quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Nova filosofia para a equipa B

Há cerca de um ano atrás, num artigo cujo título foi 'Plano B para a equipa B', escrevi o seguinte:

«(...) não havendo jogadores que tenham, para já, demonstrado qualidade para serem chamados à equipa A, o Plano B poderia passar por “transferências” no sentido inverso, isto é, ir dando minutos em jogos da equipa B aos jogadores do plantel principal que não têm feito parte das escolhas de Vítor Pereira (...)
É sabido que todos os jogadores precisam de competição para evoluir e mais ainda quando são jovens. Nesse sentido, um campeonato disputado e intenso como é a II Liga, iria dar aos jogadores, que habitualmente não fazem parte da lista de convocados de Vítor Pereira, um andamento que seria muito útil, se e quando fosse necessário chamá-los a uma das competições (Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga) em que a equipa principal vai estar envolvida.
De resto, parece-me óbvio que a articulação entre as equipas A e B tem de melhorar. A coisa tem de funcionar como uma espécie de vasos comunicantes, em que os que se destacarem na equipa B são chamados à equipa A (funcionando como um mecanismo de prémio e estimulo) e os menos utilizados da equipa principal poderão ganhar ritmo e competição em jogos da equipa B.»


Ao ler O JOGO, verifiquei que aquilo que defendi há um ano atrás vai ser posto em prática, não episodicamente, mas sim de uma forma regular e obedecendo a uma estratégia clara.

(O JOGO, 14-08-2013)

Penso que esta estratégia irá contribuir para um maior sucesso do projecto da equipa B. Contudo, subsiste a dúvida de ver como irão reagir algumas pseudo vedetas, como é o caso do Iturbe, que na época passada chegou a fazer declarações públicas mostrando pouca vontade em jogar pela equipa B do FC Porto.

Beira Mar x FC Porto B (O JOGO, 13-08-2013)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Supertaça firme, Taça da Liga a definhar

(Supertaça, FC Porto x Vitória Guimarães, 10-08-2013)

No passado sábado disputou-se a 35ª edição da Supertaça (a 33ª oficial visto as duas primeiras, disputadas em 1978/79 e 1979/80, terem sido oficiosas).

Ao contrário da Taça da Liga, uma aberração competitiva que apenas é disputada numa minoria de países europeus, a Supertaça é uma prova que existe na maior parte dos países e a sua lógica é simples: é um troféu que se disputa entre o vencedor do Campeonato/Liga e o vencedor da Taça da época anterior. No caso do mesmo clube se sagrar Campeão Nacional e vencer a Taça, disputa-se um jogo entre o clube que ganhou o Campeonato e o que foi derrotado na final da Taça.

Durante muitos anos (até à época 1999/2000), a Supertaça Cândido de Oliveira (é este o nome oficial desta competição em Portugal) foi disputada a duas mãos e em diferentes alturas das épocas, algo que não contribuía para o interesse e afirmação da prova. Contudo, a partir da época 2000/2001, a Supertaça assumiu o carácter de uma verdadeira final, passando a ser decidida num único jogo e, além disso, tal como acontece noutros países (por exemplo, Alemanha e Inglaterra), criou-se a tradição de ser o primeiro jogo oficial da época futebolística em Portugal.

Ao contrário da Taça da Liga, a Supertaça tem lógica, tradição (nacional e europeia) e um superior interesse por parte dos adeptos.
A recente final entre o FC Porto e o Vitória Guimarães provou-o, ao esgotar a lotação do Estádio Municipal de Aveiro (29.100 espectadores), superando a assistência do FC Porto x Académica da época passada (26.825 espectadores) e até a assistência do slb x FC Porto da época 2010/11 (28.819 espectadores).

Pelo contrário, a Taça da Liga é desde a sua criação (época 2007/08) um “nado morto”, sendo uma competição híbrida, sem lógica e sem interesse competitivo, ao ponto de vários jogos, incluindo de “clubes grandes”, não terem transmissão televisiva (foi o caso do Nacional x FC Porto da época passada). Como se isto não bastasse, a prova tem regulamentos pouco claros, que já foram alterados N vezes e, ainda por cima, ficou marcada por escândalos de arbitragem (os sportinguistas, e não só, chamam-lhe Taça Lucílio Baptista).

Por tudo isto, não surpreendeu que na época passada a Liga não tenha conseguido arranjar um patrocinador oficial para a prova e os direitos das transmissões televisivas, após a Olivedesportos ter rompido o contrato que existia com a Liga, tenham sido vendidos ao desbarato a outro operador.

Ao fim de apenas seis edições a coisa é de tal modo feia que, numa entrevista ao jornal Record, o próprio presidente da Liga, Mário Figueiredo, referiu que “não fazia sentido manter a competição”.
Contudo, em 27 de Junho de 2013, numa Assembleia-Geral da Liga, os clubes apreciaram e chumbaram (7 clubes a favor e 33 contra) uma proposta da Direcção da Liga que defendia a extinção da Taça da Liga a partir da época 2014/15.
Mas que sentido faz manter esta aberração, perdão, competição e, ainda por cima, se se confirmar o alargamento do campeonato para 18 equipas (o que implicará mais quatro jornadas)?

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

Está claro que o Paulo Fonseca teve pouco a dizer nas contratações mas terá muito pelo que responder com aquilo que o seu plantel pode oferecer durante o ano.

