O JOGO já publicou de André Villas-Boas? Sinceramente, já perdi a conta.

Obviamente, percebo o forte interesse jornalístico de um jornal como O JOGO, publicar entrevistas com ex-treinadores do FC Porto.

Mas, precisamente por reconhecer o interesse jornalístico e saber qual é o principal público-alvo do único jornal desportivo que tem a sede no Porto, surprende-me que O JOGO não publique entrevistas com o último dos ex-treinadores do FC Porto, até porque, que me lembre e desde que saiu do FC Porto, Vítor Pereira já deu entrevistas extensas ao Maisfutebol (01-07-2013), TVI e Record (10-09-2013).

É O JOGO que, de acordo com a sua linha editorial, não está interessado em entrevistar o treinador que levou o FC Porto ao tri-campeonato, ou Vítor Pereira que não quer dar entrevistas ao jornal dirigido por José Manuel Ribeiro?

Nota: Este post nada tem a ver com o gostar mais ou menos de AVB ou de VP. Aliás, para que fique claro, eu faço parte dos portistas que já perdoaram a "traição" de AVB e gostava de, um dia (não esta época, porque isso seria muito mau sinal), o ver regressar à sua "cadeira de sonho".

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Treinador - Mudar ou não mudar, eis a questão!

É a primeira derrota para o campeonato. Quem cresceu com o FC Porto nos anos 80 e 90 sabe perfeitamente que os campeonatos ganham-se com vitórias, empates e também com derrotas. Todos as vivemos. Mas a geração pós-Gelsenkirchen cresceu noutro mundo. Para isso contribuiu, sobretudo, a anemia de qualidade do nosso futebol. Nos últimos anos dois clubes - FC Porto e SL Benfica - quase nunca perdem, raramente empatam e dominam a belo prazer o campeonato decidindo, quase sempre entre si, o título. A péssima situação do Sporting, a incapacidade do Braga de dar o salto e a ausência de uma versão real do Boavista entre 1992-2004 ajuda a explicar essa situação. Mas não só. A diferença de orçamentos exige, praticamente, que FC Porto e SL Benfica não percam. Nunca as diferenças com o resto foram tão grandes na qualidade individual, nos planteis disponíveis, nos ingressos e nos gastos. Por isso hoje, para um adepto do FC Porto, perder um jogo tornou-se num drama. Pode não haver margem de manobra.

Pessoalmente sou contra o despedimento de treinadores durante a temporada.
Acho que quem arranca o barco deve levá-lo até ao fim, passe o que passar. Sobretudo porque a responsabilidade é de muitos, não só sua. Num clube como o FC Porto, onde muitas das decisões são tomadas sem ter em conta (ou em muitos casos, apesar da opinião do) o que pensa o treinador. Mas o futebol é o que é e não sou eu quem o vai mudar e muitas vezes a mudança de um só homem tem o condão de despertar outros 25. No nosso caso com particular sucesso...no ano seguinte!

Remontando-me apenas à era Pinto da Costa, houve apenas 4 treinadores despedidos durante a época (não conto aqui, naturalmente, com Del Neri e Adriaanse porque estavamos no defeso em ambos casos). A primeira vez foi com Quinito. Despedido à 11º jornada em 1988, nesse ano o FC Porto foi treinado brevemente por Murça antes de confirmar-se o regresso do "rei Artur". O FC Porto não foi campeão (o título foi para o Benfica) mas preparou-se para mais um título na temporada seguinte com o nosso primeiro campeão europeu. Depois foi a vez de Ivic, em 1993. O sérvio, voltou ás Antas sem sucesso. Quando saiu o FC Porto era terceiro no campeonato e para o seu lugar chegou Bobby Robson, recém-despedido de um líder Sporting. Com o inglês não só se ultrapassou o Sporting como se desenhou a base do que seria o Penta. A terceira vez sucedeu com Octávio Machado. Conseguiu passar o Natal mas não sobreviveu a Janeiro e com ele vivemos outro ano negro, terminando a época em 3º apenas graças a um grande sprint liderado por...José Mourinho. Não é preciso explicar o resto. Só por uma vez, a última, o homem que substituiu o treinador despedido não funcionou na época seguinte. Porque não estava lá. Victor Fernandez foi campeão do Mundo mas os maus jogos no Dragão e a irregularidade de uma equipa de campeões europeus e contratações de luxo custou-lhe o lugar. José Couceiro não fez melhor, o titulo perdeu-se no último dia e o treinador foi-se embora abrindo caminho a um novo Tetra, conquistado entre Adriaanse e Jesualdo.

Quer isto dizer que mudar de treinador, no FC Porto, além de ser algo raro (Carlos Alberto Silva, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira e Vitor Pereira sofreram contestação dos adeptos, tal como Paulo Fonseca, durante a época mas o presidente não os deixou cair e o resultado foi positivo, salvo com Fernando Santos!) só dá resultados à posteriori. Mudar hoje de treinador não garante, portanto, tendo em base a nossa experiência, um passaporte automático para o sucesso. Claro que há uma primeira vez para tudo.
O último campeão nacional português que chegou com a época a meio foi Augusto Inácio, com o Sporting, em 2000. É preciso recuar décadas para encontrar um exemplo similar. E não é por acaso.



Não acho que Paulo Fonseca tenha perfil de treinador para o FC Porto. Acho que é parte do problema, não o todo. E que centrar-nos exclusivamente na sua incompetência - que é evidente - não nos permite ver todo o problema em que estamos envolvidos. Mas isso fica para outro debate que trarei. Até porque o actual treinador do FC Porto é o primeiro em muito tempo que me faz pensar que mudar agora pode ser mais benéfico que prejudicial.

Em primeiro lugar porque não existe uma grande desvantagem com os rivais. Quem quer que chegue começará praticamente do zero em pontuação com Benfica e Sporting. Por outro lado, a paragem do Natal permitirá tempo para aclimatar-se ao clube, ao plantel e preparar os necessários ajustes - porque terá de haver algum ajuste - em Janeiro. E por último, olhando para o plantel - onde carecem figuras que inspiram liderança - não vejo força emocional para dar a volta à situação desde dentro como sucedeu no primeiro ano de Vitor Pereira, por exemplo. Há demasiados jovens, demasiadas caras novas e jogadores sem perfil para pensar que vão ser os jogadores a dar a cara e a salvar um treinador com o qual não estão cómodos. Os sinais da directiva, no final do jogo de Coimbra, também não são positivos. Quando Vitor Pereira esteve com a corda ao pescoço, a presença de Pinto da Costa ao seu lado calou os rumores e mandou uma mensagem ao balneário. Paulo Fonseca saiu sozinho do Municipal de Coimbra. É assim que ele está, apesar de ter sido uma aposta muito pessoal de Antero Henriques, que até há bem pouco tempo lhe deu todo o seu apoio.

Sabemos então que no FC Porto pouco se muda a meio da época e quando sucede os resultados só sucedem à posteriori. Sabemos também que o timing agora é o ideal e que o plantel e a direcção não parecem estar com o treinador. Mas que alternativas podemos manejar?

