sábado, 14 de setembro de 2013

Duas partes distintas

Uma primeira parte globalmente positiva, com dois golos, algumas boas combinações atacantes, intensidade de jogo e concentração defensiva, o que fez com que o Gil Vicente não conseguisse criar uma única oportunidade de golo (nem me lembro dos galos de Barcelos terem feito remates à baliza de Helton).

Mas o intervalo fez mal aos dragões e os segundos 45 minutos foram muito fracos, sendo dificil encontrar alguma coisa positiva do lado do FC Porto.

É costume dizer-se que, contra equipas como o Gil Vicente, o mais dificil é marcar o primeiro. Pois bem, o FC Porto marcou o 1º golo aos 8 minutos e aos 27' já estava a ganhar por 2-0. A partir daí, instalados numa vantagem de 2 golos, quando se esperaria que os azuis-e-brancos aproveitassem um maior adiantamento dos gilistas para dar espectáculo e marcar mais golos (é assim que se conquistam adeptos e se enche o estádio), aconteceu precisamente o contrário. A equipa entrou em "gestão de esforço" e passou a "controlar o jogo", jogando de forma murrinhenta e, por vezes, até displicente. Os 36517 adeptos portistas que foram ao estádio, pagaram bilhete e mereciam 90 minutos de futebol, mas tiveram de se contentar com apenas 30-35 minutos...

O Gil Vicente chegou ao final do jogo com 30 ataques, 5 cantos (o FC Porto só teve 2!) e 10 remates (o FC Porto fez 17) e, na 2ª parte, podia perfeitamente ter marcado e em mais do que uma ocasião.

Lucho no banco foi uma surpresa, mas Quintero mostrou que ainda não tem estofo para jogar 90 minutos. Tem momentos de brilhantismo, mas ao seu jogo ainda falta intensidade e continuidade.

Houve muitos jogadores abaixo do que podem e sabem (as chamadas de 11 jogadores às respectivas Seleções é algo que complica sempre a preparação do jogo seguinte...), mas chamou-me à atenção a quantidade de erros e passes falhados de um jogador que ficou por cá: Fernando. O que se passa com o trinco brasileiro? Não saiu e também não renovou. Será isso?

De resto, parece que Paulo Fonseca ainda anda à procura dos melhores trios para o meio-campo (o único que parece ter o lugar assegurado é o Fernando) e para o ataque, onde Jackson continua a ser indiscutível e a disputar 90 minutos jogo após jogo (para que serve Ghilas?).

P.S. O que dizer do cartão amarelo mostrado a Silvestre Varela, por suposta simulação, num lance em que é abalroado dentro da área do Gil Vicente por um defesa da equipa de Barcelos? Ai se tivesse sido ao contrário...

PPA: a “perequação” (2)



Os terrenos incluídos no Plano de Pormenor das Antas (PPA) eram detidos por catorze proprietários, mas a maior parte, cerca de ¾ da área abrangida, pertenciam a apenas três entidades: Futebol Clube do Porto (51%), Lameira-Imobiliária, que integra o grupo de empresas Jomar, (15%) e Câmara Municipal do Porto (8%).
Sendo este o ponto de partida, é óbvio que sem o envolvimento destas três entidades e, particularmente, sem a anuência de quem tinha mais de metade dos terrenos – o Futebol Clube do Porto –, nunca a Câmara Municipal do Porto (CMP) poderia ter avançado com este ambicioso projeto de renovação urbana, o qual incidiu numa zona abandonada da cidade, que incluía espaços altamente degradados e onde se pode dizer que cidade a sério nem sequer existia (daí a comparação que alguns fizeram com a intervenção que, uns anos antes, tinha sido feita em Lisboa, nos terrenos da EXPO 98).

O PPA foi baseado numa espécie de operação de loteamento, através do emparcelamento do solo urbano, de forma a reajustar a configuração e o aproveitamento dos terrenos existentes para a construção prevista no plano.
Para tal, usou-se o princípio da “perequação compensatória”, prevista no Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro.

A “perequação” consiste em calcular os metros quadrados (m2) de construção que caberiam ao conjunto dos terrenos, distribuindo-os depois pelos proprietários, a quem é depois atribuída capacidade construtiva em função dos terrenos com que participam. Ou seja, cada proprietário entra com os seus terrenos, recebendo uma parte da capacidade construtiva resultante do PPA na respetiva proporção (levando em conta o coeficiente de construção atribuído).

Nota: No caso do PPA, e relativamente aos pequenos proprietários, a CMP optou pela aquisição ou permuta de terrenos e, por isso, não foi atribuída área de construção a alguns proprietários.

Naturalmente, tal como acontece quando qualquer executivo camarário decide rasgar uma nova avenida ou renovar uma das ruas já existente no respectivo concelho, a CMP assumiu a responsabilidade da construção das infraestruturas (ruas, pavimentos, passeios, saneamento, etc.) que fizeram parte desta intervenção urbana.
Contudo, no caso do PPA, foi decidido que os proprietários envolvidos teriam de contribuir para o custo dessas infraestruturas. Assim sendo, 25% da capacidade construtiva atribuída a cada proprietário em resultado da “perequação”, foi-lhes subtraída e entregue à CMP.

No caso do FC Porto, cujos terrenos que possuía tinham sido adquiridos por diferentes direções do clube ao longo de décadas (e não, como aconteceu noutras latitudes mais a Sul, oferecidos pela respectiva câmara municipal…), a área com que entrou para a “perequação” foi de 161.749 m2 (mais tarde este valor haveria de ser revisto para 160.600 m2 [1] ). Desta área, o plano atribuiu a pouco mais de 5% (8.877 m2) um coeficiente de construção de 2.1, enquanto que aos restantes 152.872 m2 o coeficiente atribuído foi de apenas 1.05. Da aplicação destes coeficientes, resultou uma capacidade construtiva atribuída ao FC Porto de 179.157 m2.

Recordo que, poucos anos antes, em 1998, o Alvará de Loteamento emitido pela Câmara Municipal do Porto, abrangendo vários terrenos nas imediações do Estádio do Bessa, atribuiu a esses terrenos uma capacidade construtiva de 83.078 m2, o que correspondeu a um índice de 1.7 m3/m2. [2]

Para além do baixo coeficiente de construção atribuído à área que era detida pelo FC Porto (um coeficiente médio global de 1.1), a CMP, tal como fez em relação aos restantes proprietários abrangidos pelo PPA, retirou para si 25% à capacidade construtiva que tinha sido atribuída ao FC Porto, ou seja, 44.789 m2, sob o pretexto de comparticipação nos custos com as infraestruturas, ficando o clube com apenas 134.367 m2.

Posteriormente, através de um protocolo estabelecido entre a CMP e o FC Porto, a autarquia comprometeu-se a ceder ao clube uma área bruta de construção de 106.250 m2 (facto que iria motivar uma grande polémica… um ano depois, após a eleição de Rui Rio e de que falarei num próximo artigo).

Nota: Após os cortes feitos no PPA, e de acordo com a Cláusula 5.ª do Contrato-Programa estabelecido entre a Câmara Municipal do Porto e o Futebol Clube do Porto, datado de 4 de Fevereiro de 2003, a área bruta de construção cedida pela CMP ao FC Porto perfez um total de 90.245 m2 (e não os 106.250 m2 previstos inicialmente).