Desde Fernando Santos - aquele 4-2-3-1 com Paulinho+Chainho atrás de Deco, com Alenitchev no banco - que a equipa se habituou ao 4-3-3 como modelo base, salvo pelo segundo ano de Mourinho e o 3-4-3 de Adriaanse. É um modelo formatado, assimilado e que faz todo o sentido. Mas também é uma táctica para a qual o plantel oferece poucas opções individuais. A ausência de extremos desequilibradores (que já foi um problema no ano passado, depois da saída de Hulk e da situação com Atsu) afunilava em excesso a equipa, com James a meter a marcha para dentro e Varela muitas vezes a encostar-se a Jackson num 4-1-2-1-2. Este ano não houve mudanças radicais nesse capitulo. E portanto o plantel continua a oferecer poucas opções individuais.

O 4-2-3-1, pelo contrário, encaixa melhor nos jogadores disponíveis. E é o modelo que o técnico utilizou no Paços, que conhece bem. Quer entrar com cautela, jogando pelo seguro. É compreensível, mas também é preciso lembrar que a defesa do Paços não jogava tão alta como deverá jogar a nossa, o que implica que os espaços entre linhas eram menores e, portanto, o risco de descompensação zonal entre-linhas inferior.


Nesta imagem fica claro o que vamos ver este ano.
4 defesas em linha, com os laterais com ordem para subir. Um avançado fixo, dois extremos abertos e um jogador livre. E dois box-to-box que se têm forçosamente que complementar no meio-campo. Ora é aí precisamente que geramos um considerável over-booking.

Para as alas o "mister" sabe que tem o Varela, o Ricardo, o Licá e o Kelvin (não sei onde o Iturbe ou o Ismailov encaixam aqui, já veremos o que passa). Dois extremos puros (Ricardo, Varela), um batalhador que vai ser muito útil (Licá) e o joker, Kelvin. No ataque contamos, finalmente, com duas opções válidas em Jackson e Ghilas. É no meio-campo que está o busílis.

Quintero chegou e triunfará, mas precisa de tempo (como Anderson, como James). Lucho fará o posto de 10 desde o início e a transição será progressiva. Se a táctica fosse o 4-3-3, o argentino teria problemas em jogar, porque como se viu no ano passado, o 4-3-3 exige muito do trio do meio-campo fisicamente. E Lucho já não está para isso, enquanto Quintero ainda é verde para esse ritmo. "El Comandante" é o grande beneficiado desta metamorfose táctica. Vai permitir manter-se vivo e activo mais tempo do que poderíamos imaginar. Fernando é o grande prejudicado.

"O Polvo" tem sido fundamental desde que substituiu o Paulo Assunção a tapar todos os buracos que apareciam na linha defensiva. Sempre funcionou melhor varrendo do que com um jogador ao seu lado. Por estatuto será titular mas tenho as minhas dúvidas que se sinta cómodo. O contrato acaba este ano, até ao fim do mês ainda pode sair ou, eventualmente, pensando já no futuro, o técnico procura um modelo para o que tem. E como não há outro Fernando no plantel, acha mais adequado apostar num modelo onde sim funcionam todos os outros médios de que dispõe.

Este 2-1, este triângulo invertido, encaixa bem no perfil de Defour, de Herrera, de Carlos Eduardo, de Josué (que também pode fazer o 10) e de Castro. Apostando neste modelo, o técnico garante que terá jogadores a quem pode distribuir minutos, rentabilizando as suas características técnicas e tácticas ao máximo em vez de as forçar a um modelo que dependia em excesso de Fernando para funcionar realmente.

Portanto, o 4-2-3-1 é o modelo ideal para esta época?

Como em tudo, tem aspectos positivos e negativos.
Defensivamente causa muitos mais problemas do que o 4-3-3 e nos jogos europeus, sobretudo, a segurança defensiva é absolutamente fundamental. Podemos nesse jogo voltar, pontualmente, ao 4-3-3?
Podemos e, talvez, devemos. É também um sistema que não saca o melhor de um dos melhores jogadores do plantel, Fernando, e que gera sérios riscos nos jogos em casa contra rivais claramente inferiores.
É um modelo cauteloso, com dois médios sempre no apoio (e ás vezes vai fazer falta um desses médios lá à frente) e que funciona melhor em equipas onde o meio-campo é uma zona curta de passagem, mais de contra-golpe do que de futebol de posse constante.



No entanto, não se pode dizer que seja, exclusivamente, um modelo defensivo mas sim que se adapta melhor a equipas mais pequenas, que queiram ter menos tempo a bola e procurem mais as transições rápidas e as linhas próximas entre si (numa zona do terreno mais recuada).
O 3-2-3-1 vai permitir ter sempre um segundo homem na área. Vai gerar maior dinamismo nas transições, quebrando o ritmo "pastelento" do ano passado. Em momentos de posse, pode tornar-se num 2-4-1-2, com a subida dos dois laterais para a linha do 2-1 no meio-campo, mas isso só funcionará se as linhas estiverem para lá da linha de meio-campo. Permite sacar o melhor de um grande jogador, que é Lucho, e de outro que seguramente o será, Quintero. E adapta-se melhor ao plantel desenhado para a temporada.