O FC Porto é um grande clube, mas é um clube dirigido desde dentro. Um clube que nunca se sentiu cómodo com a ideia de um treinador de personalidade forte. Mesmo Mourinho fez-se dentro do clube, não chegou como o "Special One" e Villas-Boas preferiu não ter de descobrir o que ia suceder num segundo ano depois de uma época perfeita. Portanto, toda a Europa sabe como o FC Porto se move e poucos são os treinadores de topo interessados nesse tipo de gestão. Sobram poucas opções, entre portugueses e estrangeiros.

Portugueses:
Marco Silva - Para muitos o homem que devia ter sucedido a Paulo Fonseca. É adepto confesso do Benfica, o que poderia ter jogado contra si, e com o Estoril tem feito um excelente trabalho. Continua a fazer a sua equipa jogar bem, mesmo com várias baixas, mas não parece apresentar nada de novo e há o receio, natural, que seja um Paulo Fonseca II.

Domingos Paciência - É um nome falado há muito tempo, não só pelo seu passado dragão mas pela excelente temporada que fez com o Braga. Desde então a sua carreira tem sido um desastre, tanto com o Sporting como com o Deportivo (onde foi colocado pela pressão de Jorge Mendes e onde se acabou por ir embora por não conseguir lidar com a pressão). Está sem clube.

Pedro Emanuel - Durante dois anos foi considerado por muitos como o próximo André Villas-Boas. Agora está no Arouca. Não é propriamente um grande cartão de visita e não tem demonstrado confirmar as suspeitas positivas que se tinha dele.

Leonardo Jardim - Para alguns adeptos seria a escolha ideal mas está comprometido com o Sporting e tem uma oportunidade histórica de recuperar o prestigio do leão. Não irá sair de Alvalade.

Nuno Capucho - Está a ser preparado pela direcção mas ninguém quer queimar etapas. Desde que tomou controlo das equipas de formação que muitos vêm nele o perfil ideal para liderar a primeira equipa e os resultados dão-lhe razão. Tem um perfil calmo, tranquilo e um conhecimento táctico surpreendente. Será treinador do FC Porto mas não quererá pegar numa equipa "queimada" tão cedo salvo se não existir outra opção.

André Villas-Boas - Tem a corda ao pescoço em Inglaterra mas, ao contrário de Artur Jorge, não acredito que queira voltar tão cedo ao seu clube, mesmo desempregado. Seria a escolha número 1 de todos os adeptos.

Estrangeiros
Marcelo Bielsa - Apenas o cito porque foi alvo de comentários no RP. Não é opção pura e simplesmente porque não é do perfil da direcção e não é o treinador que goste de ser controlado.

Mano Menezes - Paixão antiga da SAD, esteve desempregado até há poucas semanas, depois de uma má época com o Flamengo. Acabou de assinar pelo Corinthians e não vai abandonar o clube.

Muricy Ramalho - Na mesma situação de Menezes. Outra paixão antiga, foi muito questionado pelo São Paulo este ano e está ligeiramente acima da linha de despromoção. Contestado, poderia ser tentado por uma boa oferta.

Tite - Provavelmente o melhor treinador do futebol brasileiro nos últimos quatro anos. Acabou um ciclo memorável no Corinthinas, incluindo o título mundial, e está sem emprego. Hipótese interessante para os que querem uma conexão sul-americana.

Pepe Mel - Um dos melhores treinadores do futebol espanhol. Está com a corda ao pescoço no Real Bétis mas tem perfil para um clube de alto nível.



O cenário é este:
Mudar ou não mudar? 
A história do clube diz-nos que mudar não é habitual a opção da direcção e quando isso sucede o resultado só é visível na época seguinte. A situação actual no entanto dá a sensação de que Paulo Fonseca está só (sem plantel ao seu lado, sem o apoio da direcção e na mira dos adeptos) e que não tem capacidade para dar a volta por cima. O pior que pode suceder (perder o título) pode suceder com ele ou com qualquer outro treinador mas uma cara nova chegará com uma diferença pontual mínima e tempo para lutar pelo título até ao fim.

Se mudamos, quem ocupará o seu lugar?
Artur Jorge, Bobby Robson e José Mourinho foram três opções que tiveram resultados excelentes. José Couceiro a que correu mal. Actualmente só André Villas-Boas teria um perfil similar ao dos três primeiros. Todos os outros nomes despertam dúvidas, ora pela inexperiência e ausência de resultados sonantes (Pedro Emanuel, Marco Silva, Nuno Capucho, o passado recente de Domingos) ou porque despertam receio de uma conexão com o mercado brasileiro, quando muito raramente um treinador canarinho triunfa no futebol europeu.

O debate, na caixa de comentários!

PS: Não acredito que, actualmente, existam muitos adeptos do lado de Paulo Fonseca. O que não se admite é que uns meninos mal educados e que deviam ter passado uma noite nos calabouços recebam a equipa como receberam. Não sei se a manobra foi, oficialmente, dos SD ou iniciativa individual de quase 300 "adeptos". Nem me interessa. Há uma cultura de adeptos que só aceita a vitória. Que não entendo que o amor a um clube deve ser unidirecional. Se o clube devolve alegrias, tanto melhor. Se não, não se troca o amor por um soco só porque as coisas correm mal. Viveremos dias muito piores que estes, mais tarde ou mais cedo. Espero que muitos dos portistas de hoje sejam portistas então. Provavelmente os que receberam a equipa desta forma não estejam entre eles!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Revelações de André Villas-Boas

Ontem, O JOGO publicou uma extensa entrevista de André Villas-Boas (recomendo a leitura) onde, já com um certo distanciamento, o ex-treinador fala de diversos temas que causaram alguma polémica. Destaco, de seguida, três desses assuntos.

1. A saída do FC Porto
"Há desafios que, a certo momento, uma pessoa sente que os deve aceitar e foi isso que me invadiu. O assédio não foi só do Chelsea, tive muitos [contactos] e houve conversas com o FC Porto durante todo esse período, que os colocou a par do meu interesse. A minha condição é que qualquer dos clubes pagasse o valor da cláusula, de outra forma não me sentiria confortável."

Depois desta revelação, a tese de que os dirigentes portistas foram apanhados de surpresa, com o interesse do André Villas-Boas em sair do FC Porto no final da época 2010/11, fica pura e simplesmente enterrada.


2. O interesse em levar João Moutinho para Inglaterra
"[há um ano, quando falhou a contratação de Moutinho] não foi a primeira vez que falei com o FC Porto para o tentar levar, já o tinha feito no Chelsea, mas agora foi de forma oficial, com propostas e negociação. Acabou por não acontecer, mas todas as partes, talvez menos o FC Porto, tentaram chegar a um acordo. O problema foi que a abordagem mais agressiva ocorreu no último dia do mercado e tivemos de correr contra o tempo, porque o processo era complicado, não só por aquilo que ele representava para o FC Porto, como também pelos valores envolvidos e pelas outras partes que tinham participação no passe."