Rui Rio, após ser eleito (antes e durante a campanha eleitoral nada disse), insurgiu-se contra este subsídio em espécie dado pela CMP ao FC Porto (falarei nisso num próximo artigo).
Contudo, chamo à atenção que se a CMP tivesse atribuído aos terrenos com que o FC Porto entrou para o PPA (cerca de 161 mil metros quadrados) um coeficiente igual ao dos terrenos do Complexo Desportivo e Habitacional do Bessa (1.7), a capacidade construtiva resultante seria de cerca de 274 mil metros quadrados.
Isto é, depois de todos os cortes, ajustes, subtrações e adições, o Futebol Clube do Porto ficou com menos aproximadamente 50 mil metros quadrados de capacidade construtiva (224 mil versus 274 mil metros quadrados) do que aqueles que teria se, simplesmente, aos seus terrenos tivesse sido atribuído o mesmo coeficiente médio que foi atribuído aos terrenos do Boavista Futebol Clube.

(continua)

[1] Contrato-Programa entre a Câmara Municipal do Porto e o Futebol Clube do Porto, de 4 de Fevereiro de 2003

[2] Comunicado da Direção do Boavista Futebol Clube, de 14 de Fevereiro de 2002

Nota: Se alguém detectar erros grosseiros nos números que constam deste artigo, agradeço a respectiva correção na caixa de comentários, juntamente com a indicação da fonte dessa correção.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Que modelo de decisão para as contratações?

"Durante a entrevista, Vítor Pereira comentou ainda as contratações de Izmaylov e Liedson no mercado de janeiro. «Foram os reforços possíveis.Apresentei soluções ao clube. Uma, duas, três quatro e o clube viu a sua disponibilidade. Não teve para a primeira, para a segunda, para a terceira...Não me vou imiscuir na capacidade financeira do FC Porto» no Rascord

Antes de mais, aviso que isto não é um artigo sobre Vitor Pereira ou sobre a sua passagem pelo FCP. Para mim são águas passadas que não vale a pena andar a dissecar e remoer. No entanto estas declarações dele servem como mote para a discussão de um tema intemporal e generalizado, que é o papel do treinador e da Direção nas contratações no FCP.

Penso que (praticamente) todos os portistas estarão de acordo que o treinador no FCP não deve ter carta branca nas contratações, seja ele quem fôr; da mesma forma penso que é consensual que deve haver tanto consenso quanto possível nessas decisões entre treinador e Direção. Onde as opiniões se divergem é se deve ser ele a ter a palavra principal no grosso do investimento (dentro de parâmetros estabelecidos pela Direção, notoriamente montante disponível para investir no plantel), ou se deve ter um papel secundário como parece ser o caso com praticamente todos os treinadores no FCP.

Um exemplo clássico desse papel secundário do treinador no grosso do investimento é de facto o que se passou em Janeiro, em que se não se contratou «a 1ª, 2ª, 3ª ou 4ª escolha» de VP certamente não terá sido por incapacidade financeira do FCP: primeiro porque não é credível que essas escolhas de VP fossem das que custam de 15M para cima (muito mais provavelmente um Ghilas ou algo do género), e em segundo lugar porque ao mesmo tempo que lhe era dito que não havia dinheiro para esses (claríssimos) buracos no plantel andava a SAD a gastar mais de 9M num jogador (Reyes) que só iria chegar 6 meses mais tarde e para uma posição em que o treinador estava bem servido.

Mas este é apenas um exemplo do que parece ser uma regra geral (recuando um par de anos não me acredito que contratações como a de Danilo – que também só chegou 6 meses mais tarde - fossem vistas como prioritárias pelo treinador, tal como a de um Diego recuando ainda mais no tempo).

Ora pessoalmente eu não acho desejável que o treinador tenha um papel secundário na maioria do investimento feito em passes. Acho bem que a Direção tome a iniciativa de forma algo especulativa (aposta de «futuro») numa ou noutra contratação, principalmente para a equipa B (mas não só), mas não chegando ao ponto de sobrar pouco dinheiro para as contratações vistas como prioritárias pelo treinador.

Antes de mais, não acho desejável porque uma consequência disso é que a Direção acaba por sistematicamente contratar treinadores sem estatuto/CV, que por isso mesmo serão mais compreensivos para as imposições e sugestões da Direção, para não dizer «maleáveis». Na realidade não nos temos saído propriamente mal com esse tipo de treinadores, longe disso (nos últimos 15 anos acertamos em cheio em dois, e a maior parte dos restantes conseguiu ser campeão), mas acho que assim se excluem à partida algumas oportunidades interessantes - e que um treinador de maior calibre e experiência poderia teria feito melhor na Europa do que um Octavio, um L. Fernandez, um C. Adriaanse, um V. Pereira ou até mesmo um Jesualdo. Ou seja, do que a grande maioria dos treinadores que tivémos nos últimos 15 anos.

Para além disso há a questão de se ficar com plantéis (e 11 titular) desequilibrados ou desajustados às ideias do treinador. De um Diego que não encaixava no jogo de C. Adriaanse ou um Postiga comprado por capricho da Direção (caro e quando já tínhamos avançados como McCarthy, Fabiano, Derlei, H Almeida e Jankauskas!), ao plantel do ano passado em que havia Danilo por 18M mas não havia um único avançado no banco digno desse nome, não faltam exemplos. Foi muito bonito começar a pensar numa eventual saída de Mangala com antecedência (contratação de Reyes em Janeiro), mas não estivémos longe disso ter sido à custa de perder o campeonato no curto prazo...

E há, acima de tudo, uma questão de princípio: pedem-se responsabilidades ao treinador (e é ele que é despedido quando as coisas não correm bem), mas muitas vezes não se concentra o investimento nas posições (ou tipos de jogador) que ele considera mais carente, i.e. dando-lhe pouca autonomia no seu trabalho de planeamento (que não no trabalho do dia-a-dia - onde parece-me que a Direção não se imiscui, e ainda bem).

No campo contrário, há quem argumente que não sendo certo que o treinador fique por muito tempo, a Direção na sua sabedoria saberá que jogadores fazem mais sentido a médio prazo. É um argumento legítimo, mas constato que não somos por ex o Barcelona, i.e. uma equipa com um plantel estável ao longo dos anos; pelo contrário, em média os jogadores aguentam-se tanto ou menos tempo no nosso plantel do que os treinadores (se são muito bons rapidamente são vendidos, se não são bons são dispensados - sobrando poucos pelo meio). Ora isto dilui imenso o peso desse argumento.

Há ainda outro argumento a favor do status quo que é pouco falado, mas porque não falar abertamente: no modelo actual a Direção acaba por privilegiar as relações com empresários à vontade do treinador na formação do plantel. Isto pode ter ramificações negativas, mas pelo lado positivo pode levar a que relações fortes com certos empresários resulte em boas compras ou vendas que caso contrário poderiam ser comprometidas. É possível que assim seja – e só eles saberão mesmo - mas não vejo dados públicos que comprovem ser o caso (é raríssimo ver uma contratação abaixo do preço de mercado, por exemplo; ou um jogador admitir que foi o empresário que o fez mudar de ideias em ir para o FCP em vez de outro lado).

Finalmente, há o argumento de que pura e simplesmente a Direção sabe avaliar (desportivamente) jogadores melhor do que o treinador, ou até mesmo as necessidades do treinador melhor do que ele próprio. Bem, parece-me acima de tudo um argumento perigoso, já que onde é que isso nos leva? Se a Direção não confia no treinador nisto, como é que pode confiar que convoque os melhores jogadores, escolha o melhor 11 titular ou até mesmo as substituições durante o jogo ou a táctica? Se isso for verdade se calhar mais valia abdicar de um treinador principal e passar a ter apenas treinadores-adjuntos para orientar os treinos...

