sábado, 6 de julho de 2013

Percentagens dos passes

É um assunto polémico e que já foi várias vezes discutido neste blogue.
Haverá várias razões que explicam e/ou justificam o facto da FC Porto SAD não adquirir 100% dos passes de todos os jogadores que contrata.

No caso do mexicano Hector Herrera, e de acordo com o presidente do Pachuca, a razão principal parece ter sido porque o clube vendedor pretendeu ficar com uma percentagem do passe.

(O JOGO, 05-07-2013)

Particularidades do calendário 2013-14

Não gosto do calendário 2013/2014, mas é um facto que tem particularidades interessantes.

Na 1ª jornada, o quase campeão da época passada desloca-se ao estádio dos Barreiros onde, a três jornadas do fim, os seus jogadores fizeram uma enorme festa e comemoraram antecipadamente um título que haveria de ser dos suspeitos do costume. Veremos se, desta vez, o presidente do Marítimo volta a dizer, antes do jogo, que nada farão para impedir o benfica de ser campeão…

(Marítimo x slb, época 2012/2013)

Na última jornada, o slb desloca-se ao Dragão, o local de todos os pesadelos encarnados e onde, em Maio passado, Jesus se ajoelhou à frente de Vítor Pereira. Veremos se, desta vez, o slb conseguirá chegar à 30ª jornada com mais de três pontos de avanço. Seria muito mau sinal…

(FC Porto x slb, Maio de 2013)

Para além de não me agradar (por razões desportivas e financeiras) que o FC Porto x slb seja na última jornada, também não gosto que o FC Porto vá jogar à Luz no dia 11 ou 12 de Janeiro de 2014, logo a seguir à paragem de Natal.

Teoricamente, a 2ª volta é bastante mais difícil, com deslocações ao Marítimo (17ª J), Guimarães (21ª J), Alvalade (23ª J), Nacional (25ª J) e Braga (27ª J).
E, também na 2ª volta, não se esqueçam de avisar os senhores Bruno Paixão e Duarte Gomes que o Gil Vicente x FC Porto está previsto para o dia 16/02/2014…

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Novos equipamentos


Foram apresentados os equipamentos para a próxima época. Isto não é propriamente uma notícia «fresca», mas ainda não tínhamos falado disto aqui.



Pessoalmente gosto muito da camisola alternativa. Quanto à principal, não desgosto não senhor mas sou por princípio «tradicionalista» neste ponto - prefirindo portanto uma camisola mais clássica, i.e. com menos riscas verticais (e acho por exemplo que se podiam fazer umas quantas variantes engraçadas a partir da camisola do FCP campeão europeu de 1987, sem necessariamente «tocarem» no número de riscas) .

Mas pronto, também não tem tantas riscas como a de 02/03 (época que deixou boas memórias).

Já agora e de um ponto de vista de merchandising e tendo em conta a crise que assola muitos portistas, penso que é de repensar a política de preços; caso contrário o número de camisolas vendidas na próxima época será provavelmente um recorde pela negativa. 
Não me parece que faça sentido ter preços iguais (ou por vezes até mais altos) do que os preços que se vêem numa Bélgica, Inglaterra ou Alemanha, e quando se sabe que o custo de produção é uma pequena fração do preço de venda tendo mesmo vindo a descer nas 2 últimas décadas, fruto do outsourcing generalizado destes artigos para os Bangladeshes deste mundo (sendo portanto a margem de lucro bruta muitíssimo alta, principalmente em Portugal onde 1) o custo do pessoal - vendedores e distribuidores - e 2) amortização das lojas e terreno são muito mais baixos do que nos países que mencionei, e não são uma % tão pequena como isso do custo total).

Aliás, por curiosidade colecciono camisolas de futebol do mundo inteiro (já tenho mais de 70) e tenho conseguido arranjar camisolas oficiais novinhas em folha de diversos clubes europeus (para não falar dos outros) por menos de 40 euros sem grande dificuldade (embora nunca as compre mal são lançadas esperando algum tempo, caso contrário seria muito mais difícil).

Mais: penso que a diferença de preço entre as camisolas oficiais e as de candonga nunca foi tão grande como hoje, sendo portanto o incentivo para escolher a 2a opção mais forte do que nunca (ainda mais com a crise).

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Insustentável Leveza do Sucesso (I)

(a partir da esq.: José Lima, Jorge Bertocchini, Rodrigo Martins, Nuno Nunes, Prof. Armando Leitão)

O presente artigo tem por base uma apresentação recente que fiz no II Encontro da Bluegosfera, em Espinho. Essa apresentação, que é parte integrante de um painel que deu o nome a este artigo, teve por objectivo abordar, entre outros, os temas Internacionalização, Crescimento, Competitividade e Sustentabilidade do FC Porto e em particular da sua Sociedade Anónima Desportiva (SAD) e contou com outras duas apresentações (José Lima do Mística Azul e Branca e Rodrigo Martins do Bibó Porto), com a moderação de Jorge Bertocchini do Porta19 e com o comentário final do Prof. Armando Leitão da FEUP.

Enquadramento da actividade no contexto de Crise


Em primeiro lugar é necessário enquadrar a actividade da SAD no contexto da actual crise socioeconómica que se vive em Portugal. Os números do Desemprego, Dívida Pública, (queda do) Produto Interno Bruto e Défice Orçamental são por demais conhecidos, sendo objecto de escrutínio quase diário na comunicação social, redes sociais, pelos partidos e por outros comentadores políticos. Interessa sobretudo reforçar o descontrolo no crescimento do desemprego e do défice e na queda do PIB, com influência directa na qualidade de vida dos cidadãos. Estes factores condicionam e impactam, directa ou indirectamente, a actividade da SAD. Em termos económicos será previsível (mas não obrigatório) a ocorrência de diminuições nas receitas ‘core’ da sociedade como sejam Bilheteira, Merchandising, Sponsorização, Media e, inclusive, potencial desvalorização dos passes dos jogadores. Em termos financeiros os impactos são reais e já estão a ser sentidos há mais tempo: escassez de liquidez no mercado, aumento dos spreads bancários, dificuldades de acesso ao crédito (acrescidas, no negócio Futebol) e dificuldade de cobrança (e pagamento) de dívidas.

