sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Boa língua" espanhola

(jornal MARCA, Julho 2013)

No mesmo órgão de comunicação social, português ou estrangeiro, pode haver jornalistas e artigos de "má língua" e de "boa língua".

O jornal MARCA, o maior diário desportivo espanhol e um dos principais jornais desportivos europeus, é um bom exemplo disso mesmo.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Má lingua colombiana

O que se diz na Colômbia.

Num programa de tertúlia futebolística na rádio Antena 2 da Colômbia, o debate entre alguns jornalistas desportivos centrou-se na situação financeira do FC Porto e na sua relação com os seus futebolistas colombianos. É dito abertamente que o FCP deve três meses de salários ao Jackson, motivo principal para não se ter formalizado uma renovação (que, imagino, deve ser para baixar a cláusula porque quem chegou há um ano não precisa de renovar a não ser que lhe tenha sido prometido), que essa situação tem travado as negociações com Quintero e, sobretudo, reforça-se a crítica ao FCP como um clube que vive de "terceiras partes".

A certa altura da conversa, um dos jornalistas em debate, explica que a nossa situação financeira se deve à ausência de entrada nos cofres de capitais das vendas espantosas realizadas porque o dinheiro é utilizado para pagar comissões e dívidas antigas (imagino que se esteja a referir o passivo, que não tem baixado, longe disso).



O agente do Jackson já veio desmentir os salários em atraso, mencionando problemas de agenda do Antero para começar a tratar da renovação. No entanto, é curioso saber que num país com o qual temos trabalhado bastante nos últimos anos (e onde parece que queremos continuar a trabalhar, daí o interesse em Quintero) exista esta impressão sobre o clube. Não sei quem são os jornalistas mas a emissora em causa, a RCN, é a mais importante do país e uma das mais ouvidas da América do Sul pelo que não é um espaço propriamente interessante para suportar publicidade negativa. Afinal, no espaço geográfico onde mais trabalhamos, que se passa essa mensagem é um aviso a navegantes que podem passar a olhar para o clube com outros olhos.

Resta saber se estas declarações foram feitas com um interesse particular por alguma parte envolvente em  negócios com o clube, se existe algo de verdade nas acusações ou se se trata da mais pura especulação, tão habitual neste tipo de tertúlias. No entanto, tendo em consideração a gravidade do que é dito, o clube não devia ficar calado e torna-se forçoso redobrar esforços no sentido de estar atento a tudo o que se possa dizer sobre a nossa imagem como instituição numa zona onde temos sempre interesses de presente e futuro.

O rapto da macaca

A propósito da notícia avançada sobre a eventual tentativa de rapto do Bruma pelos membros da Juve Leo (também já li nalgum sitio que podiam ser SD´s...chama-se contra-informação) vale a pena lembrar que apesar de alguns jornalistas tratarem estes casos como se tivesse descoberto um novo planeta, raptos no futebol é coisa que sempre houve. A ETA raptou Quini, então avançado do Barça, para impedir que os catalães ganhassem a liga que seria da Real Sociedad. O caso de Eusébio e do "rapto" do Benfica, rumo a praias algarvias, já fez correr rios e rios de tinta. Mas poucos se lembram do rapto mais sui generis da história do futebol. O rapto da macaca!

Conta a lenda que nos anos 40, as regulares visitas do Sporting dos Cinco Violinos ao Porto acabavam quase inevitavelmente em vitória por causa de uma macaca da sorte. Os leões estagiavam regularmente em Oliveira de Azeméis, antes dos jogos, e aí tinham uma macaca que era acarinhada pelos jogadores, passeada com a comitiva, enfim, uma espécie de amuleto habitual de superstições tão comuns àquela época. A lenda ultrapassou o espaço de concentração dos leões e chegou aos ouvidos da directiva do FCP, agora liderada por Sebastião Ferreira Mendes.

Desejoso de ferir o Sporting onde mais lhe podia doer, acabando com esse mito da invencibilidade, o dirigente azul e branco fez-se com a macaca e levou-a para o lar do jogador do FCP, então uma quinta em Fonte Vinha, onde passou a ser amuleto sim, mas dos dragões.
Foi dito e feito. Quando o Sporting soube do rapto da macaca (que mais tarde foi paga pelo clube ao seu dono verdadeiro, que não era o clube lisboeta) os jogadores reagiram mal, queixaram-se amargamente aos directivos e no jogo seguinte perderam no estádio do Lima. E continuaram a empatar e a perder.
De tal forma era o trauma da macaca, que os jogadores do FC Porto muitas vezes se metiam com os rivais em campo, contando-lhes como ia a macaca e como se lhes tinha afeiçoado a eles. O Sporting até deixou de estagiar no mesmo sítio, mudou-se para Santa Maria da Feira.

A história só podia acabar de uma forma.
A 4 de Outubro de 1959, no estádio das Antas, o Sporting lá conseguiu voltar a ganhar no Porto. Foi uma vitória bastante celebrada (1-4) e que aconteceu, pasme-se, no dia em que pela manhã, morria a macaca do qual nunca se soube o nome. Com ela acabou a maldição e durante os anos seguintes os resultados do FCP vs SCP continuaram a ser uma loteria sem assombração à vista.

Bom ensaio na goleada !