Bem, ao contrário do que ouvi e li, pelos vistos não é verdade que o FC Porto estivesse desesperado, ou sequer muito interessado, em vender o Moutinho ao Tottenham em Agosto de 2012.


3. A descoberta de Jackson Martinez
"[Jackson] foi um jogador proposto para observação já no meu tempo de FC Porto, na altura até com intervenção do Vítor [Pereira] e que o deixou imediatamente marcado como alvo."

Confirma-se que, há três épocas atrás, o Vítor Pereira teve uma intervenção directa na sinalização do Jackson como potencial alternativa a Radamel Falcao.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Momentos de glória

I. 2 de Maio de 2010

Penúltima jornada da época 2009/2010. Tal como esta época, os encarnados vieram ao Porto defrontar os azuis-e-brancos podendo, em caso de vitória, comemorar o título antecipadamente em pleno estádio do Dragão (previamente reservado para a festa). E tudo parecia estar a favor dessa hipótese.
Jorge Jesus, o "exterminador", comandava uma “máquina trituradora” e tinha à sua disposição aquele que foi, seguramente, o melhor plantel do slb dos últimos 20 anos, uma verdadeira constelação de “estrelas” (vários deles estão, atualmente, em grandes clubes europeus) no auge da sua carreira desportiva: Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Aimar, Di Maria, Saviola e Cardozo.
Do outro lado estava um FC Porto em fim de ciclo, com um treinador – Jesualdo Ferreira – contestadíssimo (apesar dos três campeonatos ganhos nas três épocas anteriores), que já não tinha hipóteses de chegar ao Tetra e que jogava “apenas” pela honra e prestigio.

Contrariando a maior parte das apostas, o FC Porto ganhou por 3-1 (vale a pena rever, com as colunas ligadas, o golo fabuloso de Belluschi) e eu publiquei um artigo onde escrevi o seguinte:

«Ganhar ao slb é sempre saboroso, seja em que circunstâncias for, mas é ainda mais quando essa vitória é obtida no meio de imensas adversidades, como foi o caso do jogo do passado domingo. De facto, para além dos lesionados – Mariano, Varela, Rúben Micael e Helton –, de Meireles andar a jogar limitado (fruto de uma tendinite) e de Cristián Rodriguez não calçar há um mês e meio, Jesualdo Ferreira também não pôde contar com o melhor avançado do campeonato – Radamel Falcao –, devido ao escandaloso 5º cartão amarelo que lhe foi cirurgicamente mostrado em Setúbal. Como se tudo isto não bastasse, os dragões tiveram ainda de jogar 39 minutos [expulsão de Fucile ao minuto 51] com menos um jogador, em consequência de mais uma habilidade de arbitragem, desta vez protagonizada pelo senhor Olegário. Há quem diga que é nos momentos difíceis que se veem os verdadeiros campeões e foi isso que os jogadores do FC Porto mostraram: um misto de raça, determinação, coragem e raiva levou-os a uma vitória sobre o principal rival, a qual tem tanto de justa como de surpreendente (atendendo às circunstâncias e à forma como foi obtida).»


II. 3 de Abril de 2011

O slb x FC Porto do campeonato 2010-2011 foi disputado na 25ª jornada. Nas 24 jornadas anteriores, o FC Porto tinha cedido apenas dois empates (em Guimarães e Alvalade, jogos que terminou reduzido a 10 jogadores) e na memória de todos ainda estava bem presente a lição de futebol que o FC Porto do “inexperiente” Villas-Boas tinha imposto ao slb do “catedrático” Jorge Jesus.
Os benfiquistas já não tinham ilusões relativamente à hipótese de revalidarem o título, mas prometiam vingar-se dos humilhantes 5-0 do jogo da 1ª volta e, mais do que isso, acabar com a invencibilidade dos dragões, de modo a impedir o FC Porto de, pela primeira vez na sua história, terminar o campeonato sem derrotas.
E, claro, nem pensar em permitir que os azuis-e-brancos festejassem o título em pleno estádio da Luz.
Toda a gente estava alerta e tudo bem preparado, incluindo a nomeação cirúrgica do árbitro Duarte Gomes, cuja atuação vergonhosa neste clássico pode ser relembrada aqui.

Os dragões, liderados por André Villas-Boas, não se intimidaram. Contra tudo e contra todos, impuseram o seu futebol e venceram por 2-1 e, quando ainda faltavam disputar cinco jornadas (15 pontos), o FC Porto saiu do estádio do apagão matematicamente campeão.

O resto, bem, o resto faz parte dos momentos imorredouros do futebol português.

(slb x FC Porto, 25ª jornada, época 2010/11)

«A vitória de hoje do FC Porto no capoeiro e o consequente rematar do título, repõe a ordem das coisas na memória colectiva e desportiva lusitana. (…) Nem com penalties de trazer por casa, expulsões perdoadas ou entradas a matar, fizeram demover o espírito temerário azul e branco. O domínio do jogo foi nosso enquanto aquele contorcionista do apito não reverteu tudo o que podia em favor da causa galinácea. (…) Sorrisos, abraços, lágrimas e euforia… Apaguem-se as luzes que a festa só agora está a começar!»


III. 11 de Maio de 2013

Pela 2ª vez num espaço de três anos, o destino ofereceu uma oportunidade de ouro a Jorge Jesus. O slb deslocou-se ao estádio do Dragão na 29ª jornada, com a possibilidade de, em caso de vitória, se sagrar campeão e fazer a festa no estádio do Dragão.
Tal como em Maio de 2010, seria apenas preciso confirmar, durante 90 minutos, o suposto melhor futebol e a suposta superioridade da equipa comandada por Jorge Jesus.
Mas, podendo devolver a desfeita da época 2010-2011, tendo a glória ao alcance de uma vitória, o que fez Jorge Jesus?
Jogou como costumam jogar os treinadores de equipas com orçamentos de 3 milhões de euros e dois meses de salários em atraso.
Pôs o ponta-de-lança Cardozo no banco e deixou Lima sozinho na frente.
Trocou um lateral de características ofensivas (Melgarejo) por outro de características defensivas (André Almeida).
Colocou Ola John a marcar Danilo, jogando como se fosse um defesa esquerdo.
E, para além de uma tática de equipa pequena, também instruiu os seus jogadores para queimarem todo o tempo possível.
Como se tudo isto não bastasse, a primeira substituição que fez (a meio da 2ª parte), foi tirar Gaitan e meter Roderick, um 3º defesa central para blindar ainda mais o meio campo encarnado.

O golo que o slb sofreu ao minuto 90+2’, marcado por um puto irreverente de 19 anos, foi um justo castigo para quem se limitou a meter um autocarro à frente da baliza e fez do antijogo a tática principal para este desafio.

Os deuses do futebol não gostam dos cobardes e os momentos de glória estão reservados para quem trabalha, arrisca e luta por eles.