O Modelo de Negócio da FC Porto SAD


As receitas da sociedade assentam num conjunto de proveitos ‘core’ (que como já foi referido são compostos por Bilheteira, UEFA, Merchandising, Sponsorização e Media) e numa componente vital que são os encaixes com as transferências de jogadores, que no gráfico são descritos como “vendas de jogadores” e dizem apenas respeito às mais-valias obtidas (grosso modo, o valor pelo qual vendemos deduzido do valor pelo qual comprámos). O método ou a prática a que temos vindo a assistir na vertente “jogadores” caracteriza-se essencialmente por adquirir o passe – só o FC Porto ou em associação com Fundos – de jogadores jovens, internacionais pelo seu país, com grande potencial de crescimento e valorização, fazer o aproveitamento desportivo e vendê-los numa fase mais madura e de preferência para campeonatos mais competitivos (ou aos petrodólares), com um grande encaixe financeiro. Faze-lo da forma como a SAD o tem feito significa estar um passo à frente da concorrência. No entanto esta estratégia comporta riscos consideráveis. Por exemplo, num ano em que o clube não consiga encaixar um montante da ordem dos €30m em mais-valias com vendas de passes de jogadores, isso representará um défice operacional se os custos não forem reduzidos em conformidade (e normalmente a SAD não reduz custos).


Nos 2 últimos períodos com Relatórios e Contas publicados (2010-11 e 2011-12) os custos cresceram a um ritmo superior ao do crescimento dos Proveitos. No primeiro valeu o encaixe de €15m com o recebimento da cláusula de rescisão de AVB. No segundo (2011-12) houve um crescimento das rubricas Fornecimentos e Serviços Externos e Gastos com Pessoal do lado dos custos e um decréscimo dos proveitos, o que contribuiu decisivamente para o resultado líquido negativo de -€35m. O crescimento dos custos associado a um ligeiro decréscimo nos proveitos implicou uma queda considerável no Resultado Operacional Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, vulgarmente conhecido por EBITDA. Este indicador vinha a apresentar-se estável num intervalo entre €30m e €35m e, em 2011-12 caiu para €12m. Há que inverter com urgência esta situação. Espera-se que os resultados operacionais 2012-13, a serem divulgados em Setembro, voltem para os níveis de 2010-11.


Paralelamente ao desempenho operacional é importante uma observação atenta à evolução da Dívida total da FC Porto SAD (em termos consolidados). De facto, o endividamento tem crescido para níveis elevados tendo já ultrapassado a barreira dos €100m (não inclui Dívida da Euroantas no Project Finance do Dragão). Face às crescentes dificuldades de obtenção de liquidez e renovação das linhas de financiamento no mercado bancário, a SAD tem optado por uma progressiva substituição deste tipo de endividamento pela emissão de títulos de dívida (Empréstimos Obrigacionistas). A procura tem superado a oferta nas sucessivas emissões de títulos nos últimos anos e por isso torna-se mais fácil e cómoda esta opção, com o inconveniente de o custo do capital ser superior: a última emissão, de €30m em Dezembro de 2012, ofereceu uma taxa de juro anual bruta de 8,25%.


Ao indicador Dívida total acrescentamos um outro, a Dívida líquida (“Net Debt”, obtida pela subtracção à Dívida total dos montantes em Caixa, Depósitos bancários e outros títulos imediatamente mobilizáveis). Este indicador teve um crescimento superior a 35% no último ano, fruto das dificuldades de tesouraria vividas nesse período. Se dividirmos este indicador pelo EBITDA (grosso modo, um resultado operacional bruto), temos o número de anos necessários à liquidação total do endividamento (medido no eixo vertical, do lado direito do gráfico), que passou de 2 a 3 para um valor superior a 8 no último ano. Para que o negócio e a actividade da SAD sejam sustentáveis no longo prazo, face a estes níveis de endividamento, seria prudente conseguir recuperar os níveis anteriores de EBITDA o mais rapidamente possível.

Com um modelo de gestão que (i) obtém uma parte considerável (30 a 40%) dos proveitos totais com as mais-valias geradas na alienação de passes de jogadores e que (ii) mantém elevados níveis de endividamento, uma das questões que se colocam é: como manter simultaneamente o negócio sustentável e uma equipa de futebol competitiva?

A discussão continuará na segunda parte deste artigo: A Insustentável Leveza do Sucesso (II)
   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mais vale cair em graça do que ser engraçado

Desconheço a razão porque o Fucile foi afastado no início de 2012, com a época a decorrer - e ainda bem, porque isso é algo que não deva ser público. Sei que terá sido algo de grave, porque no Porto as questões disciplinares não são tratadas com leviandade. Também desconheço porque motivo, o Fucile, presenteado com esta nova oportunidade de voltar a integrar o plantel, e podendo simplesmente "colocar uma pedra" sobre a sua saída, aproveitou o destaque para responsabilizar o Vítor Pereira - além de não ser grande jogador, tais
declarações também não abonam muito a seu favor como homem, ao tentar "marcar pontos" junto dos adeptos à custa de um treinador mal-amado; nem o Vítor Pereira está cá para se defender, nem o Fucile tem o direito de fazer dos adeptos idiotas, procurando fazê-los crer que um jogador é colocado à parte pelo treinador (e logo o Vítor Pereira) por puro capricho.

Também desconheço a real valia do Iturbe, esse pária imberbe que fala demais, e que amua por não jogar. Desconheço se algum dia concretizará o potencial que lhe atribuiram, mas é muito novo (e nem todos os jovens jogadores lidam com os desafios que lhes são apresentados, da mesma forma como, por exemplo, o Cristiano Ronaldo) e ainda vai a tempo de o conseguir.

Por fim, desconheço também o porquê de estes dois jogadores, despertarem sentimentos tão díspares nos adeptos. Ao Fucile, por maior trampa que faça, tudo lhe é perdoado - é "raçudo", está desculpado; ainda hoje a eliminatória perdida contra o Schalke 04, é mais facilmente lembrada pelo penalty que o Lisandro falhou, do que pela expulsão estúpida do uruguaio. Já o Iturbe, um miúdo de 20 anos que, até prova em contrário, só quer que o deixem jogar, e que quando isso não acontece, fala demais (e aqui nem sequer se sabe até que ponto o faz por influência externa), é visto como um indesejável que deve ser descartado o quanto antes, pese embora ter sido contratado por um valor considerável - daqui aos assobios, é um pequeno passo; não estará aqui uma das razões porque "o treinador aposta pouco nos jovens" (seja lá o que isso for)? É compreensível alguma frustação com o ex-futuro Messi, mas acima de tudo é preciso coerência: se o Fucile tem direito à 648ª oportunidade, porque não pode o Iturbe ter direito a uma 2ª?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Os naming rights do Dragão

A propósito de um artigo recente do José Rodrigues sobre os naming rights do novo museu do FCP, abriu-se um interessante debate sobre o passo a seguir. Inevitavelmente, a discussão sobre a venda dos direitos do nome do Estádio do Dragão.