Foi um jogo interessante e com boas indicações, quer colecitva quer individualmente, para início de época. Na primeira parte a equipa foi formada por: Danilo, Maicon, Ab, Alex, Lucho, Josué, Castro, Varela, Ghilas e Licá. Do primeiro tempo, realço o empenhamento e a pressão alta que Lucho comandou a preceito. O meio campo demorou um pouco a carburar e a encontrar espaços para criar perigo e chegar ao golo. A posse foi em alguns momentos atabalhoada e o passe nem sempre saiu com qualidade. Neste período, houve mais transpiração que imaginação, mas arrecadámos três golos (Varela, Ghilas e Castro) em função desse trabalho de sapa que abriu brechas na reforçada defesa do MVVM. Individualmente, destaco Alex Sandro que encheu o campo e o que mais me agradou de todos os que actuaram. Ghilas é um avançado que gosta de jogar no “espaço”. Talvez, por isso, tenha demorado um pouco a encaixar no esquema mais tradicional e de referência que é exigido a um avançado que joga no esquema habitual do 4X3X3. Subiu de rendimento, lutou, conseguiu fugir ás marcações, marcou um golo e assistiu Castro para o terceiro. Castro e Varela exibiram-se bem, Lucho comandou.

No segundo tempo, a equipa foi constituída por: Fucile, Otamendi, Mangala, Alex, Eduardo, Fernando, Defour, Kelvin, Martinez e Izmailov. A equipa movimentou-se melhor, a bola circulou de forma fluida e aconteceram mais jogadas interessantes e oportunidades de golo. Alex saiu, Kelvin funcionou como falso lateral esquerdo, enquanto Iturbe ocupava a ala direita. Após a saída de Eduardo, por incapacidade física,entrou Tiago que teve pormenores interessantes. A equipa passou a jogar com três defesas, e um duplo pivot (Defour e Fernando) o que não os limitou a pisar terrenos bem dentro do meio campo adversário. Foi mais animado este segundo tempo o que não admira, dada a maior qualidade e experiência dos jogadores que intervieram nesse período. O flanco direito foi menos utilizado e o jogo passou muito por Izmailov que teve muita bola, pois é um jogador muito inteligente tacticamente, quando para aí está virado. Os golos foram marcados por Martinez, Iturbe (gp )e Izmailov. Fucile confirmou algumas debilidades e Iturbe esteve tristonho.

Concluindo : foi um bom jogo para início de época e fico aguardar com expectativa os jogos que se seguem. Gostei de ver aquele ensaio com Kelvin a (falso) defesa esquerdo, o que promete alguma ousadia para vencer as equipas que jogam todos ao ataque fechadinhos lá atrás. Fabiano e Cadú foram os guarda redes utilizados.
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Para quando um plantel fechado?

plantel começa a tomar forma, mas há ainda algumas arestas por limar: jogadores por dispensar/emprestar, outros por colocar (por ex Atsu ou Rolando), uma ou outra eventual contratação a fazer (continua-se a falar de Bernard - que em princípio espero que não venha - Quintero e até mesmo Bruma).

E depois, claro, há – até ao fim de Agosto, portanto por mais 7 semanas - possíveis vendas indesejadas. Penso que os jogadores em maior risco são claramente Jackson e Mangala; sobre o primeiro penso que devemos ser intransigentes (sendo eventualmente vendido daqui a 1 ano), sobre o segundo penso que se houver uma oferta excelente é de considerar, tendo em conta que estamos bem servidos para central (e ainda agora chegou um central bastante caro, Reyes, o que indica que deve ser bom).

Numa 2ª linha temos jogadores em que é pouco provável que apareça uma oferta irrecusável, mas em que é possível que faça sentido vender. Penso em concreto em Fernando (caso não renove contrato, termina daqui a um ano), que não gostaria de ver sair; e Otamendi, tendo em conta o excesso de (bons) centrais. Aliás, preferia ver o Otamendi sair por 10M a vender o Mangala por 30M (acho mesmo bastante provável que um dos dois seja vendido).

E depois temos jogadores que claramente são para vender pela melhor oferta como Atsu e Rolando (mas já é claro que de uma ou outra forma esses não ficam no plantel), ainda que relativamente baixa. Empréstimos, não.

Bem, eu não gosto nada q isto se "estique" até ao fim de Agosto, já com as competições oficiais em curso por essa Europa fora. Preferia claramente que a janela de transferências e inscrições fechasse no fim de Julho (2 meses e meio depois da época terminar é tempo mais que suficiente para compor plantéis).

Mas há que ver o reverso da medalha: e' um problema para nós mas também o é para os clubes a quem compramos jogadores...nós não estamos livres de ver um dos melhores jogadores vendidos na 2a metade de Agosto, mas um, sei la', Braga ou um St Liege também nao estão livres de que um FCP lhes vá buscar um jogador nessa altura, o que também tem acontecido volta e meia. E também convém ao FCP ter tempo para colocar «excedentários» (como agora com Rolando ou Atsu, ou um ou outro jogador em estágio que venha a ser emprestado). Quem fica portanto menos prejudicado com esta situação é a dúzia de clubes europeus mais ricos que não são vendedores.

E depois é para isso mesmo que temos cláusulas de rescisão muito elevadas, o que dá uma margem de proteção bastanta alta (i.e. contra vender um jogador que não queremos mesmo vender).

Alias é rarissimo (quase inédito) que a gente venda um jogador pela cláusula, o que quer dizer que quando vendemos é porque assim queremos (salvo alguma cláusula secreta que a isso obrigue com o jogador, agente ou eventuais parceiros no passe). Mas pronto, mesmo assim é um potencial factor de desestabilização (até mesmo psicologicamente para os jogadores).

terça-feira, 9 de julho de 2013

A organização da “máquina portista”

Já se tornou um hábito, ouvir treinadores e jogadores, poucos dias depois de chegarem ao FC Porto, elogiarem a organização e o profissionalismo da “máquina portista”.