Concluindo, no balanço geral e com a ressalva de estar de «fora», parece-me que o treinador deveria ter mais autonomia dentro de certos (muito poucos) parâmetros, como: dinheiro disponível no total para contratações; valor máximo indicativo para passe e salário; não gastar imensos milhões em jogadores com fracas perspectivas de venda (i.e. velhos). À SAD cabe-lhe acima de tudo usar o seu vasto scouting e ligações com empresários para apresentar várias hipóteses ao treinador para as posições que ele considerar prioritárias e dentro dos tais parâmetros, com ele a ter a última palavra; e só depois destas lacunas estarem preenchidas tendo «engolido» o grosso do investimento, enveredar então por uma ou outra contratação especulativa de futuro (tipicamente de jovens e por valores modestos).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

PPA: os antecedentes (1)

Nota introdutória

No próximo dia 28 de Setembro o FC Porto completa 120 anos de existência e, se tudo correr dentro do previsto, nesse dia será inaugurado o novo museu do clube.

No dia seguinte, 29 de Setembro, há eleições autárquicas e fecha-se um ciclo de 12 anos de Rui Rio à frente dos destinos da cidade invicta, durante o qual a Câmara Municipal do Porto e o principal clube da cidade estiveram de costas voltadas.

O ‘Reflexão Portista’ não é um blogue político e, portanto, não cabe aqui uma análise política ao que foi o desempenho de Rui Rio como presidente da Câmara Municipal do Porto. Contudo, importa recordar o que esteve na origem deste corte de relações institucionais entre duas entidades que, à partida, deveriam estar alinhadas e colaborar ativamente em iniciativas que contribuam para a dinamização, projeção e crescimento da cidade do Porto.

É o que tenciono fazer, num conjunto de artigos que irei publicar durante as próximas semanas e onde irei recordar factos, declarações de protagonistas, encargos com obras, etc.

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A decisão do FC Porto de construir um novo estádio foi tomada em 1997, muito antes do EURO 2004, já então por se considerar que o Estádio das Antas estava a chegar ao fim da sua vida útil e que os gastos de manutenção anuais não o tornavam rentável.

Por outro lado, a ideia da Câmara Municipal do Porto (CMP) de fazer uma nova centralidade na zona oriental da cidade era ainda mais antiga (conforme declarações dos responsáveis autárquicos e documentos existentes o podem comprovar).

Deste modo, sendo os interesses da câmara e do clube convergentes, em Agosto de 1998, e por iniciativa da autarquia, o arquitecto Pedro Guimarães apresentou um primeiro estudo de renovação da zona, que ficou conhecido como a “Cidade do Dragão”. Nesse estudo, a localização que o clube tinha previsto para o novo estádio era no local ocupado pelo antigo campo de treinos n.º 1, ao lado do já demolido Estádio das Antas.

Entretanto, e por não ter ficado satisfeita com o estudo de Pedro Guimarães (Nuno Cardoso, na altura vereador do pelouro do Urbanismo, considerou a proposta inconcretizável e qualificou o trabalho de “banda desenhada”), a CMP decidiu, em Agosto de 1999, entregar ao arquitecto Manuel Salgado (responsável pelos projectos da EXPO'98 e do Centro Cultural de Belém) o projecto de requalificação urbana daquela zona oriental da cidade.

Segundo a introdução do relatório do Plano de Pormenor das Antas (PPA), trata-se de “um projecto urbano de grandes dimensões na zona das Antas e que abrange uma vasta área onde se localiza o estádio do Futebol Clube do Porto (FC Porto), diversas unidades industriais – algumas obsoletas –, terrenos camarários e terrenos privados ao abandono”. Abrange uma área de 41,3 hectares e fixa “a implantação do novo complexo desportivo do FC Porto e define a reutilização a dar aos terrenos que vão ser disponibilizados, estabelecendo uma estrutura de espaços públicos diversificados e o redesenho da malha urbana circundante e assegurando a articulação com os bairros mais próximos e a acessibilidade e a circulação em toda a zona, respeitando o regulamento e zonamento das Normas Provisórias do Plano Director Municipal”.

O PPA contempla uma área delimitada pelo Bairro de Contumil (a Norte), pela Rua de S. Roque da Lameira (a Sul), pela via-férrea (a Nascente) e pela Avenida de Fernão de Magalhães (a Poente).

Imagem aérea que inclui a zona abrangida pelo PPA (fonte: APOR)

Em Janeiro de 2000, o arquitecto Manuel Salgado apresentou a primeira versão do estudo, a qual já definia, com detalhe, a estrutura de toda a área do ponto de vista urbanístico e, nomeadamente, já previa uma grande superfície comercial (que haveria de se tornar polémica… dois anos depois!).

«Esta intervenção iniciou-se com a elaboração de um Estudo Urbanístico para a área compreendida entre a VCI, a Av Fernão de Magalhães, a Praça das Flores e a Praça da Corujeira e confinante com o Plano de Urbanização de Contumil (cerca de 85 ha) o que deu origem à realização do Plano de Pormenor da Zona da Antas (cerca de 40 ha). O Plano de Pormenor das Antas, assenta num princípio de reestruturação fundiária e de perequação compensatória de custos e benefícios e tem com objectivos criar uma nova cidade com funções variadas - 3000 fogos habitacionais que concentrarão uma população de cerca de 10000 pessoas; espaços comerciais e de serviços onde se prevêem a criação de cerca de 5000 postos de trabalho; 2 hotéis, um de 3 e outro de 4 estrelas; 1 estádio de futebol para 50000 espectadores, complementado ainda com áreas de lazer e desporto; 1 pavilhão multiusos; 1 centro comercial com cerca de 40000 m2 destinados a área de venda, armazéns e estacionamento para mais de 2000 viaturas; 1 parque verde urbano com 10 ha, equipado com zonas de desporto ao ar livre; 1 equipamento de saúde; 1 equipamento de ensino; estação e interface de metro; parques de estacionamento público para mais de 1000 viaturas.»
(fonte: APOR - Agência para a Modernização do Porto, S.A.)


Neste estudo, elaborado por Manuel Salgado para a CMP, o novo estádio do FC Porto é colocado numa localização diferente da inicialmente prevista, junto à VCI. Face a esta nova localização, que implicou custos acrescidos para o clube, o FC Porto aceitou discutir e negociar com a câmara o que tinha anteriormente preparado e que mais tarde virá a resultar no protocolo assinado entre a CMP e o clube.

Mapa do PPA com legenda (fonte: JN, 06-01-2000)

No dia 8 de Fevereiro de 2000, o estudo elaborado pelo arquitecto Manuel Salgado foi aprovado por unanimidade pelo executivo da CMP e, segundo a Direcção de Planeamento e Gestão Urbanística da CMP, foi desenvolvido de acordo com o conteúdo das normas provisórias do Plano Director Municipal (PDM). No estudo são propostas, regras e parâmetros que cumprem, quer as normas provisórias, quer o PDM.

(continua)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

As “gravatas” televisivas

A propósito do último sporting x benfica, deu que falar o agarrão/“gravata” de Maurício a Cardozo.


Este lance foi destacado durante a transmissão da SportTv e, nos dias seguintes, foi convenientemente repetido inúmeras vezes em diferentes canais televisivos, servindo de mote às queixas benfiquistas em relação à arbitragem.