Eu pertenço a um grupo que se auto-intitula Against Modern Football e que não concebe sequer que isso possa vir a suceder.
Sou um romântico confesso, um adepto que sente uma identificação especial com um emblema, umas cores, um espaço físico uma história. Se me mudam o emblema, se me alteram as cores, se rompem com o espaço físico e a aura que me rodeiam, só me fica a história. Só fica o passado. Muitos clubes recentemente têm sofrido metamorfoses tremendas, a maioria por culpa da venda a milionários de várias proveniências. É estranho que um emblema controlado pelos próprios adeptos permita que o clube mude de emblema, mude as cores do equipamento ou que venda o nome do seu estádio. Muito estranho.
Essencialmente isso sucede porque o adepto gosta de sentir-se parte de algo. Quando os nomes do quotidiano desaparecem para dar lugar a marcas, algo se perde. A muitos custou-lhe a chegada dos patrocinios nas camisolas. Quando eu nasci essa realidade já lá estava, não pude lutar contra ele. Mas confesso que parte do meu apoio ao Barcelona e ao Athletic Bilbao, com quem sempre me identifiquei, desapareceu no dia em que a Unicef/Qatar Fundation e Petronor ocuparam o espaço central das suas camisolas. O FC Porto teve o mérito comercial de se antecipar em Portugal a todos os outros. Mais do que isso, criou uma cultura de adepto com o seu próprio patrocínio, perpetuando o nome Revigres durante quase duas décadas. Para os dragões, a associação fez da empresa portuguesa parte da família. A chegada da PT (e as suas variantes) foi para muitos um golpe. Respeito todas as posturas mas custa-me entender - como adepto - como alguém pode estar disposto a vender partes dessa identidade. E o estádio é uma delas!

Agora vem o debate do Dragão!
O espaço das modalidades - antigamente conhecido pelo nome do presidente Américo de Sá - foi criado com uma parceria com a Caixa Geral de Depósitos e chama-se Dragão Caixa. A natureza arquitectónica do edifício permite que o nome do patrocinador se enquadre com o que o espaço é. Não existe uma invasão sonora do "Mini-Dragão" como se fosse chamado Dragão Sonae ou algo do estilo. O novo museu, criado também numa parceria com uma entidade bancária, terá o by BMG como alusão aos anglicanismos que parecem sempre ficar bem. Rompe totalmente com a ideia por detrás do Dragão Caixa, ainda para mais num espaço que devia reflectir a herança moral do clube. Não conheço outro clube no mundo (se conhecerem, apontem na caixa de comentários) que tenha vendido o nome do seu museu assim, tão impunemente. Sinal dos tempos desta nova gestão mercantilista, onde nada está a salvo e tudo é permitido. Não me lembro dos sócios terem sido consultados. Não me lembro do assunto ter sido levantado em AG. É uma espécie de quero, posso e mando habitual de quem está há tantos anos no poder que com o seu impacto social e moral conseguiu transformar um clube de sócios individuais numa dinastia inquestionável. O preço do sucesso dirão alguns.



Mas o estádio é algo diferente.
O estádio é onde nos reunimos. O estádio é onde sofremos. O estádio é onde os visitantes chegam e testemunham a nossa natureza, a nossa fome de vitórias. É onde celebramos, onde choramos e onde nos abraçamos a desconhecidos. É tão nosso como o azul e branco, o dragão do emblema com o escudo da cidade. O estádio nunca deveria estar à venda e no entanto há gente, entre sócios, adeptos e dirigentes, que parecem estar só à espera do momento ideal para dar a estocada final num dos símbolos de qualquer clube: o seu lar.
Quando construído, pensou-se em vários nomes para o novo lar dos portistas. Houve quem pensasse em José Maria Pedroto, como homenagem à máxima figura história do clube. Os mais pintocostistas evocaram o nome de Jorge Nuno como opção, não conhecendo a sua figura, incapaz de permitir algo bernabeuiano. Ficou Dragão. Uma escolha perfeita, com um timing exacto. Antes tinha existido o estádio das Antas (oficialmente estádio Futebol Clube do Porto) e o estádio da Constituição, hoje vendido também à marca Vitalis, que a história para alguns tem sempre um preço e não é tão caro quanto isso.
A moda da venda dos naming rights dos estádios começou nos Estados Unidos, onde tudo está à venda. Na Europa existia um respeito com a tradição que vai desaparecendo. Há pessoas que acham que a alma se vende por uns trocos. Imagino que os mesmos que defendem a venda do nome do estádio não tenham problemas em vender o nome do clube (como sucede com o Red Bull Leipzig, Salzburg, New York ou o Pão de Açúcar Goiaba do Brasil) porque o seu argumento é só um: continuamos a chamar pelo nome que queremos e já está. Assim se resolve o problema.
Talvez chegaremos ao dia em que as pessoas vão ao registo civil e vendam o seu nome por uns tostões (podem passar a chamar-se Sony João Almeida) sob o mesmo pressuposto. Pode parecer ridículo mas para os nossos pais também era ridículo vender o nome do estádio do seu clube e aí estão eles, a fazer contas à vida. O ridículo de hoje parece ser a inevitabilidade do amanhã.

No panorama internacional europeu, a venda de naming rights ainda não é uma realidade aceite pela maioria dos adeptos. Com todo o sentido. Aliás, só clubes com grandes problemas financeiros ou onde os adeptos não têm voto na matéria se têm atrevido a dar esse passo.
Foi o caso dos clubes alemães, quando estalou a bolha financeira do império Kirch. As dividas do Dortmund levaram o Wellfastadion a ser o Signal Iduna, as do Hamburgo a transformar o Vondalkspark em Imtech e os negócios do Schalke 04 transformaram o Gelsenkirchen Arena em Veltins Arena. Quase todos estádio construidos desde o zero para o Mundial 2006 (o que é importante porque, segundo vários estudos sobre o tema, o valor do naming de um estádio com história é inferior a um recinto novinho em folha).
Só o Bayern Munchen, sempre um passo à frente nestas questões, o fez por vontade própria. Mas o Bayern é gerido como uma multinacional desde os anos 70 e também por isso é um clube que gera tanto desprezo no mundo do futebol. Não surpreende ninguém o passo. Em Inglaterra, o outro país onde se começam a verificar a venda de nomes de estádios este sucederam, habitualmente, quando o clube parte para a construção do novo recinto e utiliza os naming rights para pagar o estádio, com um contrato de duração determinada até ao ponto em que pensam que o recinto está pago. Foi assim com o Ashburton Grove do Arsenal (hoje Emirates), do City of Manchester (hoje Ethiad Stadium) ou do Burnden Way (hoje Reebok Stadium). Aí a venda dos direitos é utilizada como crédito bancário para evitar um maior prejuízo na construção do estádio. Não é o nosso caso.