Desta vez, e de acordo com uma notícia do JN, os elogios vêm do presidente do RKSV Wittenhorst.

Ton Hagens, presidente do RKSV Wittenhorst (fonte: JN)

«A presença [em Horst, Holanda] dos tricampeões nacionais exigiu um cuidado apurado dos responsáveis do RKSV Wittenhorst para que dois relvados do clube se enquadrassem no nível exigido.
O relvado parece um campo de ténis, parece Wimbledon”, diz, ao JN, o orgulhoso presidente da coletividade, Ton Hagens.
Para que se chegasse a este ponto de satisfação foram necessárias três semanas de intenso trabalho. Primeiro, o clube holandês disponibilizou meios humanos e fez a primeira etapa do processo até os dragões enviarem dois funcionários para a Holanda, na última semana, para dar o toque final.
O trabalho passou por solidificar a relva, cortá-la ao milímetro e torná-la mais uniforme para a bola rolar melhor.
(…)
As pessoas do F. C. Porto trataram e cortaram a relva como nunca tínhamos visto. Até o governo local ficou admirado com a qualidade do relvado e querem saber como se trabalha assim”, explica o presidente do RKSV Wittenhorst, cujas instalações distam 400 metros do hotel onde ficam os dragões até sábado.
(…)
Normalmente, os clubes contactam-nos dois dias antes de chegarem, mas o F. C. Porto mandou-nos um documento com um mês de antecedência. E nas últimas duas semanas falamos quase todos os dias. É o clube mais profissional que já tivemos aqui instalado”, conta, lembrando que já hospedou o Galatasaray e o Manchester City. (…)»
in JN, 08-07-2013


Se à experiência, competência e organização existente, o FC Porto pudesse juntar metade do dinheiro do Manchester City...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

9 em 11, a verdadeira hegemonia

Numa badalada entrevista à benfica TV, cujo entrevistador foi um vice-presidente / administrador da SAD encarnada (que circo!), Jorge Jesus referiu que o benfica estava perto de recuperar a “hegemonia do futebol português”.

É quase patético que uma afirmação destas saia da boca de um treinador que ganhou um campeonato em quatro épocas e que, em Maio passado, se ajoelhou no Estádio do Dragão.

Mas, aproveitando a deixa, como deve ser avaliada a hegemonia do futebol português?
Parece-me óbvio que não chega ganhar um ou dois campeonatos seguidos e que é necessário analisar séries temporais mais alargadas.

Entre 1946/47 e 1953/54, o sporting dos cinco violinos ganhou 7 campeonatos em 8 épocas.

Entre 1962/63 e 1972/73, o benfica de Eusébio ganhou 9 campeonatos em 11 épocas.

Entre 1989/90 e 1998/99, o FC Porto (de Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Jorge Costa, Paulinho Santos, Rui Barros, Folha, Domingos, Kostadinov, Drulovic, Jardel, etc.) ganhou 8 campeonatos em 10 épocas, culminando esta série com um inédito Penta campeonato.

Entre 1999/2000 e 2001/2002, o FC Porto esteve três épocas seguidas sem ganhar o campeonato e logo surgiram “vozes esclarecidas” a falar em mudança de ciclo e a dizer que o Pinto da Costa estava finito.

Pois bem, nas últimas 11 épocas, entre 2002/03 e 2012/13, um FC Porto de estilo multi-nacional (com portugueses, brasileiros, sul-africanos, argentinos, uruguaios, colombianos, belgas, franceses, etc.) ganhou 9 campeonatos, igualando a série do benfica de Eusébio.

9 campeonatos em 11 é notável em qualquer país e, actualmente, o campeonato português até nem é dos piores no ranking da UEFA, bem pelo contrário.

9 campeonatos em 11 é o melhor registo da história do FC Porto em termos de campeonato. E, além destes 9 campeonatos, no mesmo período o FC Porto ganhou 1 Taça UEFA, 1 Liga dos Campeões, 1 Taça Intercontinental e 1 Liga Europa.
Absolutamente notável!
E, nestas contas, nem sequer entro com as Taças de Portugal e Supertaças conquistadas que, neste período, nem sei ao certo quantas foram.

Ou seja, analisando o campeonato e as conquistas europeias, as últimas 11 épocas correspondem ao melhor período de sempre do FC Porto e de qualquer outro clube português (nem o slb ganhou tanta coisa na década de 60).

Será este tipo de hegemonia que o slb está perto de alcançar?

sábado, 6 de julho de 2013

Percentagens dos passes

É um assunto polémico e que já foi várias vezes discutido neste blogue.
Haverá várias razões que explicam e/ou justificam o facto da FC Porto SAD não adquirir 100% dos passes de todos os jogadores que contrata.

No caso do mexicano Hector Herrera, e de acordo com o presidente do Pachuca, a razão principal parece ter sido porque o clube vendedor pretendeu ficar com uma percentagem do passe.

(O JOGO, 05-07-2013)

Particularidades do calendário 2013-14

Não gosto do calendário 2013/2014, mas é um facto que tem particularidades interessantes.