P.S. Que a comunicação social do regime ande com o slb ao colo e endeuse os seus jogadores e treinador, eu compreendo. Agora, que após tantas evidências, haja portistas a suspirarem por ver Jorge Jesus como treinador do FC Porto e, inclusivamente, que o considerem melhor treinador que Vítor Pereira, é algo verdadeiramente inexplicável.

quarta-feira, 27 de março de 2013

De novo juntos no Coliseu

"A ti, André, quando um dia escreveres as tuas memórias, dá-lhe o título 'A minha cadeira de sonho', porque eu sei que essa foi a tua cadeira de sonho. Quando o disseste, disseste com a convicção e amor que tens ao FC Porto. Será sempre a tua cadeira de sonho, que te fará sentar em muitas outras cadeiras. E se as escreveres [as memórias] nos próximos 30 anos, se quiseres, faço o prefácio."


Depois de receber, em Outubro de 2011, o Dragão de Ouro de Treinador do ano (referente à época 2010/11), ontem André Villas-Boas foi obsequiado, na Gala do Centenário da Associação de Futebol do Porto, com o prémio "Treinador Revelação do Século". Em ambos os casos, quem subiu ao palco do Coliseu do Porto para o abraçar e lhe entregar os prémios foi Pinto da Costa.
Evidentemente, nada disto é por acaso.

Tudo indica que André Villas-Boas irá continuar a treinar o Tottenham na próxima época. E tudo indica que Pinto da Costa se irá recandidatar a um mandato de mais três anos. Mas eu acredito que, antes do presidente mais vitorioso do futebol mundial terminar o seu novo mandato (em 2016), André Villas-Boas voltará a ser o treinador principal do FC Porto.

Sim, eu sei que muitos portistas ainda não perdoaram ao André Villas-Boas a forma/timing da sua saída do FC Porto, mas estes gestos de Pinto da Costa têm um significado óbvio (conhecem a parábola do filho pródigo?) e, além disso, largos dias têm 100 anos...

domingo, 18 de novembro de 2012

Em defesa de André Villas-Boas

Ponto prévio: Considero André Villas-Boas um grande treinador, não esqueço a fantástica época em que comandou a equipa técnica do FC Porto e faço parte dos portistas que aplaudiram a entrega do Dragão de Ouro de Treinador do ano em 25 de Outubro de 2011.

Contudo, sei que a maior parte dos adeptos portugueses não partilham deste sentimento. E as razões são várias.
Os sportinguistas não perdoam a forma como, após ter sido anunciado em Alvalade (pela comunicação social), André recuou e preferiu esperar que lhe fossem abertas as portas do seu clube de sempre.
Os benfiquistas não se esquecem das humilhantes derrotas (e foram três!) que, em poucos meses, o FC Porto de André Villas-Boas lhes impôs na época 2010/11.
E há muitos portistas (talvez a maioria) que não aceitaram a forma como o André trocou a sua "cadeira de sonho" pelos milhões de Roman Arkadyevich Abramovich.

Este misto de azia e ressentimento de grande parte do Portugal futebolístico, faz com que as derrotas das equipas treinadas por AVB sejam destacadas como derrotas pessoais, quase da mesma forma como são efusivamente festejadas as vitórias de um outro treinador português, um tal de special one, que também teve um enorme sucesso na cidade Invicta, mas que em devido tempo soube romper os laços afectivos com o FC Porto.

Vem isto a propósito da forma como vi comentada, em jornais portugueses, e não só, a derrota pesada que o Tottenham averbou ontem na deslocação ao Emirates Stadium. É verdade que os Spurs perderam por 5-2 com o seu grande rival de Londres, mas só quem não viu o jogo, ou por má fé, pode culpar o ex-treinador do FC Porto.
Eu vi um Tottenham que entrou no jogo de uma forma personalizada, a controlar completamente os Gunners e que antes de completar os primeiros 10 minutos já tinha marcado um golo por Gallas, que foi anulado e bem (o defesa francês estava em fora-de-jogo). Uns minutos depois do golo anulado marcou outro golo, por Adebayor, e pode dizer-se que era inteiramente justa a vantagem no marcador. E mais uns minutos após estar a ganhar por 1-0, os Spurs podiam perfeitamente ter chegado ao 2-0, num remate cruzado de Lennon que passou a rasar o poste e com o guarda-redes do Arsenal completamente batido.
Até o Adebayor se ter feito expulsar, aos 18 minutos, só dava Tottenham e as estatísticas do jogo eram claras: quatro tentativas de golo para o Tottenham e 0 (zero!) para a equipa da casa.

"O Tottenham começou bem, estávamos um pouco nervosos e eles marcaram cedo (...) mas depois houve o ponto de viragem com a expulsão de Adebayor. Mudou o jogo"
Arsène Wenger, treinador do Arsenal


AVB não tem a frieza, nem sabe gerir a sua carreira de treinador da forma inteligente e quase cientifica como José Mourinho tem sabido gerir a sua e, nesta segunda experiência na Premier League, não me parece que tenha criado as condições necessárias para ter sucesso no Tottenham (olhando para a concorrência e para o plantel que tem à sua disposição, melhor que o 4º ou 5º lugar será quase impossível).
Mas, para mim, continua a ser o "cenourinha", continua a ser o portuense da Foz, sócio do FC Porto desde criança, continua a ser dos nossos e, por isso (e por aquilo que já referi atrás), desejo-lhe o maior sucesso nas equipas que tem treinado no pós-FC Porto (excepto, obviamente, em jogos contra o FC Porto).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O 32ª treinador mundial

O crescimento do FC Porto com Vitor Pereira ao leme não é só uma questão de percepção. É um dado real.
Estatisticamente falando, o técnico azul já é considerado como o 32º melhor treinador mundial. Num desporto ainda bastante tradicionalista, ao contrário dos desportos mais populares nos Estados Unidos, a estatística ainda é olhada com suspeita/desprezo pelos adeptos, analistas e muitos dirigentes. Mas parece-me a mim que é cada vez mais a melhor forma de apalpar a realidade, sem falsas questões pelo meio. A subida de Vitor Pereira nesse ranking diz muito do que o espinhense tem logrado.

O ranking, como conto aqui, chama-se Football Coach World Ranking e é organizado pela Institute of Football Coaching Statistics, uma organização holandesa que se dedica a trabalhar com agências de apostas, clubes, federações e sites especializados e que fornece dados estatísticos actualizados sobre o trabalho desenvolvido por treinadores de 40 países. O ranking tem as suas regras e os jogos, naturalmente, não valem o mesmo, o que dá ainda mais destaque a quem está na parte alta da tabela classificativa. A lista é liderada por outro ex-treinador do FC Porto, José Mourinho, se bem que este só chegou ao primeiro lugar em Outubro, depois de seis meses em que Pep Guardiola não somou qualquer ponto.


O caso de Vitor Pereira é significativo e ameaça tornar-se num dos case studies da organização que gere o site. A 5 de Dezembro do ano passado estava na posição 159 na tabela, perdido entre maus resultados domésticos, uma eliminação precoce na Champions League e muitas dúvidas sobre o seu futuro. Em Maio, quando conquistou o título nacional, VP tinha trepado ao 55º posto, mesmo assim uma posição bastante modesta para quem se acabava de sagrar vencedor de uma das seis ligas mais cotadas do ranking. Meio ano depois, está às portas do top 30 e se contabilizamos apenas os treinadores das ligas europeias (o ranking é mundial), Pereira seria o 21º. À sua frente estariam nomes como Lucescu, Garde, Pellegrini, Stevens, Allegri, Mazzari, Klopp, Wenger, Mancini ou Emery em muitos dos casos apenas e só porque, como sucede com a Bota de Ouro, os pontos somados variam de liga para liga, conforme a sua importância e todos estes trabalham em competições melhor valoradas que a Liga Sagres.