O que não passou, ou pelo menos não foi visível na transmissão do jogo, foi este outro lance, disputado na área encarnada (durante a 1ª parte), onde surge Luisão a agarrar pelo pescoço um jogador sportinguista.


É sabido que aquilo que não aparece na televisão é como se não existisse, o que levanta as seguintes questões.

- Por que razão é que o agarrão/“gravata” de Luisão não foi visível, nem mereceu qualquer destaque, durante a transmissão do jogo na SportTv?
O realizador encarregue da transmissão não viu? Ou viu, mas não se apercebeu da importância deste lance?

- Se ao serviço de uma televisão supostamente independente e neutra um realizador já tem este poder (o de destacar uns lances e ignorar outros), o que não acontecerá quando estiver a trabalhar para a televisão de um clube?

Este caso vem reforçar a minha convicção de que, nos jogos em casa, transmitidos pela benfica TV, será muito difícil chegar-se ao final de um jogo com a ideia de que o slb foi beneficiado por erros de arbitragem. É que, quem controla as imagens, controla a “verdade” oficial…

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O futuro Museu

Sala Museu Afonso Pinto de Magalhães (fonte: BLOGHISTÓRIAS)

Estamos a menos de três semanas da data prevista para a inauguração do novo museu do FC Porto (28 de Setembro de 2013) e as notícias acerca deste assunto têm sido escassas. Por exemplo, nada se sabe (publicamente) acerca da dimensão e áreas que o museu vai ter, nem tão pouco, até agora, houve a habitual visita guiada de jornalistas às obras em curso. Aliás, parece haver até um certo secretismo, possivelmente para alimentar uma expectativa crescente entre os sócios e adeptos portistas.

Do pouco que veio a público, em 26 de Junho soube-se que o nome oficial do museu do FC Porto incluirá o do banco brasileiro que financia a construção – ‘Museu do FC Porto by BMG’.

Na mesma altura, foi também divulgado que o FC Porto tinha estabelecido uma parceria com o Museu do Futebol (instituição da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo), no âmbito da qual estão previstas a criação de mostras conjuntas, bem como, de projetos ligados ao futebol português e brasileiro.

Entretanto, em 18 de Julho, o FC Porto iniciou uma campanha dirigida a sócios e adeptos de recolha de espólio para o novo Museu.

«Os associados e adeptos que queiram participar nesta acção podem utilizar a aplicação VALOR FC PORTO no Facebook ou dirigir-se, pessoalmente, à Porta 1 do Estádio do Dragão com o seu item de colecção. A acção de recolha de espólio vai decorrer durante os meses de Agosto e Setembro, nos dias úteis, das 10h às 13h e das 14h às 17h.
A partir de Outubro, o local de recepção será transferido para as instalações do Museu.»

Penso que esta ideia foi excelente porque, de facto, há associados que, ao longo de uma vida, foram reunindo fotos, peças, camisolas, etc., de inestimável valor.



Confesso que é com alguma expectativa que aguardo pelos resultados desta campanha e para ver em que é que a mesma se irá traduzir no espólio do novo museu.

De resto, o presidente já disse que o Museu do FC Porto não será um mero armazém de taças ("Não quero um armazém de taças como o FC Porto já teve. Vamos ter um museu do melhor que há no Mundo", Pinto da Costa, 23-05-2013, em entrevista à RTP).
Contudo, para além de objectos oferecidos por ex-jogadores (Américo, Rolando, Gomes, Baía, Jorge Costa, etc.), do Toyota que Madjer ganhou na Taça Intercontinental de 1987, da baliza do estádio de Dublin (onde Falcao marcou o golo da vitória na Liga Europa 2011) e de uma peça monumental produzida pela artista plástica Joana Vasconcelos, pouco mais se sabe.

Joana Vasconcelos (fonte: blog 'Sou Portista com muito orgulho')

P.S. Sabe-se, e é visível a quem passa pelo Estádio do Dragão, que o museu irá abranger os espaços que eram ocupados pelo Bingo e pela antiga loja da Rádio Popular. Para quem vê de fora a azáfama é grande, mas fica a ideia de que será necessário um contrarrelógio para conseguir inaugurar o novo museu no dia em que o FC Porto completa 120 anos.

domingo, 8 de setembro de 2013

O capital dos Bancos e os clubes da Capital


O director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro, é um conhecido comentador de assuntos económicos mas, como colunista (e benfiquista!), escreve também sobre futebol, numa coluna publicada às quintas-feiras no jornal Record.
No dia 7 de Março de 2013, numa das suas crónicas no jornal desportivo do grupo Cofina, escreveu o seguinte:

«É difícil perceber como há bancos que emprestaram tanto dinheiro a clubes que ficariam falidos. Mas assim foi, o que demonstra também incompetência desses bancos. Há muitos casos perdidos, sendo o maior deles o Sporting. Por isso se fala há muito de uma reestruturação da dívida, que é uma forma educada de dizer “perdão”. E por isso Luís Filipe Vieira saiu a terreiro dizendo que se o Sporting tiver perdão de dívida, o Benfica também quer.
Vieira é esperto que nem um alho e, para mais, tem razão: se um clube (ou uma empresa) quebra e é perdoado, então a sua má gestão é compensada, em detrimento de quem geriu sem ajudas.
Mas a reclamação de Vieira também trará água no bico: ao Benfica não caía mal uma folga da banca. O clube da Luz, além de ter o maior passivo bancário, tem também sido forçado a reduzi-lo, o que tem feito através de receitas de jogadores vendidos e através de emissão de obrigações (cujo encaixe na prática serve para pagar dívida aos bancos).»


Na passada segunda-feira, dia 2 de Setembro, o Jornal de Negócios publicou uma notícia acerca do Plano de reestruturação do Banco Comercial Português (BCP), em que é dito o seguinte:

«A Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia aprovou de forma final o plano de reestruturação do Banco Comercial Português (...)
Deste modo, o BCP vai desinvestir em várias das actividades que mais imparidades provocaram nos últimos trimestres nas contas do banco, tais como empréstimos para compra de títulos, crédito fortemente alavancado, crédito à habitação bonificado histórico e crédito a certos segmentos associados a construção, clubes de futebol e promoção imobiliária.»


Três dias depois, no dia 5 de Setembro, novamente na sua crónica semanal no jornal Record, Pedro Santos Guerreiro escreveu o seguinte:

«Já aqui escrevi que, como Portugal tem de obedecer à troika, o Sporting tem de cumprir as ordens dos bancos credores. Ora até as ordens são mais ou menos as mesmas: reduzir despesa permanente e vender ativos para baixar a dívida. (...)
na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo.
Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro.
Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu


Para além de ser diretor do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro é também colunista da Sábado, do Record, da Rádio Renascença e da RTP e comentador convidado na CNN e na Aljazeera.
Por outro lado, é alguém que já deu provas de estar bem informado acerca da situação da Banca portuguesa e, particularmente, da relação entre alguns Bancos e os clubes de futebol.

Tudo isto para dizer que os textos que reproduzi em cima são altamente preocupantes, porque são indiciadores de que pode estar em curso uma operação de perdão de dívidas selectiva, envolvendo dois dos maiores bancos portugueses e os clubes da 2ª circular. E, como é óbvio, isso é algo que tem consequências na capacidade desses dois clubes em investirem, no presente e no futuro, nas respectivas equipas de futebol. A confirmar-se, não tenho dúvidas que isto se traduzirá na maior viciação de sempre da competição futebolística em Portugal.