Na 1ª jornada, o quase campeão da época passada desloca-se ao estádio dos Barreiros onde, a três jornadas do fim, os seus jogadores fizeram uma enorme festa e comemoraram antecipadamente um título que haveria de ser dos suspeitos do costume. Veremos se, desta vez, o presidente do Marítimo volta a dizer, antes do jogo, que nada farão para impedir o benfica de ser campeão…

(Marítimo x slb, época 2012/2013)

Na última jornada, o slb desloca-se ao Dragão, o local de todos os pesadelos encarnados e onde, em Maio passado, Jesus se ajoelhou à frente de Vítor Pereira. Veremos se, desta vez, o slb conseguirá chegar à 30ª jornada com mais de três pontos de avanço. Seria muito mau sinal…

(FC Porto x slb, Maio de 2013)

Para além de não me agradar (por razões desportivas e financeiras) que o FC Porto x slb seja na última jornada, também não gosto que o FC Porto vá jogar à Luz no dia 11 ou 12 de Janeiro de 2014, logo a seguir à paragem de Natal.

Teoricamente, a 2ª volta é bastante mais difícil, com deslocações ao Marítimo (17ª J), Guimarães (21ª J), Alvalade (23ª J), Nacional (25ª J) e Braga (27ª J).
E, também na 2ª volta, não se esqueçam de avisar os senhores Bruno Paixão e Duarte Gomes que o Gil Vicente x FC Porto está previsto para o dia 16/02/2014…

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Novos equipamentos


Foram apresentados os equipamentos para a próxima época. Isto não é propriamente uma notícia «fresca», mas ainda não tínhamos falado disto aqui.



Pessoalmente gosto muito da camisola alternativa. Quanto à principal, não desgosto não senhor mas sou por princípio «tradicionalista» neste ponto - prefirindo portanto uma camisola mais clássica, i.e. com menos riscas verticais (e acho por exemplo que se podiam fazer umas quantas variantes engraçadas a partir da camisola do FCP campeão europeu de 1987, sem necessariamente «tocarem» no número de riscas) .

Mas pronto, também não tem tantas riscas como a de 02/03 (época que deixou boas memórias).

Já agora e de um ponto de vista de merchandising e tendo em conta a crise que assola muitos portistas, penso que é de repensar a política de preços; caso contrário o número de camisolas vendidas na próxima época será provavelmente um recorde pela negativa. 
Não me parece que faça sentido ter preços iguais (ou por vezes até mais altos) do que os preços que se vêem numa Bélgica, Inglaterra ou Alemanha, e quando se sabe que o custo de produção é uma pequena fração do preço de venda tendo mesmo vindo a descer nas 2 últimas décadas, fruto do outsourcing generalizado destes artigos para os Bangladeshes deste mundo (sendo portanto a margem de lucro bruta muitíssimo alta, principalmente em Portugal onde 1) o custo do pessoal - vendedores e distribuidores - e 2) amortização das lojas e terreno são muito mais baixos do que nos países que mencionei, e não são uma % tão pequena como isso do custo total).

Aliás, por curiosidade colecciono camisolas de futebol do mundo inteiro (já tenho mais de 70) e tenho conseguido arranjar camisolas oficiais novinhas em folha de diversos clubes europeus (para não falar dos outros) por menos de 40 euros sem grande dificuldade (embora nunca as compre mal são lançadas esperando algum tempo, caso contrário seria muito mais difícil).

Mais: penso que a diferença de preço entre as camisolas oficiais e as de candonga nunca foi tão grande como hoje, sendo portanto o incentivo para escolher a 2a opção mais forte do que nunca (ainda mais com a crise).

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Insustentável Leveza do Sucesso (I)

(a partir da esq.: José Lima, Jorge Bertocchini, Rodrigo Martins, Nuno Nunes, Prof. Armando Leitão)

O presente artigo tem por base uma apresentação recente que fiz no II Encontro da Bluegosfera, em Espinho. Essa apresentação, que é parte integrante de um painel que deu o nome a este artigo, teve por objectivo abordar, entre outros, os temas Internacionalização, Crescimento, Competitividade e Sustentabilidade do FC Porto e em particular da sua Sociedade Anónima Desportiva (SAD) e contou com outras duas apresentações (José Lima do Mística Azul e Branca e Rodrigo Martins do Bibó Porto), com a moderação de Jorge Bertocchini do Porta19 e com o comentário final do Prof. Armando Leitão da FEUP.

Enquadramento da actividade no contexto de Crise


Em primeiro lugar é necessário enquadrar a actividade da SAD no contexto da actual crise socioeconómica que se vive em Portugal. Os números do Desemprego, Dívida Pública, (queda do) Produto Interno Bruto e Défice Orçamental são por demais conhecidos, sendo objecto de escrutínio quase diário na comunicação social, redes sociais, pelos partidos e por outros comentadores políticos. Interessa sobretudo reforçar o descontrolo no crescimento do desemprego e do défice e na queda do PIB, com influência directa na qualidade de vida dos cidadãos. Estes factores condicionam e impactam, directa ou indirectamente, a actividade da SAD. Em termos económicos será previsível (mas não obrigatório) a ocorrência de diminuições nas receitas ‘core’ da sociedade como sejam Bilheteira, Merchandising, Sponsorização, Media e, inclusive, potencial desvalorização dos passes dos jogadores. Em termos financeiros os impactos são reais e já estão a ser sentidos há mais tempo: escassez de liquidez no mercado, aumento dos spreads bancários, dificuldades de acesso ao crédito (acrescidas, no negócio Futebol) e dificuldade de cobrança (e pagamento) de dívidas.