Vitor Pereira pode ser um treinador questionado pela sua falta de capacidade de comunicar, pela sua falta de aura como "manager" e até por algumas questões futebolísticas, do sistema aos jogadores que utiliza. Mas como o meu colega José Correia mencionou há uns dias, parece-me evidente que a pouco e pouco começa a tomar controlo do balneário e a dar forma à equipa com base na sua filosofia de jogo. Os jogos na Champions League, repletos de autoridade, eficácia e maturidade, são um bom exemplo de como transformar estes dados estatísticos em sensações.

Se repetir o título de liga, como seria natural, e realizasse uma Champions League à altura das expectativas do clube (apuramento para os Quartos de Final, na minha óptica), agora que o apuramento para a próxima fase está matematicamente assegurado, não duvido que Vitor Pereira chegará a Junho como um dos 10 técnicos mais valorizados do mundo. Deve-o à estrutura do FC Porto - que apostou nele, manteve-o quando era difícil - mas também o deve a si mesmo, depois de ter sobrevivido à perda de metade da equipa que venceu a Europe League em 2011 (Fucile, Alvaro, Sapunaru, Hulk, Falcao, Bellushi, Guarin) e ter forjado um projecto cada vez mais sólido.

PS: A título de mera curiosidade, o ranking inclui ainda os últimos treinadores que passaram pelo FCP. Já sabemos que Mourinho vai à frente (e assim continuará durante largos meses), enquanto AVB está actualmente na posição 58º (chegou a ser o 4º em Maio de 2011). Jesualdo quase que fecha o top 100 (está no lugar 98), Adriaanse encontra-se no 515º posto e claro, o mestre da táctica, Jorge Jesus, aparece perdido no 48º lugar sendo que o melhor que logrou no ranking foi um sétimo posto. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Segunda oportunidade


André Villas-Boas vai treinar o Tottenham na época que agora se inicia. A imprensa inglesa afirma que foi concedida ao treinador português uma oportunidade para reconstruir a sua carreira de treinador de futebol. O anterior treinador dos Spurs, Harry Redknapp, foi despedido de forma controversa há um mês apesar de ter levado a clube ao top4 da Premier League por duas vezes em três épocas.
O presidente do clube londrino, Daniel Levy, mostra-se confiante quanto à capacidade e ao talento de André Villas-Boas:
“He has an outstanding reputation for his technical knowledge of the game and for creating well-organised teams capable of playing football in an attractive and attacking style. Andre shares our long-term ambitions and ethos of developing players and nurturing young talent, and he will be able to do so now at a new world-class training centre”
The Telegraph, 03/07/2012

Villas-Boas conhece o campeonato inglês bem melhor agora do que há um ano atrás quando se mudou para Stamford Bridge, tendo a possibilidade de começar do zero e evitar os erros cometidos ao serviço do Chelsea, num clube onde as exigências desportivas são bem menores. No entanto, esta pode ser a sua última grande oportunidade para treinar no estrangeiro. Será um duro teste. Mas quem abandona uma “cadeira de sonho” tem de estar preparado para tudo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O profissionalismo dos jogadores do Chelsea




O médio nigeriano Obi Mikel não poupou nas palavras na hora de apontar os erros de André Villas-Boas que, recorde-se, foi despedido do Chelsea em março deste ano depois dos maus resultados e alguns problemas com os jogadores.
“Houve falhas na comunicação. André Villas Boas é um grande treinador, fez muito, mais ainda é jovem. Quando ainda se é muito jovem e se está num clube como o Chelsea cometem-se alguns erros”, disse Mikel
“Ninguém sabia o que estava a acontecer. E quando isso se passa ficamos sempre a pensar: para que vou treinar bem se não sabemos se vamos ou não jogar no fim-de-semana? Não sabíamos se valia a pena fazer um esforço”, acrescentou.
“Eu era um dos principais jogadores da equipa no início da época. Mas depois começaram a surgir muitas mudanças, muitas rotações e tornou-se tudo complicado. É difícil acharmos que jogámos bem num jogo e, logo no próximo, ficamos de fora sem saber o motivo. E não era só eu a pensar assim, mas toda a equipa”, disse.

Assumir o leme de um grupo de trabalho cheio de vedetas sem uma prévia limpeza dos resistentes dá nisto. A Mourinho ninguém apanha desprevenido no que respeita a este tipo de assuntos. Quem não estiver com ele e 100% focado no grupo bem pode fazer as malas. Villas-Boas terá sobrevalorizado as suas capacidades motivacionais e de liderança. A época 2010-2011 correu-lhe de feição, num clube onde é raro (ou difícil) que os interesses individuais se sobreponham aos interesses do colectivo. O Chelsea é um clube bem diferente e AVB tardou a percebe-lo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Encontros imediatos do Terceiro Grau


Ora bem, fosse eu jornalista da Agência Lusa, de preferência com acesso a fontes anónimas mas seguras, e já teria blaterado esta cá para fora: "Pinto da Costa senta-se ao lado de André Villas Boas no Etihad Stadium com o objectivo de disfarçar o facto de ter abordado Domingos antes de este ser despedido pelo Sporting".

Por outro lado, se os ingleses, e mesmo os russos radicados em Inglaterra, sofressem da mesma selectiva paranóia, diriam: "Villas Boas vai ser despedido por se ter encontrado com dirigentes do Porto!"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O senhor que se segue para a cadeira de sonho

Ultimamente o tempo de vida estimado das cadeiras de sonho no Dragão tem sido bastante curto. Depois de Villas-Boas preferir o couro britânico antes de cumprir um ano de azul ao peito agora parece claro que Vítor Pereira não passará outro Verão como treinador principal do FC Porto. Nenhum adepto, nem os mais ferrenhos do técnico (ainda existem?) perspectivam uma sequela, mesmo que uma reviravolta surpreendente permita ao FCP revalidar o titulo de campeão nacional ou a própria Europe League.

Como SAD, treinador, jogador e adeptos já sabem que este filme tem data de caducidade marcada para Maio, é normal que arranque a especulação sobre qual será o próximo capitulo. Pinto da Costa tem sido um presidente bastante condescendente com os seus treinadores, especialmente os mais obedientes. Mesmo quando o público portista se mostrou farto de Jesualdo Ferreira ou Fernando Santos, por exemplo, estes mantiveram-se no seu lugar. Essencialmente porque a SAD – e o presidente – parece ter um especial apreço por treinadores que dão o corpo à bala, que se transformam no foco de contestação das massas e da imprensa e, por conseguinte, mantêm os focos distantes da gestão presidencial que nos casos de Fernando Santos (a partir de 2000), Jesualdo (o caso Apito Dourado) e Vítor Pereira (a péssima preparação da temporada) tem sido bastante criticável.