Esqueçam os árbitros que gostavam de “fruta” ou os que preferiam as meninas do Elefante Branco.

Ignorem as almoçaradas em Canal Caveira ou os jantares no Sapo.

Isto é de outra dimensão, envolve a alta finança que circula nos corredores do poder e muitos, muitos milhões de euros (basta ter em conta o valor crescente dos passivos financeiros das SAD’s do sporting e benfica).

Segundo Pedro Santos Guerreiro, BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida do Sporting, perdendo dinheiro.
Quantos milhões de euros já foram perdoados?
Ou, se preferirem, estamos a falar de quantas contratações milionárias?

Em Março passado, sem revelar qualquer pudor, Luís Filipe Vieira veio a público dizer que queria idêntico tratamento para o Benfica ("Se houver perdão, tem que haver perdão para o Benfica também").
E Domingos Soares Oliveira, administrador da slb SAD acrescentou: “É difícil entender que bancos intervencionados com os nossos impostos possam utilizar dinheiro dos contribuintes para perdoar dívida, seja a quem for.”

Sabe-se agora, através do benfiquista Pedro Santos Guerreiro, que o Banco Espírito Santo estará a “amparar o Benfica”.
O que significa este “amparar”?
Não se sabe ao certo mas, no imediato, permitiu que a slb SAD investisse cerca de 40 milhões de euros em 15 novas contratações para esta época, sem ter necessidade de fazer vendas significativas (encaixou menos de 15 milhões de euros em vendas e empréstimos), isto é, a slb SAD pôde investir fortemente em reforços, sem ter de se desfazer dos melhores jogadores que tinha (e tem) no seu plantel.

Mais. Graças a este “amparar” da banca, o benfica pode dar-se ao luxo de, após o fecho do mercado, ter ficado com um plantel de 31 elementos (Artur, Paulo Lopes, Oblak, Maxi Pereira, Sílvio, Luisão, Garay, Jardel, Steven Vitória, Mitrovic, Siqueira, Bruno Cortez, Matic, Enzo Pérez, Fejsa, Ruben Amorim, André Almeida, André Gomes, Gaitan, Djuricic, Sulejmani, Markovic, Salvio, Ola John, Lima, Rodrigo, Cardozo, Funes Mori, Carlos Martins, Djaló, Urreta), enquanto que o principal rival, o FC Porto, reduziu o seu para 24 elementos.

Numa altura em que há bancos a interferir na competição desportiva desta maneira, “amparando”, reestruturando pagamentos e até perdoando dívidas de milhões a uns clubes e não a outros, por onde andam os arautos da "verdade desportiva"?

Sim, eu sei que estes bancos são privados, mas recordo que a generalidade da banca portuguesa teve de recorrer a significativos apoios do Estado (12 mil milhões de euros do empréstimo da ‘Troika’ ao Estado português tinham como destino a recapitalização dos bancos) e, portanto, o próprio Estado deveria ter uma palavra a dizer.

Espero que os dirigentes do FC Porto estejam atentos e, se for caso disso, denunciem publicamente esta situação e intervenham junto das entidades competentes.

P.S. Em comunicado divulgado na CMVM, a Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD informou o mercado que registou perdas 43,81 milhões de euros no ano fiscal compreendido entre 1 de Julho de 2012 e 30 de Junho de 2013, quando no período homólogo anterior os prejuízos tinham ascendido a 45,94 milhões de euros.
Eu sei que o Sporting tem sido governado por gente ligada aos bancos. E também sei que José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, pertenceu durante muitos anos aos órgãos sociais do Sporting mas, mesmo assim, como é possível haver bancos que, ano após ano, continuam a suportar este tipo de perdas? Quem vai pagar estes sucessivos prejuízos brutais? Quando?

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 7 de setembro de 2013

Jornalismo da treta

Quando um jornal especializado em economia (como o Jornal de Negócios) fala de futebol, eu não tenho expectativas de ler análises particularmente inteligentes ou aprofundadas ao jogo «jogado» (às tácticas, treinadores, jogadores, etc); mas tenho a expectativa de quando falam das contas dos clubes/SADs  saibam ao menos do que estão a falar.

Ora saiu um artigo esta semana sobre os orçamentos das SADs/clubes de futebol que está um autêntico disparate. Quem o escreveu não fez o mínimo trabalho de casa nem está minimamente a par da realidade, o que é indesculpável.

Pois segundo esse artigo, a SAD do FCP vai gastar este ano quase tanto como os restantes clubes da Liga todos juntos. Pois...

Dizem eles que a slb SAD planeia reduzir os custos de 50M na época passada para 40M nesta época (a SAD do FCP alegadamente e segundo este jornal gasta mais do dobro, nomeadamente 90M). Ora basta-me dar uma vista de olhos ao R&C da respectiva SAD para o futebol para constatar imediatamente que só nos primeiros 9 meses do ano passado (não há dados mais recentes) a SAD do slb gastou... 98M. Um «pequeno» erro de aproximação da parte do Jornal de Negócios, presumo.

Para além disso misturam alhos com bogalhos, falando em «orçamentos» mas colocando depois (e para os mesmos dados) a legenda «investimento» nos quadros, como se não fossem duas coisas completamente distintas...

Voltando ao planeta Terra, a realidade é a seguinte: as SADs do FCP e slb para o futebol gastam quase exactamente o mesmo: slb os tais 98M nos primeiros 9 meses de 12/13, e o FCP 99M no mesmo período. Olhando para os acontecimentos mais recentes (por ex movimentações de plantel, etc), não há razões para acreditar que tenha havido qualquer mudança minimamente significativa neste equilíbrio.

Há rubricas nas despesas que são difíceis de comparar, já que não são contabilizadas da mesma forma nas duas SADs (por ex a do slb inclui o estádio mas na do FCP não: há também diferenças em FSE). Mas nas duas rubricas que reflectem mais directamente a valia do plantel e o investimento nele feito, temos também um empate técnico: tanto FCP como slb gastaram nesses 9 meses 37M em «custos com pessoal» (salários, bónus) e 19M em «amortizações» de passes de jogadores.

Volto a repetir que as movimentações de Verão não levam a crer que venha a haver na época presente qualquer mudança significativa nestas duas rubricas.

Curiosamente, a SAD do SCP gasta(va) muito mais do que seria de esperar olhando para a competividade da equipa e formação do plantel: 30M em custos com pessoal (apenas 20% menos do que os dois grandes) e 12M em amortizações de passes, nos mesmos 9 meses. No caso deles já será de esperar uma descida razoável e significativa na presente época, mas não drástica (há muita «inércia» nestas rubricas).

Ora se eu que sou um carolas consegui encontrar estes dados com um esforço mínimo, o que dizer do trabalho (?) do Jornal de Negócios neste tal artigo que tem feito eco? No comments...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Quebrar a doutrina da ordem


A importância e responsabilidade do treinador têm vindo a crescer. Os estudos de todo o tipo, visando melhorar o comportamento individual e colectivo dos atletas, exige uma formação multidisciplinar dos técnicos, que ficam obrigados a dominar no cabal cumprimento das áreas de treinamento e gestão de recursos humanos. José Maria Pedroto foi o percursor do sistema, Artur Jorge acrescentou-lhe novas valências, neste país à beira mar plantado.