O Modelo de Negócio da FC Porto SAD


As receitas da sociedade assentam num conjunto de proveitos ‘core’ (que como já foi referido são compostos por Bilheteira, UEFA, Merchandising, Sponsorização e Media) e numa componente vital que são os encaixes com as transferências de jogadores, que no gráfico são descritos como “vendas de jogadores” e dizem apenas respeito às mais-valias obtidas (grosso modo, o valor pelo qual vendemos deduzido do valor pelo qual comprámos). O método ou a prática a que temos vindo a assistir na vertente “jogadores” caracteriza-se essencialmente por adquirir o passe – só o FC Porto ou em associação com Fundos – de jogadores jovens, internacionais pelo seu país, com grande potencial de crescimento e valorização, fazer o aproveitamento desportivo e vendê-los numa fase mais madura e de preferência para campeonatos mais competitivos (ou aos petrodólares), com um grande encaixe financeiro. Faze-lo da forma como a SAD o tem feito significa estar um passo à frente da concorrência. No entanto esta estratégia comporta riscos consideráveis. Por exemplo, num ano em que o clube não consiga encaixar um montante da ordem dos €30m em mais-valias com vendas de passes de jogadores, isso representará um défice operacional se os custos não forem reduzidos em conformidade (e normalmente a SAD não reduz custos).


Nos 2 últimos períodos com Relatórios e Contas publicados (2010-11 e 2011-12) os custos cresceram a um ritmo superior ao do crescimento dos Proveitos. No primeiro valeu o encaixe de €15m com o recebimento da cláusula de rescisão de AVB. No segundo (2011-12) houve um crescimento das rubricas Fornecimentos e Serviços Externos e Gastos com Pessoal do lado dos custos e um decréscimo dos proveitos, o que contribuiu decisivamente para o resultado líquido negativo de -€35m. O crescimento dos custos associado a um ligeiro decréscimo nos proveitos implicou uma queda considerável no Resultado Operacional Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, vulgarmente conhecido por EBITDA. Este indicador vinha a apresentar-se estável num intervalo entre €30m e €35m e, em 2011-12 caiu para €12m. Há que inverter com urgência esta situação. Espera-se que os resultados operacionais 2012-13, a serem divulgados em Setembro, voltem para os níveis de 2010-11.


Paralelamente ao desempenho operacional é importante uma observação atenta à evolução da Dívida total da FC Porto SAD (em termos consolidados). De facto, o endividamento tem crescido para níveis elevados tendo já ultrapassado a barreira dos €100m (não inclui Dívida da Euroantas no Project Finance do Dragão). Face às crescentes dificuldades de obtenção de liquidez e renovação das linhas de financiamento no mercado bancário, a SAD tem optado por uma progressiva substituição deste tipo de endividamento pela emissão de títulos de dívida (Empréstimos Obrigacionistas). A procura tem superado a oferta nas sucessivas emissões de títulos nos últimos anos e por isso torna-se mais fácil e cómoda esta opção, com o inconveniente de o custo do capital ser superior: a última emissão, de €30m em Dezembro de 2012, ofereceu uma taxa de juro anual bruta de 8,25%.


Ao indicador Dívida total acrescentamos um outro, a Dívida líquida (“Net Debt”, obtida pela subtracção à Dívida total dos montantes em Caixa, Depósitos bancários e outros títulos imediatamente mobilizáveis). Este indicador teve um crescimento superior a 35% no último ano, fruto das dificuldades de tesouraria vividas nesse período. Se dividirmos este indicador pelo EBITDA (grosso modo, um resultado operacional bruto), temos o número de anos necessários à liquidação total do endividamento (medido no eixo vertical, do lado direito do gráfico), que passou de 2 a 3 para um valor superior a 8 no último ano. Para que o negócio e a actividade da SAD sejam sustentáveis no longo prazo, face a estes níveis de endividamento, seria prudente conseguir recuperar os níveis anteriores de EBITDA o mais rapidamente possível.

Com um modelo de gestão que (i) obtém uma parte considerável (30 a 40%) dos proveitos totais com as mais-valias geradas na alienação de passes de jogadores e que (ii) mantém elevados níveis de endividamento, uma das questões que se colocam é: como manter simultaneamente o negócio sustentável e uma equipa de futebol competitiva?

A discussão continuará na segunda parte deste artigo: A Insustentável Leveza do Sucesso (II)
   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mais vale cair em graça do que ser engraçado

Desconheço a razão porque o Fucile foi afastado no início de 2012, com a época a decorrer - e ainda bem, porque isso é algo que não deva ser público. Sei que terá sido algo de grave, porque no Porto as questões disciplinares não são tratadas com leviandade. Também desconheço porque motivo, o Fucile, presenteado com esta nova oportunidade de voltar a integrar o plantel, e podendo simplesmente "colocar uma pedra" sobre a sua saída, aproveitou o destaque para responsabilizar o Vítor Pereira - além de não ser grande jogador, tais
declarações também não abonam muito a seu favor como homem, ao tentar "marcar pontos" junto dos adeptos à custa de um treinador mal-amado; nem o Vítor Pereira está cá para se defender, nem o Fucile tem o direito de fazer dos adeptos idiotas, procurando fazê-los crer que um jogador é colocado à parte pelo treinador (e logo o Vítor Pereira) por puro capricho.

Também desconheço a real valia do Iturbe, esse pária imberbe que fala demais, e que amua por não jogar. Desconheço se algum dia concretizará o potencial que lhe atribuiram, mas é muito novo (e nem todos os jovens jogadores lidam com os desafios que lhes são apresentados, da mesma forma como, por exemplo, o Cristiano Ronaldo) e ainda vai a tempo de o conseguir.