Para que pode querer o FC Porto vender os naming rights do estádio?
É difícil imaginar uma empresa internacional a querer pagar dinheiro para dar o nome ao estádio de um clube português. Não vejo nas empresas portuguesas alguém com poder suficiente para arcar com esses gastos. O FC Porto não precisa do dinheiro para pagar o estádio. Não precisa desse dinheiro para investir no plantel. O orçamento actual para as ambições do clube é mais do que suficiente. Já temos o orçamento mais elevado (ou o 2º, em alguns anos, muito perto do primeiro) para manter a hegemonia nacional. Para as provas europeias o discurso habitual dos Oitavos de Final também se adequa com o nosso orçamento pelo que a venda dos naming rights não alteraria muito o cenário.
Os jogadores vão olhar sempre para um clube da periferia europeia como sitio de passo para outro nível, por isso vender o nome do estádio não implicaria criar uma super-equipa da noite para o dia. Então, para quê?
O Arsenal recebeu 100 milhões da Emirates num contrato de 15 anos. Estamos a falar de 6,6 milhões de libras ao ano (cerca de 10 milhões de euros). O negócio do City envolve valores muito mais elevados (400 milhões por 10 anos) mas a empresa que os paga está associada aos donos do clube, pelo que no fundo é um circuito fechado para contornar a regra do Financial Fair Play. O Dortmund recebe 5 milhões ao ano pelo nome Signal Iduna Park no seu estádio.
Estamos a falar de clubes das ligas de topo com valores acordes à sua realidade (da mesma forma que o patrocínio dos equipamentos parte de outros valores de mercado que os nossos). E no entanto, são números quase insignificantes. No caso do FC Porto, seria difícil conseguir um negócio melhor que o Dortmund (que é só o estádio que mais assistências tem na Europa), pelo que estaríamos a falar de 5 milhões ao ano. O que é isso para as contas do clube?

Permite acabar ou diminuir fortemente o passivo? Não.
Permite contratar um grande jogador internacional ao ano e pagar-lhe o salário? Não
Permite reforçar o plante com dois ou três jogadores de qualidade média alta e pagar-lhe o salário? Não.
Permite contratar duas ou três promessas a mais das que já contratamos? Não.
Permite aumentar realmente a massa salarial do plantel para evitar saídas precipitadas? Não.

Honestamente, 5-10 milhões ano, que é o máximo que qualquer clube que não seja do top 10 europeu pode ambicionar pelo seu estádio, justifica abdicar da herança história, da alma do clube? Está realmente tudo à venda? Somos adeptos de um clube de futebol (uma instituição de interesse público) ou de uma multinacional? Tanto faz se amanhã aparece a Coca-Cola com 50 milhões de euros para nos equipar de vermelho? É igual que o estádio se chame Dragão ou Optimus ou Coronita? Somos um clube em quebra financeira (como o Sporting), que precisa de uma injecção urgente de capital para ser competitivos? Temos princípios ou somos um entreposto comercial?

A minha resposta a todas essas perguntas é clara. O Futebol Clube do Porto não precisa de vender os naming rights do Dragão da mesma forma que não precisava de o fazer com o museu. O FCP não precisa de vender o nome do clube ao melhor postor (porque o estádio também é o nome do clube, em cimento) nem preciso de enganar os seus sócios e adeptos de tantos anos de devoção com um negócio cujo o seu valor real de mercado para a nossa realidade é insignificante. O que o FCP pode e dever fazer é optimizar ao máximo os seus recursos, procurar novas formas de négocio dentro da sua estrutura, reduzir perdas desnecessárias e controlar o seu passivo sem abdicar de ter uma equipa competitiva. E isso não é incompatível com que o estádio continue a ser apenas e só, nosso. Do Dragão!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SMS do dia

"O F.C. Porto divulgou esta segunda-feira a lista de nomeados para receber os Dragões de Ouro relativos à época anterior, sendo de destacar a atribuição de Dragão de Ouro na categoria de Parceiro do Ano ao BMG: Banco de Minas Gerais."

"Segundo informações obtidas pelo ESPN Brasil, em uma das cláusulas do contrato assinado entre as partes [FCP e BMG] é ressaltada que "toda e qualquer negociação envolvendo possíveis reforços para os portugueses no Brasil tem de passar pelo BMG"
ESPN

Será que o próximo passo do clube passa por exigir aos sócios que o queiram ser e aos adeptos que queiram ir ao estádio ter uma conta aberta no BMG? Porque entre um banco brasileiro a levar um Dragão de Ouro (esse prémio tão valorizado) e um site de reputação inquestionável como a ESPN avançar sobre a possibilidade da BMG filtrar qualquer negócio que possamos fazer no Brasil (mesmo que o puto jogue na Amazónia) parece evidente que só falta mesmo fazer uma estátua às portas do Dragão para manter os nossos "amigos" brasileiros felizes!

Vitor Pereira em discurso directo

Notável entrevista do VP ao MaisFutebol onde falou sem papas na língua.

Ficam aqui algumas das melhores frases da entrevista do treinador mais questionado talvez da última década do FCP.

O plantel disponível
"Acredito que se mantivéssemos a mesma estrutura, e encontrássemos um ou dois jogadores rápidos e desequilibradores, evoluiríamos para outro patamar qualitativo"

"Faltaram (jogadores desequilibrantes , sim. Tínhamos muitos atletas de posse, de passe e qualidade, mas faltava alguma agressividade no um para um ofensivo. Em determinados jogos sentimos isso"

"Tínhamos muitos meninos. Recordo-me do jogo na Luz, esta época. Tínhamos no banco Sebá, Kelvin, Atsu, Castro... o Castro está numa fase diferente, mas todos os outros eram muito jovens e inexperientes."