Mas até Pinto da Costa sabe que os seus homens de confiança e apostas pessoais (e os três foram-no) têm um limite e quando os resultados e as sensações deixam de acompanhá-los, tarde ou cedo a hora chega. Vítor Pereira sabe-o desde o principio, sente-o desde o empate com o Benfica e tem-no por garantido desde a eliminação da Champions. O despedimento de Domingos pode potenciar um cenário similar ao que ocorreu na troca de Octávio (outro adjunto que Pinto da Costa quis transformar em técnico ganhador) por José Mourinho (que esperava em Leiria pelo primeiro poiso livre). Mas apesar da velha glória do ataque portista ser um nome querido pelos adeptos, o seu péssimo ano em Alvalade, onde foi incapaz de produzir futebol e resultados, é um sério handicaap para quem quer dar um murro na mesa. Despedir um treinador que segue em segundo por um que é incapaz de saltar do quarto posto, por debaixo das expectativas do próprio clube, não parece ser o melhor dos sinais.

Quando Vítor Pereira foi eleito sucessor de Villas-Boas muitos adeptos torceram o nariz e pensaram em três nomes que, passado um ano, estão aí, disponíveis, mas com um historial distinto.

Á parte do tema Domingos, que promete levantar muitas suspeitas nas próximas semanas, estão na lista o seu herdeiro em Braga, Leonardo Jardim, há muito um protegido de Pinto da Costa e um técnico que tem feito um bom trabalho num clube que se tornou em viveiro dos grandes. Mas Jardim, é certo, ainda não deixou um destelho de genialidade que permita sentir que é “um treinador à Porto”.

Pedro Emanuel, filho adoptado da casa, passou o teste do ano de estreia com boa nota mas nem todos os treinadores que começam bem a sua carreira acabam por confirmar todo o potencial imaginado.


Depois há que manejar a opção Paulo Bento. Sempre se especulou sobre o seu futuro como treinador do FC Porto e tendo em perspectiva o fraco futuro de Portugal no “grupo da morte” do próximo Europeu, é bastante provável que o actual seleccionador esteja livre em Julho. Não será uma escolha consensual entre os adeptos face ao seu passado nos dois grandes da capital e o seu carácter conflictivo, mas analisando apenas o espectro de treinadores nacionais (pelos problemas de liquidez da SAD não os imagino a aventurar-se no caro mercado internacional) é dos técnicos que eventualmente estarão livres, o que mais curriculum tem.

Para o fim deixo a solução mais óbvia e, no entanto, mais complexa.
A péssima época de Villas-Boas com o Chelsea (a pior dos últimos dez anos a esta altura da temporada) parece deixar claro que os milhões de Abramovich vão procurar outro sucessor espiritual a Mourinho. Só uma inesperada vitória na Champions League salvaria a cabeça do técnico portuense que, provavelmente, em Junho procurará emprego. Desta vez nenhum grande da Europa vai obcecar-se com o seu talento e entre optar por um clube médio em Itália, Espanha e Inglaterra, e voltar ao Dragão, talvez AVB sinta saudade de um café nas esplanadas da Foz. Seria o regresso mais lógico, mas também o que provavelmente levantaria mais questões.

Com Pinto da Costa ao leme só dois treinadores voltaram a orientar o FC Porto. Tomislav Ivic foi um sucesso tremendo no seu primeiro ano, onde só faltou renovar a Taça dos Campeões, e um desastre no mandato de meio-ano em 1993/94. O outro nome é o de Artur Jorge. Com a subtil diferença de que o “rei Artur” saiu depois de três anos como treinador principal (e um par deles como homem de confiança de Pedroto), dois campeonatos, uma Taça dos Campeões europeus e que depois de fracassar no projecto Matra Racing, encontrou no regresso a casa uma forma de paliar o sofrimento do falecimento da sua esposa de então. Um regresso bem sucedido (mais um bicampeonato) e curto, antes que Portugal batesse à porta.


Villas-Boas seguramente iria ser bem recebido pelos adeptos mais saudosistas e mesmo aqueles que o tratam por “Libras Boas” são conscientes de que seria um técnico “right for the job”. Mas como reagiria o clube e, sobretudo os jogadores. Villas-Boas converteu-se em ídolo porque rompeu com os prognósticos e criou à sua volta uma aura de infalibilidade que o ano em Inglaterra ameaça destroçar. Voltaria como um técnico derrotado, incapaz de se impor numa liga mais exigente e isso pode deixar a sua marca como líder de um balneário que, já de por si, não anda propriamente de boa saúde. Tecnicamente seria uma opção desejável, psicologicamente é um enigma complexo de resolver.

Qualquer que suceda a Vítor Pereira terá um acolhimento caloroso, isso parece claro. Mas será isso suficiente para inverter a tendência suicida desta temporada?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

53 jogos sem perder

No sábado, em Alvalade, o FC Porto atingiu o 53º jogo consecutivo sem perder no campeonato, igualando o recorde do clube que, sob o comando de Bobby Robson, já tinha alcançado idêntica marca entre 14 de Outubro de 1994 e 23 Março de 1996.




Os treinadores, datas, adversários e resultados do actual ciclo de 53 jogos consecutivos sem perder, são os seguintes:

Época 2009/10 (Jesualdo Ferreira)
06/03 Olhanense (C) E 2-2
13/03 Académica (F) V 2-1
28/03 Belenenses (F) V 3-0
03/04 Marítimo (C) V 4-1
10/04 Rio Ave (F) V 1-0
18/04 V. Guimarães (C) V 3-0
24/04 V. Setúbal (F) V 5-2
02/05 slb (C) V 3-1
08/05 U. Leiria (F) V 4-1

Época 2010/11 (André Villas-Boas)
14/08 Naval (F) V 1-0
22/08 Beira-Mar (C) V 3-0
29/08 Rio Ave (F) V 2-0
11/09 SC Braga (C) V 3-2
20/09 Nacional (F) V 2-0
25/09 Olhanense (C) V 2-0
04/10 V. Guimarães (F) E 1-1
25/10 U. Leiria (C) V 5-1
30/10 Académica (F) V 1-0
07/11 slb (C) V 5-0
14/11 Portimonense (C) V 2-0
27/11 SCP (F) E 1-1
06/12 V. Setúbal (C) V 1-0
19/12 Paços Ferreira (F) V 3-0
08/01 Marítimo (C) V 4-1
16/01 Naval (C) V 3-1
22/01 Beira-Mar (F) V 1-0
26/01 Nacional (C) V 3-0
06/02 Rio Ave (C) V 1-0
13/02 SC Braga (F) V 2-0
26/02 Olhanense (F) V 3-0
05/03 V. Guimarães (C) V 2-0
14/03 U. Leiria (F) V 2-0
20/03 Académica (C) V 3-1
03/04 slb (F) V 2-1
10/04 Portimonense (F) V 3-2
27/04 SCP (C) V 3-2
01/05 V. Setúbal (F) V 4-0
08/05 Paços Ferreira (C) E 3-3
14/05 Marítimo (F) V 2-0