Será um ano largo.
Ninguém pode antecipar que durante os jogos o próprio técnico faça mudanças que permitam oscilar entre um modelo e outro. Não é uma mudança demasiado radical (como foi o 3-4-3 de Adriaanse), não é um modelo estranho aos adeptos. É uma interrogante mais, a par do treinador e de muitas das caras novas. Esperamos que, em Maio, a nota positiva se aplique aos três e que a nova variante permita contornar os problemas que tínhamos o ano passado sem, por sua vez, criar outros já resolvidos.

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

Parece claro que Paulo Fonseca não vai abdicar do seu 4-2-3-1.

O tempo dirá se a sua opção é a mais acertada, sobretudo em jogos radicalmente diferentes aos da pré-época e da Supertaça. Em Aveiro o sistema funcionou perfeitamente também porque o rival foi macio, muito macio. Na véspera do jogo o treinador tomou a palavra na sala de imprensa para responder a um jornalista que sugeriu o modelo como mais defensivo. Paulo Fonseca não gosta dessa ideia (apesar de ser um sistema muito mais utilizado por equipas de contra-golpe do que de ataque continuado).
Vou tentar explicar o que penso ser o seu ponto de vista e a minha percepção sobre o que vai significar a aplicação do modelo ao longo do ano, os seus pontos fortes e fracos. E, sobretudo, a sua adequabilidade ao plantel, no seu todo, e a alguns jogadores, em particular.

No final, podemos chegar à conclusão se o sistema é mais ou menos defensivo que o 4-3-3 standard da última década, se mais parecido ao modelo de Fernando Santos em 2001 ou ao Borussia de Dortmund de Klopp (de quem Paulo se lembrou na conferência de imprensa).

Basicamente há três grandes alterações conceptuais com este modelo.
A inversão do triângulo do meio-campo gera duas situações novas:
- a criação do conceito de número 10, que no 4-3-3 não tem lugar (ou é um extremo adaptado, como foi James, ou é um médio centro reconvertido, como muitas vezes joga Iniesta)
- a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, ambos com ordens para subir e descer, alternando-se sucessivamente

No primeiro caso, a ideia de Paulo Fonseca parece-me evidente.
O número 10 está liberto de carga táctica. Marca menos o rival, corre menos, ocupa mais os espaços livres e aproxima-se ao avançado. Ele tem a missão de criar superioridade ofensiva na área, ajudar Jackson nas suas movimentações e oferecer-se sempre como alternativa de passe.
No segundo caso, implica ter uma equipa muito mais móvel, sem nenhum jogador com uma missão fixa todo o encontro, o que exige mais fisicamente dos dois jogadores, que terão de ser muito mais flexíveis.

A terceira alteração passa pelo maior espaçamento de linhas.
Com o 4-3-3 era muito habitual ver as linhas muito próximas entre si, com a equipa a subir em campo de forma compacta, em posse, muitas vezes num ritmo mais lento e previsível. O médio mais defensivo ficava ancorado entre os centrais, os laterais subiam (ora um, mais raramente, os dois) e os dois médios da parte superior do triângulo pautavam o ritmo. Agora nota-se claramente a existência de duas linhas, e cabe aos dois jogadores mais recuados do triângulo pautar o ritmo, permitindo sempre a 3 ou 4 jogadores estarem perto da área sem a bola, à espera de que a combinação entre os restantes jogadores a faça chegar até eles o mais rápido possível.

Nesta imagem pode ver-se qual é o desenho táctico standard em campo:


Um dos médios sai com a bola permitindo aos defesas abrirem-se para cada lado oferecendo linhas de passe e possibilitando aos laterais abrir o campo. O segundo médio está perto, numa zona próxima, para servir de apoio imediato. Mais à frente, os dois extremos jogam abertos e o número 10 e o avançado próximos um do outro, para puxar a marcação e abrir espaços nas costas e, em caso de recepção de bola, poderem combinar entre si de imediato.

Com esta ideia, o Paulo Fonseca quer claramente uma equipa mais vertical, mais dinâmica e trabalhada fisicamente e mais opções para o remate, com a presença constante de um segundo elemento perto da baliza.

Nesta outra imagem, num movimento ofensivo, podemos ver como o Lucho aparece quase como um 2º avançado (na sombra do médio defensivo do Vitória, ele está lá!), na mesma linha que os dois extremos (bem abertos), com o Jackson a prender um dos centrais. Essa situação garante quase uma igualdade numérica em movimentos ofensivos (4 para 5, em vez do 3-5 habitual do ano passado). Vemos os dois centrais a fechar a linha, uma vez mais os laterais abertos, neutralizando os extremos e os dois médios centro com a função de criar desde o primeiro instante.


Pode ser este um sistema mais defensivo do que o 4-3-3, como se tem sugerido?

Depende sobretudo do rival.
Em teoria, uma equipa que utilize um jogador como "número" 10 ou dois avançados, é uma equipa mais ofensiva por natureza. O problema está onde se movem. O 4-3-3 permitia a aproximação regular de dois jogadores do meio-campo à entrada da área, a que se juntavam os três da frente e, eventualmente, os laterais. Este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. O 4-2-3-1 pode não ser mais defensivo que o 4-3-3, mas é um sistema bastante mais frágil.