Jackson
"O Jackson foi encontrado há três anos. Custava muito pouco dinheiro. Entretanto, mudou-se da Colômbia para o México e continuou a ser um avançado, do meu ponto de vista, evoluidíssimo. "

"Senti muito essa falta (Jackson no 1º ano). Para ganhar o campeonato, e bem criticado fui por isso, tivemos de desviar o Hulk para o meio. De outra forma não tínhamos conseguido ser campeões."

Sobre a saída de AVB.
"Os primeiros seis meses foram muito difíceis, é verdade. Sinceramente, não me identificava nada com o treino e com a postura da equipa. Vários jogadores criaram expetativas de partida para outros campeonatos, onde iriam ganhar mais dinheiro, mas ficaram e tive de lidar com esses retalhos emocionais. Tentei minimizar estragos, mas não me admira nada que tenhamos falhado na fase de grupos da Liga dos Campeões. Faltava-nos solidez emocional no coletivo. Não havia um pensar de equipa. Havia muita gente mais preocupada com a sua vida e isso prejudicou-nos muito. "

Jogar contra Jesus
"O Benfica era uma equipa poderosa contra a maioria das equipas. Tinha várias opções para o ataque, acelerava muito bem o jogo - porque tinha jogadores para isso - e fazia bem as transições ofensivas. Mas contra nós não tinham hipóteses. O nosso modelo de posse, pressionante, não permitia que o Benfica fosse uma equipa de iniciativa, mas sim reativa."

Reyes e Herrera
"Conheço os dois há algum tempo. Aliás, estava convencido que o Herrera ia chegar em janeiro, mas não foi possível. É um médio de grande qualidade. O Reyes é mais defesas central do que médio-defensivo. Aliás nunca o vi a jogar no meio-campo. O F.C. Porto está muito bem servido de centrais e o Reyes vai ter de trabalhar muito para evoluir e jogar. Mas tem boas condições".

E sobre a saída...
"Senti-me orgulhoso pela forma determinada com que a direção do F.C. Porto e Pinto da Costa me pediram a minha continuidade. Aliás, até fiquei surpreendido com a persistência deles. Não é normal darem tanto tempo a um treinador para tomar uma decisão. Mostraram que me queriam, mas tive de tomar uma decisão e comuniquei-a ao presidente no dia 29 de maio. A partir daí o F.C. Porto teve de partir para outras opções e eu para outros caminhos".

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domingo, 30 de junho de 2013

As promessas mexicanas

Comecemos com um disclaimer: Sou um grande admirador do Diego Reyes e do Hector Herrera. Já os vejo jogar há vários anos, tanto na liga mexicana como nas selecções de formação aztecas e a qualidade futebolística está lá. O artigo não é sobre isso.

A operação Jackson Martinez saiu bem. Muito bem.
A SAD avançou para um jogador referenciado pelo Vitor Pereira - segundo o AVB na sua célebre entrevista ao Jogo - que actuava num modesto clube da liga mexicana e era um dos suplentes de Falcao na selecção da Colombia. Custou dinheiro mas rentabilizou cada cêntimo, sem necessidade de adaptações ao ritmo europeu nem de problemas de entrosamento com os colegas. Sobreviver à sombra de um grande é dificil, e Falcao era um avançado imenso. Mas Jackson foi ainda mais eficaz de dragão ao peito. E o seu negócio permitiu ao clube olhar para o mercado mexicano com outros olhos.

Mas o México, o maior país da América Latina, sempre foi um enigma para o futebol europeu.
E há razões de peso para isso. Razões para explicar porque é que em toda a sua história só um jogador, verdadeiramente, se tornou em estrela internacional no futebol europeu depois de ter dado os primeiros passos no gigante latino: Hugo Sanchez.
Antes de Sanchez foram muito poucos os jogadores mexicanos que atravessaram o "charco" para a Europa e nenhum deles com sucesso. Depois do célebre goleador das cambalhotas, os clubes europeus sentiram vontade de conhecer melhor o mercado mexicano. Vários jogadores foram contratados, nenhum triunfou. No virar do século, o despertar desportivo do futebol azteca trouxe consigo uma nova geração de talentos mas só o central/médio defensivo Rafael Marquez conseguiu o reconhecimento que muitos auguravam a vários colegas de equipa. Os problemas continuavam a ser sempre os mesmos.

Desde há seis anos para cá, verificou-se um verdadeiro boom de talento mexicano.
A selecção azteca de sub-17, sub-19 e sub-20 está entre as melhores do mundo nas suas respectivas categorias etárias. Desde o aparecimento de Giovanni dos Santos, Carlos Vela e Javier "Chicharito" Hernandez, o jogador mexicano voltou a estar de moda. Eles abriram a torneira e vários talentos promissores seguiram o caminho. Hoje é fácil dizer de memória um onze de promessas mexicanas e sobrar suplentes. Ochoa, Mier, Reyes, Espericueta, Enriquez, Barrera, Peralta, Torres, Zavala, Dávila, Fabian, Herrera, Fiero todos eles foram protagonistas dos mais recentes sucessos, desde a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (ganha à Brasil de Neymar) ao Mundial de sub-17 conquistado em 2011 a que se seguiu um terceiro lugar no Mundial sub-20 no mesmo ano, parece evidente que o México é uma potência a ter em conta. Mas porque é que os grandes clubes europeus não vão mais vezes ao mercado mexicano? E porque é que os talentos como Vela ou Gio dos Santos têm tanta dificuldade em impôr-se na Europa?


É um problema cultural, sobretudo.
O México é um país com uma cultura familiar extremamente forte, fechada. É um país importador, dentro do gigante mundo que é a América Latina, um país com uma fortuna relativamente superior à de muitos dos seus vizinhos. Há pobreza, muita, sobretudo na fronteira com os Estados Unidos por onde passam milhões de emigrantes clandestinos, mas também zonas de luxo como em poucos países da sua dimensão nesse quadro geográfico. A liga mexicana foi criada ao estilo NBA. Os presidentes são donos dos clubes e podem ter mais do que um clube sob o seu comando. A luta entre os gigantes das telecomunicações comanda o controlo da federação e da liga e isso acaba por reflectir-se também na forma como esses gigantes gerem os seus próprios clubes e aqueles que ajudam através de patrocínios. Sem o dinheiro desses milionários a liga não existiria como tal e é esse dinheiro que permite quase sempre segurar os melhores jogadores. São pagos a peso de ouro, em comparação com os argentinos e brasileiros, e educados desde cedo a preferir passar toda a sua carreira em casa do que a viajar para a Europa. A falta de um referente de sucesso pós-Hugo Sanchez é uma forma subtil de evitar o salto. Principalmente porque, uma vez lá, os jogadores encontram-se com sérios problemas de adaptação.