Por fim, desconheço também o porquê de estes dois jogadores, despertarem sentimentos tão díspares nos adeptos. Ao Fucile, por maior trampa que faça, tudo lhe é perdoado - é "raçudo", está desculpado; ainda hoje a eliminatória perdida contra o Schalke 04, é mais facilmente lembrada pelo penalty que o Lisandro falhou, do que pela expulsão estúpida do uruguaio. Já o Iturbe, um miúdo de 20 anos que, até prova em contrário, só quer que o deixem jogar, e que quando isso não acontece, fala demais (e aqui nem sequer se sabe até que ponto o faz por influência externa), é visto como um indesejável que deve ser descartado o quanto antes, pese embora ter sido contratado por um valor considerável - daqui aos assobios, é um pequeno passo; não estará aqui uma das razões porque "o treinador aposta pouco nos jovens" (seja lá o que isso for)? É compreensível alguma frustação com o ex-futuro Messi, mas acima de tudo é preciso coerência: se o Fucile tem direito à 648ª oportunidade, porque não pode o Iturbe ter direito a uma 2ª?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Os naming rights do Dragão

A propósito de um artigo recente do José Rodrigues sobre os naming rights do novo museu do FCP, abriu-se um interessante debate sobre o passo a seguir. Inevitavelmente, a discussão sobre a venda dos direitos do nome do Estádio do Dragão.

Eu pertenço a um grupo que se auto-intitula Against Modern Football e que não concebe sequer que isso possa vir a suceder.
Sou um romântico confesso, um adepto que sente uma identificação especial com um emblema, umas cores, um espaço físico uma história. Se me mudam o emblema, se me alteram as cores, se rompem com o espaço físico e a aura que me rodeiam, só me fica a história. Só fica o passado. Muitos clubes recentemente têm sofrido metamorfoses tremendas, a maioria por culpa da venda a milionários de várias proveniências. É estranho que um emblema controlado pelos próprios adeptos permita que o clube mude de emblema, mude as cores do equipamento ou que venda o nome do seu estádio. Muito estranho.
Essencialmente isso sucede porque o adepto gosta de sentir-se parte de algo. Quando os nomes do quotidiano desaparecem para dar lugar a marcas, algo se perde. A muitos custou-lhe a chegada dos patrocinios nas camisolas. Quando eu nasci essa realidade já lá estava, não pude lutar contra ele. Mas confesso que parte do meu apoio ao Barcelona e ao Athletic Bilbao, com quem sempre me identifiquei, desapareceu no dia em que a Unicef/Qatar Fundation e Petronor ocuparam o espaço central das suas camisolas. O FC Porto teve o mérito comercial de se antecipar em Portugal a todos os outros. Mais do que isso, criou uma cultura de adepto com o seu próprio patrocínio, perpetuando o nome Revigres durante quase duas décadas. Para os dragões, a associação fez da empresa portuguesa parte da família. A chegada da PT (e as suas variantes) foi para muitos um golpe. Respeito todas as posturas mas custa-me entender - como adepto - como alguém pode estar disposto a vender partes dessa identidade. E o estádio é uma delas!

Agora vem o debate do Dragão!
O espaço das modalidades - antigamente conhecido pelo nome do presidente Américo de Sá - foi criado com uma parceria com a Caixa Geral de Depósitos e chama-se Dragão Caixa. A natureza arquitectónica do edifício permite que o nome do patrocinador se enquadre com o que o espaço é. Não existe uma invasão sonora do "Mini-Dragão" como se fosse chamado Dragão Sonae ou algo do estilo. O novo museu, criado também numa parceria com uma entidade bancária, terá o by BMG como alusão aos anglicanismos que parecem sempre ficar bem. Rompe totalmente com a ideia por detrás do Dragão Caixa, ainda para mais num espaço que devia reflectir a herança moral do clube. Não conheço outro clube no mundo (se conhecerem, apontem na caixa de comentários) que tenha vendido o nome do seu museu assim, tão impunemente. Sinal dos tempos desta nova gestão mercantilista, onde nada está a salvo e tudo é permitido. Não me lembro dos sócios terem sido consultados. Não me lembro do assunto ter sido levantado em AG. É uma espécie de quero, posso e mando habitual de quem está há tantos anos no poder que com o seu impacto social e moral conseguiu transformar um clube de sócios individuais numa dinastia inquestionável. O preço do sucesso dirão alguns.