Apesar do indiscutível progresso, os fundamentos do futebol pouco mudaram, ao contrário do que aconteceu em quase todas as outras modalidades colectivas. Em  oposição a esse conservadorismo, a retórica actual tende a comentar as nuances do desporto-rei como se de uma ciência se tratasse. Nota-se essa tendência na rebuscada forma de explicar o jogo como uma mera sucessão de efeitos produzidos em função de opções previamente estudadas, escolhidas, treinadas e esquematizadas, com o rigor que uma operação de exigência máxima reclama e que inclui um plano B se ocorrer algum acidente de percurso perverso. Há um exagero na determinação dessa relação causal, porque o jogo não bate assim e os pequenos detalhes provocam os maiores acidentes, frequentemente.


Um programa da Sportv (da rúbrica Reportv) tratou um pouco do regresso às origens do futebol, e cuja visão recomendo vivamente. Destaco alguns tópicos que tirei do programa: O futebol de rua ou a Rua dentro dos clubes; A formatação em vez de formação; Formatação, cedo demais; Os treinadores não falam para os atletas perceberem o caminho por si; Descobrir o artista que vive no jogador; Criação de contextos favoráveis ao crescimento individual; Desenvolvimento à procura de novos talentos; A trivela de Quaresma estava do lado errado da ordem; Quebrar a doutrina da ordem.
Luís Castro foi um dos rostos desse programa que encontrou outros técnicos com ideias muito interessantes. A ver!


Paulo Fonseca resolveu não quebrar a doutrina da ordem e deixou Kelvin de fora dos 21 escolhidos para a CL. Sei que não faltarão as inteligentes e verdadeiras  explicações dadas ao atleta e ao público para demonstrar e validar as vantagens da (sua) opção. Não me conformo e acho um perfeito disparate. Foi ele (Kelvin) com a sua “desordem” que desmanchou o imbróglio e resolveu o campeonato da época passada. O FCP não pode desistir de Kelvin, mas com esta opção poderá tê-lo perdido. Não podemos vulgarizar a importância daquele minuto 92 e um gesto vale mais que mil palavras. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Os 21 de Paulo Fonseca

Fechada a janela do mercado de transferências (pelo menos para os principais mercados) e resolvidos os casos de Rolando, Castro, Sereno, Atsu, Tiago Rodrigues e Abdoulaye (pelos vistos, Kléber não se importa de ficar a treinar juntamente com a equipa B...), o plantel principal foi significativamente reduzido para um número mais perto do pretendido por Paulo Fonseca. Contudo, dos 24 jogadores do plantel principal, apenas 21 puderam ser integrados na lista A de inscritos na Liga dos Campeões 2013/14, a qual, na passada terça-feira, foi enviada para a UEFA.

Lista A:
Guarda-redes: Helton e Fabiano
Defesas: Maicon, Alex Sandro, Fucile, Otamendi, Danilo, Mangala e Reyes
Médios: Defour, Josué, Herrera, Fernando, Lucho, Izmailov e Quintero
Avançados: Ricardo, Licá, Varela, Ghilas e Jackson

A juntar à lista A, a lista B inclui mais 22 jogadores jovens da formação azul-e-branca, os quais poderão ser chamados numa qualquer eventualidade:
Kadú, David, Tiago Ferreira, Mikel, Tomás, João Costa; Caio, Frederic, Tozé, Rafa, André Silva, Gonçalo, Belinha, André, Nancassa, Graça, Bruno, Francisco, Vítor, Marcelo, Mata e Ivo.


O principal destaque da lista A foi a ausência de Kelvin, a qual motivou diversos comentários e títulos nos jornais.
De facto, na parte final da época passada, Kelvin ganhou algum espaço no lote dos habituais 18 convocados e foi mesmo o “herói” em dois jogos decisivos contra o SC Braga e o slb. Naturalmente, isso fez com que o jogador tivesse expectativas mais elevadas para esta época, chegando a dizer publicamente que queria ter mais oportunidades para jogar.

O JOGO, 23-06-2013

Contudo, as expectativas de Kelvin não se concretizaram e, pelo menos até Dezembro, parece certo que não será uma aposta de Paulo Fonseca. Para jogar nas alas, o novo treinador do FC Porto já fez as suas escolhas e, por aquilo que se percebe, prefere Licá, Varela, Ricardo e Josué.
A questão que se coloca é se, perante isto, não teria sido melhor emprestar Kelvin a um clube da I Liga, de modo a que ele pudesse jogar com regularidade?
Aliás, o próprio jogador, na entrevista ao jornal brasileiro 'Gazeta do Povo', afirmou que não se oporia a um cenário destes.

Quem também fica de fora é Bolat (o terceiro guarda-redes será Kadú) e Carlos Eduardo, apesar dos bons indicadores que este médio de ataque brasileiro deu nos jogos da equipa B em que já actuou.

Cheguei a admitir a hipótese de ser Diego Reyes a ficar de fora da Lista A e o 4º defesa-central (que raramente joga na LC) ser Tiago Ferreira, mas Carlos Eduardo não tem o mesmo estatuto do defesa-central mexicano e, além disso, concorre com Lucho, Quintero e, talvez, com Izmailov, o que, convenhamos, não lhe facilita a vida.

Seja como for, à partida, parece-me um lote de jogadores mais forte e equilibrado do que na época passada, mas a prova dos nove será feita dentro do campo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As (reais) expectativas do FCP nas noites europeias

Acabou o fantasma do mercado. O plantel está finalmente definido. Salvo um acidente de última hora (este ano altamente improvável) os que estão são os que vão ficar até Janeiro. Ao mesmo tempo já sabemos com quem vamos ter de competir para alcançar os Oitavos de Final da Champions, o objectivo habitual da SAD ano atrás ano. E não vão ser pêras doces. A tudo isto sai a primeira lista oficial do clube para participar na prova e como continuamos com o eterno problema da ausência de prata da casa, a lista só conta com 21 jogadores. Não há espaço para o homem do golo do título (Kelvin), para o médio em melhor forma dos B (Carlos Eduardo) nem para o guarda-redes que ninguém entende porque foi contratado (Bolat).

Estamos a quinze dias de arrancar as novas noites europeias do ano. E os problemas continuam a ser os mesmos. E as dúvidas dos adeptos também. Afinal, a que pode/deve aspirar o FC Porto quando joga na Europa?

Há três formas possíveis de avaliar o que esperar de uma equipa na Europa.
São variáveis que nada definem, por si só, mas que deixam as suas pistas. Nenhuma delas é preto no branco. O dinheiro não compra tudo (que o diga o Manchester City, por exemplo) mas ajuda. Como o Zé Rodrigues aqui adiantou bem, nenhuma equipa fora do top 20 das maiores fortunas da Europa alcançou as meias-finais da competição dos últimos cinco anos. E nós não pertencemos a esse grupo. Também é certo que, por outro lado, muitas outras equipas mais modestas (do SL Benfica ao APOEL) estiveram nesse periodo de tempo nos Quartos, essa fasquia que não alcançamos desde 2009.

Por outro lado está a experiência. Não é por acaso que na Champions, quando é a doer, estão quase sempre os mesmos. O acumular de jogos internacionais é muito importante para realizar uma boa prova. Algumas presenças de equipas funcionam como cometas (o Málaga é o melhor exemplo) mas a consistência ajuda a perceber os truques à prova e a conhecer as realidades com que nos deparamos. Aí somos imbativeis, um dos clubes com mais participações. Aliás, esse tem sido o parte da base do sucesso do clube. Um ciclo vicioso entre os títulos nacionais e as presenças regulares na fase de grupos. Primeiro porque era preciso ganhar a liga para aí chegar (alguém ainda se lembra da eliminação com o Anderlecht?) e para ser campeão dava jeito os milhões que se conseguiam nos jogos. Esse ciclo alimentou também clubes como o Lyon, o Ajax ou o Rosenborg.