Meninos mimados no seu mundo, a exigência e disciplina do futebol europeu é para eles um desafio.
O talento de Vela e Gio dos Santos não lhes foi suficiente. O extremo do Arsenal não se conseguiu adaptar à exigência inglesa e só depois de várias épocas emprestado se encontrou consigo mesmo na Real Sociedad. A experiência mudou-o tanto que renunciou jogar na selecção por saber agora que o estilo de vida entre os aztecas é irreconciliável com o de um desportista de elite. Nas últimas competições em que participaram (Copa America, Golden Cup e Taça das Confederações), vários jogadores mexicanos foram apanhados pela imprensa e pelos dirigentes da federação em longas noites de festa, com álcool e prostituição à mistura. No futebol mexicano essa realidade é constante mas quando chegam à Europa cria-se um abismo com o ritmo de vida que lhes custa muito a adaptar-se. Gio dos Santos, que cresceu no Barcelona ao lado de Messi, desapareceu do radar durante anos até que fez uma boa segunda volta no Mallorca: sete anos depois da sua estreia como profissional. Ele e o seu irmão, Jonathan, foram alguns dos jogadores suspensos temporariamente pela federação nos últimos anos pelo comportamento pouco profissional. Mas estão longe de ser os únicos. Na última Copa América a federação mandou uma equipa sub-23 para castigar os seniores, apanhados com droga e álcool no sangue num controlo anti-doping realizado na véspera da Golden Cup. Não tiveram sorte, os mais pequenos imitaram-lhes o comportamento semanas depois. Entre a polémica dos jogadores espanhóis no Brasil passou de fininho uma história similar com os mexicanos. Comportamentos habituais a quem vive num espaço fechado e que não são admissíveis na Europa. Por isso muitos clubes preferem futebolistas de outras nacionalidades, dentro do espectro latino, mas com um comportamento fora do campo menos preocupante como os colombianos, equatorianos e chilenos, para lá dos inevitáveis argentinos e brasileiros. Por isso não vimos um jogador mexicano superar as agruras da adaptação ao jogo europeu com um sucesso imediato nos últimos 30 anos.



O FC Porto já teve desagradáveis experiências com aquilo que José Maria Pedroto baptizou como "as escolas de samba". Creio que os administradores da SAD são conscientes desta realidade. E a Reyes e Herrera, apesar de terem estado envolvidos em algumas dessas concentrações, nunca ninguém nomeou directamente como tendo sido parte dessas festas fora de horas. É no entanto importante ter a consciência de que se contratam jogadores com um imenso potencial, de um país emergente no futebol internacional, mas que vêm de uma cultura desportiva radicalmente diferente. Não significa que não se adaptem, que não triunfem e não sejam eles, com o exemplar Javier Hernandez, os jogadores que vão demonstrar que o futebolista mexicano está preparado para outro nível competitivo. Mas além da adaptação táctica e ao ritmo de jogo, terá forçosamente de existir um certo cuidado na sua adaptação ao estilo de vida no Porto. O passado recente dos jogadores catalogados como a próxima grande "promessa mexicana" isso exige.

sábado, 29 de junho de 2013

Finalmente o museu... by BMG


"Tal como aconteceu com o Dragão Caixa, que herdou o “Caixa” do patrocinador da obra, também o futuro museu do FCPorto seguirá essa linha. O nome oficial daquele que é o principal projeto do atual mandato de Jorge Nuno Pinto da Costa, na presidência portista, vai incluir o nome do banco brasileiro que financiará a construção do espaço e ficará, por isso, a ser conhecido por “Museu do FC Porto by BMG”.[...] Refira-se ainda que o museu do FC Porto deve, então, ser inaugurado no próximo dia 28 de setembro, ou seja, o mesmo dia em que o clube completa o seu 120.º aniversário, pelo que haverá novos motivos para celebrar a data."


Parece que finalmente lá vamos ter o museu de regresso daqui a 3 meses, ao fim de 10 anos (desde que o museu antigo fechou para a demolição do estádio das Antas).

10 anos. Parece-me uma eternidade, e como escrevi logo num dos artigos iniciais do RP (aqui), nunca percebi porque não se arranjou ao menos um espaço temporário (ainda que exíguo) para exibição dos principais troféus, o principal foco de interesse (e orgulho) para os adeptos.

Ao fim de tanto tempo as expectativas são naturalmente elevadas. Mas independentemente de ser muito ou pouco «prafrentex», estou certo que o museu rapidamente vai fazer parte do circuito turístico do Porto para muitos dos turistas estrangeiros que visitam a cidade.

Quanto ao patrocínio, desde que seja de montante jeitoso não tenho problema absolutamente nenhum que o museu tenha BMG no nome (o mesmo não diria do estádio... para me convencerem nesse caso teria que ser mesmo MUITO dinheiro).

... e isto por muito piroso que seja «Museu FCP by BMG» (se acham que vocábulos ingleses dão mais pinta - o que parece estar muito em voga em Portugal - podiam já agora chamar-lhe «FCP Museum by BMG» para serem consistentes). 

E vá lá que o patrocinador chama-se BMG, tivémos sorte. Sempre soa bem melhor do que «Museu FCP by Salsichas Nobre», por exemplo.

Para mim vai ser pura e simplesmente o Museu do FCP, e já não era sem tempo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Herrera, 80% por 8M

 
Uma contratação há muito anunciada.
Será Herrera o sucessor de Moutinho?
 
 

Porto: cada vez mais Futebol Clube

Por André Machado

A vencer desde 1893. É este o “benchmarking” de tantos portistas como eu, que no alto das suas cadeiras de sonho, profissionalmente falando, aplicam esta filosofia, sem pestanejar, no seu dia-a-dia. A transposição é permanente. Nunca esquecida. Vencer desde a sua nascença. Vencer desde a sua existência. Vencer. Ganhar. Conquistar. Crescemos a sentir o Porto e a pagar cara cada vitória. Nas Antas torcíamos mais do que os outros, acreditávamos mais do que os outros, ficamos conscientes e convictos que, para sermos melhores, teríamos forçosamente que fazer mais, e acima de tudo fazer mais do que os “outros”. Assim o fizemos. Assim trouxemos esta bagagem para a nossa vida profissional, pessoal. O Porto foi e é uma escola de homens. O Ensinamento. O Exemplo.