O FC Porto vai jogar, para a Liga, com equipas que vão estacionar o autocarro e aproveitar falhas para lançamentos rápidos de contra-ataque. Foi assim que se perderam muitos pontos no ano passado. Lançamentos rápidos da defesa, diagonais no meio-campo, aproveitando processos defensivos desorganizados por uma rápida perda de bola. O 4-3-3 garantia, na teoria, que a presença de um médio mais defensivo na ajuda aos centrais, podia tapar essas iniciativas de contra-ataque com mais facilidade, o que leve a uma maior contenção da dupla e menos ajuda no movimento atacante.

O 4-2-3-1 é um modelo que sofre muito mais nessa circunstância.
Aliás, o Paulo Fonseca deve saber, grande parte dos golos sofridos por equipas como Dortmund e Real Madrid (que no ano passado usaram esse sistema) surgiram de situações assim, diagonais entre os dois médios centros, perdidos em campo, aproveitando os espaços disponíveis entre linhas para ganhar segundos preciosos, suficientes para armar o remate que a presença de uma sombra na zona evitaria (o que faz Busquets em Barcelona, por exemplo).

Nos jogos da pré-época, e na Supertaça, já se verificaram essas situações.
Um médio rival (ou defesa) tem a bola, lança um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival. Isso vai suceder regularmente durante o ano. Contra equipas mais exigentes, que vão ter a bola tanto ou mais tempo que nós (jogos de Champions, sobretudo), essa situação vai ser ainda mais habitual porque esse espaço livre é uma mina de ouro para explorar. Não há um jogador que varra o lance.

Nesta imagem estamos perante essa situação. 
Uma perda de bola do ataque, contra-golpe do rival. O número 10 é o último, o que não corre e o avançado e os extremos estão todos muito próximos. Um dos laterais (Fucile), está pendente do extremo e longe da linha defensiva. Os restantes elementos da defesa estão em linha. Mas os dois médios estão expectantes, na mesma zona. Neste momento o Defour não está a marcar ninguém, é um jogador passivo na acção. O Fernando cumpre o seu papel (o que faz melhor) e aproxima-se do homem com a bola, que pode colocar um passe em diagonal para o avançado nas costas do meio-campo. 


Não deixa de ser uma movimentação de jogadores que pode ser trabalhada durante o ano. Mas é um risco.
Não há sistemas perfeitos, o 4-3-3 desde já não o era. Mas defensivamente era muito mais seguro do que este modelo. Claro que o trabalho dos jogadores será fundamental para que este ou qualquer outro modelo funcione. E de aí vamos ao segundo ponto da análise.

Faz o 4-2-3-1 mais sentido que o 4-3-3 com este plantel e estes jogadores?
(continua)

domingo, 11 de agosto de 2013

Soma e segue


Mais uma supertaça já cá canta. Foi um jogo bem conseguido e uma  vitória justíssima, que peca por escassa. Diziam os homens que comentavam o confronto na RTP que o VG tinha entrado bem, desinibido e sem complexos,  quando  o FCP,  pela faixa direita,  chegou ao primeiro golo aos 5 minutos. Aos 17 mais um excelente movimento de ruptura  e deixámos de ser favoritos para nos constituirmos como próximos detentores do trofeu em disputa , que o golo a fechar a primeira parte tirou todas as dúvidas,  se ainda as houvesse.
Entre o segundo e o terceiro golo e toda a segunda parte,  tivemos excelentes momentos individuais e colectivos, mas muitas cócegas para chegar ao golo. Embora compreenda que com a vitória no bolso o treinador  se sentisse legitimado para a experimentação, o principal reparo que faço foi a falta de gula para tentar o golo de forma mais predadora, nomeadamente no segundo tempo que controlámos sempre bem,  mas com demasiada gente no miolo,  provocando demasiado congestionamento nos espaços interiores, que o posicionamento de Josué na esquerda não atenuou antes agravou

Apesar desse inconveniente,  os jogadores movimentaram-se bastante bem e com muitas diagonais, que saídas a preceito, criaram imensas dificuldades à defensiva adversário. Ao contrário do que aconteceu nos jogos da  pré época foi pelo direito que construímos uma boa parte das investida da equipa e foi por essa banda que chegámos aos golos.
O labor de uma equipa resulta do esforço de todos,  mas no jogo de ontem Fucile, Licá e Lucho estiveram a um nível muito elevado e foram os principais artífices dos desequilíbrios que provocámos na defensiva vimaranense, enquanto nos equilíbrios e compensações contámos com os excelentes desempenhos de toda a defesa,  de Defour e Fernando. Martinez e Varela estiveram em bom nível, sem deslumbrar, Quintero prometeu, Josué pouco activo e Kelvin entrou demasiado tarde: foi menos para jogar e mais para receber o apoio por aquele inesquecível minuto 92, e disso é que o miúdo precisa menos.

Não gostei da arbitragem nem de alguns sinais exteriores de porreirismo do nosso treinador o que não empalidece a boa entrada desportiva na presente época. Na supertaça são onze contra onze e no final ganha o FCP.

sábado, 10 de agosto de 2013

Afinal Bernard não veio


Afinal Bernard não veio. Deste facto, podem fazer-se vários comentários e tirar-se algumas ilações.

1) «Rui Gomes da Silva, no programa O Dia Seguinte, da SIC Notícias, garantiu, esta segunda-feira [28-05-2013] à noite, saber que o FC Porto se prepara para contratar os internacionais brasileiros Bernard (Atlético Mineiro) e Fernando (Grêmio)». (in Maisfutebol)
Afinal, as quase certezas do dirigente-comentador benfiquista não se confirmaram. Pelos vistos não sabia, ou esqueceu-se de dizer, que havia outro(s) clube(s) interessado(s) e com argumentos ($$$) que os clubes portugueses não têm.