Mas o estádio é algo diferente.
O estádio é onde nos reunimos. O estádio é onde sofremos. O estádio é onde os visitantes chegam e testemunham a nossa natureza, a nossa fome de vitórias. É onde celebramos, onde choramos e onde nos abraçamos a desconhecidos. É tão nosso como o azul e branco, o dragão do emblema com o escudo da cidade. O estádio nunca deveria estar à venda e no entanto há gente, entre sócios, adeptos e dirigentes, que parecem estar só à espera do momento ideal para dar a estocada final num dos símbolos de qualquer clube: o seu lar.
Quando construído, pensou-se em vários nomes para o novo lar dos portistas. Houve quem pensasse em José Maria Pedroto, como homenagem à máxima figura história do clube. Os mais pintocostistas evocaram o nome de Jorge Nuno como opção, não conhecendo a sua figura, incapaz de permitir algo bernabeuiano. Ficou Dragão. Uma escolha perfeita, com um timing exacto. Antes tinha existido o estádio das Antas (oficialmente estádio Futebol Clube do Porto) e o estádio da Constituição, hoje vendido também à marca Vitalis, que a história para alguns tem sempre um preço e não é tão caro quanto isso.
A moda da venda dos naming rights dos estádios começou nos Estados Unidos, onde tudo está à venda. Na Europa existia um respeito com a tradição que vai desaparecendo. Há pessoas que acham que a alma se vende por uns trocos. Imagino que os mesmos que defendem a venda do nome do estádio não tenham problemas em vender o nome do clube (como sucede com o Red Bull Leipzig, Salzburg, New York ou o Pão de Açúcar Goiaba do Brasil) porque o seu argumento é só um: continuamos a chamar pelo nome que queremos e já está. Assim se resolve o problema.
Talvez chegaremos ao dia em que as pessoas vão ao registo civil e vendam o seu nome por uns tostões (podem passar a chamar-se Sony João Almeida) sob o mesmo pressuposto. Pode parecer ridículo mas para os nossos pais também era ridículo vender o nome do estádio do seu clube e aí estão eles, a fazer contas à vida. O ridículo de hoje parece ser a inevitabilidade do amanhã.

No panorama internacional europeu, a venda de naming rights ainda não é uma realidade aceite pela maioria dos adeptos. Com todo o sentido. Aliás, só clubes com grandes problemas financeiros ou onde os adeptos não têm voto na matéria se têm atrevido a dar esse passo.
Foi o caso dos clubes alemães, quando estalou a bolha financeira do império Kirch. As dividas do Dortmund levaram o Wellfastadion a ser o Signal Iduna, as do Hamburgo a transformar o Vondalkspark em Imtech e os negócios do Schalke 04 transformaram o Gelsenkirchen Arena em Veltins Arena. Quase todos estádio construidos desde o zero para o Mundial 2006 (o que é importante porque, segundo vários estudos sobre o tema, o valor do naming de um estádio com história é inferior a um recinto novinho em folha).
Só o Bayern Munchen, sempre um passo à frente nestas questões, o fez por vontade própria. Mas o Bayern é gerido como uma multinacional desde os anos 70 e também por isso é um clube que gera tanto desprezo no mundo do futebol. Não surpreende ninguém o passo. Em Inglaterra, o outro país onde se começam a verificar a venda de nomes de estádios este sucederam, habitualmente, quando o clube parte para a construção do novo recinto e utiliza os naming rights para pagar o estádio, com um contrato de duração determinada até ao ponto em que pensam que o recinto está pago. Foi assim com o Ashburton Grove do Arsenal (hoje Emirates), do City of Manchester (hoje Ethiad Stadium) ou do Burnden Way (hoje Reebok Stadium). Aí a venda dos direitos é utilizada como crédito bancário para evitar um maior prejuízo na construção do estádio. Não é o nosso caso.


Para que pode querer o FC Porto vender os naming rights do estádio?
É difícil imaginar uma empresa internacional a querer pagar dinheiro para dar o nome ao estádio de um clube português. Não vejo nas empresas portuguesas alguém com poder suficiente para arcar com esses gastos. O FC Porto não precisa do dinheiro para pagar o estádio. Não precisa desse dinheiro para investir no plantel. O orçamento actual para as ambições do clube é mais do que suficiente. Já temos o orçamento mais elevado (ou o 2º, em alguns anos, muito perto do primeiro) para manter a hegemonia nacional. Para as provas europeias o discurso habitual dos Oitavos de Final também se adequa com o nosso orçamento pelo que a venda dos naming rights não alteraria muito o cenário.
Os jogadores vão olhar sempre para um clube da periferia europeia como sitio de passo para outro nível, por isso vender o nome do estádio não implicaria criar uma super-equipa da noite para o dia. Então, para quê?
O Arsenal recebeu 100 milhões da Emirates num contrato de 15 anos. Estamos a falar de 6,6 milhões de libras ao ano (cerca de 10 milhões de euros). O negócio do City envolve valores muito mais elevados (400 milhões por 10 anos) mas a empresa que os paga está associada aos donos do clube, pelo que no fundo é um circuito fechado para contornar a regra do Financial Fair Play. O Dortmund recebe 5 milhões ao ano pelo nome Signal Iduna Park no seu estádio.
Estamos a falar de clubes das ligas de topo com valores acordes à sua realidade (da mesma forma que o patrocínio dos equipamentos parte de outros valores de mercado que os nossos). E no entanto, são números quase insignificantes. No caso do FC Porto, seria difícil conseguir um negócio melhor que o Dortmund (que é só o estádio que mais assistências tem na Europa), pelo que estaríamos a falar de 5 milhões ao ano. O que é isso para as contas do clube?

Permite acabar ou diminuir fortemente o passivo? Não.
Permite contratar um grande jogador internacional ao ano e pagar-lhe o salário? Não
Permite reforçar o plante com dois ou três jogadores de qualidade média alta e pagar-lhe o salário? Não.
Permite contratar duas ou três promessas a mais das que já contratamos? Não.
Permite aumentar realmente a massa salarial do plantel para evitar saídas precipitadas? Não.

Honestamente, 5-10 milhões ano, que é o máximo que qualquer clube que não seja do top 10 europeu pode ambicionar pelo seu estádio, justifica abdicar da herança história, da alma do clube? Está realmente tudo à venda? Somos adeptos de um clube de futebol (uma instituição de interesse público) ou de uma multinacional? Tanto faz se amanhã aparece a Coca-Cola com 50 milhões de euros para nos equipar de vermelho? É igual que o estádio se chame Dragão ou Optimus ou Coronita? Somos um clube em quebra financeira (como o Sporting), que precisa de uma injecção urgente de capital para ser competitivos? Temos princípios ou somos um entreposto comercial?