Mas nós, e quando me refiro a nós, falo na globalidade da essência do que é ser “portista”, não fomos os únicos a abraçar o crescimento e a maturidade. O Porto, também ele, cresceu. Mudou de casa. Triplicou o número de colaboradores. Quadruplicou o valor das suas equipas. Até diversificou a sua actividade e fundou novas empresas. Sempre a vencer, pelo menos dentro do campo. Nas quatro linhas. Na sua máxima preocupação, o Futebol. No “core” da sua existência, o Desporto Rei. Mas fora dele, parece esfumar-se no tempo, como um dia de neblina pela manhã, esta vontade de ser mais. Esta vontade de ser Porto.

Hoje o Porto não é só emoção, não representa apenas uma causa, uma região. Hoje o Porto é razão. É negócio, é activo e passivo. Hoje o Porto é lucro, organização, rentabilidade. Hoje o Porto somos todos nós, mas não só. Hoje o Porto é “mais” SAD. Mas é “menos” Comercial, menos Estádio, menos Multimédia, menos Seguros, menos Viagens, e claramente, é hoje menos Modalidades. Podia ser mais, mas não é. Hoje o Porto é muito, podia ser bem maior, mas parece teimar em não querer ser.


Classifico, desportivamente, como irrepreensível o trabalho da estrutura da SAD e respectivos elementos. Classifico como únicos os feitos e as conquistas alcançadas. Reconheço uma validade e um valor extremo e ímpar. E este reconhecimento abrange as mãos de quem detém o destino do meu Clube. Porém, desconheço a estratégica, o posicionamento e a abordagem comercial. O fio condutor das outras estruturas que perfazem o Grupo. Desconheço a penetração comercial internacional pretendida. Desconheço a capitalização do “Brand Equity”, desagregado do activo “Futebol”. Desconheço a captação de investimento internacional na sponsorização do clube e no investimento na rubrica “Hospitality”, entre outras. Desconheço talvez porque ando desatento, talvez porque a Razão baralhe a Emoção, de quando em vez. Desconheço talvez porque haja menos comunicação mediática sobre estas rúbricas, desconheço porque talvez seja de menor escala a política expansionista do grupo. Desconheço, talvez porque não perceba de política alguma, para além da política desportiva, que é de fácil compreensão. Simplesmente desconheço. Prefiro assim.

Mesmo quando se fala em expansão, fala-se pouco em penetração global. Conhecem-se entradas específicas em Mercados Emergentes, nomeadamente na aquisição de novos activos, leia-se jovens jogadores. Mas referencia-se pouco a comercialização activa de merchandising personalizado, por exemplo, nestes Países. Quantas multinacionais, que se encontram em fase de penetração no Mercado nacional, terão sido abordadas? Quantas feiras desportivas de renome mundial contaram com a presença do FC Porto, enquanto expositor? Quantos Produtos foram Licenciados e activados fora do território nacional? Quantas vezes foi o Porto o veículo que aproxima as organizações internacionais do Mercado Nacional, capitalizando assim o investimento que as mesmas fazem no clube e elevando a mais-valia que significa a elaboração de uma parceria comercial com a organização? Quantos eventos captados internacionalmente, fora do âmbito desportivo foram captados e inseridos no contexto Estádio do Dragão / Dragão Caixa? Quantos modelos de sucesso foram analisados, estudados e seguidos, nas diferentes áreas de negócio? Desconheço. Sou um leigo. Uma vez mais, um cego. Se no capítulo desportivo não há discussão que resista pois a invencibilidade estratégica impera há mais de três décadas, o mesmo não se pode afirmar no que à capitalização e rentabilização de outras potencialidades do Clube, das Empresas e da Marca, diz respeito.

Pegando num exemplo bem próximo e actual, as novas plataformas digitais e os designados “Social Media” que vieram para ficar, a página oficial do clube, no Facebook, possui um elevado número de colombianos como fãs e seguidores das actualizações diárias e da realidade presente do clube, estando já no topo da tabela, fruto das estrelas que o Porto conseguiu captar, neste País. De que forma é que rentabilizamos comercialmente esta aproximação intercontinental? Quantos dos nossos patrocinadores oficiais (independentemente da sua classificação, “Gold or Silver”) ou parceiros, que possuem especial interesse nesta região do Globo, utilizaram este canal como meio e veículo de comunicação direccionada? São muitas as questões que possuo. Desconheço todas as suas respostas. Talvez por ser um leigo. Serei certamente um leigo nesta matéria.

A vencer desde 1893 continua a ser o “benchmarking” e o legado de tantos portistas como eu, que no alto das suas cadeiras de sonho, profissionalmente falando, aplicam esta filosofia, sem pestanejar. Já o fizeram no passado. Vencer desde a sua nascença. Vencer desde a sua existência. Vencer. Ganhar. Conquistar. O Porto foi e é uma escola de homens. O Ensinamento. O Exemplo. Porque no Porto sempre torcemos mais do que os outros, sempre acreditamos mais do que os outros, sempre fomos conscientes que para sermos melhores, teremos forçosamente que fazer mais, acima de tudo fazer mais do que os outros.

E, neste capítulo, no extra futebol, ainda não somos suficientemente “mais”. Ainda não somos “mais” do que os outros…

Nota: o Reflexão Portista agradece a André Machado a elaboração deste artigo.
   

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O “Pinto da Costa” do Hóquei

Nos seus primórdios como dirigente do FC Porto, Pinto da Costa foi seccionista desta modalidade, mas o grande nome do hóquei em patins portista é outro.

Ilídio Pinto, o dono da conhecida confeitaria Petúlia (local onde era habitual José Maria Pedroto jogar cartas com um grupo de amigos), é um dos poucos dirigentes atuais do FC Porto que acompanha Pinto da Costa desde a sua primeira presidência e, quando tomou conta do hóquei azul-e-branco, em 1982, os títulos conquistados resumiam-se a um Campeonato Metropolitano (ganho em 1968/69).

Daí para cá, os dragões conquistaram 53 títulos nacionais (isto apenas em Seniores):
Campeonato Nacional: 21
Taça de Portugal: 14
Supertaça Nacional: 18

A que se juntam mais sete conquistas a nível internacional:
Taça/Liga dos Campeões Europeus: 2 (1985/86, 1989/90)
Taça das Taças: 2 (1981/82, 1982/83)
Taça CERS: 2 (1993/94, 1995/96)
Supertaça Europeia: 1 (1985/86)

Em cerca de 30 anos, o FC Porto passou do zero para o clube português com melhor palmarés naquela que, extra Futebol, já foi a modalidade Rainha em Portugal. Notável!