2) O Shakhtar Donetsk pagou 10 milhões de euros pelo Fernando e 25 milhões de euros pelo Bernard, isto sem contar com os salários hiper-milionários dos jogadores e outras mordomias (para além de um salário de 384 mil euros mensais - mais de 4,6 milhões de euros anuais -, o Shakhtar Donetsk ofereceu a Bernard uma mansão, um motorista, um tradutor e um cozinheiro privado).
É bom que os adeptos portistas tenham plena consciência disto, porque é com clubes como Shakhtar Donetsk que o FC Porto disputa o apuramento para os oitavos ou quartos-de-final da Liga dos Campeões e também, cada vez mais, a contratação de valores emergentes do futebol sul-americano. Por tudo isto, parece-me um bocadinho irrealista quando leio ou ouço adeptos portistas dizerem que o FC Porto tem a obrigação de ganhar/eliminar clubes como o Shakhtar Donetsk...

3) Ao contrário do que alguns adeptos do FC Porto receavam, mesmo contando com o suposto apoio do BMG, a SAD não cometeu a "loucura" de entrar num leilão por Bernard, cujo preço base, anunciado pelo presidente do Atlético Mineiro, era a módica quantia de 25 milhões de euros.

4) Apesar do anunciado interesse do BMG em que o Bernard viesse para o FC Porto, o que é um facto é que não veio. Do meu ponto de vista, o apoio do BMG é bem vindo (quer para o museu, quer para contratações) mas, pelos vistos, o FC Porto não está hipotecado aos interesses do BMG e quem continua a decidir se uma determinada contratação se faz ou não é a Administração da FC Porto SAD. Acho muito bem e é assim que tem de ser.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

As famosas cláusulas de rescisão e Jackson

As cláusulas de rescisão voltam a estar na ribalta, quando se vêem rumores na comunicação social de que há ofertas pelo Jackson que muito se aproximam da dita-cuja. Vejo vários portistas resignados que se alguém oferecer os 40M pelo Jackson e ele quiser ir, não podemos fazer nada, e ele está preso por um fio.

No entanto há um «pormaior» de que quase toda a gente se esquece, pelo que tenho visto... a cláusula de rescisão tem dois pormenores fundamentais: não só o montante, como o prazo de pagamento

Obviamente. É que se o prazo de pagamento ficasse à discrição do comprador, oferecia-me já eu para comprar o passe do Jackson pagando 10 euros/ano nos próximos 30 anos e o resto em 2043... 

Ora a regra geral é que está estipulado que o montante terá que ser pago A PRONTO E NA TOTALIDADE. Naturalmente, já que a cláusula de rescisão é apenas um mecanismo de segurança para o clube, sendo estabelecidas condições que se sabe serem muito difíceis de serem preenchidas (se bem que também já vi isto a ser usado como manobra de propaganda barata, como no célebre caso dos 90M por um certo angolano...). Por isso mesmo é muito raro que as cláusulas sejam «batidas» (mesmo quando o montante foi atingido), havendo sempre ou quase negociação com o clube.

Tanto quanto sei é também o caso do Jackson. Sendo assim acho extremamente improvável que alguém tenha a vontade e as condições para pagar já 40M de uma assentada pelo Jackson (começando pelo Nápoles). E parece-me que não temos o mínimo interesse em negociar a sua venda (este ano...), por isso se fosse a SAD não perdia um segundo com negociações, passando a mensagem de que não é para vender (já) e quem quiser levá-lo que deposite o dinheiro no banco primeiro.

Ah, e a vontade do jogador? Bem, pelo que li Jackson diz estar bem no FCP por isso não me parece que fique muito contrariado (mesmo que até preferisse sair). Mas mesmo que ficasse, eu seria totalmente intransigente neste caso já que:

1) Só está há um ano no FCP
2) Tem contrato por ainda mais 3 épocas
3) É a pedra mais fundamental do FCP neste momento
4) Estamos apertados de dinheiro mas deve dar para aguentar algum tempo - e mesmo que não dê, é de longe preferível vender um dos centrais (Mangala incluído, se a oferta for mesmo muito boa)
5) Mesmo que tivesse a tentação de fazer fretes ou birrinhas, não me parece que Jackson o fosse fazer em ano de Mundial e com tantos anos de contrato pela frente

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Jogar aos Onzes

Depois do presidente ter divulgado qual era o seu onze de gala (do seu mandato) e do José Correia ter relançado o debate, o clube decidiu promover na sua página web uma votação aberta a todos os adeptos para eleger o melhor onze dos 120 anos de história do FC Porto.

É uma ideia engraçada, uma brincadeira de Verão que não ofende nem faz mal a ninguém. Mas que faz pouco sentido. Não se podem comparar épocas tão recentes como os anos do Penta e do Tetra, os de Artur Jorge e Mourinho e as suas "orelhudas", quanto mais criar um onze onde se misturam alhos e bogalhos, ou seja, Siskas e Baías. Qual é o critério possível a seguir?