A minha resposta a todas essas perguntas é clara. O Futebol Clube do Porto não precisa de vender os naming rights do Dragão da mesma forma que não precisava de o fazer com o museu. O FCP não precisa de vender o nome do clube ao melhor postor (porque o estádio também é o nome do clube, em cimento) nem preciso de enganar os seus sócios e adeptos de tantos anos de devoção com um negócio cujo o seu valor real de mercado para a nossa realidade é insignificante. O que o FCP pode e dever fazer é optimizar ao máximo os seus recursos, procurar novas formas de négocio dentro da sua estrutura, reduzir perdas desnecessárias e controlar o seu passivo sem abdicar de ter uma equipa competitiva. E isso não é incompatível com que o estádio continue a ser apenas e só, nosso. Do Dragão!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SMS do dia

"O F.C. Porto divulgou esta segunda-feira a lista de nomeados para receber os Dragões de Ouro relativos à época anterior, sendo de destacar a atribuição de Dragão de Ouro na categoria de Parceiro do Ano ao BMG: Banco de Minas Gerais."

"Segundo informações obtidas pelo ESPN Brasil, em uma das cláusulas do contrato assinado entre as partes [FCP e BMG] é ressaltada que "toda e qualquer negociação envolvendo possíveis reforços para os portugueses no Brasil tem de passar pelo BMG"
ESPN

Será que o próximo passo do clube passa por exigir aos sócios que o queiram ser e aos adeptos que queiram ir ao estádio ter uma conta aberta no BMG? Porque entre um banco brasileiro a levar um Dragão de Ouro (esse prémio tão valorizado) e um site de reputação inquestionável como a ESPN avançar sobre a possibilidade da BMG filtrar qualquer negócio que possamos fazer no Brasil (mesmo que o puto jogue na Amazónia) parece evidente que só falta mesmo fazer uma estátua às portas do Dragão para manter os nossos "amigos" brasileiros felizes!

Vitor Pereira em discurso directo

Notável entrevista do VP ao MaisFutebol onde falou sem papas na língua.

Ficam aqui algumas das melhores frases da entrevista do treinador mais questionado talvez da última década do FCP.

O plantel disponível
"Acredito que se mantivéssemos a mesma estrutura, e encontrássemos um ou dois jogadores rápidos e desequilibradores, evoluiríamos para outro patamar qualitativo"

"Faltaram (jogadores desequilibrantes , sim. Tínhamos muitos atletas de posse, de passe e qualidade, mas faltava alguma agressividade no um para um ofensivo. Em determinados jogos sentimos isso"

"Tínhamos muitos meninos. Recordo-me do jogo na Luz, esta época. Tínhamos no banco Sebá, Kelvin, Atsu, Castro... o Castro está numa fase diferente, mas todos os outros eram muito jovens e inexperientes."

Jackson
"O Jackson foi encontrado há três anos. Custava muito pouco dinheiro. Entretanto, mudou-se da Colômbia para o México e continuou a ser um avançado, do meu ponto de vista, evoluidíssimo. "

"Senti muito essa falta (Jackson no 1º ano). Para ganhar o campeonato, e bem criticado fui por isso, tivemos de desviar o Hulk para o meio. De outra forma não tínhamos conseguido ser campeões."

Sobre a saída de AVB.
"Os primeiros seis meses foram muito difíceis, é verdade. Sinceramente, não me identificava nada com o treino e com a postura da equipa. Vários jogadores criaram expetativas de partida para outros campeonatos, onde iriam ganhar mais dinheiro, mas ficaram e tive de lidar com esses retalhos emocionais. Tentei minimizar estragos, mas não me admira nada que tenhamos falhado na fase de grupos da Liga dos Campeões. Faltava-nos solidez emocional no coletivo. Não havia um pensar de equipa. Havia muita gente mais preocupada com a sua vida e isso prejudicou-nos muito. "

Jogar contra Jesus
"O Benfica era uma equipa poderosa contra a maioria das equipas. Tinha várias opções para o ataque, acelerava muito bem o jogo - porque tinha jogadores para isso - e fazia bem as transições ofensivas. Mas contra nós não tinham hipóteses. O nosso modelo de posse, pressionante, não permitia que o Benfica fosse uma equipa de iniciativa, mas sim reativa."

Reyes e Herrera
"Conheço os dois há algum tempo. Aliás, estava convencido que o Herrera ia chegar em janeiro, mas não foi possível. É um médio de grande qualidade. O Reyes é mais defesas central do que médio-defensivo. Aliás nunca o vi a jogar no meio-campo. O F.C. Porto está muito bem servido de centrais e o Reyes vai ter de trabalhar muito para evoluir e jogar. Mas tem boas condições".

E sobre a saída...
"Senti-me orgulhoso pela forma determinada com que a direção do F.C. Porto e Pinto da Costa me pediram a minha continuidade. Aliás, até fiquei surpreendido com a persistência deles. Não é normal darem tanto tempo a um treinador para tomar uma decisão. Mostraram que me queriam, mas tive de tomar uma decisão e comuniquei-a ao presidente no dia 29 de maio. A partir daí o F.C. Porto teve de partir para outras opções e eu para outros caminhos".

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