Época 2011/12 (Vítor Pereira)
14/08 V. Guimarães (F) V 1-0
19/08 Gil Vicente (C) V 3-1
06/09 U. Leiria (F) V 5-2
09/09 V. Setúbal (C) V 3-0
18/09 Feirense (F) E 0-0
23/09 slb (C) E 2-2
02/10 Académica (F) V 3-0
23/10 Nacional (C) V 5-0
28/10 Paços Ferreira (C) V 3-0
05/11 Olhanense (F) E 0-0
27/11 SC Braga (C) V 3-2
11/12 Beira-Mar (F) V 2-1
18/12 Marítimo (C) V 2-0
07/01 SCP (F) E 0-0

Resumo:
Época J V E D GOLOS
2009/10 9 8 1 0 27-8
2010/11 30 27 3 0 73-16
2011/12 14 10 4 0 32-8
Total: 53 45 8 0 132-32


Nota: As imagens são do Suplemento JN Desporto "Penta Campeões" e foram obtidas no blogue 'Pobo do Norte'.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Boxing Day de AVB

A proposta de Roman Arkadyevich Abramovich foi irrecusável, mas André Villas-Boas cometeu um grave erro de avaliação, ao ter aceite ir treinar o Chelsea Football Club sem exigir levar consigo três ou quatro jogadores de top, sedentos de vitórias e dispostos a “morrer” por ele dentro de campo.

O que encontrou André Villas-Boas quando chegou a Stamford Bridge há meio ano atrás?

Um plantel de grandes nomes (e egos descomunais!), mas também cheio de vícios e importantes jogadores-chave envelhecidos – Didier Drogba (11/03/1978), Frank Lampard (20/06/1978), Paulo Ferreira (18/01/1979), Anelka (14/03/1979), Malouda (13/06/1980), John Terry (7/12/1980), Ashley Cole (20/12/1980). A maior parte destes jogadores, que já passaram a barreira dos 31, atingiu o pico quando o Special One estava no Chelsea, ainda conseguiram conquistar a dobradinha em 2009/10, mas foi o canto do cisne e agora é óbvio que estão na irreversível curva descendente das suas carreiras.

A este enorme problema, junta-se o dos lesionados crónicos – Bosingwa, Essien, Obi Mikel – do hiper-valorizado, pela comunicação social do regime, David Luiz (mas que em Inglaterra tem sido pouco mais que um desastre) e o psicológico caso de El Niño Torres.

E reforços?
Não houve estrelas novas para brilharem no firmamento londrino (Modric não veio, Hulk ficou no Porto, Falcao voou para Madrid…) e o único que está ao nível dos objectivos (teóricos) do Chelsea – disputar a vitória na Premier League e na Champions - é Juan Mata. De resto, contratações como Lukaku, Oriol Romeu ou Raul Meireles, bem como, o regresso de Sturridge (esteve emprestado ao Bolton Wanderers), servem para compor o ramalhete e disfarçam se jogarem ao lado de craques, mas ficam muito aquém daquilo que uma equipa com as ambições do Chelsea necessitava.

Perante tudo isto, quem vê os jogos dos blues de Londres (e eu já vi vários), fica impressionado quer com o facto de, em apenas sete dias, terem despachado o Newcastle (primeira derrota em casa), Valência (3-0) e City (única derrota na Premier League), quer com a forma como a equipa tem sofrido golos, muitos dos quais nos últimos minutos, resultantes de falhas de concentração e/ou erros crassos individuais de diversos jogadores. Este Chelsea é uma equipa bipolar, sendo notória uma certa desagregação e uma clara falta de solidariedade entre os jogadores.

Seguramente que não foi por acaso o facto de, no início de Dezembro, a comunicação social inglesa ter começado a especular em torno da saída de David Luiz (apontando a Juventus como um dos prováveis destinos) e de, na mesma altura, Anelka e o defesa-central brasileiro Alex terem vindo a público pedir para sair do clube na reabertura do mercado de transferências.

Há algum tempo que sei onde vou estar a 2 de Janeiro. O clube, que atravessa uma fase complicada, decidiu trabalhar com os jogadores de futuro e eu, como sou um bom profissional, aceitei isso
Nicolas Anelka, 04/12/2011

Cada vez se fala mais em mudanças no plantel (aparentemente o Chelsea será um dos clubes mais activos no mercado de transferências de Janeiro) e, nesta linha, também são sintomáticas as declarações que André Villas-Boas fez no final do recente jogo (23/Dez) em White Hart Lane:

Gostei do carácter da minha equipa (…) O que eu quero ver no Chelsea são jogadores dispostos a morrer pelo clube, e foi isso que vi hoje

Chegados ao Boxing Day, e após o terceiro empate consecutivo a uma bola (Wigan, Tottenham e Fulham), o Chelsea e Villas-Boas estão numa encruzilhada.

A nível interno, a disputa do título inglês não passa de uma miragem (tudo indica que será um assunto a tratar entre as duas equipas de Manchester). E mesmo a luta com o Tottenham, Arsenal, Liverpool e Newcastle pelo 3º e 4º lugar e correspondente acesso à Liga dos Campeões de 2012/13 será muito dura.

(classificação antes do Boxing Day)


Na Champions, após ter cumprido a “obrigação” de ficar em 1º lugar no seu grupo, é óbvio que o Chelsea não tem equipa para enfrentar o Barça de Guardiola, o Real de Mou ou mesmo o Bayern Munique (que nos seus quadros tem, entre outros, Ribéry, Robben, Thomas Müller e Schweinsteiger). O seu destino na prova vai depender muito dos sorteios.

Esta será uma época de transição e, após o fim da “geração Mourinho”, o grande desafio de André Villas-Boas (se entretanto não for despedido) é construir um novo Chelsea para os próximos anos. Falta saber se o magnata russo terá paciência e dará ao “cenourinha” os meios necessários, leia-se jogadores com ambição e de qualidade indiscutível, para atingir esse objectivo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A culpa é apenas e só do “desertor”

(clicar na imagem anterior para a ampliar)


«Enfim, não adianta dizer mais nada. Repito que a culpa não é sequer de Vítor Pereira: ele faz o que pode e o que sabe. O problema é que isso, obviamente, não chega, nem chegará nunca. A culpa também não é de Pinto da Costa, que também fez o que pôde nas circunstâncias que teve de enfrentar. A culpa é apenas e só do Dragão de Ouro André Villas Boas e da sua deserção»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 22/11/2011


O futebol, vivido intensamente, provoca muitas irracionalidades e, quando se escreve mais com o coração do que com a cabeça, de vez em quando saem coisas como este parágrafo da Nortada de ontem do MST. Gosto, particularmente, do “apenas e só”…

Mas, pondo de lado o exagero irracional do MST, o texto anterior é uma espécie de corolário de diversas opiniões que se podem ler na bluegosfera, as quais são baseadas em dois pressupostos:
i) Pinto da Costa, Antero Henrique e a “Estrutura” foram todos apanhados de surpresa com a saída de André Villas-Boas;
ii) a SAD não teve tempo para procurar uma alternativa que não fosse o Nº 2 de AVB.