Partimos do principio que as pessoas votam no que vivem e que, portanto, o inevitável é que o onze conte com mais jogadores dos últimos quinze anos. Também que aqueles grandes mitos que não tiveram a sorte de jogar na era da televisão sejam ostracizados porque, pura e simplesmente, a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de conhecer a sua história e desconfia de relatos escritos ou sonoros em comparação com as imagens no YouTube.


Portanto esta lista de jogadores, onde estão alguns dos melhores futebolistas da história, e que não inclui nenhum jogador da equipa actual (dificilmente algum teria lugar nessa lista, salvo talvez Lucho Gonzalez), é uma amálgama de emoções, experiências pessoais, relatos perdidos no tempo e sonhos vividos.
Também há nomes que não fazem qualquer sentido, como os de Cissokho, Alenitchev, Rolando, Bruno Alves ou Capucho, mas isso é uma apreciação pessoal. Ah, e alguém explica ao clube que o Pinga não era médio centro se faz favor, quanto muito avançado-interior num 2-3-5, mas avançado mesmo assim!

A votação está aberta até ao dia 1 de Setembro na página oficial do clube, via email e via Facebook.
Os nomeados são estes:

GR: Siska, Baía, Mlynazczky, Américo e Barrigana
DD: João Pinto, Paulo Ferreira, Gabriel, Virgilio e Bandeirinha
DE: Murça, Branco, Inácio, Nuno Valente e Cissokho
DC: Aloisio, Bruno Alves, Monteiro da Costa, Jorge Costra, Fernando Couto, Freitas, Ricardo Carvalho, José Rolando, Lima Pereira, Celso
MC: Rodolfo, André, Costinha, Deco, Zahovic, Alenichev, Pavão, Frasco, Pedroto, Duda, Jaime Pacheco, Sousa, Oliveira, Rui Barros
EX: Madjer, Capucho, Futre, Hulk, Hernani, Costa, Carlos Duarte, Nóbrega, Drulovic, Jaime Magalhães
AV: Gomes, Jardel, Pinga, Falcao, McCarthy, Domingos

PS: Neste onze não está Teofillo Cubillas. Foi retirado da página web. Uma gralha de quem o colocou ou há gente no clube que realmente acha que Alenitchev ou Capucho são mais importantes na história do FC Porto que o peruano?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A pré-temporada 2013-14


Dos 29 jogadores que, actualmente, constituem o plantel, penso que só ficarão 24 ou 25. Ora, por aquilo que pude ver, pelo tempo que jogaram nestes desafios da pré-temporada e, também, atendendo à respectiva idade, penso que há quatro jogadores que são fortes candidatos a saírem do plantel até ao final deste mês:
- Abdoulaye (só ficarão 4 defesas-centrais e não me parece que a SAD vá emprestar Diego Reyes);
- Kadú (só ficarão 3 guarda-redes e, portanto, deve passar a integrar o plantel da equipa B);
- Ricardo (apesar de estar a ser experimentado por Paulo Fonseca na posição de lateral-direito);
- Tiago Rodrigues (para além de haver excesso de médios, foi o jogador menos utilizado na pré-temporada).

Castro e Licá, que também estariam na zona cinzenta, devem ficar. São portugueses (é preciso ter em atenção o lote de jogadores que será enviado para a UEFA) e, para além de mais velhos e experientes, tiveram uma utilização bastante superior à dos ex-vimaranenses Tiago Rodrigues e Ricardo.

Evidentemente, se até ao final de Agosto houver novidades em termos de entradas (Bernard?) ou saídas (por exemplo, Fernando ou um dos defesas-centrais com mercado - Otamendi ou Mangala), estas contas terão de ser refeitas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sagrada Família

Parco em intervenientes - jogadores, árbitros (de baliza e "bandeirinhas"), treinadores, dirigentes (que depositam cheques em contas, que têm as contas em cheque, e os outros), adeptos (com distribuidores de calduços e lançadores de pirotecnia incluídos), tratadores de relva, agentes, empresários e tutores - o futebol começa (e ainda bem!) a absorver lentamente a figura do "familiar".

Vanguardista como já nos habituou, o Porto já teve contacto prematuro com este novo elemento, na pessoa do famoso "pai do Diego". Mais recentemente surgiu o "pai do Iturbe", antes ainda da entrada em cena do "pai do Bernard", ao qual se seguiu, claro está, a "mãe do Bernard".

Oh mister, se o Martim não joga, vamos para os jornais!

Pelo meio sabe-se também que a "família do Bruma", tem sido ameaçada por elementos (oficiais ou não) do SCP; normalmente, teria alguma dificuldade em acreditar numa "notícia" como esta, mas se veio no Borreio de Manhã, tem de ser verdade. O impagável Bruno de Carvalho está determinado em demarcar-se da anterior direcção do SCP, e ao invés de apostar nos depósitos em conta, opta claramente pelas "cobranças coercivas" - os adeptos, esses, devem estar satisfeitíssimos por terem preferido o filho do pai do Bruno de Carvalho ao sobrinho-neto do Peyroteo.

Para que não se pense que isto é coisa restrita apenas a relações de sangue, a "mulher do Atsu" achou que também tinha direito de manifestar-se (no Borreio de Manhã, claro está), indignadíssima que está por não poder mudar-se já para Lisb... Liverpool; o seu esposo, qual Kunta Kinte dos tempos modernos, vive oprimido pelo Porto, que o obriga, imagine-se!, a treinar arduamente com outros jogadores, sob o estalo do contrato, em troca de uma ridícula e insultuosa fracção de vários milhões de euros - ela chama-lhe máfia, mas isto é claramente um caso de esclavagismo.