Por fim está o mais básico: a qualidade do plantel.
Uma equipa com dinheiro nem sempre tem o plantel mais equilibrado. Uma equipa sem dinheiro raramente tem um plantel capaz de lutar por algo. Uma equipa com experiência pode ter um plantel fraco no presente e uma equipa com um bom plantel actualmente pode não ter jogos nas costas há largos anos (por isso tínhamos a Nápoles e Dortmund no pote 3). O FC Porto tem um plantel que não se coaduna com o de um cabeça-de-serie. Há jogadores de topo, jovens com boa margem de progressão e futebolistas medianos. Temos uma equipa capaz de lutar pelo apuramento mas que não dá nenhuma garantia absoluta de o conseguir à partida (dentro do que é o futebol). Essa é a realidade.

Olhamos para os planteis dos rivais e vemos que são parecidos aos nossos. Entre FC Porto, Zenit e Atlético a diferença não é muito grande. O Zenit tem mais dinheiro mas tem talvez o grupo mais descompensado, o pior ambiente, um treinador questionado e uma massa de adeptos frustrada pela incapacidade de rever títulos recentes com tanto dinheiro gasto. Witsel, Hulk, Luis Neto e Danny vieram da liga portuguesa, pagos a peso de ouro, e podiam ter lugar no nosso plantel mas nenhum deles é uma estrela mundial. Já o Atlético vive, sobretudo, da sua organização. É uma equipa solidária, difícil de bater. Não jogam especialmente bem mas competem como poucos. Também não contam com estrelas, mas Diego Costa não está demasiado longe do que é Jackson, Arda Turan do que pode fazer Lucho e o trabalho de Koke, Mario Suarez e Villa está por cima do que podem fazer Josué, Defour e Varela. E depois está Courtois, um dos melhores guarda-redes do Mundo, um seguro de vida. E Simeone que, longe de ser um génio táctico, é um líder capaz de levar os seus jogadores à batalha e sair vencedor sem baixar os braços. É o melhor treinador, com diferença, dos três. E no entanto o Atlético é o clube que tem menos dinheiro (está penhorado e só se move no mercado graças à influência e o apoio de Jorge Mendes) e experiência na Champions tem dos três (apesar de ser bicampeão da Europa League, sabem que o abismo entre as duas provas é imenso).

Ao contrário da temporada passada, onde a diferença abismal com o PSG (em orçamento, plantel e treinador) foi esbatida brilhantemente no Dragão, e a superioridade com os dois Dinamo (de Kiev e Zagreb) não deixava muitas margem para dúvidas, este ano a competição vai ser muito mais exigente e os seis pontos com o FK Austria Viena serão absolutamente fundamentais para decidir quem segue em frente. O grande problema que tem Paulo Fonseca é, no entanto, a dificuldade de competir na mais exigente competição do mundo quando se disputa, semanalmente, jogos a brincar no campeonato.


O primeiro passo para ter uma equipa competitiva na Europa é disputar uma liga exigente.
Uma realidade que obriga a ter um plantel largo, com opções, a pensar nas duas provas. Uma realidade que mentaliza os jogadores que têm de jogar a sério semana sim e semana também e não só de quinze em quinze dias. E isso, há muitos anos, que o FC Porto não é forçado a fazer. A Liga Sagres é cada vez mais uma anedota competitiva. Por muito boa que seja uma equipa, acabar três temporadas com uma só derrota em noventa jogos competitivos não é sinal de brilhantes. É também um sinal evidente de falta de rivais à altura. O FC Porto disputa dois jogos sérios ao ano, quatro ou cinco eventualmente mais complicados. E o resto é para cumprir calendário. São jogos que podem tornar-se chatos (como em Felgueiras) mas cuja obrigação de ganhar é evidente tal como a desmotivação dos jogadores. É muito difícil criar uma dinâmica ascendente - com uma condição física óptima, uma rotina de jogo orientada para as exigências da alta competição, um grupo altamente motivado - quando se alternam noites europeias com jogos contra dois mil adeptos em Barcelos. É a nossa realidade. Ocasionalmente, e só ocasionalmente, haverá honrosas excepções. Mesmo na etapa Mourinho, é preciso não esquecer que o Sporting era um rival mais do que digno, o Benfica uma equipa perigosa e o Boavista estava no seu melhor ciclo histórico, uns furos bem acima do que pode fazer agora o Braga. Agora a liga é cada vez mais a dois, decidida em pequenos detalhes e no confronto directo. E essa realidade é difícil de compaginar com uma mentalidade ganhadora lá fora, especialmente contra equipas de maior orçamento (Zenit) e uma mentalidade mais agressiva, também consequência da realidade da sua liga (como foi o Málaga e será o Atlético).

Pode o FC Porto ganhar o grupo contra estes rivais e fazer jus ao estatuto de cabeça-de-serie?
Claro que pode. Tem 360 minutos de máxima exigência contra dois rivais sérios. Mas o plantel tem lacunas, particularmente um extremo capaz de resolver jogos. E sobretudo, falta-lhe experiência europeia para desligar a cabeça de rivais como o Setúbal e pensar num duelo intenso em Madrid, contra 50 mil fanáticos ou uma longa e complicada viagem à Rússia. A realidade é essa, e consequência da situação económica do clube - a ausência de um plantel de maior qualidade - e do estado do país, que destruiu a competitividade da liga. Será difícil cumprir aquele que para mim devia ser o objectivo do clube - os Quartos. Para lá chegar é preciso mudar o "chip" e a mentalidade de quem dirige. Com o que temos na mão, com um novo sistema, um treinador inexperiente, muitos jogadores novos e uma liga que é um handicaap até Dezembro, tanto podemos ganhar o grupo como terminar em terceiros. Nenhum desses cenários seria surpreendente.

Pessoalmente confio na passagem aos Oitavos, em segundo lugar, atrás dos espanhóis. Mas mais pela irregularidade defensiva do Zenit do que pelo aquilo que o plano de Paulo Fonseca e o plantel inscrito me inspira. Para os dirigentes, cumprir esse objectivo será motivo de felicitação. Para mim será mais um ano perdido. E o preço a pagar por mais um Tri, Tetra ou Penta num campeonato cada vez mais fácil de ganhar e mais difícil de apreciar!

PS: Já sei que a final é na Luz, já sei que há uma tendência proclive para o "fanatismo" que acredita que os astros se vão conjugar para que o FC Porto seja campeão europeu nas fronhas do rival, que o Pinto da Costa vai ser santificado no acto e tudo o mais. Esqueçam isso. A sério. Se acontecer (e que bom que era) que seja uma surpresa e não uma obsessão!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Crise? Qual crise?

Agora que os mercados fecharam em quase todo o lado, os plantéis finalmente começam a tomar contornos definitivos.

A Premier League consolida cada vez mais o papel destacado de liga rica da Europa: neste defeso os clubes ingleses gastaram mais de 720M€ em passes (facilmente batendo o recorde de 2008), mas o mais importante é que tiveram um investimento líquido (descontando as vendas) de 460M€ - alimentado em grande parte pela venda de direitos de TV (mas não só).

