sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Distribuição do capital da FC Porto SAD
terça-feira, 5 de agosto de 2008
A cotação das acções da FC Porto, SAD
Fonte: BloombergA FC Porto, SAD desvalorizou no último ano cerca de 42% enquanto o índice PSI-Geral desvalorizou cerca de 35% para o mesmo período.
Se compararmos a prestação bolsista do FC Porto com a dos outros dois clubes cotados podemos concluir que durante a maior parte do ano as acções do SLB lideraram as quedas (como não poderia deixar de ser!) e acabaram por desvalorizar 40% no mesmo período. As acções do SCP acabaram a desvalorizar também 40% no último ano e estiveram durante largos períodos com desvalorizações superiores às do FC Porto. No que diz respeito a quedas acentuadas ninguém se fica a rir. Em apenas um ano os três grandes perderam quase metade do seu valor em bolsa. O gráfico seguinte ilustra esta descrição:
Fonte: BloombergO caso do SLB pode considerar-se de maior gravidade dado que foi uma sociedade que entrou em bolsa há pouco tempo, com um preço inicial de 5 euros por acção, entrando logo em queda acentuada não valendo de nada, a médio prazo, a bondosa OPA lançada por Joe Berardo que ofereceu, recorde-se 3,5 euros por acção. Mais tarde, e como não podia deixar de ser no clube que um dia Artur Jorge apelidou de “Circo”, surgiu uma OPA alternativa liderada por um grupo de chineses que “chegariam a Portugal nos próximos dias” e que acabaram por nunca chegar (onde é que eu já ouvi histórias destas relacionadas com este clube?) pela mão do empresário Vasco Pereira Coutinho que quando questionado pela CMVM lavou as mãos e alertou para “possível especulação”. Nessa altura houve grande volatilidade nos títulos benfiquistas associada a movimentos especulativos o que motivou a abertura de um inquérito por parte da entidade reguladora, a CMVM, cujas conclusões até hoje desconheço. Pois a verdade é que nem com OPA’s fantasma o SLB recuperou dessa queda e hoje vai transaccionando a cerca de 2 euros por acção.
Podemos tentar perceber o que motiva uma tendência tão negativa e de longo prazo das acções do FC Porto. O comportamento bolsista dos títulos pode depender de diversos factores como a expectativa de crescimento das receitas, o valor dos dividendos a distribuir, a taxa de crescimento desses dividendos, a taxa de retorno exigida pelo investidor e até a qualidade da informação financeira disponibilizada. A verdade é que nenhum dos clubes portugueses cotados se pode dar ao luxo de distribuir dividendos aos accionistas dado que vivem no limite da obtenção de receita adicional e se debatem constantemente com a luta pelo emagrecimento dos custos (com a nossa SAD à cabeça dessa luta, de forma bastante enérgica!).
A qualidade da informação financeira que os clubes disponibilizam ao mercado pode fazer com que os investidores se sintam mais seguros em investir em determinado título. Além de ser uma condição básica para a eficiência do mercado, é cada vez maior a importância dada às obrigações impostas às empresas cotadas em bolsa relativamente à produção e divulgação de informação financeira adequada. E, neste aspecto, convenhamos que, das três, a SAD do FC Porto é a que tem sido a mais coerente e a que mais tem cumprido, transmitindo aos investidores maior transparência.
Apesar disso, as acções do FC Porto, SAD são um título com pouca liquidez, cuja desvalorização foi constante desde a entrada em bolsa e nem a contratação de uma empresa financeira para assegurar liquidez e valorização (pelo menos foi essa a promessa do Dr. Fernando Gomes) resultou.
A cotação das acções transmite, teoricamente, o valor de mercado de uma sociedade. A queda verificada no valor das acções do FC Porto, SAD faz com que o valor de mercado da sociedade seja hoje muito inferior ao valor de liquidação dos seus activos. Isto sugere uma análise crítica à capitalização bolsista como real representação do valor da empresa, tendo em conta a dispersão do capital, a liquidez dos títulos e a informação.
Uma saída de bolsa por parte do FC Porto seria uma operação com custos elevados mas poderá ser uma possibilidade a considerar no caso dos títulos manterem a tendência negativa nos próximos tempos.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Cotação em mínimos históricos
Fonte: DN, 31/05/2008As acções da FCP SAD valem hoje cerca de 30% do seu valor nominal (5 euros).
A que se deve este descalabro?
A abertura pela UEFA de um procedimento disciplinar tendente à verificação das condições de admissibilidade do FC Porto na UEFA Champions League, edição 2008/09, não ajuda, mas esta tendência para o afundamento já vem de trás.
Variação a 1 semana: -6,02%
Variação a 1 mês: -12,36%
Variação a 6 meses: -23,53%
Variação a 12 meses: -33,62%
Não é possível inverter esta tendência?
No imediato, não estou a ver como, a não ser que aparecesse um Berardo azul-e-branco a fingir fazer uma OPA.
A médio prazo, talvez, mas para isso era indispensável equilibrar os resultados operacionais, sem ser necessário recorrer todos os anos às mais-valias de vendas de jogadores.
Ou seja, se a venda de jogadores servisse para diminuir o passivo da sociedade e gerar lucros, e não para tapar buracos orçamentais, talvez a FCP SAD se tornasse atractiva para os investidores. De outro modo, vai ser difícil sairmos deste buraco.
Aliás, os próprios administradores da FCP SAD parece não acreditarem muito na sociedade que administram há mais de uma década. Com a honrosa excepção do presidente Pinto da Costa, os restantes administradores têm muito poucas acções ou nenhumas.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
O FC Porto na Bolsa