Por outro lado, o ex-Tácuara (agora apenas Cárdozo), foi impedido de treinar e de entrar nas instalações do Бehфицa. Nenhum familiar se manifestou até agora, nem qualquer referência à situação pode ser encontrada no Borreio de Manhã, pelo que deve ser mentira ou então há interesse em manter a coisa em família, como uma ... cosa nostra.

domingo, 4 de agosto de 2013

Bons sinais

FC Porto x Nápoles (foto: Maisfutebol)

O jogo de hoje contra o Nápoles mostrou alguns bons sinais. O principal foi a boa forma atual de Silvestre Varela, o "patinho feio" de Miguel Sousa Tavares (e não só) e que já ontem, contra o Galatasaray, tinha sido um dos melhores jogadores portistas, precisamente no melhor período da equipa (os primeiros 45 minutos).

Entre os novos, gostei do que vi fazer Quintero. Comparando com James Rodriguez nas mesmas circunstâncias (duas ou três semanas após chegar ao FC Porto), parece-me que o novo Nº 10 do plantel não fica a perder. Falta saber se e onde é que Paulo Fonseca irá encontrar lugar para este novo talento colombiano no onze titular.

Também Herrera deu boas indicações, nomeadamente na 2ª parte. Se Fernando não sair, a luta com Defour por um lugar no meio-campo portista vai ser interessante.

Juntando a 1ª parte do FC Porto x Galatasaray com a 2ª parte do FC Porto x Nápoles, teríamos um bom jogo para esta altura da época.

sábado, 3 de agosto de 2013

Ai os penalties...

FC Porto x Galatasaray, onze inicial (foto: Maisfutebol)

O resultado foi mau (0-1), a exibição não foi grande coisa (principalmente na 2ª parte) mas, como jogo-treino, foi excelente, porque foi possível detectar vários problemas que precisam de ser resolvidos nos jogos a sério.

Entre os problemas, há dois aspectos, relacionados com as bolas paradas, que saltaram à vista e que o novo treinador terá de corrigir:

1º) Se dúvidas havia, Jackson voltou a mostrar que está longe de ser uma boa opção para marcador de penalties; é um problema sério, que já vem da época passada, até porque será normal o FC Porto beneficiar de, pelo menos, 10 penalties ao longo da época.

2º) Sem James e Moutinho, não me parece que Defour e muito menos Castro sejam a melhor opção para executar os cantos e os livres laterais; eu experimentaria mais vezes o Danilo.

P.S. Por favor, alguém diga ao Paulo Fonseca que ele já não é treinador do Paços Ferreira, mas sim de uma equipa que é Tri-campeã nacional e que, regularmente, está no Top 10 do ranking da UEFA
("Fizemos um bom jogo perante uma grande equipa, mas podíamos ter vencido e não podemos estar satisfeitos pelo resultado do jogo. Mas eu, como líder desta equipa, estou orgulhoso pelo que os meus jogadores fizeram aqui hoje", Paulo Fonseca, em declarações à SportTv).

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Robertos, marionetas e fantochadas

«Conheces os nossos amigos Robertos? Sabes como se manipulavam? Onde contavam as suas histórias? (...)
Vem descobrir o mundo destas marionetas portuguesas e criar o teu próprio ROBERTO.»


Em Junho de 2010, o país futebolístico ficou de boca aberta, quando a slb SAD comunicou à CMVM ter contratado um dos guarda-redes do Atlético Madrid, pela módica quantia de 8,5 milhões de euros!


Se o valor da contratação, por si só, tinha sido surpreendente, não foi preciso esperar muito para se aquilatar da valia do “reforço” de 8,5 milhões e logo na pré-temporada da época 2010-11 começaram os frangos à espanhola.

A época encarnada foi um verdadeiro calvário (lembram-se dos 5-0?), com Roberto a ser uma das “estrelas” do descalabro benfiquista.


Contudo, chegados a Agosto de 2011 e numa espécie de passe de mágica, saiu um coelho da cartola de Vieira e a slb SAD anunciou ter chegado a acordo com o Real Zaragoza SAD para a transferência, a título definitivo, de Roberto por 8,6 milhões de euros (mais 100 mil euros do que, supostamente, tinha custado um ano antes!).

Esta fantochada, perdão, anúncio foi de tal maneira inacreditável, que a própria CMVM pediu à SAD encarnada para esclarecer a venda de Roberto. A slb SAD viu-se obrigada a prestar informações complementares, o que fez no dia 3 de Agosto de 2011, tendo dito que o “pagamento será efectuado de forma fraccionada e encontra-se garantido, nomeadamente por títulos de crédito”.


Como, pelos vistos, as garantias eram fracas, dois anos depois Roberto voltou à ribalta e, em vez de 8,6 milhões de euros, diz-se agora que foi trocado, como se fosse um cromo, por meio Pizzi.