A seguir e a grande distância vêm os clubes espanhóis e italianos ex-aequo (390M€ cada, 25% dos quais só para o Bale), franceses (315M€, dos quais metade no Mónaco) e alemães (270M€) – não tenho dados para a Rússia, mas estou certo que vem mais abaixo. Salvo erro o dinheiro gasto em passes subiu em todos esses países neste defeso.

Não tenho dados para o investimento líquido nessas ligas, mas terá sido certamente uma pequena fração dos 460M€ na Premier League, se é que foi positivo. De assinalar também que o grosso do investimento nessas ligas foi muito mais concentrado num punhado de clubes do que em Inglaterra.

É por o dinheiro estar acima de tudo em Inglaterra que é importante que os não-comunitários contratados pelo FCP sejam titulares na sua seleção (um critério fundamental para poderem lá jogar – a FA abre excepções, como foi o caso do Anderson, mas são isso mesmo, excepções). É possível que tenha sido por causa disso que Fernando não tenha sido agora transferido para lá, e é um factor que poderá eventualmente limitar o «leilão» numa venda futura de Jackson (ele que está tapado por Falcão na seleção).

De resto e falando do FCP, acabou por não haver nenhuma saída de titulares habituais (nem mais nenhuma contratação, havendo quem suspirasse por um extremo). Boa notícia, excepto talvez no caso de Fernando (por mim tinha-o vendido por ofertas superiores a 10M€... agora é extremamente urgente 1. renovar contrato e 2. trabalhar seja o jogador seja a táctica, de forma a maximizar a sua utilidade na equipa).

Com as saídas de Ba e T. Rodrigues para o Guimarães e de Iturbe para Verona, o plantel concluiu o seu emagrecimento. De assinalar que um impacto da saída do primeiro junto com as saídas de Atsu (bem vendido) e Castro, voltamos a ter um único jogador formado no FCP no plantel: Josué (que depois de ter sido dispensado há 2 anos foi comprado outra vez, qual filho pródigo regressado a casa).

Isso, junto com um recorde negativo de portugueses no plantel (4 apenas, incluindo o Josué), limita o treinador nas inscrições para a UEFA, e penso que terá sido uma das razões para termos o plantel mais curto da última década: 24 jogadores.

Mesmo assim nem todos poderão ser inscritos na UEFA (salvo erro 3 ficarão de fora, já que pelo que vi nenhum dos estrangeiros do plantel fez 3 épocas completas em Portugal até aos 21 anos), já que só há 17 inscrições livres estando mais 4 reservadas para prata da casa (usamos apenas uma) e outras 4 para jogadores formados em Portugal (das quais vamos usar 3), o que é pena. Para além de Bolat (certinho que fica de fora), não é óbvio quem escolher à partida sabendo-se que até Janeiro não pode haver alterações... penso que a escolha será entre Izmaylov e C. Eduardo; e entre Kelvin e Ricardo. 21 parece-me curto... em última instância teremos que recorrer a adaptações ou prata da casa sub21 que jogue na equipa B (que podem ser inscritos na UEFA).


De resto estou curioso para ver o R&C da slb SAD daqui a uns meses, já que - apesar de não se poderem dar a esse luxo, a não ser à custa de carregar ainda mais o endividamento, já de si muito elevado - investiram muito mais do que encaixaram em vendas, nomeadamente 25M€. Será que daqui a um ou dois anos teremos uma repetição do «estouro» que vimos agora no outro lado da 2a circular?

domingo, 1 de setembro de 2013

Meu Deus, que mau!

Paços Ferreira x FC Porto, Jackson Martinez (fonte: Maisfutebol)

Que mau que é ver um ponta-de-lança titular do FC Porto a rematar à baliza pior que um iniciado. E não foi uma ou duas vezes, foram sete ou oito.

Que mau que é ver um jogador da categoria do Lucho e a "revelação" Licá a imitarem Jackson Martinez e a também não conseguirem sequer que um dos seus vários remates fosse enquadrado com a baliza.

Que mau que foi ver como, primeiro Fucile e depois Maicon, iam enterrando a equipa, devido à forma displicente com que abordaram dois lances em zonas proibidas. Valeu São Helton.

Que mau que foi ver a dificuldade que o FC Porto teve para vencer este Paços de Ferreira, uma equipa frágil, em reconstrução, que jogou a meio da semana em São Petersburgo e que vinha de quatro derrotas em quatro jogos oficiais.

Que mau que foi ver o FC Porto a queimar tempo no final do jogo, à espera que os minutos passassem, em vez de aproveitar o adiantamento do Paços para marcar o 2º golo e "matar" o jogo.

Enfim, perante uma exibição cinzenta, salvou-se o resultado, uma magra vitória que valeu 3 pontos e a manutenção da liderança do campeonato.

E parabéns aos milhares de adeptos do FC Porto que se deslocaram a Felgueiras, os quais apoiaram a equipa do princípio ao fim, fazendo com que, na prática, quem jogou em casa tivesse sido o FC Porto e não o Paços de Ferreira.

P.S. Sim, o FC Porto ganhou, mas se aquilo que esteve mal não for corrigido (para além do Jackson, é preciso outras alternativas para finalização das jogadas de ataque; contra equipas fechadinhas, um meio-campo formado por Fernando, Defour e Lucho é muita parra e pouca uva), mais tarde ou mais cedo iremos ter amargos de boca.

FC Porto na EHF Champions League

Depois de ontem ter derrotado os noruegueses do Elverum Herrer (29-28), hoje, na final do Torneio de Qualificação da EHF Champions League, o FC Porto derrotou os romenos do HCM Constanta, por 26-22, após prolongamento.

O regresso, 12 anos depois, de uma equipa portuguesa à maior prova do mundo de clubes (a última presença foi do Sporting, em 2001/02) é a concretização de um sonho e é também o ponto alto de uma geração de campeões - Ricardo Moreira, Tiago Rocha, Wilson Davyes, Gilberto Duarte, Hugo Laurentino, Pedro Spínola, Alfredo Quintana -, superiormente orientados por Ljubomir Obradovic, no âmbito de um projeto exemplar liderado pelo professor José Magalhães.

PARABÉNS à família do andebol portista!

O futuro lateral-direito do FC Porto


«O FC Porto assegurou o empréstimo de Victor Garcia, lateral-direito que representou a Venezuela no Campeonato Sul-Americano de Sub-20 que ainda decorre na Argentina. O jogador tem 18 anos mas já alinha pelos seniores do Real Esppor, tendo feito a estreia ainda com 16 anos, destacando-se por uma versatilidade que lhe permite preencher qualquer posição do corredor direito.
Numa primeira fase, Victor Garcia vai integrar os Sub-19 portistas, às ordens de Nuno Capucho, podendo mais tarde evoluir para a equipa B.»
O ponto alto da sua carreira foi o encontro que disputou pela seleção principal da Venezuela, contra as Honduras, em agosto de 2011.»
in record.pt, 23 Janeiro de 2013 | 06:28


O Desportivo Aves x FC Porto B de ontem, que os dragões venceram por 1-0, foi a 3ª vez que vi jogar este lateral-direito venezuelano e voltei a ficar agradavelmente impressionado com a sua exibição. Foi dele a jogada e cruzamento que esteve na origem do único golo do desafio e, na minha opinião, foi ele o melhor em campo.

Sem ser muito alto (mede 1,75m), é um jogador forte, possante, rápido, bom a apoiar o ataque e que já revela um bom posicionamento a defender.

Posso estar enganado, mas este Victor Garcia tem tudo para vir a ser um grande lateral-direito e, possivelmente, o sucessor de Danilo na equipa principal.