No passado domingo, umas horas antes do fogo-de-artifício da noite de S. João iluminar o rio Douro, a época 2012/2013 encerrou com chave de ouro: mais uma Taça de Portugal, mais uma dobradinha para o palmarés do hóquei portista!

(Jornal O JOGO, 25-06-2013)

Para que Reinaldo Ventura, Edo Bosch, Ricardo Barreiros e companhia igualassem o triplete alcançado em 1985/86 pela geração de Vítor Hugo, Vítor Bruno e Realista, só faltou ganhar a Liga Europeia, cuja Final foi ingloriamente perdida no Dragão Caixa, para uma equipa (o slb) notoriamente inferior e que tinha sido concludentemente derrotada nos dois outros desafios entre dragões e águias disputados durante a época.

Olhando para o futuro, com o treinador (Tó Neves) e a totalidade do plantel a manterem-se para a próxima época é caso para perspectivar que para o ano haverá mais (alegrias, esperam os portistas...).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Jogos em casa: vende-se ou usa-se o canal próprio?

Parece que a partir da próxima semana a slb vai estabelecer um preço de subscrição de 10 euros/mês para quem quiser ver o seu canal, o que reacendeu o tema «Vale a pena vender os direitos à Olivedesportos, ou é melhor transmitir os jogos na nossa própria TV?».

A minha opinião sobre este tema mantém-se: a única certeza que tenho é que transmitir os próprios jogos não se trata de todo de uma galinha dos ovos de ouro. Mas para além dessa certeza, acho que tanto é possível que venham a fazer mais lucro (algum, não muito) do que se tivessem vendido os direitos, como é possível que fiquem a perder algum dinheiro (o que acho ligeiramente mais provável).

Façamos as contas: o ponto de referência é o que a Olivedesportos lhes pagaria, que seria cerca de 20M/ano (ou até um pouco mais: digamos 24M). 

24M/ano é o equivalente a 200mil subscritores a pagar 10 euros/mês. Mas a estas receitas há que descontar os custos de operação (incluindo os direitos de transmissão da Premier League) e a % a descontar para o operador por cabo - que certamente não chegarão sequer a ser compensadas pelas receitas de publicidade e revenda de direitos para o estrangeiro.

Ora a SportTV terá hoje uns 300mil subscritores (e isto tendo até agora todos os jogos do slb), ou até menos do que isso. Com a diferença de que a SportTV vai continuar a ter uma panóplia de produtos na oferta, começando por todos os jogos de FCP e SCP (excepto na luz), jogos do slb fora, e todos os jogos da Liga dos Campeões. Ou seja, vai continuar a haver mais jogos do slb na SportTV do que na slb TV, e muito mais. 

Sendo assim parece-me difícil que a slb TV consiga no melhor dos casos chegar ou ultrapassar os tais 300mil a que a SportTV tinha conseguido chegar. Logo à partida, todos os particulares que não são lampiões vão-se recusar a subscrever o canal, o que elimina mais de metade da população; em seguida, uma grande maioria dos lampiões mais racionais a ter que escolher vão preferir a Sport TV, indo ver os jogos em casa do slb ao estádio, ao café ou a casa de um amigo (e já nem falo em pirataria na Net); sobra portanto como público-alvo os lampiões que não têm preocupações financeiras,  os lampiões mais ferrenhos e os não-particulares (cafés, restaurantes, ...). 

Ou seja, tendo um público-alvo que será para aí 1/3 do público-alvo da SportTV, é difícil de imaginar que consigam mais subscritores, mesmo tendo um preço de subscrição mais baixo.

Chegará para conseguir fazer mais de 20 e tal milhões LÍQUIDOS de lucro por ano? Talvez, mas é muito duvidoso e mesmo que sim, nunca será muito mais do q isso.

Não sei se alguém ficará a ganhar com isto tudo, mas sei que há quem vai ficar certamente a perder, e não é a Olivedesportos: nomeadamente, um número de cafés e restaurantes que se vão sentir obrigados a subscrever tanto a Sport TV como a slb TV de forma a não perder clientela...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Revelações de André Villas-Boas

Ontem, O JOGO publicou uma extensa entrevista de André Villas-Boas (recomendo a leitura) onde, já com um certo distanciamento, o ex-treinador fala de diversos temas que causaram alguma polémica. Destaco, de seguida, três desses assuntos.

1. A saída do FC Porto
"Há desafios que, a certo momento, uma pessoa sente que os deve aceitar e foi isso que me invadiu. O assédio não foi só do Chelsea, tive muitos [contactos] e houve conversas com o FC Porto durante todo esse período, que os colocou a par do meu interesse. A minha condição é que qualquer dos clubes pagasse o valor da cláusula, de outra forma não me sentiria confortável."

Depois desta revelação, a tese de que os dirigentes portistas foram apanhados de surpresa, com o interesse do André Villas-Boas em sair do FC Porto no final da época 2010/11, fica pura e simplesmente enterrada.


2. O interesse em levar João Moutinho para Inglaterra
"[há um ano, quando falhou a contratação de Moutinho] não foi a primeira vez que falei com o FC Porto para o tentar levar, já o tinha feito no Chelsea, mas agora foi de forma oficial, com propostas e negociação. Acabou por não acontecer, mas todas as partes, talvez menos o FC Porto, tentaram chegar a um acordo. O problema foi que a abordagem mais agressiva ocorreu no último dia do mercado e tivemos de correr contra o tempo, porque o processo era complicado, não só por aquilo que ele representava para o FC Porto, como também pelos valores envolvidos e pelas outras partes que tinham participação no passe."

Bem, ao contrário do que ouvi e li, pelos vistos não é verdade que o FC Porto estivesse desesperado, ou sequer muito interessado, em vender o Moutinho ao Tottenham em Agosto de 2012.


3. A descoberta de Jackson Martinez
"[Jackson] foi um jogador proposto para observação já no meu tempo de FC Porto, na altura até com intervenção do Vítor [Pereira] e que o deixou imediatamente marcado como alvo."

Confirma-se que, há três épocas atrás, o Vítor Pereira teve uma intervenção directa na sinalização do Jackson como potencial alternativa a Radamel Falcao.