«Roberto, o tal que tinha sido vendido por 8,6 milhões de euros ao Saragoça, sabe-se lá como e porquê, afinal foi devolvido ao Benfica mas rapidamente revendido ao Atlético de Madrid, que o emprestou ao Olympiakos. Conseguiram acompanhar? Parabéns, eu não.»
Eugénio Queirós
in record.pt, 30 julho de 2013 | 13:25

«Nos relatórios e contas dos encarnados desde então há várias referências à BE Plan, na rúbrica Clientes e nas alíneas Corrente e Não Corrente, mas o Maisfutebol ficou com dúvidas sobre qual o valor que já tinha sido de facto liquidado. Fizemos a pergunta ao Benfica, mas fonte oficial do clube informa apenas que “os esclarecimentos e documentos foram todos fornecidos ao regulador”.
O Maisfutebol perguntava também em que momento e de que forma foi decretado o incumprimento e recuperados os direitos de Roberto. E ainda se iria haver algum esclarecimento do Benfica em relação às declarações de Roberto na noite de segunda-feira, quando o guarda-redes disse que esteve sempre vinculado ao clube, mesmo durante o período no Saragoça.»
Maisfutebol, 30-07-2013


Eu não sei o que é que os milhões de benfiquistas pensam desta robertada mas, conhecendo o perfil médio do adepto encarnado, suponho que a maioria deve achar que tudo isto é limpinho, limpinho, limpinho, ou não fosse o slb o clube da transparência e verdade desportiva...

Mas se os adeptos são adeptos (e os benfiquistas são adeptos muito particulares), a CMVM, como entidade reguladora, tem outro tipo de obrigações e, quando as coisas tresandam, não chega solicitar e ficar satisfeita com comunicados dúbios de entidades envolvidas em situações que suscitam suspeitas. É preciso investigar e, neste caso, investigar a fundo o triângulo Atlético Madrid SAD, slb SAD e Real Zaragoza SAD / BE Plan.

É que o fair play financeiro e a tão apregoada verdade desportiva também passam por estes casos...

O último clube da carreira de Liedson

Aos 35 anos, Liedson chegou ao Porto no dia 25 de Janeiro de 2013, trazendo o rótulo de reforço e para, supostamente, ser uma alternativa ao único ponta-de-lança que havia no plantel portista - Jackson Martinez.


Contudo, nos menos de quatro meses em que o Levezinho esteve ao serviço do FC Porto, o melhor (menos mau) que se pode dizer dele é que comprovou já não ter as mínimas condições para o nível de exigência de uma equipa de alta competição europeia e que, na altura da sua contratação, disputava a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e lutava taco-a-taco com o clube do regime pelo título de campeão português.


Aliás, é sintomático que, ao contrário de outros jogadores, nem sequer foi preciso esperar pela opinião do novo treinador (Paulo Fonseca) e, mal acabou o campeonato 2012-13, o destino de Liedson estava traçado: devolução à procedência.

No início de Julho, Liedson reapresentou-se no Flamengo, mas passou a treinar separadamente na Gávea. Até que, no último dia de Julho, soube-se que clube e jogador tinham chegado a acordo para rescindir o vínculo que ligava Liedson ao Flamengo até ao final do ano 2013.

Entretanto, em declarações à comunicação social brasileira, o empresário do atleta, Bruno Paiva, colocou a hipótese do último clube da carreira de Liedson ter sido o FC Porto:
Essa hipótese de [Liedson] encerrar a carreira realmente não está descartada. Ele é um atleta que conseguiu sua independência financeira, ganhou inúmeros títulos e está satisfeito com sua trajetória. Se ele quisesse, ainda teria condições de jogar mais algum tempo, mas não sei se fará isso. Ele agora vai se reunir com a família, tirar uns dias para refletir e tomar a decisão sobre a aposentadoria

Seis meses depois, e numa altura em que Liedson está a reflectir para tomar uma decisão sobre a sua “aposentadoria”, ainda me custa a perceber como é que foi possível o FC Porto contratar um jogador nas condições em que estava Liedson.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

As duas faces de James

«James joined the ambitious Ligue 1 club earlier this summer for €45 million (...).
Speaking exclusively to Goal, he said: "I won't miss it at all. I can play in the Champions League another year. (...) Signing Falcao and Moutinho will help a lot. I've been playing with great players who have been top figures, and who are now here. I think that's important. With good players it's easy to play and adapt."
Operating as a winger for Porto last season the Colombian scored 11 times in 34 games and impressed a number of the continent's top teams. Monaco moved quickly to seal his signature, paying his release clause, and so in the space of three short years, the forward passed from relative obscurity as a little-known teenager with Argentine side Banfield to becoming one of the world's most expensive players. So how did he achieve his rise to prominence?
He explains: "Firstly, hard work. I'm someone who has always liked to train well and always wants to play well. The first six months [at Porto last season] were good. The last five unfortunately I had an injury. The most important moments were the first six months when I had a good level. I had a top level during those months

A entrevista completa de James Rodríguez à Goal.com pode ser lida aqui.

De facto, o James da primeira parte da época passada (Agosto a Dezembro de 2012) foi um jogador completamente diferente, para muito melhor, daquele que (não) esteve à disposição de Vítor Pereira na segunda metade da época 2012-13.

Este facto, que agora é reconhecido pelo próprio jogador colombiano, a que se juntou a lesão de João Moutinho num momento crucial (2ª mão dos oitavos da Liga dos Campeões) e a ausência de alternativas de qualidade para a frente de ataque dos dragões, ajuda a explicar algumas exibições menos conseguidas do FC Porto na segunda metade da época passada. É que sem ovos, é mais difícil fazer omeletes...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.