I. A tese da surpresa

As exibições e resultados alcançados pelo FC Porto ao longo da época, fizeram a Europa do futebol (e não só) olhar atentamente para o jovem treinador dos dragões, ex-adjunto do special one, com a comunicação social a fazer eco do interesse de vários clubes.
Um exemplo elucidativo é um artigo da autoria do jornalista Hugo Daniel Sousa, publicado no dia 22 de Maio de 2011, na Revista Pública (suplemento do jornal Público), do qual transcrevo o seguinte extracto:

«Ao tornar-se no mais jovem treinador a vencer uma competição europeia de futebol (33 anos e 213 dias), André Villas-Boas accionou os radares da curiosidade em toda a Europa. O Chelsea de Roman Abramovich já o tem debaixo de olho, faltando saber se o russo consegue convencer o treinador a deixar o clube do coração e se está disposto a pagar os 15 milhões de euros previstos na cláusula de rescisão de contrato. O interesse deve-se não só aos títulos conquistados (Supertaça, campeonato português e Liga Europa), mas também à ligação a José Mourinho e ao facto de estar a repetir o início de carreira vitorioso do seu antigo patrão — se conquistar a Taça de Portugal ao Vitória de Guimarães, até ultrapassará aquilo que Mourinho fez na primeira temporada ao serviço do FC Porto.
O Wall Street Journal já lhe chamou o “rapaz genial” e o Guardian fala de um “treinador em ascensão” que “transforma tudo o que toca em troféus”.»

Reparem que o jornalista do Público não fez o que na altura era habitual, isto é, falar no interesse em abstracto de outros clubes, ou apresentar uma lista de pretendentes para “a noiva”. Não, o texto refere unicamente o Chelsea, sendo dito que faltava apenas duas coisas: convencer o ex-colaborador de José Mourinho e saber se Abramovich estava disposto a pagar 15 milhões de euros.

Este artigo foi publicado um mês antes da SAD portista enviar o comunicado à CMVM, precisamente a confirmar a saída de André Villas-Boas para o… Chelsea!
É verdade, o AVB não saiu para o Liverpool, nem para o Inter, nem para o AC Milan. Foi mesmo para o clube de Roman Abramovich. Que coincidência…

Perante isto, ainda há quem acredite que a estrutura da SAD (a célebre estrutura do futebol portista!) foi apanhada desprevenida com a saída de André Villas-Boas?
E o mais engraçado é que alguns dos que defendem esta tese, são os mesmos que se fartam de elogiar o Antero Henrique e de dizer (com razão) que o Pinto da Costa sabe mais a dormir que os outros dirigentes todos acordados. Em que é que ficamos?

Mais. No dia 21 de Junho de 2011, durante a apresentação do sucessor de AVB, Pinto da Costa afirmou:

Queria publicamente desejar ao Vítor Pereira as maiores felicidades. É uma sucessão natural, inclusive já prevista há algum tempo. Aquilo que aconteceu faz parte da vida e do futebol. Nós admitíamos isso. Já tínhamos a garantia do professor Vítor Pereira que, se isso acontecesse, ele estaria disponível”.

Quando o nosso treinador [André Villas-Boas] foi passar um fim-de-semana a Londres, há um mês e tal, falei com o professor [Vítor Pereira] a questionar a sua disponibilidade. Ele disse-me que sim e fiquei descansado. Na sexta-feira [17 de Junho], alertei o professor que isso seria uma realidade”.

E para que não ficassem dúvidas, na mesma ocasião Vítor Pereira afirmou:

A decisão foi-me sendo colocada ao longo da época. Colocaram-me a hipótese de assumir a equipa se um dia acontecesse este tipo de situação. É uma opção pensada pela direcção e por mim. Há um mês a esta parte fui confrontado com a possibilidade de isto acontecer”.

No dia 13 de Julho de 2011, num evento realizado no Casino da Figueira, Pinto da Costa afirmou:

No dia em que se consumou a saída [de André Villas-Boas] dormi bem porque já tinha tudo previsto. A rescisão do Villas-Boas caiu às 16 horas no fax e às 17h já estava a apresentar o substituto. Eu já tinha o Vítor Pereira de prevenção. Antes do próprio Villas-Boas saber que ia sair, eu já desconfiava da sua saída”.

Surpresa? Mas qual surpresa? Só se o Pinto da Costa (que já era chefe do departamento de futebol do FC Porto antes do AVB nascer) estivesse a dormir e mesmo assim…
Para mim, surpreendente é ver portistas, com acesso a todos estes dados e que presumo de boa fé, a continuarem a defender e insistir na tese da surpresa.


II. A tese da inexistência de tempo para contratar outro treinador

17 Junho 2011 – Pinto da Costa informou Vítor Pereira que seria o novo treinador principal do FC Porto.

21 Junho 2011 – Formalização da saída de AVB e promoção de Vítor Pereira a treinador principal.

30 Junho 2011 – Arranque dos trabalhos da época 2011/12.

6 Julho 2011 – FC Porto x Tourizense (7-0), jogo treino disputado no Olival.

10 Julho 2011 - FC Porto x FC Gutersloh (10-1), primeiro jogo particular no estágio da pré-temporada, contra uma equipa de amadores. Rolando foi o único titular do ano transacto que jogou de início.

24 Julho 2011 – FC Porto x Peñarol, jogo de apresentação no Estádio do Dragão.

7 Agosto 2011 – FC Porto x Vitória Guimarães, Supertaça Cândido Oliveira.


Mesmo entre os adeptos portistas que partem da inverosímil tese da surpresa, basta fazer as contas para verificar que, desde o dia 17 de Junho, havia duas semanas até ao arranque da temporada e 51 dias (!) até ao primeiro jogo oficial. Como é óbvio, era tempo mais do que suficiente para pessoas com a experiência e conhecimentos de Pinto da Costa e de Antero Henrique, se quisessem, terem contratado um treinador que não fosse Vítor Pereira.

Aliás, basta recordar o que esta mesma administração da FC Porto SAD fez aquando da saída intempestiva (e essa sim de surpresa) de Co Adriaanse.

9 Agosto 2006 – A FC Porto SAD informou que "Jacobus Adriaanse apresentou a sua demissão de treinador da equipa principal do F.C. Porto" e nomeou Rui Barros treinador interino.

15 Agosto 2006 – O Boavista anunciou a rescisão do contrato com Jesualdo Ferreira, informando que a mesma irá implicar o "pagamento de uma forte indemnização" à SAD axadrezada.

19 Agosto 2006 – Supertaça Cândido Oliveira, 1º jogo oficial da época 2006/07. O treinador principal do FC Porto neste jogo foi Rui Barros, com Jesualdo Ferreira a assistir na bancada.


Perante estes factos, datas e declarações dos principais protagonistas, penso que não existe espaço para sustentar as duas teses anteriores mas, claro, vivemos num país onde a opinião é livre.