Fonte: Bloomberg
Aproveitando uma visita ao site da Bloomberg, deixo aqui alguns "fundamentals" relativos ao título da FC Porto SAD:

Curiosamente, ou talvez não, o mercado ficou indiferente ao processo que levou aos castigos aplicados à SAD e ao presidente Pinto da Costa e aos rumores de que o clube poderia ficar fora da Liga dos Campeões na próxima época. As acções portistas estiveram, no último mês e desde que foram enviadas notas de culpa, a "andar de lado" como em muitas outras ocasiões.
Gráfico do mês:

Fonte: Jornal de Negócios
Gráfico e dados do dia:

Fonte: Jornal de Negócios
Registe-se ainda que se trata de um título com muito pouca liquidez e que, apesar de já há algum tempo o Dr. Fernando Gomes ter dado uma entrevista à revista Dragões em que afirmou que a SAD tinha um contrato com uma empresa financeira com vista ao aumento da liquidez e da valorização do título, tal não só não aconteceu como ainda desvalorizou fortemente.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
As “garantias” aceites por Ferreira Leite
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| Manuela Ferreira Leite e as acções da Benfica SAD |
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| Manuela Ferreira Leite e Vasco Valdez na Assembleia da República |
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| Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira no “Jantar do Desporto”, em 04/03/2002 |
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Os sócios e a SAD
O FC Porto sempre viveu sob a influência, maior ou menor, dos sócios. Essa influência é renovada de três em três anos (podendo ser estendida por mais um ano se não existirem listas concorrentes) de modo democrático através de eleições para os órgãos administrativos do clube.A SAD veio introduzir um novo actor neste sistema: o accionista. O accionista investe o seu dinheiro na SAD (do futebol ou de outra modalidade) e mediante os estatutos da mesma pode ou não ter poder suficiente para decidir quem são os administradores da SAD.
Com a cada vez mais eminente saída de Pinto da Costa do FC Porto (os anos passam, e infelizmente o Presidente não fica mais novo), e como consequência do Conselho de administração da SAD, começo a preocupar-me seriamente com o rumo que o futebol do FC Porto possa vir a tomar. A minha preocupação não tem a ver com a maior ou menor capacidade das pessoas que possam ser nomeadas para esses cargos, mas com o facto de poder deixar de representar tudo aquilo que esperamos de uma equipa do FC Porto.
De momento o FC Porto tem 40% do capital da SAD. Este capital é suficiente para garantir, até ao momento, o controlo da mesma. Mas os tempos e as situações também mudam... E se por ventura aparece um Americano ou Russo multimilionário com interesse em "investir" no FC Porto, Futebol SAD? E o que acontece se esse investidor se esquecer do FC Porto, Futebol SAD ou achar que não faz sentido existir o FC Porto, Futebol SAD? É nessa altura que nos devemos preocupar, ou devemos começar já?
Os sócios devem começar a pensar seriamente se querem correr estes riscos! É possível fazer alguma coisa para o evitar? Claro que é! Para começar os sócios devem participar activamente na vida do clube (e por força da representação dos 40%, na SAD), participando nas AGs e nas eleições. Podem pensar em qual será o perfil das pessoas que queremos à frente do Clube, que garantam que o mesmo vai ter sempre a maioria das acções da SAD, e que estas não vão ser alienadas.
Nesta perspectiva, vejo com bom olhos qualquer iniciativa que vise agregar as vontades dos sócios e adeptos (à semelhança do que aconteceu por exemplo em Inglaterra com o Man. Utd., que foi criada uma associação de adeptos/accionistas), que tivesse como único interesse o sucesso do FC Porto, Futebol SAD associado ao Clube. Por muito poucas que sejam as acções detidas por sócios/adeptos, conjugadas com as do Clube, podem fazer a diferença.
Da minha parte, vou fazendo o que posso para estar preparado para tomar as minhas decisões: frequento assiduamente as AGs do clube, adquiri acções do FC Porto, Futebol SAD, e vou falando com/ouvindo outros portistas.






